sexta-feira, dezembro 07, 2007

Late night bar philosophers, nº17
Mesmo com a sala apinhada e uma vozearia inconcebível, percebeu claramente o que ela lhe disse:«Mente-me, para que possa voltar a acreditar-te»
The ghost of Christmas future

Teaser para o Extras especial de Natal. Já mencionei aqui que Ricky Gervais é o melhor que aconteceu ao humor depois dos Monty Python? Ah, desculpem.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Este blogue é CONTRA a ratificação do Acordo Ortográfico. Agora como em 1990, quando ainda nem existia.

sexta-feira, novembro 30, 2007

This is a video statement for the weekend

Sonny Rollins, My One And Only Love

quinta-feira, novembro 29, 2007

A propósito do título de post abaixo, o autor revela como vampiriza bons versos de boas canções

«The saddest thing I've ever seen was smokers outside the hospital doors»
Uma das coisas mais tristes que vi *
Numa montra atafulhada de uma papelaria em Campo de Ourique, no meio de enfeites baratos de Natal e brinquedos gastos made in China, um jogo de gamão, com a inscrição na caixa:«O jogo de estratégia mais elitista do mundo».

* ou mais ridicula, ainda não me decidi.

domingo, novembro 25, 2007

«Oh distance has no way of making love understandable»

Wilco, Radio Cure

sexta-feira, novembro 23, 2007

Por que gosto de raparigas (razão nº 234559, alínea c)

Au Revoir Simone, Sad Song

(e vão estar em Portugal, pasmai)

quinta-feira, novembro 22, 2007

Podia ser Ian Curtis

Talvez não saibas que o amor,
Apesar das suas leis,
Desnorteia os corações;
- Complicadissíma teia
Onde se perde o bom senso
E as mais sagradas razões.

(in Complicadíssima teia, António Botto)
Eu hoje acordei um hooligan...

E como tal é bem possivel que passe por aqui e parta isso tudo. Eu avisei.

(o que me chateia é que o gajo tem toda a razão, embora só no último paragrafo. Mas é um a mais, é um a mais!)
«There'll always be an England»


«There'll always be an England,
And England shall be free
If England means as much to you
As England means to me.»

(eu vi o jogo. Primeira parte desastrosa, McLaren teimoso como Scolari; segunda parte épica e jogo perdido à portuguesa. E é tudo o que quero dizer. Aconselho amigos e inimigos a tocarem este delicado assunto com a atitude do porco-espinho quando faz amor: com muito cuidadinho)

terça-feira, novembro 20, 2007

Finalmente a chuva
E mais um pretexto para se oferecer baladas a quem mais se ama.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Queria apenas reforçar o post abaixo. Obrigado.

quarta-feira, novembro 14, 2007

«It's Sinatra's world. We just live in it"

Quem frequenta esta casa sabe bem o que o pobre autor deste blogue pensa de Frank Sinatra. E se não sabe eu digo: Sinatra é o nadador-salvador das almas à toa, o professor da arte perdida de viver.
E agora é outra coisa: é o elo perdido das amizades virtuais e das cumplicidades que nesta coisa se encontram. Por isso, tenho (já que o autor do blogue c'est moi) ainda que agradecer ao Mestre o ter encontrado parceira para pequenas marginalidades on the rocks e um pouco de álegre aproveitamento do ócio a que temos direito. Se antes já achava que a minha consócia e co-fundadora do clube acima descrito era um bocadinho de alguém que eu gostaria de ser, agora isso já não vale a pena, porque de certa maneira já somos. Façam o favor de se inscrever, ó gente de bom gosto, ó pagãos que ainda vislumbram a salvação. Responderemos a todos.

You only live once, and the way I live, once is enough.
Francis Albert Sinatra

segunda-feira, novembro 12, 2007

O que irá resistir ao tempo

The National, Apartment Story
«Eh pá, deixa-me abrir contigo», «vai beijar o homem-bomba»

Lamento, mas este blogue nunca gostou e dificilmente gostará de Jorge Palma. Marginais, só os de smoking.
Dias de culto


Depois de Control, de Anton Corbijn. Perceber onde tudo começa, onde tudo acaba.

sexta-feira, novembro 09, 2007

LXXI

No longer mourn for me when I am dead
Than you shall hear the surly sullen bell
Give warning to the world that I am fled
From this vile world with vilest worms to dwell:
Nay, if you read this line, remember not
The hand that writ it, for I love you so,
That I in your sweet thoughts would be forgot,
If thinking on me then should make you woe.
O! if, I say, you look upon this verse,
When I perhaps compounded am with clay,
Do not so much as my poor name rehearse;
But let your love even with my life decay;
Lest the wise world should look into your moan,
And mock you with me after I am gone.


William Shakespeare
Crying men



Fotografias de Sam Taylor-Wood. Estupendo.(descoberto aqui, via Ricardo)

sexta-feira, novembro 02, 2007

Então agora assuntos sérios:
a célebre corrente 161, que me foi gentilmente inoculada por esta senhora e este cavalheiro. A quinta frase da página 161 de um livro que ando a ler e que me está mais geograficamente acessvel as I write é

«His eyes were heavy and dull, with a film of moisture across them and a rim of white along the lower lids»

Acredite-se ou não, é retirado do excelente Michael Palin Diaries: 1969-1979, The Python Years. É preciso gostar do registo diarístico, como eu gosto. O livro mostra, entre outras coisas, as diferentes personalidades dos Monty Python (o conciliador e pau-para -toda-a-obra Palin, o diligente e desconfiado Terry Jones, o hedonista e alcoolico atormentado Graham Chapman, o brilhante mas cauteloso Eric Idle, o perfeccionismo patológico de John Cleese, a inesperada empatia [do meu ponto de vista] de Terry Gilliam. Pelo meio há histórias familiares, episódios delirantes, diálogos ouvidos em vários lugares que são praticamente sketches, a Inglaterra dos anos 70, o clima de medo pelos atentados constantes do IRA,a relação com o sucesso e sobretudo - onde me encontro agora - o choque cultural com os Estados Unidos. Adoro o episódio em que os Python conhecem Leonard Bernstein sob os flashes de dezenas de fotógrafos e o vaidosissimo Bernstein pede a Cleese e Idle para fazerem ali parte de um sketch. Resposta imediata de Idle:
« Claro que sim, desde que nos cante um bocadinho de Beethoven»
A frase citada refere-se ao pai de Palin, que sofria de Parkinson.
Causas fracturantes
Há muito tempo que a caixa de mail não estava tão cheia, com conhecidos e anónimos a responderem com prontidão ao meu apelo desesperado: a morena da bola na RTP, quem é?
É esta: Inês Gonçalves, que se coloca aqui para gáudio geral. Admiro sinceramente as qualidades da moça e não o digo ironicamente. Ah, fale-se de bola ou raparigas ou uma relação entre as duas e, olhai!, o povo mobiliza-se. É tão bonito.

Inês Gonçalves at work. Os vossos aplausos.

quarta-feira, outubro 31, 2007

Doces obsessões

Head Home ,dos Midlake, sob imagens de Tess.
Isto sim, é uma corrente!
E aquela moça que apresenta o futebol, primeiro na RTP-N agora na RTP grande, morena e com uns impossiveis olhos azuis? Hã? Estais todos cegos?

(se alguém me disser o nome da moça, que agora se me escapa, agradeço. Essa e outras informações relevantes para o mail acima.Obrigado)
E quando pensavam que o prof.Lamechas tinha para sempre partido...
...eis-me de volta, para uma pérola absolutamente lacrimejante e inevitável. Escrita e cantada originalmente por Serge Lama, Je Suis Malade é o retrato clínico-lamechas do abandono amoroso, com uma melodia em crescendo e um extraordinário refrão de imbatíveis capacidades sacarinas. E ainda por cima a canção é muito boa. Esta versão é um duo com a diva Dalida, que tenta sem sucesso destruir a letra com o seu famoso sotaque balcânico. Mas o que é bom resiste a tudo - até resistiu à Lara Fabian... Resista agora você se puder.
«Maybe not today, maybe not tomorrow but soon and for the rest of your life»,
a resposta deste blogue à corrente da moda: a da página 161. O mundo treme de ansiedade.





(estou numa redacção, meus amigos. E como se sabe, jornalista não lê. Aguentai um pouco)

terça-feira, outubro 30, 2007

Zero a zero.
No passado sábado, sob um sol de Outubro glorioso, três gerações de Guedes sentaram-se na central inferior do estádio do Restelo para assistir ao «clássico» Belenenses-Académica. Para os dois mais velhos, era uma revisitação de tempos antigos, quando as bancadas estavam cheias e, para o Guedes do meio, tudo era visto com olhos de espanto. Para o Guedes mais novo – que usou o cachecol da Académica sob protesto, alegando ser do Sporting, ao que o seu ascendente directo respondia com a magnanimidade que o caracteriza que «era uma fase», passando para o mais dramático «só por cima do lindo cadáver do papá» - , dizia, para o Guedes mais novo tudo era o primeiro verde, as primeiras camisolas, as primeiras emoções. Descoberta contra nostalgia: previsivelmente o jogo acabou zero a zero.
«Manners before morals»,
é a divisa desta casa, que se defende até ao último estertor. Daí reconhecer que tenho sido um mau menino: são devidas as actualizações aos excelentes blogues da minha amiga Laura e do nada discreto maradona (esse template...como direi?, distrai), resultados da inteligente OPA que o SAPO (a SAPO?) anda a fazer. E since we're at it, e eu nunca irei ter lista de links, um que já demorava: o Gattopardo, dos Pedros. Prefiro a política bem escrita à política bem feita.
Estas coisas valem o que valem (ou seja, népia)
...mas é sempre um prazer descobrir que sou o 383º melhor blogue escrito em português (por oposição aos escritos em esperanto, talvez). E logo atrás de mim, O Meu Pipi. Isto sim, uma flagrante injustiça.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Cromo para a troca
Claro que me lembro, meu bom amigo. De ambas. Mas com especial afecto por A Pair Of Brown Eyes, que me lembra a ternura ébria do Shane McGowan no seu melhor. Lembra-me também um dos melhores concertos que vi, caótico e brilhante: Pogues no Coliseu, circa 1988. Em plena forma, com Shane destruidissimo por estar a beber vodka ininterruptamente desde as 3 da tarde.Era o anjo da sua própria destruição. E lembro-me de o ver, de gatas no chão, enquanto a banda prosseguia calmamente um tema, a procurar no palco um medalhão da Virgem Maria que lhe tinha caído do pescoço: «Wait, I have to find the fuckin' thing, it's the Virgin Mary»... Thanks for the memories, old boy. Para ti, então, uma canção que uma vez ouvida é eterna:

quinta-feira, outubro 18, 2007

Qual aquecimento global!
Maça-me muito que a minha operadora de comunicações móveis (TMN) me trate por «tu» nas suas promoções («Liga do Bairro Alto ou da 24 de Julho...»), apenas porque possuo um cartão recarregável e não o peso da assinatura. Voltarei a este tema premente em breve. Obrigado.
Não estou sózinho!
Rectificação devida ao que em baixo afirmei sobre a ausência de comentários sobre a selecção da Rosa na blogosfera: o Eduardo faz uma análise correcta da evolução do 15, mas esquece-se que o que chegou a Paris foram 9 sobreviventes dos 22 que venceram o William Webb Ellis em 2003. oito agora, com a infeliz saída do asa Lewsey, quanto a mim dos mais importantes elementos da equipa. É certo que ao principio jogavam um jogo baseado nos avançados (com um pack de 918 quilos, quem não jogaria?), mas a atitude e a técnica foram melhorando dia após dia. Apesar de wilkinson dependentes, há mais razões para ter esperança no sábado. Este senhor, por exemplo.

Jason Robinson
Da arte perdida dos dois minutos
Houve um tempo em apenas bastavam dois ou três minutos para se ser um herói. Quais quinze minutos warholianos: dois ou três minutinhos, condensados em verso e refrão que não larga, música que se pega à pele e à roupa e que alegremente se esquece, sabendo que já deixou marca. Chamavam-lhes singles, e hoje é uma arte perdida. No fundo são apenas canções, arte popular e imediata, para usar na rua com orgulho, street wear a sério. Este é um bom exemplo: My Perfect Cousin, dos Undertones (1980) é o single new wave perfeito, com a letra a falar de criaturas do nosso quotidiano e a fazer apelo ao mau comportamento versus os arrumadinhos sabichões. E numa nota pessoal, tinha o verso «He always beat me at Subbutteo/ c'os he flicked to kick and I didn't know!». Para amantes do jogo como eu era (e, er...sou), a coisa batia fundo.
Depois Feargal Sharkey, o vocalista, seguiu o seu caminho. Mas sobre isso não vale a pena falar, a sério.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Hinos


If heaven doesn't exist
What will we have missed
This life is the best we've ever had.


Tonight We Fly, The Divine Comedy
Crónicas de uma bola oval
Portanto, deixai que vos conte, ó incréus: sábado foi um dia glorioso. Às 15 horas, vitória de Inglaterra contra a pobre Estónia num jogo penoso. E à noite...à noite, num Cais do Sodré dividido entre gauleses e saxónicos mais apoiantes de nações sortidas, no velho British Bar apinhadíssimo, lá estava eu. À minha volta, rapazes e raparigas vestidos com as camisolas que têm um galo no peito. Atrás, o lugar onde eu queria estar: cantava-se Swing Low Sweet Chariot (hino da selecção de rugby inglesa)e gritava-se C'mon england. Ao meu lado, Allez les bleus.
Entretanto, no ecrã mesmo por cima da minha cabeça, jogava-se o destino do mundo civilizado tal como o entendia naqueles 80 minutos. Jogo dificil, de medo mutuo e recuos e avanços. Só que a partir do intervalo tudo mudou: Wilkinson cresceu, as linhas atrasadas de Inglaterra desfaziam-se em gargalhadas cada vez que Chabal tentava uma investida e ao meu lado dois casais ingleses perguntavam-me se queria uma cerveja. A voz redobrou, cantei até ficar rouco e espero ansiosamente pela final.
Isto sabe particularmente bem quando se trata de uma selecção que foi desconsiderada desde o inicio (pelos próprios ingleses, de resto). Aqui na blogosfera nem se falou deles, com a minha pobre excepção, o que no minimo é estranho sendo a campeã do mundo em título. O desastre dos 36-0 contra a África do Sul também ajudou. Mas they're will always be an England, e os rapazes lá estão. Poderão perder (como racionalmente eu acredito),mas estarão lá, com bravura. Sábado, Paris ardeu. Pode ser que o incêndio não tenha sido extinto.


(e quanto a si, minha querida, deveria saber que basta um corte de cabelo decente e maneiras correctas de estar à mesa para segurar qualquer bárbaro iludido)

domingo, outubro 14, 2007

Midlake

Por vezes a vida teima em nos fazer frente. E é nessa altura que sabemos de quem gostamos, em quem podemos contar. E é tão bom ter razão, mesmo uma razão solitária. A quem merece.
Oh happy day!

14-9. Vemo-nos na final. A rose is a rose is a rose.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Choque de civilizações
Eu sei que a selecção da Rosa não é a melhor equipa nem sequer joga o «melhor» râguebi. Em 2003 também não, e foi o que se viu: um pontapé mortal de Jonny Wilkinson e lá se foi uma das equipas que jogava «melhor» e a Inglaterra se sagrou campeã do mundo, coisa que, recorde-se, ainda é. Eu até acho que a África do Sul será campeã. Mas amanhã há choque cultural e de paixão. E nisso, quero que a Razão se lixe. É preciso escolher lados. O que eu quero e irei ver é isto:


E este bónus maravilhoso: «30 reasons why we hate the French»
Nantes

Do novo álbum dos Beirut. Mais do mesmo ? Sim, graças a Deus.

domingo, outubro 07, 2007

Ana Moura

CCB. 21 horas. Hoje. Corram.

quinta-feira, outubro 04, 2007

E todos os anos, por esta altura, desobediência civil!

sexta-feira, setembro 28, 2007

Something for the weekend
Só temos que agradecer à cidade de Sheffield tanto talento em tão pouco tempo. Mas o caso de Richard Hawley é diferente. Protegido de Jarvis Cocker, que literalmente o reabilitou para a vida, Hawley é um talento que estava à espera de acontecer.
Neste último disco, Lady's Bridge, o homem leva a sua adoração por Lee Hazlewood às mais brilhantes consequências. Exemplo: este excelente Tonight The Strets Are Ours, pop épico e à beira do lamechas. Revivalismo e não nostalgia, e do que acrescenta sempre.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Do que realmente muda a vida
No nosso calendário pessoal, a maioria dos dias permencem anónimos. Dias que passam por passar, que podem ter dentro começos, finais, amores e desamores mas que, pela lei darwinista dos afectos, se esvaziam dentro de outros dias.
Mas existem aqueles que sabemos de cor. Sentimos os cheiros, lembramos as cores, os jeitos, os gestos. Dias que realmente mudaram a nossa vida. Eu tenho três desses dias, todos com nomes. Hoje é um deles: o dia 27 de Setembro nasceu pela primeira vez para mim há exactamente dez anos, e chama-se Leonor.

domingo, setembro 23, 2007

Haja esperança
Em vez de andarem a perder tempo a escreverem canções que já foram escritas, estes rapazes fizeram tudo bem: uma boa melodia rock, refrão epidérmico e ironia a dar com um pau. Para o vosso prazer e visionamento, The Wombats, Let's Dance To Joy Division




(surripiado, como é hábito, daqui)
A salvação de toda a civilização tal como a conhecemos
Em véspera de mais um raid profissional a Londres, não posso deixar de mencionar A Última Legião, o mais recente excelente-mau-filme que vi. Baseado num airport book italiano, que mistura história com lendas arturianas, A Última Legião acaba por ser um filme de propaganda à Ilha (Britannia), ao depositar a salvação do mundo civilizado - o romano do Ocidente - na última legião fiel ao Imperador. Filme veículo para bons actores cabotinarem com gosto - no caso, Colin Firth e Ben Kingsley - , o flag waving atinge o paroxismo na já histórica cena em que a personagem de Kingsley, com as brancas falésias de Dover ao fundo, beija o chão e exclama: «Oh, my beloved Brittania». Confesso que chorei só um bocadinho.
Mas para os não-anglófilos, há esta razão, em baixo ilustrada:

Aishwarya Rai, a verdadeira queda do mundo ocidental.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Directamente das pessoas com demasiado tempo nas suas mãos...

Uma coisa que até tem graça.

Full break, stop. Grande homem.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Os srs. Proust e Pavlov decerto concordarão
A minha filha mais velha teve hoje a sua aula de apresentação na mesma Escola Preparatória (eu sou velho, vai ser sempre "escola preparatória") onde eu saí há trinta anos (eu sou velho, etc) e nunca mais tinha regressado. E o que mais me marcou não foi o orgulho indizivel de ver a miúda nas mesmas paredes que eu conheci, já crescida; ou o reconhecimento dos cantos da casa, dos cheiros, dos azulejos dos pátios agora politicamente incorrectos em que se descrevia usos e costumes das ex-colónias. Não, o que me abalou foi o ouvir o toque de entrada e querer ir ter aulas. A madeleine é uma campainha.
Tradução Simultânea: a ter razão desde 2003*

Sobre o incidente Scolari, apenas fiquei indignado por Brassard ter segurado o sérvio.




*quem tiver paciência para ler os arquivos verá que a minha anti-Scolaridade profunda vem de longe e deve ser das poucas coerências que possuo.

quarta-feira, setembro 12, 2007


O Mestre mostra como é, num cenário minimal-brutista avant la lettre. Atentai na repetição do verse e no que o homem faz com as palavras, o tempo e a música. Too marvelous for words, diria.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Um livro que irá gloriosamente não mudar um milimetro a minha vida


(e em que tremo de antecipação por lê-lo)

sexta-feira, setembro 07, 2007

RWC 2007
Estou orgulhoso da selecção nacional (recuso-me a dizer «os lobos»), que conseguiu um feito extraordinário e vai ouvir e ver, a cores e ao vivo, o haka pela primeira vez. Acho que o vencedor deste campeonato será um destes três: França, Austrália ou Nova Zelândia. Estou e acho isto tudo. Mas o que eu queria, do fundo do coração, é que este momento se repetisse:

Mesmo sem Jonny Wilkinson, infelizmente.
Mas por outro lado há Daniel Carter, o melhor nº10 desde há muito tempo.

Aqui a destruir os Lions.
Um clássico moderno
O único homem que falta ao que aí vem.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Gogol Borquem?

The real thing.
Literatura, modo de usar
Uma pessoa vem de férias, ainda tem tempo para dar uma saltada a Glasgow e finalmente regressa à casa virtual para perceber que o tema do momento nos blogues mainstream (acabei de inventar, obrigado a todos) é a força da literatura nas vidas das pessoas. Eu percebo, há pouco que falar, embora a Inglaterra tenha para a semana dois jogos cruciais e o campeonato mundial de râguebi também esteja aí à porta.
Sobre o efeito dos livros na vida - e sobretudo a sua acção decisiva nesse verbo terrível, «mudar» - acredito ainda na formulação wildeana de que toda a arte é inútil, a que acrescento felizmente. É uma posição discutível, eu sei, mas por experiência própria nenhum livro maior ou menor (ou outra expressão artística, incluindo formas tão perfeitas e imediatas como as canções) me mudou a vida. Apenas a tornou mais suportável pelo prazer que me deu - um prazer egoísta, solitário e não transmissível, como todos os seguidores de Harold Bloom hão-de entender. E de repente, não estou a ver ninguém a quem uma leitura tenha provocado um terramoto no quotidiano, exceptuando místicos e homens-bomba. Poderá eventualmente dar uma consciência de vocação ou no meu caso (como acontece sempre que leio António Vieira ou Greene, por exemplo) uma cruel chacina de ilusões quanto a essa mesma vocação. Mas não mais do que isso. Na verdade, os únicos livros que mudam a nossa vida talvez sejam os que escrevemos.
Elogio do ennui, 5


«Somebody's boring me. I think it's me.»
Dylan Thomas

sexta-feira, agosto 31, 2007

O meu axioma de Swann (devidamente testado)
Felizmente a mulher da nossa vida nunca se parece com a mulher da nossa vida.
ESTAMOS ABERTOS
The Thrills, Nothing changes around here

terça-feira, agosto 14, 2007

Meus caros amigos, vou ali e já venho. Qualquer coisinha - fugeddah about it!
Até já, como se diz na TMN.

domingo, agosto 12, 2007

«Walk, in silence»


Tony Wilson, 1950-2007

terça-feira, agosto 07, 2007

«She's a go-go dancer, maybe my big sister»
A melhor banda portuguesa em palco, com um rock n'roll hero à antiga.
Nem sabes como te compreendo, caro Lourenço

E não falo da série.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Gostam pouco, gostam
Há coisas que me dão imenso prazer. O exercício da manipulação, por exemplo: agarrar em mais de um milhar de jovens politizados, que tinham acabado de vaiar Bush, exigir a legalização das drogas,invectivar a globalização e no processo demonstrar o seu gosto musical «engajado» para depois colocá-los aos saltos e cantar desavergonhadamente tudo o que eles nunca irão confessar aos amigos. Desmistificar esta parolice é uma das missões dos 2Djs do C*****!, sempre pela globalização e altamente comerciais. Para que conste, um dos momentos mais altos do nosso set no Sudoeste aconteceu com esta música, com um coro de mais de mil alminhas a cantar e dançar como um só:
1964

Ou o perfeito e muito grato antídoto anti-festivais de verão.

domingo, agosto 05, 2007

«Retratos do trabalho em Portugal»

Herdade da Casa Branca, 03.45 do dia 3 de Agosto de 2007.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Queria dizer isto:
Já a meio caminho de ser perseguido pela costa vicentina por uma turba enfurecida munida de archotes, não resisto a mostrar a minha solidariedade anti-Farrow ao Tiago. Tudo o que diz respeito ao Mestre interessa-me, e andei a aqui a adiar um textículo, fascinado com o excelente post no Diário. Mas depois o Tiago cometeu o erro gravíssimo de divulgar um dos melhores segredos lisboetas: a colecção de dez cd's que se encontra na Worten a 5 euros. Ora isso, meu amigo, é passado de mail em mail, de boca em boca, de esgar em esgar; é um ritual mais do que maçónico, que requer códigos, contra-senhas, um livro do Dan Brown e a consequente adaptação para filme. Lamento, mas nessas coisas sou contra o serviço público. Repara: eu fui em boa hora avisado por mail desse tesouro por alguém a quem ainda não agradeci e que não irei linkar. É o que um iniciado deve fazer. Como o Steiner um dia há-de dizer, a melhor arte popular nunca deve ser popular.
Adiante: foram negros os anos do casório Farrow/Mestre. A efeba, enraizadinha no pior da pior contracultura de todos os tempos - o hippiesmo povo-que-lavas-no-rio-e- fazes- filhos-na-lama-de-Woodstock-ao-som-do-435º minuto-do-solo-de-Hendrix - só podia dar mau resultado.
O certo é que ninguém sabe o que aconteceu ao homem. Uma tardia crise de meia-idade? Um Jack Daniels estragado? Sinatra teve todas as mulheres que quis menos a que realmente queria, como os verdadeiros apaixonados. O que é certo é que nessa altura aparece com as famosas Nehru-shirts (camisas indianas, sem colarinho) a cantar Beatles e outros êxitos pop do tempo enquanto envergava o seu pior toupet. Por dentro, no entanto, o antigo Liberal empedernia-se. Desses tempos só o seu feroz anti-racismo permaneceu. Mas foi o primeiro a ameaçar cortar relações quando Sammy Davis Jr começou a consumir cocaína. Infelizmente, em casa tinha uma rapariga que fumava marijuana e lhe lia trechos de obscuros gurus indianos.
O livro Mr. S: my life with Frank Sinatra é o retrato desse tempo. Escrito pelo seu mordomo da altura, George Jacobs, é uma narrativa ingrata mas credível do dia-a-dia sinatriano. E c onta bem do enfatuamento (não sei se a palavra existe, mas anotem o belo anglicismo) que S. teve por Farrow para cedo descobrir quão trágico foi o seu erro. Não é que o seu modo de vida tenha mudado: todas as noites Sinatra recebia na sua casa de Los Angeles ou em Las Vegas senhoras profissionais a que tratava maravilhosamente apenas pedindo em troca que não fizessem muito barulho quando fechassem a porta. Na verdade o efeito Farrow durou pouco ou nada. Sinatra tinha vida a mais para a menina. Mesmo assim, manteve-se amigo depois da separação e ameaçou partir as pernas a quem a tratasse mal. Dizem que Woody Allen ainda hoje acorda a suar a meio da noite.

terça-feira, julho 31, 2007

Uma pequena pausa para ir até ali abaixo e já volto. Atendemos a partir das 03.30 da madrugada de 2 para 3 (tenda planeta Sudoeste), como poderão ver no cartaz.

Deus nos/vos ajude.
«Não somos felizes, nem nunca o iremos ser»
Este é o rosto que Antonioni me deixa: Lucia Bosé. Não Monica Vitti, perdida por vezes em idiossincracias superfluas em que ela própria colaborava. Este rosto: Lucia Bosé, e um filme, Cronaca Di Un Amore. Um filme trémulo, em passos de bebé, entre a herança do film noir americano e a balofa análise psicológica europeia.
Antonioni fez filmes muito bons depois deste. E muito maus também: o ridiculo Zabriskie Point é comédia involuntária e afunda-se nos dias em que foi feito. Mas esta história de adultério, de amores condenados como o próprio acto de viver é a minha lembrança pessoal que mais agradeço. Isso e a luz que vem de dentro de Lucia Bosé, rosto perfeito como nos filmes, só comparável à aurora boreal que é Gene Tierney (que teria sido a primeira escolha do realizador). Nem que seja por este rosto, valem as palavras.

sábado, julho 28, 2007

Contra-natura
E esta estranha sensação que se quer manter a todo o custo , este mal estar em que se teima em acreditar, esta aventura na floresta negra sem lanterna, oh meu Deus: diz que é felicidade. E o que é mais estranho e nos deixa em silêncio e zangados connosco próprios: é exactamente isso que queremos. Vou deixar de confiar em mim.

terça-feira, julho 24, 2007

Parabéns querida Margot! E que este seja o primeiro dia de uma longuíssima fase «Penélope Cruz».

quinta-feira, julho 19, 2007

Devo dizer que foi um bedelho muito bem metido,
amigo Diogo. Os Von Südenfedd são especialmente queridos aqui da casa, pelo carinho que se tem a um dos seus protagonistas: o enorme Mark E. Smith, o intelectual mais brilhantemente raivoso que a história do rock conhece. E tem o mérito adicional de ser alguém que se riu´no tempo devido de todos os que as bandas hoje em dia incensadas adoram com tanta ausência de talento. Um dos discos do ano, sim senhor.

quarta-feira, julho 18, 2007

Razões porque não sou ateu, nº428
Thank you, madam. We already miss you.
Percebi lindamente o que querias dizer, Ricardo, e agradeço. Não conhecia Mark Murphy e do pouco que ouvi (especialmente a sua rendição do Parker's Mood) concluí que é mais um dos raros casos em que o jazz vem de dentro para fora (ao contrário por exemplo de Ella Fitzgerald). Vou estar atento à imensa discografia do senhor. Mas avanço já que embora goste não se encaixa em mim na perfeição. E que embora estejam em territórios comuns mas ligeiramente diferentes, prefiro os rantings de Elling, juntamente com o seu impecável entendimento das letras. Chega até para lhe perdoar o seu imenso amor à beat generation e ao Kerouac em particular.
Felizmente que não fui ver o último Harry Potter sózinho. A coisa está cada vez mais negra, apesar de Emma Watson/Hermione ter crescido muito correctamente. Mas o que me interessa, apesar dos sustos, é a primeira oração: felizmente não fui ver o último Harry Potter sózinho. E isto, meus amigos, é um projecto de vida.

terça-feira, julho 17, 2007

Citação du jour


«I spent a lot of money on booze, birds and fast cars. The rest I just squandered.»


George Best

2007

Atlas, dos Battles. Absolutamente extraordinário. O álbum Mirrored é, com os discos de Wainwright e The National, um dos candidatos aos melhores do ano. E não me ven ham dizer que é prog-rock, porque não é. Se fosse, eu não gostava.

segunda-feira, julho 16, 2007

Pois lamento muito, mas podeis ficar com os vossos Interpóis e as moças que querem vingança ou o patético agrupamento carnavalesco que se auto-intitula de Nova Vaga: eu fui ver Kurt Elling e a esperança na música com vida inteligente regressou.
Não digo isto por sobranceria ou em defesa da música que mais gosto, o jazz; digo-o em constatação simples e serena. Não conheço maior gratificação musical que ver quatro executantes soberbos divertirem-se em palco, fazendo apenas o que sabem fazer.
É verdade: Kurt Elling é, salvo melhor opinião, o melhor cantor de jazz de há mais de dez anos para cá (Kevin Mahogany também é enorme, mas tem mais blues na voz. E também por cá passou em estado de graça). O homem tem um espectro vocal impressionante que vai do seu natural registo de barítono para regiões inóspitas nos graves e apenas se notam cautelas nas notas mais altas - a que também chega se for preciso. O seu domínio do scat é extraordinário, a improvisação e o fraseado perfeitos, os textos sobre solos (cantou um sobre um famoso solo de Dexter Gordon) verdadeiros tour-de-force. O repertório vai dos standards às grandes canções esquecidas (My Foolish Heart, do álbum mais-que-perfeito This Time It's Love)passando pela bossa-nova (Rosa Morena, de Caymmi) e muito muito Jobim no original. Neste último aspecto, a sua rendição de Luísa, uma das canções mais complexas de cantar correctamente que conheço foi inexcedível. E ainda por cima o senhor é de uma simpatia anacrónica.
Claro que por melhor que cante nunca poderia alegrar ninguém se não estivesse bem acompanhado:Laurence Hobgood(p), Willie Jones III (bat) e sobretudo Rob Amster (cb) são pessoas que dá gosto ter ao lado. O contrabaixista foi particularmente notável, com dois solos extraordinários em que se revelou mestre da paráfrase e cultor da citação correcta (a Garota de Ipanema metida num medley Berlin/Jobim foi brilhante). Os arranjos de Hobgood são inesperados e deixam Elling brilhar sem artificialismos; na parte interpretativa, gostei da utilização das cordas do piano como guitarra rítmica.
Tudo para dizer que o concerto até nem foi extraordinário. Foi um bom momento de jazz mas sem enormes lampejos de génio. Mas pairou acima de tudo e todos, e pessoalmente valeu a espera de mais de dez anos.
Enfim, mas para que interessará esta conversa se o Sudoeste está aí a chegar com tantas coisas interessantes, não é ? Não, não é.
O melhor post sobre as eleições e estas vidas
está todo aqui, sob o título As impagáveis noites eleitorais do Abrupto.

quarta-feira, julho 11, 2007

«It's written on the wall that you're sexy in Latin»*

Rhona Mitra, «Tara Wilson» em Boston Legal


*Little Man Tate, Sexy in Latin

segunda-feira, julho 09, 2007

«Here we are now, entertain us»
Estive atento às notícias sobre o festival literário de Paraty, quer através desta magnífica blogo-reportagem, quer através da Mónica (que atravessa o Atlântico as I write para contar mais). A razão era simples: queria saber o que iria dizer (e como o iria dizer) aquele que provavelmente é o meu escritor vivo preferido: J.M. Coetzee. Ao que parece, o senhor limitou-se a debitar passagens dos seus livros durante uma hora e foi-se embora manifestamente entediado e de mau humor, para «decepção» de quem o foi escutar. Pura ingratidão, quanto a mim. Não percebo porque é que, quando se trata de génios ou de alguém que admiramos, tendemos a retirar-lhes apressadamente a sua natureza humana.

sexta-feira, julho 06, 2007

Something for the weekend.

A fase Little Man Tate continua (mas há-de passar, não se preocupem). Agora é a vez de What? What You Got?, mais uma grande canção sobre pessoas que todos conhecemos.
Escritos de sempre para os SMS de hoje (2)
«Eu confundo o que se repartiu por muitas e se decretou para vós».

Arte de Galantaria, D.Francisco de Portugal

quarta-feira, julho 04, 2007

Em modo mais do que repeat na grafonola caseira

Os espantosos Little Man Tate e o continuar de uma grande tradição do escárnio e maldizer do rock: Man I Hate Your Band. Diz a lenda que a canção é sobre os Artic Monkeys (o que é algo injusto, sendo os AM a melhor coisa que aconteceu ao puro rock desde há algum tempo para cá). Seja qual for a verdade: grande canção, grande álbum (vão ao site, vejam o vídeo de This Must Be Love e sobretudo de What? What You Got?),pequenas grandes crónicas destes moços de Sheffield que usam orgulhosamente o seu sotaque como uma arma. O futuro do rock? Nem por isso. Apenas uma banda com boas canções e muito humor.
Momento Calvino-Klein do mês *
E se numa noite de Inverno um viajante dissesse:«Isto é azul? Não: azul é isto




*ou: como jogar com "referências" às três tabelas.

terça-feira, julho 03, 2007

Disclaimer
Este blogue é, muitas vezes, o piroso sorriso do palhaço triste.

segunda-feira, julho 02, 2007

Petite histoire
Um dia conheci uma mulher que muito admiro. Ela é cantora de tango e antes disso foi psiquiatra. Conversámos longamente , sobre tudo e sobre nada, mais do que seria suposto para duas pessoas que se encontravam pela primeira vez. A dada altura, falámos sobre Portugal e o que seria parecido com ser Português. Eu, incrédulo por estar a falar tanto sobre tudo e sobre nada com uma mulher que muito admiro, caí nos adjectivos do costume, entre os quais se contava «melancólico». Dando rapidamente conta do erro, tentei repará-lo de forma ridícula, num misto de estupidez e vaidade, pessoalizando-o: «Eu também sou melancólico», disse.
Ela olhou para mim, com uma suave condescendência e disse, como quase todas as mulheres com quem me cruzei na vida, que eu «não tinha razão». Melancolia é uma doença, uma patologia do foro psiquiátrico. Eu seria antes «nostálgico», o que não é o mesmo.
Nunca mais a vi. Mas acreditei nela, e se ainda hoje me lembro desta história não é por se ter passado com uma psiquiatra, mas com uma cantora de tango.

sábado, junho 30, 2007

Tudo o que Sondheim e Bernstein sempre desejaram.

(anúncio vencedor de um Leão de Ouro em Cannes)

sexta-feira, junho 29, 2007

Ora muito bem,
não costumo alinhar muito nestas coisas de correntes blogosféricas, não sei se por pudor se por superstição. Mas neste caso o convite era irrecusável, porque vem de onde vem. Mesmo assim, e tendo seguido o rasto da coisa, reparei que há uma dualidade de critérios: uns citam os últimos cinco livros que adquiriram; outros, os últimos cinco que leram. Como francamente não me lembro do primeiro caso, utilizo o segundo critério, sem ordem cronológica de leitura.

- Essays, Graham Greene
- Essays on Graham Greene (editado por Harold Bloom)
- A Tale Of Two Cities, Charles Dickens
- Como o Futebol Explica O Mundo, Franklin Foer
- História do Futuro, Padre António Vieira
- Solidão Povoada, Carlos Castro (é mentira. desculpem, foi mais forte que eu)

Em modo «livro de auto-ajuda (leitura recorrente)»: Líricas, de Luís Vaz de Camões (isto também dá pontos?)


Pronto. Segue-se agora a clássica cerimónia do «passar-a-batatinha-quentinha», que cumprirei com um antecipado pedido de desculpas aos visados, com o fraco consolo (para eles) de terem sido escolhidos por estima e admiração. Então: "Rogério", Tiago, Mónica, Margot, Carla - up to you.




This is a video thank you.

Versão original de 1971. Os Madness apenas reforçaram o bom que aqui há. Devolvido com o dobro das intenções.

quinta-feira, junho 28, 2007

Simpático sarilho.
Dá-me só uns minutos, filigraana, que já te digo alguma coisa.
Desportos de praia

Luiz Carlos Bonfa, João Gilberto e Tom Jobim. Last night, when they were young.

sexta-feira, junho 22, 2007

Isto parece-me extraordinário.
Como é que dizia o anúncio? Ah sim, direito à indiferença. Pelos vistos ninguém tem lido muito o prefácio de Wilde ao seu Retrato de Dorian Gray. Ou numa hipótese mais remota mas reconfortante, talvez seja pela empresa ser francesa.
O conforto de ter razão, pelo menos de vez em quando
Adoro que me confirmem as minhas precárias idossincrassias e verdades absolutas do T2 aqui da rua. Por exemplo, como é possível sinceramente admirar o talento artístico de um sujeito e desprezá-lo profundamente pela sua óbvia falta de educação (e fiquem sentados, ó moralistas de esquerda, que «educação» não tem a ver com berço - tem a ver com serviços mínimos relacionais com outros seres humanos).
Se repararem na epígrafe deste blogue, depressa percebereis como correu a minha noite.

quinta-feira, junho 21, 2007

Elogio do ennui,3
Interpol, She Wants Revenge,Arcade Fire (sobretudo na versão «eu-sou-mais-Ian-MacCulloch-do-que-tu»), Editors, Bloc Party...Meu Deus,recolhei a casa: foi já tudo escrito e melhor.

terça-feira, junho 19, 2007

Dos posts inevitáveis.

«You shook hands with Sinatra.There's a code when you shake hands with Sinatra»

É certo que Ocean's 13 não é um grande filme: é aquilo que a rapaziada queria que fosse, uma fita de amigos que mimetiza, dentro e fora do ecrã, a relação dos membros do Rat Pack e sobretudo a arte perdida de viver em Las Vegas. Só que, na verdade, Ocean's 13 consegue ser o melhor da trilogia, tanto pelo argumento como pela fluidez e absoluta imersão de Steven Soderbergh no género heist movie e nas citações estéticas do cinema americano dos anos 60.
Para além dos suspeitos do costume já representarem por empatia (conseguindo reproduzir o efeito Sinatra: «'one take only', que ainda não me deitei»), o filme conta com um excelente Al Pacino e sobretudo com magníficas power lines, quase todas para a sua personagem (que desde Scarface está mais do que habituado às power lines).
A minha preferida, no entanto, é a que serve de título deste post. É dita pela personagem de Elliott Gould ao vilão Pacino, quando este o trai. Neste código de honra de Las Vegas (apertaste a mão a Sinatra, não podes trair um amigo) está incluída toda uma nostalgia de um tempo perdido (o do original Ocean's Eleven, quando Las Vegas era o centro do mundo) e uma reverência a quem mandava nesse mundo: o Chairman Of The Board.
Mas Pacino tem direito a duas grandes frases também: «I move, I move quick and when I do I slice like a hammer» e o fabuloso Don't make a maniac out of me». O mais engraçado é que os argumentistas foram buscar estas frases a um famoso personagem de Las Vegas, que realmente as disse. É famosa a diatribe do cantor Paul Anka (criador de My Way) contra os seus músicos no fim de um concerto que correu mal. E é nesse contexto que as frases foram ditas. Podem ouvir a raiva de Paul Anka na íntegra aqui.
Viva Las Vegas!

segunda-feira, junho 18, 2007

Concordo absolutamente: os festivais de 2007 têm óptimos elencos,
mas eu é mais este:

É que é um luxo. E como se não bastasse, o melhor vocalista de jazz (na opinião deste vosso criado) vai estar por cá. Kurt Elling, cidadãos. Kurt Elling. Depois digam que ficaram com as vidinhas mais pobres.

domingo, junho 17, 2007

A todos os que me têm perguntado,
eis a resposta: receio bem que seja verdade.
Por vezes compensa uma pessoa passar por witty uma vez na vida.
A verdade é que o prazer foi todo meu.