Vamos lá acabar com isto (I)
Discos 2009 (sem ordem de importância)
Domésticos:
Nem lhe tocava, Samuel Úria
A Mãe, Rodrigo Leão
Boato, JP Simões
Fados de amor e pecado, Ana Sofia Varela
Leva-me aos fados, Ana Moura*
Vida, Jorge Fernando*
Importados
Veckatimest, Grizzly Bear
Begone Dull Care, Junior Boys
Humbug, Arctic Monkeys
Merryweather Post Pavillion, Animal Collective
Solo:Live From San Francisco, McCoy Tyner (jazz)
*declaração de interesses: disco com a participação de quem o seleccionou
segunda-feira, dezembro 28, 2009
terça-feira, dezembro 15, 2009
segunda-feira, dezembro 14, 2009
«Garante Nélson Rodrigues»
Assim que soube da contratação pelo Benfica de um jogador com o improvável nome de Alan Kardec, preparei-me para todas as espécies de trocadilhos intelecto-revisteiros: na mesma frase, «Kardec», «espírito de Natal»,«Jesus», «aparição», «pé-de-galo» abriam caminho a mil e uma possibilidades. Mas nada, oh mesmo nada, me preparou para este título- maravilha.
Assim que soube da contratação pelo Benfica de um jogador com o improvável nome de Alan Kardec, preparei-me para todas as espécies de trocadilhos intelecto-revisteiros: na mesma frase, «Kardec», «espírito de Natal»,«Jesus», «aparição», «pé-de-galo» abriam caminho a mil e uma possibilidades. Mas nada, oh mesmo nada, me preparou para este título- maravilha.
sábado, dezembro 12, 2009
«The chairman of the bad»
Quem se der ao estranho trabalho de pesquisar os arquivos deste blogue facilmente encontrará idossincracias do autor: umas mais verdadeiras do que outras, umas mais recorrentes do que outras. Mas há uma paixão; não, um amor, resolvido e sempre novo que atravessa seis anos destas palavras e muitos mais da minha vida. Um minuto que fosse e era mais do que uma vida. Estou a falar de Francis Albert Sinatra.
Hoje Sinatra celebraria o seu 94º aniversário. Eu, que tanto já escrevi, a sério ou em lágrimas sobre ele, que assumo esta dependência com tanto despudor que levou um amigo a dedicar-me publicamente um texto muito melhor sobre ele (obrigado, Pedro), eu que me comovo sem problemas sempre que oiço a sua voz cantar até o mais errado dos repertórios (It's not easy being green, ou o Leaving on a jet plane, do infame segundo álbum com Tom Jobim), eu que ganhei uma garrafa de champanhe em aposta com outros dois conhecidos especialistas do homem ao identificar ao segundo acorde todas as canções do alinhamento durante o seu concerto no Porto; eu sei que tudo isto já deveria estar diluído, que esta nervoseira e urgência de juntar palavras já não deveria fazer sentido, que devia mas é estar caladinho a agradecer tudo o que o homem me ensinou e me incentivou ao som de Only the lonely.
Mas não. Continua esta vontade, esta descoberta. Oscar wilde, na sua frívola profundidade, teve sempre razão; mais ainda quando disse que o amor é a arte da repetição. Aqui, pela repetição responsabilizo-me. Pela arte, duvido. Pelo amor, decerto. Por isso opto por deixar tudo o que gostaria de ter escrito, a descrição e biografia mais certeira e subjectiva e comovente que conheço, feita por Bono em 1994. Nunca irei conseguir dizer o que ele disse,mas estou muito contente por alguém o ter dito.
«This is the conundrum of Frank Sinatra. Left and right brain hardly talking. Boxer and painter, actor and singer, lover and father, bandman and loner. Troubleshooter and troublemaker The champ who would rather show you his scars than his medals. He may be putty in Barbara's hands. But I'm not gonna mess with him, are you?
Quem se der ao estranho trabalho de pesquisar os arquivos deste blogue facilmente encontrará idossincracias do autor: umas mais verdadeiras do que outras, umas mais recorrentes do que outras. Mas há uma paixão; não, um amor, resolvido e sempre novo que atravessa seis anos destas palavras e muitos mais da minha vida. Um minuto que fosse e era mais do que uma vida. Estou a falar de Francis Albert Sinatra.
Hoje Sinatra celebraria o seu 94º aniversário. Eu, que tanto já escrevi, a sério ou em lágrimas sobre ele, que assumo esta dependência com tanto despudor que levou um amigo a dedicar-me publicamente um texto muito melhor sobre ele (obrigado, Pedro), eu que me comovo sem problemas sempre que oiço a sua voz cantar até o mais errado dos repertórios (It's not easy being green, ou o Leaving on a jet plane, do infame segundo álbum com Tom Jobim), eu que ganhei uma garrafa de champanhe em aposta com outros dois conhecidos especialistas do homem ao identificar ao segundo acorde todas as canções do alinhamento durante o seu concerto no Porto; eu sei que tudo isto já deveria estar diluído, que esta nervoseira e urgência de juntar palavras já não deveria fazer sentido, que devia mas é estar caladinho a agradecer tudo o que o homem me ensinou e me incentivou ao som de Only the lonely.
Mas não. Continua esta vontade, esta descoberta. Oscar wilde, na sua frívola profundidade, teve sempre razão; mais ainda quando disse que o amor é a arte da repetição. Aqui, pela repetição responsabilizo-me. Pela arte, duvido. Pelo amor, decerto. Por isso opto por deixar tudo o que gostaria de ter escrito, a descrição e biografia mais certeira e subjectiva e comovente que conheço, feita por Bono em 1994. Nunca irei conseguir dizer o que ele disse,mas estou muito contente por alguém o ter dito.
«This is the conundrum of Frank Sinatra. Left and right brain hardly talking. Boxer and painter, actor and singer, lover and father, bandman and loner. Troubleshooter and troublemaker The champ who would rather show you his scars than his medals. He may be putty in Barbara's hands. But I'm not gonna mess with him, are you?
Ladies and gentlemen, are you ready to welcome a man heavier than the Empire State, more connected than the Twin Towers, as recognizable as the Statue of Liberty, and living proof that God is a Catholic!»
quarta-feira, dezembro 09, 2009
Este Natal, para o homem que ama as mulheres
...ou simplesmente preza a inteligência:a prenda ideal.
(estão a dar-nos armas. You know that, don't you? Ok, don't answer that.)
...ou simplesmente preza a inteligência:a prenda ideal.
(estão a dar-nos armas. You know that, don't you? Ok, don't answer that.)
quarta-feira, dezembro 02, 2009
quarta-feira, novembro 25, 2009
terça-feira, novembro 24, 2009
«The place that cannot be»
Já não concebo a vida sem a existência de Mad Men. Não é só o que salta à vista - a excelência dos diálogos, os personagens, os cigarros e cocktails galore, os décors extraordinários, a reconstituição de época... É «Don Draper», o amoral com remorsos, a ambição culpada, o infiel defensor da família. É a tensão e o dinamismo das «secretárias», a pedagogia da perda da inocência («Why is it here, when a man takes you to lunch, you're the dessert?»). Mad Men é sobre as cambalhotas éticas que temos de dar todos os dias e a forma como lidamos com elas, colocadas no contexto em que a hipocrisia pode ter bom nome: uma época (finais dos anos 50 - inicio dos anos 60) em que os valores morrem e renascem, à volta de pessoas que vendem o novo e a felicidade. E a utopia, esse lugar que não pode ser, como denuncia o étimo grego. Esse lugar que não pode ser é a vida.
[sobre este e outros assuntos recomendo vivamente este lugar]
Já não concebo a vida sem a existência de Mad Men. Não é só o que salta à vista - a excelência dos diálogos, os personagens, os cigarros e cocktails galore, os décors extraordinários, a reconstituição de época... É «Don Draper», o amoral com remorsos, a ambição culpada, o infiel defensor da família. É a tensão e o dinamismo das «secretárias», a pedagogia da perda da inocência («Why is it here, when a man takes you to lunch, you're the dessert?»). Mad Men é sobre as cambalhotas éticas que temos de dar todos os dias e a forma como lidamos com elas, colocadas no contexto em que a hipocrisia pode ter bom nome: uma época (finais dos anos 50 - inicio dos anos 60) em que os valores morrem e renascem, à volta de pessoas que vendem o novo e a felicidade. E a utopia, esse lugar que não pode ser, como denuncia o étimo grego. Esse lugar que não pode ser é a vida.
[sobre este e outros assuntos recomendo vivamente este lugar]
quarta-feira, novembro 11, 2009
quinta-feira, novembro 05, 2009
domingo, novembro 01, 2009
Aqui Rádio Silêncio*
Eram os dias de tudo. Eram os dias, as noites que eram as primeiras, tão sábias na ingénua e arrogante velhice da nossa juventude. Ali cabiam todas as descobertas, que partilhávamos com a ansiedade dos pioneiros: os sons, as palavras, os modos. O mundo seria provavelmente nosso mas ninguém dava por isso porque estávamos demasiado ocupados a conquistá-lo.
E tínhamos mestres, e tinhamos rituais que não dispensávamos porque nos faziam caminhar e saber, porque nos alimentavam a inocência que desesperadamente queríamos perder e proclamar essa perda. Eram dias, eram noites em que os mestres, com rosto ou com voz, faziam com que a nossa vida se confundisse com a deles.
Hoje partiu um deles. Cheguei a conhecê-lo, já adulto, sentados numa cabina de rádio enquanto alguém nos fazia uma entrevista e eu pensava «O que estou aqui a fazer? Eu sou ouvinte, eu oiço. Eu oiço-o. Ele fez-me um pouco do que sou.»
Conheci o António Sérgio. Nunca cheguei a agradecer-lhe.
Obrigado Sérgio.
*(título de um programa de rádio da autoria de Miguel Esteves Cardoso, na Rádio Comercial, algures no inicio dos anos 80)
Eram os dias de tudo. Eram os dias, as noites que eram as primeiras, tão sábias na ingénua e arrogante velhice da nossa juventude. Ali cabiam todas as descobertas, que partilhávamos com a ansiedade dos pioneiros: os sons, as palavras, os modos. O mundo seria provavelmente nosso mas ninguém dava por isso porque estávamos demasiado ocupados a conquistá-lo.
E tínhamos mestres, e tinhamos rituais que não dispensávamos porque nos faziam caminhar e saber, porque nos alimentavam a inocência que desesperadamente queríamos perder e proclamar essa perda. Eram dias, eram noites em que os mestres, com rosto ou com voz, faziam com que a nossa vida se confundisse com a deles.
Hoje partiu um deles. Cheguei a conhecê-lo, já adulto, sentados numa cabina de rádio enquanto alguém nos fazia uma entrevista e eu pensava «O que estou aqui a fazer? Eu sou ouvinte, eu oiço. Eu oiço-o. Ele fez-me um pouco do que sou.»
Conheci o António Sérgio. Nunca cheguei a agradecer-lhe.
Obrigado Sérgio.
*(título de um programa de rádio da autoria de Miguel Esteves Cardoso, na Rádio Comercial, algures no inicio dos anos 80)
quarta-feira, outubro 28, 2009
segunda-feira, outubro 26, 2009
From Tweedledee to Tweedledum
Why Did I Dream Of You Last Night? by Philip Larkin
Why did I dream of you last night?
Now morning is pushing back hair with grey lightMemories strike home, like slaps in the face;
Raised on elbow, I stare at the pale fog
beyond the window.
So many things I had thought forgotten
Return to my mind with stranger pain:
- Like letters that arrive addressed to someone
Who left the house so many years ago.



