Aqui Rádio Silêncio*
Eram os dias de tudo. Eram os dias, as noites que eram as primeiras, tão sábias na ingénua e arrogante velhice da nossa juventude. Ali cabiam todas as descobertas, que partilhávamos com a ansiedade dos pioneiros: os sons, as palavras, os modos. O mundo seria provavelmente nosso mas ninguém dava por isso porque estávamos demasiado ocupados a conquistá-lo.
E tínhamos mestres, e tinhamos rituais que não dispensávamos porque nos faziam caminhar e saber, porque nos alimentavam a inocência que desesperadamente queríamos perder e proclamar essa perda. Eram dias, eram noites em que os mestres, com rosto ou com voz, faziam com que a nossa vida se confundisse com a deles.
Hoje partiu um deles. Cheguei a conhecê-lo, já adulto, sentados numa cabina de rádio enquanto alguém nos fazia uma entrevista e eu pensava «O que estou aqui a fazer? Eu sou ouvinte, eu oiço. Eu oiço-o. Ele fez-me um pouco do que sou.»
Conheci o António Sérgio. Nunca cheguei a agradecer-lhe.
Obrigado Sérgio.
*(título de um programa de rádio da autoria de Miguel Esteves Cardoso, na Rádio Comercial, algures no inicio dos anos 80)
domingo, novembro 01, 2009
quarta-feira, outubro 28, 2009
segunda-feira, outubro 26, 2009
From Tweedledee to Tweedledum
Why Did I Dream Of You Last Night? by Philip Larkin
Why did I dream of you last night?
Now morning is pushing back hair with grey lightMemories strike home, like slaps in the face;
Raised on elbow, I stare at the pale fog
beyond the window.
So many things I had thought forgotten
Return to my mind with stranger pain:
- Like letters that arrive addressed to someone
Who left the house so many years ago.
quinta-feira, outubro 22, 2009
quinta-feira, outubro 15, 2009
À atenção de Pedro Lomba, Esq.
«Digamos porque não se chama ao amor amizade. Entre as duas coisas há esta diferença: o amor é uma paixão que tem mais de desejo que de prazer; e a amizade é uma afeição reverente, ou um amor envergonhado, que tem mais de prazer do que de desejo. O amigo pretende para o que sempre ama, e o amante para o que pode deixar de amar. Um cuida de si, outro descuida-se de si.»
A Arte Da Galantaria, D.Francisco de Portugal
(eu gostava de escrever no século XVII)
«Digamos porque não se chama ao amor amizade. Entre as duas coisas há esta diferença: o amor é uma paixão que tem mais de desejo que de prazer; e a amizade é uma afeição reverente, ou um amor envergonhado, que tem mais de prazer do que de desejo. O amigo pretende para o que sempre ama, e o amante para o que pode deixar de amar. Um cuida de si, outro descuida-se de si.»
A Arte Da Galantaria, D.Francisco de Portugal
(eu gostava de escrever no século XVII)
Amiguismos
Dos tempos em que éramos jovens, lembramo-nos bem. Era assim, com a vontade e o cabelo ainda intactos. Desde então várias coisas mudaram - como felizmente o nosso gosto por camisas - mas o que perdura, o que vimos,isso já ninguém nos tira. Um de nós que em cima se pode ver faz anos hoje, mas isso, francamente, é só um pobre pretexto para o que eu realmente queria dizer.
Dos tempos em que éramos jovens, lembramo-nos bem. Era assim, com a vontade e o cabelo ainda intactos. Desde então várias coisas mudaram - como felizmente o nosso gosto por camisas - mas o que perdura, o que vimos,isso já ninguém nos tira. Um de nós que em cima se pode ver faz anos hoje, mas isso, francamente, é só um pobre pretexto para o que eu realmente queria dizer.
sexta-feira, outubro 09, 2009
segunda-feira, outubro 05, 2009
sábado, outubro 03, 2009
Robert Creeley

Só posso atribuir à minha profunda estupidez nunca ter ouvido falar de Robert Creeley até que um serendipismo numa livraria me levou até ele. Como é natural fiquei fascinado e indignado pelo meu desconhecimento, o que como se sabe é sintoma de pura vaidade.
Mas se alguém me tivesse dito que existia um poeta que conseguia evocar Pound e ao mesmo tempo ter o empenhamento bóemio da poesia beat, ao mesmo tempo que o desdenhava; que um poeta conseguia passear à vontade no formalismo para depois se esconder em «versos livres»; que no meio de tudo existe uma ponte entre a limpidez de Hardy e a poesia concreta...Nunca teria acreditado. Graças a Deus que me chegou agora, que tenho vida suficiente para poder conversar com ele.
The Mirror
Seeing is believing.
Whatever was thought or said,
these persistent, inexorable deaths
make faith as such absent,
our humanness a question,
a disgust for what we are.
Whatever the hope,
here it is lost.
Because we coveted our difference,
here is the cost.

Só posso atribuir à minha profunda estupidez nunca ter ouvido falar de Robert Creeley até que um serendipismo numa livraria me levou até ele. Como é natural fiquei fascinado e indignado pelo meu desconhecimento, o que como se sabe é sintoma de pura vaidade.
Mas se alguém me tivesse dito que existia um poeta que conseguia evocar Pound e ao mesmo tempo ter o empenhamento bóemio da poesia beat, ao mesmo tempo que o desdenhava; que um poeta conseguia passear à vontade no formalismo para depois se esconder em «versos livres»; que no meio de tudo existe uma ponte entre a limpidez de Hardy e a poesia concreta...Nunca teria acreditado. Graças a Deus que me chegou agora, que tenho vida suficiente para poder conversar com ele.
The Mirror
Seeing is believing.
Whatever was thought or said,
these persistent, inexorable deaths
make faith as such absent,
our humanness a question,
a disgust for what we are.
Whatever the hope,
here it is lost.
Because we coveted our difference,
here is the cost.
quarta-feira, setembro 23, 2009
sábado, setembro 19, 2009
segunda-feira, setembro 14, 2009
quinta-feira, setembro 10, 2009
Se todas as eleições fossem tão fáceis como esta

O melhor escritor vivo do planeta arrisca-se ao hat-trick no Booker Prize.

O melhor escritor vivo do planeta arrisca-se ao hat-trick no Booker Prize.
quarta-feira, setembro 09, 2009
Vi o jogo de hoje. E gostei muito.
Watch More Football Videos at MySoccerPlace.net
Qualificação assegurada. Só com vitórias. Uma média impressionante de golos por jogo (mais de 3). Um treinador italiano. Uma grande equipa. Rooney. Lampard. Cole. Lennon. Beckham. Gerrard. O terceiro golo.
O futebol «inglês» é mesmo inglês; e tenham paciência - é este. C'mon England!
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Qualificação assegurada. Só com vitórias. Uma média impressionante de golos por jogo (mais de 3). Um treinador italiano. Uma grande equipa. Rooney. Lampard. Cole. Lennon. Beckham. Gerrard. O terceiro golo.
O futebol «inglês» é mesmo inglês; e tenham paciência - é este. C'mon England!




