sábado, julho 04, 2009

Vasco Gervásio, 1943-2009


Um grande capitão, um grande homem. Até sempre e obrigado. Viva a Briosa!

sexta-feira, julho 03, 2009

O Michael ressuscitou

E vai jogar no Manchester United. Que prazer.

quinta-feira, junho 25, 2009

Mais um anjo no céu
25 de Junho de 1939

Primeira final da Taça de Portugal. A Associação Académica de Coimbra vence o Benfica por 4-3. Honra a Tibério, José Maria Antunes, César Machado, Portugal, Faustino, Octaviano,Manuel da Costa, Alberto Gomes, Arnaldo Carneiro, Nini e Pimenta, equipa que entrou de início nas Salésias; e ao seu treinador, Albano Paulo.

quarta-feira, junho 24, 2009

Desta vez não me apanhas
Apesar de «britânico» ainda não estou convencido do ténis do senhor. Cresceu muito, tem valor e veste equipamento clássico Fred Perry com as iniciais, o que fez com que, pelo menos, tivesse conseguido evitar a fase Axl Rose de Agassi - muito comum nos «meninos rebeldes». Queria Federer na final. Com quem ainda não sei. Gostei muito do jogo Djokovic - Benneteau e de um ou outro que agora se me escapa. Sei que não quero o Verdasco, mas penso que ele irá tratar disso. Na verdade, até agora, a pint e o crepe chinês são os únicos valores seguros de Wimbledon 2009, pelo que teremos de aproveitar.

terça-feira, junho 23, 2009

Não podem ver nada que venha da civilização.Palavra de honra.
A ver se gostas, YouTube!

Este post foi removido pelo usuário.

terça-feira, junho 16, 2009

Está calor.Por isso, todos juntos:
Argumentos contra a eutanásia
Mesmo ligado à máquina, este blogue, que ora se finou, era melhor do que a maioria. Percebo o fim, mas fico triste.
«Do something constructive. Make a shoe»

Primeira curta-metragem de Mel Brooks, The Critic, 1963. Cinco ou seis anos antes da obra-prima que é The Producers.Pérolas que por aí andam.

segunda-feira, junho 15, 2009

Anatomia da preguiça*

Talvez seja da idade ou da sabedoria ou da precedência de uma sobre outra, mas a verdade é que quando oiço o slogan estafado do «direito à preguiça» já não consigo sorrir. Primeiro porque alguém teve o trabalho de dizer semelhante coisa; depois porque pura e simplesmente não faz sentido. A preguiça está longe de ser um «direito» que necessita ser conquistado pelo simples facto de ser uma característica inata a qualquer ser humano. Ou se usa ou não se usa, ponto. Pelo ócio sim, vale a pena lutar. Mas lutar pelo ócio – algo nobre e como dizia Óscar Wilde, a coisa «mais difícil e a mais intelectual» - dá trabalho e nisso não vão os preguiçosos. O ócio é a ausência de actividade prática que se pode transformar noutra contemplativa ou egoísta e simples, como provar um bom vinho, ler em silêncio ou olhar o mar. A preguiça é uma pura recusa da actividade. É uma solução fácil, como fáceis são todas as soluções niilistas. Mas não tem graça nem compensa. Eu sei. Já fui preguiçoso.

É fácil ser preguiçoso em Portugal. O país está feito para isso. Na verdade, o diagnóstico correcto não será preguiça - nós, os especialistas, preferimos «procrastinação»: o deixar para o dia seguinte, adiar, demorar, delongar. António Variações, com a sabedoria de Nova Iorque misturada com a legitimidade de Braga topou tudo: «É para amanhã/deixa lá não faças hoje». Podia ser o hino nacional. Como minha defesa – a defesa de um ex-preguiçoso – tenho uma inteira cultura, um inteiro país. Durante anos e anos adiei decisões, assinaturas, vocações, amores, respostas, prazos. Enlouqueci colegas e superiores por achar que amanhã é outro dia. Errei: nunca compensou ser preguiçoso, como estou convencido que a diligência exagerada também não interessa a ninguém.
Mas como combater esta doce doença, que nos corre no sangue há séculos? De Vieira a Pessoa, ela foi diagnosticada: o messianismo à portuguesa pode ser belo, mas é a mais bela e literária forma de preguiça. Alguém há-de chegar, seja o Messias ou o Império do Espírito Santo, que irá colocar tudo na ordem. Entretanto, trabalhar para merecer isso é que não.
Ainda há pouco tempo ouvi este extraordinário diálogo, que de tão real parece fictício: na fila do supermercado, uma mulher perguntava a outra se já sabia de cor o número do telemóvel novo. Resposta pronta: «Vou sabendo». Vou sabendo: Portugal é este gerúndio contínuo, lânguido, doce e resignado. É o tempo verbal dos nossos políticos porque é o tempo verbal dos nossos eleitores. Ninguém se queixa, ninguém discute – vai-se sabendo, vai-se vivendo. É também a nossa maior exportação, como é prova o Brasil ou os países africanos lusófonos.

Apesar de estar em franca recuperação sei que este atavismo nacional nunca se irá separar de mim completamente. Todos os dias luto com a tentação de fintar prioridades só porque sim. Mesmo ao escrever esta crónica, o primeiro estado de espírito foi : «Vou escrever, mas agora não me apetece». Ainda vivo um pouco no limbo bem definido pelo filósofo Reininho quando escreveu «Faz-me impressão o trabalho/a inércia faz-me mal. É um combate longo, sem tréguas, e particularmente relevante para um conservador céptico como eu, que acredita que o dia de hoje é que conta. O preguiçoso puro é, de certa forma, um optimista inútil (passe a redundância), que crê sem dificuldades no amanhã que tudo resolve.
Quando o atleta olímpico Marco Fortes, depois de ter confessado um truísmo («De manhã está-se bem é na caminha»), foi acusado de ser preguiçoso ninguém compreendeu a injustiça. A preguiça não é uma situação, é um estilo de vida. É uma rendição lenta ao tempo, às horas, a nós próprios que só pode dar mau resultado. Vê-se a vida devagar a passar ao lado, com um aceno e um sorriso, para nunca mais voltar. Vemos amigos, amantes, instantes que nunca mais irão voltar por nossa exclusiva culpa. E depois, como Portugueses que somos, dedicamo-nos com afinco à única coisa em que colocamos empenho – a saudade.

A preguiça não é um direito, é uma praga. Já nem falo daquela que é considerada pecado mortal, para mim muito mais séria, e que se traduz por uma indiferença a Deus e ao caminho do Bem. São Tomás de Aquino chamava-a de ‘acedia’, uma espécie de tristeza espiritual em relação à crença e à prática e opunha-lhe a Caridade. Dante colocou os pecadores por Preguiça no Purgatório, onde a sua penitência consistia em andarem eternamente atarefados de um lado para o outro sem o direito a uma oração sequer. Esta sim, aterroriza-me, mas sei que para isso é preciso ter Fé. A outra, aquela com que nós lidamos no quotidiano pode ser atenuada. Podemos agir. Podemos conjugar, com felicidade e propriedade, o presente do indicativo. Porque a alternativa, descobri eu, é triste: é acordar um dia e descobrir que a nossa vida já chegou tarde.


(crónica publicada no suplemento «Nós», do jornal i, 13 de Junho 2009)



*não coloco a ilustração do Pedro Vieira por puro despeito e inveja.

sexta-feira, junho 05, 2009

Rapaziada amiga:

Só para lembrar que os 3 Leões jogam sábado. Já temos mesa no pub? (e entretanto choremos com a beleza e o flag waving desta noite em que eu daria tudo para lá estar).

segunda-feira, junho 01, 2009

Marilyn: a idade da inocência

Aqui o doce prenúncio de uma tempestade só a custo disfarçada.
O cabelo de Jennifer Anniston


Tanta coisa que aconteceu e que poderia até transcrever para este estabelecimento. Mas uma mistura de cansaço, excesso de calor e cepticismo levou-me quase à beira de desligar o blogue da máquina e entregá-lo ao universo virtual.Só que há sempre pequenas epifanias quotidianas que felizmente nos levam a mudar de ideias: uma frase lida aqui, uma embirração vista ali, uma admiração constatada acolá. Amália gostava de dizer que foram os filmes de Fred Astaire que a demoveram do suicídio, aquela alegria e previsibilidade maravilhosas que com as melhores canções do mundo coreografavam as fitas para o final mais feliz possível. No que me diz respeito, se haveria caso de vida ou morte era apenas em relação ao blogue, que continua melhor do que eu e, nos dias maus, igual; mas foi ontem, ao ligar distraídamente a televisão e ver o cabelo de Jennifer Anniston, que este blogue foi salvo.
O cabelo de Jennifer é impossivel. É de uma leveza irreverente, como os timings perfeitos de comédia que a actriz possui. É talvez o cabelo mais sexy do mundo, porque só precisa de existir.É um cabelo inteligente, versátil,que dá a ilusão linda do girl next door. E ainda por cima emoldura uma mulher perfeita nas suas imperfeições que se adivinham. Jolie é Jolie. Mas Brad,meu rapaz,se queres uma opinião tardia: tu perdeste.
Assim, o cabelo de Jennifer foi decisivo ao voltar às palavras, porque precisei de fazer a crónica do que existe e nos emociona e que está em risco de extinção. Já estou a terminar outro post sobre a actualidade e brilhantismo de uma grande romancista com vida ainda melhor do que a obra: Colette. Mas isso virá em breve, deixai-me demorar o olhar apaixonado em cada pormenor do cabelo inspirador de Jennifer Aniston.

segunda-feira, maio 11, 2009

And Miles to go before we sleep

Há 50 anos nascia um dos mais fabulosos discos de todos os tempos. O responsável foi um génio. Se houver ainda alguma ilha deserta alguém que me coloque lá com Kind Of Blue.

terça-feira, maio 05, 2009


Foi longa a espera mas compensou. Melingo esteve em Lisboa. E Lisboa não se fez rogada:acabou em Melingo.


(para o mês que vem ele volta, investido em novas «funções». Aguardai)

segunda-feira, maio 04, 2009

No dia da morte de Vasco Granja
Uma rapariga adolescente, cabelos loiros compridos, óculos escusadamente largos ao longe no passeio. A rádio que certifica a morte de Vasco Granja. A memória do tom paternalista, a doutrina à força dos desenhos animados checos e os experimentalismos de Norman McLaren. A espera ansiosa do final do programa, quando o educador colocava no ar, com manifesto desdém, os «bonecos de Chuck Jones». A infância que poderia ter sido vendo apenas cartoons didácticos e com a palavra «koniec». A estranheza e o alívio. 17h52, vinte e cinco graus em Lisboa. A arrogância da beleza da adolescente loira, camisola negra de alças, onde se lê «No One Understands Me».

quinta-feira, abril 30, 2009

The tree has entered my hands,
The sap has ascended my arms,
The tree has grown in my breast-
Downward,
The branches grow out of me, like arms.

Tree you are,
Moss you are,
You are violets with wind above them.
A child - so high - you are,
And all this is folly to the world.

A Girl, Ezra Pound.

sexta-feira, abril 24, 2009

quinta-feira, abril 23, 2009

Para o bem e para o mal
A minha vida começa a ser um constante déjá-vu.