sexta-feira, abril 24, 2009
sábado, abril 18, 2009
quarta-feira, abril 15, 2009
History never repeats? O tanas.
2008: três clubes ingleses nas meias-finais da Champions.
2009: três clubes ingleses nas meias-finais da Champions.
Agora macem-me, sejam queirozes e digam que é dos estrangeiros e que o «futebol inglês» já não existe.
Palavra de honra que torci pelo FCPorto, como faço com todas as equipas portuguesas em competições europeias (sim, até o Benfica). Mas o Rooney? Viram o jogador que aquele menino é? Quando a equipa está em sub-rendimento, who you gonna call? Not Cristiano Ronaldo, that's for sure.
2008: três clubes ingleses nas meias-finais da Champions.
2009: três clubes ingleses nas meias-finais da Champions.
Agora macem-me, sejam queirozes e digam que é dos estrangeiros e que o «futebol inglês» já não existe.
Palavra de honra que torci pelo FCPorto, como faço com todas as equipas portuguesas em competições europeias (sim, até o Benfica). Mas o Rooney? Viram o jogador que aquele menino é? Quando a equipa está em sub-rendimento, who you gonna call? Not Cristiano Ronaldo, that's for sure.
segunda-feira, abril 13, 2009
Agrafia e ausência
Primeiro, para variar, entrei em negação: que era o excesso de problemas que me afastava deste lugar, que justificava o deus-dará deste endereço. Era verdade, mas não era. Depois foi o aparecimento das redes sociais: tanto para fazer e em tão pouco tempo. Lugares onde o passado me é devolvido às vezes brutalmente, como no Facebook, mas em que basta uma palavra, às vezes nem isso, uma «prenda», um aceno. Uma espécie de pátio de recreio virtual onde estava com conhecidos e amigos, onde entre gargalhadas fazemos o rescaldo de dias passados há muito tempo ou agora mesmo sem compromissos ou preocupações sintáticas. O mesmo com o twitter: cento e quarenta caracteres no máximo? É o passo para o aforista que sempre quis ser. E se não apetecer dizer nada - como muitas vezes não apetece - pode-se estar à janela, a ver os vizinhos e as vizinhas falarem ou de vez em quando ligar a aparelhagem e dar-lhes música que eu gosto. Maravilha. Blogue para quê, o que é isso, que dá tanto trabalho, que mostra tanto, que exige tanto de mim para escrever melhor daquilo que eu sou? Onde tinha eu a cabeça, meu Deus?
De maneira que assim ficaram as palavras e os videos e os afectos suspensos aqui não se sabe onde, visitados por obstinados leitores e naufragos cibernautas à deriva ou gente recém-saída dos motores de busca onde colocam, receio, coisas como «mostrar sentido vida».
Não. A estranha e aguda agrafia que me acometeu tem razões várias, sendo que a mais importante, para quem vê o silêncio como a máxima ambição da comunicação e lugar onde tudo irá parar, é o estar cansado da inutilidade dos vocábulos. É coisa que passa, mas que volta sempre. Passou.
E agora regressar sem saber porquê aos posts longos, rasteiros e à beira da alma, e procurar nos arquivos os prelúdios de mim e ver que há escritos que ainda trazem cheiros de sorrisos agarrados, outros que sabem a lágrimas, outros ainda a malandrice, a sedução pura e dura e muito poucos com alguma coisa que eventualmente se aproveite. Ver como apesar de tudo era um irredutivel optimista ainda há pouco, last night when I was young, e que a tela vai escurecendo mesmo quando eu não dou por isso, e que a epígrafe que ainda encima este estabelecimento é cada vez mais verdadeira. Talvez seja aqui o único lugar onde posso ser verdadeiro, não sei.
O Tradução Simultânea faz seis anos e com vossa licença vai continuar por mais um bocadinho.
Primeiro, para variar, entrei em negação: que era o excesso de problemas que me afastava deste lugar, que justificava o deus-dará deste endereço. Era verdade, mas não era. Depois foi o aparecimento das redes sociais: tanto para fazer e em tão pouco tempo. Lugares onde o passado me é devolvido às vezes brutalmente, como no Facebook, mas em que basta uma palavra, às vezes nem isso, uma «prenda», um aceno. Uma espécie de pátio de recreio virtual onde estava com conhecidos e amigos, onde entre gargalhadas fazemos o rescaldo de dias passados há muito tempo ou agora mesmo sem compromissos ou preocupações sintáticas. O mesmo com o twitter: cento e quarenta caracteres no máximo? É o passo para o aforista que sempre quis ser. E se não apetecer dizer nada - como muitas vezes não apetece - pode-se estar à janela, a ver os vizinhos e as vizinhas falarem ou de vez em quando ligar a aparelhagem e dar-lhes música que eu gosto. Maravilha. Blogue para quê, o que é isso, que dá tanto trabalho, que mostra tanto, que exige tanto de mim para escrever melhor daquilo que eu sou? Onde tinha eu a cabeça, meu Deus?
De maneira que assim ficaram as palavras e os videos e os afectos suspensos aqui não se sabe onde, visitados por obstinados leitores e naufragos cibernautas à deriva ou gente recém-saída dos motores de busca onde colocam, receio, coisas como «mostrar sentido vida».
Não. A estranha e aguda agrafia que me acometeu tem razões várias, sendo que a mais importante, para quem vê o silêncio como a máxima ambição da comunicação e lugar onde tudo irá parar, é o estar cansado da inutilidade dos vocábulos. É coisa que passa, mas que volta sempre. Passou.
E agora regressar sem saber porquê aos posts longos, rasteiros e à beira da alma, e procurar nos arquivos os prelúdios de mim e ver que há escritos que ainda trazem cheiros de sorrisos agarrados, outros que sabem a lágrimas, outros ainda a malandrice, a sedução pura e dura e muito poucos com alguma coisa que eventualmente se aproveite. Ver como apesar de tudo era um irredutivel optimista ainda há pouco, last night when I was young, e que a tela vai escurecendo mesmo quando eu não dou por isso, e que a epígrafe que ainda encima este estabelecimento é cada vez mais verdadeira. Talvez seja aqui o único lugar onde posso ser verdadeiro, não sei.
O Tradução Simultânea faz seis anos e com vossa licença vai continuar por mais um bocadinho.
terça-feira, março 24, 2009
Quanto maior a crise, maior a superioridade
«The Chap Olympiad seeks to celebrate specifically British qualities, such as the excessive drinking of dry martinis before lunch, the wearing of monocles, the smoking of pipes and the maintenance of an immaculate crease in one's trousers despite having tripped over a basset hound on the way to the pavilion. All our events are designed to test competitors' levels of panache, elegance and savoir-faire, as a cheerful alternative to watching our nation's hopeless attempts to compete on the world stage in sports such as soccer and cricket.»
Tudo pode ser lido aqui, no coração do que é bom. E de preferência acompanhar com Pigeon Pie, de Nancy Mitford, edição Penguin, 1961, comprada na mítica Shakespeare and Company, em Paris. Ah espera, isso sou eu.
«The Chap Olympiad seeks to celebrate specifically British qualities, such as the excessive drinking of dry martinis before lunch, the wearing of monocles, the smoking of pipes and the maintenance of an immaculate crease in one's trousers despite having tripped over a basset hound on the way to the pavilion. All our events are designed to test competitors' levels of panache, elegance and savoir-faire, as a cheerful alternative to watching our nation's hopeless attempts to compete on the world stage in sports such as soccer and cricket.»
Tudo pode ser lido aqui, no coração do que é bom. E de preferência acompanhar com Pigeon Pie, de Nancy Mitford, edição Penguin, 1961, comprada na mítica Shakespeare and Company, em Paris. Ah espera, isso sou eu.
domingo, março 22, 2009
quarta-feira, março 18, 2009
Gosto de regressos
E este, o do Pedro Adão e Silva, é mais do que desejado. Já sei onde poderei espreitar as minhas próximas bandas sonoras.
E este, o do Pedro Adão e Silva, é mais do que desejado. Já sei onde poderei espreitar as minhas próximas bandas sonoras.
segunda-feira, março 16, 2009
Da importância do barbeiro na educação
Crónica sinusítica recuperada e como nova. Pode ser lida aqui.
Crónica sinusítica recuperada e como nova. Pode ser lida aqui.
quarta-feira, março 11, 2009
Utilizando o progresso para miná-lo com elegância
Num tempo de twits, facebook, plaxos e quejandos, eis o que tudo redime: este maravilhoso e correctíssimo site.
A epígrafe, de E.M.Forster, diz tudo: «All men are equal. All men, that is, who possess umbrellas.»
(com um eterno obrigado à Laura, que me conhece bem)
Num tempo de twits, facebook, plaxos e quejandos, eis o que tudo redime: este maravilhoso e correctíssimo site.
A epígrafe, de E.M.Forster, diz tudo: «All men are equal. All men, that is, who possess umbrellas.»
(com um eterno obrigado à Laura, que me conhece bem)
domingo, março 08, 2009
quarta-feira, março 04, 2009
É com bastante inveja e orgulho que declaro:
já bebi umas cervejas com o tipo que escreveu esta pepita.
já bebi umas cervejas com o tipo que escreveu esta pepita.
terça-feira, março 03, 2009
Tão estranha esta sensação de regresso a este lugar. Mais de uma semana depois de o ter deixado, olho para as palavras abandonadas e arranjadas, as músicas que ainda tocam mas já amarelecidas, colocada por alguém que não sou eu mas que se parecia terrivelmente comigo há alguns dias atrás.
A vidinha continuou noutros lugares, uma pessoa desperdiça e ganha energias para outros fins, despeja alegrias e tristezas longe e regressa ao blogue que o viu crescer com uma culpa de adultério inútil, sem outra força nem vontade que não seja lamentar-se, pedir desculpa não aos leitores que por aqui passam - e que são os que mais mereciam - mas a si próprio, desculpas pelo desleixo de não poder ser outra coisa que não aquela que num dia inspirado decidiu colocar no cabeçalho em epígrafe e muito provavelmente epitáfio.
Enfim, regresso.«Home is so sad».
A vidinha continuou noutros lugares, uma pessoa desperdiça e ganha energias para outros fins, despeja alegrias e tristezas longe e regressa ao blogue que o viu crescer com uma culpa de adultério inútil, sem outra força nem vontade que não seja lamentar-se, pedir desculpa não aos leitores que por aqui passam - e que são os que mais mereciam - mas a si próprio, desculpas pelo desleixo de não poder ser outra coisa que não aquela que num dia inspirado decidiu colocar no cabeçalho em epígrafe e muito provavelmente epitáfio.
Enfim, regresso.«Home is so sad».
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Sobre o jogo que vi
Estou satisfeito. O seleccionador experimentou muitos novos jogadores, mudou meia equipa ao intervalo e deu a 108ª internacionalização a um capitão a sério, que nem fez um mau jogo. Mas o adversário é muito forte e a derrota foi inevitável - a primeira desde que a qualificação para o Mundial começou. Perder com o campeão da Europa não é vergonha; e Inglaterra tem motivos para estar orgulhosa da sua selecção.
Estou satisfeito. O seleccionador experimentou muitos novos jogadores, mudou meia equipa ao intervalo e deu a 108ª internacionalização a um capitão a sério, que nem fez um mau jogo. Mas o adversário é muito forte e a derrota foi inevitável - a primeira desde que a qualificação para o Mundial começou. Perder com o campeão da Europa não é vergonha; e Inglaterra tem motivos para estar orgulhosa da sua selecção.
E nem precisei de fazer batota.
Que tal estas maçãs, Bomba? :)

You're Ulysses!
by James Joyce
Most people are convinced that you don't make any sense, but compared
to what else you could say, what you're saying now makes tons of sense. What people do
understand about you is your vulgarity, which has convinced people that you are at once
brilliant and repugnant. Meanwhile you are content to wander around aimlessly, taking in
the sights and sounds of the city. What you see is vast, almost limitless, and brings you
additional fame. When no one is looking, you dream of being a Greek folk hero.
Take the Book Quiz
at the Blue Pyramid.
Que tal estas maçãs, Bomba? :)
terça-feira, fevereiro 10, 2009
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
Da superioridade do futebol inglês
Scolari despedido do Chelsea
Por aqui, se colocasse umas bandeirinhas nas janelas o povo continuaria achar que é um grande treinador.
Scolari despedido do Chelsea
Por aqui, se colocasse umas bandeirinhas nas janelas o povo continuaria achar que é um grande treinador.
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
domingo, fevereiro 01, 2009
1 de Fevereiro de 2009
Há precisamente 101 anos eram assassinados El-Rei D. Carlos e seu filho, SAR Príncipe Luiz Filipe. Perceber o que este acto significou, e a absoluta cobardia que encerra, ajuda a perceber a História. Honrar quem morreu é mais do que simples folclore.
Hoje, às 19.00, missa na Sé Patriarcal de Lisboa em memória das vítimas do Regícidio.
Há precisamente 101 anos eram assassinados El-Rei D. Carlos e seu filho, SAR Príncipe Luiz Filipe. Perceber o que este acto significou, e a absoluta cobardia que encerra, ajuda a perceber a História. Honrar quem morreu é mais do que simples folclore.
Hoje, às 19.00, missa na Sé Patriarcal de Lisboa em memória das vítimas do Regícidio.
sábado, janeiro 31, 2009
quarta-feira, janeiro 28, 2009
Citação du jour
«'The work of the philosophical policeman', replied the man in blue, 'is at once bolder and more subtle than that of the ordinary detective. The ordinary detective goes to pot-houses to arrest thieves; we go to artistic tea-parties to detect pessimists.'»
do cada dia melhor The Man Who Was Thursday, de G.K. Chesterton
«'The work of the philosophical policeman', replied the man in blue, 'is at once bolder and more subtle than that of the ordinary detective. The ordinary detective goes to pot-houses to arrest thieves; we go to artistic tea-parties to detect pessimists.'»
do cada dia melhor The Man Who Was Thursday, de G.K. Chesterton
segunda-feira, janeiro 26, 2009
sexta-feira, janeiro 23, 2009
A minha Gaza é em Lisboa
Quando soube ontem que existia uma moção para geminar Lisboa com Gaza pensei que fosse uma má piada. Não era. O Bloco de Esquerda, no seu melhor, avançou com uma moção - já aprovada na Assembleia Municipal - para concretizar este sonho lindo. Não estaria tão indignado se isto não passasse do mesmo folclore de «olhem-para-nós» em que o Bloco é perito. Vê quem quer. Não, promover uma geminação por critérios puramente ideológicos e que reduzem tudo a um maniqueísmo simplista (uma redundância, eu sei) é uma falta de respeito para os munícipes. A história da cidade-mártir também não é para aqui chamada. Há muitas candidatas, se o caso fosse esse. Olha, Hiroshima, Nagasaki. E, atrevo-me, a antiga Estalinegrado. Ou, por mim, Nova Iorque. Ou, só para não sairmos do assunto, Sderot.
O facto de Gaza ser um albergue de terrorismo (e isto não é especulação, como até os mais extremistas defensores da «causa» palestina concordarão) fica bem ligado a uma cidade como Lisboa. Era só o que faltava.
A solução de dois estados de Direito, soberanos e vizinhos, continua a ser a ideal. Adivinhem quem não quer que um dos países exista. Parabéns: Lisboa ficou agora ligada a essa ideia.
*para mais discussão e debate sobre o tema, ver aqui.
Quando soube ontem que existia uma moção para geminar Lisboa com Gaza pensei que fosse uma má piada. Não era. O Bloco de Esquerda, no seu melhor, avançou com uma moção - já aprovada na Assembleia Municipal - para concretizar este sonho lindo. Não estaria tão indignado se isto não passasse do mesmo folclore de «olhem-para-nós» em que o Bloco é perito. Vê quem quer. Não, promover uma geminação por critérios puramente ideológicos e que reduzem tudo a um maniqueísmo simplista (uma redundância, eu sei) é uma falta de respeito para os munícipes. A história da cidade-mártir também não é para aqui chamada. Há muitas candidatas, se o caso fosse esse. Olha, Hiroshima, Nagasaki. E, atrevo-me, a antiga Estalinegrado. Ou, por mim, Nova Iorque. Ou, só para não sairmos do assunto, Sderot.
O facto de Gaza ser um albergue de terrorismo (e isto não é especulação, como até os mais extremistas defensores da «causa» palestina concordarão) fica bem ligado a uma cidade como Lisboa. Era só o que faltava.
A solução de dois estados de Direito, soberanos e vizinhos, continua a ser a ideal. Adivinhem quem não quer que um dos países exista. Parabéns: Lisboa ficou agora ligada a essa ideia.
*para mais discussão e debate sobre o tema, ver aqui.
segunda-feira, janeiro 19, 2009
sexta-feira, janeiro 16, 2009
Um exímio interprete de baladas, Dexter Gordon também representou o melhor do que havia nos saxofonistas pré-bop. Frases redondas, privilegiando as soluções melódicas à velocidade ou invenção radical. Neste magnífico Don't explain existe outro artista a fazer-lhe sombra: o para mim subestimado Sonny Clark, pianista subtil e de porcelana, com recursos quase elípticos nos seus milagrosos improvisos. Quem conhecer a versão cantada de Don't Explain- canção de amor triste, assinada por Billie Holiday - ganhará muito ao deixar-se levar nesta viagem.
segunda-feira, janeiro 12, 2009

In sure and certain hope, Frederick H. Evans, 1904
SORROW, on wing through the world for ever,
Here and there for awhile would borrow
Rest, if rest might haply deliver
Sorrow.
One thought lies close in her heart gnawn thorough
With pain, a weed in a dried-up river,
A rust-red share in an empty furrow.
Hearts that strain at her chain would sever
The link where yesterday frets to-morrow:
All things pass in the world, but never
Sorrow.
Algernon Swinburne
terça-feira, janeiro 06, 2009
Elogio e defesa do Metropolitano de Lisboa
«Mas na verdade também outra parte do meu ofício fez-me ter a certeza de que você não era padre.
- Qual? - perguntou o ladrão, quase boquiaberto.
-Você atacou a razão - disse o padre Brown.- É má teologia»
ou
«Era um dos grandes livres-pensadores humanitários franceses e a única coisa errada neles é que tornam a clemência ainda mais fria do que a justiça».
e mais duzentas e vinte e duas páginas de puro deslumbre em A Inocência Do Padre Brown, de G.K. Chesterton. Comprado na estação do Marquês de Pombal, tradução correcta. Preço: um euro.
«Mas na verdade também outra parte do meu ofício fez-me ter a certeza de que você não era padre.
- Qual? - perguntou o ladrão, quase boquiaberto.
-Você atacou a razão - disse o padre Brown.- É má teologia»
ou
«Era um dos grandes livres-pensadores humanitários franceses e a única coisa errada neles é que tornam a clemência ainda mais fria do que a justiça».
e mais duzentas e vinte e duas páginas de puro deslumbre em A Inocência Do Padre Brown, de G.K. Chesterton. Comprado na estação do Marquês de Pombal, tradução correcta. Preço: um euro.
quinta-feira, janeiro 01, 2009
Estado Civil (n.2006-2008)
«I sing what was lost and dread what was won». Sempre achei que este blogue - e ali, o Pedro - era uma perífrase deste verso de Yeats. É por isso que o entendo tão bem, tão bem.
«I sing what was lost and dread what was won». Sempre achei que este blogue - e ali, o Pedro - era uma perífrase deste verso de Yeats. É por isso que o entendo tão bem, tão bem.
quarta-feira, dezembro 31, 2008
terça-feira, dezembro 30, 2008
Livros lidos ou editados em 2008
O Breve Sentimento do Eterno, Nuno Júdice (Nélson de Matos)
Anna Karénina, Lev Tolstoi (Relógio d'Água)
Ortodoxia, GK Chesterton (Aletheia)
War And Peace, Lev Tolstoi, tradução de Constance Garnett (Könemann)
Jazz Covers, Joaquim Paulo (Taschen)
O Herói Do Nosso Tempo, Mikhail Lermontov (Relógio d'Água)
The Complete Short Stories, Evelyn Waugh (Everyman's Library)
Os Tesouros de Sinatra (Casa Sassetti)
O Fantasma Sai De Cena, Philip Roth (D.Quixote)
Searching For John Ford, Joseph McBride (St. Martin's Press)
(cont.)
O Breve Sentimento do Eterno, Nuno Júdice (Nélson de Matos)
Anna Karénina, Lev Tolstoi (Relógio d'Água)
Ortodoxia, GK Chesterton (Aletheia)
War And Peace, Lev Tolstoi, tradução de Constance Garnett (Könemann)
Jazz Covers, Joaquim Paulo (Taschen)
O Herói Do Nosso Tempo, Mikhail Lermontov (Relógio d'Água)
The Complete Short Stories, Evelyn Waugh (Everyman's Library)
Os Tesouros de Sinatra (Casa Sassetti)
O Fantasma Sai De Cena, Philip Roth (D.Quixote)
Searching For John Ford, Joseph McBride (St. Martin's Press)
(cont.)
sábado, dezembro 27, 2008
sexta-feira, dezembro 26, 2008
Discos 2008

The Age Of The Understatement, The Last Shadow Puppets

Fleet Foxes, Fleet Foxes
Portugal

À Deriva, Novembro
Canções
My mistakes were made for you, The Last Shadow Puppets: música tensa, John Barry a orquestrar para amores e humores de novos Bond. Letra assombrosa.
Lost Coastlines, Okkervil River: Belíssimas vocalizações, harmonias simples e lindas no clássico contraste formal ritmo-letra melancólica. Para durar.
Movimento Perpétuo Associativo, Deolinda: humor certeiro sobre a arte de ser português, incluido num excelente disco de estreia.
Vendaval, Camané/Dead Combo para projecto UPA. Provavelmente a melhor versão do ano.Tony de Matos estará satisfeito.
(cont.)

The Age Of The Understatement, The Last Shadow Puppets

Fleet Foxes, Fleet Foxes
Portugal
À Deriva, Novembro
Canções
My mistakes were made for you, The Last Shadow Puppets: música tensa, John Barry a orquestrar para amores e humores de novos Bond. Letra assombrosa.
Lost Coastlines, Okkervil River: Belíssimas vocalizações, harmonias simples e lindas no clássico contraste formal ritmo-letra melancólica. Para durar.
Movimento Perpétuo Associativo, Deolinda: humor certeiro sobre a arte de ser português, incluido num excelente disco de estreia.
Vendaval, Camané/Dead Combo para projecto UPA. Provavelmente a melhor versão do ano.Tony de Matos estará satisfeito.
(cont.)
quarta-feira, dezembro 24, 2008
segunda-feira, dezembro 22, 2008
Sendo assim, comecemos.
Blogues 2008
A Causa Foi Modificada
Complexidade e Contradição
Desinfeliz de Juízo
Estado Civil
Melancómico
O Jansenista
O Regabofe
Pastoral Portuguesa
Sinusite Crónica (excluindo a minha participação)
Tame The Kant (RIP)
Terapia Metatísica
Voz do Deserto
Concertos
Ana Moura (Coliseu de Lisboa)
Brandford Marsalis (EstorilJazz)
Camané (Coliseu de Lisboa)
The National (Aula Magna)
(cont.)
Blogues 2008
A Causa Foi Modificada
Complexidade e Contradição
Desinfeliz de Juízo
Estado Civil
Melancómico
O Jansenista
O Regabofe
Pastoral Portuguesa
Sinusite Crónica (excluindo a minha participação)
Tame The Kant (RIP)
Terapia Metatísica
Voz do Deserto
Concertos
Ana Moura (Coliseu de Lisboa)
Brandford Marsalis (EstorilJazz)
Camané (Coliseu de Lisboa)
The National (Aula Magna)
(cont.)
domingo, dezembro 21, 2008
quarta-feira, dezembro 17, 2008
segunda-feira, dezembro 15, 2008
domingo, dezembro 14, 2008
quinta-feira, dezembro 11, 2008
quarta-feira, dezembro 10, 2008
Engana-me que eu gosto
Aqui vamos nós outra vez: quatro rapazes vestidos de preto, cabelos curtos, clean-cut,caras fechadas entre a ascese romântico-metafísica e a dor ogival que proclamam. O som é negro, as letras sombrias e existenciais.Soa a algo familiar, claro; Manchester ou Liverpool, 1981.
Não, 2008. Os White Lies juraram a pés juntos que nunca ouviram Bunnymen ou os Teardrop Explodes antes de escreverem as suas canções, mas torna-se dificil de acreditar. Então para quem tinha nesses anos longinquos paciência, alma, dedicação e afincado mimetismo para bandas favoritas (leia-se: para quem tinha 16 anos) a coisa cheira a esturro. E para os fanáticos das vivissecções musicais, os temas dos moços são um paraíso: harmónicos de sintetizador a la Ultravox fase Midge Ure, baixo fretless depois de break de bateria cortesia Duran Duran... Podia continuar por anos.
Então o que separa os White Lies de fraudes como She Wants Revenge ou a pompa balofa dos Interpol? A solidez das canções, a sinceridade na entrega e a ilusão mais prolongada do que o costume de que estas melodias ainda não tinham sido escritas. Como esta magnífica Lose My Life, por exemplo. Engana-me que eu gosto.
Aqui vamos nós outra vez: quatro rapazes vestidos de preto, cabelos curtos, clean-cut,caras fechadas entre a ascese romântico-metafísica e a dor ogival que proclamam. O som é negro, as letras sombrias e existenciais.Soa a algo familiar, claro; Manchester ou Liverpool, 1981.
Não, 2008. Os White Lies juraram a pés juntos que nunca ouviram Bunnymen ou os Teardrop Explodes antes de escreverem as suas canções, mas torna-se dificil de acreditar. Então para quem tinha nesses anos longinquos paciência, alma, dedicação e afincado mimetismo para bandas favoritas (leia-se: para quem tinha 16 anos) a coisa cheira a esturro. E para os fanáticos das vivissecções musicais, os temas dos moços são um paraíso: harmónicos de sintetizador a la Ultravox fase Midge Ure, baixo fretless depois de break de bateria cortesia Duran Duran... Podia continuar por anos.
Então o que separa os White Lies de fraudes como She Wants Revenge ou a pompa balofa dos Interpol? A solidez das canções, a sinceridade na entrega e a ilusão mais prolongada do que o costume de que estas melodias ainda não tinham sido escritas. Como esta magnífica Lose My Life, por exemplo. Engana-me que eu gosto.
terça-feira, dezembro 09, 2008
sexta-feira, dezembro 05, 2008
terça-feira, dezembro 02, 2008
segunda-feira, dezembro 01, 2008
domingo, novembro 30, 2008
sábado, novembro 29, 2008
Borgerias (1)
«Escrevi muitos poemas de amor causados por muitas mulheres. Se eu estava enamorado saíam um, dois, três poemas. Se eu tinha uma paixão motivada por um capricho extravagante, saíam-me muitos. Por vezes, abandonados pela mulher escolhida, só nos resta o prazer de estar tristes pela mulher que nos falta.»
Jorge Luís Borges
«Escrevi muitos poemas de amor causados por muitas mulheres. Se eu estava enamorado saíam um, dois, três poemas. Se eu tinha uma paixão motivada por um capricho extravagante, saíam-me muitos. Por vezes, abandonados pela mulher escolhida, só nos resta o prazer de estar tristes pela mulher que nos falta.»
Jorge Luís Borges
quinta-feira, novembro 27, 2008
quarta-feira, novembro 26, 2008
Renascidos a 25 de Novembro
As notícias da morte foram largamente exageradas. Depois de várias semanas de negociações, com árduos argumentos e perguntas fracturantes como "A que horas é que se janta?", os sinusíticos regressam, cada vez mais crónicos e mais sinusíticos. Agora é que é, que qualquer dia para ler estes rapazes vão ter de comprar o livro.
As notícias da morte foram largamente exageradas. Depois de várias semanas de negociações, com árduos argumentos e perguntas fracturantes como "A que horas é que se janta?", os sinusíticos regressam, cada vez mais crónicos e mais sinusíticos. Agora é que é, que qualquer dia para ler estes rapazes vão ter de comprar o livro.
terça-feira, novembro 25, 2008
Dos 25 a que temos de estar gratos
Depois do de Abril, este é o outro. E ainda houve tempo para há dois anos abrirmos esta casa.
Depois do de Abril, este é o outro. E ainda houve tempo para há dois anos abrirmos esta casa.
sábado, novembro 22, 2008

Song: Memory, hither come
Memory, hither come,
And tune your merry notes;
And, while upon the wind
Your music floats,
I'll pore upon the stream
Where sighing lovers dream,
And fish for fancies as they pass
Within the watery glass.
I'll drink of the clear stream,
And hear the linnet's song;
And there I'll lie and dream
The day along:
And, when night comes, I'll go
To places fit for woe,
Walking along the darken'd valley
With silent Melancholy.
William Blake
sexta-feira, novembro 21, 2008
E no meio destes dias de fancaria, dias de juntar água, dias intervalos entre o príncipio e o fim - os nossos dias - há isto. Há isto.
quarta-feira, novembro 19, 2008
Even better than the real thing

Juro que foi gerado a partir de uma fotografia minha. ficou muito melhor. Foi a tua sorte, meu querido amigo.

Juro que foi gerado a partir de uma fotografia minha. ficou muito melhor. Foi a tua sorte, meu querido amigo.
Façam favor
de visitar este blogue e colaborar. Mais do que uma boa ideia ou uma vaga esperança trata-se de gente que faz.
de visitar este blogue e colaborar. Mais do que uma boa ideia ou uma vaga esperança trata-se de gente que faz.
terça-feira, novembro 18, 2008
Pré-publicação*
Henrique não acreditava em serendipismos de espécie alguma, até ao momento em que encontrou Vera. E mesmo nessa altura continuou a não acreditar. Preferiu epifania ou milagre, 'muito mais acessível', segundo o próprio.
A ausência, é sabido, torna as presenças vividamente insuportáveis. E assim, mesmo não o querendo, Henrique foi obrigado a reviver, minuto a minuto, as estranhas condições em que conhecemos o «amor da nossa vida». Sempre bizarras, por mais banais que realmente se apresentem: um jantar de amigos, um conhecimento profissional, uma conversa nocturna. Como Henrique amou Vera, esse dia transformou-se numa saga épica e fantasiosa, em que surgiram rodeados de actores secundários num plano distante e difuso, numa terra de ninguém. Não houve frases memoráveis para assinalar um príncipio.
* a publicação própriamente dita ninguém sabe ainda se vai acontecer. Este é o inicio de algo que está em progresso e para o qual peço a colaboração dos leitores da casa e ocasionais turistas. Critiquem, sugiram, glorifiquem. Agradeço, a sério. O mail está lá em cima. Obrigado.
Henrique não acreditava em serendipismos de espécie alguma, até ao momento em que encontrou Vera. E mesmo nessa altura continuou a não acreditar. Preferiu epifania ou milagre, 'muito mais acessível', segundo o próprio.
A ausência, é sabido, torna as presenças vividamente insuportáveis. E assim, mesmo não o querendo, Henrique foi obrigado a reviver, minuto a minuto, as estranhas condições em que conhecemos o «amor da nossa vida». Sempre bizarras, por mais banais que realmente se apresentem: um jantar de amigos, um conhecimento profissional, uma conversa nocturna. Como Henrique amou Vera, esse dia transformou-se numa saga épica e fantasiosa, em que surgiram rodeados de actores secundários num plano distante e difuso, numa terra de ninguém. Não houve frases memoráveis para assinalar um príncipio.
* a publicação própriamente dita ninguém sabe ainda se vai acontecer. Este é o inicio de algo que está em progresso e para o qual peço a colaboração dos leitores da casa e ocasionais turistas. Critiquem, sugiram, glorifiquem. Agradeço, a sério. O mail está lá em cima. Obrigado.
domingo, novembro 16, 2008
Eu, Bondófilo, me confesso

O maior, junto do seu Aston Martin DB5 que utilizou em Goldfinger e que eu possuí na versão Corgi Toys. Provavelmente o carro mais bonito do mundo.
Para quem padece da mesma doença, recomendo sinceramente este tratamento.

O maior, junto do seu Aston Martin DB5 que utilizou em Goldfinger e que eu possuí na versão Corgi Toys. Provavelmente o carro mais bonito do mundo.
Para quem padece da mesma doença, recomendo sinceramente este tratamento.
sexta-feira, novembro 14, 2008
Yes we can!
Eis um dos benefícios do blobbying:um tipo tanto fala, tanto fala que as coisas acabam mesmo por acontecer: Um Mundo Catita estreia na RTP 2 este domingo. A crise acabou!
Eis um dos benefícios do blobbying:um tipo tanto fala, tanto fala que as coisas acabam mesmo por acontecer: Um Mundo Catita estreia na RTP 2 este domingo. A crise acabou!
quinta-feira, novembro 13, 2008
Freud passou por Deadwood«Help me, Lord, to understand cunt.», Cy Tolliver
Uma das muitas maravilhosas deixas da série televisiva mais bem escrita que conheço.
Quanto mais se ouve, melhor e melhor e...pronto, desculpem.
The Last Shadow Puppets - My Mistakes Were Made For You
Contém o melhor verso pop de 2008:«Innocence and arrogance intwined/in the filthiest of minds»
The Last Shadow Puppets - My Mistakes Were Made For You
Contém o melhor verso pop de 2008:«Innocence and arrogance intwined/in the filthiest of minds»
quarta-feira, novembro 12, 2008
Private lives

Existem momentos no nosso convívio quotidiano com amigos, conhecidos ou recém-conhecidos em que inevitavelmente alguém resvala para territórios inimagináveis da privacidade. Não se sabe de onde chega essa coragem, que a mim – que mesmo na máxima solidão gosto de dormir de portas fechadas – me parece sempre absurda e inoportuna, embora na maior parte das vezes bem-intencionada. Mas embalado por um misterioso calor (normalmente um Jameson sem gelo e um pouco de água), uma pessoa deixa-se levar pelo canto de sereia da intimidade efémera mas absolutamente vital naquele minuto. Como numa noite recente, em que alguém me disparou
«Há algum momento, na tua vida amorosa, que gostarias de reviver?»
assim, à queima-roupa. Balbuciei que não sou nostálgico em nada, que o que passou é bonito para se lembrar, que é o património maior e mais eterno que
«O que é engraçado é que mesmo um tipo tendo desilusões não consegue deixar de cair na mesma armadilha, continua sempre a querer amar [sic] mais ou diferente…»
fez favor de concluir o meu interlocutor. Apeteceu-me dizer-lhe que do amor gosto mas tenho medo de amar e ser amado, de citar Borges quando dizia que escrevia para se distrair do amor. E ia fazê-lo, mas o filósofo de ocasião foi de repente invadido por um desejo imenso de um queijo brie ali ao lado. Felizmente para mim, que não escrevo, não sou Borges e estava a dizer verdades a mais. Mas o mal estava feito e o que posso dizer é isto: não trocaria nada pelo dia de hoje. Nada. Mas sei que à medida que envelhecemos o amor é cada vez mais remissivo para aplicações paralelas no presente. E isso sabe tão bem. Pelo menos melhor do que brie.
«Há algum momento, na tua vida amorosa, que gostarias de reviver?»
assim, à queima-roupa. Balbuciei que não sou nostálgico em nada, que o que passou é bonito para se lembrar, que é o património maior e mais eterno que
«O que é engraçado é que mesmo um tipo tendo desilusões não consegue deixar de cair na mesma armadilha, continua sempre a querer amar [sic] mais ou diferente…»
fez favor de concluir o meu interlocutor. Apeteceu-me dizer-lhe que do amor gosto mas tenho medo de amar e ser amado, de citar Borges quando dizia que escrevia para se distrair do amor. E ia fazê-lo, mas o filósofo de ocasião foi de repente invadido por um desejo imenso de um queijo brie ali ao lado. Felizmente para mim, que não escrevo, não sou Borges e estava a dizer verdades a mais. Mas o mal estava feito e o que posso dizer é isto: não trocaria nada pelo dia de hoje. Nada. Mas sei que à medida que envelhecemos o amor é cada vez mais remissivo para aplicações paralelas no presente. E isso sabe tão bem. Pelo menos melhor do que brie.
segunda-feira, novembro 10, 2008
domingo, novembro 09, 2008
Um dos melhores romances do mundo, Guerra e Paz (muito em voga este ano) na tradução da extraordinária Constance Garnett, numa edição ainda mais bonita e portátil da Könemann. O Inverno é a estação mais civilizada.
Só por isto quase que valeria a pena a eleição do homem
Glasgow, 5 de Novembro
Leonard Cohen the day after Barack Obama was voted in as the New President of the USA.Leonard walked to the front of the stage, fedora in his hand, and recited (with no background music) the following:
"I'm sentimental if you know what I mean
I love the country but I can't stand the scene.
And I'm neither left or right
I'm just staying home tonight,
getting lost in that hopeless little screen.
But I'm stubborn as those garbage bags
that Time cannot decay,
I'm junk but I'm still holding up
this little wild bouquet:
This is my love letter to the U.S.A."
Glasgow, 5 de Novembro
Leonard Cohen the day after Barack Obama was voted in as the New President of the USA.Leonard walked to the front of the stage, fedora in his hand, and recited (with no background music) the following:
"I'm sentimental if you know what I mean
I love the country but I can't stand the scene.
And I'm neither left or right
I'm just staying home tonight,
getting lost in that hopeless little screen.
But I'm stubborn as those garbage bags
that Time cannot decay,
I'm junk but I'm still holding up
this little wild bouquet:
This is my love letter to the U.S.A."












