Agrafia e ausência
Primeiro, para variar, entrei em negação: que era o excesso de problemas que me afastava deste lugar, que justificava o deus-dará deste endereço. Era verdade, mas não era. Depois foi o aparecimento das redes sociais: tanto para fazer e em tão pouco tempo. Lugares onde o passado me é devolvido às vezes brutalmente, como no Facebook, mas em que basta uma palavra, às vezes nem isso, uma «prenda», um aceno. Uma espécie de pátio de recreio virtual onde estava com conhecidos e amigos, onde entre gargalhadas fazemos o rescaldo de dias passados há muito tempo ou agora mesmo sem compromissos ou preocupações sintáticas. O mesmo com o twitter: cento e quarenta caracteres no máximo? É o passo para o aforista que sempre quis ser. E se não apetecer dizer nada - como muitas vezes não apetece - pode-se estar à janela, a ver os vizinhos e as vizinhas falarem ou de vez em quando ligar a aparelhagem e dar-lhes música que eu gosto. Maravilha. Blogue para quê, o que é isso, que dá tanto trabalho, que mostra tanto, que exige tanto de mim para escrever melhor daquilo que eu sou? Onde tinha eu a cabeça, meu Deus?
De maneira que assim ficaram as palavras e os videos e os afectos suspensos aqui não se sabe onde, visitados por obstinados leitores e naufragos cibernautas à deriva ou gente recém-saída dos motores de busca onde colocam, receio, coisas como «mostrar sentido vida».
Não. A estranha e aguda agrafia que me acometeu tem razões várias, sendo que a mais importante, para quem vê o silêncio como a máxima ambição da comunicação e lugar onde tudo irá parar, é o estar cansado da inutilidade dos vocábulos. É coisa que passa, mas que volta sempre. Passou.
E agora regressar sem saber porquê aos posts longos, rasteiros e à beira da alma, e procurar nos arquivos os prelúdios de mim e ver que há escritos que ainda trazem cheiros de sorrisos agarrados, outros que sabem a lágrimas, outros ainda a malandrice, a sedução pura e dura e muito poucos com alguma coisa que eventualmente se aproveite. Ver como apesar de tudo era um irredutivel optimista ainda há pouco, last night when I was young, e que a tela vai escurecendo mesmo quando eu não dou por isso, e que a epígrafe que ainda encima este estabelecimento é cada vez mais verdadeira. Talvez seja aqui o único lugar onde posso ser verdadeiro, não sei.
O Tradução Simultânea faz seis anos e com vossa licença vai continuar por mais um bocadinho.
segunda-feira, abril 13, 2009
terça-feira, março 24, 2009
Quanto maior a crise, maior a superioridade
«The Chap Olympiad seeks to celebrate specifically British qualities, such as the excessive drinking of dry martinis before lunch, the wearing of monocles, the smoking of pipes and the maintenance of an immaculate crease in one's trousers despite having tripped over a basset hound on the way to the pavilion. All our events are designed to test competitors' levels of panache, elegance and savoir-faire, as a cheerful alternative to watching our nation's hopeless attempts to compete on the world stage in sports such as soccer and cricket.»
Tudo pode ser lido aqui, no coração do que é bom. E de preferência acompanhar com Pigeon Pie, de Nancy Mitford, edição Penguin, 1961, comprada na mítica Shakespeare and Company, em Paris. Ah espera, isso sou eu.
«The Chap Olympiad seeks to celebrate specifically British qualities, such as the excessive drinking of dry martinis before lunch, the wearing of monocles, the smoking of pipes and the maintenance of an immaculate crease in one's trousers despite having tripped over a basset hound on the way to the pavilion. All our events are designed to test competitors' levels of panache, elegance and savoir-faire, as a cheerful alternative to watching our nation's hopeless attempts to compete on the world stage in sports such as soccer and cricket.»
Tudo pode ser lido aqui, no coração do que é bom. E de preferência acompanhar com Pigeon Pie, de Nancy Mitford, edição Penguin, 1961, comprada na mítica Shakespeare and Company, em Paris. Ah espera, isso sou eu.
domingo, março 22, 2009
quarta-feira, março 18, 2009
Gosto de regressos
E este, o do Pedro Adão e Silva, é mais do que desejado. Já sei onde poderei espreitar as minhas próximas bandas sonoras.
E este, o do Pedro Adão e Silva, é mais do que desejado. Já sei onde poderei espreitar as minhas próximas bandas sonoras.
segunda-feira, março 16, 2009
Da importância do barbeiro na educação
Crónica sinusítica recuperada e como nova. Pode ser lida aqui.
Crónica sinusítica recuperada e como nova. Pode ser lida aqui.
quarta-feira, março 11, 2009
Utilizando o progresso para miná-lo com elegância
Num tempo de twits, facebook, plaxos e quejandos, eis o que tudo redime: este maravilhoso e correctíssimo site.
A epígrafe, de E.M.Forster, diz tudo: «All men are equal. All men, that is, who possess umbrellas.»
(com um eterno obrigado à Laura, que me conhece bem)
Num tempo de twits, facebook, plaxos e quejandos, eis o que tudo redime: este maravilhoso e correctíssimo site.
A epígrafe, de E.M.Forster, diz tudo: «All men are equal. All men, that is, who possess umbrellas.»
(com um eterno obrigado à Laura, que me conhece bem)
domingo, março 08, 2009
quarta-feira, março 04, 2009
É com bastante inveja e orgulho que declaro:
já bebi umas cervejas com o tipo que escreveu esta pepita.
já bebi umas cervejas com o tipo que escreveu esta pepita.
terça-feira, março 03, 2009
Tão estranha esta sensação de regresso a este lugar. Mais de uma semana depois de o ter deixado, olho para as palavras abandonadas e arranjadas, as músicas que ainda tocam mas já amarelecidas, colocada por alguém que não sou eu mas que se parecia terrivelmente comigo há alguns dias atrás.
A vidinha continuou noutros lugares, uma pessoa desperdiça e ganha energias para outros fins, despeja alegrias e tristezas longe e regressa ao blogue que o viu crescer com uma culpa de adultério inútil, sem outra força nem vontade que não seja lamentar-se, pedir desculpa não aos leitores que por aqui passam - e que são os que mais mereciam - mas a si próprio, desculpas pelo desleixo de não poder ser outra coisa que não aquela que num dia inspirado decidiu colocar no cabeçalho em epígrafe e muito provavelmente epitáfio.
Enfim, regresso.«Home is so sad».
A vidinha continuou noutros lugares, uma pessoa desperdiça e ganha energias para outros fins, despeja alegrias e tristezas longe e regressa ao blogue que o viu crescer com uma culpa de adultério inútil, sem outra força nem vontade que não seja lamentar-se, pedir desculpa não aos leitores que por aqui passam - e que são os que mais mereciam - mas a si próprio, desculpas pelo desleixo de não poder ser outra coisa que não aquela que num dia inspirado decidiu colocar no cabeçalho em epígrafe e muito provavelmente epitáfio.
Enfim, regresso.«Home is so sad».
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Sobre o jogo que vi
Estou satisfeito. O seleccionador experimentou muitos novos jogadores, mudou meia equipa ao intervalo e deu a 108ª internacionalização a um capitão a sério, que nem fez um mau jogo. Mas o adversário é muito forte e a derrota foi inevitável - a primeira desde que a qualificação para o Mundial começou. Perder com o campeão da Europa não é vergonha; e Inglaterra tem motivos para estar orgulhosa da sua selecção.
Estou satisfeito. O seleccionador experimentou muitos novos jogadores, mudou meia equipa ao intervalo e deu a 108ª internacionalização a um capitão a sério, que nem fez um mau jogo. Mas o adversário é muito forte e a derrota foi inevitável - a primeira desde que a qualificação para o Mundial começou. Perder com o campeão da Europa não é vergonha; e Inglaterra tem motivos para estar orgulhosa da sua selecção.
E nem precisei de fazer batota.
Que tal estas maçãs, Bomba? :)

You're Ulysses!
by James Joyce
Most people are convinced that you don't make any sense, but compared
to what else you could say, what you're saying now makes tons of sense. What people do
understand about you is your vulgarity, which has convinced people that you are at once
brilliant and repugnant. Meanwhile you are content to wander around aimlessly, taking in
the sights and sounds of the city. What you see is vast, almost limitless, and brings you
additional fame. When no one is looking, you dream of being a Greek folk hero.
Take the Book Quiz
at the Blue Pyramid.
Que tal estas maçãs, Bomba? :)


