Engana-me que eu gosto
Aqui vamos nós outra vez: quatro rapazes vestidos de preto, cabelos curtos, clean-cut,caras fechadas entre a ascese romântico-metafísica e a dor ogival que proclamam. O som é negro, as letras sombrias e existenciais.Soa a algo familiar, claro; Manchester ou Liverpool, 1981.
Não, 2008. Os White Lies juraram a pés juntos que nunca ouviram Bunnymen ou os Teardrop Explodes antes de escreverem as suas canções, mas torna-se dificil de acreditar. Então para quem tinha nesses anos longinquos paciência, alma, dedicação e afincado mimetismo para bandas favoritas (leia-se: para quem tinha 16 anos) a coisa cheira a esturro. E para os fanáticos das vivissecções musicais, os temas dos moços são um paraíso: harmónicos de sintetizador a la Ultravox fase Midge Ure, baixo fretless depois de break de bateria cortesia Duran Duran... Podia continuar por anos.
Então o que separa os White Lies de fraudes como She Wants Revenge ou a pompa balofa dos Interpol? A solidez das canções, a sinceridade na entrega e a ilusão mais prolongada do que o costume de que estas melodias ainda não tinham sido escritas. Como esta magnífica Lose My Life, por exemplo. Engana-me que eu gosto.
quarta-feira, dezembro 10, 2008
terça-feira, dezembro 09, 2008
sexta-feira, dezembro 05, 2008
terça-feira, dezembro 02, 2008
segunda-feira, dezembro 01, 2008
domingo, novembro 30, 2008
sábado, novembro 29, 2008
Borgerias (1)
«Escrevi muitos poemas de amor causados por muitas mulheres. Se eu estava enamorado saíam um, dois, três poemas. Se eu tinha uma paixão motivada por um capricho extravagante, saíam-me muitos. Por vezes, abandonados pela mulher escolhida, só nos resta o prazer de estar tristes pela mulher que nos falta.»
Jorge Luís Borges
«Escrevi muitos poemas de amor causados por muitas mulheres. Se eu estava enamorado saíam um, dois, três poemas. Se eu tinha uma paixão motivada por um capricho extravagante, saíam-me muitos. Por vezes, abandonados pela mulher escolhida, só nos resta o prazer de estar tristes pela mulher que nos falta.»
Jorge Luís Borges
quinta-feira, novembro 27, 2008
quarta-feira, novembro 26, 2008
Renascidos a 25 de Novembro
As notícias da morte foram largamente exageradas. Depois de várias semanas de negociações, com árduos argumentos e perguntas fracturantes como "A que horas é que se janta?", os sinusíticos regressam, cada vez mais crónicos e mais sinusíticos. Agora é que é, que qualquer dia para ler estes rapazes vão ter de comprar o livro.
As notícias da morte foram largamente exageradas. Depois de várias semanas de negociações, com árduos argumentos e perguntas fracturantes como "A que horas é que se janta?", os sinusíticos regressam, cada vez mais crónicos e mais sinusíticos. Agora é que é, que qualquer dia para ler estes rapazes vão ter de comprar o livro.
terça-feira, novembro 25, 2008
Dos 25 a que temos de estar gratos
Depois do de Abril, este é o outro. E ainda houve tempo para há dois anos abrirmos esta casa.
Depois do de Abril, este é o outro. E ainda houve tempo para há dois anos abrirmos esta casa.
sábado, novembro 22, 2008

Song: Memory, hither come
Memory, hither come,
And tune your merry notes;
And, while upon the wind
Your music floats,
I'll pore upon the stream
Where sighing lovers dream,
And fish for fancies as they pass
Within the watery glass.
I'll drink of the clear stream,
And hear the linnet's song;
And there I'll lie and dream
The day along:
And, when night comes, I'll go
To places fit for woe,
Walking along the darken'd valley
With silent Melancholy.
William Blake
sexta-feira, novembro 21, 2008
E no meio destes dias de fancaria, dias de juntar água, dias intervalos entre o príncipio e o fim - os nossos dias - há isto. Há isto.
quarta-feira, novembro 19, 2008
Even better than the real thing

Juro que foi gerado a partir de uma fotografia minha. ficou muito melhor. Foi a tua sorte, meu querido amigo.

Juro que foi gerado a partir de uma fotografia minha. ficou muito melhor. Foi a tua sorte, meu querido amigo.
Façam favor
de visitar este blogue e colaborar. Mais do que uma boa ideia ou uma vaga esperança trata-se de gente que faz.
de visitar este blogue e colaborar. Mais do que uma boa ideia ou uma vaga esperança trata-se de gente que faz.
terça-feira, novembro 18, 2008
Pré-publicação*
Henrique não acreditava em serendipismos de espécie alguma, até ao momento em que encontrou Vera. E mesmo nessa altura continuou a não acreditar. Preferiu epifania ou milagre, 'muito mais acessível', segundo o próprio.
A ausência, é sabido, torna as presenças vividamente insuportáveis. E assim, mesmo não o querendo, Henrique foi obrigado a reviver, minuto a minuto, as estranhas condições em que conhecemos o «amor da nossa vida». Sempre bizarras, por mais banais que realmente se apresentem: um jantar de amigos, um conhecimento profissional, uma conversa nocturna. Como Henrique amou Vera, esse dia transformou-se numa saga épica e fantasiosa, em que surgiram rodeados de actores secundários num plano distante e difuso, numa terra de ninguém. Não houve frases memoráveis para assinalar um príncipio.
* a publicação própriamente dita ninguém sabe ainda se vai acontecer. Este é o inicio de algo que está em progresso e para o qual peço a colaboração dos leitores da casa e ocasionais turistas. Critiquem, sugiram, glorifiquem. Agradeço, a sério. O mail está lá em cima. Obrigado.
Henrique não acreditava em serendipismos de espécie alguma, até ao momento em que encontrou Vera. E mesmo nessa altura continuou a não acreditar. Preferiu epifania ou milagre, 'muito mais acessível', segundo o próprio.
A ausência, é sabido, torna as presenças vividamente insuportáveis. E assim, mesmo não o querendo, Henrique foi obrigado a reviver, minuto a minuto, as estranhas condições em que conhecemos o «amor da nossa vida». Sempre bizarras, por mais banais que realmente se apresentem: um jantar de amigos, um conhecimento profissional, uma conversa nocturna. Como Henrique amou Vera, esse dia transformou-se numa saga épica e fantasiosa, em que surgiram rodeados de actores secundários num plano distante e difuso, numa terra de ninguém. Não houve frases memoráveis para assinalar um príncipio.
* a publicação própriamente dita ninguém sabe ainda se vai acontecer. Este é o inicio de algo que está em progresso e para o qual peço a colaboração dos leitores da casa e ocasionais turistas. Critiquem, sugiram, glorifiquem. Agradeço, a sério. O mail está lá em cima. Obrigado.
domingo, novembro 16, 2008
Eu, Bondófilo, me confesso

O maior, junto do seu Aston Martin DB5 que utilizou em Goldfinger e que eu possuí na versão Corgi Toys. Provavelmente o carro mais bonito do mundo.
Para quem padece da mesma doença, recomendo sinceramente este tratamento.

O maior, junto do seu Aston Martin DB5 que utilizou em Goldfinger e que eu possuí na versão Corgi Toys. Provavelmente o carro mais bonito do mundo.
Para quem padece da mesma doença, recomendo sinceramente este tratamento.
sexta-feira, novembro 14, 2008
Yes we can!
Eis um dos benefícios do blobbying:um tipo tanto fala, tanto fala que as coisas acabam mesmo por acontecer: Um Mundo Catita estreia na RTP 2 este domingo. A crise acabou!
Eis um dos benefícios do blobbying:um tipo tanto fala, tanto fala que as coisas acabam mesmo por acontecer: Um Mundo Catita estreia na RTP 2 este domingo. A crise acabou!
quinta-feira, novembro 13, 2008
Freud passou por Deadwood«Help me, Lord, to understand cunt.», Cy Tolliver
Uma das muitas maravilhosas deixas da série televisiva mais bem escrita que conheço.
Quanto mais se ouve, melhor e melhor e...pronto, desculpem.
The Last Shadow Puppets - My Mistakes Were Made For You
Contém o melhor verso pop de 2008:«Innocence and arrogance intwined/in the filthiest of minds»
The Last Shadow Puppets - My Mistakes Were Made For You
Contém o melhor verso pop de 2008:«Innocence and arrogance intwined/in the filthiest of minds»
quarta-feira, novembro 12, 2008
Private lives

Existem momentos no nosso convívio quotidiano com amigos, conhecidos ou recém-conhecidos em que inevitavelmente alguém resvala para territórios inimagináveis da privacidade. Não se sabe de onde chega essa coragem, que a mim – que mesmo na máxima solidão gosto de dormir de portas fechadas – me parece sempre absurda e inoportuna, embora na maior parte das vezes bem-intencionada. Mas embalado por um misterioso calor (normalmente um Jameson sem gelo e um pouco de água), uma pessoa deixa-se levar pelo canto de sereia da intimidade efémera mas absolutamente vital naquele minuto. Como numa noite recente, em que alguém me disparou
«Há algum momento, na tua vida amorosa, que gostarias de reviver?»
assim, à queima-roupa. Balbuciei que não sou nostálgico em nada, que o que passou é bonito para se lembrar, que é o património maior e mais eterno que
«O que é engraçado é que mesmo um tipo tendo desilusões não consegue deixar de cair na mesma armadilha, continua sempre a querer amar [sic] mais ou diferente…»
fez favor de concluir o meu interlocutor. Apeteceu-me dizer-lhe que do amor gosto mas tenho medo de amar e ser amado, de citar Borges quando dizia que escrevia para se distrair do amor. E ia fazê-lo, mas o filósofo de ocasião foi de repente invadido por um desejo imenso de um queijo brie ali ao lado. Felizmente para mim, que não escrevo, não sou Borges e estava a dizer verdades a mais. Mas o mal estava feito e o que posso dizer é isto: não trocaria nada pelo dia de hoje. Nada. Mas sei que à medida que envelhecemos o amor é cada vez mais remissivo para aplicações paralelas no presente. E isso sabe tão bem. Pelo menos melhor do que brie.
«Há algum momento, na tua vida amorosa, que gostarias de reviver?»
assim, à queima-roupa. Balbuciei que não sou nostálgico em nada, que o que passou é bonito para se lembrar, que é o património maior e mais eterno que
«O que é engraçado é que mesmo um tipo tendo desilusões não consegue deixar de cair na mesma armadilha, continua sempre a querer amar [sic] mais ou diferente…»
fez favor de concluir o meu interlocutor. Apeteceu-me dizer-lhe que do amor gosto mas tenho medo de amar e ser amado, de citar Borges quando dizia que escrevia para se distrair do amor. E ia fazê-lo, mas o filósofo de ocasião foi de repente invadido por um desejo imenso de um queijo brie ali ao lado. Felizmente para mim, que não escrevo, não sou Borges e estava a dizer verdades a mais. Mas o mal estava feito e o que posso dizer é isto: não trocaria nada pelo dia de hoje. Nada. Mas sei que à medida que envelhecemos o amor é cada vez mais remissivo para aplicações paralelas no presente. E isso sabe tão bem. Pelo menos melhor do que brie.
segunda-feira, novembro 10, 2008
domingo, novembro 09, 2008
Um dos melhores romances do mundo, Guerra e Paz (muito em voga este ano) na tradução da extraordinária Constance Garnett, numa edição ainda mais bonita e portátil da Könemann. O Inverno é a estação mais civilizada.
Só por isto quase que valeria a pena a eleição do homem
Glasgow, 5 de Novembro
Leonard Cohen the day after Barack Obama was voted in as the New President of the USA.Leonard walked to the front of the stage, fedora in his hand, and recited (with no background music) the following:
"I'm sentimental if you know what I mean
I love the country but I can't stand the scene.
And I'm neither left or right
I'm just staying home tonight,
getting lost in that hopeless little screen.
But I'm stubborn as those garbage bags
that Time cannot decay,
I'm junk but I'm still holding up
this little wild bouquet:
This is my love letter to the U.S.A."
Glasgow, 5 de Novembro
Leonard Cohen the day after Barack Obama was voted in as the New President of the USA.Leonard walked to the front of the stage, fedora in his hand, and recited (with no background music) the following:
"I'm sentimental if you know what I mean
I love the country but I can't stand the scene.
And I'm neither left or right
I'm just staying home tonight,
getting lost in that hopeless little screen.
But I'm stubborn as those garbage bags
that Time cannot decay,
I'm junk but I'm still holding up
this little wild bouquet:
This is my love letter to the U.S.A."
sexta-feira, novembro 07, 2008
quinta-feira, novembro 06, 2008
O meu mal é chegar sempre atrasado
Senão poderia ter sido eu a escrever isto:
« E ou muito me engano ou pessoas como eu, que não teriam votado em Obama, vão ter de o defender muitas vezes contra aqueles que hoje estão eufóricos com a sua vitória. Com presidentes americanos, é costume. A realidade é uma grande escola.»
Como sempre, ficou bastante melhor.
(ainda ontem, em conversa sms com um amigo, dizia maldosamente um dos méritos de Obama é o de , pelo menos, ir desiludir o mundo inteiro. A resposta foi «Ai a ilusão...És mesmo rabicho». Comentário à parte, foi na ilusão - a «esperança», a «mudança», a «nova ordem mundial», tudo coisas concretas - em que os americanos Obamistas votaram e os deslumbrados europeus votariam. Nisso e sobretudo contra Bush. Se concordo com o segundo acho patético o primeiro. Percebido, amigo José?)
Senão poderia ter sido eu a escrever isto:
« E ou muito me engano ou pessoas como eu, que não teriam votado em Obama, vão ter de o defender muitas vezes contra aqueles que hoje estão eufóricos com a sua vitória. Com presidentes americanos, é costume. A realidade é uma grande escola.»
Como sempre, ficou bastante melhor.
(ainda ontem, em conversa sms com um amigo, dizia maldosamente um dos méritos de Obama é o de , pelo menos, ir desiludir o mundo inteiro. A resposta foi «Ai a ilusão...És mesmo rabicho». Comentário à parte, foi na ilusão - a «esperança», a «mudança», a «nova ordem mundial», tudo coisas concretas - em que os americanos Obamistas votaram e os deslumbrados europeus votariam. Nisso e sobretudo contra Bush. Se concordo com o segundo acho patético o primeiro. Percebido, amigo José?)
sábado, novembro 01, 2008
sexta-feira, outubro 31, 2008
quinta-feira, outubro 30, 2008
«Não era como no Expresso»
«E álcool? Alguma vez teve a noção de que fechavam o jornal todos bêbedos?
Então não?!(...)Eram às caixas, centenas de garrafas com sacos de gelo! E o Dinintel era às caixas. Na altura era às lamelas.(...) Mas não bebíamos qualquer coisa. Eram whiskeys irlandeses óptimos, gins, bebidas bem feitas com lima e gelo. Não era como no Expresso. Eram bebidas impecavelmente feitas, com lima, gelo, à maneira!»
Miguel Esteves Cardoso, em maravilhosa entrevista à Sábado de hoje, revela alguns dos nossos métodos de trabalho usados nos tempos d'O Independente e da Kapa. Ah giovinezza, giovinezza, primavera di belezza...
«E álcool? Alguma vez teve a noção de que fechavam o jornal todos bêbedos?
Então não?!(...)Eram às caixas, centenas de garrafas com sacos de gelo! E o Dinintel era às caixas. Na altura era às lamelas.(...) Mas não bebíamos qualquer coisa. Eram whiskeys irlandeses óptimos, gins, bebidas bem feitas com lima e gelo. Não era como no Expresso. Eram bebidas impecavelmente feitas, com lima, gelo, à maneira!»
Miguel Esteves Cardoso, em maravilhosa entrevista à Sábado de hoje, revela alguns dos nossos métodos de trabalho usados nos tempos d'O Independente e da Kapa. Ah giovinezza, giovinezza, primavera di belezza...
quarta-feira, outubro 29, 2008
terça-feira, outubro 28, 2008
segunda-feira, outubro 27, 2008
domingo, outubro 26, 2008
sábado, outubro 25, 2008
sexta-feira, outubro 24, 2008
Agora, um intervalo
Primeiro, por puro pudor, não queria fazer o link. Há muito que não via tão bonitas palavras à flor da pele. Mas depois regressei ao texto e esta beleza triste comove e é arrogância não a partilhar. Chamada não atendida, talvez o texto mais bonito que alguma vez li desde que dou atenção a estas vidas.
Primeiro, por puro pudor, não queria fazer o link. Há muito que não via tão bonitas palavras à flor da pele. Mas depois regressei ao texto e esta beleza triste comove e é arrogância não a partilhar. Chamada não atendida, talvez o texto mais bonito que alguma vez li desde que dou atenção a estas vidas.
quinta-feira, outubro 23, 2008
Dias ociosos
Não percebo. Muita gente venerável das vidas virtuais discute putativas intrigalhadas blogosféricas, quando o que é verdadeiramente grave é isto.
Não percebo. Muita gente venerável das vidas virtuais discute putativas intrigalhadas blogosféricas, quando o que é verdadeiramente grave é isto.
domingo, outubro 19, 2008
sábado, outubro 18, 2008
Cantando com o inimigo
«Her stupidity flows», versão de um hit cujo nome se me escapa no momento e o mais letal ataque a Palin que vi até agora. E fica no ouvido.
(d'aprés esta indispensável senhora)
«Her stupidity flows», versão de um hit cujo nome se me escapa no momento e o mais letal ataque a Palin que vi até agora. E fica no ouvido.
(d'aprés esta indispensável senhora)
quinta-feira, outubro 16, 2008
quarta-feira, outubro 15, 2008
Sobre o jogo desta noite, algumas reflexões:
1 - É muito bom quando alguém pega nos nossos preconceitos e os tira para fora à faca, como acontece com as ostras. Foi o que definitivamente fez hoje Fabio Capello.
2- Para não falar de Emile Heskey (aka «O Velho Armário»), que joga com tecnica e força e fez o melhor jogo desde que está na selecção. Um caso de reinserção no jogo de futebol.
3- Contrariando a tendência do barril do crude, o barril de cerveja do Hennessy's do Cais do Sodré subiu de preço dramaticamente desde o ultimo sábado (Inglaterra-Cazaquistão; Wembley estava pejado de ingleses incorrectos, vestindo o famoso mankini de Borat. Resultado: 5-1.), estando a pint a 4 euros. Assim não há quem viva.
4- Wayne Rooney, na plenitude da sua forma, é melhor e maior jogador do que Cristiano Ronaldo, mesmo na sua melhor forma (como até agora). Argumento com datas, videos e factos com a candura que me caracteriza.
5- A Bielorrússia não é uma equipa qualquer. São novos, mas destruiriam esta equipa portuguesa anytime.
6 - Três-a-um, fora, e uma exibição muito boa (tirando David «Calamity» James, um guarda-redes com qualquer poder de chantagem sobre os seleccionadores).Quatro jogos, doze pontos, um goal average muito bom e Beckham ainda a impor respeito, mesmo a passo.
7- Ver milhares de ingleses na Bielorússia vestidos de cruzados e cantando o Rule Britannia comove qulaquer um.
O jogo da selecção portuguesa não vi. Não vejo jogos onde, antes do desafio, se proclama como «imperativo ganhar à Albânia». Isto deveria ser uma pista, oh meus optimistas compatriotas.
1 - É muito bom quando alguém pega nos nossos preconceitos e os tira para fora à faca, como acontece com as ostras. Foi o que definitivamente fez hoje Fabio Capello.
2- Para não falar de Emile Heskey (aka «O Velho Armário»), que joga com tecnica e força e fez o melhor jogo desde que está na selecção. Um caso de reinserção no jogo de futebol.
3- Contrariando a tendência do barril do crude, o barril de cerveja do Hennessy's do Cais do Sodré subiu de preço dramaticamente desde o ultimo sábado (Inglaterra-Cazaquistão; Wembley estava pejado de ingleses incorrectos, vestindo o famoso mankini de Borat. Resultado: 5-1.), estando a pint a 4 euros. Assim não há quem viva.
4- Wayne Rooney, na plenitude da sua forma, é melhor e maior jogador do que Cristiano Ronaldo, mesmo na sua melhor forma (como até agora). Argumento com datas, videos e factos com a candura que me caracteriza.
5- A Bielorrússia não é uma equipa qualquer. São novos, mas destruiriam esta equipa portuguesa anytime.
6 - Três-a-um, fora, e uma exibição muito boa (tirando David «Calamity» James, um guarda-redes com qualquer poder de chantagem sobre os seleccionadores).Quatro jogos, doze pontos, um goal average muito bom e Beckham ainda a impor respeito, mesmo a passo.
7- Ver milhares de ingleses na Bielorússia vestidos de cruzados e cantando o Rule Britannia comove qulaquer um.
O jogo da selecção portuguesa não vi. Não vejo jogos onde, antes do desafio, se proclama como «imperativo ganhar à Albânia». Isto deveria ser uma pista, oh meus optimistas compatriotas.
terça-feira, outubro 14, 2008
segunda-feira, outubro 13, 2008
Ulisses dirá agora algumas palavras

Do meu navio já vejo o porto. O mar está enganoso, com uma serenidade volúvel, uma fúria subterrânea que já consigo pressentir. E ali à frente, Ítaca. Reconheço os cheiros, as visões, as esperanças. Reconheço até a minha ausência, quase que a posso tocar à medida que nos aproximamos. Tudo é familiar – até esta sensação de voltar a ser um estranho.
Um dos meus homens começa a cantar uma velha canção de marinheiros que fala de lutas, de amores que ficaram para trás e da paz do regresso. Não gosto dessa canção. Em todo o lado onde estive, esteve Ítaca: nos braços das mulheres que amei e abandonei, que me amaram e traíram. Nas paisagens inesperadas que fiz questão de explorar. No medo escuro do momento da partida, no fogo e sangue que fizeram o meu rasto. Itaca sempre presente, renovando-se a cada momento, fazendo esquecer o anterior, matando o instante que me precedia sem piedade. Ítaca é um lugar que sempre começou e acabou em mim, como um dom e uma maldição. Nunca ansiei por ela, nunca ela me quis.Digo ao homem que canta para se calar de vez, enquanto penso no próximo porto.

Do meu navio já vejo o porto. O mar está enganoso, com uma serenidade volúvel, uma fúria subterrânea que já consigo pressentir. E ali à frente, Ítaca. Reconheço os cheiros, as visões, as esperanças. Reconheço até a minha ausência, quase que a posso tocar à medida que nos aproximamos. Tudo é familiar – até esta sensação de voltar a ser um estranho.
Um dos meus homens começa a cantar uma velha canção de marinheiros que fala de lutas, de amores que ficaram para trás e da paz do regresso. Não gosto dessa canção. Em todo o lado onde estive, esteve Ítaca: nos braços das mulheres que amei e abandonei, que me amaram e traíram. Nas paisagens inesperadas que fiz questão de explorar. No medo escuro do momento da partida, no fogo e sangue que fizeram o meu rasto. Itaca sempre presente, renovando-se a cada momento, fazendo esquecer o anterior, matando o instante que me precedia sem piedade. Ítaca é um lugar que sempre começou e acabou em mim, como um dom e uma maldição. Nunca ansiei por ela, nunca ela me quis.Digo ao homem que canta para se calar de vez, enquanto penso no próximo porto.
domingo, outubro 12, 2008
«A night of sad alarms»
Then in the night, a night of sad alarms,
Bitter with pain and black with fog of fears,
That drove us trembling to each other's arms --
Across the gulf of darkness and salt tears,
Into life's calm the wind of sorrow came,
And fanned the fire of love to clearest flame.
The Wind Of Sorrow, Henry Van Dike (excerto)
Then in the night, a night of sad alarms,
Bitter with pain and black with fog of fears,
That drove us trembling to each other's arms --
Across the gulf of darkness and salt tears,
Into life's calm the wind of sorrow came,
And fanned the fire of love to clearest flame.
The Wind Of Sorrow, Henry Van Dike (excerto)
quarta-feira, outubro 08, 2008
terça-feira, outubro 07, 2008
segunda-feira, outubro 06, 2008
domingo, outubro 05, 2008
sexta-feira, outubro 03, 2008
A salvação é possível
Entretidos que estão a escrever excelentes textos sobre futebol, os elementos desta corporação ignoram, para mal deles, a qualidade das exibições de Ronnie O'Sullivan no Masters de Shangai. No entanto a redenção ainda é possível, bastando para isso passarem uma semaninha em justos encómios a Steven Gerrard. Aguardamos com ansiedade.
Entretidos que estão a escrever excelentes textos sobre futebol, os elementos desta corporação ignoram, para mal deles, a qualidade das exibições de Ronnie O'Sullivan no Masters de Shangai. No entanto a redenção ainda é possível, bastando para isso passarem uma semaninha em justos encómios a Steven Gerrard. Aguardamos com ansiedade.
quinta-feira, outubro 02, 2008
terça-feira, setembro 30, 2008
segunda-feira, setembro 29, 2008
Manners before politics (even if they're absent, actually)
No primeiro debate presidencial americano (que me parece ter sido mais benéfico para McCain, mas não tenho tempo agora para o justificar), o Republicano referiu-se sempre ao seu rival como «Senador Obama». Por sua vez, o Democrata tratou-o sempre por «John».
No primeiro debate presidencial americano (que me parece ter sido mais benéfico para McCain, mas não tenho tempo agora para o justificar), o Republicano referiu-se sempre ao seu rival como «Senador Obama». Por sua vez, o Democrata tratou-o sempre por «John».
sábado, setembro 27, 2008
sexta-feira, setembro 26, 2008
Nascido a 26 de Setembro

Do I dare
Disturb the universe?
There will be time, there will be time
To prepare a face to meet the faces that you meet;
There will be time to murder and create,
And time for all the works and days of hands,
That lift and drop a question on your plate;
Time for you and time for me,
And time yet for a hundred indecisions,
And for a hundred visions and revisions,
Before the taking of a toast and tea.
Thomas Stearns Eliot, The love song of Alfred J. Prufrock

Do I dare
Disturb the universe?
There will be time, there will be time
To prepare a face to meet the faces that you meet;
There will be time to murder and create,
And time for all the works and days of hands,
That lift and drop a question on your plate;
Time for you and time for me,
And time yet for a hundred indecisions,
And for a hundred visions and revisions,
Before the taking of a toast and tea.
Thomas Stearns Eliot, The love song of Alfred J. Prufrock
quarta-feira, setembro 24, 2008
terça-feira, setembro 23, 2008
quinta-feira, setembro 18, 2008
segunda-feira, setembro 15, 2008
sábado, setembro 13, 2008
«Following orders, not knowing what they do, not caring...»
Em 24 segundos, a punch line de 2009 feita nos anos 40, descoberta pelo segundo melhor arqueólogo português do YouTube (não digo quem é o primeiro).
Em 24 segundos, a punch line de 2009 feita nos anos 40, descoberta pelo segundo melhor arqueólogo português do YouTube (não digo quem é o primeiro).
sexta-feira, setembro 12, 2008
Entretanto, em Zagreb...


Enfim, valham-me estes pequenos médios consolos.
(Theo Walcott, hat-trick. Rooney, na melhor citação da semana:«Tivemos o que merecíamos». Tudo enquanto o mundo se pergunta o que faria Obama com as expulsões dos embaixadores americanos da Bolívia e da Venezuela. Provavelmente dizer ao seu país que o sonho comanda a vida)
quinta-feira, setembro 11, 2008
Being NOT Elisabeth Harden
O Eduardo encontrou um extraordinário texto via Portugal Contemporâneo. É sobre as eleições americanas, os dois partidos, os candidatos e Sarah Palin. Um excerto:
«Democrats are quick to attack religiosity of Republicans, but Democratic ideology itself seem to have become a secular substitute religion» . E por aí fora.
Quem o escreveu, Andrew Sullivan? Não: Camille Paglia, definitivamente alguém longe da estética e «ideologia» Elizabeth Harden. De resto, e sem ironia, aguarda-se ansiosamente o comentário ao texto do blogue oficioso de apoio português a Barack Obama e por extensão anti-Palin.
O Eduardo encontrou um extraordinário texto via Portugal Contemporâneo. É sobre as eleições americanas, os dois partidos, os candidatos e Sarah Palin. Um excerto:
«Democrats are quick to attack religiosity of Republicans, but Democratic ideology itself seem to have become a secular substitute religion» . E por aí fora.
Quem o escreveu, Andrew Sullivan? Não: Camille Paglia, definitivamente alguém longe da estética e «ideologia» Elizabeth Harden. De resto, e sem ironia, aguarda-se ansiosamente o comentário ao texto do blogue oficioso de apoio português a Barack Obama e por extensão anti-Palin.
quarta-feira, setembro 10, 2008
1968
Assino por baixo, meu caro Ricardo. Cycles é de facto um álbum mal-amado, só comparável ao destino que foi reservado para o estupendo Watertown (1970), um disco conceptual ambicioso e perfeccionista, que encontra Sinatra no melhor da voz e das suas idiossincracias. Watertown vendeu 30.000 cópias, numero absurdo quando na mesma frase se acresenta o nome «Sinatra».
Mas os tempos eram hostis. Cycles, desse ano demasiado intenso que foi 1968, anuncia o desenfreado combate de Sinatra com o zeitgeist da época, com repertório notoriamente abaixo da sua estatura, versões improváveis de êxitos pop, as aparições com as infames missangas em cima das Nehru-shirts (camisas sem colarinho à indiana, o hippie-cool do tempo) e sobretudo o casamento com Mia Farrow. Cycles pode não ser tão sublime como o o melhor álbum do período Reprise (na minha opinião, dois: Francis Albert Sinatra & António Carlos Jobim - que concorre para o troféu Melhor Disco do Universo - e September Of My Years) e é verdade que Don Costa está para os arranjos instrumentais como o papel de parede para a decoração de interiores; mas está longe de ser uma obra menor do Mestre, incluindo na própria capa, uma das melhores de toda a sua discografia.
Assino por baixo, meu caro Ricardo. Cycles é de facto um álbum mal-amado, só comparável ao destino que foi reservado para o estupendo Watertown (1970), um disco conceptual ambicioso e perfeccionista, que encontra Sinatra no melhor da voz e das suas idiossincracias. Watertown vendeu 30.000 cópias, numero absurdo quando na mesma frase se acresenta o nome «Sinatra».
Mas os tempos eram hostis. Cycles, desse ano demasiado intenso que foi 1968, anuncia o desenfreado combate de Sinatra com o zeitgeist da época, com repertório notoriamente abaixo da sua estatura, versões improváveis de êxitos pop, as aparições com as infames missangas em cima das Nehru-shirts (camisas sem colarinho à indiana, o hippie-cool do tempo) e sobretudo o casamento com Mia Farrow. Cycles pode não ser tão sublime como o o melhor álbum do período Reprise (na minha opinião, dois: Francis Albert Sinatra & António Carlos Jobim - que concorre para o troféu Melhor Disco do Universo - e September Of My Years) e é verdade que Don Costa está para os arranjos instrumentais como o papel de parede para a decoração de interiores; mas está longe de ser uma obra menor do Mestre, incluindo na própria capa, uma das melhores de toda a sua discografia.
Adenda à adenda e coisa e tal mas já com dedicatória
Eis que todas as palavras se juntam para formarem o mais próximo do silêncio. E a voz, e quem diz é tudo o que é mais importante porque entrediz. O meu fado preferido entre tantos, poema de David Mourão-Ferreira, música de Alain Oulmain, alma de Amália. E quem sabe, sabe o que quero dizer e não consigo.
Porque o vento ao passar
Murmurou o teu nome
E depois de o murmurar
Deixou-me.
Eis que todas as palavras se juntam para formarem o mais próximo do silêncio. E a voz, e quem diz é tudo o que é mais importante porque entrediz. O meu fado preferido entre tantos, poema de David Mourão-Ferreira, música de Alain Oulmain, alma de Amália. E quem sabe, sabe o que quero dizer e não consigo.
Porque o vento ao passar
Murmurou o teu nome
E depois de o murmurar
Deixou-me.
domingo, setembro 07, 2008
sábado, setembro 06, 2008
Profissão de fé.
Toda a grande arte segue e melhora a vida. É por isso que como a vida, toda a grande arte tende para o silêncio e, no limite, consegue ir além dele sem ser necessário proferir ou pensar uma só palavra. O artista é o que domina a não-palavra. É por isso que a Bíblia é a mais bonita obra feita de não-palavras. É por isso que a poesia tenta tão ávidamente comunicar com o divino mesmo quando o recusa.
Toda a palavra é inútil.
Toda a grande arte segue e melhora a vida. É por isso que como a vida, toda a grande arte tende para o silêncio e, no limite, consegue ir além dele sem ser necessário proferir ou pensar uma só palavra. O artista é o que domina a não-palavra. É por isso que a Bíblia é a mais bonita obra feita de não-palavras. É por isso que a poesia tenta tão ávidamente comunicar com o divino mesmo quando o recusa.
Toda a palavra é inútil.
terça-feira, setembro 02, 2008
sexta-feira, agosto 29, 2008
Quem é Joe Biden?
A campanha do vendedor de sonhos Barack Obama fez uma escolha inteligente ao nomear Joe Biden para vice-presidente. Mas enquanto o menino bonito da «Europa da mudança» (não da América, atenção) já contava com uns pontinhos sérios de avanço nas sondagens, eis que McCain responde com esta candidata a vice-presidente: Sarah Palin. Vitória em toda a linha.
Resta esperar que o republicano saiba encontrar o antídoto ao discurso de Dr.Phil dos males americanos que é a imagem e a força de Obama.
(as minhas férias já terminaram. nota-se, não é?)
A campanha do vendedor de sonhos Barack Obama fez uma escolha inteligente ao nomear Joe Biden para vice-presidente. Mas enquanto o menino bonito da «Europa da mudança» (não da América, atenção) já contava com uns pontinhos sérios de avanço nas sondagens, eis que McCain responde com esta candidata a vice-presidente: Sarah Palin. Vitória em toda a linha.Resta esperar que o republicano saiba encontrar o antídoto ao discurso de Dr.Phil dos males americanos que é a imagem e a força de Obama.
(as minhas férias já terminaram. nota-se, não é?)













