11 de Setembro
A derrota da selecção portuguesa: eis o que se fala neste dia, eis a verdadeira catástrofe.
(por outro lado, não entremos em pânico: não sendo queirosiano, não quero Scolari outra vez. E, mais importante ainda, os Três Leões espetaram quatro-a-um na Croácia apesar de Capello. )
quinta-feira, setembro 11, 2008
quarta-feira, setembro 10, 2008
1968
Assino por baixo, meu caro Ricardo. Cycles é de facto um álbum mal-amado, só comparável ao destino que foi reservado para o estupendo Watertown (1970), um disco conceptual ambicioso e perfeccionista, que encontra Sinatra no melhor da voz e das suas idiossincracias. Watertown vendeu 30.000 cópias, numero absurdo quando na mesma frase se acresenta o nome «Sinatra».
Mas os tempos eram hostis. Cycles, desse ano demasiado intenso que foi 1968, anuncia o desenfreado combate de Sinatra com o zeitgeist da época, com repertório notoriamente abaixo da sua estatura, versões improváveis de êxitos pop, as aparições com as infames missangas em cima das Nehru-shirts (camisas sem colarinho à indiana, o hippie-cool do tempo) e sobretudo o casamento com Mia Farrow. Cycles pode não ser tão sublime como o o melhor álbum do período Reprise (na minha opinião, dois: Francis Albert Sinatra & António Carlos Jobim - que concorre para o troféu Melhor Disco do Universo - e September Of My Years) e é verdade que Don Costa está para os arranjos instrumentais como o papel de parede para a decoração de interiores; mas está longe de ser uma obra menor do Mestre, incluindo na própria capa, uma das melhores de toda a sua discografia.
Assino por baixo, meu caro Ricardo. Cycles é de facto um álbum mal-amado, só comparável ao destino que foi reservado para o estupendo Watertown (1970), um disco conceptual ambicioso e perfeccionista, que encontra Sinatra no melhor da voz e das suas idiossincracias. Watertown vendeu 30.000 cópias, numero absurdo quando na mesma frase se acresenta o nome «Sinatra».
Mas os tempos eram hostis. Cycles, desse ano demasiado intenso que foi 1968, anuncia o desenfreado combate de Sinatra com o zeitgeist da época, com repertório notoriamente abaixo da sua estatura, versões improváveis de êxitos pop, as aparições com as infames missangas em cima das Nehru-shirts (camisas sem colarinho à indiana, o hippie-cool do tempo) e sobretudo o casamento com Mia Farrow. Cycles pode não ser tão sublime como o o melhor álbum do período Reprise (na minha opinião, dois: Francis Albert Sinatra & António Carlos Jobim - que concorre para o troféu Melhor Disco do Universo - e September Of My Years) e é verdade que Don Costa está para os arranjos instrumentais como o papel de parede para a decoração de interiores; mas está longe de ser uma obra menor do Mestre, incluindo na própria capa, uma das melhores de toda a sua discografia.
Adenda à adenda e coisa e tal mas já com dedicatória
Eis que todas as palavras se juntam para formarem o mais próximo do silêncio. E a voz, e quem diz é tudo o que é mais importante porque entrediz. O meu fado preferido entre tantos, poema de David Mourão-Ferreira, música de Alain Oulmain, alma de Amália. E quem sabe, sabe o que quero dizer e não consigo.
Porque o vento ao passar
Murmurou o teu nome
E depois de o murmurar
Deixou-me.
Eis que todas as palavras se juntam para formarem o mais próximo do silêncio. E a voz, e quem diz é tudo o que é mais importante porque entrediz. O meu fado preferido entre tantos, poema de David Mourão-Ferreira, música de Alain Oulmain, alma de Amália. E quem sabe, sabe o que quero dizer e não consigo.
Porque o vento ao passar
Murmurou o teu nome
E depois de o murmurar
Deixou-me.
domingo, setembro 07, 2008
sábado, setembro 06, 2008
Profissão de fé.
Toda a grande arte segue e melhora a vida. É por isso que como a vida, toda a grande arte tende para o silêncio e, no limite, consegue ir além dele sem ser necessário proferir ou pensar uma só palavra. O artista é o que domina a não-palavra. É por isso que a Bíblia é a mais bonita obra feita de não-palavras. É por isso que a poesia tenta tão ávidamente comunicar com o divino mesmo quando o recusa.
Toda a palavra é inútil.
Toda a grande arte segue e melhora a vida. É por isso que como a vida, toda a grande arte tende para o silêncio e, no limite, consegue ir além dele sem ser necessário proferir ou pensar uma só palavra. O artista é o que domina a não-palavra. É por isso que a Bíblia é a mais bonita obra feita de não-palavras. É por isso que a poesia tenta tão ávidamente comunicar com o divino mesmo quando o recusa.
Toda a palavra é inútil.
terça-feira, setembro 02, 2008
sexta-feira, agosto 29, 2008
Quem é Joe Biden?
A campanha do vendedor de sonhos Barack Obama fez uma escolha inteligente ao nomear Joe Biden para vice-presidente. Mas enquanto o menino bonito da «Europa da mudança» (não da América, atenção) já contava com uns pontinhos sérios de avanço nas sondagens, eis que McCain responde com esta candidata a vice-presidente: Sarah Palin. Vitória em toda a linha.
Resta esperar que o republicano saiba encontrar o antídoto ao discurso de Dr.Phil dos males americanos que é a imagem e a força de Obama.
(as minhas férias já terminaram. nota-se, não é?)
A campanha do vendedor de sonhos Barack Obama fez uma escolha inteligente ao nomear Joe Biden para vice-presidente. Mas enquanto o menino bonito da «Europa da mudança» (não da América, atenção) já contava com uns pontinhos sérios de avanço nas sondagens, eis que McCain responde com esta candidata a vice-presidente: Sarah Palin. Vitória em toda a linha.Resta esperar que o republicano saiba encontrar o antídoto ao discurso de Dr.Phil dos males americanos que é a imagem e a força de Obama.
(as minhas férias já terminaram. nota-se, não é?)
terça-feira, agosto 26, 2008
Férias BSO 6
Uma das minhas baladas preferidas, escrita por Pete Madeira e Jimmy Dorsey. Carmen McRae entrega-a aqui com uma fluidez notável, do verse ao chorus, para realçar a letra terna e grata que oferece a ilusão do amor. Brilhante e apenas comparável à versão de Johnny Hartman. ouvir verso a verso.
Uma das minhas baladas preferidas, escrita por Pete Madeira e Jimmy Dorsey. Carmen McRae entrega-a aqui com uma fluidez notável, do verse ao chorus, para realçar a letra terna e grata que oferece a ilusão do amor. Brilhante e apenas comparável à versão de Johnny Hartman. ouvir verso a verso.
segunda-feira, agosto 25, 2008
Uma palavrinha do nosso patrocinador
Loss And Gain
When I compare
What I have lost with what I have gained,
What I have missed with what attained,
Little room do I find for pride.
I am aware
How many days have been idly spent;
How like an arrow the good intent
Has fallen short or been turned aside.
But who shall dare
To measure loss and gain in this wise?
Defeat may be victory in disguise;
The lowest ebb is the turn of the tide.
Henry Wadsworth Longfellow
Loss And Gain
When I compare
What I have lost with what I have gained,
What I have missed with what attained,
Little room do I find for pride.
I am aware
How many days have been idly spent;
How like an arrow the good intent
Has fallen short or been turned aside.
But who shall dare
To measure loss and gain in this wise?
Defeat may be victory in disguise;
The lowest ebb is the turn of the tide.
Henry Wadsworth Longfellow
sábado, agosto 23, 2008
terça-feira, agosto 19, 2008
domingo, agosto 17, 2008
Férias, BSO 4
O individuo que participa no TuTubas infra é, na minha pouco modesta opinião, o melhor cantor de jazz da actualidade. De resto, é-o de há mais de dez anos para cá. Chama-se Kurt Elling, carrego pelo menos um disco do homem para todo o lado (abomino i-pod)e nunca me canso de o ouvir. Aqui, aparece uma versão do standard Easy Living (também já sublimemente lapidado pelo trompete de Clifford Brown), acompanhado pela orquestra sinfónica de Sidney. De acrescentar ainda que esperei desde 1992 por uma aparição ao vivo de Elling. Essa dádiva foi concedida o ano passado, no Estoril Jazz, num dos melhores concertos a que assisti na vida. Lembro por exemplo que a dada altura [leva com gancho de direita]. Ai. Kurt Elling, senhoras e senhores, a tocar nas minhas férias.
(reparei depois com algum constragimento que existe nos related videos uma versão fabulosa de Take Five, de Dave Brubeck, cantada pelo sr.Elling e pelo sr. Jarreau. Ide ver, ide ver incrédulos)
O individuo que participa no TuTubas infra é, na minha pouco modesta opinião, o melhor cantor de jazz da actualidade. De resto, é-o de há mais de dez anos para cá. Chama-se Kurt Elling, carrego pelo menos um disco do homem para todo o lado (abomino i-pod)e nunca me canso de o ouvir. Aqui, aparece uma versão do standard Easy Living (também já sublimemente lapidado pelo trompete de Clifford Brown), acompanhado pela orquestra sinfónica de Sidney. De acrescentar ainda que esperei desde 1992 por uma aparição ao vivo de Elling. Essa dádiva foi concedida o ano passado, no Estoril Jazz, num dos melhores concertos a que assisti na vida. Lembro por exemplo que a dada altura [leva com gancho de direita]. Ai. Kurt Elling, senhoras e senhores, a tocar nas minhas férias.
(reparei depois com algum constragimento que existe nos related videos uma versão fabulosa de Take Five, de Dave Brubeck, cantada pelo sr.Elling e pelo sr. Jarreau. Ide ver, ide ver incrédulos)
sexta-feira, agosto 15, 2008
quarta-feira, agosto 06, 2008
Verão: Iogurte lírico 1
Mother, Summer, I
My mother, who hates thunder storms,
Holds up each summer day and shakes
It out suspiciously, lest swarms
Of grape-dark clouds are lurking there;
But when the August weather breaks
And rains begin, and brittle frost
Sharpens the bird-abandoned air,
Her worried summer look is lost,
And I her son, though summer-born
And summer-loving, none the less
Am easier when the leaves are gone
Too often summer days appear
Emblems of perfect happiness
I can't confront:I must await
A time less bold, less rich, less clear:
An autumn more appropriate.
Philip Larkin
Mother, Summer, I
My mother, who hates thunder storms,
Holds up each summer day and shakes
It out suspiciously, lest swarms
Of grape-dark clouds are lurking there;
But when the August weather breaks
And rains begin, and brittle frost
Sharpens the bird-abandoned air,
Her worried summer look is lost,
And I her son, though summer-born
And summer-loving, none the less
Am easier when the leaves are gone
Too often summer days appear
Emblems of perfect happiness
I can't confront:I must await
A time less bold, less rich, less clear:
An autumn more appropriate.
Philip Larkin

