terça-feira, junho 03, 2008

segunda-feira, junho 02, 2008

Nietzsche, confissões e televisões
Este acordar da Charlotte trouxe-me memórias pessoais interessantes e inúteis, vontade de dizer coisas e sobretudo um belíssimo motivo para procrastinar gloriosamente.
Para começar, fico sempre com inveja de quem descobre autores numa altura supostamente «tardia», apenas porque normalmente tem-se muito maior gozo com isso. No caso da Carla, Nietzsche, que eu «descobri» aos 16 anos. Ler o Para Além Do Bem E Do Mal com as hormonas em modo milk shake é natural. O filósofo tem um estilo galvanizante, épico e que faz levantar das cadeiras e empunhar bandeiras. Como a Carla bem diz, oscila sem meias-tintas entre a demência e a pura genialidade. Mas isso só fui descobrir muitos anos mais tarde - muito depois de ter gasto toda a minha mesada e poupanças no pavilhão da Guimarães Editores,da Feira do Livro de 1980, onde comprei todos os livros traduzidos. Levei várias vezes o Also Sprach Zaratustra para a praia, onde lia as passagens mais misóginas às minhas amigas, apenas para causar indignação e o contacto físico que se seguia. Havia, nesse outro tempo, uma mistura de força, de triunfo da vontade que se misturava com ídolos e atitudes: Nietzsche, Morrison, Curtis, Baudelaire, Oscar Wilde, o dandismo, Tristan Tzara e Dada. Miraculosamente, tudo fazia sentido, sendo os pressupostos nietzscheanos o ponto comum para estes homens revoltados (o Camus veio explicar tudo a seguir).
Nietzsche, na sua errática obra, é um filósofo quase pop, abandonado a si próprio e muitas vezes mais romântico do que Byron. Com o ainda ligeiro peso dos meus anos, aprendi a separar o que dele prevalece (que é muitíssimo) e a admirar com outros olhos as fontes onde foi beber (Schopenhauer, por exemplo). Mas na altura significava revolta. O meu professor de Filosofia do 10º ano - que sabiamente nos obrigava a levantar sempre que entrava na sala, coisa então já pouco comum mesmo no Liceu Camões - odiava Nietzsche. Era um aristotélico inflexivel, que nos dava as notas em latim (ascendere superius se subiamos a nota, manterius auto-explicativo e um olhar gélido para quem tinha negativa) e desdenhava a ausência de sistema filosófico em Nietzsche. Para um adolescente, isto era uma tentação demasiado forte.
Voltei a pegar agora n'A Origem da Tragédia, como preâmbulo ao Crepúsculo dos Ídolos. O sangue voltou a correr como nessas horas de militância decadentista púbere. Mas com a vantagem de já carregar uma vida e poder reclinar-me num prazer solitário e desafiador.

Depois, há Deadwood. Reconheço desde já a adição e que preciso de ajuda profissional. Estão-se-me a acabar os DVD's. Deadwood e Nietzsche? Claro: um local em que a moral existe como resultado das circunstâncias, em que se assiste a cada minuto que passa de um novo imperativo ético eminentemente descartável é território nietzscheano por excelência. E de Shakespeare, querida Carla: é verdade que o personagem de Al Swearengen é o Super-Homem amoral (e brilhante). Mas confesso que é o shakespereano E.B Farnum que me fascina. Um miserável pau mandado para o mal, mas consciente disso mesmo, com um vocabulário brilhante e o único com direito a solilóquio («Swearengen is the cue...I'm the billiard ball»). Tem também algumas das melhores deixas da série («A gutter-mouth and an opium-stupored widow: a conversation for the ages!»).Enfim, fiquemos para já por aqui: há outro episódio para ver.
Na noite de 1 de Junho, a emissão da SIC ofereceu interessantes problemas de Filosofia da Moral
Por exemplo: como foi possível conciliar de boa-fé um programa de solidariedade social com o decote da Luciana Abreu?

sexta-feira, maio 30, 2008

It's Friday I'm in love, 2

Helena Christensen (aqui maravilhosamente filmada por Bruce Weber para o clip de Wicked Game)

quinta-feira, maio 29, 2008


Breaking News: Series Of Concentric Circles Emanating From Glowing Red Dot
«I'ts chaos here and...»
«Yes. Do you see any red concentric circles?»

The Onion. What else?
Fifty ways to love your liver(uno)
Aqui Rádio Madrugada, #1

Talvez uma das 30 melhores canções do mundo (and oh so true...). E atenção ao sr. Gadd na bateria.

quarta-feira, maio 28, 2008

Guillemots exclusive performance for MySpace

Falling out of reach
Woody Allen no Dean Martin Show

«My parents did not loved me when I was younger. They bronzed my baby shoes with my feet still in them».

terça-feira, maio 27, 2008

Alfredo Saramago
No domingo, chegado de fim-de-semana, soube tarde e a más horas (serão sempre más, estas horas) da morte de Alfredo Saramago, amigo e meu director na Epicur. Mas na noite de ontem, num conhecido restaurante lisboeta onde costuma jantar o outro Saramago e onde para variar é proibido fumar, pude enfim despedir-me como deve ser: com a aquiescência do proprietário acendi um Partagas nº4 série D. E a dulcissima duração dessa prevaricação, acompanhada com uma extraordinária aguardente, devolveu-me as horas de conversa lenta e cintilante, a cumplicidade na sabedoria do incorrecto, os elogios demorados e sinceros a todas as mulheres, o riso português que ecoou ao meu lado nos fiordes da Noruega.
Quando por fim o charuto se apagou, o meu último abraço estava mais do que dado e - tenho a certeza - retribuído.
Diz-me então quem és
Minha querida, estes testes valem o que valem e estão longe de desenvolverem conceitos socráticos de auto-conhecimento. Por exemplo, é verdade que gosto bastante de Bentham e Mills, o que faria de mim um utilitarista. O que o teste não diz é que sou Utilitarista com ascendente em Touro.

domingo, maio 25, 2008

Os marginais
Esse serve perfeitamente, caro Ente. Mas confesso que prefiro - e não é pouco - o que te abençoa, mesmo aí ao lado.
Crónica e sinusite
«Digamos que bastará olhar para a forma cristalizada dessa sabedoria - os provérbios – para perceber que dali não vem nada de bom nem sequer fascinante. Como é que uma pessoa pode aderir sem medo ao sábio truísmo de que "grão a grão enche a galinha o papo" ? Ou "sol na eira, chuva no nabal" ? Enfim, digamos que o povo não é exactamente um Oscar Wilde.»
Para morrer é já por ali, crónica na sinusite do costume.

sábado, maio 24, 2008

Diacho.






What philosophy do you follow? (v1.03)
created with QuizFarm.com
You scored as Utilitarianism

Your life is guided by the principles of Utilitarianism: You seek the greatest good for the greatest number.



“The said truth is that it is the greatest happiness of the greatest number that is the measure of right and wrong.”

--Jeremy Bentham



“Whenever the general disposition of the people is such, that each individual regards those only of his interests which are selfish, and does not dwell on, or concern himself for, his share of the general interest, in such a state of things, good government is impossible.”

--John Stuart Mill



More info at Arocoun's Wikipedia User Page...


Utilitarianism


65%

Existentialism


60%

Justice (Fairness)


55%

Kantianism


50%

Hedonism


50%

Divine Command


45%

Strong Egoism


25%

Apathy


15%

Nihilism


15%


sexta-feira, maio 23, 2008

Tom Lehrer, ladies and gentlemen
Esta maravilhosa senhora fez o favor de trazer para estes mundos a extraordinária figura de Tom Lehrer, músico, humorista e génio matemático. Eu, que sou admirador incondicional, nunca me lembraria de ir ao YouTube à sua procura. Mas está lá todo um tesouro, de que esta elegia a uma actividade muito desejada mas pouco praticada é só um pequeno diamante. Ide e procurai: o Werner Von Braun, o Vatican Rag, o I've got it from Agnes (um hit), etc etc...

It's Friday I'm in love, 2

Gene Tierney, a mulher mais bonita que alguma vez passou pelo cinema (e pela minha vida). E como quase sempre acontece a quem é atormentado por um dom, os deuses deram-lhe um trágico destino.

(Nota: o/a autor(a) do clip ainda teve o bom-gosto adicional de utilizar como banda sonora a versão cantada de Laura, o tema fantasmagórico e genial de David Raskin que tinha o nome do filme perfeito de Preminger. O sucesso do tema instrumental foi tanto que forçou Johnny Mercer a criar uma letra, que Frank Sinatra vive nesta versão, gravada só com cordas para o álbum Where Are You?)

quarta-feira, maio 21, 2008

É preciso ter sempre qualquer coisa sensacional para ler
O que mais me encanta na função de agendar os posts para serem publicados mais tarde e que chegou agora à plataforma blogger (o sapo já o tem há algum tempo) é a possibilidade que me dá de não concordar comigo mesmo.

domingo, maio 18, 2008

«Heart and soul, one will burn»

Missing Boy, Durrutti Column (1980). Sobre Ian Curtis, que morreu há precisamente 28 anos.

sábado, maio 17, 2008

«As minhas coisas favoritas»
"As Minhas Coisas Favoritas" - Um Mundo Catita

Retirado de Um Mundo Catita, uma das melhores séries de humor portuguesas que ainda nenhuma televisão comprou.


PARENTAL ADVISORY: contém Manuel João Vieira.
O blogger ainda em estado de graça
Meu Deus, meu Deus que bom.

(e o Complicadíssima Teia em a capella foi a estocada final e mais desejada. A alma foi destroçada mas apesar de tudo pede mais agora mesmo)