To whom it may concern:
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Apoio incondicional, 1
Caso não tenham percebido a piada elaboradíssima do Nespresso do post abaixo, mais uma vez declaro com toda a relevância e solenidade que deve neste momento por a América a tremer: este é o homem. John McCain, Republicano, conservador e patriota, o único capaz de suster o impeto ignorante dos fanáticos religiosos de direita e ao mesmo tempo compreender por direito próprio o que diabo aocnteceu no Iraque. Eu sei que estou a ser simplista, mas não sou o Andrew Sullivan e neste blogue, como se sabe, procrastina-se. Este é o ano de McCain. Não vejo como a América poderá escolher um dos candidatos democratas. um, cujo discurso oscila entre uns aforismos a la kennedy e um livro de auto-ajuda; outra cuja ambição se confunde com rancor e ausencia de programa. E fica dito, sim?

McCain, circa 1974
Caso não tenham percebido a piada elaboradíssima do Nespresso do post abaixo, mais uma vez declaro com toda a relevância e solenidade que deve neste momento por a América a tremer: este é o homem. John McCain, Republicano, conservador e patriota, o único capaz de suster o impeto ignorante dos fanáticos religiosos de direita e ao mesmo tempo compreender por direito próprio o que diabo aocnteceu no Iraque. Eu sei que estou a ser simplista, mas não sou o Andrew Sullivan e neste blogue, como se sabe, procrastina-se. Este é o ano de McCain. Não vejo como a América poderá escolher um dos candidatos democratas. um, cujo discurso oscila entre uns aforismos a la kennedy e um livro de auto-ajuda; outra cuja ambição se confunde com rancor e ausencia de programa. E fica dito, sim?

McCain, circa 1974
domingo, fevereiro 10, 2008
"Sonhos que sonhei, onde estão?"
Provavelmente o maior standard da música nacional: grande letra, formato de canção clássico (com verse de introdução, à americana), uma dupla de autores com entendimento perfeito - Nóbrega e Sousa e Jerónimo Bragança. É também das mais bonitas formas de melancolia portuguesa que conheço.
Provavelmente o maior standard da música nacional: grande letra, formato de canção clássico (com verse de introdução, à americana), uma dupla de autores com entendimento perfeito - Nóbrega e Sousa e Jerónimo Bragança. É também das mais bonitas formas de melancolia portuguesa que conheço.
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Eu que não me comovo por tudo e por nada
e muito menos com um disco do Vitorino com poemas do Lobo Antunes, devo dizer que fiquei com a lagrimita no olho com este post do maradona. Primeiro porque pela primeira vez analisa tudo correctamente, faz a analogia perfeita e não rapa de nenhum analista do país que ele gosta de infernizar. A sua comparação Ronaldo/Rooney é tão válida para aqui como para o CAN, ganhe quem ganhar. Está tudo tão perfeito que morri de inveja. Mas a cereja no topo do bolo está, paradoxalmente, aqui em baixo: o video que eu podia ter descoberto mas não fui capaz, colocou-o ele. E dedicou-me. É destas coisas que são feitos os homens a valer. Umas cervejinhas no British, à minha conta, meu amigo.
e muito menos com um disco do Vitorino com poemas do Lobo Antunes, devo dizer que fiquei com a lagrimita no olho com este post do maradona. Primeiro porque pela primeira vez analisa tudo correctamente, faz a analogia perfeita e não rapa de nenhum analista do país que ele gosta de infernizar. A sua comparação Ronaldo/Rooney é tão válida para aqui como para o CAN, ganhe quem ganhar. Está tudo tão perfeito que morri de inveja. Mas a cereja no topo do bolo está, paradoxalmente, aqui em baixo: o video que eu podia ter descoberto mas não fui capaz, colocou-o ele. E dedicou-me. É destas coisas que são feitos os homens a valer. Umas cervejinhas no British, à minha conta, meu amigo.
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
"I have seen the future, it is murder"
Leonard Cohen: Future
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Give me back my broken night
my mirrored room, my secret life
it's lonely here,
there's no one left to torture
Leonard Cohen: Future
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there's no one left to torture
domingo, fevereiro 03, 2008
Domingo, chuva.
But when the melancholy fit shall fall
Sudden from heaven like a weeping cloud,
That fosters the droop-headed flowers all,
And hides the green hill in an April shroud;
Then glut thy sorrow on a morning rose,
Or on the rainbow of the salt sand-wave,
Or on the wealth of globed peonies;
Or if thy mistress some rich anger shows,
Emprison her soft hand, and let her rave,
And feed deep, deep upon her peerless eyes.
Ode to melancholy, John Keats (stanza II)
But when the melancholy fit shall fall
Sudden from heaven like a weeping cloud,
That fosters the droop-headed flowers all,
And hides the green hill in an April shroud;
Then glut thy sorrow on a morning rose,
Or on the rainbow of the salt sand-wave,
Or on the wealth of globed peonies;
Or if thy mistress some rich anger shows,
Emprison her soft hand, and let her rave,
And feed deep, deep upon her peerless eyes.
Ode to melancholy, John Keats (stanza II)
terça-feira, janeiro 29, 2008
sábado, janeiro 26, 2008
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Talking 'bout my girl (my girl)
Num universo do circuito profissional do ténis feminino, em que as campeãs acumulam com insuspeito à-vontade os courts e as passerelles (cf. Sharapova, Kirilenko ou Hantuchova), o que se assistiu hoje de madrugada foi um regresso ao ténis emotivo e determinado. A vitória de Ana Ivanovic sobre Venus Williams foi dos encontros que mais prazer me deu nos últimos tempos. É certo que tenho um parti-pris contra o ténis de Williams (ainda assim mais ágil e elegante do que o da irmã), mas reconheço na jogadora uma vontade de vencer e uma velocidade em court como não vejo em mais ninguém.Williams jogou cansada, mas uma leoa ferida é normalmente ainda mais perigosa. Ivanovic, por outro lado, é a jogadora de topo que mais aprendeu. A sua direita continua demolidora, mas a esquerda - o seu maior handicap - está afiada, e tem um controlo de bola para as pancadas mais técnicas (drop shots, amorties quase do fundo do court)que faria inveja aos jogadores sul-americanos. Mas na realidade o que ontem mais se notou foi a elasticidade em campo, a rapidez à procura da bola, a chegfada em tempo perfeito com a raquete. Para uma jogadora que ainda no ano passado tinha uma das piores posturas em court, com esquerdas a duas mãos dadas com a raquete em frente do corpo, a evolução foi notável.
E depois, para além de tudo, junta o que não se via desde Hingis: emotividade, sorrisos e amuos misturados com uma vontade férrea de ganhar. Não sei se Ana irá vencer o Open de Austrália (gostava que sim), mas a vitória pessoal já é enorme.
Ah sim, e é muito bonita, que no fundo era o que eu vinha dizer.
Num universo do circuito profissional do ténis feminino, em que as campeãs acumulam com insuspeito à-vontade os courts e as passerelles (cf. Sharapova, Kirilenko ou Hantuchova), o que se assistiu hoje de madrugada foi um regresso ao ténis emotivo e determinado. A vitória de Ana Ivanovic sobre Venus Williams foi dos encontros que mais prazer me deu nos últimos tempos. É certo que tenho um parti-pris contra o ténis de Williams (ainda assim mais ágil e elegante do que o da irmã), mas reconheço na jogadora uma vontade de vencer e uma velocidade em court como não vejo em mais ninguém.Williams jogou cansada, mas uma leoa ferida é normalmente ainda mais perigosa. Ivanovic, por outro lado, é a jogadora de topo que mais aprendeu. A sua direita continua demolidora, mas a esquerda - o seu maior handicap - está afiada, e tem um controlo de bola para as pancadas mais técnicas (drop shots, amorties quase do fundo do court)que faria inveja aos jogadores sul-americanos. Mas na realidade o que ontem mais se notou foi a elasticidade em campo, a rapidez à procura da bola, a chegfada em tempo perfeito com a raquete. Para uma jogadora que ainda no ano passado tinha uma das piores posturas em court, com esquerdas a duas mãos dadas com a raquete em frente do corpo, a evolução foi notável.
E depois, para além de tudo, junta o que não se via desde Hingis: emotividade, sorrisos e amuos misturados com uma vontade férrea de ganhar. Não sei se Ana irá vencer o Open de Austrália (gostava que sim), mas a vitória pessoal já é enorme.
Ah sim, e é muito bonita, que no fundo era o que eu vinha dizer.
domingo, janeiro 20, 2008
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Stephen Hendry, MBE
Claro que neste Masters é imperativo torcer por Ronnie O'Sullivan, o mais genial jogador (para o que há de bom e de mau)da actualidade Mas o meu coração estará sempre com Hendry, campeoníssimo e mestre entre os mestres, Membro do Império Britãnico e justamente apelidado d' O Rolls Royce do Snooker. Reparem como ele faz parecer um break de 147(o máximo possível de pontos) uma coisa que nós podemos fazer ali no café.
Claro que neste Masters é imperativo torcer por Ronnie O'Sullivan, o mais genial jogador (para o que há de bom e de mau)da actualidade Mas o meu coração estará sempre com Hendry, campeoníssimo e mestre entre os mestres, Membro do Império Britãnico e justamente apelidado d' O Rolls Royce do Snooker. Reparem como ele faz parecer um break de 147(o máximo possível de pontos) uma coisa que nós podemos fazer ali no café.
sábado, janeiro 12, 2008
Catita.
Provavelmente esta foi das mais agradáveis surpresas que o final de 2007 me reservou: um convite para uma anteestreia de uma série televisiva chamada Mundo Catita, num cinema São Jorge apinhado de amigos. Protagonista: Manuel João Vieira, as himself. Escrito e realizado por João Leitão e Filipe Melo (que conheço melhor pela sua excelência como pianista de jazz), Um Mundo Catita é assumidamente Larry David meets João César Monteiro. Com o universo luso-kitsch dos Irmãos Catita em fundo, a interpretação e MJV é notável, bem como o ritmo e a graça dos guiões. O trailer pouco diz, mas é melhor que nada.
Tipicamente, nenhuma estação comprou ainda a série.
Provavelmente esta foi das mais agradáveis surpresas que o final de 2007 me reservou: um convite para uma anteestreia de uma série televisiva chamada Mundo Catita, num cinema São Jorge apinhado de amigos. Protagonista: Manuel João Vieira, as himself. Escrito e realizado por João Leitão e Filipe Melo (que conheço melhor pela sua excelência como pianista de jazz), Um Mundo Catita é assumidamente Larry David meets João César Monteiro. Com o universo luso-kitsch dos Irmãos Catita em fundo, a interpretação e MJV é notável, bem como o ritmo e a graça dos guiões. O trailer pouco diz, mas é melhor que nada.
Tipicamente, nenhuma estação comprou ainda a série.
quarta-feira, janeiro 09, 2008
Algo me diz que por influência do Senhor Comentador,
há esta parte de uma entrevista de Carlos Vaz Marques a Horacio Ferrer que não me sai da cabeça, de linda que é. De cor, lembro:
"Quando tinha 10, 11 anos", conta o tanguero, " ia com o meu tio, um excelente guitarrista de tango, passear à noite pelos cafés de Buenos Aires, onde se cantava e dançava tango. Cabarets nunca, não me deixava. Até que uma noite passamos à porta de um cabaret e pergunto ao meu tio o que eram aquelas luzes. 'Um cabaret', respondeu. E o que fazem lá? 'Bom, as pessoas vão para lá beber e dançar. Há vários cantores, uma grande orquestra, e muitas senhoras bem vestidas e muito bonitas sentadas perto do cenário'.
E o que fazem essas senhoras, tio?
'Tecem.'.
'Tecem? Tecem o quê?'
'Sueños imposibles, suenõs imposibles'.
há esta parte de uma entrevista de Carlos Vaz Marques a Horacio Ferrer que não me sai da cabeça, de linda que é. De cor, lembro:
"Quando tinha 10, 11 anos", conta o tanguero, " ia com o meu tio, um excelente guitarrista de tango, passear à noite pelos cafés de Buenos Aires, onde se cantava e dançava tango. Cabarets nunca, não me deixava. Até que uma noite passamos à porta de um cabaret e pergunto ao meu tio o que eram aquelas luzes. 'Um cabaret', respondeu. E o que fazem lá? 'Bom, as pessoas vão para lá beber e dançar. Há vários cantores, uma grande orquestra, e muitas senhoras bem vestidas e muito bonitas sentadas perto do cenário'.
E o que fazem essas senhoras, tio?
'Tecem.'.
'Tecem? Tecem o quê?'
'Sueños imposibles, suenõs imposibles'.
terça-feira, janeiro 08, 2008
Era só o que faltava
Todos os dias úteis, seja lá isso o que for, e pouco antes das sete da tarde, o senhor Comentador salva o mundo e endireita o país, a partir da Antena 1. Para aqueles que, como eu, precisam de ouvir umas verdades e nem sempre podem estar à espreita na rádio, o Senhor Comentador foi magnânime e fixou os seus truísmos na blogosfera. A Nação, e este cidadão em particular, agradece.
Todos os dias úteis, seja lá isso o que for, e pouco antes das sete da tarde, o senhor Comentador salva o mundo e endireita o país, a partir da Antena 1. Para aqueles que, como eu, precisam de ouvir umas verdades e nem sempre podem estar à espreita na rádio, o Senhor Comentador foi magnânime e fixou os seus truísmos na blogosfera. A Nação, e este cidadão em particular, agradece.
sexta-feira, janeiro 04, 2008
quinta-feira, dezembro 27, 2007
Onde se dá conta que o ano de 2007 concordou em muito com o senhor Dickens; seguido de balanços fúteis e egocêntricos muito do agrado dos leitores.
"It was the best of times, it was the worst of times": nunca um dos mais famosos inícios da literatura coincidiu tanto, de um ponto e vista pessoal, com o ano que agora definha. E atenção, que isto não é bom. É sempre perigoso quando a arte se plasma à vida, aos dias que passam. Tende-se a julgar que uma é a outra e como resultado esteticizamos o quotidiano ou, o que é pior, passamos a ler com gosto os neo-realistas. Mas divago.
Foi um ano de grandes perdas, muito próximas; e de grandes esperanças também, daquelas que julgamos perdidas para sempre num qualquer passo mal medido. Foi um ano de luta, de falhanços constantes e nem sempre melhores, de confirmações da natureza humana, de incredulidade perante o facto de afinal caber sempre mais alguém no condomínio privadíssimo dos afectos. Foi o melhor, o pior dos tempos. E assim será, outras vezes: chama-se a isso viver.
Ao que interessa:

e

e outra vez todos de Sinatra.
Nos livros (lidos em 2007, atenção),
O mal no pensamento moderno, de Susan Neiman;
Diary of a bad year, JM Coetzee
What's left, Nick Cohen
Os despojos da Aliança, Pedro Aires Oliveira
Concerto:
Rufus Wainwright no Coliseu de Lisboa
Blogues
Este e os do costume: Tiago Galvão (com a sua intrigante definição de pessoas de sucesso), Pedro Mexia, Pedro Lomba, Tiago Cavaco, Carla, Lourenço Cordeiro, Rogério Casanova, o "meu" 31, a Laura, as meninas das Conversas de Guardanapo, a Mónica "Mônica", longe no Leblon, maradona e as batalhas sobre a supremacia britânica entre bichos estranhos, o Francisco José Viegas,a rainha Margot e seus confettis, a Kat sem tabus mas com vegetais, Miss Pearls, Corta-Fitas e outros tantos que de momento não me lembro.
Personalidade do ano:
o anónimo dos comentários.
A todos, obrigado. A ver se aguentamos 2008. Bom Ano Novo.
"It was the best of times, it was the worst of times": nunca um dos mais famosos inícios da literatura coincidiu tanto, de um ponto e vista pessoal, com o ano que agora definha. E atenção, que isto não é bom. É sempre perigoso quando a arte se plasma à vida, aos dias que passam. Tende-se a julgar que uma é a outra e como resultado esteticizamos o quotidiano ou, o que é pior, passamos a ler com gosto os neo-realistas. Mas divago.
Foi um ano de grandes perdas, muito próximas; e de grandes esperanças também, daquelas que julgamos perdidas para sempre num qualquer passo mal medido. Foi um ano de luta, de falhanços constantes e nem sempre melhores, de confirmações da natureza humana, de incredulidade perante o facto de afinal caber sempre mais alguém no condomínio privadíssimo dos afectos. Foi o melhor, o pior dos tempos. E assim será, outras vezes: chama-se a isso viver.
Ao que interessa:

e

e outra vez todos de Sinatra.
Nos livros (lidos em 2007, atenção),
O mal no pensamento moderno, de Susan Neiman;
Diary of a bad year, JM Coetzee
What's left, Nick Cohen
Os despojos da Aliança, Pedro Aires Oliveira
Concerto:
Rufus Wainwright no Coliseu de Lisboa
Blogues
Este e os do costume: Tiago Galvão (com a sua intrigante definição de pessoas de sucesso), Pedro Mexia, Pedro Lomba, Tiago Cavaco, Carla, Lourenço Cordeiro, Rogério Casanova, o "meu" 31, a Laura, as meninas das Conversas de Guardanapo, a Mónica "Mônica", longe no Leblon, maradona e as batalhas sobre a supremacia britânica entre bichos estranhos, o Francisco José Viegas,a rainha Margot e seus confettis, a Kat sem tabus mas com vegetais, Miss Pearls, Corta-Fitas e outros tantos que de momento não me lembro.
Personalidade do ano:
o anónimo dos comentários.
A todos, obrigado. A ver se aguentamos 2008. Bom Ano Novo.
quarta-feira, dezembro 19, 2007
segunda-feira, dezembro 17, 2007

Interrompe-se aqui o blogue por motivos natalícios. De regresso dia 26 (ou antes, se o maradona resolver falar bem de Fabio Capello). Um bom Natal para todos.
quarta-feira, dezembro 12, 2007
Eu não diria bem assim, mas é muito muito bom
«We invented football. Then made the mistake of teaching it to the rest of the world, who - not being English - missed the point entirely.Football in its purest, English, form is a joyous game of kick and rush with shouting and smoking. The rot started with the Scots, who invented passing. And since then every non-English nation on the planet has felt free to produce its own ethereal, acrobatic and even artistic version of a game that was never designed to be beautiful.Our mistake was to try to play the foreigners at their version of our sport - culminating in the disastrous decision in 1950 to enter the World Cup, a competition clearly biased in favour of those teams that are best, rather than most English.»
Morrissey sobre o futebol inglês, ao Guardian. Links e comentários brilhantes no local onde o descobri.
«We invented football. Then made the mistake of teaching it to the rest of the world, who - not being English - missed the point entirely.Football in its purest, English, form is a joyous game of kick and rush with shouting and smoking. The rot started with the Scots, who invented passing. And since then every non-English nation on the planet has felt free to produce its own ethereal, acrobatic and even artistic version of a game that was never designed to be beautiful.Our mistake was to try to play the foreigners at their version of our sport - culminating in the disastrous decision in 1950 to enter the World Cup, a competition clearly biased in favour of those teams that are best, rather than most English.»
Morrissey sobre o futebol inglês, ao Guardian. Links e comentários brilhantes no local onde o descobri.
Autora, precisa-se
Agora que se livrou disso, não quer ocupar a minha posição aqui na loja, não ?
(a sério, a sério: estou zangado. Zango-me quando as coisas de que gosto desaparecem)
Agora que se livrou disso, não quer ocupar a minha posição aqui na loja, não ?
(a sério, a sério: estou zangado. Zango-me quando as coisas de que gosto desaparecem)
O maradona é uma pessoa coerente
como eu gostaria de ser. E perspicaz, quando diz que sou um superficial (embora profundamente superficial). Este post, ao contrário das diatribes que costuma fazer ao futebol inglês e em que confunde o arbusto com as sequóias (o «jogo» com tudo o resto a ele associado só na Grã-Bretanha) - e invoca em seu favor os certeirissimos analistas, hum, ingleses, este post, verberava eu, é brilhante e tem razão. Eu posso ser católico «praticante», ele é o verdadeiro católico - o que não precisa do praticante por definição. Ele é um guerrilheiro dos acordos desde a primeira letra. Ou, citando o próprio, dos «acórdos». E com isto não se discute, pá.
como eu gostaria de ser. E perspicaz, quando diz que sou um superficial (embora profundamente superficial). Este post, ao contrário das diatribes que costuma fazer ao futebol inglês e em que confunde o arbusto com as sequóias (o «jogo» com tudo o resto a ele associado só na Grã-Bretanha) - e invoca em seu favor os certeirissimos analistas, hum, ingleses, este post, verberava eu, é brilhante e tem razão. Eu posso ser católico «praticante», ele é o verdadeiro católico - o que não precisa do praticante por definição. Ele é um guerrilheiro dos acordos desde a primeira letra. Ou, citando o próprio, dos «acórdos». E com isto não se discute, pá.
sexta-feira, dezembro 07, 2007
quinta-feira, dezembro 06, 2007
sexta-feira, novembro 30, 2007
quinta-feira, novembro 29, 2007
sexta-feira, novembro 23, 2007
quinta-feira, novembro 22, 2007
Eu hoje acordei um hooligan...
E como tal é bem possivel que passe por aqui e parta isso tudo. Eu avisei.
(o que me chateia é que o gajo tem toda a razão, embora só no último paragrafo. Mas é um a mais, é um a mais!)
E como tal é bem possivel que passe por aqui e parta isso tudo. Eu avisei.
(o que me chateia é que o gajo tem toda a razão, embora só no último paragrafo. Mas é um a mais, é um a mais!)
«There'll always be an England»

«There'll always be an England,
And England shall be free
If England means as much to you
As England means to me.»
(eu vi o jogo. Primeira parte desastrosa, McLaren teimoso como Scolari; segunda parte épica e jogo perdido à portuguesa. E é tudo o que quero dizer. Aconselho amigos e inimigos a tocarem este delicado assunto com a atitude do porco-espinho quando faz amor: com muito cuidadinho)

«There'll always be an England,
And England shall be free
If England means as much to you
As England means to me.»
(eu vi o jogo. Primeira parte desastrosa, McLaren teimoso como Scolari; segunda parte épica e jogo perdido à portuguesa. E é tudo o que quero dizer. Aconselho amigos e inimigos a tocarem este delicado assunto com a atitude do porco-espinho quando faz amor: com muito cuidadinho)
terça-feira, novembro 20, 2007
quarta-feira, novembro 14, 2007
«It's Sinatra's world. We just live in it"

Quem frequenta esta casa sabe bem o que o pobre autor deste blogue pensa de Frank Sinatra. E se não sabe eu digo: Sinatra é o nadador-salvador das almas à toa, o professor da arte perdida de viver.
E agora é outra coisa: é o elo perdido das amizades virtuais e das cumplicidades que nesta coisa se encontram. Por isso, tenho (já que o autor do blogue c'est moi) ainda que agradecer ao Mestre o ter encontrado parceira para pequenas marginalidades on the rocks e um pouco de álegre aproveitamento do ócio a que temos direito. Se antes já achava que a minha consócia e co-fundadora do clube acima descrito era um bocadinho de alguém que eu gostaria de ser, agora isso já não vale a pena, porque de certa maneira já somos. Façam o favor de se inscrever, ó gente de bom gosto, ó pagãos que ainda vislumbram a salvação. Responderemos a todos.
You only live once, and the way I live, once is enough.
Francis Albert Sinatra

Quem frequenta esta casa sabe bem o que o pobre autor deste blogue pensa de Frank Sinatra. E se não sabe eu digo: Sinatra é o nadador-salvador das almas à toa, o professor da arte perdida de viver.
E agora é outra coisa: é o elo perdido das amizades virtuais e das cumplicidades que nesta coisa se encontram. Por isso, tenho (já que o autor do blogue c'est moi) ainda que agradecer ao Mestre o ter encontrado parceira para pequenas marginalidades on the rocks e um pouco de álegre aproveitamento do ócio a que temos direito. Se antes já achava que a minha consócia e co-fundadora do clube acima descrito era um bocadinho de alguém que eu gostaria de ser, agora isso já não vale a pena, porque de certa maneira já somos. Façam o favor de se inscrever, ó gente de bom gosto, ó pagãos que ainda vislumbram a salvação. Responderemos a todos.
You only live once, and the way I live, once is enough.
Francis Albert Sinatra
segunda-feira, novembro 12, 2007
sexta-feira, novembro 09, 2007
LXXI
No longer mourn for me when I am dead
Than you shall hear the surly sullen bell
Give warning to the world that I am fled
From this vile world with vilest worms to dwell:
Nay, if you read this line, remember not
The hand that writ it, for I love you so,
That I in your sweet thoughts would be forgot,
If thinking on me then should make you woe.
O! if, I say, you look upon this verse,
When I perhaps compounded am with clay,
Do not so much as my poor name rehearse;
But let your love even with my life decay;
Lest the wise world should look into your moan,
And mock you with me after I am gone.
William Shakespeare
No longer mourn for me when I am dead
Than you shall hear the surly sullen bell
Give warning to the world that I am fled
From this vile world with vilest worms to dwell:
Nay, if you read this line, remember not
The hand that writ it, for I love you so,
That I in your sweet thoughts would be forgot,
If thinking on me then should make you woe.
O! if, I say, you look upon this verse,
When I perhaps compounded am with clay,
Do not so much as my poor name rehearse;
But let your love even with my life decay;
Lest the wise world should look into your moan,
And mock you with me after I am gone.
William Shakespeare
sexta-feira, novembro 02, 2007
Então agora assuntos sérios:
a célebre corrente 161, que me foi gentilmente inoculada por esta senhora e este cavalheiro. A quinta frase da página 161 de um livro que ando a ler e que me está mais geograficamente acessvel as I write é
«His eyes were heavy and dull, with a film of moisture across them and a rim of white along the lower lids»
Acredite-se ou não, é retirado do excelente Michael Palin Diaries: 1969-1979, The Python Years. É preciso gostar do registo diarístico, como eu gosto. O livro mostra, entre outras coisas, as diferentes personalidades dos Monty Python (o conciliador e pau-para -toda-a-obra Palin, o diligente e desconfiado Terry Jones, o hedonista e alcoolico atormentado Graham Chapman, o brilhante mas cauteloso Eric Idle, o perfeccionismo patológico de John Cleese, a inesperada empatia [do meu ponto de vista] de Terry Gilliam. Pelo meio há histórias familiares, episódios delirantes, diálogos ouvidos em vários lugares que são praticamente sketches, a Inglaterra dos anos 70, o clima de medo pelos atentados constantes do IRA,a relação com o sucesso e sobretudo - onde me encontro agora - o choque cultural com os Estados Unidos. Adoro o episódio em que os Python conhecem Leonard Bernstein sob os flashes de dezenas de fotógrafos e o vaidosissimo Bernstein pede a Cleese e Idle para fazerem ali parte de um sketch. Resposta imediata de Idle:
« Claro que sim, desde que nos cante um bocadinho de Beethoven»
A frase citada refere-se ao pai de Palin, que sofria de Parkinson.
a célebre corrente 161, que me foi gentilmente inoculada por esta senhora e este cavalheiro. A quinta frase da página 161 de um livro que ando a ler e que me está mais geograficamente acessvel as I write é
«His eyes were heavy and dull, with a film of moisture across them and a rim of white along the lower lids»
Acredite-se ou não, é retirado do excelente Michael Palin Diaries: 1969-1979, The Python Years. É preciso gostar do registo diarístico, como eu gosto. O livro mostra, entre outras coisas, as diferentes personalidades dos Monty Python (o conciliador e pau-para -toda-a-obra Palin, o diligente e desconfiado Terry Jones, o hedonista e alcoolico atormentado Graham Chapman, o brilhante mas cauteloso Eric Idle, o perfeccionismo patológico de John Cleese, a inesperada empatia [do meu ponto de vista] de Terry Gilliam. Pelo meio há histórias familiares, episódios delirantes, diálogos ouvidos em vários lugares que são praticamente sketches, a Inglaterra dos anos 70, o clima de medo pelos atentados constantes do IRA,a relação com o sucesso e sobretudo - onde me encontro agora - o choque cultural com os Estados Unidos. Adoro o episódio em que os Python conhecem Leonard Bernstein sob os flashes de dezenas de fotógrafos e o vaidosissimo Bernstein pede a Cleese e Idle para fazerem ali parte de um sketch. Resposta imediata de Idle:
« Claro que sim, desde que nos cante um bocadinho de Beethoven»
A frase citada refere-se ao pai de Palin, que sofria de Parkinson.
Causas fracturantes
Há muito tempo que a caixa de mail não estava tão cheia, com conhecidos e anónimos a responderem com prontidão ao meu apelo desesperado: a morena da bola na RTP, quem é?
É esta: Inês Gonçalves, que se coloca aqui para gáudio geral. Admiro sinceramente as qualidades da moça e não o digo ironicamente. Ah, fale-se de bola ou raparigas ou uma relação entre as duas e, olhai!, o povo mobiliza-se. É tão bonito.
Inês Gonçalves at work. Os vossos aplausos.
Há muito tempo que a caixa de mail não estava tão cheia, com conhecidos e anónimos a responderem com prontidão ao meu apelo desesperado: a morena da bola na RTP, quem é?
É esta: Inês Gonçalves, que se coloca aqui para gáudio geral. Admiro sinceramente as qualidades da moça e não o digo ironicamente. Ah, fale-se de bola ou raparigas ou uma relação entre as duas e, olhai!, o povo mobiliza-se. É tão bonito.
Inês Gonçalves at work. Os vossos aplausos.
quarta-feira, outubro 31, 2007
Isto sim, é uma corrente!
E aquela moça que apresenta o futebol, primeiro na RTP-N agora na RTP grande, morena e com uns impossiveis olhos azuis? Hã? Estais todos cegos?
(se alguém me disser o nome da moça, que agora se me escapa, agradeço. Essa e outras informações relevantes para o mail acima.Obrigado)
E aquela moça que apresenta o futebol, primeiro na RTP-N agora na RTP grande, morena e com uns impossiveis olhos azuis? Hã? Estais todos cegos?
(se alguém me disser o nome da moça, que agora se me escapa, agradeço. Essa e outras informações relevantes para o mail acima.Obrigado)
E quando pensavam que o prof.Lamechas tinha para sempre partido...
...eis-me de volta, para uma pérola absolutamente lacrimejante e inevitável. Escrita e cantada originalmente por Serge Lama, Je Suis Malade é o retrato clínico-lamechas do abandono amoroso, com uma melodia em crescendo e um extraordinário refrão de imbatíveis capacidades sacarinas. E ainda por cima a canção é muito boa. Esta versão é um duo com a diva Dalida, que tenta sem sucesso destruir a letra com o seu famoso sotaque balcânico. Mas o que é bom resiste a tudo - até resistiu à Lara Fabian... Resista agora você se puder.
...eis-me de volta, para uma pérola absolutamente lacrimejante e inevitável. Escrita e cantada originalmente por Serge Lama, Je Suis Malade é o retrato clínico-lamechas do abandono amoroso, com uma melodia em crescendo e um extraordinário refrão de imbatíveis capacidades sacarinas. E ainda por cima a canção é muito boa. Esta versão é um duo com a diva Dalida, que tenta sem sucesso destruir a letra com o seu famoso sotaque balcânico. Mas o que é bom resiste a tudo - até resistiu à Lara Fabian... Resista agora você se puder.
terça-feira, outubro 30, 2007
Zero a zero.
No passado sábado, sob um sol de Outubro glorioso, três gerações de Guedes sentaram-se na central inferior do estádio do Restelo para assistir ao «clássico» Belenenses-Académica. Para os dois mais velhos, era uma revisitação de tempos antigos, quando as bancadas estavam cheias e, para o Guedes do meio, tudo era visto com olhos de espanto. Para o Guedes mais novo – que usou o cachecol da Académica sob protesto, alegando ser do Sporting, ao que o seu ascendente directo respondia com a magnanimidade que o caracteriza que «era uma fase», passando para o mais dramático «só por cima do lindo cadáver do papá» - , dizia, para o Guedes mais novo tudo era o primeiro verde, as primeiras camisolas, as primeiras emoções. Descoberta contra nostalgia: previsivelmente o jogo acabou zero a zero.
No passado sábado, sob um sol de Outubro glorioso, três gerações de Guedes sentaram-se na central inferior do estádio do Restelo para assistir ao «clássico» Belenenses-Académica. Para os dois mais velhos, era uma revisitação de tempos antigos, quando as bancadas estavam cheias e, para o Guedes do meio, tudo era visto com olhos de espanto. Para o Guedes mais novo – que usou o cachecol da Académica sob protesto, alegando ser do Sporting, ao que o seu ascendente directo respondia com a magnanimidade que o caracteriza que «era uma fase», passando para o mais dramático «só por cima do lindo cadáver do papá» - , dizia, para o Guedes mais novo tudo era o primeiro verde, as primeiras camisolas, as primeiras emoções. Descoberta contra nostalgia: previsivelmente o jogo acabou zero a zero.
«Manners before morals»,
é a divisa desta casa, que se defende até ao último estertor. Daí reconhecer que tenho sido um mau menino: são devidas as actualizações aos excelentes blogues da minha amiga Laura e do nada discreto maradona (esse template...como direi?, distrai), resultados da inteligente OPA que o SAPO (a SAPO?) anda a fazer. E since we're at it, e eu nunca irei ter lista de links, um que já demorava: o Gattopardo, dos Pedros. Prefiro a política bem escrita à política bem feita.
é a divisa desta casa, que se defende até ao último estertor. Daí reconhecer que tenho sido um mau menino: são devidas as actualizações aos excelentes blogues da minha amiga Laura e do nada discreto maradona (esse template...como direi?, distrai), resultados da inteligente OPA que o SAPO (a SAPO?) anda a fazer. E since we're at it, e eu nunca irei ter lista de links, um que já demorava: o Gattopardo, dos Pedros. Prefiro a política bem escrita à política bem feita.
Estas coisas valem o que valem (ou seja, népia)
...mas é sempre um prazer descobrir que sou o 383º melhor blogue escrito em português (por oposição aos escritos em esperanto, talvez). E logo atrás de mim, O Meu Pipi. Isto sim, uma flagrante injustiça.
...mas é sempre um prazer descobrir que sou o 383º melhor blogue escrito em português (por oposição aos escritos em esperanto, talvez). E logo atrás de mim, O Meu Pipi. Isto sim, uma flagrante injustiça.
quarta-feira, outubro 24, 2007
Cromo para a troca
Claro que me lembro, meu bom amigo. De ambas. Mas com especial afecto por A Pair Of Brown Eyes, que me lembra a ternura ébria do Shane McGowan no seu melhor. Lembra-me também um dos melhores concertos que vi, caótico e brilhante: Pogues no Coliseu, circa 1988. Em plena forma, com Shane destruidissimo por estar a beber vodka ininterruptamente desde as 3 da tarde.Era o anjo da sua própria destruição. E lembro-me de o ver, de gatas no chão, enquanto a banda prosseguia calmamente um tema, a procurar no palco um medalhão da Virgem Maria que lhe tinha caído do pescoço: «Wait, I have to find the fuckin' thing, it's the Virgin Mary»... Thanks for the memories, old boy. Para ti, então, uma canção que uma vez ouvida é eterna:
Claro que me lembro, meu bom amigo. De ambas. Mas com especial afecto por A Pair Of Brown Eyes, que me lembra a ternura ébria do Shane McGowan no seu melhor. Lembra-me também um dos melhores concertos que vi, caótico e brilhante: Pogues no Coliseu, circa 1988. Em plena forma, com Shane destruidissimo por estar a beber vodka ininterruptamente desde as 3 da tarde.Era o anjo da sua própria destruição. E lembro-me de o ver, de gatas no chão, enquanto a banda prosseguia calmamente um tema, a procurar no palco um medalhão da Virgem Maria que lhe tinha caído do pescoço: «Wait, I have to find the fuckin' thing, it's the Virgin Mary»... Thanks for the memories, old boy. Para ti, então, uma canção que uma vez ouvida é eterna:
quinta-feira, outubro 18, 2007
Não estou sózinho!
Rectificação devida ao que em baixo afirmei sobre a ausência de comentários sobre a selecção da Rosa na blogosfera: o Eduardo faz uma análise correcta da evolução do 15, mas esquece-se que o que chegou a Paris foram 9 sobreviventes dos 22 que venceram o William Webb Ellis em 2003. oito agora, com a infeliz saída do asa Lewsey, quanto a mim dos mais importantes elementos da equipa. É certo que ao principio jogavam um jogo baseado nos avançados (com um pack de 918 quilos, quem não jogaria?), mas a atitude e a técnica foram melhorando dia após dia. Apesar de wilkinson dependentes, há mais razões para ter esperança no sábado. Este senhor, por exemplo.

Jason Robinson
Rectificação devida ao que em baixo afirmei sobre a ausência de comentários sobre a selecção da Rosa na blogosfera: o Eduardo faz uma análise correcta da evolução do 15, mas esquece-se que o que chegou a Paris foram 9 sobreviventes dos 22 que venceram o William Webb Ellis em 2003. oito agora, com a infeliz saída do asa Lewsey, quanto a mim dos mais importantes elementos da equipa. É certo que ao principio jogavam um jogo baseado nos avançados (com um pack de 918 quilos, quem não jogaria?), mas a atitude e a técnica foram melhorando dia após dia. Apesar de wilkinson dependentes, há mais razões para ter esperança no sábado. Este senhor, por exemplo.

Jason Robinson
Da arte perdida dos dois minutos
Houve um tempo em apenas bastavam dois ou três minutos para se ser um herói. Quais quinze minutos warholianos: dois ou três minutinhos, condensados em verso e refrão que não larga, música que se pega à pele e à roupa e que alegremente se esquece, sabendo que já deixou marca. Chamavam-lhes singles, e hoje é uma arte perdida. No fundo são apenas canções, arte popular e imediata, para usar na rua com orgulho, street wear a sério. Este é um bom exemplo: My Perfect Cousin, dos Undertones (1980) é o single new wave perfeito, com a letra a falar de criaturas do nosso quotidiano e a fazer apelo ao mau comportamento versus os arrumadinhos sabichões. E numa nota pessoal, tinha o verso «He always beat me at Subbutteo/ c'os he flicked to kick and I didn't know!». Para amantes do jogo como eu era (e, er...sou), a coisa batia fundo.
Depois Feargal Sharkey, o vocalista, seguiu o seu caminho. Mas sobre isso não vale a pena falar, a sério.
Houve um tempo em apenas bastavam dois ou três minutos para se ser um herói. Quais quinze minutos warholianos: dois ou três minutinhos, condensados em verso e refrão que não larga, música que se pega à pele e à roupa e que alegremente se esquece, sabendo que já deixou marca. Chamavam-lhes singles, e hoje é uma arte perdida. No fundo são apenas canções, arte popular e imediata, para usar na rua com orgulho, street wear a sério. Este é um bom exemplo: My Perfect Cousin, dos Undertones (1980) é o single new wave perfeito, com a letra a falar de criaturas do nosso quotidiano e a fazer apelo ao mau comportamento versus os arrumadinhos sabichões. E numa nota pessoal, tinha o verso «He always beat me at Subbutteo/ c'os he flicked to kick and I didn't know!». Para amantes do jogo como eu era (e, er...sou), a coisa batia fundo.
Depois Feargal Sharkey, o vocalista, seguiu o seu caminho. Mas sobre isso não vale a pena falar, a sério.
segunda-feira, outubro 15, 2007
Crónicas de uma bola oval
Portanto, deixai que vos conte, ó incréus: sábado foi um dia glorioso. Às 15 horas, vitória de Inglaterra contra a pobre Estónia num jogo penoso. E à noite...à noite, num Cais do Sodré dividido entre gauleses e saxónicos mais apoiantes de nações sortidas, no velho British Bar apinhadíssimo, lá estava eu. À minha volta, rapazes e raparigas vestidos com as camisolas que têm um galo no peito. Atrás, o lugar onde eu queria estar: cantava-se Swing Low Sweet Chariot (hino da selecção de rugby inglesa)e gritava-se C'mon england. Ao meu lado, Allez les bleus.
Entretanto, no ecrã mesmo por cima da minha cabeça, jogava-se o destino do mundo civilizado tal como o entendia naqueles 80 minutos. Jogo dificil, de medo mutuo e recuos e avanços. Só que a partir do intervalo tudo mudou: Wilkinson cresceu, as linhas atrasadas de Inglaterra desfaziam-se em gargalhadas cada vez que Chabal tentava uma investida e ao meu lado dois casais ingleses perguntavam-me se queria uma cerveja. A voz redobrou, cantei até ficar rouco e espero ansiosamente pela final.
Isto sabe particularmente bem quando se trata de uma selecção que foi desconsiderada desde o inicio (pelos próprios ingleses, de resto). Aqui na blogosfera nem se falou deles, com a minha pobre excepção, o que no minimo é estranho sendo a campeã do mundo em título. O desastre dos 36-0 contra a África do Sul também ajudou. Mas they're will always be an England, e os rapazes lá estão. Poderão perder (como racionalmente eu acredito),mas estarão lá, com bravura. Sábado, Paris ardeu. Pode ser que o incêndio não tenha sido extinto.
(e quanto a si, minha querida, deveria saber que basta um corte de cabelo decente e maneiras correctas de estar à mesa para segurar qualquer bárbaro iludido)
Portanto, deixai que vos conte, ó incréus: sábado foi um dia glorioso. Às 15 horas, vitória de Inglaterra contra a pobre Estónia num jogo penoso. E à noite...à noite, num Cais do Sodré dividido entre gauleses e saxónicos mais apoiantes de nações sortidas, no velho British Bar apinhadíssimo, lá estava eu. À minha volta, rapazes e raparigas vestidos com as camisolas que têm um galo no peito. Atrás, o lugar onde eu queria estar: cantava-se Swing Low Sweet Chariot (hino da selecção de rugby inglesa)e gritava-se C'mon england. Ao meu lado, Allez les bleus.
Entretanto, no ecrã mesmo por cima da minha cabeça, jogava-se o destino do mundo civilizado tal como o entendia naqueles 80 minutos. Jogo dificil, de medo mutuo e recuos e avanços. Só que a partir do intervalo tudo mudou: Wilkinson cresceu, as linhas atrasadas de Inglaterra desfaziam-se em gargalhadas cada vez que Chabal tentava uma investida e ao meu lado dois casais ingleses perguntavam-me se queria uma cerveja. A voz redobrou, cantei até ficar rouco e espero ansiosamente pela final.
Isto sabe particularmente bem quando se trata de uma selecção que foi desconsiderada desde o inicio (pelos próprios ingleses, de resto). Aqui na blogosfera nem se falou deles, com a minha pobre excepção, o que no minimo é estranho sendo a campeã do mundo em título. O desastre dos 36-0 contra a África do Sul também ajudou. Mas they're will always be an England, e os rapazes lá estão. Poderão perder (como racionalmente eu acredito),mas estarão lá, com bravura. Sábado, Paris ardeu. Pode ser que o incêndio não tenha sido extinto.
(e quanto a si, minha querida, deveria saber que basta um corte de cabelo decente e maneiras correctas de estar à mesa para segurar qualquer bárbaro iludido)
domingo, outubro 14, 2007
sexta-feira, outubro 12, 2007
Choque de civilizações
Eu sei que a selecção da Rosa não é a melhor equipa nem sequer joga o «melhor» râguebi. Em 2003 também não, e foi o que se viu: um pontapé mortal de Jonny Wilkinson e lá se foi uma das equipas que jogava «melhor» e a Inglaterra se sagrou campeã do mundo, coisa que, recorde-se, ainda é. Eu até acho que a África do Sul será campeã. Mas amanhã há choque cultural e de paixão. E nisso, quero que a Razão se lixe. É preciso escolher lados. O que eu quero e irei ver é isto:
E este bónus maravilhoso: «30 reasons why we hate the French»
Eu sei que a selecção da Rosa não é a melhor equipa nem sequer joga o «melhor» râguebi. Em 2003 também não, e foi o que se viu: um pontapé mortal de Jonny Wilkinson e lá se foi uma das equipas que jogava «melhor» e a Inglaterra se sagrou campeã do mundo, coisa que, recorde-se, ainda é. Eu até acho que a África do Sul será campeã. Mas amanhã há choque cultural e de paixão. E nisso, quero que a Razão se lixe. É preciso escolher lados. O que eu quero e irei ver é isto:
E este bónus maravilhoso: «30 reasons why we hate the French»
domingo, outubro 07, 2007
sexta-feira, setembro 28, 2007
Something for the weekend
Só temos que agradecer à cidade de Sheffield tanto talento em tão pouco tempo. Mas o caso de Richard Hawley é diferente. Protegido de Jarvis Cocker, que literalmente o reabilitou para a vida, Hawley é um talento que estava à espera de acontecer.
Neste último disco, Lady's Bridge, o homem leva a sua adoração por Lee Hazlewood às mais brilhantes consequências. Exemplo: este excelente Tonight The Strets Are Ours, pop épico e à beira do lamechas. Revivalismo e não nostalgia, e do que acrescenta sempre.
Só temos que agradecer à cidade de Sheffield tanto talento em tão pouco tempo. Mas o caso de Richard Hawley é diferente. Protegido de Jarvis Cocker, que literalmente o reabilitou para a vida, Hawley é um talento que estava à espera de acontecer.
Neste último disco, Lady's Bridge, o homem leva a sua adoração por Lee Hazlewood às mais brilhantes consequências. Exemplo: este excelente Tonight The Strets Are Ours, pop épico e à beira do lamechas. Revivalismo e não nostalgia, e do que acrescenta sempre.
quinta-feira, setembro 27, 2007
Do que realmente muda a vida
No nosso calendário pessoal, a maioria dos dias permencem anónimos. Dias que passam por passar, que podem ter dentro começos, finais, amores e desamores mas que, pela lei darwinista dos afectos, se esvaziam dentro de outros dias.
Mas existem aqueles que sabemos de cor. Sentimos os cheiros, lembramos as cores, os jeitos, os gestos. Dias que realmente mudaram a nossa vida. Eu tenho três desses dias, todos com nomes. Hoje é um deles: o dia 27 de Setembro nasceu pela primeira vez para mim há exactamente dez anos, e chama-se Leonor.
No nosso calendário pessoal, a maioria dos dias permencem anónimos. Dias que passam por passar, que podem ter dentro começos, finais, amores e desamores mas que, pela lei darwinista dos afectos, se esvaziam dentro de outros dias.
Mas existem aqueles que sabemos de cor. Sentimos os cheiros, lembramos as cores, os jeitos, os gestos. Dias que realmente mudaram a nossa vida. Eu tenho três desses dias, todos com nomes. Hoje é um deles: o dia 27 de Setembro nasceu pela primeira vez para mim há exactamente dez anos, e chama-se Leonor.
domingo, setembro 23, 2007
Haja esperança
Em vez de andarem a perder tempo a escreverem canções que já foram escritas, estes rapazes fizeram tudo bem: uma boa melodia rock, refrão epidérmico e ironia a dar com um pau. Para o vosso prazer e visionamento, The Wombats, Let's Dance To Joy Division
(surripiado, como é hábito, daqui)
Em vez de andarem a perder tempo a escreverem canções que já foram escritas, estes rapazes fizeram tudo bem: uma boa melodia rock, refrão epidérmico e ironia a dar com um pau. Para o vosso prazer e visionamento, The Wombats, Let's Dance To Joy Division
(surripiado, como é hábito, daqui)
A salvação de toda a civilização tal como a conhecemos
Em véspera de mais um raid profissional a Londres, não posso deixar de mencionar A Última Legião, o mais recente excelente-mau-filme que vi. Baseado num airport book italiano, que mistura história com lendas arturianas, A Última Legião acaba por ser um filme de propaganda à Ilha (Britannia), ao depositar a salvação do mundo civilizado - o romano do Ocidente - na última legião fiel ao Imperador. Filme veículo para bons actores cabotinarem com gosto - no caso, Colin Firth e Ben Kingsley - , o flag waving atinge o paroxismo na já histórica cena em que a personagem de Kingsley, com as brancas falésias de Dover ao fundo, beija o chão e exclama: «Oh, my beloved Brittania». Confesso que chorei só um bocadinho.
Mas para os não-anglófilos, há esta razão, em baixo ilustrada:

Aishwarya Rai, a verdadeira queda do mundo ocidental.
Em véspera de mais um raid profissional a Londres, não posso deixar de mencionar A Última Legião, o mais recente excelente-mau-filme que vi. Baseado num airport book italiano, que mistura história com lendas arturianas, A Última Legião acaba por ser um filme de propaganda à Ilha (Britannia), ao depositar a salvação do mundo civilizado - o romano do Ocidente - na última legião fiel ao Imperador. Filme veículo para bons actores cabotinarem com gosto - no caso, Colin Firth e Ben Kingsley - , o flag waving atinge o paroxismo na já histórica cena em que a personagem de Kingsley, com as brancas falésias de Dover ao fundo, beija o chão e exclama: «Oh, my beloved Brittania». Confesso que chorei só um bocadinho.
Mas para os não-anglófilos, há esta razão, em baixo ilustrada:

Aishwarya Rai, a verdadeira queda do mundo ocidental.
segunda-feira, setembro 17, 2007
sexta-feira, setembro 14, 2007
Os srs. Proust e Pavlov decerto concordarão
A minha filha mais velha teve hoje a sua aula de apresentação na mesma Escola Preparatória (eu sou velho, vai ser sempre "escola preparatória") onde eu saí há trinta anos (eu sou velho, etc) e nunca mais tinha regressado. E o que mais me marcou não foi o orgulho indizivel de ver a miúda nas mesmas paredes que eu conheci, já crescida; ou o reconhecimento dos cantos da casa, dos cheiros, dos azulejos dos pátios agora politicamente incorrectos em que se descrevia usos e costumes das ex-colónias. Não, o que me abalou foi o ouvir o toque de entrada e querer ir ter aulas. A madeleine é uma campainha.
A minha filha mais velha teve hoje a sua aula de apresentação na mesma Escola Preparatória (eu sou velho, vai ser sempre "escola preparatória") onde eu saí há trinta anos (eu sou velho, etc) e nunca mais tinha regressado. E o que mais me marcou não foi o orgulho indizivel de ver a miúda nas mesmas paredes que eu conheci, já crescida; ou o reconhecimento dos cantos da casa, dos cheiros, dos azulejos dos pátios agora politicamente incorrectos em que se descrevia usos e costumes das ex-colónias. Não, o que me abalou foi o ouvir o toque de entrada e querer ir ter aulas. A madeleine é uma campainha.
quarta-feira, setembro 12, 2007
segunda-feira, setembro 10, 2007
sexta-feira, setembro 07, 2007
RWC 2007
Estou orgulhoso da selecção nacional (recuso-me a dizer «os lobos»), que conseguiu um feito extraordinário e vai ouvir e ver, a cores e ao vivo, o haka pela primeira vez. Acho que o vencedor deste campeonato será um destes três: França, Austrália ou Nova Zelândia. Estou e acho isto tudo. Mas o que eu queria, do fundo do coração, é que este momento se repetisse:
Mesmo sem Jonny Wilkinson, infelizmente.
Estou orgulhoso da selecção nacional (recuso-me a dizer «os lobos»), que conseguiu um feito extraordinário e vai ouvir e ver, a cores e ao vivo, o haka pela primeira vez. Acho que o vencedor deste campeonato será um destes três: França, Austrália ou Nova Zelândia. Estou e acho isto tudo. Mas o que eu queria, do fundo do coração, é que este momento se repetisse:
Mesmo sem Jonny Wilkinson, infelizmente.
quarta-feira, setembro 05, 2007
Literatura, modo de usar
Uma pessoa vem de férias, ainda tem tempo para dar uma saltada a Glasgow e finalmente regressa à casa virtual para perceber que o tema do momento nos blogues mainstream (acabei de inventar, obrigado a todos) é a força da literatura nas vidas das pessoas. Eu percebo, há pouco que falar, embora a Inglaterra tenha para a semana dois jogos cruciais e o campeonato mundial de râguebi também esteja aí à porta.
Sobre o efeito dos livros na vida - e sobretudo a sua acção decisiva nesse verbo terrível, «mudar» - acredito ainda na formulação wildeana de que toda a arte é inútil, a que acrescento felizmente. É uma posição discutível, eu sei, mas por experiência própria nenhum livro maior ou menor (ou outra expressão artística, incluindo formas tão perfeitas e imediatas como as canções) me mudou a vida. Apenas a tornou mais suportável pelo prazer que me deu - um prazer egoísta, solitário e não transmissível, como todos os seguidores de Harold Bloom hão-de entender. E de repente, não estou a ver ninguém a quem uma leitura tenha provocado um terramoto no quotidiano, exceptuando místicos e homens-bomba. Poderá eventualmente dar uma consciência de vocação ou no meu caso (como acontece sempre que leio António Vieira ou Greene, por exemplo) uma cruel chacina de ilusões quanto a essa mesma vocação. Mas não mais do que isso. Na verdade, os únicos livros que mudam a nossa vida talvez sejam os que escrevemos.
Uma pessoa vem de férias, ainda tem tempo para dar uma saltada a Glasgow e finalmente regressa à casa virtual para perceber que o tema do momento nos blogues mainstream (acabei de inventar, obrigado a todos) é a força da literatura nas vidas das pessoas. Eu percebo, há pouco que falar, embora a Inglaterra tenha para a semana dois jogos cruciais e o campeonato mundial de râguebi também esteja aí à porta.
Sobre o efeito dos livros na vida - e sobretudo a sua acção decisiva nesse verbo terrível, «mudar» - acredito ainda na formulação wildeana de que toda a arte é inútil, a que acrescento felizmente. É uma posição discutível, eu sei, mas por experiência própria nenhum livro maior ou menor (ou outra expressão artística, incluindo formas tão perfeitas e imediatas como as canções) me mudou a vida. Apenas a tornou mais suportável pelo prazer que me deu - um prazer egoísta, solitário e não transmissível, como todos os seguidores de Harold Bloom hão-de entender. E de repente, não estou a ver ninguém a quem uma leitura tenha provocado um terramoto no quotidiano, exceptuando místicos e homens-bomba. Poderá eventualmente dar uma consciência de vocação ou no meu caso (como acontece sempre que leio António Vieira ou Greene, por exemplo) uma cruel chacina de ilusões quanto a essa mesma vocação. Mas não mais do que isso. Na verdade, os únicos livros que mudam a nossa vida talvez sejam os que escrevemos.
sexta-feira, agosto 31, 2007
terça-feira, agosto 14, 2007
terça-feira, agosto 07, 2007
segunda-feira, agosto 06, 2007
Gostam pouco, gostam
Há coisas que me dão imenso prazer. O exercício da manipulação, por exemplo: agarrar em mais de um milhar de jovens politizados, que tinham acabado de vaiar Bush, exigir a legalização das drogas,invectivar a globalização e no processo demonstrar o seu gosto musical «engajado» para depois colocá-los aos saltos e cantar desavergonhadamente tudo o que eles nunca irão confessar aos amigos. Desmistificar esta parolice é uma das missões dos 2Djs do C*****!, sempre pela globalização e altamente comerciais. Para que conste, um dos momentos mais altos do nosso set no Sudoeste aconteceu com esta música, com um coro de mais de mil alminhas a cantar e dançar como um só:
Há coisas que me dão imenso prazer. O exercício da manipulação, por exemplo: agarrar em mais de um milhar de jovens politizados, que tinham acabado de vaiar Bush, exigir a legalização das drogas,invectivar a globalização e no processo demonstrar o seu gosto musical «engajado» para depois colocá-los aos saltos e cantar desavergonhadamente tudo o que eles nunca irão confessar aos amigos. Desmistificar esta parolice é uma das missões dos 2Djs do C*****!, sempre pela globalização e altamente comerciais. Para que conste, um dos momentos mais altos do nosso set no Sudoeste aconteceu com esta música, com um coro de mais de mil alminhas a cantar e dançar como um só:
quinta-feira, agosto 02, 2007
Queria dizer isto:
Já a meio caminho de ser perseguido pela costa vicentina por uma turba enfurecida munida de archotes, não resisto a mostrar a minha solidariedade anti-Farrow ao Tiago. Tudo o que diz respeito ao Mestre interessa-me, e andei a aqui a adiar um textículo, fascinado com o excelente post no Diário. Mas depois o Tiago cometeu o erro gravíssimo de divulgar um dos melhores segredos lisboetas: a colecção de dez cd's que se encontra na Worten a 5 euros. Ora isso, meu amigo, é passado de mail em mail, de boca em boca, de esgar em esgar; é um ritual mais do que maçónico, que requer códigos, contra-senhas, um livro do Dan Brown e a consequente adaptação para filme. Lamento, mas nessas coisas sou contra o serviço público. Repara: eu fui em boa hora avisado por mail desse tesouro por alguém a quem ainda não agradeci e que não irei linkar. É o que um iniciado deve fazer. Como o Steiner um dia há-de dizer, a melhor arte popular nunca deve ser popular.
Adiante: foram negros os anos do casório Farrow/Mestre. A efeba, enraizadinha no pior da pior contracultura de todos os tempos - o hippiesmo povo-que-lavas-no-rio-e- fazes- filhos-na-lama-de-Woodstock-ao-som-do-435º minuto-do-solo-de-Hendrix - só podia dar mau resultado.
O certo é que ninguém sabe o que aconteceu ao homem. Uma tardia crise de meia-idade? Um Jack Daniels estragado? Sinatra teve todas as mulheres que quis menos a que realmente queria, como os verdadeiros apaixonados. O que é certo é que nessa altura aparece com as famosas Nehru-shirts (camisas indianas, sem colarinho) a cantar Beatles e outros êxitos pop do tempo enquanto envergava o seu pior toupet. Por dentro, no entanto, o antigo Liberal empedernia-se. Desses tempos só o seu feroz anti-racismo permaneceu. Mas foi o primeiro a ameaçar cortar relações quando Sammy Davis Jr começou a consumir cocaína. Infelizmente, em casa tinha uma rapariga que fumava marijuana e lhe lia trechos de obscuros gurus indianos.
O livro Mr. S: my life with Frank Sinatra é o retrato desse tempo. Escrito pelo seu mordomo da altura, George Jacobs, é uma narrativa ingrata mas credível do dia-a-dia sinatriano. E c onta bem do enfatuamento (não sei se a palavra existe, mas anotem o belo anglicismo) que S. teve por Farrow para cedo descobrir quão trágico foi o seu erro. Não é que o seu modo de vida tenha mudado: todas as noites Sinatra recebia na sua casa de Los Angeles ou em Las Vegas senhoras profissionais a que tratava maravilhosamente apenas pedindo em troca que não fizessem muito barulho quando fechassem a porta. Na verdade o efeito Farrow durou pouco ou nada. Sinatra tinha vida a mais para a menina. Mesmo assim, manteve-se amigo depois da separação e ameaçou partir as pernas a quem a tratasse mal. Dizem que Woody Allen ainda hoje acorda a suar a meio da noite.
Já a meio caminho de ser perseguido pela costa vicentina por uma turba enfurecida munida de archotes, não resisto a mostrar a minha solidariedade anti-Farrow ao Tiago. Tudo o que diz respeito ao Mestre interessa-me, e andei a aqui a adiar um textículo, fascinado com o excelente post no Diário. Mas depois o Tiago cometeu o erro gravíssimo de divulgar um dos melhores segredos lisboetas: a colecção de dez cd's que se encontra na Worten a 5 euros. Ora isso, meu amigo, é passado de mail em mail, de boca em boca, de esgar em esgar; é um ritual mais do que maçónico, que requer códigos, contra-senhas, um livro do Dan Brown e a consequente adaptação para filme. Lamento, mas nessas coisas sou contra o serviço público. Repara: eu fui em boa hora avisado por mail desse tesouro por alguém a quem ainda não agradeci e que não irei linkar. É o que um iniciado deve fazer. Como o Steiner um dia há-de dizer, a melhor arte popular nunca deve ser popular.
Adiante: foram negros os anos do casório Farrow/Mestre. A efeba, enraizadinha no pior da pior contracultura de todos os tempos - o hippiesmo povo-que-lavas-no-rio-e- fazes- filhos-na-lama-de-Woodstock-ao-som-do-435º minuto-do-solo-de-Hendrix - só podia dar mau resultado.
O certo é que ninguém sabe o que aconteceu ao homem. Uma tardia crise de meia-idade? Um Jack Daniels estragado? Sinatra teve todas as mulheres que quis menos a que realmente queria, como os verdadeiros apaixonados. O que é certo é que nessa altura aparece com as famosas Nehru-shirts (camisas indianas, sem colarinho) a cantar Beatles e outros êxitos pop do tempo enquanto envergava o seu pior toupet. Por dentro, no entanto, o antigo Liberal empedernia-se. Desses tempos só o seu feroz anti-racismo permaneceu. Mas foi o primeiro a ameaçar cortar relações quando Sammy Davis Jr começou a consumir cocaína. Infelizmente, em casa tinha uma rapariga que fumava marijuana e lhe lia trechos de obscuros gurus indianos.
O livro Mr. S: my life with Frank Sinatra é o retrato desse tempo. Escrito pelo seu mordomo da altura, George Jacobs, é uma narrativa ingrata mas credível do dia-a-dia sinatriano. E c onta bem do enfatuamento (não sei se a palavra existe, mas anotem o belo anglicismo) que S. teve por Farrow para cedo descobrir quão trágico foi o seu erro. Não é que o seu modo de vida tenha mudado: todas as noites Sinatra recebia na sua casa de Los Angeles ou em Las Vegas senhoras profissionais a que tratava maravilhosamente apenas pedindo em troca que não fizessem muito barulho quando fechassem a porta. Na verdade o efeito Farrow durou pouco ou nada. Sinatra tinha vida a mais para a menina. Mesmo assim, manteve-se amigo depois da separação e ameaçou partir as pernas a quem a tratasse mal. Dizem que Woody Allen ainda hoje acorda a suar a meio da noite.
terça-feira, julho 31, 2007
Uma pequena pausa para ir até ali abaixo e já volto. Atendemos a partir das 03.30 da madrugada de 2 para 3 (tenda planeta Sudoeste), como poderão ver no cartaz.Deus nos/vos ajude.
«Não somos felizes, nem nunca o iremos ser»Este é o rosto que Antonioni me deixa: Lucia Bosé. Não Monica Vitti, perdida por vezes em idiossincracias superfluas em que ela própria colaborava. Este rosto: Lucia Bosé, e um filme, Cronaca Di Un Amore. Um filme trémulo, em passos de bebé, entre a herança do film noir americano e a balofa análise psicológica europeia.
Antonioni fez filmes muito bons depois deste. E muito maus também: o ridiculo Zabriskie Point é comédia involuntária e afunda-se nos dias em que foi feito. Mas esta história de adultério, de amores condenados como o próprio acto de viver é a minha lembrança pessoal que mais agradeço. Isso e a luz que vem de dentro de Lucia Bosé, rosto perfeito como nos filmes, só comparável à aurora boreal que é Gene Tierney (que teria sido a primeira escolha do realizador). Nem que seja por este rosto, valem as palavras.
sábado, julho 28, 2007
Contra-natura
E esta estranha sensação que se quer manter a todo o custo , este mal estar em que se teima em acreditar, esta aventura na floresta negra sem lanterna, oh meu Deus: diz que é felicidade. E o que é mais estranho e nos deixa em silêncio e zangados connosco próprios: é exactamente isso que queremos. Vou deixar de confiar em mim.
E esta estranha sensação que se quer manter a todo o custo , este mal estar em que se teima em acreditar, esta aventura na floresta negra sem lanterna, oh meu Deus: diz que é felicidade. E o que é mais estranho e nos deixa em silêncio e zangados connosco próprios: é exactamente isso que queremos. Vou deixar de confiar em mim.
terça-feira, julho 24, 2007
quinta-feira, julho 19, 2007
Devo dizer que foi um bedelho muito bem metido,
amigo Diogo. Os Von Südenfedd são especialmente queridos aqui da casa, pelo carinho que se tem a um dos seus protagonistas: o enorme Mark E. Smith, o intelectual mais brilhantemente raivoso que a história do rock conhece. E tem o mérito adicional de ser alguém que se riu´no tempo devido de todos os que as bandas hoje em dia incensadas adoram com tanta ausência de talento. Um dos discos do ano, sim senhor.
amigo Diogo. Os Von Südenfedd são especialmente queridos aqui da casa, pelo carinho que se tem a um dos seus protagonistas: o enorme Mark E. Smith, o intelectual mais brilhantemente raivoso que a história do rock conhece. E tem o mérito adicional de ser alguém que se riu´no tempo devido de todos os que as bandas hoje em dia incensadas adoram com tanta ausência de talento. Um dos discos do ano, sim senhor.













