domingo, agosto 12, 2007

«Walk, in silence»


Tony Wilson, 1950-2007

terça-feira, agosto 07, 2007

«She's a go-go dancer, maybe my big sister»
A melhor banda portuguesa em palco, com um rock n'roll hero à antiga.
Nem sabes como te compreendo, caro Lourenço

E não falo da série.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Gostam pouco, gostam
Há coisas que me dão imenso prazer. O exercício da manipulação, por exemplo: agarrar em mais de um milhar de jovens politizados, que tinham acabado de vaiar Bush, exigir a legalização das drogas,invectivar a globalização e no processo demonstrar o seu gosto musical «engajado» para depois colocá-los aos saltos e cantar desavergonhadamente tudo o que eles nunca irão confessar aos amigos. Desmistificar esta parolice é uma das missões dos 2Djs do C*****!, sempre pela globalização e altamente comerciais. Para que conste, um dos momentos mais altos do nosso set no Sudoeste aconteceu com esta música, com um coro de mais de mil alminhas a cantar e dançar como um só:
1964

Ou o perfeito e muito grato antídoto anti-festivais de verão.

domingo, agosto 05, 2007

«Retratos do trabalho em Portugal»

Herdade da Casa Branca, 03.45 do dia 3 de Agosto de 2007.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Queria dizer isto:
Já a meio caminho de ser perseguido pela costa vicentina por uma turba enfurecida munida de archotes, não resisto a mostrar a minha solidariedade anti-Farrow ao Tiago. Tudo o que diz respeito ao Mestre interessa-me, e andei a aqui a adiar um textículo, fascinado com o excelente post no Diário. Mas depois o Tiago cometeu o erro gravíssimo de divulgar um dos melhores segredos lisboetas: a colecção de dez cd's que se encontra na Worten a 5 euros. Ora isso, meu amigo, é passado de mail em mail, de boca em boca, de esgar em esgar; é um ritual mais do que maçónico, que requer códigos, contra-senhas, um livro do Dan Brown e a consequente adaptação para filme. Lamento, mas nessas coisas sou contra o serviço público. Repara: eu fui em boa hora avisado por mail desse tesouro por alguém a quem ainda não agradeci e que não irei linkar. É o que um iniciado deve fazer. Como o Steiner um dia há-de dizer, a melhor arte popular nunca deve ser popular.
Adiante: foram negros os anos do casório Farrow/Mestre. A efeba, enraizadinha no pior da pior contracultura de todos os tempos - o hippiesmo povo-que-lavas-no-rio-e- fazes- filhos-na-lama-de-Woodstock-ao-som-do-435º minuto-do-solo-de-Hendrix - só podia dar mau resultado.
O certo é que ninguém sabe o que aconteceu ao homem. Uma tardia crise de meia-idade? Um Jack Daniels estragado? Sinatra teve todas as mulheres que quis menos a que realmente queria, como os verdadeiros apaixonados. O que é certo é que nessa altura aparece com as famosas Nehru-shirts (camisas indianas, sem colarinho) a cantar Beatles e outros êxitos pop do tempo enquanto envergava o seu pior toupet. Por dentro, no entanto, o antigo Liberal empedernia-se. Desses tempos só o seu feroz anti-racismo permaneceu. Mas foi o primeiro a ameaçar cortar relações quando Sammy Davis Jr começou a consumir cocaína. Infelizmente, em casa tinha uma rapariga que fumava marijuana e lhe lia trechos de obscuros gurus indianos.
O livro Mr. S: my life with Frank Sinatra é o retrato desse tempo. Escrito pelo seu mordomo da altura, George Jacobs, é uma narrativa ingrata mas credível do dia-a-dia sinatriano. E c onta bem do enfatuamento (não sei se a palavra existe, mas anotem o belo anglicismo) que S. teve por Farrow para cedo descobrir quão trágico foi o seu erro. Não é que o seu modo de vida tenha mudado: todas as noites Sinatra recebia na sua casa de Los Angeles ou em Las Vegas senhoras profissionais a que tratava maravilhosamente apenas pedindo em troca que não fizessem muito barulho quando fechassem a porta. Na verdade o efeito Farrow durou pouco ou nada. Sinatra tinha vida a mais para a menina. Mesmo assim, manteve-se amigo depois da separação e ameaçou partir as pernas a quem a tratasse mal. Dizem que Woody Allen ainda hoje acorda a suar a meio da noite.

terça-feira, julho 31, 2007

Uma pequena pausa para ir até ali abaixo e já volto. Atendemos a partir das 03.30 da madrugada de 2 para 3 (tenda planeta Sudoeste), como poderão ver no cartaz.

Deus nos/vos ajude.
«Não somos felizes, nem nunca o iremos ser»
Este é o rosto que Antonioni me deixa: Lucia Bosé. Não Monica Vitti, perdida por vezes em idiossincracias superfluas em que ela própria colaborava. Este rosto: Lucia Bosé, e um filme, Cronaca Di Un Amore. Um filme trémulo, em passos de bebé, entre a herança do film noir americano e a balofa análise psicológica europeia.
Antonioni fez filmes muito bons depois deste. E muito maus também: o ridiculo Zabriskie Point é comédia involuntária e afunda-se nos dias em que foi feito. Mas esta história de adultério, de amores condenados como o próprio acto de viver é a minha lembrança pessoal que mais agradeço. Isso e a luz que vem de dentro de Lucia Bosé, rosto perfeito como nos filmes, só comparável à aurora boreal que é Gene Tierney (que teria sido a primeira escolha do realizador). Nem que seja por este rosto, valem as palavras.

sábado, julho 28, 2007

Contra-natura
E esta estranha sensação que se quer manter a todo o custo , este mal estar em que se teima em acreditar, esta aventura na floresta negra sem lanterna, oh meu Deus: diz que é felicidade. E o que é mais estranho e nos deixa em silêncio e zangados connosco próprios: é exactamente isso que queremos. Vou deixar de confiar em mim.

terça-feira, julho 24, 2007

Parabéns querida Margot! E que este seja o primeiro dia de uma longuíssima fase «Penélope Cruz».

quinta-feira, julho 19, 2007

Devo dizer que foi um bedelho muito bem metido,
amigo Diogo. Os Von Südenfedd são especialmente queridos aqui da casa, pelo carinho que se tem a um dos seus protagonistas: o enorme Mark E. Smith, o intelectual mais brilhantemente raivoso que a história do rock conhece. E tem o mérito adicional de ser alguém que se riu´no tempo devido de todos os que as bandas hoje em dia incensadas adoram com tanta ausência de talento. Um dos discos do ano, sim senhor.

quarta-feira, julho 18, 2007

Razões porque não sou ateu, nº428
Thank you, madam. We already miss you.
Percebi lindamente o que querias dizer, Ricardo, e agradeço. Não conhecia Mark Murphy e do pouco que ouvi (especialmente a sua rendição do Parker's Mood) concluí que é mais um dos raros casos em que o jazz vem de dentro para fora (ao contrário por exemplo de Ella Fitzgerald). Vou estar atento à imensa discografia do senhor. Mas avanço já que embora goste não se encaixa em mim na perfeição. E que embora estejam em territórios comuns mas ligeiramente diferentes, prefiro os rantings de Elling, juntamente com o seu impecável entendimento das letras. Chega até para lhe perdoar o seu imenso amor à beat generation e ao Kerouac em particular.
Felizmente que não fui ver o último Harry Potter sózinho. A coisa está cada vez mais negra, apesar de Emma Watson/Hermione ter crescido muito correctamente. Mas o que me interessa, apesar dos sustos, é a primeira oração: felizmente não fui ver o último Harry Potter sózinho. E isto, meus amigos, é um projecto de vida.

terça-feira, julho 17, 2007

Citação du jour


«I spent a lot of money on booze, birds and fast cars. The rest I just squandered.»


George Best

2007

Atlas, dos Battles. Absolutamente extraordinário. O álbum Mirrored é, com os discos de Wainwright e The National, um dos candidatos aos melhores do ano. E não me ven ham dizer que é prog-rock, porque não é. Se fosse, eu não gostava.

segunda-feira, julho 16, 2007

Pois lamento muito, mas podeis ficar com os vossos Interpóis e as moças que querem vingança ou o patético agrupamento carnavalesco que se auto-intitula de Nova Vaga: eu fui ver Kurt Elling e a esperança na música com vida inteligente regressou.
Não digo isto por sobranceria ou em defesa da música que mais gosto, o jazz; digo-o em constatação simples e serena. Não conheço maior gratificação musical que ver quatro executantes soberbos divertirem-se em palco, fazendo apenas o que sabem fazer.
É verdade: Kurt Elling é, salvo melhor opinião, o melhor cantor de jazz de há mais de dez anos para cá (Kevin Mahogany também é enorme, mas tem mais blues na voz. E também por cá passou em estado de graça). O homem tem um espectro vocal impressionante que vai do seu natural registo de barítono para regiões inóspitas nos graves e apenas se notam cautelas nas notas mais altas - a que também chega se for preciso. O seu domínio do scat é extraordinário, a improvisação e o fraseado perfeitos, os textos sobre solos (cantou um sobre um famoso solo de Dexter Gordon) verdadeiros tour-de-force. O repertório vai dos standards às grandes canções esquecidas (My Foolish Heart, do álbum mais-que-perfeito This Time It's Love)passando pela bossa-nova (Rosa Morena, de Caymmi) e muito muito Jobim no original. Neste último aspecto, a sua rendição de Luísa, uma das canções mais complexas de cantar correctamente que conheço foi inexcedível. E ainda por cima o senhor é de uma simpatia anacrónica.
Claro que por melhor que cante nunca poderia alegrar ninguém se não estivesse bem acompanhado:Laurence Hobgood(p), Willie Jones III (bat) e sobretudo Rob Amster (cb) são pessoas que dá gosto ter ao lado. O contrabaixista foi particularmente notável, com dois solos extraordinários em que se revelou mestre da paráfrase e cultor da citação correcta (a Garota de Ipanema metida num medley Berlin/Jobim foi brilhante). Os arranjos de Hobgood são inesperados e deixam Elling brilhar sem artificialismos; na parte interpretativa, gostei da utilização das cordas do piano como guitarra rítmica.
Tudo para dizer que o concerto até nem foi extraordinário. Foi um bom momento de jazz mas sem enormes lampejos de génio. Mas pairou acima de tudo e todos, e pessoalmente valeu a espera de mais de dez anos.
Enfim, mas para que interessará esta conversa se o Sudoeste está aí a chegar com tantas coisas interessantes, não é ? Não, não é.
O melhor post sobre as eleições e estas vidas
está todo aqui, sob o título As impagáveis noites eleitorais do Abrupto.

quarta-feira, julho 11, 2007

«It's written on the wall that you're sexy in Latin»*

Rhona Mitra, «Tara Wilson» em Boston Legal


*Little Man Tate, Sexy in Latin

segunda-feira, julho 09, 2007

«Here we are now, entertain us»
Estive atento às notícias sobre o festival literário de Paraty, quer através desta magnífica blogo-reportagem, quer através da Mónica (que atravessa o Atlântico as I write para contar mais). A razão era simples: queria saber o que iria dizer (e como o iria dizer) aquele que provavelmente é o meu escritor vivo preferido: J.M. Coetzee. Ao que parece, o senhor limitou-se a debitar passagens dos seus livros durante uma hora e foi-se embora manifestamente entediado e de mau humor, para «decepção» de quem o foi escutar. Pura ingratidão, quanto a mim. Não percebo porque é que, quando se trata de génios ou de alguém que admiramos, tendemos a retirar-lhes apressadamente a sua natureza humana.

sexta-feira, julho 06, 2007

Something for the weekend.

A fase Little Man Tate continua (mas há-de passar, não se preocupem). Agora é a vez de What? What You Got?, mais uma grande canção sobre pessoas que todos conhecemos.
Escritos de sempre para os SMS de hoje (2)
«Eu confundo o que se repartiu por muitas e se decretou para vós».

Arte de Galantaria, D.Francisco de Portugal

quarta-feira, julho 04, 2007

Em modo mais do que repeat na grafonola caseira

Os espantosos Little Man Tate e o continuar de uma grande tradição do escárnio e maldizer do rock: Man I Hate Your Band. Diz a lenda que a canção é sobre os Artic Monkeys (o que é algo injusto, sendo os AM a melhor coisa que aconteceu ao puro rock desde há algum tempo para cá). Seja qual for a verdade: grande canção, grande álbum (vão ao site, vejam o vídeo de This Must Be Love e sobretudo de What? What You Got?),pequenas grandes crónicas destes moços de Sheffield que usam orgulhosamente o seu sotaque como uma arma. O futuro do rock? Nem por isso. Apenas uma banda com boas canções e muito humor.
Momento Calvino-Klein do mês *
E se numa noite de Inverno um viajante dissesse:«Isto é azul? Não: azul é isto




*ou: como jogar com "referências" às três tabelas.

terça-feira, julho 03, 2007

Disclaimer
Este blogue é, muitas vezes, o piroso sorriso do palhaço triste.

segunda-feira, julho 02, 2007

Petite histoire
Um dia conheci uma mulher que muito admiro. Ela é cantora de tango e antes disso foi psiquiatra. Conversámos longamente , sobre tudo e sobre nada, mais do que seria suposto para duas pessoas que se encontravam pela primeira vez. A dada altura, falámos sobre Portugal e o que seria parecido com ser Português. Eu, incrédulo por estar a falar tanto sobre tudo e sobre nada com uma mulher que muito admiro, caí nos adjectivos do costume, entre os quais se contava «melancólico». Dando rapidamente conta do erro, tentei repará-lo de forma ridícula, num misto de estupidez e vaidade, pessoalizando-o: «Eu também sou melancólico», disse.
Ela olhou para mim, com uma suave condescendência e disse, como quase todas as mulheres com quem me cruzei na vida, que eu «não tinha razão». Melancolia é uma doença, uma patologia do foro psiquiátrico. Eu seria antes «nostálgico», o que não é o mesmo.
Nunca mais a vi. Mas acreditei nela, e se ainda hoje me lembro desta história não é por se ter passado com uma psiquiatra, mas com uma cantora de tango.

sábado, junho 30, 2007

Tudo o que Sondheim e Bernstein sempre desejaram.

(anúncio vencedor de um Leão de Ouro em Cannes)

sexta-feira, junho 29, 2007

Ora muito bem,
não costumo alinhar muito nestas coisas de correntes blogosféricas, não sei se por pudor se por superstição. Mas neste caso o convite era irrecusável, porque vem de onde vem. Mesmo assim, e tendo seguido o rasto da coisa, reparei que há uma dualidade de critérios: uns citam os últimos cinco livros que adquiriram; outros, os últimos cinco que leram. Como francamente não me lembro do primeiro caso, utilizo o segundo critério, sem ordem cronológica de leitura.

- Essays, Graham Greene
- Essays on Graham Greene (editado por Harold Bloom)
- A Tale Of Two Cities, Charles Dickens
- Como o Futebol Explica O Mundo, Franklin Foer
- História do Futuro, Padre António Vieira
- Solidão Povoada, Carlos Castro (é mentira. desculpem, foi mais forte que eu)

Em modo «livro de auto-ajuda (leitura recorrente)»: Líricas, de Luís Vaz de Camões (isto também dá pontos?)


Pronto. Segue-se agora a clássica cerimónia do «passar-a-batatinha-quentinha», que cumprirei com um antecipado pedido de desculpas aos visados, com o fraco consolo (para eles) de terem sido escolhidos por estima e admiração. Então: "Rogério", Tiago, Mónica, Margot, Carla - up to you.




This is a video thank you.

Versão original de 1971. Os Madness apenas reforçaram o bom que aqui há. Devolvido com o dobro das intenções.

quinta-feira, junho 28, 2007

Simpático sarilho.
Dá-me só uns minutos, filigraana, que já te digo alguma coisa.
Desportos de praia

Luiz Carlos Bonfa, João Gilberto e Tom Jobim. Last night, when they were young.

sexta-feira, junho 22, 2007

Isto parece-me extraordinário.
Como é que dizia o anúncio? Ah sim, direito à indiferença. Pelos vistos ninguém tem lido muito o prefácio de Wilde ao seu Retrato de Dorian Gray. Ou numa hipótese mais remota mas reconfortante, talvez seja pela empresa ser francesa.
O conforto de ter razão, pelo menos de vez em quando
Adoro que me confirmem as minhas precárias idossincrassias e verdades absolutas do T2 aqui da rua. Por exemplo, como é possível sinceramente admirar o talento artístico de um sujeito e desprezá-lo profundamente pela sua óbvia falta de educação (e fiquem sentados, ó moralistas de esquerda, que «educação» não tem a ver com berço - tem a ver com serviços mínimos relacionais com outros seres humanos).
Se repararem na epígrafe deste blogue, depressa percebereis como correu a minha noite.

quinta-feira, junho 21, 2007

Elogio do ennui,3
Interpol, She Wants Revenge,Arcade Fire (sobretudo na versão «eu-sou-mais-Ian-MacCulloch-do-que-tu»), Editors, Bloc Party...Meu Deus,recolhei a casa: foi já tudo escrito e melhor.

terça-feira, junho 19, 2007

Dos posts inevitáveis.

«You shook hands with Sinatra.There's a code when you shake hands with Sinatra»

É certo que Ocean's 13 não é um grande filme: é aquilo que a rapaziada queria que fosse, uma fita de amigos que mimetiza, dentro e fora do ecrã, a relação dos membros do Rat Pack e sobretudo a arte perdida de viver em Las Vegas. Só que, na verdade, Ocean's 13 consegue ser o melhor da trilogia, tanto pelo argumento como pela fluidez e absoluta imersão de Steven Soderbergh no género heist movie e nas citações estéticas do cinema americano dos anos 60.
Para além dos suspeitos do costume já representarem por empatia (conseguindo reproduzir o efeito Sinatra: «'one take only', que ainda não me deitei»), o filme conta com um excelente Al Pacino e sobretudo com magníficas power lines, quase todas para a sua personagem (que desde Scarface está mais do que habituado às power lines).
A minha preferida, no entanto, é a que serve de título deste post. É dita pela personagem de Elliott Gould ao vilão Pacino, quando este o trai. Neste código de honra de Las Vegas (apertaste a mão a Sinatra, não podes trair um amigo) está incluída toda uma nostalgia de um tempo perdido (o do original Ocean's Eleven, quando Las Vegas era o centro do mundo) e uma reverência a quem mandava nesse mundo: o Chairman Of The Board.
Mas Pacino tem direito a duas grandes frases também: «I move, I move quick and when I do I slice like a hammer» e o fabuloso Don't make a maniac out of me». O mais engraçado é que os argumentistas foram buscar estas frases a um famoso personagem de Las Vegas, que realmente as disse. É famosa a diatribe do cantor Paul Anka (criador de My Way) contra os seus músicos no fim de um concerto que correu mal. E é nesse contexto que as frases foram ditas. Podem ouvir a raiva de Paul Anka na íntegra aqui.
Viva Las Vegas!

segunda-feira, junho 18, 2007

Concordo absolutamente: os festivais de 2007 têm óptimos elencos,
mas eu é mais este:

É que é um luxo. E como se não bastasse, o melhor vocalista de jazz (na opinião deste vosso criado) vai estar por cá. Kurt Elling, cidadãos. Kurt Elling. Depois digam que ficaram com as vidinhas mais pobres.

domingo, junho 17, 2007

A todos os que me têm perguntado,
eis a resposta: receio bem que seja verdade.
Por vezes compensa uma pessoa passar por witty uma vez na vida.
A verdade é que o prazer foi todo meu.

sexta-feira, junho 15, 2007

As coisas não precisam ser ditas
Por vezes penso que o único ditador de jeito seria Wittgenstein. Pronto, talvez não ditador (pelo que se sabe o mau feitio transformado em Estado não é fácil; e o bom então é insuportável), mas pelo menos ideólogo. O verdadeiro tirano, a que obedeceria sem pestanejar, seria Beckett.
O único respeitado, o pioneiro. Uma espécie de Cortez da linguagem, sem os massacres ou rios de sangue. Só o exemplo, só a certeza de que a linguagem só vale alguma coisa por ser a única maneira. E mesmo assim: bem a tentamos depurar, que nada. Bem a tentamos evitar que está quieto.
Ainda há pouco reparei num rosto, num olhar: o que me resta disso que poderei dizer? As palavras, num mundo ideal, serviriam apenas para apontar aquilo que não conseguimos dizer. O invisivel, o indizivel. Não é por acaso que existem poetas, ou escritores com quem nos identificamos. Será pelo que escrevem? Nunca: é sempre pelo que deixam de escrever.
Estou a pensar em hoje e agora: eu, que faço do que estais a ler o meu ganha-pão, não consegui nem nunca conseguirei dizer o que me estava na alma. E o drama é que nada mais basta: haja outros meios de expressão, que esbarrarremos sempre com o Ceci N’est Pas une Pipe. E não chega, não serve, mesmo para quem passeia por este teclado, por quem assobia pelas florestas de palavras alheias, por quem admira canções, por quem sempre procura nos outros aquilo que tragicamente os outros não foram capazes de dizer melhor do que aquilo que disseram.
Variações emocionais para Oscar Wilde, ainda a tempo de serem rectificadas: todas as palavras são inúteis.
É o que fica por dizer, mais nada.

quarta-feira, junho 13, 2007

Da série «Torquemada vai ao bairro da Bica no 12 de Junho à noite»

'Ao que parece, todo o meu trabalho não serviu de lição a ninguém'.
Depois de ter assistido a mais um massacre de Santo António

When I carefully consider the curious habits of dogs
I am compelled to conclude
That man is the superior animal.

When I consider the curious habits of man
I confess, my friend, I am puzzled.


Ezra Pound

domingo, junho 10, 2007

O professor Lamechas recomenda
Esta excelente canção dos The Dears:22: The Death Of All Romance. A canção, para além de boa, é servida por um vídeo cujo grau de lamechice é quase inumano. A evitar por quem tem corações em vias de serem partidos.

[nota de majorscobie] Até que enfim que este cromo acerta nalguma coisa.A canção é mesmo excelente, quase gainsbourguiana e ...
Faça favor de se ir embora.
O poder das efemérides: 10 de Junho, pela primeira vez a ganhar todo o sentido.

Tanto de meu estado me acho incerto,

Tanto de meu estado me acho incerto,
Que, em vivo ardor, tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio,
O mundo todo abarco, e nada aperto.

É tudo quanto sinto um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio;
Agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao Céu voando;
Num'hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar um'hora.

Se me pergunta alguém, porque assi ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.

Luís Vaz de Camões, com dedicatória óbvia e um estranho mas sentido agradecimento a Maya, a taróloga.

sábado, junho 09, 2007

O Professor Lamechas dirá agora algumas palavras.
Obrigado. É tempo de alguém pôr ordem nesta casa e, sobretudo, desmistificar o demiurgo de pacotilha que por aqui se arrasta sob o triste nick name de "major scobie". Pelo amor de Deus: esquecei o céptico, o falso apaixonado, o tipo que tem a mania que sabe de bola. É a minha hora. Graças a um extraordinário hacking (que consistiu em pagar uma imperial ao pobre proprietário deste blogue), o Prof. Lamechas tem a partir de agora o seu espaço. Tudo o que o desgraçado escriba tenta evitar, com as tiradas filosóficas sobre o ennui, são enfim desmascaradas. Habituai-vos pois, à presença de Lamechas (do francês La Méche, com castelo no Loire). E percebei a verdade, como Luz que cega o infeliz do «major». Para começar, isto:

Ah pois é. Uma canção a sério, com um vocalista cujas partes privadas não foram seriamente ameaçadas. E lembranças de um filme visto no cinema Alvalade (hoje arruinado), cujo nome era provavelmente «Melody». Havia uma rapariga loira. O desgraçado tarado deste blogue deve saber.
Da série «Torquemada sai à noite»
"Senhor, perdoai oh perdoai as criaturas que iniciam frases com 'No campo do design'".




(´"e já agora, se estiver por Aí o número de telemóvel do Job, agradecia")

quinta-feira, junho 07, 2007

«Atenção: o conteúdo desta garrafa de vinho pode fazer com que fique bêbedo»
O que o mundo precisa: mais avisos óbvios de coisas que toda a gente está a par. Ou como o Reino Unido se prepara para bater recordes de burocracias da saúde inúteis. Boris Johnson no seu melhor, aqui.
Roland Garros

Ana Ivanovic, 19 anos, finalista de Roland Garros. Embora vá defrontar a excelente Justine Henin, merece vencer por todas as razões.

quarta-feira, junho 06, 2007

Manual de auto-ajuda
Saber que falhar é aquilo que garante a certeza da possibilidade de poder ser bem sucedido. Apreciar a íngreme melancolia dos escassos instantes de felicidade.
Do segundo «melhor disco do ano» do ano

Mistaken For Strangers, The National

terça-feira, junho 05, 2007

Reality show
Até onde pode ir um blogue? Ou será que isso não interessa nada ? Um caso para pensar, aqui descrito.
«Ma al mondo non essiste nessuno qui non ha sbagliato una volta»

Provavelmente a primeira canção que ouvi com atenção, na terna infância. Still stands.

segunda-feira, junho 04, 2007

sexta-feira, junho 01, 2007

Em defesa do fumador (3)

Paul Newman
Se o meu carro falasse

Um Renault correctíssimo diz quem manda.Todos juntos: «God save our gracious Queen...»

(para o maradona, descoberto aqui)

quinta-feira, maio 31, 2007

Razões para ser monárquico
Francamente, não percebo esta excitação com o Nani, o Anderson e 55 milhões de euros: para mim esta é a única notícia interessante


O central Orlando, ex-Freamunde, assinou hoje contrato com a Académica.

O atleta que também já actuou no Fafe e Moreirense, vai agora defender as cores da Briosa. Uma missão que afirmou ser “um orgulho. É um orgulho para qualquer atleta representar uma instituição como Académica, que tem um historial que fala por si.” Por isso mesmo garante: “vou fazer tudo para ajudar a equipa a atingir os objectivos”. (da página oficial da grande Briosa)

Ser da Académica: um clube com o sentido das proporções, caramba.

( e se fossem espertos aproveitavam o balanço e varriam-me aquela defesa toda. O melhor já levou o Porto)

quarta-feira, maio 30, 2007

This is a video statement.

The Monkees, I'm a believer. Grande canção de Neil Diamond.
Em defesa do fumador (2)
Humphrey Bogart e Lauren Bacall

terça-feira, maio 29, 2007

Pessoas que deveriam ter um blogue (1)
«A vida íntima é cheia de passagens rídiculas.A gente, que escreve casos tristes, se lhes não joeirasse a parte cómica, não arranjava nunca uma tragédia.»

Camilo Castelo Branco

segunda-feira, maio 28, 2007

I Will Follow You Into The Dark

Ben Gibbard, alma dos excelentes Death Cab For Cutie, partilha com Irving Berlin um estranho e maravilhoso dom: o da ilusão da simplicidade, aplicado à canção. Com forma e conteúdo quase elementares, Gibbard transmite sem problemas as emoções e histórias que pretende. Para um fanático das letras, como eu, isso ainda se torna mais evidente. Tal como Berlin - por oposição a um cosmopolitimo de Cole Porter ou uma erudição de Lorenz Hart -, Gibbard não embarca em grandes figuras de estilo e usa um tom coloquial que resulta no mais glorioso dos logros: fazer com que quem oiça diga: «Eu podia ter escrito aquilo»; ou, melhor ainda, «Foi mesmo assim que aconteceu».
Mas é falso. Cada palavra é escolhida a dedo, encaixa perfeitamente na melodia, as rimas são imprevisiveis e espirituosas, e oferecem às frases uma música própria que parece não ter lugar em mais nenhum lado. Esta canção, I Will Follow You Into The Dark, é um brilhante exemplo da arte de Gibbard. E começa com os versos mais improváveis para uma canção de amor: «Love of mine, /someday you will die».
Em defesa do fumador (1)

Albert Camus

domingo, maio 27, 2007

Sinatras de caixote do lixo.

Pertencer à comunidade myspace tem vantagens destas: uma pessoa dá de caras com músicas e bandas que já tinha esquecido e que teimosamente continuam em actividade (como nós). O último feliz reencontro foi com esta banda de Glasgow, os Trashcan Sinatras: pop melódico, canções clássicas e sem medo do melodrama, uma espécie de Douglas Sirk para a música popular. Beleza não é para ter medo. Um excelente exemplo disso, este All The Dark Horses.
Amigos, maiores que o pensamento.


Resolveu a atenta Carla outorgar a este estabelecimento o galardão de «blogger pensando», ou «blogger que faz pensar». Eu agradeço, e devo dizer, sem falsas modéstias, que este blogue faz mesmo o leitor pensar. O leitor pensa: « Mas o que é que eu estou aqui a fazer?». Daí o prémio.
Agora: o que fazer com esta distinção? Eu sei quais os blogues que me fazem «pensar», mas já têm as prateleiras cheias de troféus destes (como este lugar, ou este, por exemplo). Por isso, vou passá-lo a outros de que gosto muito, esperando não ir atafulhar a casa.
Sem ordem nenhuma, a não ser a que me vem à cabeça:
- A Sexta Coluna
- Complexidade e Contradição
- SushiLeblon
- A Causa Foi Modificada
- Terapia Metatísica

Agora desenrasquem-se, se quiserem. De nada.
Ao vivo,primeiras filas.

Grande site, com videos de concertos inteiros. É ir ver.

sexta-feira, maio 25, 2007

«I hope I die before I get old»
Mick Jagger e Companhia devem estar devastados: é que existe uma banda mais velha do que os Rolling Stones. Chamam-se The Zimmers e fazem rock n' roll há muito, muito tempo. O vocalista Alf tem 90 anos; e há gente na banda quase centenária. A BBC produziu um documentário sobre estes extraordinários cavalheiros e é daí que chega esta espantosa (não estou a brincar) versão de My Generation, dos The Who. Irresistível, tal como o artigo que lhes dedica uma das melhores revistas do mundo: The Oldie (mas um dia falarei dela). For your viewing pleasure, The Zimmers (e favor ver até ao fim)
«But his gubbadooba cell count is normal!»
Dr. House, na MadTV.

«He's dead!»
«Check again.»

quinta-feira, maio 24, 2007

Por falar em ontem,
podes ficar com o troco, caro amigo.
Ontem,
este blogue não acabou, mas ficou muito maçado. Sobretudo com o «Momento Nuno Gomes» de Gerrard.

quarta-feira, maio 23, 2007

Finalmente em Portugal, jornalismo de investigação.
Senão, veja-se esta "notícia": uuuuuuuuhhhh, medo. Oh tristes camaradas de profissão: get a bloody life, you wankers.
Isto ainda não é trigo limpo, meus amigos. Há blogues que vão rolar hoje. (e pints a serem pagas)

«Milan feel they possess more stars, class acts like Kaka, Andrea Pirlo, Clarence Seedorf, and the flying full-back Massimo Oddo, but Benitez's ability to inspire such indefatigable passion in his troops make Liverpool so formidable. Gerrard and Pennant will do anything for the manager who offers them a date with destiny.»

(aqui)
Crónica de amores perdidos
Houve tempos em que achei que Harriet Wheeler - a menina que cantava nos The Sundays - era o auge do que poderia encontrar numa mulher: sarcasmo gentil e certeiro, erudição, britishness, beleza e um gosto pelo visual campestre Laura Ashley que me fascinava. Que se danassem as guitarras à Johnny Marr: isto era coisa boa, como o excelente Reading, Writing And Arithmetic provava. Soube todas as canções de cor, sobretudo esta: Here's where the story ends, com o seus versos maravilhosamente malignos «It's that little souvenir/of a terrible year/ which makes my eyes feel sore/and who ever would've thought the books that you brought/were all I loved you for»...
Com o passar do tempo, o que Wheeler professava nas suas maravilhosas letras tornou-se verdade. E como um amor que desaparece num lentíssimo fade-out, também os Sundays saíram da minha vida. O resto, infelizmente, não.
The Sundays - Heres Where The Story Ends

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Beam me up, Scotty
Ao ritmo do tempo, ele falava comigo em linguagem sms. E sentia, a cada palavra que dizia, o kapa em «aqui», o «qd» em «quando».

terça-feira, maio 22, 2007

O carrinho perfeito para quem gosta de gatinhos...

...como eu gosto.

[amantes dos felinos, abstenham-se de ver o anúncio.Eu avisei]

(série iniciada aqui)

segunda-feira, maio 21, 2007

Escrito na porta de um wc de um pub, em Lisboa: «Hell has all the good bands».

(e também dava uma belíssima t-shirt, digo eu)
Late night bar philosophers, cromo nº 14: « O que me irrita na Bjork», indignou-se ela, «é que não veste roupa - veste instalações.»
Entretanto, na Câmara Municipal de Lisboa...

O justiceiro solitário não está tão solitário assim.

(e ainda discorreu sobre a necessidade de «moralizar» a política de contratação de assessores. I say fuck him.)

domingo, maio 20, 2007

This is a video statement.

The Boy Least Likely To, Be Gentle With Me

sábado, maio 19, 2007

Isto

por causa disto (um texto magnífico, que só padece de falta de razão).




(é Benny Goodman, um antigo king of swing, que explica toda a liberdade e destruição criativa que é o jazz, a partir de How High The Moon para Ornithology, de Parker (definitivamente mais que três acordes, mas sem abandonar nunca o tom e a estrutura harmónica de onde veio). Tal como a vida, é preciso começar de qualquer coisa simples para só a complicar mais. No caminho aparece outra coisa, sem abandonar as origens. Mas digamos que não penso muito nisto quando oiço estas coisas).

sexta-feira, maio 18, 2007

Amanhã, em Wembley

Ganhe quem ganhar, sempre soubemos quem nunca irá perder.
«I guess the dreams always end/they don't rise up, just descend»

Ian Curtis (15/07/1956 - 18/05/1980)



Para notícias sobre o filme Control, que abriu o Festival de Cannes, ler aqui.

quinta-feira, maio 17, 2007

Das palavras na música popular enquanto exercício de poema daDa, com sentido
Grande post.

terça-feira, maio 15, 2007

Há muito tempo que não dizia como esta menina é de ouro.

Nellie Mckay, Sorry.
Um intervalo para publicidade, 2

Caso tenha dificuldade com o inglês do anúncio em post infra, recomendo este maravilhoso curso de inglês. A aeróbica ao serviço do poliglota. O vosso especial reparo para os movimentos que se fazem ao som da frase «Spare me my life». O Japão é um grande país.
Um intervalo para publicidade, 1

A resposta WASP e old money aos vídeos gangsta de LA: os Prep-Unit, num maravilhoso Tea Partay, anúncio para Smirnoff Raw Tea. A vossa atenção para a letra fantástica (nem queria falar das meninas, mas tenho) e o conceito brilhante de criatividade que está por trás de tudo.
«We sail yachts and we ride on horses/Every meal we eat comes in multiple courses». MV, Martha's Vineyard!

(com um grande abraço, )

segunda-feira, maio 14, 2007

Sinatra (1915-1998), 4

Gosto muito deste vídeo. Mostra o Mestre em plena posse dos seus geniais dotes de intérprete, feliz e com os amigos a sabotarem-no alegremente (é Dean que grita:«Keep singin' 'till you get it right baby!»). Era o tempo do Chairman Of The Board, da vida desregrada, buddies only, em que Sinatra era o Rei do Mundo. A partir de Las Vegas fazia o que queria. E cantava, oh meu Deus como cantava. Aqui, em You Make Me Feel So Young, é o estilo nice n'easy no seu esplendor, inventado a meias com Nelson Riddle. O swing arrastado, às vezes à frente outras vezes atrás do compasso; as palavras escolhidas instintivamente,alterando os versos, colocando gíria, prolongando as sílabas para que tudo faça mais sentido e fique seu. Porque é isso: Sinatra trata as canções como as mulheres - corteja-as, rodeia-as de flores e manias e finalmente conquista-as em definitivo. Nas baladas era outra coisa, era a vida. O estilo aprendido com Mildred Bailey e Billie Holiday tornou Sinatra o maior actor de canções de todos os tempos, cada verso um script que ele desempenhava na perfeição. E sempre falou só de nós, só de nós.
Sinatra (1915-1998),3

Frank Sinatra e Ava Gardner, Schipol Airport

De Sinatra, tantas mulheres. De todos os lados da vida, amantes, traidoras, vítimas. Sinatra amava as mulheres, mesmo que esse amor durasse uma noite eterna.Mas melhor que amar, respeitava-as, mesmo na sua amoralidade. As senhoras profissionais que todas as noites Sinatra recebia em casa, sobretudo a partir do final da década de 50, eram tratadas principescamente, com um cavalheirismo inusitado. Uma limusine ia buscá-las.Lá dentro, ramos de flores e um agradecimento expresso do cantor. Única condição: que saíssem discretamente, sem o acordar. A limusine estava sempre à disposição.
E depois houve as paixões, os namoros reais, o sexo puro e duro (segundo os relatos de várias mulheres, Sinatra tinha uma performance invejável, sobretudo para quem passava todas as noites a beber). E houve Ava. O «mais belo animal do mundo» foi tudo o que as outras foram numa só. Ava, mais do que mulher, era uma drinking buddie, uma mulher vivida e com força vulcânica, capaz de se entregar e trair com a mesma intensidade. Amaram-se desmesuradamente, porque tinham tudo em comum. E foi essa a razão porque esse amor esteve desde sempre condenado.
Sinatra (1912-1998), 2

«So you're Frank Sinatra, the guy who makes women faint when he sings.»

«Well, I guess I am, Mr.Bogart»

«Make me faint.»

(diálogo entre Bogart e Sinatra, quando o cantor foi apresentado ao actor numa noite no 21, em Nova Iorque. Os dois tornar-se-iam grandes amigos até à morte de Humphrey Bogart)
Sinatra(1912-1998), 1

Um exemplo do Sinatra que fazia desmaiar as bobbysoxers. Em 1943, Sinatra cantava este Stardust (um grande tema de Hoagy Carmichael) com a voz domesticada e alinhada aos preceitos da época. Ainda era o cantor de big bands, mas apesar da voz ainda reflectir os ensinamentos do seu ídolo primeiro (Bing Crosby), já se notava a diferença. O fraseado é mais longo, as notas são mais prolongadas devido a uma respiração sincopada aprendida com Tommy Dorsey e o seu trombone. Sinatra, o eterno perfeccionista, nadava horas debaixo de água para fortalecer a caixa toráxica. O truque do canto da boca aberto, que recebeu de Dorsey, não é aqui completamente visivel, mas iria ajudá-lo nas sua fase mais gloriosa, quando se reinventou a si próprio e de caminho toda a música popular.
Francis Albert Sinatra (12/12/1915 - 14/05/1998)
Lembro-me dessa manhã, desse dia. Há nove anos, exactamente há nove anos, fui acordado docemente, com a ternura cuidadosa e a cor de voz que se arranja quando há más notícias para dar. E havia: «Tenho uma coisa para te dizer. Não é boa. Morreu o Mestre». O Mestre era Francis Albert Sinatra, por mim alcunhado com veneração e algum desplante.
Lembro-me dos cabeçalhos dos jornais: «Sinatra traído pelo coração». Errado, tão errado: Sinatra nunca foi traído pelo coração.Dependia dele, para o bem e para o mal, para as guerras e para os armísticios, para as medalhas e para as cicatrizes. O coração nunca traiu Sinatra porque este «coração» e «Sinatra» são exactamente a mesma coisa.
Devo muito da minha vida - do modo possível que se deve a um artista, a alguém que não conhecemos - a Frank Sinatra. Acompanhou-me nos piores e melhores momentos, fiz dele uma espécie de teologia substituta. Quando fui vê-lo ao Porto, já um cantor trôpego, cansado e confuso, senti-me como um dos Três Pastorinhos. Estava a ver a minha vida, ali em cima dum palco. Queria gritar:«Lembras-te disso, também? Quando estivemos juntos na minha casa, às tantas da manhã, whiskey e o refrão de Guess I'll hang my tears out to dry...Lembras-te disso, Mestre?». Mas o Mestre apenas cantava, apenas fazia o que tinha de fazer, o que sabia e se notava apesar dos seus 80 anos nessa altura.
Durante a minha vida, escrevi muito e espero continuar a escrever sobre Sinatra.Sei muito, perdoai-me a arrogância. E vivi o suficiente para ser amigo deste homem, protector dos perdedores e gangster sentimental, excesso e cobardia, glória e tragédia.
Hoje este blogue é de Sinatra.
O primeiro "disco do ano" do ano.

E muito sério candidato a único. Avassalador.
Aprender, aprender
«Coisa é já descrita uma Dama perfeita, mas até agora nunca vista.Excepção daquela Idea se viu em vós tão grande, que nem de bosquejos vossos poderiam servir aquelas inspirações divinas. Excede-se a Natureza por mero acaso em os requintes; em vós, porém, excedeu-se de pensado. As soberanias de que sois dona parece que vo-las não deram, senão que as preferistes.»

Arte de Galantaria, D.Francisco de Portugal
Conselhos de sempre para os sms de hoje
«Duvide de si na resposta dos motes, se é de letra sua, pois nunca um escrito saiu de qualquer mão que se não tornasse em fruto vivo»

Arte de Galantaria, D.Francisco de Portugal (1670)

domingo, maio 13, 2007

Menos virtual do que se pensa
Vou ao meu myspace e vejo que o Schopenhauer está online.
«Nothing's gonna change my world»Rufus Wainwright Across The Universe

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Across the universe, por Moby, Sean Lennon e Rufus Wainwright. Pronto, Rufus Wainwright só.

sábado, maio 12, 2007

Meus amigos, duas palavras: Ana Moura.

Fado. Fado puro, fado vida, o mistério do indizivel, do que fica agarrado a nós sem licença nem remédio. A melhor fadista - por oposição a cantoras de fado - tem disco novo a partir de 14 de Maio. Chama-se Para Além da Saudade, e é ideal para quem acha que não gosta de fado. E há também um concerto.Pormenores aqui.


(não vou esconder que sou parte interessada:escrevi uma das letras que constam no disco. Mas a paixão por esta menina e a sua voz e a vontade de a partilhar - isso é totalmente desinteressado. Só urgente.)

sexta-feira, maio 11, 2007

This is a video statement

O Valencia, The Decemberists
As canções, essas coisas tão frágeis...
E tão boas quando são bem destruídas. Com justiça de preferência. Eis uma versão demolidora de um êxito de pista que põe KO aquela criatura reles que se chama a si própria de Fergie e ainda se ri sobre a campa dela.


(E o mais bizarro é que ainda consegue dar uns ares dignos à cançoneta. Obrigado,Kat)