sexta-feira, julho 06, 2007

Escritos de sempre para os SMS de hoje (2)
«Eu confundo o que se repartiu por muitas e se decretou para vós».

Arte de Galantaria, D.Francisco de Portugal

quarta-feira, julho 04, 2007

Em modo mais do que repeat na grafonola caseira

Os espantosos Little Man Tate e o continuar de uma grande tradição do escárnio e maldizer do rock: Man I Hate Your Band. Diz a lenda que a canção é sobre os Artic Monkeys (o que é algo injusto, sendo os AM a melhor coisa que aconteceu ao puro rock desde há algum tempo para cá). Seja qual for a verdade: grande canção, grande álbum (vão ao site, vejam o vídeo de This Must Be Love e sobretudo de What? What You Got?),pequenas grandes crónicas destes moços de Sheffield que usam orgulhosamente o seu sotaque como uma arma. O futuro do rock? Nem por isso. Apenas uma banda com boas canções e muito humor.
Momento Calvino-Klein do mês *
E se numa noite de Inverno um viajante dissesse:«Isto é azul? Não: azul é isto




*ou: como jogar com "referências" às três tabelas.

terça-feira, julho 03, 2007

Disclaimer
Este blogue é, muitas vezes, o piroso sorriso do palhaço triste.

segunda-feira, julho 02, 2007

Petite histoire
Um dia conheci uma mulher que muito admiro. Ela é cantora de tango e antes disso foi psiquiatra. Conversámos longamente , sobre tudo e sobre nada, mais do que seria suposto para duas pessoas que se encontravam pela primeira vez. A dada altura, falámos sobre Portugal e o que seria parecido com ser Português. Eu, incrédulo por estar a falar tanto sobre tudo e sobre nada com uma mulher que muito admiro, caí nos adjectivos do costume, entre os quais se contava «melancólico». Dando rapidamente conta do erro, tentei repará-lo de forma ridícula, num misto de estupidez e vaidade, pessoalizando-o: «Eu também sou melancólico», disse.
Ela olhou para mim, com uma suave condescendência e disse, como quase todas as mulheres com quem me cruzei na vida, que eu «não tinha razão». Melancolia é uma doença, uma patologia do foro psiquiátrico. Eu seria antes «nostálgico», o que não é o mesmo.
Nunca mais a vi. Mas acreditei nela, e se ainda hoje me lembro desta história não é por se ter passado com uma psiquiatra, mas com uma cantora de tango.

sábado, junho 30, 2007

Tudo o que Sondheim e Bernstein sempre desejaram.

(anúncio vencedor de um Leão de Ouro em Cannes)

sexta-feira, junho 29, 2007

Ora muito bem,
não costumo alinhar muito nestas coisas de correntes blogosféricas, não sei se por pudor se por superstição. Mas neste caso o convite era irrecusável, porque vem de onde vem. Mesmo assim, e tendo seguido o rasto da coisa, reparei que há uma dualidade de critérios: uns citam os últimos cinco livros que adquiriram; outros, os últimos cinco que leram. Como francamente não me lembro do primeiro caso, utilizo o segundo critério, sem ordem cronológica de leitura.

- Essays, Graham Greene
- Essays on Graham Greene (editado por Harold Bloom)
- A Tale Of Two Cities, Charles Dickens
- Como o Futebol Explica O Mundo, Franklin Foer
- História do Futuro, Padre António Vieira
- Solidão Povoada, Carlos Castro (é mentira. desculpem, foi mais forte que eu)

Em modo «livro de auto-ajuda (leitura recorrente)»: Líricas, de Luís Vaz de Camões (isto também dá pontos?)


Pronto. Segue-se agora a clássica cerimónia do «passar-a-batatinha-quentinha», que cumprirei com um antecipado pedido de desculpas aos visados, com o fraco consolo (para eles) de terem sido escolhidos por estima e admiração. Então: "Rogério", Tiago, Mónica, Margot, Carla - up to you.




This is a video thank you.

Versão original de 1971. Os Madness apenas reforçaram o bom que aqui há. Devolvido com o dobro das intenções.

quinta-feira, junho 28, 2007

Simpático sarilho.
Dá-me só uns minutos, filigraana, que já te digo alguma coisa.
Desportos de praia

Luiz Carlos Bonfa, João Gilberto e Tom Jobim. Last night, when they were young.

sexta-feira, junho 22, 2007

Isto parece-me extraordinário.
Como é que dizia o anúncio? Ah sim, direito à indiferença. Pelos vistos ninguém tem lido muito o prefácio de Wilde ao seu Retrato de Dorian Gray. Ou numa hipótese mais remota mas reconfortante, talvez seja pela empresa ser francesa.
O conforto de ter razão, pelo menos de vez em quando
Adoro que me confirmem as minhas precárias idossincrassias e verdades absolutas do T2 aqui da rua. Por exemplo, como é possível sinceramente admirar o talento artístico de um sujeito e desprezá-lo profundamente pela sua óbvia falta de educação (e fiquem sentados, ó moralistas de esquerda, que «educação» não tem a ver com berço - tem a ver com serviços mínimos relacionais com outros seres humanos).
Se repararem na epígrafe deste blogue, depressa percebereis como correu a minha noite.

quinta-feira, junho 21, 2007

Elogio do ennui,3
Interpol, She Wants Revenge,Arcade Fire (sobretudo na versão «eu-sou-mais-Ian-MacCulloch-do-que-tu»), Editors, Bloc Party...Meu Deus,recolhei a casa: foi já tudo escrito e melhor.

terça-feira, junho 19, 2007

Dos posts inevitáveis.

«You shook hands with Sinatra.There's a code when you shake hands with Sinatra»

É certo que Ocean's 13 não é um grande filme: é aquilo que a rapaziada queria que fosse, uma fita de amigos que mimetiza, dentro e fora do ecrã, a relação dos membros do Rat Pack e sobretudo a arte perdida de viver em Las Vegas. Só que, na verdade, Ocean's 13 consegue ser o melhor da trilogia, tanto pelo argumento como pela fluidez e absoluta imersão de Steven Soderbergh no género heist movie e nas citações estéticas do cinema americano dos anos 60.
Para além dos suspeitos do costume já representarem por empatia (conseguindo reproduzir o efeito Sinatra: «'one take only', que ainda não me deitei»), o filme conta com um excelente Al Pacino e sobretudo com magníficas power lines, quase todas para a sua personagem (que desde Scarface está mais do que habituado às power lines).
A minha preferida, no entanto, é a que serve de título deste post. É dita pela personagem de Elliott Gould ao vilão Pacino, quando este o trai. Neste código de honra de Las Vegas (apertaste a mão a Sinatra, não podes trair um amigo) está incluída toda uma nostalgia de um tempo perdido (o do original Ocean's Eleven, quando Las Vegas era o centro do mundo) e uma reverência a quem mandava nesse mundo: o Chairman Of The Board.
Mas Pacino tem direito a duas grandes frases também: «I move, I move quick and when I do I slice like a hammer» e o fabuloso Don't make a maniac out of me». O mais engraçado é que os argumentistas foram buscar estas frases a um famoso personagem de Las Vegas, que realmente as disse. É famosa a diatribe do cantor Paul Anka (criador de My Way) contra os seus músicos no fim de um concerto que correu mal. E é nesse contexto que as frases foram ditas. Podem ouvir a raiva de Paul Anka na íntegra aqui.
Viva Las Vegas!

segunda-feira, junho 18, 2007

Concordo absolutamente: os festivais de 2007 têm óptimos elencos,
mas eu é mais este:

É que é um luxo. E como se não bastasse, o melhor vocalista de jazz (na opinião deste vosso criado) vai estar por cá. Kurt Elling, cidadãos. Kurt Elling. Depois digam que ficaram com as vidinhas mais pobres.

domingo, junho 17, 2007

A todos os que me têm perguntado,
eis a resposta: receio bem que seja verdade.
Por vezes compensa uma pessoa passar por witty uma vez na vida.
A verdade é que o prazer foi todo meu.

sexta-feira, junho 15, 2007

As coisas não precisam ser ditas
Por vezes penso que o único ditador de jeito seria Wittgenstein. Pronto, talvez não ditador (pelo que se sabe o mau feitio transformado em Estado não é fácil; e o bom então é insuportável), mas pelo menos ideólogo. O verdadeiro tirano, a que obedeceria sem pestanejar, seria Beckett.
O único respeitado, o pioneiro. Uma espécie de Cortez da linguagem, sem os massacres ou rios de sangue. Só o exemplo, só a certeza de que a linguagem só vale alguma coisa por ser a única maneira. E mesmo assim: bem a tentamos depurar, que nada. Bem a tentamos evitar que está quieto.
Ainda há pouco reparei num rosto, num olhar: o que me resta disso que poderei dizer? As palavras, num mundo ideal, serviriam apenas para apontar aquilo que não conseguimos dizer. O invisivel, o indizivel. Não é por acaso que existem poetas, ou escritores com quem nos identificamos. Será pelo que escrevem? Nunca: é sempre pelo que deixam de escrever.
Estou a pensar em hoje e agora: eu, que faço do que estais a ler o meu ganha-pão, não consegui nem nunca conseguirei dizer o que me estava na alma. E o drama é que nada mais basta: haja outros meios de expressão, que esbarrarremos sempre com o Ceci N’est Pas une Pipe. E não chega, não serve, mesmo para quem passeia por este teclado, por quem assobia pelas florestas de palavras alheias, por quem admira canções, por quem sempre procura nos outros aquilo que tragicamente os outros não foram capazes de dizer melhor do que aquilo que disseram.
Variações emocionais para Oscar Wilde, ainda a tempo de serem rectificadas: todas as palavras são inúteis.
É o que fica por dizer, mais nada.

quarta-feira, junho 13, 2007

Da série «Torquemada vai ao bairro da Bica no 12 de Junho à noite»

'Ao que parece, todo o meu trabalho não serviu de lição a ninguém'.
Depois de ter assistido a mais um massacre de Santo António

When I carefully consider the curious habits of dogs
I am compelled to conclude
That man is the superior animal.

When I consider the curious habits of man
I confess, my friend, I am puzzled.


Ezra Pound

domingo, junho 10, 2007

O professor Lamechas recomenda
Esta excelente canção dos The Dears:22: The Death Of All Romance. A canção, para além de boa, é servida por um vídeo cujo grau de lamechice é quase inumano. A evitar por quem tem corações em vias de serem partidos.

[nota de majorscobie] Até que enfim que este cromo acerta nalguma coisa.A canção é mesmo excelente, quase gainsbourguiana e ...
Faça favor de se ir embora.
O poder das efemérides: 10 de Junho, pela primeira vez a ganhar todo o sentido.

Tanto de meu estado me acho incerto,

Tanto de meu estado me acho incerto,
Que, em vivo ardor, tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio,
O mundo todo abarco, e nada aperto.

É tudo quanto sinto um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio;
Agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao Céu voando;
Num'hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar um'hora.

Se me pergunta alguém, porque assi ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.

Luís Vaz de Camões, com dedicatória óbvia e um estranho mas sentido agradecimento a Maya, a taróloga.

sábado, junho 09, 2007

O Professor Lamechas dirá agora algumas palavras.
Obrigado. É tempo de alguém pôr ordem nesta casa e, sobretudo, desmistificar o demiurgo de pacotilha que por aqui se arrasta sob o triste nick name de "major scobie". Pelo amor de Deus: esquecei o céptico, o falso apaixonado, o tipo que tem a mania que sabe de bola. É a minha hora. Graças a um extraordinário hacking (que consistiu em pagar uma imperial ao pobre proprietário deste blogue), o Prof. Lamechas tem a partir de agora o seu espaço. Tudo o que o desgraçado escriba tenta evitar, com as tiradas filosóficas sobre o ennui, são enfim desmascaradas. Habituai-vos pois, à presença de Lamechas (do francês La Méche, com castelo no Loire). E percebei a verdade, como Luz que cega o infeliz do «major». Para começar, isto:

Ah pois é. Uma canção a sério, com um vocalista cujas partes privadas não foram seriamente ameaçadas. E lembranças de um filme visto no cinema Alvalade (hoje arruinado), cujo nome era provavelmente «Melody». Havia uma rapariga loira. O desgraçado tarado deste blogue deve saber.
Da série «Torquemada sai à noite»
"Senhor, perdoai oh perdoai as criaturas que iniciam frases com 'No campo do design'".




(´"e já agora, se estiver por Aí o número de telemóvel do Job, agradecia")

quinta-feira, junho 07, 2007

«Atenção: o conteúdo desta garrafa de vinho pode fazer com que fique bêbedo»
O que o mundo precisa: mais avisos óbvios de coisas que toda a gente está a par. Ou como o Reino Unido se prepara para bater recordes de burocracias da saúde inúteis. Boris Johnson no seu melhor, aqui.
Roland Garros

Ana Ivanovic, 19 anos, finalista de Roland Garros. Embora vá defrontar a excelente Justine Henin, merece vencer por todas as razões.

quarta-feira, junho 06, 2007

Manual de auto-ajuda
Saber que falhar é aquilo que garante a certeza da possibilidade de poder ser bem sucedido. Apreciar a íngreme melancolia dos escassos instantes de felicidade.
Do segundo «melhor disco do ano» do ano

Mistaken For Strangers, The National

terça-feira, junho 05, 2007

Reality show
Até onde pode ir um blogue? Ou será que isso não interessa nada ? Um caso para pensar, aqui descrito.
«Ma al mondo non essiste nessuno qui non ha sbagliato una volta»

Provavelmente a primeira canção que ouvi com atenção, na terna infância. Still stands.

segunda-feira, junho 04, 2007

sexta-feira, junho 01, 2007

Em defesa do fumador (3)

Paul Newman
Se o meu carro falasse

Um Renault correctíssimo diz quem manda.Todos juntos: «God save our gracious Queen...»

(para o maradona, descoberto aqui)

quinta-feira, maio 31, 2007

Razões para ser monárquico
Francamente, não percebo esta excitação com o Nani, o Anderson e 55 milhões de euros: para mim esta é a única notícia interessante


O central Orlando, ex-Freamunde, assinou hoje contrato com a Académica.

O atleta que também já actuou no Fafe e Moreirense, vai agora defender as cores da Briosa. Uma missão que afirmou ser “um orgulho. É um orgulho para qualquer atleta representar uma instituição como Académica, que tem um historial que fala por si.” Por isso mesmo garante: “vou fazer tudo para ajudar a equipa a atingir os objectivos”. (da página oficial da grande Briosa)

Ser da Académica: um clube com o sentido das proporções, caramba.

( e se fossem espertos aproveitavam o balanço e varriam-me aquela defesa toda. O melhor já levou o Porto)

quarta-feira, maio 30, 2007

This is a video statement.

The Monkees, I'm a believer. Grande canção de Neil Diamond.
Em defesa do fumador (2)
Humphrey Bogart e Lauren Bacall

terça-feira, maio 29, 2007

Pessoas que deveriam ter um blogue (1)
«A vida íntima é cheia de passagens rídiculas.A gente, que escreve casos tristes, se lhes não joeirasse a parte cómica, não arranjava nunca uma tragédia.»

Camilo Castelo Branco

segunda-feira, maio 28, 2007

I Will Follow You Into The Dark

Ben Gibbard, alma dos excelentes Death Cab For Cutie, partilha com Irving Berlin um estranho e maravilhoso dom: o da ilusão da simplicidade, aplicado à canção. Com forma e conteúdo quase elementares, Gibbard transmite sem problemas as emoções e histórias que pretende. Para um fanático das letras, como eu, isso ainda se torna mais evidente. Tal como Berlin - por oposição a um cosmopolitimo de Cole Porter ou uma erudição de Lorenz Hart -, Gibbard não embarca em grandes figuras de estilo e usa um tom coloquial que resulta no mais glorioso dos logros: fazer com que quem oiça diga: «Eu podia ter escrito aquilo»; ou, melhor ainda, «Foi mesmo assim que aconteceu».
Mas é falso. Cada palavra é escolhida a dedo, encaixa perfeitamente na melodia, as rimas são imprevisiveis e espirituosas, e oferecem às frases uma música própria que parece não ter lugar em mais nenhum lado. Esta canção, I Will Follow You Into The Dark, é um brilhante exemplo da arte de Gibbard. E começa com os versos mais improváveis para uma canção de amor: «Love of mine, /someday you will die».
Em defesa do fumador (1)

Albert Camus

domingo, maio 27, 2007

Sinatras de caixote do lixo.

Pertencer à comunidade myspace tem vantagens destas: uma pessoa dá de caras com músicas e bandas que já tinha esquecido e que teimosamente continuam em actividade (como nós). O último feliz reencontro foi com esta banda de Glasgow, os Trashcan Sinatras: pop melódico, canções clássicas e sem medo do melodrama, uma espécie de Douglas Sirk para a música popular. Beleza não é para ter medo. Um excelente exemplo disso, este All The Dark Horses.
Amigos, maiores que o pensamento.


Resolveu a atenta Carla outorgar a este estabelecimento o galardão de «blogger pensando», ou «blogger que faz pensar». Eu agradeço, e devo dizer, sem falsas modéstias, que este blogue faz mesmo o leitor pensar. O leitor pensa: « Mas o que é que eu estou aqui a fazer?». Daí o prémio.
Agora: o que fazer com esta distinção? Eu sei quais os blogues que me fazem «pensar», mas já têm as prateleiras cheias de troféus destes (como este lugar, ou este, por exemplo). Por isso, vou passá-lo a outros de que gosto muito, esperando não ir atafulhar a casa.
Sem ordem nenhuma, a não ser a que me vem à cabeça:
- A Sexta Coluna
- Complexidade e Contradição
- SushiLeblon
- A Causa Foi Modificada
- Terapia Metatísica

Agora desenrasquem-se, se quiserem. De nada.
Ao vivo,primeiras filas.

Grande site, com videos de concertos inteiros. É ir ver.

sexta-feira, maio 25, 2007

«I hope I die before I get old»
Mick Jagger e Companhia devem estar devastados: é que existe uma banda mais velha do que os Rolling Stones. Chamam-se The Zimmers e fazem rock n' roll há muito, muito tempo. O vocalista Alf tem 90 anos; e há gente na banda quase centenária. A BBC produziu um documentário sobre estes extraordinários cavalheiros e é daí que chega esta espantosa (não estou a brincar) versão de My Generation, dos The Who. Irresistível, tal como o artigo que lhes dedica uma das melhores revistas do mundo: The Oldie (mas um dia falarei dela). For your viewing pleasure, The Zimmers (e favor ver até ao fim)
«But his gubbadooba cell count is normal!»
Dr. House, na MadTV.

«He's dead!»
«Check again.»

quinta-feira, maio 24, 2007

Por falar em ontem,
podes ficar com o troco, caro amigo.
Ontem,
este blogue não acabou, mas ficou muito maçado. Sobretudo com o «Momento Nuno Gomes» de Gerrard.

quarta-feira, maio 23, 2007

Finalmente em Portugal, jornalismo de investigação.
Senão, veja-se esta "notícia": uuuuuuuuhhhh, medo. Oh tristes camaradas de profissão: get a bloody life, you wankers.
Isto ainda não é trigo limpo, meus amigos. Há blogues que vão rolar hoje. (e pints a serem pagas)

«Milan feel they possess more stars, class acts like Kaka, Andrea Pirlo, Clarence Seedorf, and the flying full-back Massimo Oddo, but Benitez's ability to inspire such indefatigable passion in his troops make Liverpool so formidable. Gerrard and Pennant will do anything for the manager who offers them a date with destiny.»

(aqui)
Crónica de amores perdidos
Houve tempos em que achei que Harriet Wheeler - a menina que cantava nos The Sundays - era o auge do que poderia encontrar numa mulher: sarcasmo gentil e certeiro, erudição, britishness, beleza e um gosto pelo visual campestre Laura Ashley que me fascinava. Que se danassem as guitarras à Johnny Marr: isto era coisa boa, como o excelente Reading, Writing And Arithmetic provava. Soube todas as canções de cor, sobretudo esta: Here's where the story ends, com o seus versos maravilhosamente malignos «It's that little souvenir/of a terrible year/ which makes my eyes feel sore/and who ever would've thought the books that you brought/were all I loved you for»...
Com o passar do tempo, o que Wheeler professava nas suas maravilhosas letras tornou-se verdade. E como um amor que desaparece num lentíssimo fade-out, também os Sundays saíram da minha vida. O resto, infelizmente, não.
The Sundays - Heres Where The Story Ends

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Beam me up, Scotty
Ao ritmo do tempo, ele falava comigo em linguagem sms. E sentia, a cada palavra que dizia, o kapa em «aqui», o «qd» em «quando».

terça-feira, maio 22, 2007

O carrinho perfeito para quem gosta de gatinhos...

...como eu gosto.

[amantes dos felinos, abstenham-se de ver o anúncio.Eu avisei]

(série iniciada aqui)

segunda-feira, maio 21, 2007

Escrito na porta de um wc de um pub, em Lisboa: «Hell has all the good bands».

(e também dava uma belíssima t-shirt, digo eu)
Late night bar philosophers, cromo nº 14: « O que me irrita na Bjork», indignou-se ela, «é que não veste roupa - veste instalações.»
Entretanto, na Câmara Municipal de Lisboa...

O justiceiro solitário não está tão solitário assim.

(e ainda discorreu sobre a necessidade de «moralizar» a política de contratação de assessores. I say fuck him.)

domingo, maio 20, 2007

This is a video statement.

The Boy Least Likely To, Be Gentle With Me

sábado, maio 19, 2007

Isto

por causa disto (um texto magnífico, que só padece de falta de razão).




(é Benny Goodman, um antigo king of swing, que explica toda a liberdade e destruição criativa que é o jazz, a partir de How High The Moon para Ornithology, de Parker (definitivamente mais que três acordes, mas sem abandonar nunca o tom e a estrutura harmónica de onde veio). Tal como a vida, é preciso começar de qualquer coisa simples para só a complicar mais. No caminho aparece outra coisa, sem abandonar as origens. Mas digamos que não penso muito nisto quando oiço estas coisas).

sexta-feira, maio 18, 2007

Amanhã, em Wembley

Ganhe quem ganhar, sempre soubemos quem nunca irá perder.
«I guess the dreams always end/they don't rise up, just descend»

Ian Curtis (15/07/1956 - 18/05/1980)



Para notícias sobre o filme Control, que abriu o Festival de Cannes, ler aqui.

quinta-feira, maio 17, 2007

Das palavras na música popular enquanto exercício de poema daDa, com sentido
Grande post.

terça-feira, maio 15, 2007

Há muito tempo que não dizia como esta menina é de ouro.

Nellie Mckay, Sorry.
Um intervalo para publicidade, 2

Caso tenha dificuldade com o inglês do anúncio em post infra, recomendo este maravilhoso curso de inglês. A aeróbica ao serviço do poliglota. O vosso especial reparo para os movimentos que se fazem ao som da frase «Spare me my life». O Japão é um grande país.
Um intervalo para publicidade, 1

A resposta WASP e old money aos vídeos gangsta de LA: os Prep-Unit, num maravilhoso Tea Partay, anúncio para Smirnoff Raw Tea. A vossa atenção para a letra fantástica (nem queria falar das meninas, mas tenho) e o conceito brilhante de criatividade que está por trás de tudo.
«We sail yachts and we ride on horses/Every meal we eat comes in multiple courses». MV, Martha's Vineyard!

(com um grande abraço, )

segunda-feira, maio 14, 2007

Sinatra (1915-1998), 4

Gosto muito deste vídeo. Mostra o Mestre em plena posse dos seus geniais dotes de intérprete, feliz e com os amigos a sabotarem-no alegremente (é Dean que grita:«Keep singin' 'till you get it right baby!»). Era o tempo do Chairman Of The Board, da vida desregrada, buddies only, em que Sinatra era o Rei do Mundo. A partir de Las Vegas fazia o que queria. E cantava, oh meu Deus como cantava. Aqui, em You Make Me Feel So Young, é o estilo nice n'easy no seu esplendor, inventado a meias com Nelson Riddle. O swing arrastado, às vezes à frente outras vezes atrás do compasso; as palavras escolhidas instintivamente,alterando os versos, colocando gíria, prolongando as sílabas para que tudo faça mais sentido e fique seu. Porque é isso: Sinatra trata as canções como as mulheres - corteja-as, rodeia-as de flores e manias e finalmente conquista-as em definitivo. Nas baladas era outra coisa, era a vida. O estilo aprendido com Mildred Bailey e Billie Holiday tornou Sinatra o maior actor de canções de todos os tempos, cada verso um script que ele desempenhava na perfeição. E sempre falou só de nós, só de nós.
Sinatra (1915-1998),3

Frank Sinatra e Ava Gardner, Schipol Airport

De Sinatra, tantas mulheres. De todos os lados da vida, amantes, traidoras, vítimas. Sinatra amava as mulheres, mesmo que esse amor durasse uma noite eterna.Mas melhor que amar, respeitava-as, mesmo na sua amoralidade. As senhoras profissionais que todas as noites Sinatra recebia em casa, sobretudo a partir do final da década de 50, eram tratadas principescamente, com um cavalheirismo inusitado. Uma limusine ia buscá-las.Lá dentro, ramos de flores e um agradecimento expresso do cantor. Única condição: que saíssem discretamente, sem o acordar. A limusine estava sempre à disposição.
E depois houve as paixões, os namoros reais, o sexo puro e duro (segundo os relatos de várias mulheres, Sinatra tinha uma performance invejável, sobretudo para quem passava todas as noites a beber). E houve Ava. O «mais belo animal do mundo» foi tudo o que as outras foram numa só. Ava, mais do que mulher, era uma drinking buddie, uma mulher vivida e com força vulcânica, capaz de se entregar e trair com a mesma intensidade. Amaram-se desmesuradamente, porque tinham tudo em comum. E foi essa a razão porque esse amor esteve desde sempre condenado.
Sinatra (1912-1998), 2

«So you're Frank Sinatra, the guy who makes women faint when he sings.»

«Well, I guess I am, Mr.Bogart»

«Make me faint.»

(diálogo entre Bogart e Sinatra, quando o cantor foi apresentado ao actor numa noite no 21, em Nova Iorque. Os dois tornar-se-iam grandes amigos até à morte de Humphrey Bogart)
Sinatra(1912-1998), 1

Um exemplo do Sinatra que fazia desmaiar as bobbysoxers. Em 1943, Sinatra cantava este Stardust (um grande tema de Hoagy Carmichael) com a voz domesticada e alinhada aos preceitos da época. Ainda era o cantor de big bands, mas apesar da voz ainda reflectir os ensinamentos do seu ídolo primeiro (Bing Crosby), já se notava a diferença. O fraseado é mais longo, as notas são mais prolongadas devido a uma respiração sincopada aprendida com Tommy Dorsey e o seu trombone. Sinatra, o eterno perfeccionista, nadava horas debaixo de água para fortalecer a caixa toráxica. O truque do canto da boca aberto, que recebeu de Dorsey, não é aqui completamente visivel, mas iria ajudá-lo nas sua fase mais gloriosa, quando se reinventou a si próprio e de caminho toda a música popular.
Francis Albert Sinatra (12/12/1915 - 14/05/1998)
Lembro-me dessa manhã, desse dia. Há nove anos, exactamente há nove anos, fui acordado docemente, com a ternura cuidadosa e a cor de voz que se arranja quando há más notícias para dar. E havia: «Tenho uma coisa para te dizer. Não é boa. Morreu o Mestre». O Mestre era Francis Albert Sinatra, por mim alcunhado com veneração e algum desplante.
Lembro-me dos cabeçalhos dos jornais: «Sinatra traído pelo coração». Errado, tão errado: Sinatra nunca foi traído pelo coração.Dependia dele, para o bem e para o mal, para as guerras e para os armísticios, para as medalhas e para as cicatrizes. O coração nunca traiu Sinatra porque este «coração» e «Sinatra» são exactamente a mesma coisa.
Devo muito da minha vida - do modo possível que se deve a um artista, a alguém que não conhecemos - a Frank Sinatra. Acompanhou-me nos piores e melhores momentos, fiz dele uma espécie de teologia substituta. Quando fui vê-lo ao Porto, já um cantor trôpego, cansado e confuso, senti-me como um dos Três Pastorinhos. Estava a ver a minha vida, ali em cima dum palco. Queria gritar:«Lembras-te disso, também? Quando estivemos juntos na minha casa, às tantas da manhã, whiskey e o refrão de Guess I'll hang my tears out to dry...Lembras-te disso, Mestre?». Mas o Mestre apenas cantava, apenas fazia o que tinha de fazer, o que sabia e se notava apesar dos seus 80 anos nessa altura.
Durante a minha vida, escrevi muito e espero continuar a escrever sobre Sinatra.Sei muito, perdoai-me a arrogância. E vivi o suficiente para ser amigo deste homem, protector dos perdedores e gangster sentimental, excesso e cobardia, glória e tragédia.
Hoje este blogue é de Sinatra.
O primeiro "disco do ano" do ano.

E muito sério candidato a único. Avassalador.
Aprender, aprender
«Coisa é já descrita uma Dama perfeita, mas até agora nunca vista.Excepção daquela Idea se viu em vós tão grande, que nem de bosquejos vossos poderiam servir aquelas inspirações divinas. Excede-se a Natureza por mero acaso em os requintes; em vós, porém, excedeu-se de pensado. As soberanias de que sois dona parece que vo-las não deram, senão que as preferistes.»

Arte de Galantaria, D.Francisco de Portugal
Conselhos de sempre para os sms de hoje
«Duvide de si na resposta dos motes, se é de letra sua, pois nunca um escrito saiu de qualquer mão que se não tornasse em fruto vivo»

Arte de Galantaria, D.Francisco de Portugal (1670)

domingo, maio 13, 2007

Menos virtual do que se pensa
Vou ao meu myspace e vejo que o Schopenhauer está online.
«Nothing's gonna change my world»Rufus Wainwright Across The Universe

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Across the universe, por Moby, Sean Lennon e Rufus Wainwright. Pronto, Rufus Wainwright só.

sábado, maio 12, 2007

Meus amigos, duas palavras: Ana Moura.

Fado. Fado puro, fado vida, o mistério do indizivel, do que fica agarrado a nós sem licença nem remédio. A melhor fadista - por oposição a cantoras de fado - tem disco novo a partir de 14 de Maio. Chama-se Para Além da Saudade, e é ideal para quem acha que não gosta de fado. E há também um concerto.Pormenores aqui.


(não vou esconder que sou parte interessada:escrevi uma das letras que constam no disco. Mas a paixão por esta menina e a sua voz e a vontade de a partilhar - isso é totalmente desinteressado. Só urgente.)

sexta-feira, maio 11, 2007

This is a video statement

O Valencia, The Decemberists
As canções, essas coisas tão frágeis...
E tão boas quando são bem destruídas. Com justiça de preferência. Eis uma versão demolidora de um êxito de pista que põe KO aquela criatura reles que se chama a si própria de Fergie e ainda se ri sobre a campa dela.


(E o mais bizarro é que ainda consegue dar uns ares dignos à cançoneta. Obrigado,Kat)
«Your life will surely change»
O dia começa, o dia acaba. Pelo meio, coube uma vida ou duas, e a inenarrável sensação que regressa de que agora é que é: este é o dia em que a tua vida irá mudar.

quinta-feira, maio 10, 2007

E há isto, tão bom...
Entretanto, de regresso a 2007...
Uma das poucas pessoas que me faz ter vontade de o ver em concerto. Going To A Town é só um exemplo do tesouro que é Release The Stars, o novo disco do melhor cantor e escritor de canções que conheço nesta altura: Rufus Wainwright.
«Wouldn't it be nice if we were older, than we wouldn't have to wait so long»

Mais dois minutos e pouco de perfeição.

quarta-feira, maio 09, 2007

PAREM AS MÁQUINAS! Serviço público absoluto:sigam os links aqui e vejam na íntegra o extraordinário duelo de gigantes feito para o Channel 4: Ricky Gervais meets Larry David. It doesn't get better than this.
Mambo Italiano Este pode ser o mundo de Sinatra e nós apenas vivemos nele. Mas o talento displicente deste homem, a voz que não se leva a sério enquanto namorisca a menina da fila da frente - isso é um estilo que ninguém conseguirá replicar por mais que se viva.
Muito bem Tiago, aposta aceite.Se bem que não muito confiante nem sequer com muita vontade. Alegrias como a que me deram há dois anos atrás só acontecem de cinco em cinco anos.

terça-feira, maio 08, 2007

Gente com demasiado tempo nas mãos

«Ora deixa cá ver o que é que me apetece tocar...Olha, pode ser o MacGyver.». Maravilhoso.
E depois de uma das mais maçadoras finais de snooker de todos os tempos (magnificamente comentadas em directo aí uns posts abaixo, procurai, por favor), falemos de campeões a sério. Até porque Roland Garros está já aí.


*com as devidas desculpas pela musiquinha trólaró, mas não posso fazer nada.

segunda-feira, maio 07, 2007

E viva Espanha!

Nem bons ventos nem bons casamentos? Talvez. Mas boas bandas: The Sunday Drivers,On My Mind.


(roubado com outras coisas invisíveis à querida Kat)
Oh meus amigos: é a espumar de raiva que vos escrevo. Terminou há pouco a terceira sessão do campeonato do mundo de snooker («e como é que um cidadão honesto pode dar-se ao luxo de ver essas coisas a meio da tarde?», pergunta o leitor. Não chateies, leitor), e o Selby cilindrou muito bem o Higgins.
A palavra-chave da sessão foi 'aprendizagem'. De um 12-4, Selby passou para um 12-10, ganhando todos os jogos.. Higgins teve menos tempo de mesa do que um noivo durante o copo-d'água. Por mais que Selby seja irritante, aprendeu a defender. O resto já o sabia, com números altíssimos de pot-sucess. O problema de Higgins é a cabecinha, completada com aquela cara de menino a quem roubaram o almoço. Em conversa com uma amiga minha, que gosta e percebe de snooker, ela dizia-me que lhe apetecia dar apertões nas bochechas de Higgins. Ora eis a primeira razão por que o homem deve perder. Isto é um jogo para crescidos. Claro que estamos a falar de jogos a alto nível, com níveis de pressão altíssimos. Mas por isso mesmo: Selby é neófito nestas coisas das finais, e é o que se vê. Se Higgins não deixar o amuo, prevê-se uma tareia histórica, eu com menos algumas libras e este blogue a falecer. E o melhor é que é muito bem feito. Valha-nos São Hendry.
Há pouco tempo, alguém me lembrou da palavra 'whirlpool' e deixou-me a pensar. E eu, mesmo nada por acaso, lembrei-me disto:

Oh Nessa my dear, Nessa my dear,
Will you stay with me on the rocks ?
Will you come for me into the Irish sea
And for me let your red hair down ?
And then we will ride into Dublin city
In a taxi-cab wrapped-up in dust.
Oh you are a whirlpool, you are a whirlpool,
And I am very nearly drowned.

Paul Durcan, Nessa (excerto)
«It's just love, how hard can it be?»

Uma cançãozinha bonita e simples, de Sofia Talvik em dueto com Bernard Sumner (Joy Division e ex-New Order, ao que parece). A mensagem «o amor vence tudo» não é muito ao estilo desta casa, mas é bonito à mesma.

domingo, maio 06, 2007

Muito bem, meu amigo: two can play that game.
Se Higgins não ganha o campeonato do mundo, este blogue acaba ali.


*só porque o Sullivan perdeu gloriosamente. Mas o Selby, nunca. Nunca, I tell you.
«The past is a different country. They do things differently there»
E hoje eu soube, emigrante de mim mesmo.
Perguntaram-me a minha opinião sobre as eleições francesas

Pronto. Tem dias. Poucos.
Perguntaram-me se era francófobo
Nããão. Tem gente. Poucos.

sábado, maio 05, 2007

sexta-feira, maio 04, 2007

O MELHOR POST DO ANO da blogosfera nacional é escrito quase todo em inglês não-técnico. E o pior é que daqui a umas horas, ainda aparece outro melhor, da mesma proveniência Não acreditem neste encómio, leitores: a inveja é uma coisa muito feia.
Não sei se já aqui referi que estes rapazes formam a melhor banda deste momento?

Phantom Limb, The Shins

quinta-feira, maio 03, 2007

A ver se esta casa anima.

Bonde do Role, Solta o Frango. Olha, animou.



*e vão estar por Lisboa para a semana. Ui.
Ícaro,
com a diferença de saber que o sol me irá queimar.
This is a video letter.

Returned to sender.