Isto parece-me extraordinário.
Como é que dizia o anúncio? Ah sim, direito à indiferença. Pelos vistos ninguém tem lido muito o prefácio de Wilde ao seu Retrato de Dorian Gray. Ou numa hipótese mais remota mas reconfortante, talvez seja pela empresa ser francesa.
sexta-feira, junho 22, 2007
O conforto de ter razão, pelo menos de vez em quando
Adoro que me confirmem as minhas precárias idossincrassias e verdades absolutas do T2 aqui da rua. Por exemplo, como é possível sinceramente admirar o talento artístico de um sujeito e desprezá-lo profundamente pela sua óbvia falta de educação (e fiquem sentados, ó moralistas de esquerda, que «educação» não tem a ver com berço - tem a ver com serviços mínimos relacionais com outros seres humanos).
Se repararem na epígrafe deste blogue, depressa percebereis como correu a minha noite.
Adoro que me confirmem as minhas precárias idossincrassias e verdades absolutas do T2 aqui da rua. Por exemplo, como é possível sinceramente admirar o talento artístico de um sujeito e desprezá-lo profundamente pela sua óbvia falta de educação (e fiquem sentados, ó moralistas de esquerda, que «educação» não tem a ver com berço - tem a ver com serviços mínimos relacionais com outros seres humanos).
Se repararem na epígrafe deste blogue, depressa percebereis como correu a minha noite.
quinta-feira, junho 21, 2007
terça-feira, junho 19, 2007

«You shook hands with Sinatra.There's a code when you shake hands with Sinatra»
É certo que Ocean's 13 não é um grande filme: é aquilo que a rapaziada queria que fosse, uma fita de amigos que mimetiza, dentro e fora do ecrã, a relação dos membros do Rat Pack e sobretudo a arte perdida de viver em Las Vegas. Só que, na verdade, Ocean's 13 consegue ser o melhor da trilogia, tanto pelo argumento como pela fluidez e absoluta imersão de Steven Soderbergh no género heist movie e nas citações estéticas do cinema americano dos anos 60.
Para além dos suspeitos do costume já representarem por empatia (conseguindo reproduzir o efeito Sinatra: «'one take only', que ainda não me deitei»), o filme conta com um excelente Al Pacino e sobretudo com magníficas power lines, quase todas para a sua personagem (que desde Scarface está mais do que habituado às power lines).
A minha preferida, no entanto, é a que serve de título deste post. É dita pela personagem de Elliott Gould ao vilão Pacino, quando este o trai. Neste código de honra de Las Vegas (apertaste a mão a Sinatra, não podes trair um amigo) está incluída toda uma nostalgia de um tempo perdido (o do original Ocean's Eleven, quando Las Vegas era o centro do mundo) e uma reverência a quem mandava nesse mundo: o Chairman Of The Board.
Mas Pacino tem direito a duas grandes frases também: «I move, I move quick and when I do I slice like a hammer» e o fabuloso Don't make a maniac out of me». O mais engraçado é que os argumentistas foram buscar estas frases a um famoso personagem de Las Vegas, que realmente as disse. É famosa a diatribe do cantor Paul Anka (criador de My Way) contra os seus músicos no fim de um concerto que correu mal. E é nesse contexto que as frases foram ditas. Podem ouvir a raiva de Paul Anka na íntegra aqui.
Viva Las Vegas!
segunda-feira, junho 18, 2007
domingo, junho 17, 2007
Por vezes compensa uma pessoa passar por witty uma vez na vida.
A verdade é que o prazer foi todo meu.
A verdade é que o prazer foi todo meu.
sexta-feira, junho 15, 2007
As coisas não precisam ser ditas
Por vezes penso que o único ditador de jeito seria Wittgenstein. Pronto, talvez não ditador (pelo que se sabe o mau feitio transformado em Estado não é fácil; e o bom então é insuportável), mas pelo menos ideólogo. O verdadeiro tirano, a que obedeceria sem pestanejar, seria Beckett.
O único respeitado, o pioneiro. Uma espécie de Cortez da linguagem, sem os massacres ou rios de sangue. Só o exemplo, só a certeza de que a linguagem só vale alguma coisa por ser a única maneira. E mesmo assim: bem a tentamos depurar, que nada. Bem a tentamos evitar que está quieto.
Ainda há pouco reparei num rosto, num olhar: o que me resta disso que poderei dizer? As palavras, num mundo ideal, serviriam apenas para apontar aquilo que não conseguimos dizer. O invisivel, o indizivel. Não é por acaso que existem poetas, ou escritores com quem nos identificamos. Será pelo que escrevem? Nunca: é sempre pelo que deixam de escrever.
Estou a pensar em hoje e agora: eu, que faço do que estais a ler o meu ganha-pão, não consegui nem nunca conseguirei dizer o que me estava na alma. E o drama é que nada mais basta: haja outros meios de expressão, que esbarrarremos sempre com o Ceci N’est Pas une Pipe. E não chega, não serve, mesmo para quem passeia por este teclado, por quem assobia pelas florestas de palavras alheias, por quem admira canções, por quem sempre procura nos outros aquilo que tragicamente os outros não foram capazes de dizer melhor do que aquilo que disseram.
Variações emocionais para Oscar Wilde, ainda a tempo de serem rectificadas: todas as palavras são inúteis.
É o que fica por dizer, mais nada.
Por vezes penso que o único ditador de jeito seria Wittgenstein. Pronto, talvez não ditador (pelo que se sabe o mau feitio transformado em Estado não é fácil; e o bom então é insuportável), mas pelo menos ideólogo. O verdadeiro tirano, a que obedeceria sem pestanejar, seria Beckett.
O único respeitado, o pioneiro. Uma espécie de Cortez da linguagem, sem os massacres ou rios de sangue. Só o exemplo, só a certeza de que a linguagem só vale alguma coisa por ser a única maneira. E mesmo assim: bem a tentamos depurar, que nada. Bem a tentamos evitar que está quieto.
Ainda há pouco reparei num rosto, num olhar: o que me resta disso que poderei dizer? As palavras, num mundo ideal, serviriam apenas para apontar aquilo que não conseguimos dizer. O invisivel, o indizivel. Não é por acaso que existem poetas, ou escritores com quem nos identificamos. Será pelo que escrevem? Nunca: é sempre pelo que deixam de escrever.
Estou a pensar em hoje e agora: eu, que faço do que estais a ler o meu ganha-pão, não consegui nem nunca conseguirei dizer o que me estava na alma. E o drama é que nada mais basta: haja outros meios de expressão, que esbarrarremos sempre com o Ceci N’est Pas une Pipe. E não chega, não serve, mesmo para quem passeia por este teclado, por quem assobia pelas florestas de palavras alheias, por quem admira canções, por quem sempre procura nos outros aquilo que tragicamente os outros não foram capazes de dizer melhor do que aquilo que disseram.
Variações emocionais para Oscar Wilde, ainda a tempo de serem rectificadas: todas as palavras são inúteis.
É o que fica por dizer, mais nada.
quarta-feira, junho 13, 2007
domingo, junho 10, 2007
O professor Lamechas recomenda
Esta excelente canção dos The Dears:22: The Death Of All Romance. A canção, para além de boa, é servida por um vídeo cujo grau de lamechice é quase inumano. A evitar por quem tem corações em vias de serem partidos.
[nota de majorscobie] Até que enfim que este cromo acerta nalguma coisa.A canção é mesmo excelente, quase gainsbourguiana e ...
Faça favor de se ir embora.
Esta excelente canção dos The Dears:22: The Death Of All Romance. A canção, para além de boa, é servida por um vídeo cujo grau de lamechice é quase inumano. A evitar por quem tem corações em vias de serem partidos.
[nota de majorscobie] Até que enfim que este cromo acerta nalguma coisa.A canção é mesmo excelente, quase gainsbourguiana e ...
Faça favor de se ir embora.
O poder das efemérides: 10 de Junho, pela primeira vez a ganhar todo o sentido.
Tanto de meu estado me acho incerto,
Tanto de meu estado me acho incerto,
Que, em vivo ardor, tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio,
O mundo todo abarco, e nada aperto.
É tudo quanto sinto um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio;
Agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao Céu voando;
Num'hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar um'hora.
Se me pergunta alguém, porque assi ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.
Luís Vaz de Camões, com dedicatória óbvia e um estranho mas sentido agradecimento a Maya, a taróloga.
Tanto de meu estado me acho incerto,
Tanto de meu estado me acho incerto,
Que, em vivo ardor, tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio,
O mundo todo abarco, e nada aperto.
É tudo quanto sinto um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio;
Agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao Céu voando;
Num'hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar um'hora.
Se me pergunta alguém, porque assi ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.
Luís Vaz de Camões, com dedicatória óbvia e um estranho mas sentido agradecimento a Maya, a taróloga.
sábado, junho 09, 2007
O Professor Lamechas dirá agora algumas palavras.
Obrigado. É tempo de alguém pôr ordem nesta casa e, sobretudo, desmistificar o demiurgo de pacotilha que por aqui se arrasta sob o triste nick name de "major scobie". Pelo amor de Deus: esquecei o céptico, o falso apaixonado, o tipo que tem a mania que sabe de bola. É a minha hora. Graças a um extraordinário hacking (que consistiu em pagar uma imperial ao pobre proprietário deste blogue), o Prof. Lamechas tem a partir de agora o seu espaço. Tudo o que o desgraçado escriba tenta evitar, com as tiradas filosóficas sobre o ennui, são enfim desmascaradas. Habituai-vos pois, à presença de Lamechas (do francês La Méche, com castelo no Loire). E percebei a verdade, como Luz que cega o infeliz do «major». Para começar, isto:
Ah pois é. Uma canção a sério, com um vocalista cujas partes privadas não foram seriamente ameaçadas. E lembranças de um filme visto no cinema Alvalade (hoje arruinado), cujo nome era provavelmente «Melody». Havia uma rapariga loira. O desgraçado tarado deste blogue deve saber.
Obrigado. É tempo de alguém pôr ordem nesta casa e, sobretudo, desmistificar o demiurgo de pacotilha que por aqui se arrasta sob o triste nick name de "major scobie". Pelo amor de Deus: esquecei o céptico, o falso apaixonado, o tipo que tem a mania que sabe de bola. É a minha hora. Graças a um extraordinário hacking (que consistiu em pagar uma imperial ao pobre proprietário deste blogue), o Prof. Lamechas tem a partir de agora o seu espaço. Tudo o que o desgraçado escriba tenta evitar, com as tiradas filosóficas sobre o ennui, são enfim desmascaradas. Habituai-vos pois, à presença de Lamechas (do francês La Méche, com castelo no Loire). E percebei a verdade, como Luz que cega o infeliz do «major». Para começar, isto:
Ah pois é. Uma canção a sério, com um vocalista cujas partes privadas não foram seriamente ameaçadas. E lembranças de um filme visto no cinema Alvalade (hoje arruinado), cujo nome era provavelmente «Melody». Havia uma rapariga loira. O desgraçado tarado deste blogue deve saber.
quinta-feira, junho 07, 2007
«Atenção: o conteúdo desta garrafa de vinho pode fazer com que fique bêbedo»
O que o mundo precisa: mais avisos óbvios de coisas que toda a gente está a par. Ou como o Reino Unido se prepara para bater recordes de burocracias da saúde inúteis. Boris Johnson no seu melhor, aqui.
O que o mundo precisa: mais avisos óbvios de coisas que toda a gente está a par. Ou como o Reino Unido se prepara para bater recordes de burocracias da saúde inúteis. Boris Johnson no seu melhor, aqui.
quarta-feira, junho 06, 2007
terça-feira, junho 05, 2007
Reality show
Até onde pode ir um blogue? Ou será que isso não interessa nada ? Um caso para pensar, aqui descrito.
Até onde pode ir um blogue? Ou será que isso não interessa nada ? Um caso para pensar, aqui descrito.
segunda-feira, junho 04, 2007
sexta-feira, junho 01, 2007
quinta-feira, maio 31, 2007
Francamente, não percebo esta excitação com o Nani, o Anderson e 55 milhões de euros: para mim esta é a única notícia interessante

O central Orlando, ex-Freamunde, assinou hoje contrato com a Académica.
O atleta que também já actuou no Fafe e Moreirense, vai agora defender as cores da Briosa. Uma missão que afirmou ser “um orgulho. É um orgulho para qualquer atleta representar uma instituição como Académica, que tem um historial que fala por si.” Por isso mesmo garante: “vou fazer tudo para ajudar a equipa a atingir os objectivos”. (da página oficial da grande Briosa)
Ser da Académica: um clube com o sentido das proporções, caramba.
( e se fossem espertos aproveitavam o balanço e varriam-me aquela defesa toda. O melhor já levou o Porto)

O central Orlando, ex-Freamunde, assinou hoje contrato com a Académica.
O atleta que também já actuou no Fafe e Moreirense, vai agora defender as cores da Briosa. Uma missão que afirmou ser “um orgulho. É um orgulho para qualquer atleta representar uma instituição como Académica, que tem um historial que fala por si.” Por isso mesmo garante: “vou fazer tudo para ajudar a equipa a atingir os objectivos”. (da página oficial da grande Briosa)
Ser da Académica: um clube com o sentido das proporções, caramba.
( e se fossem espertos aproveitavam o balanço e varriam-me aquela defesa toda. O melhor já levou o Porto)
quarta-feira, maio 30, 2007
terça-feira, maio 29, 2007
segunda-feira, maio 28, 2007
I Will Follow You Into The Dark
Ben Gibbard, alma dos excelentes Death Cab For Cutie, partilha com Irving Berlin um estranho e maravilhoso dom: o da ilusão da simplicidade, aplicado à canção. Com forma e conteúdo quase elementares, Gibbard transmite sem problemas as emoções e histórias que pretende. Para um fanático das letras, como eu, isso ainda se torna mais evidente. Tal como Berlin - por oposição a um cosmopolitimo de Cole Porter ou uma erudição de Lorenz Hart -, Gibbard não embarca em grandes figuras de estilo e usa um tom coloquial que resulta no mais glorioso dos logros: fazer com que quem oiça diga: «Eu podia ter escrito aquilo»; ou, melhor ainda, «Foi mesmo assim que aconteceu».
Mas é falso. Cada palavra é escolhida a dedo, encaixa perfeitamente na melodia, as rimas são imprevisiveis e espirituosas, e oferecem às frases uma música própria que parece não ter lugar em mais nenhum lado. Esta canção, I Will Follow You Into The Dark, é um brilhante exemplo da arte de Gibbard. E começa com os versos mais improváveis para uma canção de amor: «Love of mine, /someday you will die».
Ben Gibbard, alma dos excelentes Death Cab For Cutie, partilha com Irving Berlin um estranho e maravilhoso dom: o da ilusão da simplicidade, aplicado à canção. Com forma e conteúdo quase elementares, Gibbard transmite sem problemas as emoções e histórias que pretende. Para um fanático das letras, como eu, isso ainda se torna mais evidente. Tal como Berlin - por oposição a um cosmopolitimo de Cole Porter ou uma erudição de Lorenz Hart -, Gibbard não embarca em grandes figuras de estilo e usa um tom coloquial que resulta no mais glorioso dos logros: fazer com que quem oiça diga: «Eu podia ter escrito aquilo»; ou, melhor ainda, «Foi mesmo assim que aconteceu».
Mas é falso. Cada palavra é escolhida a dedo, encaixa perfeitamente na melodia, as rimas são imprevisiveis e espirituosas, e oferecem às frases uma música própria que parece não ter lugar em mais nenhum lado. Esta canção, I Will Follow You Into The Dark, é um brilhante exemplo da arte de Gibbard. E começa com os versos mais improváveis para uma canção de amor: «Love of mine, /someday you will die».
domingo, maio 27, 2007
Sinatras de caixote do lixo.
Pertencer à comunidade myspace tem vantagens destas: uma pessoa dá de caras com músicas e bandas que já tinha esquecido e que teimosamente continuam em actividade (como nós). O último feliz reencontro foi com esta banda de Glasgow, os Trashcan Sinatras: pop melódico, canções clássicas e sem medo do melodrama, uma espécie de Douglas Sirk para a música popular. Beleza não é para ter medo. Um excelente exemplo disso, este All The Dark Horses.
Pertencer à comunidade myspace tem vantagens destas: uma pessoa dá de caras com músicas e bandas que já tinha esquecido e que teimosamente continuam em actividade (como nós). O último feliz reencontro foi com esta banda de Glasgow, os Trashcan Sinatras: pop melódico, canções clássicas e sem medo do melodrama, uma espécie de Douglas Sirk para a música popular. Beleza não é para ter medo. Um excelente exemplo disso, este All The Dark Horses.
Amigos, maiores que o pensamento.

Resolveu a atenta Carla outorgar a este estabelecimento o galardão de «blogger pensando», ou «blogger que faz pensar». Eu agradeço, e devo dizer, sem falsas modéstias, que este blogue faz mesmo o leitor pensar. O leitor pensa: « Mas o que é que eu estou aqui a fazer?». Daí o prémio.
Agora: o que fazer com esta distinção? Eu sei quais os blogues que me fazem «pensar», mas já têm as prateleiras cheias de troféus destes (como este lugar, ou este, por exemplo). Por isso, vou passá-lo a outros de que gosto muito, esperando não ir atafulhar a casa.
Sem ordem nenhuma, a não ser a que me vem à cabeça:
- A Sexta Coluna
- Complexidade e Contradição
- SushiLeblon
- A Causa Foi Modificada
- Terapia Metatísica
Agora desenrasquem-se, se quiserem. De nada.

Resolveu a atenta Carla outorgar a este estabelecimento o galardão de «blogger pensando», ou «blogger que faz pensar». Eu agradeço, e devo dizer, sem falsas modéstias, que este blogue faz mesmo o leitor pensar. O leitor pensa: « Mas o que é que eu estou aqui a fazer?». Daí o prémio.
Agora: o que fazer com esta distinção? Eu sei quais os blogues que me fazem «pensar», mas já têm as prateleiras cheias de troféus destes (como este lugar, ou este, por exemplo). Por isso, vou passá-lo a outros de que gosto muito, esperando não ir atafulhar a casa.
Sem ordem nenhuma, a não ser a que me vem à cabeça:
- A Sexta Coluna
- Complexidade e Contradição
- SushiLeblon
- A Causa Foi Modificada
- Terapia Metatísica
Agora desenrasquem-se, se quiserem. De nada.
sexta-feira, maio 25, 2007
«I hope I die before I get old»
Mick Jagger e Companhia devem estar devastados: é que existe uma banda mais velha do que os Rolling Stones. Chamam-se The Zimmers e fazem rock n' roll há muito, muito tempo. O vocalista Alf tem 90 anos; e há gente na banda quase centenária. A BBC produziu um documentário sobre estes extraordinários cavalheiros e é daí que chega esta espantosa (não estou a brincar) versão de My Generation, dos The Who. Irresistível, tal como o artigo que lhes dedica uma das melhores revistas do mundo: The Oldie (mas um dia falarei dela). For your viewing pleasure, The Zimmers (e favor ver até ao fim)
Mick Jagger e Companhia devem estar devastados: é que existe uma banda mais velha do que os Rolling Stones. Chamam-se The Zimmers e fazem rock n' roll há muito, muito tempo. O vocalista Alf tem 90 anos; e há gente na banda quase centenária. A BBC produziu um documentário sobre estes extraordinários cavalheiros e é daí que chega esta espantosa (não estou a brincar) versão de My Generation, dos The Who. Irresistível, tal como o artigo que lhes dedica uma das melhores revistas do mundo: The Oldie (mas um dia falarei dela). For your viewing pleasure, The Zimmers (e favor ver até ao fim)
quinta-feira, maio 24, 2007
quarta-feira, maio 23, 2007
Finalmente em Portugal, jornalismo de investigação.
Senão, veja-se esta "notícia": uuuuuuuuhhhh, medo. Oh tristes camaradas de profissão: get a bloody life, you wankers.
Senão, veja-se esta "notícia": uuuuuuuuhhhh, medo. Oh tristes camaradas de profissão: get a bloody life, you wankers.
Isto ainda não é trigo limpo, meus amigos. Há blogues que vão rolar hoje. (e pints a serem pagas)
«Milan feel they possess more stars, class acts like Kaka, Andrea Pirlo, Clarence Seedorf, and the flying full-back Massimo Oddo, but Benitez's ability to inspire such indefatigable passion in his troops make Liverpool so formidable. Gerrard and Pennant will do anything for the manager who offers them a date with destiny.»
(aqui)
«Milan feel they possess more stars, class acts like Kaka, Andrea Pirlo, Clarence Seedorf, and the flying full-back Massimo Oddo, but Benitez's ability to inspire such indefatigable passion in his troops make Liverpool so formidable. Gerrard and Pennant will do anything for the manager who offers them a date with destiny.»
(aqui)
Crónica de amores perdidos
Houve tempos em que achei que Harriet Wheeler - a menina que cantava nos The Sundays - era o auge do que poderia encontrar numa mulher: sarcasmo gentil e certeiro, erudição, britishness, beleza e um gosto pelo visual campestre Laura Ashley que me fascinava. Que se danassem as guitarras à Johnny Marr: isto era coisa boa, como o excelente Reading, Writing And Arithmetic provava. Soube todas as canções de cor, sobretudo esta: Here's where the story ends, com o seus versos maravilhosamente malignos «It's that little souvenir/of a terrible year/ which makes my eyes feel sore/and who ever would've thought the books that you brought/were all I loved you for»...
Com o passar do tempo, o que Wheeler professava nas suas maravilhosas letras tornou-se verdade. E como um amor que desaparece num lentíssimo fade-out, também os Sundays saíram da minha vida. O resto, infelizmente, não.
The Sundays - Heres Where The Story Ends
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Houve tempos em que achei que Harriet Wheeler - a menina que cantava nos The Sundays - era o auge do que poderia encontrar numa mulher: sarcasmo gentil e certeiro, erudição, britishness, beleza e um gosto pelo visual campestre Laura Ashley que me fascinava. Que se danassem as guitarras à Johnny Marr: isto era coisa boa, como o excelente Reading, Writing And Arithmetic provava. Soube todas as canções de cor, sobretudo esta: Here's where the story ends, com o seus versos maravilhosamente malignos «It's that little souvenir/of a terrible year/ which makes my eyes feel sore/and who ever would've thought the books that you brought/were all I loved you for»...
Com o passar do tempo, o que Wheeler professava nas suas maravilhosas letras tornou-se verdade. E como um amor que desaparece num lentíssimo fade-out, também os Sundays saíram da minha vida. O resto, infelizmente, não.
The Sundays - Heres Where The Story Ends
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terça-feira, maio 22, 2007
O carrinho perfeito para quem gosta de gatinhos...
...como eu gosto.
[amantes dos felinos, abstenham-se de ver o anúncio.Eu avisei]
(série iniciada aqui)
...como eu gosto.
[amantes dos felinos, abstenham-se de ver o anúncio.Eu avisei]
(série iniciada aqui)
segunda-feira, maio 21, 2007
Entretanto, na Câmara Municipal de Lisboa...

O justiceiro solitário não está tão solitário assim.
(e ainda discorreu sobre a necessidade de «moralizar» a política de contratação de assessores. I say fuck him.)

O justiceiro solitário não está tão solitário assim.
(e ainda discorreu sobre a necessidade de «moralizar» a política de contratação de assessores. I say fuck him.)
sábado, maio 19, 2007
(é Benny Goodman, um antigo king of swing, que explica toda a liberdade e destruição criativa que é o jazz, a partir de How High The Moon para Ornithology, de Parker (definitivamente mais que três acordes, mas sem abandonar nunca o tom e a estrutura harmónica de onde veio). Tal como a vida, é preciso começar de qualquer coisa simples para só a complicar mais. No caminho aparece outra coisa, sem abandonar as origens. Mas digamos que não penso muito nisto quando oiço estas coisas).
sexta-feira, maio 18, 2007
«I guess the dreams always end/they don't rise up, just descend»

Ian Curtis (15/07/1956 - 18/05/1980)
Para notícias sobre o filme Control, que abriu o Festival de Cannes, ler aqui.

Ian Curtis (15/07/1956 - 18/05/1980)
Para notícias sobre o filme Control, que abriu o Festival de Cannes, ler aqui.
quinta-feira, maio 17, 2007
terça-feira, maio 15, 2007
Um intervalo para publicidade, 1
A resposta WASP e old money aos vídeos gangsta de LA: os Prep-Unit, num maravilhoso Tea Partay, anúncio para Smirnoff Raw Tea. A vossa atenção para a letra fantástica (nem queria falar das meninas, mas tenho) e o conceito brilhante de criatividade que está por trás de tudo.
«We sail yachts and we ride on horses/Every meal we eat comes in multiple courses». MV, Martha's Vineyard!
(com um grande abraço, pá)
A resposta WASP e old money aos vídeos gangsta de LA: os Prep-Unit, num maravilhoso Tea Partay, anúncio para Smirnoff Raw Tea. A vossa atenção para a letra fantástica (nem queria falar das meninas, mas tenho) e o conceito brilhante de criatividade que está por trás de tudo.
«We sail yachts and we ride on horses/Every meal we eat comes in multiple courses». MV, Martha's Vineyard!
(com um grande abraço, pá)
segunda-feira, maio 14, 2007
Sinatra (1915-1998), 4
Gosto muito deste vídeo. Mostra o Mestre em plena posse dos seus geniais dotes de intérprete, feliz e com os amigos a sabotarem-no alegremente (é Dean que grita:«Keep singin' 'till you get it right baby!»). Era o tempo do Chairman Of The Board, da vida desregrada, buddies only, em que Sinatra era o Rei do Mundo. A partir de Las Vegas fazia o que queria. E cantava, oh meu Deus como cantava. Aqui, em You Make Me Feel So Young, é o estilo nice n'easy no seu esplendor, inventado a meias com Nelson Riddle. O swing arrastado, às vezes à frente outras vezes atrás do compasso; as palavras escolhidas instintivamente,alterando os versos, colocando gíria, prolongando as sílabas para que tudo faça mais sentido e fique seu. Porque é isso: Sinatra trata as canções como as mulheres - corteja-as, rodeia-as de flores e manias e finalmente conquista-as em definitivo. Nas baladas era outra coisa, era a vida. O estilo aprendido com Mildred Bailey e Billie Holiday tornou Sinatra o maior actor de canções de todos os tempos, cada verso um script que ele desempenhava na perfeição. E sempre falou só de nós, só de nós.
Gosto muito deste vídeo. Mostra o Mestre em plena posse dos seus geniais dotes de intérprete, feliz e com os amigos a sabotarem-no alegremente (é Dean que grita:«Keep singin' 'till you get it right baby!»). Era o tempo do Chairman Of The Board, da vida desregrada, buddies only, em que Sinatra era o Rei do Mundo. A partir de Las Vegas fazia o que queria. E cantava, oh meu Deus como cantava. Aqui, em You Make Me Feel So Young, é o estilo nice n'easy no seu esplendor, inventado a meias com Nelson Riddle. O swing arrastado, às vezes à frente outras vezes atrás do compasso; as palavras escolhidas instintivamente,alterando os versos, colocando gíria, prolongando as sílabas para que tudo faça mais sentido e fique seu. Porque é isso: Sinatra trata as canções como as mulheres - corteja-as, rodeia-as de flores e manias e finalmente conquista-as em definitivo. Nas baladas era outra coisa, era a vida. O estilo aprendido com Mildred Bailey e Billie Holiday tornou Sinatra o maior actor de canções de todos os tempos, cada verso um script que ele desempenhava na perfeição. E sempre falou só de nós, só de nós.
Sinatra (1915-1998),3

Frank Sinatra e Ava Gardner, Schipol Airport
De Sinatra, tantas mulheres. De todos os lados da vida, amantes, traidoras, vítimas. Sinatra amava as mulheres, mesmo que esse amor durasse uma noite eterna.Mas melhor que amar, respeitava-as, mesmo na sua amoralidade. As senhoras profissionais que todas as noites Sinatra recebia em casa, sobretudo a partir do final da década de 50, eram tratadas principescamente, com um cavalheirismo inusitado. Uma limusine ia buscá-las.Lá dentro, ramos de flores e um agradecimento expresso do cantor. Única condição: que saíssem discretamente, sem o acordar. A limusine estava sempre à disposição.
E depois houve as paixões, os namoros reais, o sexo puro e duro (segundo os relatos de várias mulheres, Sinatra tinha uma performance invejável, sobretudo para quem passava todas as noites a beber). E houve Ava. O «mais belo animal do mundo» foi tudo o que as outras foram numa só. Ava, mais do que mulher, era uma drinking buddie, uma mulher vivida e com força vulcânica, capaz de se entregar e trair com a mesma intensidade. Amaram-se desmesuradamente, porque tinham tudo em comum. E foi essa a razão porque esse amor esteve desde sempre condenado.

Frank Sinatra e Ava Gardner, Schipol Airport
De Sinatra, tantas mulheres. De todos os lados da vida, amantes, traidoras, vítimas. Sinatra amava as mulheres, mesmo que esse amor durasse uma noite eterna.Mas melhor que amar, respeitava-as, mesmo na sua amoralidade. As senhoras profissionais que todas as noites Sinatra recebia em casa, sobretudo a partir do final da década de 50, eram tratadas principescamente, com um cavalheirismo inusitado. Uma limusine ia buscá-las.Lá dentro, ramos de flores e um agradecimento expresso do cantor. Única condição: que saíssem discretamente, sem o acordar. A limusine estava sempre à disposição.
E depois houve as paixões, os namoros reais, o sexo puro e duro (segundo os relatos de várias mulheres, Sinatra tinha uma performance invejável, sobretudo para quem passava todas as noites a beber). E houve Ava. O «mais belo animal do mundo» foi tudo o que as outras foram numa só. Ava, mais do que mulher, era uma drinking buddie, uma mulher vivida e com força vulcânica, capaz de se entregar e trair com a mesma intensidade. Amaram-se desmesuradamente, porque tinham tudo em comum. E foi essa a razão porque esse amor esteve desde sempre condenado.
Sinatra (1912-1998), 2
«So you're Frank Sinatra, the guy who makes women faint when he sings.»
«Well, I guess I am, Mr.Bogart»
«Make me faint.»
(diálogo entre Bogart e Sinatra, quando o cantor foi apresentado ao actor numa noite no 21, em Nova Iorque. Os dois tornar-se-iam grandes amigos até à morte de Humphrey Bogart)
«So you're Frank Sinatra, the guy who makes women faint when he sings.»
«Well, I guess I am, Mr.Bogart»
«Make me faint.»
(diálogo entre Bogart e Sinatra, quando o cantor foi apresentado ao actor numa noite no 21, em Nova Iorque. Os dois tornar-se-iam grandes amigos até à morte de Humphrey Bogart)
Sinatra(1912-1998), 1
Um exemplo do Sinatra que fazia desmaiar as bobbysoxers. Em 1943, Sinatra cantava este Stardust (um grande tema de Hoagy Carmichael) com a voz domesticada e alinhada aos preceitos da época. Ainda era o cantor de big bands, mas apesar da voz ainda reflectir os ensinamentos do seu ídolo primeiro (Bing Crosby), já se notava a diferença. O fraseado é mais longo, as notas são mais prolongadas devido a uma respiração sincopada aprendida com Tommy Dorsey e o seu trombone. Sinatra, o eterno perfeccionista, nadava horas debaixo de água para fortalecer a caixa toráxica. O truque do canto da boca aberto, que recebeu de Dorsey, não é aqui completamente visivel, mas iria ajudá-lo nas sua fase mais gloriosa, quando se reinventou a si próprio e de caminho toda a música popular.
Um exemplo do Sinatra que fazia desmaiar as bobbysoxers. Em 1943, Sinatra cantava este Stardust (um grande tema de Hoagy Carmichael) com a voz domesticada e alinhada aos preceitos da época. Ainda era o cantor de big bands, mas apesar da voz ainda reflectir os ensinamentos do seu ídolo primeiro (Bing Crosby), já se notava a diferença. O fraseado é mais longo, as notas são mais prolongadas devido a uma respiração sincopada aprendida com Tommy Dorsey e o seu trombone. Sinatra, o eterno perfeccionista, nadava horas debaixo de água para fortalecer a caixa toráxica. O truque do canto da boca aberto, que recebeu de Dorsey, não é aqui completamente visivel, mas iria ajudá-lo nas sua fase mais gloriosa, quando se reinventou a si próprio e de caminho toda a música popular.
Francis Albert Sinatra (12/12/1915 - 14/05/1998)
Lembro-me dessa manhã, desse dia. Há nove anos, exactamente há nove anos, fui acordado docemente, com a ternura cuidadosa e a cor de voz que se arranja quando há más notícias para dar. E havia: «Tenho uma coisa para te dizer. Não é boa. Morreu o Mestre». O Mestre era Francis Albert Sinatra, por mim alcunhado com veneração e algum desplante.
Lembro-me dos cabeçalhos dos jornais: «Sinatra traído pelo coração». Errado, tão errado: Sinatra nunca foi traído pelo coração.Dependia dele, para o bem e para o mal, para as guerras e para os armísticios, para as medalhas e para as cicatrizes. O coração nunca traiu Sinatra porque este «coração» e «Sinatra» são exactamente a mesma coisa.
Devo muito da minha vida - do modo possível que se deve a um artista, a alguém que não conhecemos - a Frank Sinatra. Acompanhou-me nos piores e melhores momentos, fiz dele uma espécie de teologia substituta. Quando fui vê-lo ao Porto, já um cantor trôpego, cansado e confuso, senti-me como um dos Três Pastorinhos. Estava a ver a minha vida, ali em cima dum palco. Queria gritar:«Lembras-te disso, também? Quando estivemos juntos na minha casa, às tantas da manhã, whiskey e o refrão de Guess I'll hang my tears out to dry...Lembras-te disso, Mestre?». Mas o Mestre apenas cantava, apenas fazia o que tinha de fazer, o que sabia e se notava apesar dos seus 80 anos nessa altura.
Durante a minha vida, escrevi muito e espero continuar a escrever sobre Sinatra.Sei muito, perdoai-me a arrogância. E vivi o suficiente para ser amigo deste homem, protector dos perdedores e gangster sentimental, excesso e cobardia, glória e tragédia.
Hoje este blogue é de Sinatra.
Lembro-me dessa manhã, desse dia. Há nove anos, exactamente há nove anos, fui acordado docemente, com a ternura cuidadosa e a cor de voz que se arranja quando há más notícias para dar. E havia: «Tenho uma coisa para te dizer. Não é boa. Morreu o Mestre». O Mestre era Francis Albert Sinatra, por mim alcunhado com veneração e algum desplante.
Lembro-me dos cabeçalhos dos jornais: «Sinatra traído pelo coração». Errado, tão errado: Sinatra nunca foi traído pelo coração.Dependia dele, para o bem e para o mal, para as guerras e para os armísticios, para as medalhas e para as cicatrizes. O coração nunca traiu Sinatra porque este «coração» e «Sinatra» são exactamente a mesma coisa.
Devo muito da minha vida - do modo possível que se deve a um artista, a alguém que não conhecemos - a Frank Sinatra. Acompanhou-me nos piores e melhores momentos, fiz dele uma espécie de teologia substituta. Quando fui vê-lo ao Porto, já um cantor trôpego, cansado e confuso, senti-me como um dos Três Pastorinhos. Estava a ver a minha vida, ali em cima dum palco. Queria gritar:«Lembras-te disso, também? Quando estivemos juntos na minha casa, às tantas da manhã, whiskey e o refrão de Guess I'll hang my tears out to dry...Lembras-te disso, Mestre?». Mas o Mestre apenas cantava, apenas fazia o que tinha de fazer, o que sabia e se notava apesar dos seus 80 anos nessa altura.
Durante a minha vida, escrevi muito e espero continuar a escrever sobre Sinatra.Sei muito, perdoai-me a arrogância. E vivi o suficiente para ser amigo deste homem, protector dos perdedores e gangster sentimental, excesso e cobardia, glória e tragédia.
Hoje este blogue é de Sinatra.
Aprender, aprender
«Coisa é já descrita uma Dama perfeita, mas até agora nunca vista.Excepção daquela Idea se viu em vós tão grande, que nem de bosquejos vossos poderiam servir aquelas inspirações divinas. Excede-se a Natureza por mero acaso em os requintes; em vós, porém, excedeu-se de pensado. As soberanias de que sois dona parece que vo-las não deram, senão que as preferistes.»
Arte de Galantaria, D.Francisco de Portugal
«Coisa é já descrita uma Dama perfeita, mas até agora nunca vista.Excepção daquela Idea se viu em vós tão grande, que nem de bosquejos vossos poderiam servir aquelas inspirações divinas. Excede-se a Natureza por mero acaso em os requintes; em vós, porém, excedeu-se de pensado. As soberanias de que sois dona parece que vo-las não deram, senão que as preferistes.»
Arte de Galantaria, D.Francisco de Portugal
domingo, maio 13, 2007
«Nothing's gonna change my world»Rufus Wainwright Across The Universe
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Across the universe, por Moby, Sean Lennon e Rufus Wainwright. Pronto, Rufus Wainwright só.
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sábado, maio 12, 2007
Meus amigos, duas palavras: Ana Moura.
Fado. Fado puro, fado vida, o mistério do indizivel, do que fica agarrado a nós sem licença nem remédio. A melhor fadista - por oposição a cantoras de fado - tem disco novo a partir de 14 de Maio. Chama-se Para Além da Saudade, e é ideal para quem acha que não gosta de fado. E há também um concerto.Pormenores aqui.
(não vou esconder que sou parte interessada:escrevi uma das letras que constam no disco. Mas a paixão por esta menina e a sua voz e a vontade de a partilhar - isso é totalmente desinteressado. Só urgente.)
Fado. Fado puro, fado vida, o mistério do indizivel, do que fica agarrado a nós sem licença nem remédio. A melhor fadista - por oposição a cantoras de fado - tem disco novo a partir de 14 de Maio. Chama-se Para Além da Saudade, e é ideal para quem acha que não gosta de fado. E há também um concerto.Pormenores aqui.
(não vou esconder que sou parte interessada:escrevi uma das letras que constam no disco. Mas a paixão por esta menina e a sua voz e a vontade de a partilhar - isso é totalmente desinteressado. Só urgente.)
sexta-feira, maio 11, 2007
As canções, essas coisas tão frágeis...
E tão boas quando são bem destruídas. Com justiça de preferência. Eis uma versão demolidora de um êxito de pista que põe KO aquela criatura reles que se chama a si própria de Fergie e ainda se ri sobre a campa dela.
(E o mais bizarro é que ainda consegue dar uns ares dignos à cançoneta. Obrigado,Kat)
E tão boas quando são bem destruídas. Com justiça de preferência. Eis uma versão demolidora de um êxito de pista que põe KO aquela criatura reles que se chama a si própria de Fergie e ainda se ri sobre a campa dela.
(E o mais bizarro é que ainda consegue dar uns ares dignos à cançoneta. Obrigado,Kat)
quinta-feira, maio 10, 2007
quarta-feira, maio 09, 2007
PAREM AS MÁQUINAS! Serviço público absoluto:sigam os links aqui e vejam na íntegra o extraordinário duelo de gigantes feito para o Channel 4: Ricky Gervais meets Larry David. It doesn't get better than this.
Muito bem Tiago, aposta aceite.Se bem que não muito confiante nem sequer com muita vontade. Alegrias como a que me deram há dois anos atrás só acontecem de cinco em cinco anos.
terça-feira, maio 08, 2007
segunda-feira, maio 07, 2007
E viva Espanha!
Nem bons ventos nem bons casamentos? Talvez. Mas boas bandas: The Sunday Drivers,On My Mind.
(roubado com outras coisas invisíveis à querida Kat)
Nem bons ventos nem bons casamentos? Talvez. Mas boas bandas: The Sunday Drivers,On My Mind.
(roubado com outras coisas invisíveis à querida Kat)
Oh meus amigos: é a espumar de raiva que vos escrevo. Terminou há pouco a terceira sessão do campeonato do mundo de snooker («e como é que um cidadão honesto pode dar-se ao luxo de ver essas coisas a meio da tarde?», pergunta o leitor. Não chateies, leitor), e o Selby cilindrou muito bem o Higgins.
A palavra-chave da sessão foi 'aprendizagem'. De um 12-4, Selby passou para um 12-10, ganhando todos os jogos.. Higgins teve menos tempo de mesa do que um noivo durante o copo-d'água. Por mais que Selby seja irritante, aprendeu a defender. O resto já o sabia, com números altíssimos de pot-sucess. O problema de Higgins é a cabecinha, completada com aquela cara de menino a quem roubaram o almoço. Em conversa com uma amiga minha, que gosta e percebe de snooker, ela dizia-me que lhe apetecia dar apertões nas bochechas de Higgins. Ora eis a primeira razão por que o homem deve perder. Isto é um jogo para crescidos. Claro que estamos a falar de jogos a alto nível, com níveis de pressão altíssimos. Mas por isso mesmo: Selby é neófito nestas coisas das finais, e é o que se vê. Se Higgins não deixar o amuo, prevê-se uma tareia histórica, eu com menos algumas libras e este blogue a falecer. E o melhor é que é muito bem feito. Valha-nos São Hendry.
A palavra-chave da sessão foi 'aprendizagem'. De um 12-4, Selby passou para um 12-10, ganhando todos os jogos.. Higgins teve menos tempo de mesa do que um noivo durante o copo-d'água. Por mais que Selby seja irritante, aprendeu a defender. O resto já o sabia, com números altíssimos de pot-sucess. O problema de Higgins é a cabecinha, completada com aquela cara de menino a quem roubaram o almoço. Em conversa com uma amiga minha, que gosta e percebe de snooker, ela dizia-me que lhe apetecia dar apertões nas bochechas de Higgins. Ora eis a primeira razão por que o homem deve perder. Isto é um jogo para crescidos. Claro que estamos a falar de jogos a alto nível, com níveis de pressão altíssimos. Mas por isso mesmo: Selby é neófito nestas coisas das finais, e é o que se vê. Se Higgins não deixar o amuo, prevê-se uma tareia histórica, eu com menos algumas libras e este blogue a falecer. E o melhor é que é muito bem feito. Valha-nos São Hendry.
Há pouco tempo, alguém me lembrou da palavra 'whirlpool' e deixou-me a pensar. E eu, mesmo nada por acaso, lembrei-me disto:
Oh Nessa my dear, Nessa my dear,
Will you stay with me on the rocks ?
Will you come for me into the Irish sea
And for me let your red hair down ?
And then we will ride into Dublin city
In a taxi-cab wrapped-up in dust.
Oh you are a whirlpool, you are a whirlpool,
And I am very nearly drowned.
Paul Durcan, Nessa (excerto)
Oh Nessa my dear, Nessa my dear,
Will you stay with me on the rocks ?
Will you come for me into the Irish sea
And for me let your red hair down ?
And then we will ride into Dublin city
In a taxi-cab wrapped-up in dust.
Oh you are a whirlpool, you are a whirlpool,
And I am very nearly drowned.
Paul Durcan, Nessa (excerto)
domingo, maio 06, 2007
sexta-feira, maio 04, 2007
O MELHOR POST DO ANO da blogosfera nacional é escrito quase todo em inglês não-técnico. E o pior é que daqui a umas horas, ainda aparece outro melhor, da mesma proveniência Não acreditem neste encómio, leitores: a inveja é uma coisa muito feia.
quinta-feira, maio 03, 2007
terça-feira, maio 01, 2007
UMA QUESTÃO DE PRIORIDADES.HÃO DE DESCULPAR.
Um intervalo, agora. Deixai que vos fale de uma dimensão distante, tão desejada como dificil. Um lugar livre e irresponsável, viciante e trauteante, cúmplice e longinquo, sem assiduidade, sem subserviência, sem nada a não ser quem se respeita e tortura e provoca e ri e se zanga - tudo exactamente pela mesma razão. É um estado superior, mais perene e válido do que o amor ou a paixão, porque tendo dos dois, dos dois a nada obriga nem anula seja o que for. Chama-se, distraído leitor, amizade. E não existe nada que eu conheça, riqueza que chegue, palavra que console, gesto que seduza que possa superar a recompensa de uma piada partilhada a dois ou um silêncio cúmplice que diz mais do que todas as palavras do mundo. Tendes isto? Eu tenho. Sentis a necessidade de agradecer? Eu sinto, agora e porque sim. Obrigado. E sobretudo tudo o que nunca será dito. Para si, então.
Um intervalo, agora. Deixai que vos fale de uma dimensão distante, tão desejada como dificil. Um lugar livre e irresponsável, viciante e trauteante, cúmplice e longinquo, sem assiduidade, sem subserviência, sem nada a não ser quem se respeita e tortura e provoca e ri e se zanga - tudo exactamente pela mesma razão. É um estado superior, mais perene e válido do que o amor ou a paixão, porque tendo dos dois, dos dois a nada obriga nem anula seja o que for. Chama-se, distraído leitor, amizade. E não existe nada que eu conheça, riqueza que chegue, palavra que console, gesto que seduza que possa superar a recompensa de uma piada partilhada a dois ou um silêncio cúmplice que diz mais do que todas as palavras do mundo. Tendes isto? Eu tenho. Sentis a necessidade de agradecer? Eu sinto, agora e porque sim. Obrigado. E sobretudo tudo o que nunca será dito. Para si, então.
segunda-feira, abril 30, 2007
MANUAL PRÁTICO PARA RELAÇÕES AFECTIVAS, 2
Como usar os clássicos para atrair a atenção das senhoras. Escrito e musicado por Cole Porter num dos melhores musicais de sempre - Kiss Me Kate. «Brush up your Shakeapeare»
Brush up your Shakespeare,
Start quoting him now.
Brush up your Shakespeare
And the women you will wow.
Just declaim a few lines from "Othella"
And they think you're a heckuva fella.
If your blonde won't respond when you flatter 'er
Tell her what Tony told Cleopaterer,
And if still, to be shocked, she pretends well,
Just remind her that "All's Well That Ends Well."
Brush up your Shakespeare
And they'll all kowtow.
Como usar os clássicos para atrair a atenção das senhoras. Escrito e musicado por Cole Porter num dos melhores musicais de sempre - Kiss Me Kate. «Brush up your Shakeapeare»
Brush up your Shakespeare,
Start quoting him now.
Brush up your Shakespeare
And the women you will wow.
Just declaim a few lines from "Othella"
And they think you're a heckuva fella.
If your blonde won't respond when you flatter 'er
Tell her what Tony told Cleopaterer,
And if still, to be shocked, she pretends well,
Just remind her that "All's Well That Ends Well."
Brush up your Shakespeare
And they'll all kowtow.
«De tudo o que em mim há vos fiz senhora»
Sempre, cruel Senhora, receei,
Sempre, cruel Senhora, receei,
medindo vossa grã desconfiança,
que desse em desamor vossa tardança,
e que me perdesse eu, pois vos amei.
Perca-se, enfim, já tudo o que esperei,
pois noutro amor já tendes esperança.
Tão patente será vossa mudança
quanto eu encobri sempre o que vos dei.
Dei-vos a alma, a vida e o sentido;
de tudo o que em mim há vos fiz senhora.
Prometeis e negais o mesmo Amor.
Agora tal estou que, de perdido,
não sei por onde vou; mas algü' hora
vos dará tal lembrança grande dor.
Luís Vaz de Camões, santo padroeiro desta casa.
Sempre, cruel Senhora, receei,
Sempre, cruel Senhora, receei,
medindo vossa grã desconfiança,
que desse em desamor vossa tardança,
e que me perdesse eu, pois vos amei.
Perca-se, enfim, já tudo o que esperei,
pois noutro amor já tendes esperança.
Tão patente será vossa mudança
quanto eu encobri sempre o que vos dei.
Dei-vos a alma, a vida e o sentido;
de tudo o que em mim há vos fiz senhora.
Prometeis e negais o mesmo Amor.
Agora tal estou que, de perdido,
não sei por onde vou; mas algü' hora
vos dará tal lembrança grande dor.
Luís Vaz de Camões, santo padroeiro desta casa.
domingo, abril 29, 2007
DO POVO QUE INVENTOU O JOGO...
Futebol inglês no seu melhor:o Arsenal dos anos 30 contra a equipa do Liverpool de 1991, que joga «pela primeira vez a preto e branco». A vossa atenção para a segunda parte arsenalista e o seu tecnicista extremo-direito, «the right-wing demon». Ou mais um extraordinário sketch de Harry Enfield.
Futebol inglês no seu melhor:o Arsenal dos anos 30 contra a equipa do Liverpool de 1991, que joga «pela primeira vez a preto e branco». A vossa atenção para a segunda parte arsenalista e o seu tecnicista extremo-direito, «the right-wing demon». Ou mais um extraordinário sketch de Harry Enfield.
sábado, abril 28, 2007
MANUAL PRÁTICO PARA RELAÇÕES AFECTIVAS
Os Madness foram responsáveis por grandes letras, sobretudo crónicas de costumes, amores e humores. My Girl é mais do que uma canção: é um tratado, um manual prático para as senhoras compreenderem como somos. E para mim, um hino.
«Why can't she see/she's lovely to me/ but I like to stay in and watch tv/on my own every now and then».
Os Madness foram responsáveis por grandes letras, sobretudo crónicas de costumes, amores e humores. My Girl é mais do que uma canção: é um tratado, um manual prático para as senhoras compreenderem como somos. E para mim, um hino.
«Why can't she see/she's lovely to me/ but I like to stay in and watch tv/on my own every now and then».
sexta-feira, abril 27, 2007
«Feitlebaum...»
O extraordinário Spike Jones convida Doodles Weaver - um comediante famoso nos anos 40 e 50 - para comentar uma corrida de cavalinhos e as imagens aberrantes que por lá aparecem. Tudo em directo e ad lib. A vossa especial atenção para os nomes dos cavalos («Assault passing Battery») e a outras partes favoritas:«A lady driver parks her car» e «Senator McCarthy late for work».
Dedicado, obviamente, ao «Rogério Casanova».
O extraordinário Spike Jones convida Doodles Weaver - um comediante famoso nos anos 40 e 50 - para comentar uma corrida de cavalinhos e as imagens aberrantes que por lá aparecem. Tudo em directo e ad lib. A vossa especial atenção para os nomes dos cavalos («Assault passing Battery») e a outras partes favoritas:«A lady driver parks her car» e «Senator McCarthy late for work».
Dedicado, obviamente, ao «Rogério Casanova».








