Elogio do ennui,3
Interpol, She Wants Revenge,Arcade Fire (sobretudo na versão «eu-sou-mais-Ian-MacCulloch-do-que-tu»), Editors, Bloc Party...Meu Deus,recolhei a casa: foi já tudo escrito e melhor.
quinta-feira, junho 21, 2007
terça-feira, junho 19, 2007

«You shook hands with Sinatra.There's a code when you shake hands with Sinatra»
É certo que Ocean's 13 não é um grande filme: é aquilo que a rapaziada queria que fosse, uma fita de amigos que mimetiza, dentro e fora do ecrã, a relação dos membros do Rat Pack e sobretudo a arte perdida de viver em Las Vegas. Só que, na verdade, Ocean's 13 consegue ser o melhor da trilogia, tanto pelo argumento como pela fluidez e absoluta imersão de Steven Soderbergh no género heist movie e nas citações estéticas do cinema americano dos anos 60.
Para além dos suspeitos do costume já representarem por empatia (conseguindo reproduzir o efeito Sinatra: «'one take only', que ainda não me deitei»), o filme conta com um excelente Al Pacino e sobretudo com magníficas power lines, quase todas para a sua personagem (que desde Scarface está mais do que habituado às power lines).
A minha preferida, no entanto, é a que serve de título deste post. É dita pela personagem de Elliott Gould ao vilão Pacino, quando este o trai. Neste código de honra de Las Vegas (apertaste a mão a Sinatra, não podes trair um amigo) está incluída toda uma nostalgia de um tempo perdido (o do original Ocean's Eleven, quando Las Vegas era o centro do mundo) e uma reverência a quem mandava nesse mundo: o Chairman Of The Board.
Mas Pacino tem direito a duas grandes frases também: «I move, I move quick and when I do I slice like a hammer» e o fabuloso Don't make a maniac out of me». O mais engraçado é que os argumentistas foram buscar estas frases a um famoso personagem de Las Vegas, que realmente as disse. É famosa a diatribe do cantor Paul Anka (criador de My Way) contra os seus músicos no fim de um concerto que correu mal. E é nesse contexto que as frases foram ditas. Podem ouvir a raiva de Paul Anka na íntegra aqui.
Viva Las Vegas!
segunda-feira, junho 18, 2007
domingo, junho 17, 2007
Por vezes compensa uma pessoa passar por witty uma vez na vida.
A verdade é que o prazer foi todo meu.
A verdade é que o prazer foi todo meu.
sexta-feira, junho 15, 2007
As coisas não precisam ser ditas
Por vezes penso que o único ditador de jeito seria Wittgenstein. Pronto, talvez não ditador (pelo que se sabe o mau feitio transformado em Estado não é fácil; e o bom então é insuportável), mas pelo menos ideólogo. O verdadeiro tirano, a que obedeceria sem pestanejar, seria Beckett.
O único respeitado, o pioneiro. Uma espécie de Cortez da linguagem, sem os massacres ou rios de sangue. Só o exemplo, só a certeza de que a linguagem só vale alguma coisa por ser a única maneira. E mesmo assim: bem a tentamos depurar, que nada. Bem a tentamos evitar que está quieto.
Ainda há pouco reparei num rosto, num olhar: o que me resta disso que poderei dizer? As palavras, num mundo ideal, serviriam apenas para apontar aquilo que não conseguimos dizer. O invisivel, o indizivel. Não é por acaso que existem poetas, ou escritores com quem nos identificamos. Será pelo que escrevem? Nunca: é sempre pelo que deixam de escrever.
Estou a pensar em hoje e agora: eu, que faço do que estais a ler o meu ganha-pão, não consegui nem nunca conseguirei dizer o que me estava na alma. E o drama é que nada mais basta: haja outros meios de expressão, que esbarrarremos sempre com o Ceci N’est Pas une Pipe. E não chega, não serve, mesmo para quem passeia por este teclado, por quem assobia pelas florestas de palavras alheias, por quem admira canções, por quem sempre procura nos outros aquilo que tragicamente os outros não foram capazes de dizer melhor do que aquilo que disseram.
Variações emocionais para Oscar Wilde, ainda a tempo de serem rectificadas: todas as palavras são inúteis.
É o que fica por dizer, mais nada.
Por vezes penso que o único ditador de jeito seria Wittgenstein. Pronto, talvez não ditador (pelo que se sabe o mau feitio transformado em Estado não é fácil; e o bom então é insuportável), mas pelo menos ideólogo. O verdadeiro tirano, a que obedeceria sem pestanejar, seria Beckett.
O único respeitado, o pioneiro. Uma espécie de Cortez da linguagem, sem os massacres ou rios de sangue. Só o exemplo, só a certeza de que a linguagem só vale alguma coisa por ser a única maneira. E mesmo assim: bem a tentamos depurar, que nada. Bem a tentamos evitar que está quieto.
Ainda há pouco reparei num rosto, num olhar: o que me resta disso que poderei dizer? As palavras, num mundo ideal, serviriam apenas para apontar aquilo que não conseguimos dizer. O invisivel, o indizivel. Não é por acaso que existem poetas, ou escritores com quem nos identificamos. Será pelo que escrevem? Nunca: é sempre pelo que deixam de escrever.
Estou a pensar em hoje e agora: eu, que faço do que estais a ler o meu ganha-pão, não consegui nem nunca conseguirei dizer o que me estava na alma. E o drama é que nada mais basta: haja outros meios de expressão, que esbarrarremos sempre com o Ceci N’est Pas une Pipe. E não chega, não serve, mesmo para quem passeia por este teclado, por quem assobia pelas florestas de palavras alheias, por quem admira canções, por quem sempre procura nos outros aquilo que tragicamente os outros não foram capazes de dizer melhor do que aquilo que disseram.
Variações emocionais para Oscar Wilde, ainda a tempo de serem rectificadas: todas as palavras são inúteis.
É o que fica por dizer, mais nada.
quarta-feira, junho 13, 2007
domingo, junho 10, 2007
O professor Lamechas recomenda
Esta excelente canção dos The Dears:22: The Death Of All Romance. A canção, para além de boa, é servida por um vídeo cujo grau de lamechice é quase inumano. A evitar por quem tem corações em vias de serem partidos.
[nota de majorscobie] Até que enfim que este cromo acerta nalguma coisa.A canção é mesmo excelente, quase gainsbourguiana e ...
Faça favor de se ir embora.
Esta excelente canção dos The Dears:22: The Death Of All Romance. A canção, para além de boa, é servida por um vídeo cujo grau de lamechice é quase inumano. A evitar por quem tem corações em vias de serem partidos.
[nota de majorscobie] Até que enfim que este cromo acerta nalguma coisa.A canção é mesmo excelente, quase gainsbourguiana e ...
Faça favor de se ir embora.
O poder das efemérides: 10 de Junho, pela primeira vez a ganhar todo o sentido.
Tanto de meu estado me acho incerto,
Tanto de meu estado me acho incerto,
Que, em vivo ardor, tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio,
O mundo todo abarco, e nada aperto.
É tudo quanto sinto um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio;
Agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao Céu voando;
Num'hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar um'hora.
Se me pergunta alguém, porque assi ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.
Luís Vaz de Camões, com dedicatória óbvia e um estranho mas sentido agradecimento a Maya, a taróloga.
Tanto de meu estado me acho incerto,
Tanto de meu estado me acho incerto,
Que, em vivo ardor, tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio,
O mundo todo abarco, e nada aperto.
É tudo quanto sinto um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio;
Agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao Céu voando;
Num'hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar um'hora.
Se me pergunta alguém, porque assi ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.
Luís Vaz de Camões, com dedicatória óbvia e um estranho mas sentido agradecimento a Maya, a taróloga.
sábado, junho 09, 2007
O Professor Lamechas dirá agora algumas palavras.
Obrigado. É tempo de alguém pôr ordem nesta casa e, sobretudo, desmistificar o demiurgo de pacotilha que por aqui se arrasta sob o triste nick name de "major scobie". Pelo amor de Deus: esquecei o céptico, o falso apaixonado, o tipo que tem a mania que sabe de bola. É a minha hora. Graças a um extraordinário hacking (que consistiu em pagar uma imperial ao pobre proprietário deste blogue), o Prof. Lamechas tem a partir de agora o seu espaço. Tudo o que o desgraçado escriba tenta evitar, com as tiradas filosóficas sobre o ennui, são enfim desmascaradas. Habituai-vos pois, à presença de Lamechas (do francês La Méche, com castelo no Loire). E percebei a verdade, como Luz que cega o infeliz do «major». Para começar, isto:
Ah pois é. Uma canção a sério, com um vocalista cujas partes privadas não foram seriamente ameaçadas. E lembranças de um filme visto no cinema Alvalade (hoje arruinado), cujo nome era provavelmente «Melody». Havia uma rapariga loira. O desgraçado tarado deste blogue deve saber.
Obrigado. É tempo de alguém pôr ordem nesta casa e, sobretudo, desmistificar o demiurgo de pacotilha que por aqui se arrasta sob o triste nick name de "major scobie". Pelo amor de Deus: esquecei o céptico, o falso apaixonado, o tipo que tem a mania que sabe de bola. É a minha hora. Graças a um extraordinário hacking (que consistiu em pagar uma imperial ao pobre proprietário deste blogue), o Prof. Lamechas tem a partir de agora o seu espaço. Tudo o que o desgraçado escriba tenta evitar, com as tiradas filosóficas sobre o ennui, são enfim desmascaradas. Habituai-vos pois, à presença de Lamechas (do francês La Méche, com castelo no Loire). E percebei a verdade, como Luz que cega o infeliz do «major». Para começar, isto:
Ah pois é. Uma canção a sério, com um vocalista cujas partes privadas não foram seriamente ameaçadas. E lembranças de um filme visto no cinema Alvalade (hoje arruinado), cujo nome era provavelmente «Melody». Havia uma rapariga loira. O desgraçado tarado deste blogue deve saber.
quinta-feira, junho 07, 2007
«Atenção: o conteúdo desta garrafa de vinho pode fazer com que fique bêbedo»
O que o mundo precisa: mais avisos óbvios de coisas que toda a gente está a par. Ou como o Reino Unido se prepara para bater recordes de burocracias da saúde inúteis. Boris Johnson no seu melhor, aqui.
O que o mundo precisa: mais avisos óbvios de coisas que toda a gente está a par. Ou como o Reino Unido se prepara para bater recordes de burocracias da saúde inúteis. Boris Johnson no seu melhor, aqui.
quarta-feira, junho 06, 2007
terça-feira, junho 05, 2007
Reality show
Até onde pode ir um blogue? Ou será que isso não interessa nada ? Um caso para pensar, aqui descrito.
Até onde pode ir um blogue? Ou será que isso não interessa nada ? Um caso para pensar, aqui descrito.



