sábado, junho 09, 2007

Da série «Torquemada sai à noite»
"Senhor, perdoai oh perdoai as criaturas que iniciam frases com 'No campo do design'".




(´"e já agora, se estiver por Aí o número de telemóvel do Job, agradecia")

quinta-feira, junho 07, 2007

«Atenção: o conteúdo desta garrafa de vinho pode fazer com que fique bêbedo»
O que o mundo precisa: mais avisos óbvios de coisas que toda a gente está a par. Ou como o Reino Unido se prepara para bater recordes de burocracias da saúde inúteis. Boris Johnson no seu melhor, aqui.
Roland Garros

Ana Ivanovic, 19 anos, finalista de Roland Garros. Embora vá defrontar a excelente Justine Henin, merece vencer por todas as razões.

quarta-feira, junho 06, 2007

Manual de auto-ajuda
Saber que falhar é aquilo que garante a certeza da possibilidade de poder ser bem sucedido. Apreciar a íngreme melancolia dos escassos instantes de felicidade.
Do segundo «melhor disco do ano» do ano

Mistaken For Strangers, The National

terça-feira, junho 05, 2007

Reality show
Até onde pode ir um blogue? Ou será que isso não interessa nada ? Um caso para pensar, aqui descrito.
«Ma al mondo non essiste nessuno qui non ha sbagliato una volta»

Provavelmente a primeira canção que ouvi com atenção, na terna infância. Still stands.

segunda-feira, junho 04, 2007

sexta-feira, junho 01, 2007

Em defesa do fumador (3)

Paul Newman
Se o meu carro falasse

Um Renault correctíssimo diz quem manda.Todos juntos: «God save our gracious Queen...»

(para o maradona, descoberto aqui)

quinta-feira, maio 31, 2007

Razões para ser monárquico
Francamente, não percebo esta excitação com o Nani, o Anderson e 55 milhões de euros: para mim esta é a única notícia interessante


O central Orlando, ex-Freamunde, assinou hoje contrato com a Académica.

O atleta que também já actuou no Fafe e Moreirense, vai agora defender as cores da Briosa. Uma missão que afirmou ser “um orgulho. É um orgulho para qualquer atleta representar uma instituição como Académica, que tem um historial que fala por si.” Por isso mesmo garante: “vou fazer tudo para ajudar a equipa a atingir os objectivos”. (da página oficial da grande Briosa)

Ser da Académica: um clube com o sentido das proporções, caramba.

( e se fossem espertos aproveitavam o balanço e varriam-me aquela defesa toda. O melhor já levou o Porto)

quarta-feira, maio 30, 2007

This is a video statement.

The Monkees, I'm a believer. Grande canção de Neil Diamond.
Em defesa do fumador (2)
Humphrey Bogart e Lauren Bacall

terça-feira, maio 29, 2007

Pessoas que deveriam ter um blogue (1)
«A vida íntima é cheia de passagens rídiculas.A gente, que escreve casos tristes, se lhes não joeirasse a parte cómica, não arranjava nunca uma tragédia.»

Camilo Castelo Branco

segunda-feira, maio 28, 2007

I Will Follow You Into The Dark

Ben Gibbard, alma dos excelentes Death Cab For Cutie, partilha com Irving Berlin um estranho e maravilhoso dom: o da ilusão da simplicidade, aplicado à canção. Com forma e conteúdo quase elementares, Gibbard transmite sem problemas as emoções e histórias que pretende. Para um fanático das letras, como eu, isso ainda se torna mais evidente. Tal como Berlin - por oposição a um cosmopolitimo de Cole Porter ou uma erudição de Lorenz Hart -, Gibbard não embarca em grandes figuras de estilo e usa um tom coloquial que resulta no mais glorioso dos logros: fazer com que quem oiça diga: «Eu podia ter escrito aquilo»; ou, melhor ainda, «Foi mesmo assim que aconteceu».
Mas é falso. Cada palavra é escolhida a dedo, encaixa perfeitamente na melodia, as rimas são imprevisiveis e espirituosas, e oferecem às frases uma música própria que parece não ter lugar em mais nenhum lado. Esta canção, I Will Follow You Into The Dark, é um brilhante exemplo da arte de Gibbard. E começa com os versos mais improváveis para uma canção de amor: «Love of mine, /someday you will die».
Em defesa do fumador (1)

Albert Camus

domingo, maio 27, 2007

Sinatras de caixote do lixo.

Pertencer à comunidade myspace tem vantagens destas: uma pessoa dá de caras com músicas e bandas que já tinha esquecido e que teimosamente continuam em actividade (como nós). O último feliz reencontro foi com esta banda de Glasgow, os Trashcan Sinatras: pop melódico, canções clássicas e sem medo do melodrama, uma espécie de Douglas Sirk para a música popular. Beleza não é para ter medo. Um excelente exemplo disso, este All The Dark Horses.
Amigos, maiores que o pensamento.


Resolveu a atenta Carla outorgar a este estabelecimento o galardão de «blogger pensando», ou «blogger que faz pensar». Eu agradeço, e devo dizer, sem falsas modéstias, que este blogue faz mesmo o leitor pensar. O leitor pensa: « Mas o que é que eu estou aqui a fazer?». Daí o prémio.
Agora: o que fazer com esta distinção? Eu sei quais os blogues que me fazem «pensar», mas já têm as prateleiras cheias de troféus destes (como este lugar, ou este, por exemplo). Por isso, vou passá-lo a outros de que gosto muito, esperando não ir atafulhar a casa.
Sem ordem nenhuma, a não ser a que me vem à cabeça:
- A Sexta Coluna
- Complexidade e Contradição
- SushiLeblon
- A Causa Foi Modificada
- Terapia Metatísica

Agora desenrasquem-se, se quiserem. De nada.
Ao vivo,primeiras filas.

Grande site, com videos de concertos inteiros. É ir ver.

sexta-feira, maio 25, 2007

«I hope I die before I get old»
Mick Jagger e Companhia devem estar devastados: é que existe uma banda mais velha do que os Rolling Stones. Chamam-se The Zimmers e fazem rock n' roll há muito, muito tempo. O vocalista Alf tem 90 anos; e há gente na banda quase centenária. A BBC produziu um documentário sobre estes extraordinários cavalheiros e é daí que chega esta espantosa (não estou a brincar) versão de My Generation, dos The Who. Irresistível, tal como o artigo que lhes dedica uma das melhores revistas do mundo: The Oldie (mas um dia falarei dela). For your viewing pleasure, The Zimmers (e favor ver até ao fim)
«But his gubbadooba cell count is normal!»
Dr. House, na MadTV.

«He's dead!»
«Check again.»

quinta-feira, maio 24, 2007

Por falar em ontem,
podes ficar com o troco, caro amigo.
Ontem,
este blogue não acabou, mas ficou muito maçado. Sobretudo com o «Momento Nuno Gomes» de Gerrard.

quarta-feira, maio 23, 2007

Finalmente em Portugal, jornalismo de investigação.
Senão, veja-se esta "notícia": uuuuuuuuhhhh, medo. Oh tristes camaradas de profissão: get a bloody life, you wankers.
Isto ainda não é trigo limpo, meus amigos. Há blogues que vão rolar hoje. (e pints a serem pagas)

«Milan feel they possess more stars, class acts like Kaka, Andrea Pirlo, Clarence Seedorf, and the flying full-back Massimo Oddo, but Benitez's ability to inspire such indefatigable passion in his troops make Liverpool so formidable. Gerrard and Pennant will do anything for the manager who offers them a date with destiny.»

(aqui)
Crónica de amores perdidos
Houve tempos em que achei que Harriet Wheeler - a menina que cantava nos The Sundays - era o auge do que poderia encontrar numa mulher: sarcasmo gentil e certeiro, erudição, britishness, beleza e um gosto pelo visual campestre Laura Ashley que me fascinava. Que se danassem as guitarras à Johnny Marr: isto era coisa boa, como o excelente Reading, Writing And Arithmetic provava. Soube todas as canções de cor, sobretudo esta: Here's where the story ends, com o seus versos maravilhosamente malignos «It's that little souvenir/of a terrible year/ which makes my eyes feel sore/and who ever would've thought the books that you brought/were all I loved you for»...
Com o passar do tempo, o que Wheeler professava nas suas maravilhosas letras tornou-se verdade. E como um amor que desaparece num lentíssimo fade-out, também os Sundays saíram da minha vida. O resto, infelizmente, não.
The Sundays - Heres Where The Story Ends

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Beam me up, Scotty
Ao ritmo do tempo, ele falava comigo em linguagem sms. E sentia, a cada palavra que dizia, o kapa em «aqui», o «qd» em «quando».

terça-feira, maio 22, 2007

O carrinho perfeito para quem gosta de gatinhos...

...como eu gosto.

[amantes dos felinos, abstenham-se de ver o anúncio.Eu avisei]

(série iniciada aqui)

segunda-feira, maio 21, 2007

Escrito na porta de um wc de um pub, em Lisboa: «Hell has all the good bands».

(e também dava uma belíssima t-shirt, digo eu)
Late night bar philosophers, cromo nº 14: « O que me irrita na Bjork», indignou-se ela, «é que não veste roupa - veste instalações.»
Entretanto, na Câmara Municipal de Lisboa...

O justiceiro solitário não está tão solitário assim.

(e ainda discorreu sobre a necessidade de «moralizar» a política de contratação de assessores. I say fuck him.)

domingo, maio 20, 2007

This is a video statement.

The Boy Least Likely To, Be Gentle With Me

sábado, maio 19, 2007

Isto

por causa disto (um texto magnífico, que só padece de falta de razão).




(é Benny Goodman, um antigo king of swing, que explica toda a liberdade e destruição criativa que é o jazz, a partir de How High The Moon para Ornithology, de Parker (definitivamente mais que três acordes, mas sem abandonar nunca o tom e a estrutura harmónica de onde veio). Tal como a vida, é preciso começar de qualquer coisa simples para só a complicar mais. No caminho aparece outra coisa, sem abandonar as origens. Mas digamos que não penso muito nisto quando oiço estas coisas).

sexta-feira, maio 18, 2007

Amanhã, em Wembley

Ganhe quem ganhar, sempre soubemos quem nunca irá perder.
«I guess the dreams always end/they don't rise up, just descend»

Ian Curtis (15/07/1956 - 18/05/1980)



Para notícias sobre o filme Control, que abriu o Festival de Cannes, ler aqui.

quinta-feira, maio 17, 2007

Das palavras na música popular enquanto exercício de poema daDa, com sentido
Grande post.

terça-feira, maio 15, 2007

Há muito tempo que não dizia como esta menina é de ouro.

Nellie Mckay, Sorry.
Um intervalo para publicidade, 2

Caso tenha dificuldade com o inglês do anúncio em post infra, recomendo este maravilhoso curso de inglês. A aeróbica ao serviço do poliglota. O vosso especial reparo para os movimentos que se fazem ao som da frase «Spare me my life». O Japão é um grande país.
Um intervalo para publicidade, 1

A resposta WASP e old money aos vídeos gangsta de LA: os Prep-Unit, num maravilhoso Tea Partay, anúncio para Smirnoff Raw Tea. A vossa atenção para a letra fantástica (nem queria falar das meninas, mas tenho) e o conceito brilhante de criatividade que está por trás de tudo.
«We sail yachts and we ride on horses/Every meal we eat comes in multiple courses». MV, Martha's Vineyard!

(com um grande abraço, )

segunda-feira, maio 14, 2007

Sinatra (1915-1998), 4

Gosto muito deste vídeo. Mostra o Mestre em plena posse dos seus geniais dotes de intérprete, feliz e com os amigos a sabotarem-no alegremente (é Dean que grita:«Keep singin' 'till you get it right baby!»). Era o tempo do Chairman Of The Board, da vida desregrada, buddies only, em que Sinatra era o Rei do Mundo. A partir de Las Vegas fazia o que queria. E cantava, oh meu Deus como cantava. Aqui, em You Make Me Feel So Young, é o estilo nice n'easy no seu esplendor, inventado a meias com Nelson Riddle. O swing arrastado, às vezes à frente outras vezes atrás do compasso; as palavras escolhidas instintivamente,alterando os versos, colocando gíria, prolongando as sílabas para que tudo faça mais sentido e fique seu. Porque é isso: Sinatra trata as canções como as mulheres - corteja-as, rodeia-as de flores e manias e finalmente conquista-as em definitivo. Nas baladas era outra coisa, era a vida. O estilo aprendido com Mildred Bailey e Billie Holiday tornou Sinatra o maior actor de canções de todos os tempos, cada verso um script que ele desempenhava na perfeição. E sempre falou só de nós, só de nós.
Sinatra (1915-1998),3

Frank Sinatra e Ava Gardner, Schipol Airport

De Sinatra, tantas mulheres. De todos os lados da vida, amantes, traidoras, vítimas. Sinatra amava as mulheres, mesmo que esse amor durasse uma noite eterna.Mas melhor que amar, respeitava-as, mesmo na sua amoralidade. As senhoras profissionais que todas as noites Sinatra recebia em casa, sobretudo a partir do final da década de 50, eram tratadas principescamente, com um cavalheirismo inusitado. Uma limusine ia buscá-las.Lá dentro, ramos de flores e um agradecimento expresso do cantor. Única condição: que saíssem discretamente, sem o acordar. A limusine estava sempre à disposição.
E depois houve as paixões, os namoros reais, o sexo puro e duro (segundo os relatos de várias mulheres, Sinatra tinha uma performance invejável, sobretudo para quem passava todas as noites a beber). E houve Ava. O «mais belo animal do mundo» foi tudo o que as outras foram numa só. Ava, mais do que mulher, era uma drinking buddie, uma mulher vivida e com força vulcânica, capaz de se entregar e trair com a mesma intensidade. Amaram-se desmesuradamente, porque tinham tudo em comum. E foi essa a razão porque esse amor esteve desde sempre condenado.
Sinatra (1912-1998), 2

«So you're Frank Sinatra, the guy who makes women faint when he sings.»

«Well, I guess I am, Mr.Bogart»

«Make me faint.»

(diálogo entre Bogart e Sinatra, quando o cantor foi apresentado ao actor numa noite no 21, em Nova Iorque. Os dois tornar-se-iam grandes amigos até à morte de Humphrey Bogart)
Sinatra(1912-1998), 1

Um exemplo do Sinatra que fazia desmaiar as bobbysoxers. Em 1943, Sinatra cantava este Stardust (um grande tema de Hoagy Carmichael) com a voz domesticada e alinhada aos preceitos da época. Ainda era o cantor de big bands, mas apesar da voz ainda reflectir os ensinamentos do seu ídolo primeiro (Bing Crosby), já se notava a diferença. O fraseado é mais longo, as notas são mais prolongadas devido a uma respiração sincopada aprendida com Tommy Dorsey e o seu trombone. Sinatra, o eterno perfeccionista, nadava horas debaixo de água para fortalecer a caixa toráxica. O truque do canto da boca aberto, que recebeu de Dorsey, não é aqui completamente visivel, mas iria ajudá-lo nas sua fase mais gloriosa, quando se reinventou a si próprio e de caminho toda a música popular.
Francis Albert Sinatra (12/12/1915 - 14/05/1998)
Lembro-me dessa manhã, desse dia. Há nove anos, exactamente há nove anos, fui acordado docemente, com a ternura cuidadosa e a cor de voz que se arranja quando há más notícias para dar. E havia: «Tenho uma coisa para te dizer. Não é boa. Morreu o Mestre». O Mestre era Francis Albert Sinatra, por mim alcunhado com veneração e algum desplante.
Lembro-me dos cabeçalhos dos jornais: «Sinatra traído pelo coração». Errado, tão errado: Sinatra nunca foi traído pelo coração.Dependia dele, para o bem e para o mal, para as guerras e para os armísticios, para as medalhas e para as cicatrizes. O coração nunca traiu Sinatra porque este «coração» e «Sinatra» são exactamente a mesma coisa.
Devo muito da minha vida - do modo possível que se deve a um artista, a alguém que não conhecemos - a Frank Sinatra. Acompanhou-me nos piores e melhores momentos, fiz dele uma espécie de teologia substituta. Quando fui vê-lo ao Porto, já um cantor trôpego, cansado e confuso, senti-me como um dos Três Pastorinhos. Estava a ver a minha vida, ali em cima dum palco. Queria gritar:«Lembras-te disso, também? Quando estivemos juntos na minha casa, às tantas da manhã, whiskey e o refrão de Guess I'll hang my tears out to dry...Lembras-te disso, Mestre?». Mas o Mestre apenas cantava, apenas fazia o que tinha de fazer, o que sabia e se notava apesar dos seus 80 anos nessa altura.
Durante a minha vida, escrevi muito e espero continuar a escrever sobre Sinatra.Sei muito, perdoai-me a arrogância. E vivi o suficiente para ser amigo deste homem, protector dos perdedores e gangster sentimental, excesso e cobardia, glória e tragédia.
Hoje este blogue é de Sinatra.
O primeiro "disco do ano" do ano.

E muito sério candidato a único. Avassalador.
Aprender, aprender
«Coisa é já descrita uma Dama perfeita, mas até agora nunca vista.Excepção daquela Idea se viu em vós tão grande, que nem de bosquejos vossos poderiam servir aquelas inspirações divinas. Excede-se a Natureza por mero acaso em os requintes; em vós, porém, excedeu-se de pensado. As soberanias de que sois dona parece que vo-las não deram, senão que as preferistes.»

Arte de Galantaria, D.Francisco de Portugal
Conselhos de sempre para os sms de hoje
«Duvide de si na resposta dos motes, se é de letra sua, pois nunca um escrito saiu de qualquer mão que se não tornasse em fruto vivo»

Arte de Galantaria, D.Francisco de Portugal (1670)

domingo, maio 13, 2007

Menos virtual do que se pensa
Vou ao meu myspace e vejo que o Schopenhauer está online.
«Nothing's gonna change my world»Rufus Wainwright Across The Universe

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Across the universe, por Moby, Sean Lennon e Rufus Wainwright. Pronto, Rufus Wainwright só.

sábado, maio 12, 2007

Meus amigos, duas palavras: Ana Moura.

Fado. Fado puro, fado vida, o mistério do indizivel, do que fica agarrado a nós sem licença nem remédio. A melhor fadista - por oposição a cantoras de fado - tem disco novo a partir de 14 de Maio. Chama-se Para Além da Saudade, e é ideal para quem acha que não gosta de fado. E há também um concerto.Pormenores aqui.


(não vou esconder que sou parte interessada:escrevi uma das letras que constam no disco. Mas a paixão por esta menina e a sua voz e a vontade de a partilhar - isso é totalmente desinteressado. Só urgente.)

sexta-feira, maio 11, 2007

This is a video statement

O Valencia, The Decemberists
As canções, essas coisas tão frágeis...
E tão boas quando são bem destruídas. Com justiça de preferência. Eis uma versão demolidora de um êxito de pista que põe KO aquela criatura reles que se chama a si própria de Fergie e ainda se ri sobre a campa dela.


(E o mais bizarro é que ainda consegue dar uns ares dignos à cançoneta. Obrigado,Kat)
«Your life will surely change»
O dia começa, o dia acaba. Pelo meio, coube uma vida ou duas, e a inenarrável sensação que regressa de que agora é que é: este é o dia em que a tua vida irá mudar.

quinta-feira, maio 10, 2007

E há isto, tão bom...
Entretanto, de regresso a 2007...
Uma das poucas pessoas que me faz ter vontade de o ver em concerto. Going To A Town é só um exemplo do tesouro que é Release The Stars, o novo disco do melhor cantor e escritor de canções que conheço nesta altura: Rufus Wainwright.
«Wouldn't it be nice if we were older, than we wouldn't have to wait so long»

Mais dois minutos e pouco de perfeição.

quarta-feira, maio 09, 2007

PAREM AS MÁQUINAS! Serviço público absoluto:sigam os links aqui e vejam na íntegra o extraordinário duelo de gigantes feito para o Channel 4: Ricky Gervais meets Larry David. It doesn't get better than this.
Mambo Italiano Este pode ser o mundo de Sinatra e nós apenas vivemos nele. Mas o talento displicente deste homem, a voz que não se leva a sério enquanto namorisca a menina da fila da frente - isso é um estilo que ninguém conseguirá replicar por mais que se viva.
Muito bem Tiago, aposta aceite.Se bem que não muito confiante nem sequer com muita vontade. Alegrias como a que me deram há dois anos atrás só acontecem de cinco em cinco anos.

terça-feira, maio 08, 2007

Gente com demasiado tempo nas mãos

«Ora deixa cá ver o que é que me apetece tocar...Olha, pode ser o MacGyver.». Maravilhoso.
E depois de uma das mais maçadoras finais de snooker de todos os tempos (magnificamente comentadas em directo aí uns posts abaixo, procurai, por favor), falemos de campeões a sério. Até porque Roland Garros está já aí.


*com as devidas desculpas pela musiquinha trólaró, mas não posso fazer nada.

segunda-feira, maio 07, 2007

E viva Espanha!

Nem bons ventos nem bons casamentos? Talvez. Mas boas bandas: The Sunday Drivers,On My Mind.


(roubado com outras coisas invisíveis à querida Kat)
Oh meus amigos: é a espumar de raiva que vos escrevo. Terminou há pouco a terceira sessão do campeonato do mundo de snooker («e como é que um cidadão honesto pode dar-se ao luxo de ver essas coisas a meio da tarde?», pergunta o leitor. Não chateies, leitor), e o Selby cilindrou muito bem o Higgins.
A palavra-chave da sessão foi 'aprendizagem'. De um 12-4, Selby passou para um 12-10, ganhando todos os jogos.. Higgins teve menos tempo de mesa do que um noivo durante o copo-d'água. Por mais que Selby seja irritante, aprendeu a defender. O resto já o sabia, com números altíssimos de pot-sucess. O problema de Higgins é a cabecinha, completada com aquela cara de menino a quem roubaram o almoço. Em conversa com uma amiga minha, que gosta e percebe de snooker, ela dizia-me que lhe apetecia dar apertões nas bochechas de Higgins. Ora eis a primeira razão por que o homem deve perder. Isto é um jogo para crescidos. Claro que estamos a falar de jogos a alto nível, com níveis de pressão altíssimos. Mas por isso mesmo: Selby é neófito nestas coisas das finais, e é o que se vê. Se Higgins não deixar o amuo, prevê-se uma tareia histórica, eu com menos algumas libras e este blogue a falecer. E o melhor é que é muito bem feito. Valha-nos São Hendry.
Há pouco tempo, alguém me lembrou da palavra 'whirlpool' e deixou-me a pensar. E eu, mesmo nada por acaso, lembrei-me disto:

Oh Nessa my dear, Nessa my dear,
Will you stay with me on the rocks ?
Will you come for me into the Irish sea
And for me let your red hair down ?
And then we will ride into Dublin city
In a taxi-cab wrapped-up in dust.
Oh you are a whirlpool, you are a whirlpool,
And I am very nearly drowned.

Paul Durcan, Nessa (excerto)
«It's just love, how hard can it be?»

Uma cançãozinha bonita e simples, de Sofia Talvik em dueto com Bernard Sumner (Joy Division e ex-New Order, ao que parece). A mensagem «o amor vence tudo» não é muito ao estilo desta casa, mas é bonito à mesma.

domingo, maio 06, 2007

Muito bem, meu amigo: two can play that game.
Se Higgins não ganha o campeonato do mundo, este blogue acaba ali.


*só porque o Sullivan perdeu gloriosamente. Mas o Selby, nunca. Nunca, I tell you.
«The past is a different country. They do things differently there»
E hoje eu soube, emigrante de mim mesmo.
Perguntaram-me a minha opinião sobre as eleições francesas

Pronto. Tem dias. Poucos.
Perguntaram-me se era francófobo
Nããão. Tem gente. Poucos.

sábado, maio 05, 2007

sexta-feira, maio 04, 2007

O MELHOR POST DO ANO da blogosfera nacional é escrito quase todo em inglês não-técnico. E o pior é que daqui a umas horas, ainda aparece outro melhor, da mesma proveniência Não acreditem neste encómio, leitores: a inveja é uma coisa muito feia.
Não sei se já aqui referi que estes rapazes formam a melhor banda deste momento?

Phantom Limb, The Shins

quinta-feira, maio 03, 2007

A ver se esta casa anima.

Bonde do Role, Solta o Frango. Olha, animou.



*e vão estar por Lisboa para a semana. Ui.
Ícaro,
com a diferença de saber que o sol me irá queimar.
This is a video letter.

Returned to sender.

quarta-feira, maio 02, 2007

This is a video response.

Someday you will be loved, Death Cab For Cutie

terça-feira, maio 01, 2007

Perfeição, em pouco mais de dois minutos
UMA QUESTÃO DE PRIORIDADES.HÃO DE DESCULPAR.
Um intervalo, agora. Deixai que vos fale de uma dimensão distante, tão desejada como dificil. Um lugar livre e irresponsável, viciante e trauteante, cúmplice e longinquo, sem assiduidade, sem subserviência, sem nada a não ser quem se respeita e tortura e provoca e ri e se zanga - tudo exactamente pela mesma razão. É um estado superior, mais perene e válido do que o amor ou a paixão, porque tendo dos dois, dos dois a nada obriga nem anula seja o que for. Chama-se, distraído leitor, amizade. E não existe nada que eu conheça, riqueza que chegue, palavra que console, gesto que seduza que possa superar a recompensa de uma piada partilhada a dois ou um silêncio cúmplice que diz mais do que todas as palavras do mundo. Tendes isto? Eu tenho. Sentis a necessidade de agradecer? Eu sinto, agora e porque sim. Obrigado. E sobretudo tudo o que nunca será dito. Para si, então.

segunda-feira, abril 30, 2007

MANUAL PRÁTICO PARA RELAÇÕES AFECTIVAS, 2
Como usar os clássicos para atrair a atenção das senhoras. Escrito e musicado por Cole Porter num dos melhores musicais de sempre - Kiss Me Kate. «Brush up your Shakeapeare»


Brush up your Shakespeare,
Start quoting him now.
Brush up your Shakespeare
And the women you will wow.
Just declaim a few lines from "Othella"
And they think you're a heckuva fella.
If your blonde won't respond when you flatter 'er
Tell her what Tony told Cleopaterer,
And if still, to be shocked, she pretends well,
Just remind her that "All's Well That Ends Well."
Brush up your Shakespeare
And they'll all kowtow.
«De tudo o que em mim há vos fiz senhora»

Sempre, cruel Senhora, receei,

Sempre, cruel Senhora, receei,
medindo vossa grã desconfiança,
que desse em desamor vossa tardança,
e que me perdesse eu, pois vos amei.

Perca-se, enfim, já tudo o que esperei,
pois noutro amor já tendes esperança.
Tão patente será vossa mudança
quanto eu encobri sempre o que vos dei.

Dei-vos a alma, a vida e o sentido;
de tudo o que em mim há vos fiz senhora.
Prometeis e negais o mesmo Amor.

Agora tal estou que, de perdido,
não sei por onde vou; mas algü' hora
vos dará tal lembrança grande dor.

Luís Vaz de Camões, santo padroeiro desta casa.

domingo, abril 29, 2007

DO POVO QUE INVENTOU O JOGO...

Futebol inglês no seu melhor:o Arsenal dos anos 30 contra a equipa do Liverpool de 1991, que joga «pela primeira vez a preto e branco». A vossa atenção para a segunda parte arsenalista e o seu tecnicista extremo-direito, «the right-wing demon». Ou mais um extraordinário sketch de Harry Enfield.

sábado, abril 28, 2007

O JAZZ, CONTADO ÀS CRIANÇAS E AO POVO

Hoje: o jazz assimilado e domesticado para gáudio das plateias brancas. Red Nichols e a sua banda. Próxima lição: Benny Goodman explica a força da improvisação a partir de How High The Moon - transformada pelo grande Charlie Parker em Ornithology.
MANUAL PRÁTICO PARA RELAÇÕES AFECTIVAS

Os Madness foram responsáveis por grandes letras, sobretudo crónicas de costumes, amores e humores. My Girl é mais do que uma canção: é um tratado, um manual prático para as senhoras compreenderem como somos. E para mim, um hino.

«Why can't she see/she's lovely to me/ but I like to stay in and watch tv/on my own every now and then».

sexta-feira, abril 27, 2007

Ui.Uiui.
«Feitlebaum...»

O extraordinário Spike Jones convida Doodles Weaver - um comediante famoso nos anos 40 e 50 - para comentar uma corrida de cavalinhos e as imagens aberrantes que por lá aparecem. Tudo em directo e ad lib. A vossa especial atenção para os nomes dos cavalos («Assault passing Battery») e a outras partes favoritas:«A lady driver parks her car» e «Senator McCarthy late for work».

Dedicado, obviamente, ao «Rogério Casanova».
DO PESSIMISMO OU ENTÃO NÃO Lembro-me de ouvir dizer a alguém que muito estimo esta desculpa para ser o que sou:«um pessimista é apenas um optimista com experiência». E, provavelmente é verdade. Mas o problema é que, à medida que os anos passam e a Humanidade se torna cada vez mais familiar, a experiência desaparece por falta de vontade. E mais do que certo, por excesso de experiência. Nesta asserção que me fez as delícias de adolescente faltou só a qualificação da experiência: de que vale ser um optimista com experiência se ela for sempre má ? Mais vale o cepticismo e a reserva. Deixemos os iluminados onde eles pertencem: na literatura e na arte, com a única função de nos tentarem convencer que existe outra realidade.
E o mais extraordinário de tudo isto é que quando a terna armadilha chega, caímos todos. Estar apaixonado significa a renúncia temporária do pessimista, um intervalo entre um jogo decisivo. É por isso que o pessimista não resiste a apaixonar-se tantas vezes quantas lhe são possíveis. Sobretudo pela ideia de paixão, tão certa, tão segura e tão privada. Ninguém se chateia e o mundo continua a sua triste rota.

quinta-feira, abril 26, 2007

MAS DE ONDE É QUE ESTA GENTE ME CONHECE?
Alan:I demand only one thing in a relationship: that I remain totally alone.
No episódio de hoje do excelente Boston Legal (canal Fox)
JÁ NADA É SAGRADO (I)

(música: No love lost, Joy Division)



*quer dizer, tem graça mas custa-me a engolir.
A pretexto dos eventos descritos em post abaixo

Os Associates, de Billy Mackenzie e Alan Rankine, foram um dos mais extraordinários fenómenos musicais do inicio da década de 80. Oriundos de uma Escócia fervilhante de talentos - lembremo-nos da Postcard Records, que tinha nomes como Aztec Camera. Joseph K. ou Orange Juice - os Associates reuniam uma atmosfera entre o cabaret e a tristeza pop, servidos magnificamente pela voz dramática de Mackenzie e os gloriosos riffs de teclas de Rankine, que abandonou a banda em 1982. 'O álbum Sulk continua a ser um dos mais importantes da década de oitenta, com uma produção perfeccionista e pouco ortodoxa (conta a lenda que algumas captações de voz de Mckenzie foram feitas na casa de banho).
Com um grave historial de depressão, Mackenzie suicidou-se em 1997, aos 39 anos. Aqui fica o fantástico Party Fears Two. Awake me!

terça-feira, abril 24, 2007

Serviço público: Temos isto

e logo a seguir, sem ter tempo para respirar, isto

o regresso de ZDQ e NMG. Não deveria ser um regresso porque nunca deveriam ter começado. Mas o 25 de Abril permitiu estas coisas.
Epifania num pub perto de si
E de repente, a meio da noite, começar a dizer isto quase de cor

Ignorance

Strange to know nothing, never to be sure
Of what is true or right or real,
But forced to qualify
or so I feel,
Or Well, it does seem so:
Someone must know.

Strange to be ignorant of the way things work:
Their skill at finding what they need,
Their sense of shape, and punctual spread of seed,
And willingness to change;
Yes, it is strange,

Even to wear such knowledge - for our flesh
Surrounds us with its own decisions -
And yet spend all our life on imprecisions,
That when we start to die
Have no idea why.


Philip Larkin

E saber o que quer dizer, saber o que quer dizer.
ALGUÉM DÊ UM BLOG A ESTE HOMEM Num dos comentários sobre um vídeo no YouTube, um cavalheiro escreve:«EVERYBODY, SHUT UP! I'm trying to watch the video.»

segunda-feira, abril 23, 2007

É POR COISAS COMO ESTA QUE ESTE HOMEM É O MELHOR COMEDIANTE DO PLANETA.

A contribuição de Ricky Gervais para o Red Nose Day de 2007, uma iniciativa de solidariedade organizada pela BBC com os comediantes britânicos. Absolutamente fantástico, manipulador, inteligente, destruidor e libertário, como o humor deve ser.Participações especiais de Stephen Merchant, Jamie «The naked Chef» Oliver, Bob Geldof e... bom, o melhor é ver.
«Am I bothered?»

Se mais provas fossem necessárias da atitude e grau de civilização de certas culturas, eis a derradeira. Um sketch, Catherine Tate e um convidado especial.Agora imaginem o convidado homólogo português no Gato Fedorento. Não , pois não ? Pois é.



(cheers, Kat.)
FILHOS DE SINATRA!

E uma canção muito cá de casa. Chamem-me irresponsável.
BALANÇO TRÁGICO Olhando para trás, receio que tenha feito meia dúzia de pessoas felizes.

domingo, abril 22, 2007


Depois da morte misteriosa e prematura de Glenn Miller, o seu melhor compositor e arranjador pegou no legado. Eis Tex Beneke & Glenn Miller Orchestra, no inconfundível In The Mood. Digamos que se o Lux fosse assim ia lá mais vezes.Atentai na coreografia. Correctíssimo.

sexta-feira, abril 20, 2007

"Winter for Poland and France"
Retirado de uma das mais brilhantes e iconoclastas comédias filmadas, o extraordinário número Springtime For Hitler. De The Producers,realizado e escrito por Mel Brooks.