segunda-feira, abril 30, 2007

«De tudo o que em mim há vos fiz senhora»

Sempre, cruel Senhora, receei,

Sempre, cruel Senhora, receei,
medindo vossa grã desconfiança,
que desse em desamor vossa tardança,
e que me perdesse eu, pois vos amei.

Perca-se, enfim, já tudo o que esperei,
pois noutro amor já tendes esperança.
Tão patente será vossa mudança
quanto eu encobri sempre o que vos dei.

Dei-vos a alma, a vida e o sentido;
de tudo o que em mim há vos fiz senhora.
Prometeis e negais o mesmo Amor.

Agora tal estou que, de perdido,
não sei por onde vou; mas algü' hora
vos dará tal lembrança grande dor.

Luís Vaz de Camões, santo padroeiro desta casa.

domingo, abril 29, 2007

DO POVO QUE INVENTOU O JOGO...

Futebol inglês no seu melhor:o Arsenal dos anos 30 contra a equipa do Liverpool de 1991, que joga «pela primeira vez a preto e branco». A vossa atenção para a segunda parte arsenalista e o seu tecnicista extremo-direito, «the right-wing demon». Ou mais um extraordinário sketch de Harry Enfield.

sábado, abril 28, 2007

O JAZZ, CONTADO ÀS CRIANÇAS E AO POVO

Hoje: o jazz assimilado e domesticado para gáudio das plateias brancas. Red Nichols e a sua banda. Próxima lição: Benny Goodman explica a força da improvisação a partir de How High The Moon - transformada pelo grande Charlie Parker em Ornithology.
MANUAL PRÁTICO PARA RELAÇÕES AFECTIVAS

Os Madness foram responsáveis por grandes letras, sobretudo crónicas de costumes, amores e humores. My Girl é mais do que uma canção: é um tratado, um manual prático para as senhoras compreenderem como somos. E para mim, um hino.

«Why can't she see/she's lovely to me/ but I like to stay in and watch tv/on my own every now and then».

sexta-feira, abril 27, 2007

Ui.Uiui.
«Feitlebaum...»

O extraordinário Spike Jones convida Doodles Weaver - um comediante famoso nos anos 40 e 50 - para comentar uma corrida de cavalinhos e as imagens aberrantes que por lá aparecem. Tudo em directo e ad lib. A vossa especial atenção para os nomes dos cavalos («Assault passing Battery») e a outras partes favoritas:«A lady driver parks her car» e «Senator McCarthy late for work».

Dedicado, obviamente, ao «Rogério Casanova».
DO PESSIMISMO OU ENTÃO NÃO Lembro-me de ouvir dizer a alguém que muito estimo esta desculpa para ser o que sou:«um pessimista é apenas um optimista com experiência». E, provavelmente é verdade. Mas o problema é que, à medida que os anos passam e a Humanidade se torna cada vez mais familiar, a experiência desaparece por falta de vontade. E mais do que certo, por excesso de experiência. Nesta asserção que me fez as delícias de adolescente faltou só a qualificação da experiência: de que vale ser um optimista com experiência se ela for sempre má ? Mais vale o cepticismo e a reserva. Deixemos os iluminados onde eles pertencem: na literatura e na arte, com a única função de nos tentarem convencer que existe outra realidade.
E o mais extraordinário de tudo isto é que quando a terna armadilha chega, caímos todos. Estar apaixonado significa a renúncia temporária do pessimista, um intervalo entre um jogo decisivo. É por isso que o pessimista não resiste a apaixonar-se tantas vezes quantas lhe são possíveis. Sobretudo pela ideia de paixão, tão certa, tão segura e tão privada. Ninguém se chateia e o mundo continua a sua triste rota.

quinta-feira, abril 26, 2007

MAS DE ONDE É QUE ESTA GENTE ME CONHECE?
Alan:I demand only one thing in a relationship: that I remain totally alone.
No episódio de hoje do excelente Boston Legal (canal Fox)
JÁ NADA É SAGRADO (I)

(música: No love lost, Joy Division)



*quer dizer, tem graça mas custa-me a engolir.
A pretexto dos eventos descritos em post abaixo

Os Associates, de Billy Mackenzie e Alan Rankine, foram um dos mais extraordinários fenómenos musicais do inicio da década de 80. Oriundos de uma Escócia fervilhante de talentos - lembremo-nos da Postcard Records, que tinha nomes como Aztec Camera. Joseph K. ou Orange Juice - os Associates reuniam uma atmosfera entre o cabaret e a tristeza pop, servidos magnificamente pela voz dramática de Mackenzie e os gloriosos riffs de teclas de Rankine, que abandonou a banda em 1982. 'O álbum Sulk continua a ser um dos mais importantes da década de oitenta, com uma produção perfeccionista e pouco ortodoxa (conta a lenda que algumas captações de voz de Mckenzie foram feitas na casa de banho).
Com um grave historial de depressão, Mackenzie suicidou-se em 1997, aos 39 anos. Aqui fica o fantástico Party Fears Two. Awake me!

terça-feira, abril 24, 2007

Serviço público: Temos isto

e logo a seguir, sem ter tempo para respirar, isto

o regresso de ZDQ e NMG. Não deveria ser um regresso porque nunca deveriam ter começado. Mas o 25 de Abril permitiu estas coisas.
Epifania num pub perto de si
E de repente, a meio da noite, começar a dizer isto quase de cor

Ignorance

Strange to know nothing, never to be sure
Of what is true or right or real,
But forced to qualify
or so I feel,
Or Well, it does seem so:
Someone must know.

Strange to be ignorant of the way things work:
Their skill at finding what they need,
Their sense of shape, and punctual spread of seed,
And willingness to change;
Yes, it is strange,

Even to wear such knowledge - for our flesh
Surrounds us with its own decisions -
And yet spend all our life on imprecisions,
That when we start to die
Have no idea why.


Philip Larkin

E saber o que quer dizer, saber o que quer dizer.
ALGUÉM DÊ UM BLOG A ESTE HOMEM Num dos comentários sobre um vídeo no YouTube, um cavalheiro escreve:«EVERYBODY, SHUT UP! I'm trying to watch the video.»

segunda-feira, abril 23, 2007

É POR COISAS COMO ESTA QUE ESTE HOMEM É O MELHOR COMEDIANTE DO PLANETA.

A contribuição de Ricky Gervais para o Red Nose Day de 2007, uma iniciativa de solidariedade organizada pela BBC com os comediantes britânicos. Absolutamente fantástico, manipulador, inteligente, destruidor e libertário, como o humor deve ser.Participações especiais de Stephen Merchant, Jamie «The naked Chef» Oliver, Bob Geldof e... bom, o melhor é ver.
«Am I bothered?»

Se mais provas fossem necessárias da atitude e grau de civilização de certas culturas, eis a derradeira. Um sketch, Catherine Tate e um convidado especial.Agora imaginem o convidado homólogo português no Gato Fedorento. Não , pois não ? Pois é.



(cheers, Kat.)
FILHOS DE SINATRA!

E uma canção muito cá de casa. Chamem-me irresponsável.
BALANÇO TRÁGICO Olhando para trás, receio que tenha feito meia dúzia de pessoas felizes.

domingo, abril 22, 2007


Depois da morte misteriosa e prematura de Glenn Miller, o seu melhor compositor e arranjador pegou no legado. Eis Tex Beneke & Glenn Miller Orchestra, no inconfundível In The Mood. Digamos que se o Lux fosse assim ia lá mais vezes.Atentai na coreografia. Correctíssimo.

sexta-feira, abril 20, 2007

"Winter for Poland and France"
Retirado de uma das mais brilhantes e iconoclastas comédias filmadas, o extraordinário número Springtime For Hitler. De The Producers,realizado e escrito por Mel Brooks.
TÊM 10 MINUTOS?

Então aproveitem para ver esta short-story retirada de Coffee And Cigarettes, o filme de Jim Jarmusch que contém onze pequenas narrativas em que cigarros e café são o denominador comum. Aqui, um maravilhoso encontro entre Iggy Pop e Tom Waits, playing themselves. Waits chega atrasado ao encontro porque teve de ajudar num parto...Muito bom.

quinta-feira, abril 19, 2007

ENTRETANTO, NA MINHA OUTRA CASAPela primeira vez em Portugal um blog é credenciado como um media tradicional para a cobertura de um evento político. Os new media já chegaram, e enviam pessoas com três nomes para o espaço. Para as almas de má-fé que por aí andam, o facto de ser uma cobertura de uma eleição interna no PP é irrelevante. Naquela casa leva toda a gente. Deu foi um jeitão para o título da emissão. Façam favor de fazer história connosco, e sigam os posts em directo e ao vivo. Isto está a ficar cada vez melhor.
O TIO GUEDES ACONSELHA Nunca, mas nunca começar uma crónica com «Na minha qualidade de alguém que fez recentemente um transplante de fígado,(...)».
Não é, como direi?, bom. Mas isso não deteve o dr.Eduardo Prado Coelho (Considerações mais ou menos construtivas, 19-04-07, Público)
DILEMA DO FÚTIL INTELECTUAL Abertura do IndieLisboa às 21 horas ou O Gladiador no Hollywood às 21.30?
IRÃO PERDOAR A OBSESSÃO... mas neste momento não consigo ler mais blogues sem ser este. Por causa destas coisas que ela escreve.

quarta-feira, abril 18, 2007

UNO, DOS, TRES...CATORCE!!

Som bem alto, um daiquiri na mão e um video como banda sonora. O indispensável Richard Cheese!(«We fiesta while tomorrow they die». Puro génio.)

Nunca amem uma esfinge - eis a moral desta canção, um one hit wonder que valeu um pequeno culto cá pelo burgo. Falo por mim: fui vê-los ao Rock Rendez-Vous, em mil novecententos e oitenta e meu deus, só para ouvir esta enorme canção. The Passions, I'm in love with a german film star. Nunca amem uma esfinge, digo-vos.
Nova epígrafe para o Tradução Simultânea, mais de acordo com o lado lúcido do autor. Trata-se de um adágio latino, que pode ser traduzido mais ou menos por "o mundo quer ser iludido; logo, que o seja". A alegria da primavera não passou ainda por aqui.

segunda-feira, abril 16, 2007

Nelly, furtada.


Versão alternativa de Promiscuous, cortesia da MADTv.

(thanks, D.)
SÓ PARA SUBLINHAR A EXTRAORDINÁRIA VERDADE DO POST AQUI EM BAIXO

Eric Cantona. Futebolista e filósofo.E um dos melhores jogadores que vi jogar ao vivo, apenas perdendo para Bergkamp.
Porque inventaram o YouTube Pois por mim não me chateiam nada, amigo Maradona (ver «Não me parece razoável» antes que sacana o apague). Já percebemos todos que aquilo em que concordamos é infinitamente superior aos nossos desacordos e mesmo isso é irrelevante. Continuarei com galhardia a defender o bola «à inglesa», sempre vilipendiada com o estigma do kick-and-rush. Vocês continuarão a apontar a suposta falta de tecnicismo, que faz com que infelizes como o teu amigo do mail (e tenho eu outros que do mesmo se queixam) sejam atropelados enquanto tentam pensar numa finta circense. O jogo não é para meninas, embora o deslumbre da técnica seja sempre benéfico. Além disso, também há quem te chateie a ti, algo injustamente. Ora vê o que o Daniel diz no «Aos Domingos».Isto é um assunto eterno, que só dá é gozo, pá. Foi para isto que inventaram o YouTube, tenho a certeza.

domingo, abril 15, 2007

A VOSSA ATENÇÃO PARA ESTA COMPLEXA VISÃO DA AMÉRICA DOS NOSSOS DIAS
DA AGRIDOCE SABEDORIA Um dos blogues mais bem escritos e bem pensados destas vidas completa hoje dois anos. É este, e não é recomendável a optimistas sobre a natureza humana. A autora é minha amiga ? You bet. E o prazer é todo meu.

sábado, abril 14, 2007

«I have heard among this clan you are called the forgotten man»

Parece que não, felizmente. Por isso só me resta agradecer a todos os que de uma maneira ou de outra têm acompanhado o Tradução Simultânea. Assim, com links virtuais e reais, obrigado à Carla (dois Hugh Lauries, não sou digno!), à Darcy e à Rita (que bom falar convosco!),ao excelente Rogério «25-quid-on-Milan-against-all-odds» Casanova, ao andarilho menino mau, ao mike (elogios manifestamente exagerados, que agradeço), à Laura, cúmplice maravilhosa e ao civilizadíssimo como poucos Luís Serpa (pode ser um Manhattan, Luís? O Cohen vem a caminho). Há sempre espaço para novos amigos. Para já, e em fim de festa, dedico-vos esta dramática e divertida revisão de Cole Porter. O que resiste ao tempo só se torna melhor.

sexta-feira, abril 13, 2007

BAR ABERTO:O TRADUÇÃO SIMULTANEA FAZ HOJE QUATRO ANOS


(Spike Jones and the City Slickers, featuring Mel "Bugs Bunny" Blanc)

quinta-feira, abril 12, 2007

«The clue's in the name, for fuck sake!»

O grande Al Murray explica que «Great Britain» se define apenas com uma palavra: 'great'. No processo, destrói os Estados Unidos. All hail the beer and the pub landlord!
MAIS UM POST COMO ESTE E EU FECHO ISTO, QUE NÃO ESTOU AQUI A FAZER NADA

«Breve maltratado das coisas que não existem [1]
Desconfio sempre de quem usa a palavra "misógino". Tanta coisa para falar de alguém que apenas sofre da doença da discrição.» Aqui.
AND LIKE ONE WHO DOESN'T WANT THE THING...

Hoje alguém, num concurso masoquista para a melhor música otovérmica, me atormentou com o infame Camouflage. Resisti enquanto pude, lembrando que Stan Ridgway foi a alma deste grande grupo, éfemero na medida certa. Os Wall Of Voodoo, numa grande canção.

quarta-feira, abril 11, 2007

ROBBIE FOWLER DEMONSTRA,AO CELEBRAR UM GOLO, O SEGREDO DA EXCELÊNCIA INGLESA


Na verdade trata-se da infame celebração de Fowler, depois dos boatos de que o jogador consumia cocaína. Respondido com classe e raiva, e em frente à turba do Everton.

terça-feira, abril 10, 2007

E DE REPENTE O FUTEBOL INGLÊS É O MELHOR DO MUNDO* Três clubes três nas meias finais da Champions (a menos que haja uma catástrofe com o Liverpool). Sete a um contra um clube italiano. Mourinho a dizer que só sai do campeonato inglês quando não o quiserem (já podes vir ver connosco os jogos ao Pump House, pá). E ainda há a UEFA. E o prazer indizível de ter escrito isto tudo.

*para os iluminados com um atraso de alguns aninhos...
Anos 90? Tarantino?

Não! 1960, The Shadows. Apache, e aquela guitarrinha de Hank Marvin...
AFORISMOS DO EMPIRISTA, vol.1:«A língua chic de Portugal é o português».
NADA COMO UM CÉPTICO PELA MANHÃ

Angelus Novus, Paul von Klee

«Há um quadro de Klee chamado Angelus Novus. Representa um anjo que parece a ponto de afastar-se para longe daquilo que está a olhar fixamente. Os seus olhos estão arregalados, a sua boca aberta, as suas asas estendidas. O anjo da história deve ter este aspecto.O seu rosto está voltado para o passado. Onde diante de nós aparece um encadeamento de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que vai empilhando incessantemente escombros sobre escombros, lançando-os diante dos seus pés. O anjo bem gostaria de se deter, despertar os mortos e recompor o que foi feito em pedaços. Mas uma tempestade sopra do Paraíso e prende-se nas suas asas com tal força, que o anjo já não as pode fechar. A tempestade irresistivelmente o impele ao futuro, para o qual ele dá as costas, enquanto o monte de escombros cresce até o céu diante dele. O que chamamos de Progresso é esta tempestade.»

O Anjo, Walter Benjamin

segunda-feira, abril 09, 2007

MY KIND OF HOLIDAY
AQUI VOS LEGO Para quem está cansado das repetições televisivas de Quo Vadis?, este extraordinário momento.

(via Terapia Metatísica)

domingo, abril 08, 2007


Erroll Garner foi e é um dos grandes pianistas jazz. Autor de um dos mais conhecidos standards - Misty -, Garner foi um autodidacta, que não sabia ler uma pauta. Mas como músico foi dos mais criativos e com um estilo pessoal marcadíssimo: a mão esquerda que fazia os acordes da melodia como uma guitarra rítmica e a direita a fazer as frases com um ligeiro atraso no tempo. Esta versão do supino All The Things You Are, de Jerome Kern - uma melodia complexa e que contém a mais milagrosa transição do B para o A - é um excelente exemplo. Enlevo puro, digo eu.
FALAR BEM DA VIZINHANÇA: Muito bom.



UMA DESGRAÇA NUNCA VEM SÓ:VEM AOS PARES Agradeço a atenção para a programação de todo o mês e especialmente para a noite de 12 de Abril. Ah pois é.´

MANIFESTO ANTI-ECOLÓGICO

«The trees, those useless tress, they never said that you were leaving».
HOJE É DIA DE FESTA.MUDANÇA DRAMÁTICA DE AMBIENTE.
`
O extraordinário Spike Jones e a sua delirante orquestra. Um maravilhoso sentido do absurdo, cartoonesco (um dia ponho aqui a sua colaboração com o grande Mel 'What's up Doc?' Blanc - e músicos virtuosos a destruirem alegremente todos os temas que tinham algum sucesso nesses dias. Divirtam-se.

A DIGNIDADE DA ALMA E VAIDADE DA VIDA

Quem pudesse mostrar o que tem na alma


Pera desenganar em tudo a vida!


Mas não sinto ninguém que trate da alma


E todos a esperança põem na vida.



O Céu é o verdadeiro lugar da alma,


E à terra basta dar-lhe o corpo e a vida,


Pois não podem ter fim os males da alma,


E passam, como sombra, os bens da vida.



Se queremos saber o preço da alma,


Vejamos que pôs Deus por ela a vida,


E viveremos n'Ele, Ele em nossa alma.



O mundo é sonho vão que enlêa a vida.


Quem nele está melhor, tem pior alma,


E quem o desprezou tem alma e vida.



Sonetos, Frei Agostinho da Cruz


Cristo Ressuscitado, Álvaro Pires de Évora, c. 1430

quinta-feira, abril 05, 2007


Abençoado o Mistério.

*com um obrigado à Darcy.

quarta-feira, abril 04, 2007


Do meu álbum preferido dos REM - Murmur (1983) -, uma das suas mais belas canções, perfeita para a quadra que vivemos. Talk About The Passion. Uma Santa Páscoa para todos.

«Not everyone can carry the weight of the world.»

terça-feira, abril 03, 2007

segunda-feira, abril 02, 2007

E SE FOR PRECISO APONTAR CULPADOS PARA ESTAS COISAS QUE AQUI SE LÊEM...falem com esta senhora, que celebra hoje o seu 4º aniversário nestas vidas. Ela é que me meteu nisto. Put the blame on Mame.




*E um grande beijinho, pois claro!
A DECADÊNCIA DO SERVIÇO PÚBLICO Pedro Rolo Duarte (ANTENA 1) perde quarenta e tal preciosos minutos da sua vida a ouvir falar de dry martinis, o estranho nome deste blogue antes de ser Tradução Simultânea, a necessidade de paixão na escrita, antigos postos de trabalho, a sublime combinação de futebol e poesia, porque me aturam no 31 da Armada, o meu caso com Norah Jones e a verdade por trás da criação do Tradução (to meet girls). Pelo meio, talvez haja algumas verdades e uma ou outra coisa mais séria. A boa notícia é quando estou calado. A confirmar, aqui mesmo, na edição de 1 de Abril (what else?).
SALDO DE UMA INCURSÃO MUITO MATINAL À BAIXA LISBOETA:Mais uma edição de Madame Bovary + Os cadernos de Platão de Peter Ackroyd+ um exemplar do diário A Bola= cinco euros e vinte e cinco cêntimos. Decididamente há um mundo paralelo que se me anda a escapar.
MESTRES DE ARTE CONTEMPORÂNEA, QUADRO Nº1

Elegância contra ignorância.

domingo, abril 01, 2007

DOS SKINS, RUDYS, MODS E OUTRAS TRIBOS

The Ruts, em 1980, numa das últimas - talvez mesmo a última - actuações do vocalista Malcolm Owen,que morreria pouco depois com uma overdose de heroína. Para quem não está familiarizado com o termo, «rude» ou «rudy» designa um membro de uma subcultura jamaicana ligada à musica ska e rocksteady, que passou para Inglaterra através dos seus emigrantes. A canção, Staring At The Rude Boys, descreve maravilhosamente o encontro nem sempre amigável entre as várias tribos (punks, rude boys, skins de esquerda e de direita). Mas para mais, consultem a wikipedia, que hoje estou preguiçoso.

*para o Francisco Mendes da Silva
ESTAMOS ABERTOS Parece que muita gente que tem por aqui passado gostaria de ter comentado as inanidades que vou semeando. Acontece que ao fazê-lo bateram com o nariz Na porta, porque este blog estava formatado para 'members only' ou coisa que o valha. Ora embora eu seja parcial a esse conceito, se abri os comentários não faz sentido estar aqui a falar sózinho. A situação já foi remediada. Por isso, feel free. A casa é vossa.

sábado, março 31, 2007

IDEAL DE VIDA *

The tiny remark that tortures you
The fear that your friends won't like her too
I'm glad that I'm not young anymore
The longing to end the stale affair
Until you find out she doesn't care
I'm glad that I'm not young anymore.

No more frustration
No star-crossed lover am I
No aggravation
Just one reluctant reply :"Lady, goodbye!"


(I'm glad I'm not young anymore, Lerner/Loewe)



*but not just yet.

Versão cantada do tema de baixo. Sinatra canta These Foolish Things em 1946, ainda no chamado «período CBS». A sua voz era ainda de um barítono bem domesticado, ao gosto da época. Apesar de ainda estar longe da voz de fumo e vida que ganhou a partir de 1950, nota-se já o fraseado original, as respirações fora de tempo, como se fosse um instrumento a fazer o seu solo. Favor fechar os olhos e ouvir.

Eis uma introdução ideal ao mundo do jazz: a extraordinária versão de These Foolish Things, efectuada pelo quarteto de Dave Brubeck em 1959. Recomendo particular atenção ao sax alto de Paul Desmond, delicado, contornando a frase, envolvendo-a. Um momento maravilhoso. Quanto ao tema, é uma enorme canção, interpretada por todos os de bom gosto, de Sinatra a Ferry.Um monumento`às pequenas coisas que nos fazem lembrar um grande amor.

sexta-feira, março 30, 2007

«OPRESSED BY THE FIGURES OF BEAUTY»

Eva Green
Será James Mercer o novo Dylan ?

Pink Bullets, dos The Shins, é de 2003. Depois disso, a banda de Mercer editou este ano o supino Wincing The Night Away. Mas esta canção, cheia de terna melancolia e abandono é das mais bonitas que conheço desde algum tempo. Com uma letra brilhante (como todas as de Mercer, que chegam a roçar o críptico) e um video genial a acompanhar, façam o favor de se apresentar à tristeza cortesia dos The Shins.

Over the ramparts you tossed
The scent of your skin and some foreign flowers
Tied to a brick
Sweet as a song
The years have been short but the days go slowly by
Two loose kites falling from the sky
Drawn to the ground and an end to flight.
UMA PALAVRA DO NOSSO PATROCINADOR: 'NMG says it all!! Sabia que o Tradução Simultânea teve um antepassado que durou dois dias e que se chamava....? Quem é o culpado deste blog ter aparecido para maçar mais as pessoas ? Para que serve este blogue ? Qual o futuro da Humanidade em geral, e a que horas é que se come? Tudo isto e muito mais informações que passava bem sem saber no próximo domingo, das 11 ao meio dia, no programa de Pedro Rolo Duarte (Antena 1). Quem for esperto ouve a horas decentes aqui.

quinta-feira, março 29, 2007

DOS ARQUIVOS DO TRADUÇÃO SIMULTÂNEA, 4 : O REGRESSO
1. Gosto de regressar. As partidas pouco me dizem. Sim, há a curiosidade do que se irá encontrar, os tropeções do acaso dos afectos e dos lugares. Mas tudo se desvanece depressa, porque o instante mata o instante seguinte; a partir de certa altura, por perversão, atavismo nacional ou nostalgia literária, é o regresso que me apetece. Agrada-me ser feito da memória que tenho, e é no regresso que ela cintila, porque assume a forma superior da saudade, perfeição absoluta limada das arestas efémeras dos dias. Voltar ao que conheço, ao que amo, é das experiências que mais acarinho na vida. Não é por acaso que me emociono sempre que oiço estes versos do Volver, que nem por isso é o meu tango preferido:

Sentir... que es un soplo la vida,
que veinte años no es nada,
que febril la mirada, errante en las sombras,
te busca y te nombra.

É esta procura do que se ama, independente do que se viu, do que passámos ou mesmo por quem passámos que para mim dá mais sentido à vida. Outro exemplo artistico desta minha filiação é o filme O Homem Tranquilo, de John Ford, onde um homem traz o seu passado para um lugar que não conhece mas que sempre conheceu ? e lentamente se integra nesse que é o mais belo regresso filmado (para além de outras motivações, mas isso é outra história).

2. Assim na vida, assim nos amores, assim na amizade. Um amigo que regressa por improváveis circunstâncias aos nossos dias e nós aos dele ? como, por felicidade, me tem acontecido várias vezes ? não tem nada que se lhe compare. Talvez o estar apaixonado, dirão. Mas apaixonar-se é uma partida, não é um regresso. Quando se volta, já há pouco a perder e não é necessária a coragem que se tem de ter sempre quando se parte. E depois há um mistério único, que confere a tudo a primeira vez: cada sorriso o primeiro, cada rua a primeira, cada palavra a primeira. Até à próxima partida, até ao próximo regresso.

(publicado em Setembro de 2003)

quarta-feira, março 28, 2007

Sempre disse, desde o início, que este blogue não era a minha vida. Evitei, o mais que pude, o estilo confessional, não por achar que é algo menos nobre ou que não se «deve» fazer, mas simplesmente por saber que a minha vida privada é, para a maior parte, privada de interesse. Nesse sentido, refugiei-me nos meus gostos e nos meus estados de espírito ocasionais, que muitas vezes não passaram de puros exercícios de estilo, para não dizer de sedução descarada. O resultado foi o pretendido: o meu blogue tornou-se muito melhor do que eu.
Mas há a vida, de facto. E quando a morte nos entra pela vida dentro, ficamos sem saber o que fazer, mesmo aqueles que como eu tentam manter uma Fé que tudo redime. Foi assim há pouco tempo, com a morte de minha Mãe. Nessa altura, e porque a dor foi mais forte, perdi o pudor e dediquei-lhe um poema de um dos seus poetas preferidos, Ruy Belo.
Quem me ensinou o peso das palavras foi a minha Mãe. Ela própria dedicou a sua vida a esta matéria-prima volátil e traidora e conseguiu, na sua área (de directora criativa de publicidade) fazer com que algumas combinações que criou passassem para um mundo maior, que é a linguagem de todos os dias. Não por acaso, lembro-me agora do «para mais tarde recordar». Nunca pensei que ganhasse esta dimensão. Se tenho algum jeito ou vocação para estas grilhetas feitas de letras a ela o devo.
Não lhe irei fazer mais elegias aqui, porque as faço todos os dias. Queria apenas agradecer a todos os que sem me conhecerem, me enviaram abraços e mensagens que para sempre me irão acompanhar. «The kindness of strangers»? Sim, e é tão bom. Por um momento, a fé na Humanidade regressou.
Agora, chegou a altura de recomeçar, maior e mais vivo. «A única maneira de continuar a viver é morrer», disse-me um amigo. E aqui se irá viver e morrer todos os dias, até quando eu quiser. Recomeço.
Nuno Miguel Guedes

sexta-feira, março 23, 2007


Gustav Mahler, Segunda sinfonia («Resurrection»), 5ºandamento (excerto). Maestro Claudio Abbado.

terça-feira, março 20, 2007

Eu vinha para a vida e dão -me dias
Reduzida ao relógio a aventura
eu próprio me despeço da lonjura
e troco por desastres alegrias


Se não cabiam nestas freguesias
os gestos que trazia agora à lura
mal assoma limito a desmesura
e cantam rouxinóis não cotovias
E digo «senhorio» «procurador»
quando quero falar da minha casa
o templo onde habita o senhor
Não pode o homem ser aquele que é
mesmo que para voar distenda a asa
ou seja natural de nazaré


Ruy Belo

Dedicado a minha Mãe, in memoriam (09/02/1938-19/03/2007)

segunda-feira, março 12, 2007


«There used to be a me, but I had it surgically removed»: uma das citações mais célebres de Peter Sellers, aqui no Muppett Show, a recitar o solilóquio de Ricardo III («Now is the winter of our discontent...») com tuned chickens.

Regressa um herói pessoal, num dos seus mais célebres e citados filmes, For Scent-imental Reasons. Imperdível a gata que diz «Le meaow...Le rrrrrr» e a poderosa one liner «I am ze blacksmith of love».Dedicado à Teresa, cúmplice neste fanatismo.

Sinatra, um hino de Harold Arlen e Johnny Mercer (cantado pela primeira vez por Fred Astaire). Se a perfeição não é isto não sei o que seja.

domingo, março 11, 2007

POST LONGO SOBRE OS ASSUNTOS DO COSTUME: BOLA E INGLATERRA Apesar de não concordar na essência daquilo que o maradona escreve magnificamente a partir do post colocado um pouco mais abaixo (e que hoje, por estar mal disposto, não irei rebater), numa coisa ele tem razão: esta selecção dos golos de Gerrard não respeita o critério da «técnica», bem ao jeito dos países do Sul. De facto, para mim o golo nº10 é de longe o melhor (concorrendo seriamente com o golo marcado ao Olimpiakos, por ser um grande golo e por ser marcado ao Olimpiakos); o resto é uma sucessão de extraordinários remates, coisa em que Gerrard é pródigo e uma das suas melhores armas. Mas se escolhi este vídeo foi mais pelo caracter de tributo épico - que muito me agrada - do que pelos exemplos que ali são dados. Porque o que Gerrard é e vale como jogador não é ali visivel. Aqueles são os momentos pessoais em que tudo se cristaliza, a recompensa maior para o jogador. O que não se vê é a extraordinária entrega de Gerrard ao jogo e à equipa, carregando-a muitas vezes ao colo, sózinho. Lembro mais uma vez a exctraordinária final AC Milan-Liverpool, em que Gerrard fez com que a equipa recuperasse de um 0-3 para 3-3, ganhando o Liverpool no prolongamento.
Esta característica é, lamento, exclusiva dos jogadores ingleses. Mourinho percebeu bem, e o Chelsea vive de Terry e Lampard para suportar as aflições. Em mais nenhum país (ou futebol) do mundo existem jogadores com esta particularidade desde que nasceram. E isso, evidentemente, é mais um passo para a superioridade da Ilha, que pode não se traduzir em títulos (mas isso até o Scolari tem), mas traduz-se em saber e prazer de quem vê. Assim de repente, lembro que há pelo menos três clubes ingleses em fases finais de contendas europeias. Não me venham falar que é da globalização dos jogadores, porque me maça.
Por agora chega. Apetecia-me venerar Toby Flood (16 pontos contra a França, o destino ingrato de ser suplente de Jonny Wilkinson e tendo ele próprio acabado o jogo lesionado), por ter recuperado a esperança para a selecção da Rosa no Torneio das Seis Nações. Mas não o vou fazer, porque Portugal ganhou ao Uruguai.

sexta-feira, março 09, 2007


Diz a lenda que foi esta a canção que Sinatra dedicou a Ava Gardner pouco depois da sua separação. Seja como for, I'm A Fool To Want You continua a ser uma das mais belas e desesperadas canções de amor - curiosamente uma das poucas que Sinatra fez questão de assinar. Aqui, numa espantosa versão/medley que inclui You don't know what love is: Elvis Costello e Chet Baker.
STEVEN GERRARD, Member Of The British Empire*
Ou o «tosco futebol inglês»


*Agraciado por SMR Isabel II no final de 2006.

quarta-feira, março 07, 2007


O único Marx que seguiria para os amanhãs que cantam dita uma carta. «Gentlemen, question mark...».
'A SENSE OF EVIL RELIGIOUS IN ITS INTENSITY'

«In all writers there occurs a moment of crystallization when the dominant theme is plainly expressed,when the private universe becomes visible even to the least sensitive reader. (...)
It is less easy to find such a crystallization in the works of James, whose chief aim was always to dramatize, who was more than usually careful to exclude the personal statement, but I think we make take the sentence in the scenario of The Ivory Tower, in which James speaks of v'the black and merciless things that are behind great possessions', as an expression of the vruling fantasy which drove him to write: a sense of evil religious in its intensity.»

Graham Greene, num ensaio sobre o seu mestre Henry James

(à natural atenção do Rogério Casanova)

Rita Hayworth e Fred Astaire mostram como a vida deveria ser. So Near, So Far, de You'll Never Get Rich (1941)

domingo, março 04, 2007

Planos criteriosamente escolhidos, diálogos ambíguos e descontextualizados, uma banda sonora a la Bernard Hermann, breve apoio de texto em legendas, edição video e audio imaculada: os ingredientes necessários para fazer um trailer para outro filme, onde Sally não vai querer mesmo que Harry a conheça. Mais do que um brilhante exercício de humor e criatividade, é um mini-ensaio sobre o cinema.


(via joaonunes.com)
DOS ARQUIVOS DO TRADUÇÃO SIMULTÂNEA,3 : 'Ah, escrever assim estas verdades! «Não era muito que Tadeu de Albuquerque fosse enganado em coisas de amor e coração de mulher, cujas variantes são tantas e tão caprichosas que eu não sei se alguma máxima pode ser-nos guia a não ser esta: "Em cada mulher, quatro mulheres incompreensíveis, pensando alternadamente como se hão-de desmentir umas às outras". Isto é o mais seguro; mas não é infalível » Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição', Julho de 2004

sexta-feira, março 02, 2007

EM TANTAS PÁGINAS, A HISTÓRIA DA MINHA VIDA
...e um dos 30 melhores livros de todos os tempos (já contando com Old Devils, do mesmo Amis, the one that really matters.
MOMENTO TERTÚLIA COR DE ROSA E NO ENTANTO EXTREMAMENTE HETEROSSEXUAL
Desculpem-me as senhoras que na blogosfera analisaram as fatiotas dos óscares: mas é que nem Balenciagas, nem Vera Wang, nem La Renta, nem Fátima Lopes. O vencedor incontestado é Armani Privé. E sobretudo quem o veste.
LATE NIGHT BAR PHILOSOPHERS, CROMO Nº13 (the Padre António Vieira edition): «O mesmo amar é causa de não amar, e o amar muito de amar menos».

quinta-feira, março 01, 2007

ELOGIO DO ENNUI, PARTE 2

As The Pierces são agora a coqueluche cá de casa. Com um vídeo maravilhoso, uma canção quase modal - não fosse o refrão - e uns versos blasés («love of my life/bare your child/everything I ever wanted/boring!»)as The Pierces merecem alguma atenção,uma espécie de versão da Paris Hilton gone wrong (e portanto right). E sim, são lindas.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007


Grande versão para uma canção de uma das poucas pessoas que me levaria a ir ver um concerto e não me maçar.
BACK TO CASABLANCA


E mal nenhum nisso. E a Cate Blanchett, senhores. A Cate Blanchett.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007



Abençoada new wave, que nos trouxe tão boas canções. Esta é uma delas: Tempted, dos Squeeze. Bem cantada, correcta e com uma grande letra sobre os dilemas do forbidden fruit, esse tema eterno. Um doce a quem reconhecer a voz de Elvis Costello (não é obviamente nenhum dos vocalistas), que produziu o disco East Side Story.
FOR HE'S A JOLLY GOOD FELLOW...OU ENTÃO NÃO.

Imperdível a série «Pérolas Vermelhas» sobre o «Paizinho dos Povos», publicadas no clássico Desinfeliz de Juízo. Atrocidades várias e rapaziada fina, cortesia do tio Zé Estaline.
SOBRE OS OSCARS



O'Toole ou nada:«Since I'm still in the game and might win the lovely bugger outright, would the Academy please defer the honour until I am 80?»

quinta-feira, fevereiro 22, 2007



É que nem 200.000 Little Britains chegam aos pés. Harry Enfield, num sketch clássico e maravilhoso.

via Tímida Intimidade


A melhor canção de amor opiáceo que conheço, e uma das mais bonitas dos últimos 40 anos. Contém um verso que me assombrou a adolescência e a que ainda hoje recorro:«Enclose me in your gentle rain».
NODDY E RUCA: O MISTÉRIO A não perder, a magnífica exegese do Tiago aos populares Noddy e Ruca. Quem tem petizes, como eu, sabe bem o que isso significa. Para os outros, fica desvendado o mistério que levou a que milhares de criancinhas andassem pelas ruas com gorros vermelhos com guizos no topo.
Eu, que estou a ficar velho («I shall wear the bottom of my trousers rolled», Prufrock de trazer por casa) ainda me lembro das primeiras animações do Noddy, assim uma espécie de sofisticada e móvel plasticina. Mas compreendo que os meus filhos delirem com as CGI do boneco, embora não compreenda o raio da tradução da canção original: "Abram alas para o Noddy" como versão para «Make way for Noddy» («Aí vem o Noddy», ou «Lá vem o Noddy», por aí) é uma solução métrica maléfica, saída da mente perversa de um Tiago Bettencourt dos Toranja ou de um letrista ex-punk. Mas isso nem sequer é o mais assustador: o Ruca é que é. O Ruca. Porque é que a criança é careca, meu Deus? Quimoterapia ? Opção estética dos pais ? Deixo a pergunta. Os meus filhos precisam de uma resposta, e eu também.
CEM ANOS E UM DIA


WH Auden, nascido em 21 de Fevereiro de 1907


II
You were silly like us; your gift survived it all:
The parish of rich women, physical decay,
Yourself. Mad Ireland hurt you into poetry.
Now Ireland has her madness and her weather still,
For poetry makes nothing happen: it survives
In the valley of its making where executives
Would never want to tamper, flows on south
From ranches of isolation and the busy griefs,
Raw towns that we believe and die in; it survives,
A way of happening, a mouth.

In memory of WB Yeats, excerto