domingo, abril 15, 2007

A VOSSA ATENÇÃO PARA ESTA COMPLEXA VISÃO DA AMÉRICA DOS NOSSOS DIAS
DA AGRIDOCE SABEDORIA Um dos blogues mais bem escritos e bem pensados destas vidas completa hoje dois anos. É este, e não é recomendável a optimistas sobre a natureza humana. A autora é minha amiga ? You bet. E o prazer é todo meu.

sábado, abril 14, 2007

«I have heard among this clan you are called the forgotten man»

Parece que não, felizmente. Por isso só me resta agradecer a todos os que de uma maneira ou de outra têm acompanhado o Tradução Simultânea. Assim, com links virtuais e reais, obrigado à Carla (dois Hugh Lauries, não sou digno!), à Darcy e à Rita (que bom falar convosco!),ao excelente Rogério «25-quid-on-Milan-against-all-odds» Casanova, ao andarilho menino mau, ao mike (elogios manifestamente exagerados, que agradeço), à Laura, cúmplice maravilhosa e ao civilizadíssimo como poucos Luís Serpa (pode ser um Manhattan, Luís? O Cohen vem a caminho). Há sempre espaço para novos amigos. Para já, e em fim de festa, dedico-vos esta dramática e divertida revisão de Cole Porter. O que resiste ao tempo só se torna melhor.

sexta-feira, abril 13, 2007

BAR ABERTO:O TRADUÇÃO SIMULTANEA FAZ HOJE QUATRO ANOS


(Spike Jones and the City Slickers, featuring Mel "Bugs Bunny" Blanc)

quinta-feira, abril 12, 2007

«The clue's in the name, for fuck sake!»

O grande Al Murray explica que «Great Britain» se define apenas com uma palavra: 'great'. No processo, destrói os Estados Unidos. All hail the beer and the pub landlord!
MAIS UM POST COMO ESTE E EU FECHO ISTO, QUE NÃO ESTOU AQUI A FAZER NADA

«Breve maltratado das coisas que não existem [1]
Desconfio sempre de quem usa a palavra "misógino". Tanta coisa para falar de alguém que apenas sofre da doença da discrição.» Aqui.
AND LIKE ONE WHO DOESN'T WANT THE THING...

Hoje alguém, num concurso masoquista para a melhor música otovérmica, me atormentou com o infame Camouflage. Resisti enquanto pude, lembrando que Stan Ridgway foi a alma deste grande grupo, éfemero na medida certa. Os Wall Of Voodoo, numa grande canção.

quarta-feira, abril 11, 2007

ROBBIE FOWLER DEMONSTRA,AO CELEBRAR UM GOLO, O SEGREDO DA EXCELÊNCIA INGLESA


Na verdade trata-se da infame celebração de Fowler, depois dos boatos de que o jogador consumia cocaína. Respondido com classe e raiva, e em frente à turba do Everton.

terça-feira, abril 10, 2007

E DE REPENTE O FUTEBOL INGLÊS É O MELHOR DO MUNDO* Três clubes três nas meias finais da Champions (a menos que haja uma catástrofe com o Liverpool). Sete a um contra um clube italiano. Mourinho a dizer que só sai do campeonato inglês quando não o quiserem (já podes vir ver connosco os jogos ao Pump House, pá). E ainda há a UEFA. E o prazer indizível de ter escrito isto tudo.

*para os iluminados com um atraso de alguns aninhos...
Anos 90? Tarantino?

Não! 1960, The Shadows. Apache, e aquela guitarrinha de Hank Marvin...
AFORISMOS DO EMPIRISTA, vol.1:«A língua chic de Portugal é o português».
NADA COMO UM CÉPTICO PELA MANHÃ

Angelus Novus, Paul von Klee

«Há um quadro de Klee chamado Angelus Novus. Representa um anjo que parece a ponto de afastar-se para longe daquilo que está a olhar fixamente. Os seus olhos estão arregalados, a sua boca aberta, as suas asas estendidas. O anjo da história deve ter este aspecto.O seu rosto está voltado para o passado. Onde diante de nós aparece um encadeamento de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que vai empilhando incessantemente escombros sobre escombros, lançando-os diante dos seus pés. O anjo bem gostaria de se deter, despertar os mortos e recompor o que foi feito em pedaços. Mas uma tempestade sopra do Paraíso e prende-se nas suas asas com tal força, que o anjo já não as pode fechar. A tempestade irresistivelmente o impele ao futuro, para o qual ele dá as costas, enquanto o monte de escombros cresce até o céu diante dele. O que chamamos de Progresso é esta tempestade.»

O Anjo, Walter Benjamin

segunda-feira, abril 09, 2007

MY KIND OF HOLIDAY
AQUI VOS LEGO Para quem está cansado das repetições televisivas de Quo Vadis?, este extraordinário momento.

(via Terapia Metatísica)

domingo, abril 08, 2007


Erroll Garner foi e é um dos grandes pianistas jazz. Autor de um dos mais conhecidos standards - Misty -, Garner foi um autodidacta, que não sabia ler uma pauta. Mas como músico foi dos mais criativos e com um estilo pessoal marcadíssimo: a mão esquerda que fazia os acordes da melodia como uma guitarra rítmica e a direita a fazer as frases com um ligeiro atraso no tempo. Esta versão do supino All The Things You Are, de Jerome Kern - uma melodia complexa e que contém a mais milagrosa transição do B para o A - é um excelente exemplo. Enlevo puro, digo eu.
FALAR BEM DA VIZINHANÇA: Muito bom.



UMA DESGRAÇA NUNCA VEM SÓ:VEM AOS PARES Agradeço a atenção para a programação de todo o mês e especialmente para a noite de 12 de Abril. Ah pois é.´

MANIFESTO ANTI-ECOLÓGICO

«The trees, those useless tress, they never said that you were leaving».
HOJE É DIA DE FESTA.MUDANÇA DRAMÁTICA DE AMBIENTE.
`
O extraordinário Spike Jones e a sua delirante orquestra. Um maravilhoso sentido do absurdo, cartoonesco (um dia ponho aqui a sua colaboração com o grande Mel 'What's up Doc?' Blanc - e músicos virtuosos a destruirem alegremente todos os temas que tinham algum sucesso nesses dias. Divirtam-se.

A DIGNIDADE DA ALMA E VAIDADE DA VIDA

Quem pudesse mostrar o que tem na alma


Pera desenganar em tudo a vida!


Mas não sinto ninguém que trate da alma


E todos a esperança põem na vida.



O Céu é o verdadeiro lugar da alma,


E à terra basta dar-lhe o corpo e a vida,


Pois não podem ter fim os males da alma,


E passam, como sombra, os bens da vida.



Se queremos saber o preço da alma,


Vejamos que pôs Deus por ela a vida,


E viveremos n'Ele, Ele em nossa alma.



O mundo é sonho vão que enlêa a vida.


Quem nele está melhor, tem pior alma,


E quem o desprezou tem alma e vida.



Sonetos, Frei Agostinho da Cruz


Cristo Ressuscitado, Álvaro Pires de Évora, c. 1430

quinta-feira, abril 05, 2007


Abençoado o Mistério.

*com um obrigado à Darcy.

quarta-feira, abril 04, 2007


Do meu álbum preferido dos REM - Murmur (1983) -, uma das suas mais belas canções, perfeita para a quadra que vivemos. Talk About The Passion. Uma Santa Páscoa para todos.

«Not everyone can carry the weight of the world.»

terça-feira, abril 03, 2007

segunda-feira, abril 02, 2007

E SE FOR PRECISO APONTAR CULPADOS PARA ESTAS COISAS QUE AQUI SE LÊEM...falem com esta senhora, que celebra hoje o seu 4º aniversário nestas vidas. Ela é que me meteu nisto. Put the blame on Mame.




*E um grande beijinho, pois claro!
A DECADÊNCIA DO SERVIÇO PÚBLICO Pedro Rolo Duarte (ANTENA 1) perde quarenta e tal preciosos minutos da sua vida a ouvir falar de dry martinis, o estranho nome deste blogue antes de ser Tradução Simultânea, a necessidade de paixão na escrita, antigos postos de trabalho, a sublime combinação de futebol e poesia, porque me aturam no 31 da Armada, o meu caso com Norah Jones e a verdade por trás da criação do Tradução (to meet girls). Pelo meio, talvez haja algumas verdades e uma ou outra coisa mais séria. A boa notícia é quando estou calado. A confirmar, aqui mesmo, na edição de 1 de Abril (what else?).
SALDO DE UMA INCURSÃO MUITO MATINAL À BAIXA LISBOETA:Mais uma edição de Madame Bovary + Os cadernos de Platão de Peter Ackroyd+ um exemplar do diário A Bola= cinco euros e vinte e cinco cêntimos. Decididamente há um mundo paralelo que se me anda a escapar.
MESTRES DE ARTE CONTEMPORÂNEA, QUADRO Nº1

Elegância contra ignorância.

domingo, abril 01, 2007

DOS SKINS, RUDYS, MODS E OUTRAS TRIBOS

The Ruts, em 1980, numa das últimas - talvez mesmo a última - actuações do vocalista Malcolm Owen,que morreria pouco depois com uma overdose de heroína. Para quem não está familiarizado com o termo, «rude» ou «rudy» designa um membro de uma subcultura jamaicana ligada à musica ska e rocksteady, que passou para Inglaterra através dos seus emigrantes. A canção, Staring At The Rude Boys, descreve maravilhosamente o encontro nem sempre amigável entre as várias tribos (punks, rude boys, skins de esquerda e de direita). Mas para mais, consultem a wikipedia, que hoje estou preguiçoso.

*para o Francisco Mendes da Silva
ESTAMOS ABERTOS Parece que muita gente que tem por aqui passado gostaria de ter comentado as inanidades que vou semeando. Acontece que ao fazê-lo bateram com o nariz Na porta, porque este blog estava formatado para 'members only' ou coisa que o valha. Ora embora eu seja parcial a esse conceito, se abri os comentários não faz sentido estar aqui a falar sózinho. A situação já foi remediada. Por isso, feel free. A casa é vossa.

sábado, março 31, 2007

IDEAL DE VIDA *

The tiny remark that tortures you
The fear that your friends won't like her too
I'm glad that I'm not young anymore
The longing to end the stale affair
Until you find out she doesn't care
I'm glad that I'm not young anymore.

No more frustration
No star-crossed lover am I
No aggravation
Just one reluctant reply :"Lady, goodbye!"


(I'm glad I'm not young anymore, Lerner/Loewe)



*but not just yet.

Versão cantada do tema de baixo. Sinatra canta These Foolish Things em 1946, ainda no chamado «período CBS». A sua voz era ainda de um barítono bem domesticado, ao gosto da época. Apesar de ainda estar longe da voz de fumo e vida que ganhou a partir de 1950, nota-se já o fraseado original, as respirações fora de tempo, como se fosse um instrumento a fazer o seu solo. Favor fechar os olhos e ouvir.

Eis uma introdução ideal ao mundo do jazz: a extraordinária versão de These Foolish Things, efectuada pelo quarteto de Dave Brubeck em 1959. Recomendo particular atenção ao sax alto de Paul Desmond, delicado, contornando a frase, envolvendo-a. Um momento maravilhoso. Quanto ao tema, é uma enorme canção, interpretada por todos os de bom gosto, de Sinatra a Ferry.Um monumento`às pequenas coisas que nos fazem lembrar um grande amor.

sexta-feira, março 30, 2007

«OPRESSED BY THE FIGURES OF BEAUTY»

Eva Green
Será James Mercer o novo Dylan ?

Pink Bullets, dos The Shins, é de 2003. Depois disso, a banda de Mercer editou este ano o supino Wincing The Night Away. Mas esta canção, cheia de terna melancolia e abandono é das mais bonitas que conheço desde algum tempo. Com uma letra brilhante (como todas as de Mercer, que chegam a roçar o críptico) e um video genial a acompanhar, façam o favor de se apresentar à tristeza cortesia dos The Shins.

Over the ramparts you tossed
The scent of your skin and some foreign flowers
Tied to a brick
Sweet as a song
The years have been short but the days go slowly by
Two loose kites falling from the sky
Drawn to the ground and an end to flight.
UMA PALAVRA DO NOSSO PATROCINADOR: 'NMG says it all!! Sabia que o Tradução Simultânea teve um antepassado que durou dois dias e que se chamava....? Quem é o culpado deste blog ter aparecido para maçar mais as pessoas ? Para que serve este blogue ? Qual o futuro da Humanidade em geral, e a que horas é que se come? Tudo isto e muito mais informações que passava bem sem saber no próximo domingo, das 11 ao meio dia, no programa de Pedro Rolo Duarte (Antena 1). Quem for esperto ouve a horas decentes aqui.

quinta-feira, março 29, 2007

DOS ARQUIVOS DO TRADUÇÃO SIMULTÂNEA, 4 : O REGRESSO
1. Gosto de regressar. As partidas pouco me dizem. Sim, há a curiosidade do que se irá encontrar, os tropeções do acaso dos afectos e dos lugares. Mas tudo se desvanece depressa, porque o instante mata o instante seguinte; a partir de certa altura, por perversão, atavismo nacional ou nostalgia literária, é o regresso que me apetece. Agrada-me ser feito da memória que tenho, e é no regresso que ela cintila, porque assume a forma superior da saudade, perfeição absoluta limada das arestas efémeras dos dias. Voltar ao que conheço, ao que amo, é das experiências que mais acarinho na vida. Não é por acaso que me emociono sempre que oiço estes versos do Volver, que nem por isso é o meu tango preferido:

Sentir... que es un soplo la vida,
que veinte años no es nada,
que febril la mirada, errante en las sombras,
te busca y te nombra.

É esta procura do que se ama, independente do que se viu, do que passámos ou mesmo por quem passámos que para mim dá mais sentido à vida. Outro exemplo artistico desta minha filiação é o filme O Homem Tranquilo, de John Ford, onde um homem traz o seu passado para um lugar que não conhece mas que sempre conheceu ? e lentamente se integra nesse que é o mais belo regresso filmado (para além de outras motivações, mas isso é outra história).

2. Assim na vida, assim nos amores, assim na amizade. Um amigo que regressa por improváveis circunstâncias aos nossos dias e nós aos dele ? como, por felicidade, me tem acontecido várias vezes ? não tem nada que se lhe compare. Talvez o estar apaixonado, dirão. Mas apaixonar-se é uma partida, não é um regresso. Quando se volta, já há pouco a perder e não é necessária a coragem que se tem de ter sempre quando se parte. E depois há um mistério único, que confere a tudo a primeira vez: cada sorriso o primeiro, cada rua a primeira, cada palavra a primeira. Até à próxima partida, até ao próximo regresso.

(publicado em Setembro de 2003)

quarta-feira, março 28, 2007

Sempre disse, desde o início, que este blogue não era a minha vida. Evitei, o mais que pude, o estilo confessional, não por achar que é algo menos nobre ou que não se «deve» fazer, mas simplesmente por saber que a minha vida privada é, para a maior parte, privada de interesse. Nesse sentido, refugiei-me nos meus gostos e nos meus estados de espírito ocasionais, que muitas vezes não passaram de puros exercícios de estilo, para não dizer de sedução descarada. O resultado foi o pretendido: o meu blogue tornou-se muito melhor do que eu.
Mas há a vida, de facto. E quando a morte nos entra pela vida dentro, ficamos sem saber o que fazer, mesmo aqueles que como eu tentam manter uma Fé que tudo redime. Foi assim há pouco tempo, com a morte de minha Mãe. Nessa altura, e porque a dor foi mais forte, perdi o pudor e dediquei-lhe um poema de um dos seus poetas preferidos, Ruy Belo.
Quem me ensinou o peso das palavras foi a minha Mãe. Ela própria dedicou a sua vida a esta matéria-prima volátil e traidora e conseguiu, na sua área (de directora criativa de publicidade) fazer com que algumas combinações que criou passassem para um mundo maior, que é a linguagem de todos os dias. Não por acaso, lembro-me agora do «para mais tarde recordar». Nunca pensei que ganhasse esta dimensão. Se tenho algum jeito ou vocação para estas grilhetas feitas de letras a ela o devo.
Não lhe irei fazer mais elegias aqui, porque as faço todos os dias. Queria apenas agradecer a todos os que sem me conhecerem, me enviaram abraços e mensagens que para sempre me irão acompanhar. «The kindness of strangers»? Sim, e é tão bom. Por um momento, a fé na Humanidade regressou.
Agora, chegou a altura de recomeçar, maior e mais vivo. «A única maneira de continuar a viver é morrer», disse-me um amigo. E aqui se irá viver e morrer todos os dias, até quando eu quiser. Recomeço.
Nuno Miguel Guedes

sexta-feira, março 23, 2007


Gustav Mahler, Segunda sinfonia («Resurrection»), 5ºandamento (excerto). Maestro Claudio Abbado.

terça-feira, março 20, 2007

Eu vinha para a vida e dão -me dias
Reduzida ao relógio a aventura
eu próprio me despeço da lonjura
e troco por desastres alegrias


Se não cabiam nestas freguesias
os gestos que trazia agora à lura
mal assoma limito a desmesura
e cantam rouxinóis não cotovias
E digo «senhorio» «procurador»
quando quero falar da minha casa
o templo onde habita o senhor
Não pode o homem ser aquele que é
mesmo que para voar distenda a asa
ou seja natural de nazaré


Ruy Belo

Dedicado a minha Mãe, in memoriam (09/02/1938-19/03/2007)

segunda-feira, março 12, 2007


«There used to be a me, but I had it surgically removed»: uma das citações mais célebres de Peter Sellers, aqui no Muppett Show, a recitar o solilóquio de Ricardo III («Now is the winter of our discontent...») com tuned chickens.

Regressa um herói pessoal, num dos seus mais célebres e citados filmes, For Scent-imental Reasons. Imperdível a gata que diz «Le meaow...Le rrrrrr» e a poderosa one liner «I am ze blacksmith of love».Dedicado à Teresa, cúmplice neste fanatismo.

Sinatra, um hino de Harold Arlen e Johnny Mercer (cantado pela primeira vez por Fred Astaire). Se a perfeição não é isto não sei o que seja.

domingo, março 11, 2007

POST LONGO SOBRE OS ASSUNTOS DO COSTUME: BOLA E INGLATERRA Apesar de não concordar na essência daquilo que o maradona escreve magnificamente a partir do post colocado um pouco mais abaixo (e que hoje, por estar mal disposto, não irei rebater), numa coisa ele tem razão: esta selecção dos golos de Gerrard não respeita o critério da «técnica», bem ao jeito dos países do Sul. De facto, para mim o golo nº10 é de longe o melhor (concorrendo seriamente com o golo marcado ao Olimpiakos, por ser um grande golo e por ser marcado ao Olimpiakos); o resto é uma sucessão de extraordinários remates, coisa em que Gerrard é pródigo e uma das suas melhores armas. Mas se escolhi este vídeo foi mais pelo caracter de tributo épico - que muito me agrada - do que pelos exemplos que ali são dados. Porque o que Gerrard é e vale como jogador não é ali visivel. Aqueles são os momentos pessoais em que tudo se cristaliza, a recompensa maior para o jogador. O que não se vê é a extraordinária entrega de Gerrard ao jogo e à equipa, carregando-a muitas vezes ao colo, sózinho. Lembro mais uma vez a exctraordinária final AC Milan-Liverpool, em que Gerrard fez com que a equipa recuperasse de um 0-3 para 3-3, ganhando o Liverpool no prolongamento.
Esta característica é, lamento, exclusiva dos jogadores ingleses. Mourinho percebeu bem, e o Chelsea vive de Terry e Lampard para suportar as aflições. Em mais nenhum país (ou futebol) do mundo existem jogadores com esta particularidade desde que nasceram. E isso, evidentemente, é mais um passo para a superioridade da Ilha, que pode não se traduzir em títulos (mas isso até o Scolari tem), mas traduz-se em saber e prazer de quem vê. Assim de repente, lembro que há pelo menos três clubes ingleses em fases finais de contendas europeias. Não me venham falar que é da globalização dos jogadores, porque me maça.
Por agora chega. Apetecia-me venerar Toby Flood (16 pontos contra a França, o destino ingrato de ser suplente de Jonny Wilkinson e tendo ele próprio acabado o jogo lesionado), por ter recuperado a esperança para a selecção da Rosa no Torneio das Seis Nações. Mas não o vou fazer, porque Portugal ganhou ao Uruguai.

sexta-feira, março 09, 2007


Diz a lenda que foi esta a canção que Sinatra dedicou a Ava Gardner pouco depois da sua separação. Seja como for, I'm A Fool To Want You continua a ser uma das mais belas e desesperadas canções de amor - curiosamente uma das poucas que Sinatra fez questão de assinar. Aqui, numa espantosa versão/medley que inclui You don't know what love is: Elvis Costello e Chet Baker.
STEVEN GERRARD, Member Of The British Empire*
Ou o «tosco futebol inglês»


*Agraciado por SMR Isabel II no final de 2006.

quarta-feira, março 07, 2007


O único Marx que seguiria para os amanhãs que cantam dita uma carta. «Gentlemen, question mark...».
'A SENSE OF EVIL RELIGIOUS IN ITS INTENSITY'

«In all writers there occurs a moment of crystallization when the dominant theme is plainly expressed,when the private universe becomes visible even to the least sensitive reader. (...)
It is less easy to find such a crystallization in the works of James, whose chief aim was always to dramatize, who was more than usually careful to exclude the personal statement, but I think we make take the sentence in the scenario of The Ivory Tower, in which James speaks of v'the black and merciless things that are behind great possessions', as an expression of the vruling fantasy which drove him to write: a sense of evil religious in its intensity.»

Graham Greene, num ensaio sobre o seu mestre Henry James

(à natural atenção do Rogério Casanova)

Rita Hayworth e Fred Astaire mostram como a vida deveria ser. So Near, So Far, de You'll Never Get Rich (1941)

domingo, março 04, 2007

Planos criteriosamente escolhidos, diálogos ambíguos e descontextualizados, uma banda sonora a la Bernard Hermann, breve apoio de texto em legendas, edição video e audio imaculada: os ingredientes necessários para fazer um trailer para outro filme, onde Sally não vai querer mesmo que Harry a conheça. Mais do que um brilhante exercício de humor e criatividade, é um mini-ensaio sobre o cinema.


(via joaonunes.com)
DOS ARQUIVOS DO TRADUÇÃO SIMULTÂNEA,3 : 'Ah, escrever assim estas verdades! «Não era muito que Tadeu de Albuquerque fosse enganado em coisas de amor e coração de mulher, cujas variantes são tantas e tão caprichosas que eu não sei se alguma máxima pode ser-nos guia a não ser esta: "Em cada mulher, quatro mulheres incompreensíveis, pensando alternadamente como se hão-de desmentir umas às outras". Isto é o mais seguro; mas não é infalível » Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição', Julho de 2004

sexta-feira, março 02, 2007

EM TANTAS PÁGINAS, A HISTÓRIA DA MINHA VIDA
...e um dos 30 melhores livros de todos os tempos (já contando com Old Devils, do mesmo Amis, the one that really matters.
MOMENTO TERTÚLIA COR DE ROSA E NO ENTANTO EXTREMAMENTE HETEROSSEXUAL
Desculpem-me as senhoras que na blogosfera analisaram as fatiotas dos óscares: mas é que nem Balenciagas, nem Vera Wang, nem La Renta, nem Fátima Lopes. O vencedor incontestado é Armani Privé. E sobretudo quem o veste.
LATE NIGHT BAR PHILOSOPHERS, CROMO Nº13 (the Padre António Vieira edition): «O mesmo amar é causa de não amar, e o amar muito de amar menos».

quinta-feira, março 01, 2007

ELOGIO DO ENNUI, PARTE 2

As The Pierces são agora a coqueluche cá de casa. Com um vídeo maravilhoso, uma canção quase modal - não fosse o refrão - e uns versos blasés («love of my life/bare your child/everything I ever wanted/boring!»)as The Pierces merecem alguma atenção,uma espécie de versão da Paris Hilton gone wrong (e portanto right). E sim, são lindas.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007


Grande versão para uma canção de uma das poucas pessoas que me levaria a ir ver um concerto e não me maçar.
BACK TO CASABLANCA


E mal nenhum nisso. E a Cate Blanchett, senhores. A Cate Blanchett.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007



Abençoada new wave, que nos trouxe tão boas canções. Esta é uma delas: Tempted, dos Squeeze. Bem cantada, correcta e com uma grande letra sobre os dilemas do forbidden fruit, esse tema eterno. Um doce a quem reconhecer a voz de Elvis Costello (não é obviamente nenhum dos vocalistas), que produziu o disco East Side Story.
FOR HE'S A JOLLY GOOD FELLOW...OU ENTÃO NÃO.

Imperdível a série «Pérolas Vermelhas» sobre o «Paizinho dos Povos», publicadas no clássico Desinfeliz de Juízo. Atrocidades várias e rapaziada fina, cortesia do tio Zé Estaline.
SOBRE OS OSCARS



O'Toole ou nada:«Since I'm still in the game and might win the lovely bugger outright, would the Academy please defer the honour until I am 80?»

quinta-feira, fevereiro 22, 2007



É que nem 200.000 Little Britains chegam aos pés. Harry Enfield, num sketch clássico e maravilhoso.

via Tímida Intimidade


A melhor canção de amor opiáceo que conheço, e uma das mais bonitas dos últimos 40 anos. Contém um verso que me assombrou a adolescência e a que ainda hoje recorro:«Enclose me in your gentle rain».
NODDY E RUCA: O MISTÉRIO A não perder, a magnífica exegese do Tiago aos populares Noddy e Ruca. Quem tem petizes, como eu, sabe bem o que isso significa. Para os outros, fica desvendado o mistério que levou a que milhares de criancinhas andassem pelas ruas com gorros vermelhos com guizos no topo.
Eu, que estou a ficar velho («I shall wear the bottom of my trousers rolled», Prufrock de trazer por casa) ainda me lembro das primeiras animações do Noddy, assim uma espécie de sofisticada e móvel plasticina. Mas compreendo que os meus filhos delirem com as CGI do boneco, embora não compreenda o raio da tradução da canção original: "Abram alas para o Noddy" como versão para «Make way for Noddy» («Aí vem o Noddy», ou «Lá vem o Noddy», por aí) é uma solução métrica maléfica, saída da mente perversa de um Tiago Bettencourt dos Toranja ou de um letrista ex-punk. Mas isso nem sequer é o mais assustador: o Ruca é que é. O Ruca. Porque é que a criança é careca, meu Deus? Quimoterapia ? Opção estética dos pais ? Deixo a pergunta. Os meus filhos precisam de uma resposta, e eu também.
CEM ANOS E UM DIA


WH Auden, nascido em 21 de Fevereiro de 1907


II
You were silly like us; your gift survived it all:
The parish of rich women, physical decay,
Yourself. Mad Ireland hurt you into poetry.
Now Ireland has her madness and her weather still,
For poetry makes nothing happen: it survives
In the valley of its making where executives
Would never want to tamper, flows on south
From ranches of isolation and the busy griefs,
Raw towns that we believe and die in; it survives,
A way of happening, a mouth.

In memory of WB Yeats, excerto

sábado, fevereiro 17, 2007

A PROF. SHORE, NA SUA LIÇÃO «INTRODUÇÃO ÀS DELÍCIAS DO JAZZ»

A grande cantora Dinah Shore explica brevemente às crianças e ao povo o que o jazz pode fazer à nossa vida. E como exemplo, não está de modas: chama dois dos maiores saxofonistas de sempre - Gerry Mulligan (representante do west coast Jazz, o dito 'cool jazz')e o grande Ben Webster, veterano pré-bop e mestre absoluto)acompanhados de sidemen de luxo, como Mel Lewis (d), Leroy Vinegar (b) e Jimmy Rowles (p). Está tudo aqui, de bandeja, para que e perceba porque é que o jazz é a melhor música do mundo.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

HISTÓRIA DE UMA DERROTA Quer dizer: uma pessoa argumenta, primeiro com serenidade. Que a data é um disparate, mas qual Valentim, que faz tanto sentido como festejar o 4 de Julho ou queimar efigies do Guy Fawkes.
Ela ouve.
Passa-se ao paternalismo: que até no Brasil, meu Deus, no Brasil, a data se comemora como deve ser, no dia 12 de Junho, dia de Santo António.
Ela ouve.
Já de indicador em riste, diz-se que podemos ser anglófilos, mas temos orgulho em ser portugueses. Que tudo não passa de uma conspiração do Loureshopping aliado ao grupo Dolce Vita para vender peluches com corações. E que não se fala mais disso.
Ela ouve. E sorri.
Vinte minutos depois, percorremos aflitos as lojas de um centro comercial, lado a lado com irmãos que sofrem, que partilham connosco o olhar da mais doce das derrotas.


Como se fosse preciso, mais uma prova de que este homem é o maior entertainer vivo. Faz e desfaz a imagem como quer,tem mais arrogância e saber estar num pelo do peito do que os Jarvis Cocker da vida ("oh!, herege, how can he?")e é um enormíssimo letrista. Aqui, o video de She's Madonna, declaração de amor descarada com a colaboração dos Pet Shop Boys. Também à tua atenção, querida Carla.«She has to be obscene to be believed»...



Adoro uma boa canção de combate, venha de onde vier. Esta é um bom exemplo:North American Scum, LCD Sound System.
SUBSÍDIO PARA O MASSACRE DE S.VALENTIM

A rowan like a lipsticked girl.
Between the by-road and the main road
Alder trees at a wet and dripping distance
Stand off among the rushes.

There are the mud-flowers of dialect
And the immortelles of perfect pitch
And that moment when the bird sings very close
To the music of what happens.

Song, Seamus Heaney

domingo, fevereiro 11, 2007



O meu francês preferido, na França em que acredito.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

DIA 11, PERGUNTA? Não.


Michael Jackson meets Bollywood. Maravilhoso.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

A GRAMÁTICA AO SERVIÇO DA FELICIDADE INDIVIDUAL: voltar a ouvir o verbo certo, acompanhado do pronome reflexivo desejado. Repetir tudo ao intelocutor.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007



Fred Astaire e Bing Crosby, directamente dos dias em que tudo era perfeito. I'll capture your heart, do filme Holiday Inn (1942)

domingo, fevereiro 04, 2007

INVENTÁRIO PICTÓRICO DE EMOÇÕES EM TEMPO REAL


William Turner, Calais at Low Water (das Sunrise paintings)

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

SINATRA!

Uma enorme versão do Mestre para It's Alright With Me, de Cole Porter, mais uma canção de brilhantes ambiguidades afectivas. Aqui é cantada uptempo, com gosto e brilho. A sessão decorreu em meados dos anos 80, provavelmente para o álbum LA Is My Lady. Quincy Jones dirige uma all-star band, com saliência para a guitarra de George Benson. Sinatra, esse, abre o livro de como fazer swing: à frente, atrás e ao lado da orquestra, conforme o que lhe apetece, sílabas arrastadas, cortes enfáticos inesperados no fraseado, e a magnífica alteração final (que Porter abominaria!) do verso «It's the wrong lips» para o calão «It's the wrong chops». Sinatra está feliz, num dia feliz como o de hoje.
ORAÇÃO APÓCRIFA, SEGUIDA DE AGRADECIMENTO PELA GRAÇA RECEBIDA

Haven't had a dream in a long time
See the life Ive had
Can make a good man bad.

So for once in my life
Let me get what I want
Lord knows, it would be the first time


Oração atendida.


Para a P., ainda em estado de incrédulo deslumbre.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

ELOGIO DO ENNUI

E uma das mais brilhantes canções do mundo (It's a bore, letra de Alan Jay Lerner, música de Frederick Loewe), num dos melhores musicais de sempre (Gigi, de Vincent Minelli), baseado numa das mais maravilhosas e amorais histórias de todos os tempos (Gigi, de Colette).

«-Don't tell me Venice has no lure?
-Just a town without a sewer.»
EPÍGRAFE ALTERNATIVA PARA ESTE BLOGUE

«I sing what was lost and dread what was won»

WB Yeats

segunda-feira, janeiro 29, 2007

««Toutes les rues me tuent»



Assombrosa canção, assombroso Bécaud.
DOS ARQUIVOS DO TRADUÇÃO SIMULTÂNEA, 2

O HOMEM HOJE ESTÁ IMPARÁVEL No fundo o que todos desejamos é paz. Talvez seja verdade, a filosofia estóica e oriental que diz que a abolição de todos os desejos é o mais perto da perfeição. Talvez. Mas depois, para que vale a pena viver ? A inquietação, seja em que forma vier, é das poucas armas para combater a injustiça de morrer, acredite-se ou não numa vida depois da morte. Ninguém pode estar sossegado se vive, pela simples razão de que se o estiver, não vive. Vinicius dizia: «O tempo de paz/não faz nem desfaz». E isto é só uma verdade simples que atravessa toda a condição humana. Na verdade, a Humanidade é um tubarão, que se parar, morre.

(publicado em Setembro de 2004. Ainda vale por aqui)
MAIS DO QUE UM CORTE DE CABELO: foi o resto de 2006 que havia em mim, no chão, finalmente à espera de ser varrido.
CLIFFORD BROWN

Um dos raros registos vídeo (o único?) de uma actuação do maior trompetista de todos os tempos: Clifford Brown.Neste pequeno medley de Lady Be Good - Memories Of You (um burner e uma balada) nota-se desde logo a impossível clareza e precisão das frases, numa velocidade de execução e pensamento inacreditáveis.O solo em Lady Be Good é disso um excelente exemplo, com uma complexidade de estrutura inesperada e belíssima.
A lenda diz que Miles Davis suspirou de alívio quando Brown morreu. Não era para menos: em 4 anos apenas, trabalhando com Max Roach, acompanhando Helen Merrill ou Sarah Vaughan e também como líder dos seus próprios combos, a estrela de Brown brilhou com um imensíssimo fulgor. Junte-se a isto um repúdio ao estilo de vida errática de que Charlie Parker foi o mentor trágico e involuntário.Brown não se drogava, não bebia e o seu único vício era o xadrez. Esta aparição data de principios de 1956 e é particularmente comovente no final, quando Brown fala com terno orgulho do filho recém-nascido. Meses depois, em Junho, morre num acidente de viação quando ia para um concerto em Chicago. Tinha 25 anos. Deixou o jazz mais rico, e um estatuto ainda inatingível.

domingo, janeiro 28, 2007

PEQUENAS ALEGRIAS DE UM CONVALESCENTE

«Aí sonhamos que um elefante se sentou de repente sobre o nosso peito e que um vulcão explodiu e nos atirou para o fundo do mar – com o elefante ainda a dormir, tranquilamente, em cima de nós. Acordamos com a ideia de que aconteceu algo realmente terrível. A primeira impressão é de que chegou o fim do mundo; depois achamos que isso não é possível e que são ladrões e assassinos, ou então um incêndio, e exprimimos esta opinião da maneira habitual. Ninguém nos vem ajudar, porém, e tudo quanto sabemos é que há milhares de pessoas a dar-nos pontapés e que estamos a ser estrangulados.
Mas parece que não somos os únicos metidos em sarilhos. Ouvimos gritos abafados que vêm debaixo da cama. Determinados a lutar pela vida, aconteça o que acontecer, agitamo-nos freneticamente, aos socos para a esquerda e para a direita, sem parar de gritar e, finalmente, alguma coisa cede e encontramo-nos com a cabeça ao ar livre. A meio metro de distância está um rufia meio nu à espera de nos matar e já nos estamos a preparar para travar com ele um combate de vida ou morte quando começa a fazer-se luz no nosso espírito:é o Jim.
-Ah! És tu! – diz ele, reconhecendo-nos no mesmo instante.
- Sim, sou eu – respondo, esfregando os olhos. – O que aconteceu?
- A maldita tenda caiu-nos em cima, acho eu – diz ele. – Onde está o Bill?
Então ambos erguemos as vozes e gritamos «Bill!» e o chão debaixo dos nossos pés oscila e treme, e a voz abafada que já tínhamos ouvido antes replica de entre as ruínas:
- Saem de cima de mim, ou quê? »

Lendo pela terceira vez (e primeira em português, na excelente tradução de Luísa Feijó) Three men in a boat (to say nothing of the dog
), de Jerome K. Jerome

sábado, janeiro 27, 2007

UM CONSELHO DO NOSSO PATROCINADOR

quinta-feira, janeiro 25, 2007

AGORA ISTO É CAPAZ DE APARECER AMANHÃ...


Até porque já tinha saudades dos dias em que quis ser dandy...

I'm the dandy highwayman who you're too scared to mention
I spend my cash on looking flash and grabbing your attention
The devil take your stereo and your record collection!
The way you look you'll qualify for next year's old age pension!

Stand and deliver!The money or your life!
Try and use a mirror no bullet or a knife!

quarta-feira, janeiro 24, 2007

MINHAS QUERIDAS AMIGAS, deveriam saber melhor: por muito lamentável que esteja um sashimi, nunca mas nunca se pede discos aos djays, sob pena de sair o tiro pela culatra. Posso dizer-vos isto: se bem conheço os meus camaradas de pratos, vai haver brit coisa a dar com um pau - e acho muito bem. Da vossa lista de no-no's concordo com muitos pontos e há coisas que há muito deixei de passar - da Ciccone, por exemplo, acabou-se o Confessions ...o disco mais chato do mundo. Outras, é o meu habitual parceiro dos 2DJ's que gosta - como o Nowhere Fast (o do "Godspeed, speed us away...". Eu sou mais pop e demagogo (como eles me chamam), mas não trago a minha discoteca para o Frágil, senão era só jazz e injecções de Sinatra.
Pela minha parte, tentarei que passem mais tempo na pista do que a retocarem a maquilhagem. Até porque sinceramente não precisam. See you there!

terça-feira, janeiro 23, 2007

When the daylight's like flourescent lights
I'm going to take my time night by night
I hang my hands over your eyes to hide.


Emily Haines, Telethon
MAS DE FACTO, POR AQUI HÁ UM NOVO AMOR:

Emily Haines, Dr.Blind. Do álbum Knives Don't Have Your Back. Grande canção, grande disco, grande senhora.
O AUTOR RESPONDE A SUN TZU, ENQUANTO BEBE À LAREIRA UM MANHATTAN ACABADINHO DE FAZER

segunda-feira, janeiro 22, 2007

SUN TZU, SOBRE A VIDA AFECTIVA DO AUTOR: «Mais uma vez entre manter a cidadela e o desejo de acenar a bandeira branca».

BREVE CONSOLO PARA A RAPAZIADA DE LETRAS
Maravilhosos exemplos de respostas a exercícios de matemática. Gosto sobretudo do "find x" - "here it is!"

(via Tecnotretas)
Pequeno intervalo para a lamechice musical do blogger
Estava-se em 1979. O punk, se não já defunto, sentia-se muito muito mal. Os Clash davam cartas. A new wave lançava alguns dos seus nomes maiores. Os Joy Division já tinham editado o excelso Unknown Pleasures. Qualquer adolescente de 15 anos com a sorte de estar informado sabia isso. Mas se numa festa de garagem persistisse nesse name dropping, espantaria toda e qualquer remota possibilidade de namorada.
Por isso, sabiamente, recorria-se à Electric Light Orchestra, do algo azeiteiro Jeff Lynne. O álbum Discovery foi lançado também em 1979, e trazia uma furiosa mistura de Beatles, Beach Boys e disco sound, com o seu apogeu em temas como Last Train To London ou Shine A Little Love. Soft-rock certinho e certeiro, melodias de levar para casa,como uma doença, como as que actualmente praticam e copiam os The Feeling. E sobretudo - sobretudo, meus amigos - grandes slows, como se dizia à época. Canções downtempo, para dançar agarradinho e tentar a nossa sorte. Este Need Her Love é um exemplo. Aos 15 anos, fui lá muito feliz e infeliz e feliz outra vez, como devem ser as púberes paixões.
DID I GOOGLE MYSELF TO SLEEP? Alguém aqui chegou através de "frases de amor não correspondido".

domingo, janeiro 21, 2007


O Mestre no auge da sua forma, alegremente sabotado pelos amigalhaços:"Keep singin' 'till you get it right, baby!". A arte perdida de viver.