sábado, março 31, 2007
IDEAL DE VIDA *
The tiny remark that tortures you
The fear that your friends won't like her too
I'm glad that I'm not young anymore
The longing to end the stale affair
Until you find out she doesn't care
I'm glad that I'm not young anymore.
No more frustration
No star-crossed lover am I
No aggravation
Just one reluctant reply :"Lady, goodbye!"
(I'm glad I'm not young anymore, Lerner/Loewe)
*but not just yet.
The tiny remark that tortures you
The fear that your friends won't like her too
I'm glad that I'm not young anymore
The longing to end the stale affair
Until you find out she doesn't care
I'm glad that I'm not young anymore.
No more frustration
No star-crossed lover am I
No aggravation
Just one reluctant reply :"Lady, goodbye!"
(I'm glad I'm not young anymore, Lerner/Loewe)
*but not just yet.
Versão cantada do tema de baixo. Sinatra canta These Foolish Things em 1946, ainda no chamado «período CBS». A sua voz era ainda de um barítono bem domesticado, ao gosto da época. Apesar de ainda estar longe da voz de fumo e vida que ganhou a partir de 1950, nota-se já o fraseado original, as respirações fora de tempo, como se fosse um instrumento a fazer o seu solo. Favor fechar os olhos e ouvir.
Eis uma introdução ideal ao mundo do jazz: a extraordinária versão de These Foolish Things, efectuada pelo quarteto de Dave Brubeck em 1959. Recomendo particular atenção ao sax alto de Paul Desmond, delicado, contornando a frase, envolvendo-a. Um momento maravilhoso. Quanto ao tema, é uma enorme canção, interpretada por todos os de bom gosto, de Sinatra a Ferry.Um monumento`às pequenas coisas que nos fazem lembrar um grande amor.
sexta-feira, março 30, 2007
Será James Mercer o novo Dylan ?
Pink Bullets, dos The Shins, é de 2003. Depois disso, a banda de Mercer editou este ano o supino Wincing The Night Away. Mas esta canção, cheia de terna melancolia e abandono é das mais bonitas que conheço desde algum tempo. Com uma letra brilhante (como todas as de Mercer, que chegam a roçar o críptico) e um video genial a acompanhar, façam o favor de se apresentar à tristeza cortesia dos The Shins.
Over the ramparts you tossed
The scent of your skin and some foreign flowers
Tied to a brick
Sweet as a song
The years have been short but the days go slowly by
Two loose kites falling from the sky
Drawn to the ground and an end to flight.
Pink Bullets, dos The Shins, é de 2003. Depois disso, a banda de Mercer editou este ano o supino Wincing The Night Away. Mas esta canção, cheia de terna melancolia e abandono é das mais bonitas que conheço desde algum tempo. Com uma letra brilhante (como todas as de Mercer, que chegam a roçar o críptico) e um video genial a acompanhar, façam o favor de se apresentar à tristeza cortesia dos The Shins.
Over the ramparts you tossed
The scent of your skin and some foreign flowers
Tied to a brick
Sweet as a song
The years have been short but the days go slowly by
Two loose kites falling from the sky
Drawn to the ground and an end to flight.
UMA PALAVRA DO NOSSO PATROCINADOR: 'NMG says it all!! Sabia que o Tradução Simultânea teve um antepassado que durou dois dias e que se chamava....? Quem é o culpado deste blog ter aparecido para maçar mais as pessoas ? Para que serve este blogue ? Qual o futuro da Humanidade em geral, e a que horas é que se come? Tudo isto e muito mais informações que passava bem sem saber no próximo domingo, das 11 ao meio dia, no programa de Pedro Rolo Duarte (Antena 1). Quem for esperto ouve a horas decentes aqui.
quinta-feira, março 29, 2007
DOS ARQUIVOS DO TRADUÇÃO SIMULTÂNEA, 4 : O REGRESSO
1. Gosto de regressar. As partidas pouco me dizem. Sim, há a curiosidade do que se irá encontrar, os tropeções do acaso dos afectos e dos lugares. Mas tudo se desvanece depressa, porque o instante mata o instante seguinte; a partir de certa altura, por perversão, atavismo nacional ou nostalgia literária, é o regresso que me apetece. Agrada-me ser feito da memória que tenho, e é no regresso que ela cintila, porque assume a forma superior da saudade, perfeição absoluta limada das arestas efémeras dos dias. Voltar ao que conheço, ao que amo, é das experiências que mais acarinho na vida. Não é por acaso que me emociono sempre que oiço estes versos do Volver, que nem por isso é o meu tango preferido:
Sentir... que es un soplo la vida,
que veinte años no es nada,
que febril la mirada, errante en las sombras,
te busca y te nombra.
É esta procura do que se ama, independente do que se viu, do que passámos ou mesmo por quem passámos que para mim dá mais sentido à vida. Outro exemplo artistico desta minha filiação é o filme O Homem Tranquilo, de John Ford, onde um homem traz o seu passado para um lugar que não conhece mas que sempre conheceu ? e lentamente se integra nesse que é o mais belo regresso filmado (para além de outras motivações, mas isso é outra história).
2. Assim na vida, assim nos amores, assim na amizade. Um amigo que regressa por improváveis circunstâncias aos nossos dias e nós aos dele ? como, por felicidade, me tem acontecido várias vezes ? não tem nada que se lhe compare. Talvez o estar apaixonado, dirão. Mas apaixonar-se é uma partida, não é um regresso. Quando se volta, já há pouco a perder e não é necessária a coragem que se tem de ter sempre quando se parte. E depois há um mistério único, que confere a tudo a primeira vez: cada sorriso o primeiro, cada rua a primeira, cada palavra a primeira. Até à próxima partida, até ao próximo regresso.
(publicado em Setembro de 2003)
1. Gosto de regressar. As partidas pouco me dizem. Sim, há a curiosidade do que se irá encontrar, os tropeções do acaso dos afectos e dos lugares. Mas tudo se desvanece depressa, porque o instante mata o instante seguinte; a partir de certa altura, por perversão, atavismo nacional ou nostalgia literária, é o regresso que me apetece. Agrada-me ser feito da memória que tenho, e é no regresso que ela cintila, porque assume a forma superior da saudade, perfeição absoluta limada das arestas efémeras dos dias. Voltar ao que conheço, ao que amo, é das experiências que mais acarinho na vida. Não é por acaso que me emociono sempre que oiço estes versos do Volver, que nem por isso é o meu tango preferido:
Sentir... que es un soplo la vida,
que veinte años no es nada,
que febril la mirada, errante en las sombras,
te busca y te nombra.
É esta procura do que se ama, independente do que se viu, do que passámos ou mesmo por quem passámos que para mim dá mais sentido à vida. Outro exemplo artistico desta minha filiação é o filme O Homem Tranquilo, de John Ford, onde um homem traz o seu passado para um lugar que não conhece mas que sempre conheceu ? e lentamente se integra nesse que é o mais belo regresso filmado (para além de outras motivações, mas isso é outra história).
2. Assim na vida, assim nos amores, assim na amizade. Um amigo que regressa por improváveis circunstâncias aos nossos dias e nós aos dele ? como, por felicidade, me tem acontecido várias vezes ? não tem nada que se lhe compare. Talvez o estar apaixonado, dirão. Mas apaixonar-se é uma partida, não é um regresso. Quando se volta, já há pouco a perder e não é necessária a coragem que se tem de ter sempre quando se parte. E depois há um mistério único, que confere a tudo a primeira vez: cada sorriso o primeiro, cada rua a primeira, cada palavra a primeira. Até à próxima partida, até ao próximo regresso.
(publicado em Setembro de 2003)
quarta-feira, março 28, 2007
Sempre disse, desde o início, que este blogue não era a minha vida. Evitei, o mais que pude, o estilo confessional, não por achar que é algo menos nobre ou que não se «deve» fazer, mas simplesmente por saber que a minha vida privada é, para a maior parte, privada de interesse. Nesse sentido, refugiei-me nos meus gostos e nos meus estados de espírito ocasionais, que muitas vezes não passaram de puros exercícios de estilo, para não dizer de sedução descarada. O resultado foi o pretendido: o meu blogue tornou-se muito melhor do que eu.Mas há a vida, de facto. E quando a morte nos entra pela vida dentro, ficamos sem saber o que fazer, mesmo aqueles que como eu tentam manter uma Fé que tudo redime. Foi assim há pouco tempo, com a morte de minha Mãe. Nessa altura, e porque a dor foi mais forte, perdi o pudor e dediquei-lhe um poema de um dos seus poetas preferidos, Ruy Belo.
Quem me ensinou o peso das palavras foi a minha Mãe. Ela própria dedicou a sua vida a esta matéria-prima volátil e traidora e conseguiu, na sua área (de directora criativa de publicidade) fazer com que algumas combinações que criou passassem para um mundo maior, que é a linguagem de todos os dias. Não por acaso, lembro-me agora do «para mais tarde recordar». Nunca pensei que ganhasse esta dimensão. Se tenho algum jeito ou vocação para estas grilhetas feitas de letras a ela o devo.
Não lhe irei fazer mais elegias aqui, porque as faço todos os dias. Queria apenas agradecer a todos os que sem me conhecerem, me enviaram abraços e mensagens que para sempre me irão acompanhar. «The kindness of strangers»? Sim, e é tão bom. Por um momento, a fé na Humanidade regressou.
Agora, chegou a altura de recomeçar, maior e mais vivo. «A única maneira de continuar a viver é morrer», disse-me um amigo. E aqui se irá viver e morrer todos os dias, até quando eu quiser. Recomeço.
Nuno Miguel Guedes
segunda-feira, março 26, 2007
sábado, março 24, 2007
sexta-feira, março 23, 2007
terça-feira, março 20, 2007
Eu vinha para a vida e dão -me dias
Reduzida ao relógio a aventura
eu próprio me despeço da lonjura
e troco por desastres alegrias
Se não cabiam nestas freguesias
os gestos que trazia agora à lura
mal assoma limito a desmesura
e cantam rouxinóis não cotovias
E digo «senhorio» «procurador»
quando quero falar da minha casa
o templo onde habita o senhor
Não pode o homem ser aquele que é
mesmo que para voar distenda a asa
ou seja natural de nazaré
Ruy Belo
Dedicado a minha Mãe, in memoriam (09/02/1938-19/03/2007)
segunda-feira, março 12, 2007
Regressa um herói pessoal, num dos seus mais célebres e citados filmes, For Scent-imental Reasons. Imperdível a gata que diz «Le meaow...Le rrrrrr» e a poderosa one liner «I am ze blacksmith of love».Dedicado à Teresa, cúmplice neste fanatismo.
domingo, março 11, 2007
POST LONGO SOBRE OS ASSUNTOS DO COSTUME: BOLA E INGLATERRA Apesar de não concordar na essência daquilo que o maradona escreve magnificamente a partir do post colocado um pouco mais abaixo (e que hoje, por estar mal disposto, não irei rebater), numa coisa ele tem razão: esta selecção dos golos de Gerrard não respeita o critério da «técnica», bem ao jeito dos países do Sul. De facto, para mim o golo nº10 é de longe o melhor (concorrendo seriamente com o golo marcado ao Olimpiakos, por ser um grande golo e por ser marcado ao Olimpiakos); o resto é uma sucessão de extraordinários remates, coisa em que Gerrard é pródigo e uma das suas melhores armas. Mas se escolhi este vídeo foi mais pelo caracter de tributo épico - que muito me agrada - do que pelos exemplos que ali são dados. Porque o que Gerrard é e vale como jogador não é ali visivel. Aqueles são os momentos pessoais em que tudo se cristaliza, a recompensa maior para o jogador. O que não se vê é a extraordinária entrega de Gerrard ao jogo e à equipa, carregando-a muitas vezes ao colo, sózinho. Lembro mais uma vez a exctraordinária final AC Milan-Liverpool, em que Gerrard fez com que a equipa recuperasse de um 0-3 para 3-3, ganhando o Liverpool no prolongamento.
Esta característica é, lamento, exclusiva dos jogadores ingleses. Mourinho percebeu bem, e o Chelsea vive de Terry e Lampard para suportar as aflições. Em mais nenhum país (ou futebol) do mundo existem jogadores com esta particularidade desde que nasceram. E isso, evidentemente, é mais um passo para a superioridade da Ilha, que pode não se traduzir em títulos (mas isso até o Scolari tem), mas traduz-se em saber e prazer de quem vê. Assim de repente, lembro que há pelo menos três clubes ingleses em fases finais de contendas europeias. Não me venham falar que é da globalização dos jogadores, porque me maça.
Por agora chega. Apetecia-me venerar Toby Flood (16 pontos contra a França, o destino ingrato de ser suplente de Jonny Wilkinson e tendo ele próprio acabado o jogo lesionado), por ter recuperado a esperança para a selecção da Rosa no Torneio das Seis Nações. Mas não o vou fazer, porque Portugal ganhou ao Uruguai.
Esta característica é, lamento, exclusiva dos jogadores ingleses. Mourinho percebeu bem, e o Chelsea vive de Terry e Lampard para suportar as aflições. Em mais nenhum país (ou futebol) do mundo existem jogadores com esta particularidade desde que nasceram. E isso, evidentemente, é mais um passo para a superioridade da Ilha, que pode não se traduzir em títulos (mas isso até o Scolari tem), mas traduz-se em saber e prazer de quem vê. Assim de repente, lembro que há pelo menos três clubes ingleses em fases finais de contendas europeias. Não me venham falar que é da globalização dos jogadores, porque me maça.
Por agora chega. Apetecia-me venerar Toby Flood (16 pontos contra a França, o destino ingrato de ser suplente de Jonny Wilkinson e tendo ele próprio acabado o jogo lesionado), por ter recuperado a esperança para a selecção da Rosa no Torneio das Seis Nações. Mas não o vou fazer, porque Portugal ganhou ao Uruguai.
sexta-feira, março 09, 2007
Diz a lenda que foi esta a canção que Sinatra dedicou a Ava Gardner pouco depois da sua separação. Seja como for, I'm A Fool To Want You continua a ser uma das mais belas e desesperadas canções de amor - curiosamente uma das poucas que Sinatra fez questão de assinar. Aqui, numa espantosa versão/medley que inclui You don't know what love is: Elvis Costello e Chet Baker.
quarta-feira, março 07, 2007
'A SENSE OF EVIL RELIGIOUS IN ITS INTENSITY'
«In all writers there occurs a moment of crystallization when the dominant theme is plainly expressed,when the private universe becomes visible even to the least sensitive reader. (...)
It is less easy to find such a crystallization in the works of James, whose chief aim was always to dramatize, who was more than usually careful to exclude the personal statement, but I think we make take the sentence in the scenario of The Ivory Tower, in which James speaks of v'the black and merciless things that are behind great possessions', as an expression of the vruling fantasy which drove him to write: a sense of evil religious in its intensity.»
Graham Greene, num ensaio sobre o seu mestre Henry James
(à natural atenção do Rogério Casanova)
«In all writers there occurs a moment of crystallization when the dominant theme is plainly expressed,when the private universe becomes visible even to the least sensitive reader. (...)
It is less easy to find such a crystallization in the works of James, whose chief aim was always to dramatize, who was more than usually careful to exclude the personal statement, but I think we make take the sentence in the scenario of The Ivory Tower, in which James speaks of v'the black and merciless things that are behind great possessions', as an expression of the vruling fantasy which drove him to write: a sense of evil religious in its intensity.»
Graham Greene, num ensaio sobre o seu mestre Henry James
(à natural atenção do Rogério Casanova)
domingo, março 04, 2007
Planos criteriosamente escolhidos, diálogos ambíguos e descontextualizados, uma banda sonora a la Bernard Hermann, breve apoio de texto em legendas, edição video e audio imaculada: os ingredientes necessários para fazer um trailer para outro filme, onde Sally não vai querer mesmo que Harry a conheça. Mais do que um brilhante exercício de humor e criatividade, é um mini-ensaio sobre o cinema.
(via joaonunes.com)
(via joaonunes.com)
DOS ARQUIVOS DO TRADUÇÃO SIMULTÂNEA,3 : 'Ah, escrever assim estas verdades! «Não era muito que Tadeu de Albuquerque fosse enganado em coisas de amor e coração de mulher, cujas variantes são tantas e tão caprichosas que eu não sei se alguma máxima pode ser-nos guia a não ser esta: "Em cada mulher, quatro mulheres incompreensíveis, pensando alternadamente como se hão-de desmentir umas às outras". Isto é o mais seguro; mas não é infalível » Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição', Julho de 2004
sexta-feira, março 02, 2007
quinta-feira, março 01, 2007
ELOGIO DO ENNUI, PARTE 2
As The Pierces são agora a coqueluche cá de casa. Com um vídeo maravilhoso, uma canção quase modal - não fosse o refrão - e uns versos blasés («love of my life/bare your child/everything I ever wanted/boring!»)as The Pierces merecem alguma atenção,uma espécie de versão da Paris Hilton gone wrong (e portanto right). E sim, são lindas.
As The Pierces são agora a coqueluche cá de casa. Com um vídeo maravilhoso, uma canção quase modal - não fosse o refrão - e uns versos blasés («love of my life/bare your child/everything I ever wanted/boring!»)as The Pierces merecem alguma atenção,uma espécie de versão da Paris Hilton gone wrong (e portanto right). E sim, são lindas.
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Abençoada new wave, que nos trouxe tão boas canções. Esta é uma delas: Tempted, dos Squeeze. Bem cantada, correcta e com uma grande letra sobre os dilemas do forbidden fruit, esse tema eterno. Um doce a quem reconhecer a voz de Elvis Costello (não é obviamente nenhum dos vocalistas), que produziu o disco East Side Story.
FOR HE'S A JOLLY GOOD FELLOW...OU ENTÃO NÃO.
Imperdível a série «Pérolas Vermelhas» sobre o «Paizinho dos Povos», publicadas no clássico Desinfeliz de Juízo. Atrocidades várias e rapaziada fina, cortesia do tio Zé Estaline.
Imperdível a série «Pérolas Vermelhas» sobre o «Paizinho dos Povos», publicadas no clássico Desinfeliz de Juízo. Atrocidades várias e rapaziada fina, cortesia do tio Zé Estaline.
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
É que nem 200.000 Little Britains chegam aos pés. Harry Enfield, num sketch clássico e maravilhoso.
via Tímida Intimidade
NODDY E RUCA: O MISTÉRIO A não perder, a magnífica exegese do Tiago aos populares Noddy e Ruca. Quem tem petizes, como eu, sabe bem o que isso significa. Para os outros, fica desvendado o mistério que levou a que milhares de criancinhas andassem pelas ruas com gorros vermelhos com guizos no topo.
Eu, que estou a ficar velho («I shall wear the bottom of my trousers rolled», Prufrock de trazer por casa) ainda me lembro das primeiras animações do Noddy, assim uma espécie de sofisticada e móvel plasticina. Mas compreendo que os meus filhos delirem com as CGI do boneco, embora não compreenda o raio da tradução da canção original: "Abram alas para o Noddy" como versão para «Make way for Noddy» («Aí vem o Noddy», ou «Lá vem o Noddy», por aí) é uma solução métrica maléfica, saída da mente perversa de um Tiago Bettencourt dos Toranja ou de um letrista ex-punk. Mas isso nem sequer é o mais assustador: o Ruca é que é. O Ruca. Porque é que a criança é careca, meu Deus? Quimoterapia ? Opção estética dos pais ? Deixo a pergunta. Os meus filhos precisam de uma resposta, e eu também.
Eu, que estou a ficar velho («I shall wear the bottom of my trousers rolled», Prufrock de trazer por casa) ainda me lembro das primeiras animações do Noddy, assim uma espécie de sofisticada e móvel plasticina. Mas compreendo que os meus filhos delirem com as CGI do boneco, embora não compreenda o raio da tradução da canção original: "Abram alas para o Noddy" como versão para «Make way for Noddy» («Aí vem o Noddy», ou «Lá vem o Noddy», por aí) é uma solução métrica maléfica, saída da mente perversa de um Tiago Bettencourt dos Toranja ou de um letrista ex-punk. Mas isso nem sequer é o mais assustador: o Ruca é que é. O Ruca. Porque é que a criança é careca, meu Deus? Quimoterapia ? Opção estética dos pais ? Deixo a pergunta. Os meus filhos precisam de uma resposta, e eu também.
CEM ANOS E UM DIA

WH Auden, nascido em 21 de Fevereiro de 1907
II
You were silly like us; your gift survived it all:
The parish of rich women, physical decay,
Yourself. Mad Ireland hurt you into poetry.
Now Ireland has her madness and her weather still,
For poetry makes nothing happen: it survives
In the valley of its making where executives
Would never want to tamper, flows on south
From ranches of isolation and the busy griefs,
Raw towns that we believe and die in; it survives,
A way of happening, a mouth.
In memory of WB Yeats, excerto

WH Auden, nascido em 21 de Fevereiro de 1907
II
You were silly like us; your gift survived it all:
The parish of rich women, physical decay,
Yourself. Mad Ireland hurt you into poetry.
Now Ireland has her madness and her weather still,
For poetry makes nothing happen: it survives
In the valley of its making where executives
Would never want to tamper, flows on south
From ranches of isolation and the busy griefs,
Raw towns that we believe and die in; it survives,
A way of happening, a mouth.
In memory of WB Yeats, excerto
sábado, fevereiro 17, 2007
A PROF. SHORE, NA SUA LIÇÃO «INTRODUÇÃO ÀS DELÍCIAS DO JAZZ»
A grande cantora Dinah Shore explica brevemente às crianças e ao povo o que o jazz pode fazer à nossa vida. E como exemplo, não está de modas: chama dois dos maiores saxofonistas de sempre - Gerry Mulligan (representante do west coast Jazz, o dito 'cool jazz')e o grande Ben Webster, veterano pré-bop e mestre absoluto)acompanhados de sidemen de luxo, como Mel Lewis (d), Leroy Vinegar (b) e Jimmy Rowles (p). Está tudo aqui, de bandeja, para que e perceba porque é que o jazz é a melhor música do mundo.
A grande cantora Dinah Shore explica brevemente às crianças e ao povo o que o jazz pode fazer à nossa vida. E como exemplo, não está de modas: chama dois dos maiores saxofonistas de sempre - Gerry Mulligan (representante do west coast Jazz, o dito 'cool jazz')e o grande Ben Webster, veterano pré-bop e mestre absoluto)acompanhados de sidemen de luxo, como Mel Lewis (d), Leroy Vinegar (b) e Jimmy Rowles (p). Está tudo aqui, de bandeja, para que e perceba porque é que o jazz é a melhor música do mundo.
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
HISTÓRIA DE UMA DERROTA Quer dizer: uma pessoa argumenta, primeiro com serenidade. Que a data é um disparate, mas qual Valentim, que faz tanto sentido como festejar o 4 de Julho ou queimar efigies do Guy Fawkes.
Ela ouve.
Passa-se ao paternalismo: que até no Brasil, meu Deus, no Brasil, a data se comemora como deve ser, no dia 12 de Junho, dia de Santo António.
Ela ouve.
Já de indicador em riste, diz-se que podemos ser anglófilos, mas temos orgulho em ser portugueses. Que tudo não passa de uma conspiração do Loureshopping aliado ao grupo Dolce Vita para vender peluches com corações. E que não se fala mais disso.
Ela ouve. E sorri.
Vinte minutos depois, percorremos aflitos as lojas de um centro comercial, lado a lado com irmãos que sofrem, que partilham connosco o olhar da mais doce das derrotas.
Ela ouve.
Passa-se ao paternalismo: que até no Brasil, meu Deus, no Brasil, a data se comemora como deve ser, no dia 12 de Junho, dia de Santo António.
Ela ouve.
Já de indicador em riste, diz-se que podemos ser anglófilos, mas temos orgulho em ser portugueses. Que tudo não passa de uma conspiração do Loureshopping aliado ao grupo Dolce Vita para vender peluches com corações. E que não se fala mais disso.
Ela ouve. E sorri.
Vinte minutos depois, percorremos aflitos as lojas de um centro comercial, lado a lado com irmãos que sofrem, que partilham connosco o olhar da mais doce das derrotas.
Como se fosse preciso, mais uma prova de que este homem é o maior entertainer vivo. Faz e desfaz a imagem como quer,tem mais arrogância e saber estar num pelo do peito do que os Jarvis Cocker da vida ("oh!, herege, how can he?")e é um enormíssimo letrista. Aqui, o video de She's Madonna, declaração de amor descarada com a colaboração dos Pet Shop Boys. Também à tua atenção, querida Carla.«She has to be obscene to be believed»...
SUBSÍDIO PARA O MASSACRE DE S.VALENTIM
A rowan like a lipsticked girl.
Between the by-road and the main road
Alder trees at a wet and dripping distance
Stand off among the rushes.
There are the mud-flowers of dialect
And the immortelles of perfect pitch
And that moment when the bird sings very close
To the music of what happens.
Song, Seamus Heaney
A rowan like a lipsticked girl.
Between the by-road and the main road
Alder trees at a wet and dripping distance
Stand off among the rushes.
There are the mud-flowers of dialect
And the immortelles of perfect pitch
And that moment when the bird sings very close
To the music of what happens.
Song, Seamus Heaney
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
domingo, fevereiro 04, 2007
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
SINATRA!
Uma enorme versão do Mestre para It's Alright With Me, de Cole Porter, mais uma canção de brilhantes ambiguidades afectivas. Aqui é cantada uptempo, com gosto e brilho. A sessão decorreu em meados dos anos 80, provavelmente para o álbum LA Is My Lady. Quincy Jones dirige uma all-star band, com saliência para a guitarra de George Benson. Sinatra, esse, abre o livro de como fazer swing: à frente, atrás e ao lado da orquestra, conforme o que lhe apetece, sílabas arrastadas, cortes enfáticos inesperados no fraseado, e a magnífica alteração final (que Porter abominaria!) do verso «It's the wrong lips» para o calão «It's the wrong chops». Sinatra está feliz, num dia feliz como o de hoje.
Uma enorme versão do Mestre para It's Alright With Me, de Cole Porter, mais uma canção de brilhantes ambiguidades afectivas. Aqui é cantada uptempo, com gosto e brilho. A sessão decorreu em meados dos anos 80, provavelmente para o álbum LA Is My Lady. Quincy Jones dirige uma all-star band, com saliência para a guitarra de George Benson. Sinatra, esse, abre o livro de como fazer swing: à frente, atrás e ao lado da orquestra, conforme o que lhe apetece, sílabas arrastadas, cortes enfáticos inesperados no fraseado, e a magnífica alteração final (que Porter abominaria!) do verso «It's the wrong lips» para o calão «It's the wrong chops». Sinatra está feliz, num dia feliz como o de hoje.
quarta-feira, janeiro 31, 2007
ELOGIO DO ENNUI
E uma das mais brilhantes canções do mundo (It's a bore, letra de Alan Jay Lerner, música de Frederick Loewe), num dos melhores musicais de sempre (Gigi, de Vincent Minelli), baseado numa das mais maravilhosas e amorais histórias de todos os tempos (Gigi, de Colette).
«-Don't tell me Venice has no lure?
-Just a town without a sewer.»
E uma das mais brilhantes canções do mundo (It's a bore, letra de Alan Jay Lerner, música de Frederick Loewe), num dos melhores musicais de sempre (Gigi, de Vincent Minelli), baseado numa das mais maravilhosas e amorais histórias de todos os tempos (Gigi, de Colette).
«-Don't tell me Venice has no lure?
-Just a town without a sewer.»
segunda-feira, janeiro 29, 2007
DOS ARQUIVOS DO TRADUÇÃO SIMULTÂNEA, 2
O HOMEM HOJE ESTÁ IMPARÁVEL No fundo o que todos desejamos é paz. Talvez seja verdade, a filosofia estóica e oriental que diz que a abolição de todos os desejos é o mais perto da perfeição. Talvez. Mas depois, para que vale a pena viver ? A inquietação, seja em que forma vier, é das poucas armas para combater a injustiça de morrer, acredite-se ou não numa vida depois da morte. Ninguém pode estar sossegado se vive, pela simples razão de que se o estiver, não vive. Vinicius dizia: «O tempo de paz/não faz nem desfaz». E isto é só uma verdade simples que atravessa toda a condição humana. Na verdade, a Humanidade é um tubarão, que se parar, morre.
(publicado em Setembro de 2004. Ainda vale por aqui)
O HOMEM HOJE ESTÁ IMPARÁVEL No fundo o que todos desejamos é paz. Talvez seja verdade, a filosofia estóica e oriental que diz que a abolição de todos os desejos é o mais perto da perfeição. Talvez. Mas depois, para que vale a pena viver ? A inquietação, seja em que forma vier, é das poucas armas para combater a injustiça de morrer, acredite-se ou não numa vida depois da morte. Ninguém pode estar sossegado se vive, pela simples razão de que se o estiver, não vive. Vinicius dizia: «O tempo de paz/não faz nem desfaz». E isto é só uma verdade simples que atravessa toda a condição humana. Na verdade, a Humanidade é um tubarão, que se parar, morre.
(publicado em Setembro de 2004. Ainda vale por aqui)
CLIFFORD BROWN
Um dos raros registos vídeo (o único?) de uma actuação do maior trompetista de todos os tempos: Clifford Brown.Neste pequeno medley de Lady Be Good - Memories Of You (um burner e uma balada) nota-se desde logo a impossível clareza e precisão das frases, numa velocidade de execução e pensamento inacreditáveis.O solo em Lady Be Good é disso um excelente exemplo, com uma complexidade de estrutura inesperada e belíssima.
A lenda diz que Miles Davis suspirou de alívio quando Brown morreu. Não era para menos: em 4 anos apenas, trabalhando com Max Roach, acompanhando Helen Merrill ou Sarah Vaughan e também como líder dos seus próprios combos, a estrela de Brown brilhou com um imensíssimo fulgor. Junte-se a isto um repúdio ao estilo de vida errática de que Charlie Parker foi o mentor trágico e involuntário.Brown não se drogava, não bebia e o seu único vício era o xadrez. Esta aparição data de principios de 1956 e é particularmente comovente no final, quando Brown fala com terno orgulho do filho recém-nascido. Meses depois, em Junho, morre num acidente de viação quando ia para um concerto em Chicago. Tinha 25 anos. Deixou o jazz mais rico, e um estatuto ainda inatingível.
Um dos raros registos vídeo (o único?) de uma actuação do maior trompetista de todos os tempos: Clifford Brown.Neste pequeno medley de Lady Be Good - Memories Of You (um burner e uma balada) nota-se desde logo a impossível clareza e precisão das frases, numa velocidade de execução e pensamento inacreditáveis.O solo em Lady Be Good é disso um excelente exemplo, com uma complexidade de estrutura inesperada e belíssima.
A lenda diz que Miles Davis suspirou de alívio quando Brown morreu. Não era para menos: em 4 anos apenas, trabalhando com Max Roach, acompanhando Helen Merrill ou Sarah Vaughan e também como líder dos seus próprios combos, a estrela de Brown brilhou com um imensíssimo fulgor. Junte-se a isto um repúdio ao estilo de vida errática de que Charlie Parker foi o mentor trágico e involuntário.Brown não se drogava, não bebia e o seu único vício era o xadrez. Esta aparição data de principios de 1956 e é particularmente comovente no final, quando Brown fala com terno orgulho do filho recém-nascido. Meses depois, em Junho, morre num acidente de viação quando ia para um concerto em Chicago. Tinha 25 anos. Deixou o jazz mais rico, e um estatuto ainda inatingível.
domingo, janeiro 28, 2007
PEQUENAS ALEGRIAS DE UM CONVALESCENTE
«Aí sonhamos que um elefante se sentou de repente sobre o nosso peito e que um vulcão explodiu e nos atirou para o fundo do mar – com o elefante ainda a dormir, tranquilamente, em cima de nós. Acordamos com a ideia de que aconteceu algo realmente terrível. A primeira impressão é de que chegou o fim do mundo; depois achamos que isso não é possível e que são ladrões e assassinos, ou então um incêndio, e exprimimos esta opinião da maneira habitual. Ninguém nos vem ajudar, porém, e tudo quanto sabemos é que há milhares de pessoas a dar-nos pontapés e que estamos a ser estrangulados.
Mas parece que não somos os únicos metidos em sarilhos. Ouvimos gritos abafados que vêm debaixo da cama. Determinados a lutar pela vida, aconteça o que acontecer, agitamo-nos freneticamente, aos socos para a esquerda e para a direita, sem parar de gritar e, finalmente, alguma coisa cede e encontramo-nos com a cabeça ao ar livre. A meio metro de distância está um rufia meio nu à espera de nos matar e já nos estamos a preparar para travar com ele um combate de vida ou morte quando começa a fazer-se luz no nosso espírito:é o Jim.
-Ah! És tu! – diz ele, reconhecendo-nos no mesmo instante.
- Sim, sou eu – respondo, esfregando os olhos. – O que aconteceu?
- A maldita tenda caiu-nos em cima, acho eu – diz ele. – Onde está o Bill?
Então ambos erguemos as vozes e gritamos «Bill!» e o chão debaixo dos nossos pés oscila e treme, e a voz abafada que já tínhamos ouvido antes replica de entre as ruínas:
- Saem de cima de mim, ou quê? »
Lendo pela terceira vez (e primeira em português, na excelente tradução de Luísa Feijó) Three men in a boat (to say nothing of the dog), de Jerome K. Jerome
«Aí sonhamos que um elefante se sentou de repente sobre o nosso peito e que um vulcão explodiu e nos atirou para o fundo do mar – com o elefante ainda a dormir, tranquilamente, em cima de nós. Acordamos com a ideia de que aconteceu algo realmente terrível. A primeira impressão é de que chegou o fim do mundo; depois achamos que isso não é possível e que são ladrões e assassinos, ou então um incêndio, e exprimimos esta opinião da maneira habitual. Ninguém nos vem ajudar, porém, e tudo quanto sabemos é que há milhares de pessoas a dar-nos pontapés e que estamos a ser estrangulados.
Mas parece que não somos os únicos metidos em sarilhos. Ouvimos gritos abafados que vêm debaixo da cama. Determinados a lutar pela vida, aconteça o que acontecer, agitamo-nos freneticamente, aos socos para a esquerda e para a direita, sem parar de gritar e, finalmente, alguma coisa cede e encontramo-nos com a cabeça ao ar livre. A meio metro de distância está um rufia meio nu à espera de nos matar e já nos estamos a preparar para travar com ele um combate de vida ou morte quando começa a fazer-se luz no nosso espírito:é o Jim.
-Ah! És tu! – diz ele, reconhecendo-nos no mesmo instante.
- Sim, sou eu – respondo, esfregando os olhos. – O que aconteceu?
- A maldita tenda caiu-nos em cima, acho eu – diz ele. – Onde está o Bill?
Então ambos erguemos as vozes e gritamos «Bill!» e o chão debaixo dos nossos pés oscila e treme, e a voz abafada que já tínhamos ouvido antes replica de entre as ruínas:
- Saem de cima de mim, ou quê? »
Lendo pela terceira vez (e primeira em português, na excelente tradução de Luísa Feijó) Three men in a boat (to say nothing of the dog), de Jerome K. Jerome
quinta-feira, janeiro 25, 2007
AGORA ISTO É CAPAZ DE APARECER AMANHÃ...
Até porque já tinha saudades dos dias em que quis ser dandy...
I'm the dandy highwayman who you're too scared to mention
I spend my cash on looking flash and grabbing your attention
The devil take your stereo and your record collection!
The way you look you'll qualify for next year's old age pension!
Stand and deliver!The money or your life!
Try and use a mirror no bullet or a knife!
Até porque já tinha saudades dos dias em que quis ser dandy...
I'm the dandy highwayman who you're too scared to mention
I spend my cash on looking flash and grabbing your attention
The devil take your stereo and your record collection!
The way you look you'll qualify for next year's old age pension!
Stand and deliver!The money or your life!
Try and use a mirror no bullet or a knife!
quarta-feira, janeiro 24, 2007
MINHAS QUERIDAS AMIGAS, deveriam saber melhor: por muito lamentável que esteja um sashimi, nunca mas nunca se pede discos aos djays, sob pena de sair o tiro pela culatra. Posso dizer-vos isto: se bem conheço os meus camaradas de pratos, vai haver brit coisa a dar com um pau - e acho muito bem. Da vossa lista de no-no's concordo com muitos pontos e há coisas que há muito deixei de passar - da Ciccone, por exemplo, acabou-se o Confessions ...o disco mais chato do mundo. Outras, é o meu habitual parceiro dos 2DJ's que gosta - como o Nowhere Fast (o do "Godspeed, speed us away...". Eu sou mais pop e demagogo (como eles me chamam), mas não trago a minha discoteca para o Frágil, senão era só jazz e injecções de Sinatra.
Pela minha parte, tentarei que passem mais tempo na pista do que a retocarem a maquilhagem. Até porque sinceramente não precisam. See you there!
Pela minha parte, tentarei que passem mais tempo na pista do que a retocarem a maquilhagem. Até porque sinceramente não precisam. See you there!
terça-feira, janeiro 23, 2007
segunda-feira, janeiro 22, 2007
SUN TZU, SOBRE A VIDA AFECTIVA DO AUTOR: «Mais uma vez entre manter a cidadela e o desejo de acenar a bandeira branca».
BREVE CONSOLO PARA A RAPAZIADA DE LETRAS
Maravilhosos exemplos de respostas a exercícios de matemática. Gosto sobretudo do "find x" - "here it is!"
(via Tecnotretas)

Maravilhosos exemplos de respostas a exercícios de matemática. Gosto sobretudo do "find x" - "here it is!"
(via Tecnotretas)
Pequeno intervalo para a lamechice musical do blogger
Estava-se em 1979. O punk, se não já defunto, sentia-se muito muito mal. Os Clash davam cartas. A new wave lançava alguns dos seus nomes maiores. Os Joy Division já tinham editado o excelso Unknown Pleasures. Qualquer adolescente de 15 anos com a sorte de estar informado sabia isso. Mas se numa festa de garagem persistisse nesse name dropping, espantaria toda e qualquer remota possibilidade de namorada.
Por isso, sabiamente, recorria-se à Electric Light Orchestra, do algo azeiteiro Jeff Lynne. O álbum Discovery foi lançado também em 1979, e trazia uma furiosa mistura de Beatles, Beach Boys e disco sound, com o seu apogeu em temas como Last Train To London ou Shine A Little Love. Soft-rock certinho e certeiro, melodias de levar para casa,como uma doença, como as que actualmente praticam e copiam os The Feeling. E sobretudo - sobretudo, meus amigos - grandes slows, como se dizia à época. Canções downtempo, para dançar agarradinho e tentar a nossa sorte. Este Need Her Love é um exemplo. Aos 15 anos, fui lá muito feliz e infeliz e feliz outra vez, como devem ser as púberes paixões.
Estava-se em 1979. O punk, se não já defunto, sentia-se muito muito mal. Os Clash davam cartas. A new wave lançava alguns dos seus nomes maiores. Os Joy Division já tinham editado o excelso Unknown Pleasures. Qualquer adolescente de 15 anos com a sorte de estar informado sabia isso. Mas se numa festa de garagem persistisse nesse name dropping, espantaria toda e qualquer remota possibilidade de namorada.
Por isso, sabiamente, recorria-se à Electric Light Orchestra, do algo azeiteiro Jeff Lynne. O álbum Discovery foi lançado também em 1979, e trazia uma furiosa mistura de Beatles, Beach Boys e disco sound, com o seu apogeu em temas como Last Train To London ou Shine A Little Love. Soft-rock certinho e certeiro, melodias de levar para casa,como uma doença, como as que actualmente praticam e copiam os The Feeling. E sobretudo - sobretudo, meus amigos - grandes slows, como se dizia à época. Canções downtempo, para dançar agarradinho e tentar a nossa sorte. Este Need Her Love é um exemplo. Aos 15 anos, fui lá muito feliz e infeliz e feliz outra vez, como devem ser as púberes paixões.
domingo, janeiro 21, 2007
sexta-feira, janeiro 19, 2007
NUNO MIGUEL GUEDES SOBRE NUNO MARIA GUEDES : «É um estóico. Entalado entre duas irmãs, uma mais velha e outra mais nova, resiste com firmeza às investidas das Barbies, Bratz e Polly Pockets, retaliando com a unidade de elite dos Power Rangers, secundados pelos temíveis Pokémon. Capaz de jogar em qualquer posição do campo, prefere sabiamente a solidão do guarda-redes. Revela uma preocupante inclinação para o Sporting Clube de Portugal, mas penso que se deve apenas ao grande felino que serve de emblema ao clube. Na mesma ordem de ideias, admira também o Marquês de Pombal.
- É então alguém que sinceramente admira ?
- Faz parte do trio maravilha a quem devo tudo o que irei ser de melhor e a compreensão do mau que fui antes de receber a bênção de os ter na minha vida. É meu filho, e faz sete anos amanhã.»
- É então alguém que sinceramente admira ?
- Faz parte do trio maravilha a quem devo tudo o que irei ser de melhor e a compreensão do mau que fui antes de receber a bênção de os ter na minha vida. É meu filho, e faz sete anos amanhã.»
quinta-feira, janeiro 18, 2007
GOSTARIA APENAS DE LEMBRAR

ATLÂNTICO
Ano Novo, Atlântico Sempre
Sexta-feira, 26 de Janeiro
venha celebrar o Novo Ano com a revista Atlântico
Dijays: Eduardo Nogueira Pinto, Francisco Mendes da Silva, Nuno Costa Santos e Nuno Miguel Guedes (o gerente deste estabelecimento)
Uma festa tão chique, tão chique que até os DJays têm todos três nomes.
FRÁGIL - Rua da Atalaia, 126, Bairro Alto, Lisboa

ATLÂNTICO
Ano Novo, Atlântico Sempre
Sexta-feira, 26 de Janeiro
venha celebrar o Novo Ano com a revista Atlântico
Dijays: Eduardo Nogueira Pinto, Francisco Mendes da Silva, Nuno Costa Santos e Nuno Miguel Guedes (o gerente deste estabelecimento)
Uma festa tão chique, tão chique que até os DJays têm todos três nomes.
FRÁGIL - Rua da Atalaia, 126, Bairro Alto, Lisboa
quarta-feira, janeiro 17, 2007
The quiet man:o elogio do regresso
John Ford, no seu laconismo e falta de paciência, dizia de The quiet man que era apenas «a história de um homem que quer levar a mulher para a cama». Também, mas muito, muito mais: é a Irlanda, o passado que nos persegue, a irlandesa linda e de mau feitio, a pancadaria e a competição masculina, a amizade, o male-bonding, o confronto de tempo e cultura.E,sobretudo, é o elogio do regresso, das palavras e conceitos mais bonitos que se conhecem. Regressar a algo a que se pertence sem nunca o ter conhecido- o amor, uma terra, um país: eis a terna nostalgia de Ford a funcionar em pleno. Há também o amor como deveria ser, demonstrado aqui no mais belo beijo da história do cinema. É uma benção quando momentos destes se cruzam com a nossa vida, por fugazes que sejam.
John Ford, no seu laconismo e falta de paciência, dizia de The quiet man que era apenas «a história de um homem que quer levar a mulher para a cama». Também, mas muito, muito mais: é a Irlanda, o passado que nos persegue, a irlandesa linda e de mau feitio, a pancadaria e a competição masculina, a amizade, o male-bonding, o confronto de tempo e cultura.E,sobretudo, é o elogio do regresso, das palavras e conceitos mais bonitos que se conhecem. Regressar a algo a que se pertence sem nunca o ter conhecido- o amor, uma terra, um país: eis a terna nostalgia de Ford a funcionar em pleno. Há também o amor como deveria ser, demonstrado aqui no mais belo beijo da história do cinema. É uma benção quando momentos destes se cruzam com a nossa vida, por fugazes que sejam.
terça-feira, janeiro 16, 2007

GOD SAVE THE QUEEN! Chegaram, viram e venceram: os cidadãos da Ilha deram mais uma alegria a quem os admira: Dame Helen Mirren (na foto), Jeremy Irons, o ex-remador por Cambridge Hugh Laurie, Emily Hunt, Bill Nighy e Sacha Baron Cohen (num discurso maravilhoso, feito com a própria voz, em que se nota um leve sotaque posh) arrasaram nos Globos de Ouro. É justo (mais pormenores e video aqui) e sobre a Inglaterra descanso, uma vez mais, o meu caso. Por outro lado, o prémio mais divertido foi para Clint Eastwood: Melhor Filme em língua estrangeira por Cartas de Iwo Jima, falado em japonês.

JUSTIÇA POÉTICA O poeta irlandês Seamus Heaney venceu o prémio TS Eliot, com o seu recente livro District And Circle. Depois do Nobel, este é o segundo sinal certeiro que indica Heaney como um dos enormes poetas contemporâneos. Fica uma pequena amostra, de District And Circle.
The Nod
Saturday evenings we would stand in line
Saturday evenings we would stand in line
In Loudan's butcher shop. Red beef, white string,
Brown paper ripped straight off for parcelling
Along the counter edge. Rib roast and shin
Plonked down, wrapped up, and bow-tied neat and clean
But seeping blood. Like dead weight in a sling,
Heavier far than I had been expecting
While my father shelled out for it, coin by coin.
Saturday evenings too the local B-Men,
Unbuttoned but on duty, thronged the town,
Neighbours with guns, parading up and down,
Some nodding at my father almost past him
As if deliberately they'd aimed and missed him
Or couldn't seem to place him, not just then.
segunda-feira, janeiro 15, 2007
Blue Rondo A La Turk - Dave Brubeck Quartet (1959)
Um dos mais justamente celebrados e conhecidos temas de jazz. Incluído no álbum Time Out (onde também aparecia o extraordinário Take Five, do saxofonista Paul Desmond), Blue Rondo... surpreende pela utilização de tempos invulgares (a frase principal é feita a 9/8) misturados com a utilização do mais convencional quaternário (4/4).Com inspirações na música tradicional turca (e grega),o tema alterna com frases bluesy. Depois há a técnica perfeita de Brubeck, com as duas mãos em frases diferentes e simultâneas. A mão esquerda de Brubeck é genial, dando a sensação de existirem dois pianos. Uma excelente introdução ao mundo do jazz, sem imagens em movimento, para que se possa fruir da música sem distracções.
Um dos mais justamente celebrados e conhecidos temas de jazz. Incluído no álbum Time Out (onde também aparecia o extraordinário Take Five, do saxofonista Paul Desmond), Blue Rondo... surpreende pela utilização de tempos invulgares (a frase principal é feita a 9/8) misturados com a utilização do mais convencional quaternário (4/4).Com inspirações na música tradicional turca (e grega),o tema alterna com frases bluesy. Depois há a técnica perfeita de Brubeck, com as duas mãos em frases diferentes e simultâneas. A mão esquerda de Brubeck é genial, dando a sensação de existirem dois pianos. Uma excelente introdução ao mundo do jazz, sem imagens em movimento, para que se possa fruir da música sem distracções.
domingo, janeiro 14, 2007
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Um post a la maradona*
Enquanto por cá a malta vai descansando, o melhor futebol do mundo tem de continuar. E no passado dia 9, um regalo. Para quem joga dia sim dia não, este jogo entre o Liverpool e o Arsenal, para a Carling Cup, foi absolutamente fantastico. Resultado: 3-6, para o Arsenal. Por cá o que se viu nos notíciários foi o chato empate do Chelsea «de Mourinho». Valha-nos a Sport TV. Eu sou um gunner supporter, mas este golo de Gerrard - que está em enorme forma - merece hossanas repetidas. É o 2-5, e depois disto o jogo continuou como se estivesse zero a zero. Prémio especial para quem descubra a lingua em que está relatado.
*mas sem o minimo de graça
Enquanto por cá a malta vai descansando, o melhor futebol do mundo tem de continuar. E no passado dia 9, um regalo. Para quem joga dia sim dia não, este jogo entre o Liverpool e o Arsenal, para a Carling Cup, foi absolutamente fantastico. Resultado: 3-6, para o Arsenal. Por cá o que se viu nos notíciários foi o chato empate do Chelsea «de Mourinho». Valha-nos a Sport TV. Eu sou um gunner supporter, mas este golo de Gerrard - que está em enorme forma - merece hossanas repetidas. É o 2-5, e depois disto o jogo continuou como se estivesse zero a zero. Prémio especial para quem descubra a lingua em que está relatado.
*mas sem o minimo de graça
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Haircut 100 - Fantastic Day
Os Haircut 100 foram o lado pop-mais-que-perfeito da Postcard Records, a célebre editora escocesa independente que albergava no ínicio de 80 nomes como os Orange Juice, os Fire Engines, os Joseph K ou os Aztec Camera iniciais (basicamente Roddy Frame).Longe das gabardinas e angústias sortidas dos seus parceiros e editora, o grupo de Nick Heyward praticava a busca do refrão perfeito: Pelican West (1982) é um dos melhores «feel good records» da década, e onde estava este Fantastic Day, ao lado de Love Plus One ou Favorite Shirts (Boy Meets Girl). Com um visual clean cut e inglesissimo, os Haircut 100 eram o reverso da depressão industrial, um sonho filmado em estúdio, numa terra em que só havia finais felizes. Ideal para começar os dias.
Os Haircut 100 foram o lado pop-mais-que-perfeito da Postcard Records, a célebre editora escocesa independente que albergava no ínicio de 80 nomes como os Orange Juice, os Fire Engines, os Joseph K ou os Aztec Camera iniciais (basicamente Roddy Frame).Longe das gabardinas e angústias sortidas dos seus parceiros e editora, o grupo de Nick Heyward praticava a busca do refrão perfeito: Pelican West (1982) é um dos melhores «feel good records» da década, e onde estava este Fantastic Day, ao lado de Love Plus One ou Favorite Shirts (Boy Meets Girl). Com um visual clean cut e inglesissimo, os Haircut 100 eram o reverso da depressão industrial, um sonho filmado em estúdio, numa terra em que só havia finais felizes. Ideal para começar os dias.
segunda-feira, janeiro 08, 2007
SE ISTO NÃO É O AMOR ABSOLUTO, ROMÂNTICO, OCIDENTAL, INATINGÍVEL, IMORREDOURO, BELO; SE NÃO O É, NÃO SEI O QUE SEJA.
«so he shall never know how I love him: and that, not because he's handsome, Nelly, but because he's more myself than I am.»
«I cannot express it; but surely you and everybody have a notion that there is or should be an existence of yours beyond you. What were the use of my creation, if I were entirely contained here? My great miseries in this world have been Heathcliff's miseries, and I watched and felt each from the beginning: my great thought in living is himself. If all else perished, and he remained, I should still continue to be; and if all else remained, and he were annihilated, the universe would turn to a mighty stranger: I should not seem a part of it.»
Catherine, Wuthering Heights (Emily Brontë)
«so he shall never know how I love him: and that, not because he's handsome, Nelly, but because he's more myself than I am.»
«I cannot express it; but surely you and everybody have a notion that there is or should be an existence of yours beyond you. What were the use of my creation, if I were entirely contained here? My great miseries in this world have been Heathcliff's miseries, and I watched and felt each from the beginning: my great thought in living is himself. If all else perished, and he remained, I should still continue to be; and if all else remained, and he were annihilated, the universe would turn to a mighty stranger: I should not seem a part of it.»
Catherine, Wuthering Heights (Emily Brontë)
sexta-feira, janeiro 05, 2007
Kurt Elling In Paris
Kurt Elling é provavelmente o melhor cantor jazz da actualidade. Pelo menos é o meu favorito: um timbre versátil mas quente, uma técnica irrepreensível e um repertório maravilhoso. Esta fantástica versão de Nature Boy (com o seu scat no máximo) compensa o amadorismo do vídeo e o psicadelismo da ausência de som síncrono.
Kurt Elling é provavelmente o melhor cantor jazz da actualidade. Pelo menos é o meu favorito: um timbre versátil mas quente, uma técnica irrepreensível e um repertório maravilhoso. Esta fantástica versão de Nature Boy (com o seu scat no máximo) compensa o amadorismo do vídeo e o psicadelismo da ausência de som síncrono.
terça-feira, janeiro 02, 2007
A VERDADE SOBRE OS INTELECTUAIS Na casa onde passei o fim de ano, havia muitos livros trazidos pelos convidados de fim de semana. Assim de repente, e só para impressionar: Londres, de Virginia Woolf, a nova e soberba edição (Assírio&Alvim) de O Processo, de Franz Kafka, Wuthering Heights (em paperback anotado da Oxford Classics) e até, Deus meu, um exemplar de Huis-Clos, de Jean-Paul Sartre (coisas a que a vida académica obriga...). No entanto, na hora da verdade, o que a malta queria era jogar Party&Co.
quinta-feira, dezembro 28, 2006
quarta-feira, dezembro 27, 2006
sexta-feira, dezembro 22, 2006
SEASON'S GREETINGS Eu sei que nesta altura começa a haver uma espécie de top anual dos blogues e bloggers preferidos. Não farei o mesmo, por várias razões: por que os meus blogues favoritos são os suspeitos do costume; eles sabem quem são, a minha escolha não seria original e, sobretudo, nenhum necessita de um único encómio meu.
No entanto, outras coisas bizarras sucedem, a que não posso ficar indiferente: trata-se das pessoas que por excesso de generosidade ou equívoco mencionam este estabelecimento como um dos melhores. A essas eu agradeço, até por que são poucas e eu não gosto de fazer links: obrigado à Ana, que não deixa mal a sua família de excelentes bloggers; obrigado ao Luís Serpa, que mantém um blogue civilizado e culto graças à mão firme do seu skipper ( e me mata de inveja com as fotos das suas navegações); e obrigado à Carla, blogger in excelsis mas sobretudo alguém que pratica a amizade sábia e generosamente. Se de alguém me esqueci, aqui me penitencio.
Apenas irei referir um blogue neófito mas que de imediato me conquistou: o Pastoral Portuguesa, do Rogério Casanova, pela mistura maravilhosa de erudição, humor e estar-se nas tintas para o que acabei de escrever. E claro, um abraço special para os meus companheiros de trincheira, uma equipa de all-stars-but-one, o 31 da Armada. Posto isto, um Santo Natal para todos.
No entanto, outras coisas bizarras sucedem, a que não posso ficar indiferente: trata-se das pessoas que por excesso de generosidade ou equívoco mencionam este estabelecimento como um dos melhores. A essas eu agradeço, até por que são poucas e eu não gosto de fazer links: obrigado à Ana, que não deixa mal a sua família de excelentes bloggers; obrigado ao Luís Serpa, que mantém um blogue civilizado e culto graças à mão firme do seu skipper ( e me mata de inveja com as fotos das suas navegações); e obrigado à Carla, blogger in excelsis mas sobretudo alguém que pratica a amizade sábia e generosamente. Se de alguém me esqueci, aqui me penitencio.
Apenas irei referir um blogue neófito mas que de imediato me conquistou: o Pastoral Portuguesa, do Rogério Casanova, pela mistura maravilhosa de erudição, humor e estar-se nas tintas para o que acabei de escrever. E claro, um abraço special para os meus companheiros de trincheira, uma equipa de all-stars-but-one, o 31 da Armada. Posto isto, um Santo Natal para todos.
quarta-feira, dezembro 20, 2006

COISAS PARA DIZER A EVA GREEN
James Bond: Dry Martini.
Bartender: Oui, monsieur
James Bond: Wait... Three measures of Gordons; one of Vodka, half a measure of Kina Lillet. Shake it over ice, add a thin slice of lemon peel.
James Bond: I think I'll call it a Vesper.
Vesper Lynd: Why? Because it leaves a bitter aftertaste in your mouth?
James Bond: No, because once you've tasted it, you won't want anything else
terça-feira, dezembro 19, 2006
1001 UTILIZAÇÕES PARA A TLEBS (baseado numa história verdadeira) Numa conversa tardia e séria «sobre mulheres» um amigo cintila com uma citação (ou no mínimo paráfrase) de Camilo:«As reticências foram inventadas para as mulheres». Eu, pobre desculpa para Oscar Wilde de trazer por casa, só agora riposto em diferido:«E os pontos de interrogação, meu amigo ? E os de exclamação? E, oh espelho meu, os finais ?»
segunda-feira, dezembro 18, 2006
F**** CHRISTMAS, I'VE GOT THE BLUES, 2
Fine And Mellow
O ano é 1957. Billie Holiday está com a voz carregada de vida, de excesso de vida de que de resto iria morrer no ano seguinte. Por isso mesmo, este blues simples ganha uma força extraordinária, ainda por cima servido por várias gerações de astros do jazz: Ben Webster, Lester 'The Prez' Young, Coleman Hawkins ou Gerry 'Cool' Mulligan representam escolas e tempos diferentes de saxofonistas. Particularmente comovente é o olhar que Holiday faz aquando do solo do seu amigo [o segundo solista], ex-amante e cúmplice musical Lester Young. Um dos momentos mais bonitos na história da música popular.
*com um obrigado ao Gonçalo Rosas, pela ajuda a um ignorante informático.
Fine And Mellow
O ano é 1957. Billie Holiday está com a voz carregada de vida, de excesso de vida de que de resto iria morrer no ano seguinte. Por isso mesmo, este blues simples ganha uma força extraordinária, ainda por cima servido por várias gerações de astros do jazz: Ben Webster, Lester 'The Prez' Young, Coleman Hawkins ou Gerry 'Cool' Mulligan representam escolas e tempos diferentes de saxofonistas. Particularmente comovente é o olhar que Holiday faz aquando do solo do seu amigo [o segundo solista], ex-amante e cúmplice musical Lester Young. Um dos momentos mais bonitos na história da música popular.
*com um obrigado ao Gonçalo Rosas, pela ajuda a um ignorante informático.
DO BLOGGER ENQUANTO BÍGAMO Na minha outra casa, Francisco José Viegas e Pedro Mexia discutem a TLEBS. Um vídeo da 31tv.

NO PROMISES, DISSE ELA. E fez muito bem em dizê-lo. O disco é formalmente igual ao anterior, desta vez com a voz de Bruni a inquietar-nos em inglês. Mas o que canta a moça? Yeats, Auden, Emily Dickson, Christina Rossetti, Walter De La Mare e muito adequadamente, Dorothy Parker. Que se lixem as promessas: esta mulher merece-me uma estátua, um lugar vitalício nos meus sonhos. Até 15 de Janeiro, dia em que o disco será editado, fique-se com o video e alguns temas aqui.
quinta-feira, dezembro 14, 2006
THE GIST E LOVE AT FIRST SIGHT Em disposição particularmente nostálgica, acordei com a inofensiva obsessão de encontrar registo de uma das mais bonitas canções dos anos 80: chama-se Love At First Sight, e era cantada pelos The Gist, de Stuart e Philip Moxham, ideológos dos anteriores e excelsos Young Marble Giants. Estiveram por cá em 1982, em Vilar de Mouros, num concerto que tive o privilégio de ver. Foram maltratados por uns punks de provincia, sobretudo quando Stuart colocou no palco o seu gravador de fita, onde estavam gravadas as drum lines de cada canção. Na altura terá dito qualquer coisa como 'don't you know rock n' roll is dead?' e tinha toda a razão.
Love At First sight é o romantismo minimal, guitarrras sussurradas, onde tudo fica por dizer e nada fica para dizer. Brilhantíssimo. Neste processo, descobri um excelente blog:este, e o mp3 de Love At First Sight aqui mesmo.
Love At First sight é o romantismo minimal, guitarrras sussurradas, onde tudo fica por dizer e nada fica para dizer. Brilhantíssimo. Neste processo, descobri um excelente blog:este, e o mp3 de Love At First Sight aqui mesmo.











