sexta-feira, março 09, 2007

STEVEN GERRARD, Member Of The British Empire*
Ou o «tosco futebol inglês»


*Agraciado por SMR Isabel II no final de 2006.

quarta-feira, março 07, 2007


O único Marx que seguiria para os amanhãs que cantam dita uma carta. «Gentlemen, question mark...».
'A SENSE OF EVIL RELIGIOUS IN ITS INTENSITY'

«In all writers there occurs a moment of crystallization when the dominant theme is plainly expressed,when the private universe becomes visible even to the least sensitive reader. (...)
It is less easy to find such a crystallization in the works of James, whose chief aim was always to dramatize, who was more than usually careful to exclude the personal statement, but I think we make take the sentence in the scenario of The Ivory Tower, in which James speaks of v'the black and merciless things that are behind great possessions', as an expression of the vruling fantasy which drove him to write: a sense of evil religious in its intensity.»

Graham Greene, num ensaio sobre o seu mestre Henry James

(à natural atenção do Rogério Casanova)

Rita Hayworth e Fred Astaire mostram como a vida deveria ser. So Near, So Far, de You'll Never Get Rich (1941)

domingo, março 04, 2007

Planos criteriosamente escolhidos, diálogos ambíguos e descontextualizados, uma banda sonora a la Bernard Hermann, breve apoio de texto em legendas, edição video e audio imaculada: os ingredientes necessários para fazer um trailer para outro filme, onde Sally não vai querer mesmo que Harry a conheça. Mais do que um brilhante exercício de humor e criatividade, é um mini-ensaio sobre o cinema.


(via joaonunes.com)
DOS ARQUIVOS DO TRADUÇÃO SIMULTÂNEA,3 : 'Ah, escrever assim estas verdades! «Não era muito que Tadeu de Albuquerque fosse enganado em coisas de amor e coração de mulher, cujas variantes são tantas e tão caprichosas que eu não sei se alguma máxima pode ser-nos guia a não ser esta: "Em cada mulher, quatro mulheres incompreensíveis, pensando alternadamente como se hão-de desmentir umas às outras". Isto é o mais seguro; mas não é infalível » Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição', Julho de 2004

sexta-feira, março 02, 2007

EM TANTAS PÁGINAS, A HISTÓRIA DA MINHA VIDA
...e um dos 30 melhores livros de todos os tempos (já contando com Old Devils, do mesmo Amis, the one that really matters.
MOMENTO TERTÚLIA COR DE ROSA E NO ENTANTO EXTREMAMENTE HETEROSSEXUAL
Desculpem-me as senhoras que na blogosfera analisaram as fatiotas dos óscares: mas é que nem Balenciagas, nem Vera Wang, nem La Renta, nem Fátima Lopes. O vencedor incontestado é Armani Privé. E sobretudo quem o veste.
LATE NIGHT BAR PHILOSOPHERS, CROMO Nº13 (the Padre António Vieira edition): «O mesmo amar é causa de não amar, e o amar muito de amar menos».

quinta-feira, março 01, 2007

ELOGIO DO ENNUI, PARTE 2

As The Pierces são agora a coqueluche cá de casa. Com um vídeo maravilhoso, uma canção quase modal - não fosse o refrão - e uns versos blasés («love of my life/bare your child/everything I ever wanted/boring!»)as The Pierces merecem alguma atenção,uma espécie de versão da Paris Hilton gone wrong (e portanto right). E sim, são lindas.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007


Grande versão para uma canção de uma das poucas pessoas que me levaria a ir ver um concerto e não me maçar.
BACK TO CASABLANCA


E mal nenhum nisso. E a Cate Blanchett, senhores. A Cate Blanchett.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007



Abençoada new wave, que nos trouxe tão boas canções. Esta é uma delas: Tempted, dos Squeeze. Bem cantada, correcta e com uma grande letra sobre os dilemas do forbidden fruit, esse tema eterno. Um doce a quem reconhecer a voz de Elvis Costello (não é obviamente nenhum dos vocalistas), que produziu o disco East Side Story.
FOR HE'S A JOLLY GOOD FELLOW...OU ENTÃO NÃO.

Imperdível a série «Pérolas Vermelhas» sobre o «Paizinho dos Povos», publicadas no clássico Desinfeliz de Juízo. Atrocidades várias e rapaziada fina, cortesia do tio Zé Estaline.
SOBRE OS OSCARS



O'Toole ou nada:«Since I'm still in the game and might win the lovely bugger outright, would the Academy please defer the honour until I am 80?»

quinta-feira, fevereiro 22, 2007



É que nem 200.000 Little Britains chegam aos pés. Harry Enfield, num sketch clássico e maravilhoso.

via Tímida Intimidade


A melhor canção de amor opiáceo que conheço, e uma das mais bonitas dos últimos 40 anos. Contém um verso que me assombrou a adolescência e a que ainda hoje recorro:«Enclose me in your gentle rain».
NODDY E RUCA: O MISTÉRIO A não perder, a magnífica exegese do Tiago aos populares Noddy e Ruca. Quem tem petizes, como eu, sabe bem o que isso significa. Para os outros, fica desvendado o mistério que levou a que milhares de criancinhas andassem pelas ruas com gorros vermelhos com guizos no topo.
Eu, que estou a ficar velho («I shall wear the bottom of my trousers rolled», Prufrock de trazer por casa) ainda me lembro das primeiras animações do Noddy, assim uma espécie de sofisticada e móvel plasticina. Mas compreendo que os meus filhos delirem com as CGI do boneco, embora não compreenda o raio da tradução da canção original: "Abram alas para o Noddy" como versão para «Make way for Noddy» («Aí vem o Noddy», ou «Lá vem o Noddy», por aí) é uma solução métrica maléfica, saída da mente perversa de um Tiago Bettencourt dos Toranja ou de um letrista ex-punk. Mas isso nem sequer é o mais assustador: o Ruca é que é. O Ruca. Porque é que a criança é careca, meu Deus? Quimoterapia ? Opção estética dos pais ? Deixo a pergunta. Os meus filhos precisam de uma resposta, e eu também.
CEM ANOS E UM DIA


WH Auden, nascido em 21 de Fevereiro de 1907


II
You were silly like us; your gift survived it all:
The parish of rich women, physical decay,
Yourself. Mad Ireland hurt you into poetry.
Now Ireland has her madness and her weather still,
For poetry makes nothing happen: it survives
In the valley of its making where executives
Would never want to tamper, flows on south
From ranches of isolation and the busy griefs,
Raw towns that we believe and die in; it survives,
A way of happening, a mouth.

In memory of WB Yeats, excerto

sábado, fevereiro 17, 2007

A PROF. SHORE, NA SUA LIÇÃO «INTRODUÇÃO ÀS DELÍCIAS DO JAZZ»

A grande cantora Dinah Shore explica brevemente às crianças e ao povo o que o jazz pode fazer à nossa vida. E como exemplo, não está de modas: chama dois dos maiores saxofonistas de sempre - Gerry Mulligan (representante do west coast Jazz, o dito 'cool jazz')e o grande Ben Webster, veterano pré-bop e mestre absoluto)acompanhados de sidemen de luxo, como Mel Lewis (d), Leroy Vinegar (b) e Jimmy Rowles (p). Está tudo aqui, de bandeja, para que e perceba porque é que o jazz é a melhor música do mundo.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

HISTÓRIA DE UMA DERROTA Quer dizer: uma pessoa argumenta, primeiro com serenidade. Que a data é um disparate, mas qual Valentim, que faz tanto sentido como festejar o 4 de Julho ou queimar efigies do Guy Fawkes.
Ela ouve.
Passa-se ao paternalismo: que até no Brasil, meu Deus, no Brasil, a data se comemora como deve ser, no dia 12 de Junho, dia de Santo António.
Ela ouve.
Já de indicador em riste, diz-se que podemos ser anglófilos, mas temos orgulho em ser portugueses. Que tudo não passa de uma conspiração do Loureshopping aliado ao grupo Dolce Vita para vender peluches com corações. E que não se fala mais disso.
Ela ouve. E sorri.
Vinte minutos depois, percorremos aflitos as lojas de um centro comercial, lado a lado com irmãos que sofrem, que partilham connosco o olhar da mais doce das derrotas.


Como se fosse preciso, mais uma prova de que este homem é o maior entertainer vivo. Faz e desfaz a imagem como quer,tem mais arrogância e saber estar num pelo do peito do que os Jarvis Cocker da vida ("oh!, herege, how can he?")e é um enormíssimo letrista. Aqui, o video de She's Madonna, declaração de amor descarada com a colaboração dos Pet Shop Boys. Também à tua atenção, querida Carla.«She has to be obscene to be believed»...



Adoro uma boa canção de combate, venha de onde vier. Esta é um bom exemplo:North American Scum, LCD Sound System.
SUBSÍDIO PARA O MASSACRE DE S.VALENTIM

A rowan like a lipsticked girl.
Between the by-road and the main road
Alder trees at a wet and dripping distance
Stand off among the rushes.

There are the mud-flowers of dialect
And the immortelles of perfect pitch
And that moment when the bird sings very close
To the music of what happens.

Song, Seamus Heaney

domingo, fevereiro 11, 2007



O meu francês preferido, na França em que acredito.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

DIA 11, PERGUNTA? Não.


Michael Jackson meets Bollywood. Maravilhoso.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

A GRAMÁTICA AO SERVIÇO DA FELICIDADE INDIVIDUAL: voltar a ouvir o verbo certo, acompanhado do pronome reflexivo desejado. Repetir tudo ao intelocutor.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007



Fred Astaire e Bing Crosby, directamente dos dias em que tudo era perfeito. I'll capture your heart, do filme Holiday Inn (1942)

domingo, fevereiro 04, 2007

INVENTÁRIO PICTÓRICO DE EMOÇÕES EM TEMPO REAL


William Turner, Calais at Low Water (das Sunrise paintings)

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

SINATRA!

Uma enorme versão do Mestre para It's Alright With Me, de Cole Porter, mais uma canção de brilhantes ambiguidades afectivas. Aqui é cantada uptempo, com gosto e brilho. A sessão decorreu em meados dos anos 80, provavelmente para o álbum LA Is My Lady. Quincy Jones dirige uma all-star band, com saliência para a guitarra de George Benson. Sinatra, esse, abre o livro de como fazer swing: à frente, atrás e ao lado da orquestra, conforme o que lhe apetece, sílabas arrastadas, cortes enfáticos inesperados no fraseado, e a magnífica alteração final (que Porter abominaria!) do verso «It's the wrong lips» para o calão «It's the wrong chops». Sinatra está feliz, num dia feliz como o de hoje.
ORAÇÃO APÓCRIFA, SEGUIDA DE AGRADECIMENTO PELA GRAÇA RECEBIDA

Haven't had a dream in a long time
See the life Ive had
Can make a good man bad.

So for once in my life
Let me get what I want
Lord knows, it would be the first time


Oração atendida.


Para a P., ainda em estado de incrédulo deslumbre.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

ELOGIO DO ENNUI

E uma das mais brilhantes canções do mundo (It's a bore, letra de Alan Jay Lerner, música de Frederick Loewe), num dos melhores musicais de sempre (Gigi, de Vincent Minelli), baseado numa das mais maravilhosas e amorais histórias de todos os tempos (Gigi, de Colette).

«-Don't tell me Venice has no lure?
-Just a town without a sewer.»
EPÍGRAFE ALTERNATIVA PARA ESTE BLOGUE

«I sing what was lost and dread what was won»

WB Yeats

segunda-feira, janeiro 29, 2007

««Toutes les rues me tuent»



Assombrosa canção, assombroso Bécaud.
DOS ARQUIVOS DO TRADUÇÃO SIMULTÂNEA, 2

O HOMEM HOJE ESTÁ IMPARÁVEL No fundo o que todos desejamos é paz. Talvez seja verdade, a filosofia estóica e oriental que diz que a abolição de todos os desejos é o mais perto da perfeição. Talvez. Mas depois, para que vale a pena viver ? A inquietação, seja em que forma vier, é das poucas armas para combater a injustiça de morrer, acredite-se ou não numa vida depois da morte. Ninguém pode estar sossegado se vive, pela simples razão de que se o estiver, não vive. Vinicius dizia: «O tempo de paz/não faz nem desfaz». E isto é só uma verdade simples que atravessa toda a condição humana. Na verdade, a Humanidade é um tubarão, que se parar, morre.

(publicado em Setembro de 2004. Ainda vale por aqui)
MAIS DO QUE UM CORTE DE CABELO: foi o resto de 2006 que havia em mim, no chão, finalmente à espera de ser varrido.
CLIFFORD BROWN

Um dos raros registos vídeo (o único?) de uma actuação do maior trompetista de todos os tempos: Clifford Brown.Neste pequeno medley de Lady Be Good - Memories Of You (um burner e uma balada) nota-se desde logo a impossível clareza e precisão das frases, numa velocidade de execução e pensamento inacreditáveis.O solo em Lady Be Good é disso um excelente exemplo, com uma complexidade de estrutura inesperada e belíssima.
A lenda diz que Miles Davis suspirou de alívio quando Brown morreu. Não era para menos: em 4 anos apenas, trabalhando com Max Roach, acompanhando Helen Merrill ou Sarah Vaughan e também como líder dos seus próprios combos, a estrela de Brown brilhou com um imensíssimo fulgor. Junte-se a isto um repúdio ao estilo de vida errática de que Charlie Parker foi o mentor trágico e involuntário.Brown não se drogava, não bebia e o seu único vício era o xadrez. Esta aparição data de principios de 1956 e é particularmente comovente no final, quando Brown fala com terno orgulho do filho recém-nascido. Meses depois, em Junho, morre num acidente de viação quando ia para um concerto em Chicago. Tinha 25 anos. Deixou o jazz mais rico, e um estatuto ainda inatingível.

domingo, janeiro 28, 2007

PEQUENAS ALEGRIAS DE UM CONVALESCENTE

«Aí sonhamos que um elefante se sentou de repente sobre o nosso peito e que um vulcão explodiu e nos atirou para o fundo do mar – com o elefante ainda a dormir, tranquilamente, em cima de nós. Acordamos com a ideia de que aconteceu algo realmente terrível. A primeira impressão é de que chegou o fim do mundo; depois achamos que isso não é possível e que são ladrões e assassinos, ou então um incêndio, e exprimimos esta opinião da maneira habitual. Ninguém nos vem ajudar, porém, e tudo quanto sabemos é que há milhares de pessoas a dar-nos pontapés e que estamos a ser estrangulados.
Mas parece que não somos os únicos metidos em sarilhos. Ouvimos gritos abafados que vêm debaixo da cama. Determinados a lutar pela vida, aconteça o que acontecer, agitamo-nos freneticamente, aos socos para a esquerda e para a direita, sem parar de gritar e, finalmente, alguma coisa cede e encontramo-nos com a cabeça ao ar livre. A meio metro de distância está um rufia meio nu à espera de nos matar e já nos estamos a preparar para travar com ele um combate de vida ou morte quando começa a fazer-se luz no nosso espírito:é o Jim.
-Ah! És tu! – diz ele, reconhecendo-nos no mesmo instante.
- Sim, sou eu – respondo, esfregando os olhos. – O que aconteceu?
- A maldita tenda caiu-nos em cima, acho eu – diz ele. – Onde está o Bill?
Então ambos erguemos as vozes e gritamos «Bill!» e o chão debaixo dos nossos pés oscila e treme, e a voz abafada que já tínhamos ouvido antes replica de entre as ruínas:
- Saem de cima de mim, ou quê? »

Lendo pela terceira vez (e primeira em português, na excelente tradução de Luísa Feijó) Three men in a boat (to say nothing of the dog
), de Jerome K. Jerome

sábado, janeiro 27, 2007

UM CONSELHO DO NOSSO PATROCINADOR

quinta-feira, janeiro 25, 2007

AGORA ISTO É CAPAZ DE APARECER AMANHÃ...


Até porque já tinha saudades dos dias em que quis ser dandy...

I'm the dandy highwayman who you're too scared to mention
I spend my cash on looking flash and grabbing your attention
The devil take your stereo and your record collection!
The way you look you'll qualify for next year's old age pension!

Stand and deliver!The money or your life!
Try and use a mirror no bullet or a knife!

quarta-feira, janeiro 24, 2007

MINHAS QUERIDAS AMIGAS, deveriam saber melhor: por muito lamentável que esteja um sashimi, nunca mas nunca se pede discos aos djays, sob pena de sair o tiro pela culatra. Posso dizer-vos isto: se bem conheço os meus camaradas de pratos, vai haver brit coisa a dar com um pau - e acho muito bem. Da vossa lista de no-no's concordo com muitos pontos e há coisas que há muito deixei de passar - da Ciccone, por exemplo, acabou-se o Confessions ...o disco mais chato do mundo. Outras, é o meu habitual parceiro dos 2DJ's que gosta - como o Nowhere Fast (o do "Godspeed, speed us away...". Eu sou mais pop e demagogo (como eles me chamam), mas não trago a minha discoteca para o Frágil, senão era só jazz e injecções de Sinatra.
Pela minha parte, tentarei que passem mais tempo na pista do que a retocarem a maquilhagem. Até porque sinceramente não precisam. See you there!

terça-feira, janeiro 23, 2007

When the daylight's like flourescent lights
I'm going to take my time night by night
I hang my hands over your eyes to hide.


Emily Haines, Telethon
MAS DE FACTO, POR AQUI HÁ UM NOVO AMOR:

Emily Haines, Dr.Blind. Do álbum Knives Don't Have Your Back. Grande canção, grande disco, grande senhora.
O AUTOR RESPONDE A SUN TZU, ENQUANTO BEBE À LAREIRA UM MANHATTAN ACABADINHO DE FAZER

segunda-feira, janeiro 22, 2007

SUN TZU, SOBRE A VIDA AFECTIVA DO AUTOR: «Mais uma vez entre manter a cidadela e o desejo de acenar a bandeira branca».

BREVE CONSOLO PARA A RAPAZIADA DE LETRAS
Maravilhosos exemplos de respostas a exercícios de matemática. Gosto sobretudo do "find x" - "here it is!"

(via Tecnotretas)
Pequeno intervalo para a lamechice musical do blogger
Estava-se em 1979. O punk, se não já defunto, sentia-se muito muito mal. Os Clash davam cartas. A new wave lançava alguns dos seus nomes maiores. Os Joy Division já tinham editado o excelso Unknown Pleasures. Qualquer adolescente de 15 anos com a sorte de estar informado sabia isso. Mas se numa festa de garagem persistisse nesse name dropping, espantaria toda e qualquer remota possibilidade de namorada.
Por isso, sabiamente, recorria-se à Electric Light Orchestra, do algo azeiteiro Jeff Lynne. O álbum Discovery foi lançado também em 1979, e trazia uma furiosa mistura de Beatles, Beach Boys e disco sound, com o seu apogeu em temas como Last Train To London ou Shine A Little Love. Soft-rock certinho e certeiro, melodias de levar para casa,como uma doença, como as que actualmente praticam e copiam os The Feeling. E sobretudo - sobretudo, meus amigos - grandes slows, como se dizia à época. Canções downtempo, para dançar agarradinho e tentar a nossa sorte. Este Need Her Love é um exemplo. Aos 15 anos, fui lá muito feliz e infeliz e feliz outra vez, como devem ser as púberes paixões.
DID I GOOGLE MYSELF TO SLEEP? Alguém aqui chegou através de "frases de amor não correspondido".

domingo, janeiro 21, 2007


O Mestre no auge da sua forma, alegremente sabotado pelos amigalhaços:"Keep singin' 'till you get it right, baby!". A arte perdida de viver.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

NUNO MIGUEL GUEDES SOBRE NUNO MARIA GUEDES : «É um estóico. Entalado entre duas irmãs, uma mais velha e outra mais nova, resiste com firmeza às investidas das Barbies, Bratz e Polly Pockets, retaliando com a unidade de elite dos Power Rangers, secundados pelos temíveis Pokémon. Capaz de jogar em qualquer posição do campo, prefere sabiamente a solidão do guarda-redes. Revela uma preocupante inclinação para o Sporting Clube de Portugal, mas penso que se deve apenas ao grande felino que serve de emblema ao clube. Na mesma ordem de ideias, admira também o Marquês de Pombal.
- É então alguém que sinceramente admira ?
- Faz parte do trio maravilha a quem devo tudo o que irei ser de melhor e a compreensão do mau que fui antes de receber a bênção de os ter na minha vida. É meu filho, e faz sete anos amanhã.»

quinta-feira, janeiro 18, 2007

GOSTARIA APENAS DE LEMBRAR



ATLÂNTICO
Ano Novo, Atlântico Sempre

Sexta-feira, 26 de Janeiro
venha celebrar o Novo Ano com a revista Atlântico


Dijays: Eduardo Nogueira Pinto, Francisco Mendes da Silva, Nuno Costa Santos e Nuno Miguel Guedes (o gerente deste estabelecimento)

Uma festa tão chique, tão chique que até os DJays têm todos três nomes.

FRÁGIL - Rua da Atalaia, 126, Bairro Alto, Lisboa

quarta-feira, janeiro 17, 2007

«OPRESSED BY THE FIGURES OF BEAUTY», 2:MAUREEN O'HARA
The quiet man:o elogio do regresso

John Ford, no seu laconismo e falta de paciência, dizia de The quiet man que era apenas «a história de um homem que quer levar a mulher para a cama». Também, mas muito, muito mais: é a Irlanda, o passado que nos persegue, a irlandesa linda e de mau feitio, a pancadaria e a competição masculina, a amizade, o male-bonding, o confronto de tempo e cultura.E,sobretudo, é o elogio do regresso, das palavras e conceitos mais bonitos que se conhecem. Regressar a algo a que se pertence sem nunca o ter conhecido- o amor, uma terra, um país: eis a terna nostalgia de Ford a funcionar em pleno. Há também o amor como deveria ser, demonstrado aqui no mais belo beijo da história do cinema. É uma benção quando momentos destes se cruzam com a nossa vida, por fugazes que sejam.

terça-feira, janeiro 16, 2007



GOD SAVE THE QUEEN! Chegaram, viram e venceram: os cidadãos da Ilha deram mais uma alegria a quem os admira: Dame Helen Mirren (na foto), Jeremy Irons, o ex-remador por Cambridge Hugh Laurie, Emily Hunt, Bill Nighy e Sacha Baron Cohen (num discurso maravilhoso, feito com a própria voz, em que se nota um leve sotaque posh) arrasaram nos Globos de Ouro. É justo (mais pormenores e video aqui) e sobre a Inglaterra descanso, uma vez mais, o meu caso. Por outro lado, o prémio mais divertido foi para Clint Eastwood: Melhor Filme em língua estrangeira por Cartas de Iwo Jima, falado em japonês.


JUSTIÇA POÉTICA O poeta irlandês Seamus Heaney venceu o prémio TS Eliot, com o seu recente livro District And Circle. Depois do Nobel, este é o segundo sinal certeiro que indica Heaney como um dos enormes poetas contemporâneos. Fica uma pequena amostra, de District And Circle.
The Nod
Saturday evenings we would stand in line
In Loudan's butcher shop. Red beef, white string,
Brown paper ripped straight off for parcelling
Along the counter edge. Rib roast and shin
Plonked down, wrapped up, and bow-tied neat and clean
But seeping blood. Like dead weight in a sling,
Heavier far than I had been expecting
While my father shelled out for it, coin by coin.
Saturday evenings too the local B-Men,
Unbuttoned but on duty, thronged the town,
Neighbours with guns, parading up and down,
Some nodding at my father almost past him
As if deliberately they'd aimed and missed him
Or couldn't seem to place him, not just then.


segunda-feira, janeiro 15, 2007

Blue Rondo A La Turk - Dave Brubeck Quartet (1959)



Um dos mais justamente celebrados e conhecidos temas de jazz. Incluído no álbum Time Out (onde também aparecia o extraordinário Take Five, do saxofonista Paul Desmond), Blue Rondo... surpreende pela utilização de tempos invulgares (a frase principal é feita a 9/8) misturados com a utilização do mais convencional quaternário (4/4).Com inspirações na música tradicional turca (e grega),o tema alterna com frases bluesy. Depois há a técnica perfeita de Brubeck, com as duas mãos em frases diferentes e simultâneas. A mão esquerda de Brubeck é genial, dando a sensação de existirem dois pianos. Uma excelente introdução ao mundo do jazz, sem imagens em movimento, para que se possa fruir da música sem distracções.

domingo, janeiro 14, 2007

DA SÉRIE «MANDAMENTOS PARA A 'YOU GENERATION'»: Muitas vezes os fins não justificam os mails.
LATE BAR PHILOSOPHERS, CROMO Nº13 (THE FADO EDITION) «Os meus vizinhos de baixo são um casal muito apaixonado. Sei porque oiço o barulho que fazem durante a noite. Aquilo é qwue é amor. Deviam é avisar-me».

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Um post a la maradona*


Enquanto por cá a malta vai descansando, o melhor futebol do mundo tem de continuar. E no passado dia 9, um regalo. Para quem joga dia sim dia não, este jogo entre o Liverpool e o Arsenal, para a Carling Cup, foi absolutamente fantastico. Resultado: 3-6, para o Arsenal. Por cá o que se viu nos notíciários foi o chato empate do Chelsea «de Mourinho». Valha-nos a Sport TV. Eu sou um gunner supporter, mas este golo de Gerrard - que está em enorme forma - merece hossanas repetidas. É o 2-5, e depois disto o jogo continuou como se estivesse zero a zero. Prémio especial para quem descubra a lingua em que está relatado.

*mas sem o minimo de graça

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Haircut 100 - Fantastic Day



Os Haircut 100 foram o lado pop-mais-que-perfeito da Postcard Records, a célebre editora escocesa independente que albergava no ínicio de 80 nomes como os Orange Juice, os Fire Engines, os Joseph K ou os Aztec Camera iniciais (basicamente Roddy Frame).Longe das gabardinas e angústias sortidas dos seus parceiros e editora, o grupo de Nick Heyward praticava a busca do refrão perfeito: Pelican West (1982) é um dos melhores «feel good records» da década, e onde estava este Fantastic Day, ao lado de Love Plus One ou Favorite Shirts (Boy Meets Girl). Com um visual clean cut e inglesissimo, os Haircut 100 eram o reverso da depressão industrial, um sonho filmado em estúdio, numa terra em que só havia finais felizes. Ideal para começar os dias.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

E JÁ AGORA

O famoso Wuthering Heights, que lançou a felina Kate Bush. O prazer é redobrado se se tiver lido o livro (a que um dia regressarei com mais tempo). Para já, fiquem-se com a versão pop de Catherine.

«Heathcliff, it's me, your Cathy, I've come home. I'm so cold,
let me in-a-your window»...
SE ISTO NÃO É O AMOR ABSOLUTO, ROMÂNTICO, OCIDENTAL, INATINGÍVEL, IMORREDOURO, BELO; SE NÃO O É, NÃO SEI O QUE SEJA.

«so he shall never know how I love him: and that, not because he's handsome, Nelly, but because he's more myself than I am.»

«I cannot express it; but surely you and everybody have a notion that there is or should be an existence of yours beyond you. What were the use of my creation, if I were entirely contained here? My great miseries in this world have been Heathcliff's miseries, and I watched and felt each from the beginning: my great thought in living is himself. If all else perished, and he remained, I should still continue to be; and if all else remained, and he were annihilated, the universe would turn to a mighty stranger: I should not seem a part of it.»


Catherine, Wuthering Heights (Emily Brontë)

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Kurt Elling In Paris



Kurt Elling é provavelmente o melhor cantor jazz da actualidade. Pelo menos é o meu favorito: um timbre versátil mas quente, uma técnica irrepreensível e um repertório maravilhoso. Esta fantástica versão de Nature Boy (com o seu scat no máximo) compensa o amadorismo do vídeo e o psicadelismo da ausência de som síncrono.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Madeleine Peyroux - I'm All Right


Um dos nomes que não citei na lista dos best of que não cheguei a fazer. Half A perfect World é um bom disco, e Peyroux uma boa cantora. Só não me macem é com as comparações com Billie Holiday.
PRIMEIRA PERGUNTA RETÓRICA DE 2007 É impressão minha ou os cães que estão à beira da estrada entre Aviz e Lisboa sofrem de um estranho death wish?
A VERDADE SOBRE OS INTELECTUAIS Na casa onde passei o fim de ano, havia muitos livros trazidos pelos convidados de fim de semana. Assim de repente, e só para impressionar: Londres, de Virginia Woolf, a nova e soberba edição (Assírio&Alvim) de O Processo, de Franz Kafka, Wuthering Heights (em paperback anotado da Oxford Classics) e até, Deus meu, um exemplar de Huis-Clos, de Jean-Paul Sartre (coisas a que a vida académica obriga...). No entanto, na hora da verdade, o que a malta queria era jogar Party&Co.

2007. REFRESH, RE-START.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

ESTÁ NAQUELA ALTURA DO ANO. FECHAMOS AGORA PARA BALANÇO E QUEDA CONSEQUENTE, PARA VOLTAR JÁ PARA A SEMANA. UM EXCELENTE 2007 PARA TODOS.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

DESEJOS PARA 2007 (PONTO ÚNICO)

Agora Senhor,
dá a teu servo
um coração
capaz dessa escuta.

Primeiro Livro dos Reis (tradução de José Tolentino Mendonça)

sexta-feira, dezembro 22, 2006



Nostalgia versão parisiense.Uma grande canção, um grande cantor que me acompanhou infância fora.
SEASON'S GREETINGS Eu sei que nesta altura começa a haver uma espécie de top anual dos blogues e bloggers preferidos. Não farei o mesmo, por várias razões: por que os meus blogues favoritos são os suspeitos do costume; eles sabem quem são, a minha escolha não seria original e, sobretudo, nenhum necessita de um único encómio meu.
No entanto, outras coisas bizarras sucedem, a que não posso ficar indiferente: trata-se das pessoas que por excesso de generosidade ou equívoco mencionam este estabelecimento como um dos melhores. A essas eu agradeço, até por que são poucas e eu não gosto de fazer links: obrigado à Ana, que não deixa mal a sua família de excelentes bloggers; obrigado ao Luís Serpa, que mantém um blogue civilizado e culto graças à mão firme do seu skipper ( e me mata de inveja com as fotos das suas navegações); e obrigado à Carla, blogger in excelsis mas sobretudo alguém que pratica a amizade sábia e generosamente. Se de alguém me esqueci, aqui me penitencio.
Apenas irei referir um blogue neófito mas que de imediato me conquistou: o Pastoral Portuguesa, do Rogério Casanova, pela mistura maravilhosa de erudição, humor e estar-se nas tintas para o que acabei de escrever. E claro, um abraço special para os meus companheiros de trincheira, uma equipa de all-stars-but-one, o 31 da Armada. Posto isto, um Santo Natal para todos.

quarta-feira, dezembro 20, 2006



COISAS PARA DIZER A EVA GREEN
James Bond: Dry Martini.
Bartender: Oui, monsieur
James Bond: Wait... Three measures of Gordons; one of Vodka, half a measure of Kina Lillet. Shake it over ice, add a thin slice of lemon peel.
James Bond: I think I'll call it a Vesper.
Vesper Lynd: Why? Because it leaves a bitter aftertaste in your mouth?
James Bond: No, because once you've tasted it, you won't want anything else

terça-feira, dezembro 19, 2006

1001 UTILIZAÇÕES PARA A TLEBS (baseado numa história verdadeira) Numa conversa tardia e séria «sobre mulheres» um amigo cintila com uma citação (ou no mínimo paráfrase) de Camilo:«As reticências foram inventadas para as mulheres». Eu, pobre desculpa para Oscar Wilde de trazer por casa, só agora riposto em diferido:«E os pontos de interrogação, meu amigo ? E os de exclamação? E, oh espelho meu, os finais ?»

segunda-feira, dezembro 18, 2006

F**** CHRISTMAS, I'VE GOT THE BLUES, 2

Fine And Mellow
O ano é 1957. Billie Holiday está com a voz carregada de vida, de excesso de vida de que de resto iria morrer no ano seguinte. Por isso mesmo, este blues simples ganha uma força extraordinária, ainda por cima servido por várias gerações de astros do jazz: Ben Webster, Lester 'The Prez' Young, Coleman Hawkins ou Gerry 'Cool' Mulligan representam escolas e tempos diferentes de saxofonistas. Particularmente comovente é o olhar que Holiday faz aquando do solo do seu amigo [o segundo solista], ex-amante e cúmplice musical Lester Young. Um dos momentos mais bonitos na história da música popular.



*com um obrigado ao Gonçalo Rosas, pela ajuda a um ignorante informático.
DO BLOGGER ENQUANTO BÍGAMO Na minha outra casa, Francisco José Viegas e Pedro Mexia discutem a TLEBS. Um vídeo da 31tv.


NO PROMISES, DISSE ELA. E fez muito bem em dizê-lo. O disco é formalmente igual ao anterior, desta vez com a voz de Bruni a inquietar-nos em inglês. Mas o que canta a moça? Yeats, Auden, Emily Dickson, Christina Rossetti, Walter De La Mare e muito adequadamente, Dorothy Parker. Que se lixem as promessas: esta mulher merece-me uma estátua, um lugar vitalício nos meus sonhos. Até 15 de Janeiro, dia em que o disco será editado, fique-se com o video e alguns temas aqui.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

THE GIST E LOVE AT FIRST SIGHT Em disposição particularmente nostálgica, acordei com a inofensiva obsessão de encontrar registo de uma das mais bonitas canções dos anos 80: chama-se Love At First Sight, e era cantada pelos The Gist, de Stuart e Philip Moxham, ideológos dos anteriores e excelsos Young Marble Giants. Estiveram por cá em 1982, em Vilar de Mouros, num concerto que tive o privilégio de ver. Foram maltratados por uns punks de provincia, sobretudo quando Stuart colocou no palco o seu gravador de fita, onde estavam gravadas as drum lines de cada canção. Na altura terá dito qualquer coisa como 'don't you know rock n' roll is dead?' e tinha toda a razão.
Love At First sight é o romantismo minimal, guitarrras sussurradas, onde tudo fica por dizer e nada fica para dizer. Brilhantíssimo. Neste processo, descobri um excelente blog:este, e o mp3 de Love At First Sight aqui mesmo.

LAMENTO DO BETA-BLOGGER Uma pessoa faz por evoluir, vai para versão beta e de repente os Youtubes deixam de aparecer. O que equivale a dizer que fico com uma confrangedora falta de assunto.
AGORA SIM! Depois de que o presidente do meu clube, José Eduardo Simões da Académica de Coimbra, foi constituído arguido por corrupção, sinto que finalmente chegámos à elite do futebol. A uma Juventus, a um Porto, a um Benfica, a um Boavista até!

quarta-feira, dezembro 13, 2006


MELHOR DO ANO 2006 (eu juro que tentei resistir)


segunda-feira, dezembro 11, 2006

MUDAR Casa nova, depois de três anos e tal com o mesmo aspecto. Às vezes tem de ser, para ficar tudo na mesma. Bem vindos, então.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

AUTOBIOGRAFIA, ESCRITA POR OUTRÉM


THE ONLY POEM

This is the only poem
I can read
I am the only one
can write it
I didn't kill myself
when things went wrong
I didn't turn
to drugs or teaching
I tried to sleep
but when I couldn't sleep
I learned to write
I learned to write
what might be read
on nights like this
by one like me

Leonard Cohen
LATE NIGHT BAR PHILOSOPHERS, CROMO Nº11 Desapontado, confirmou a quem o queria ouvir:«Ela foi-se embora. A última coisa que me disse foi 'Vives a vida de uma forma literal'».

quinta-feira, dezembro 07, 2006

SÉRIE «LUGARES ONDE NUNCA ESTIVE MAS DE QUE TENHO SAUDADES», Nº1: Machico

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Deixei-me levar...

O meu único sonho materialista: um Aston Martin DB5, igualzinho a este. Já o tive, em versão Corgi Toys...Atentai em Connery:«Where's my Bentley?».
Goldfinger

Casino Royale é bom. Mas Goldfinger . Só o genérico é todo um programa. E a canção, senhores, a canção:«The man with the Midas touch/ A spiders touch...»
O AUTOR RESISTE, ESTÓICO, À TENTAÇÃO DA ÉPOCA «Não farás lista dos melhores do ano de coisa nenhuma, não farás lista dos melhores do ano de coisa nenhuma, não farás listas dos melhores do ano de coisa nenhuma, não farás...»

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Tears, idle tears

Tears, idle tears, I know not what they mean,
Tears from the depth of some divine despair
Rise in the heart, and gather to the eyes,
In looking on the happy autumn-fields,
And thinking of the days that are no more.

Fresh as the first beam glittering on a sail,
That brings our friends up from the underworld,
Sad as the last which reddens over one
That sinks with all we love below the verge;
So sad, so fresh, the days that are no more.

Ah, sad and strange as in dark summer dawns
The earliest pipe of half-awakened birds
To dying ears, when unto dying eyes
The casement slowly grows a glimmering square;
So sad, so strange, the days that are no more.

Dear as remembered kisses after death,
And sweet as those by hopeless fancy feigned
On lips that are for others; deep as love,
Deep as first love, and wild with all regret;
O Death in Life, the days that are no more!


Alfred Lord Tennyson
O AUTOR DESTE BLOG, NUM RARÍSSIMO MOMENTO NARCÍSICO O excelente Luís Carmelo cometeu a imprudência de pedir a minha colaboração na sua extensíssima série de entrevistas, um clássico da blogosfera. Sem dispensar a visita ao Miniscente, aqui fica a transcrição:

O que é que lhe diz a palavra ?blogosfera??
Pedaços de idiossincracias, bitaites geniais, comentários sérios, deslumbres, ensaios, seduções, insultos, baixezas e vilanias, liberdade, paciência, irritações, amores e ódios. A vida sem ser a vida.

Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Apenas por blogues, nenhum, até por questões profissionais. Mas quer-me parecer que se isso acontecesse faria de mim um homem muito triste e solitário.

Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Desde logo, a redescoberta da paixão, que andava escondida nos media tradicionais. Paixão ideológica, amorosa, bibliófila, filosófica. Depois permitiu-me chegar a pessoas que seria difícil de conhecer de outra maneira; dessas fiquei amigo de algumas e correlegionário de outras. De um ponto de vista ainda mais pessoal, os blogues também tiveram o seu papel. Mas disso não falo.

Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
É pelo menos a mais livre, com tudo o que isso implica. Não há polícia nem porteiro nem consumo mínimo: tudo está dependente do bom-senso e da boa educação. E, milagrosamente, a coisa funciona.

quinta-feira, novembro 30, 2006

PARA O CASO DE NÃO CONSEGUIR POSTAR AMANHÃ.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Ricky Gervais em Extras

Já não bastava o homem ser genial em The Office. Agora, em Extras - que a nossa excelsa televisão fez o favor de anunciar muito discretamente e acho muito bem - , Gervais continua a ser castigado. No episódio de domingo passado foi Ben Stiller. Aqui é Bowie que o humilha, num vintage Gervais confrangedor. Ver até ao fim.

domingo, novembro 26, 2006

MÁRIO CESARINY DE VASCONCELOS

PASTELARIA
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte
nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o
negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter
horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema
madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora ? ah, lá fora! ? rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

Nobilíssima Visão (1945-1946), in burlescas, teóricas e sentimentais (1972)
A OUVIR, EM MODO REPEAT 1 - Smile! No One Cares How You Feel, de The Tragic Treasury: songs from A Series Of Unfortunate Events, dos The Gothic Archies.Contém este grande verso:«Always the best disguise/a license to defile/ everyone you despise will die, so smile».

Adenda essencial, retirada do site já citado: « What makes this band different from The Magnetic Fields is that any glimmer of hope is absolutely extinguished. »

Eva Green

O mundo livre foi salvo mais uma vez. E mais uma vez, o pecado voltou às nossas vidas. Thank you, Mr.Bond.

terça-feira, novembro 21, 2006

Falta pouco
DRESS REHEARSAL RAG: A RAIVA TRISTE Hoje de manhã liguei o rádio do carro, e como um soco ouvi Dress Rehearsal Rag, de Leonard Cohen. É das canções que mais gosto e mais evito, um poema/letra suicida que só se pode ouvir com muita felicidade ou na miséria total. Todo o estado intermédio pode causar lesões irreversíveis, ou uma dor aguda a entrar pela alma dentro. Foi o que me aconteceu, e o colocar aqui a letra na íntegra é disso prova. Dress Rehearsal Rag pertence a um dos melhores - o melhor? - disco de todos os tempos, onde a tristeza e a raiva se confundem, e só o passado oferece consolo para logo a seguir destruir o presente. Songs Of Love And Hate (1970)contém ainda Avalanche e Famous Blue Raincoat, por exemplo. É uma obra-prima do maior escritor de canções desde os meados do século XX. Ler com cuidado.

Four o'clock in the afternoon
and I didn't feel like very much.
I said to myself, "Where are you golden boy,
where is your famous golden touch?"
I thought you knew where
all of the elephants lie down,
I thought you were the crown prince
of all the wheels in Ivory Town.

Just take a look at your body now,
there's nothing much to save
and a bitter voice in the mirror cries,
"Hey, Prince, you need a shave."
Now if you can manage to get
your trembling fingers to behave,
why don't you try unwrapping
a stainless steel razor blade?
That's right, it's come to this,
yes it's come to this,
and wasn't it a long way down,
wasn't it a strange way down?

There's no hot water
and the cold is running thin.
Well, what do you expect from
the kind of places you've been living in?
Don't drink from that cup,
it's all caked and cracked along the rim.
That's not the electric light, my friend,
that is your vision growing dim.
Cover up your face with soap, there,
now you're Santa Claus.
And you've got a gift for anyone
who will give you his applause.
I thought you were a racing man,
ah, but you couldn't take the pace.
That's a funeral in the mirror
and it's stopping at your face.
That's right, it's come to this,
yes it's come to this,
and wasn't it a long way down,
ah wasn't it a strange way down?

Once there was a path
and a girl with chestnut hair,
and you passed the summers
picking all of the berries that grew there;
there were times she was a woman,
oh, there were times she was just a child,
and you held her in the shadows
where the raspberries grow wild.
And you climbed the twilight mountains
and you sang about the view,
and everywhere that you wandered
love seemed to go along with you.

That's a hard one to remember,
yes it makes you clench your fist.
And then the veins stand out like highways,
all along your wrist.
And yes it's come to this,
it's come to this,
and wasn't it a long way down,
wasn't it a strange way down?

You can still find a job,
go out and talk to a friend.
On the back of every magazine
there are those coupons you can send.
Why don't you join the Rosicrucians,
they can give you back your hope,
you can find your love with diagrams
on a plain brown envelope.
But you've used up all your coupons
except the one that seems
to be written on your wrist
along with several thousand dreams.
Now Santa Claus comes forward,
that's a razor in his mit;
and he puts on his dark glasses
and he shows you where to hit;
and then the cameras pan,
the stand in stunt man,
dress rehearsal rag,
it's just the dress rehearsal rag,
you know this dress rehearsal rag,
it's just a dress rehearsal rag.

segunda-feira, novembro 20, 2006

HÁ ALGUÉM ALGURES QUE GOSTA DE MIM Muito obrigado, Ana, pela atenção que óbviamente não mereço. «Melhor blog» ainda compreendia; «melhor blogger» é mais dificil.. Como já aqui disse, o meu blog é bastante melhor do que eu.
ONDE É QUE ESTAVA NO 25 DE NOVEMBRO? Francamente não me lembro. Mas sei onde irei estar a partir deste 25: aqui mesmo. E já falta pouco.


FRASES QUE NUNCA PENSEI DIZER A MIM PRÓPRIO : «Get a haircut and a job».