sábado, fevereiro 17, 2007

A PROF. SHORE, NA SUA LIÇÃO «INTRODUÇÃO ÀS DELÍCIAS DO JAZZ»

A grande cantora Dinah Shore explica brevemente às crianças e ao povo o que o jazz pode fazer à nossa vida. E como exemplo, não está de modas: chama dois dos maiores saxofonistas de sempre - Gerry Mulligan (representante do west coast Jazz, o dito 'cool jazz')e o grande Ben Webster, veterano pré-bop e mestre absoluto)acompanhados de sidemen de luxo, como Mel Lewis (d), Leroy Vinegar (b) e Jimmy Rowles (p). Está tudo aqui, de bandeja, para que e perceba porque é que o jazz é a melhor música do mundo.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

HISTÓRIA DE UMA DERROTA Quer dizer: uma pessoa argumenta, primeiro com serenidade. Que a data é um disparate, mas qual Valentim, que faz tanto sentido como festejar o 4 de Julho ou queimar efigies do Guy Fawkes.
Ela ouve.
Passa-se ao paternalismo: que até no Brasil, meu Deus, no Brasil, a data se comemora como deve ser, no dia 12 de Junho, dia de Santo António.
Ela ouve.
Já de indicador em riste, diz-se que podemos ser anglófilos, mas temos orgulho em ser portugueses. Que tudo não passa de uma conspiração do Loureshopping aliado ao grupo Dolce Vita para vender peluches com corações. E que não se fala mais disso.
Ela ouve. E sorri.
Vinte minutos depois, percorremos aflitos as lojas de um centro comercial, lado a lado com irmãos que sofrem, que partilham connosco o olhar da mais doce das derrotas.


Como se fosse preciso, mais uma prova de que este homem é o maior entertainer vivo. Faz e desfaz a imagem como quer,tem mais arrogância e saber estar num pelo do peito do que os Jarvis Cocker da vida ("oh!, herege, how can he?")e é um enormíssimo letrista. Aqui, o video de She's Madonna, declaração de amor descarada com a colaboração dos Pet Shop Boys. Também à tua atenção, querida Carla.«She has to be obscene to be believed»...



Adoro uma boa canção de combate, venha de onde vier. Esta é um bom exemplo:North American Scum, LCD Sound System.
SUBSÍDIO PARA O MASSACRE DE S.VALENTIM

A rowan like a lipsticked girl.
Between the by-road and the main road
Alder trees at a wet and dripping distance
Stand off among the rushes.

There are the mud-flowers of dialect
And the immortelles of perfect pitch
And that moment when the bird sings very close
To the music of what happens.

Song, Seamus Heaney

domingo, fevereiro 11, 2007



O meu francês preferido, na França em que acredito.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

DIA 11, PERGUNTA? Não.


Michael Jackson meets Bollywood. Maravilhoso.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

A GRAMÁTICA AO SERVIÇO DA FELICIDADE INDIVIDUAL: voltar a ouvir o verbo certo, acompanhado do pronome reflexivo desejado. Repetir tudo ao intelocutor.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007



Fred Astaire e Bing Crosby, directamente dos dias em que tudo era perfeito. I'll capture your heart, do filme Holiday Inn (1942)

domingo, fevereiro 04, 2007

INVENTÁRIO PICTÓRICO DE EMOÇÕES EM TEMPO REAL


William Turner, Calais at Low Water (das Sunrise paintings)

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

SINATRA!

Uma enorme versão do Mestre para It's Alright With Me, de Cole Porter, mais uma canção de brilhantes ambiguidades afectivas. Aqui é cantada uptempo, com gosto e brilho. A sessão decorreu em meados dos anos 80, provavelmente para o álbum LA Is My Lady. Quincy Jones dirige uma all-star band, com saliência para a guitarra de George Benson. Sinatra, esse, abre o livro de como fazer swing: à frente, atrás e ao lado da orquestra, conforme o que lhe apetece, sílabas arrastadas, cortes enfáticos inesperados no fraseado, e a magnífica alteração final (que Porter abominaria!) do verso «It's the wrong lips» para o calão «It's the wrong chops». Sinatra está feliz, num dia feliz como o de hoje.
ORAÇÃO APÓCRIFA, SEGUIDA DE AGRADECIMENTO PELA GRAÇA RECEBIDA

Haven't had a dream in a long time
See the life Ive had
Can make a good man bad.

So for once in my life
Let me get what I want
Lord knows, it would be the first time


Oração atendida.


Para a P., ainda em estado de incrédulo deslumbre.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

ELOGIO DO ENNUI

E uma das mais brilhantes canções do mundo (It's a bore, letra de Alan Jay Lerner, música de Frederick Loewe), num dos melhores musicais de sempre (Gigi, de Vincent Minelli), baseado numa das mais maravilhosas e amorais histórias de todos os tempos (Gigi, de Colette).

«-Don't tell me Venice has no lure?
-Just a town without a sewer.»
EPÍGRAFE ALTERNATIVA PARA ESTE BLOGUE

«I sing what was lost and dread what was won»

WB Yeats

segunda-feira, janeiro 29, 2007

««Toutes les rues me tuent»



Assombrosa canção, assombroso Bécaud.
DOS ARQUIVOS DO TRADUÇÃO SIMULTÂNEA, 2

O HOMEM HOJE ESTÁ IMPARÁVEL No fundo o que todos desejamos é paz. Talvez seja verdade, a filosofia estóica e oriental que diz que a abolição de todos os desejos é o mais perto da perfeição. Talvez. Mas depois, para que vale a pena viver ? A inquietação, seja em que forma vier, é das poucas armas para combater a injustiça de morrer, acredite-se ou não numa vida depois da morte. Ninguém pode estar sossegado se vive, pela simples razão de que se o estiver, não vive. Vinicius dizia: «O tempo de paz/não faz nem desfaz». E isto é só uma verdade simples que atravessa toda a condição humana. Na verdade, a Humanidade é um tubarão, que se parar, morre.

(publicado em Setembro de 2004. Ainda vale por aqui)
MAIS DO QUE UM CORTE DE CABELO: foi o resto de 2006 que havia em mim, no chão, finalmente à espera de ser varrido.
CLIFFORD BROWN

Um dos raros registos vídeo (o único?) de uma actuação do maior trompetista de todos os tempos: Clifford Brown.Neste pequeno medley de Lady Be Good - Memories Of You (um burner e uma balada) nota-se desde logo a impossível clareza e precisão das frases, numa velocidade de execução e pensamento inacreditáveis.O solo em Lady Be Good é disso um excelente exemplo, com uma complexidade de estrutura inesperada e belíssima.
A lenda diz que Miles Davis suspirou de alívio quando Brown morreu. Não era para menos: em 4 anos apenas, trabalhando com Max Roach, acompanhando Helen Merrill ou Sarah Vaughan e também como líder dos seus próprios combos, a estrela de Brown brilhou com um imensíssimo fulgor. Junte-se a isto um repúdio ao estilo de vida errática de que Charlie Parker foi o mentor trágico e involuntário.Brown não se drogava, não bebia e o seu único vício era o xadrez. Esta aparição data de principios de 1956 e é particularmente comovente no final, quando Brown fala com terno orgulho do filho recém-nascido. Meses depois, em Junho, morre num acidente de viação quando ia para um concerto em Chicago. Tinha 25 anos. Deixou o jazz mais rico, e um estatuto ainda inatingível.

domingo, janeiro 28, 2007

PEQUENAS ALEGRIAS DE UM CONVALESCENTE

«Aí sonhamos que um elefante se sentou de repente sobre o nosso peito e que um vulcão explodiu e nos atirou para o fundo do mar – com o elefante ainda a dormir, tranquilamente, em cima de nós. Acordamos com a ideia de que aconteceu algo realmente terrível. A primeira impressão é de que chegou o fim do mundo; depois achamos que isso não é possível e que são ladrões e assassinos, ou então um incêndio, e exprimimos esta opinião da maneira habitual. Ninguém nos vem ajudar, porém, e tudo quanto sabemos é que há milhares de pessoas a dar-nos pontapés e que estamos a ser estrangulados.
Mas parece que não somos os únicos metidos em sarilhos. Ouvimos gritos abafados que vêm debaixo da cama. Determinados a lutar pela vida, aconteça o que acontecer, agitamo-nos freneticamente, aos socos para a esquerda e para a direita, sem parar de gritar e, finalmente, alguma coisa cede e encontramo-nos com a cabeça ao ar livre. A meio metro de distância está um rufia meio nu à espera de nos matar e já nos estamos a preparar para travar com ele um combate de vida ou morte quando começa a fazer-se luz no nosso espírito:é o Jim.
-Ah! És tu! – diz ele, reconhecendo-nos no mesmo instante.
- Sim, sou eu – respondo, esfregando os olhos. – O que aconteceu?
- A maldita tenda caiu-nos em cima, acho eu – diz ele. – Onde está o Bill?
Então ambos erguemos as vozes e gritamos «Bill!» e o chão debaixo dos nossos pés oscila e treme, e a voz abafada que já tínhamos ouvido antes replica de entre as ruínas:
- Saem de cima de mim, ou quê? »

Lendo pela terceira vez (e primeira em português, na excelente tradução de Luísa Feijó) Three men in a boat (to say nothing of the dog
), de Jerome K. Jerome