segunda-feira, janeiro 29, 2007

DOS ARQUIVOS DO TRADUÇÃO SIMULTÂNEA, 2

O HOMEM HOJE ESTÁ IMPARÁVEL No fundo o que todos desejamos é paz. Talvez seja verdade, a filosofia estóica e oriental que diz que a abolição de todos os desejos é o mais perto da perfeição. Talvez. Mas depois, para que vale a pena viver ? A inquietação, seja em que forma vier, é das poucas armas para combater a injustiça de morrer, acredite-se ou não numa vida depois da morte. Ninguém pode estar sossegado se vive, pela simples razão de que se o estiver, não vive. Vinicius dizia: «O tempo de paz/não faz nem desfaz». E isto é só uma verdade simples que atravessa toda a condição humana. Na verdade, a Humanidade é um tubarão, que se parar, morre.

(publicado em Setembro de 2004. Ainda vale por aqui)
MAIS DO QUE UM CORTE DE CABELO: foi o resto de 2006 que havia em mim, no chão, finalmente à espera de ser varrido.
CLIFFORD BROWN

Um dos raros registos vídeo (o único?) de uma actuação do maior trompetista de todos os tempos: Clifford Brown.Neste pequeno medley de Lady Be Good - Memories Of You (um burner e uma balada) nota-se desde logo a impossível clareza e precisão das frases, numa velocidade de execução e pensamento inacreditáveis.O solo em Lady Be Good é disso um excelente exemplo, com uma complexidade de estrutura inesperada e belíssima.
A lenda diz que Miles Davis suspirou de alívio quando Brown morreu. Não era para menos: em 4 anos apenas, trabalhando com Max Roach, acompanhando Helen Merrill ou Sarah Vaughan e também como líder dos seus próprios combos, a estrela de Brown brilhou com um imensíssimo fulgor. Junte-se a isto um repúdio ao estilo de vida errática de que Charlie Parker foi o mentor trágico e involuntário.Brown não se drogava, não bebia e o seu único vício era o xadrez. Esta aparição data de principios de 1956 e é particularmente comovente no final, quando Brown fala com terno orgulho do filho recém-nascido. Meses depois, em Junho, morre num acidente de viação quando ia para um concerto em Chicago. Tinha 25 anos. Deixou o jazz mais rico, e um estatuto ainda inatingível.

domingo, janeiro 28, 2007

PEQUENAS ALEGRIAS DE UM CONVALESCENTE

«Aí sonhamos que um elefante se sentou de repente sobre o nosso peito e que um vulcão explodiu e nos atirou para o fundo do mar – com o elefante ainda a dormir, tranquilamente, em cima de nós. Acordamos com a ideia de que aconteceu algo realmente terrível. A primeira impressão é de que chegou o fim do mundo; depois achamos que isso não é possível e que são ladrões e assassinos, ou então um incêndio, e exprimimos esta opinião da maneira habitual. Ninguém nos vem ajudar, porém, e tudo quanto sabemos é que há milhares de pessoas a dar-nos pontapés e que estamos a ser estrangulados.
Mas parece que não somos os únicos metidos em sarilhos. Ouvimos gritos abafados que vêm debaixo da cama. Determinados a lutar pela vida, aconteça o que acontecer, agitamo-nos freneticamente, aos socos para a esquerda e para a direita, sem parar de gritar e, finalmente, alguma coisa cede e encontramo-nos com a cabeça ao ar livre. A meio metro de distância está um rufia meio nu à espera de nos matar e já nos estamos a preparar para travar com ele um combate de vida ou morte quando começa a fazer-se luz no nosso espírito:é o Jim.
-Ah! És tu! – diz ele, reconhecendo-nos no mesmo instante.
- Sim, sou eu – respondo, esfregando os olhos. – O que aconteceu?
- A maldita tenda caiu-nos em cima, acho eu – diz ele. – Onde está o Bill?
Então ambos erguemos as vozes e gritamos «Bill!» e o chão debaixo dos nossos pés oscila e treme, e a voz abafada que já tínhamos ouvido antes replica de entre as ruínas:
- Saem de cima de mim, ou quê? »

Lendo pela terceira vez (e primeira em português, na excelente tradução de Luísa Feijó) Three men in a boat (to say nothing of the dog
), de Jerome K. Jerome

sábado, janeiro 27, 2007

UM CONSELHO DO NOSSO PATROCINADOR

quinta-feira, janeiro 25, 2007

AGORA ISTO É CAPAZ DE APARECER AMANHÃ...


Até porque já tinha saudades dos dias em que quis ser dandy...

I'm the dandy highwayman who you're too scared to mention
I spend my cash on looking flash and grabbing your attention
The devil take your stereo and your record collection!
The way you look you'll qualify for next year's old age pension!

Stand and deliver!The money or your life!
Try and use a mirror no bullet or a knife!

quarta-feira, janeiro 24, 2007

MINHAS QUERIDAS AMIGAS, deveriam saber melhor: por muito lamentável que esteja um sashimi, nunca mas nunca se pede discos aos djays, sob pena de sair o tiro pela culatra. Posso dizer-vos isto: se bem conheço os meus camaradas de pratos, vai haver brit coisa a dar com um pau - e acho muito bem. Da vossa lista de no-no's concordo com muitos pontos e há coisas que há muito deixei de passar - da Ciccone, por exemplo, acabou-se o Confessions ...o disco mais chato do mundo. Outras, é o meu habitual parceiro dos 2DJ's que gosta - como o Nowhere Fast (o do "Godspeed, speed us away...". Eu sou mais pop e demagogo (como eles me chamam), mas não trago a minha discoteca para o Frágil, senão era só jazz e injecções de Sinatra.
Pela minha parte, tentarei que passem mais tempo na pista do que a retocarem a maquilhagem. Até porque sinceramente não precisam. See you there!

terça-feira, janeiro 23, 2007

When the daylight's like flourescent lights
I'm going to take my time night by night
I hang my hands over your eyes to hide.


Emily Haines, Telethon
MAS DE FACTO, POR AQUI HÁ UM NOVO AMOR:

Emily Haines, Dr.Blind. Do álbum Knives Don't Have Your Back. Grande canção, grande disco, grande senhora.
O AUTOR RESPONDE A SUN TZU, ENQUANTO BEBE À LAREIRA UM MANHATTAN ACABADINHO DE FAZER

segunda-feira, janeiro 22, 2007

SUN TZU, SOBRE A VIDA AFECTIVA DO AUTOR: «Mais uma vez entre manter a cidadela e o desejo de acenar a bandeira branca».

BREVE CONSOLO PARA A RAPAZIADA DE LETRAS
Maravilhosos exemplos de respostas a exercícios de matemática. Gosto sobretudo do "find x" - "here it is!"

(via Tecnotretas)
Pequeno intervalo para a lamechice musical do blogger
Estava-se em 1979. O punk, se não já defunto, sentia-se muito muito mal. Os Clash davam cartas. A new wave lançava alguns dos seus nomes maiores. Os Joy Division já tinham editado o excelso Unknown Pleasures. Qualquer adolescente de 15 anos com a sorte de estar informado sabia isso. Mas se numa festa de garagem persistisse nesse name dropping, espantaria toda e qualquer remota possibilidade de namorada.
Por isso, sabiamente, recorria-se à Electric Light Orchestra, do algo azeiteiro Jeff Lynne. O álbum Discovery foi lançado também em 1979, e trazia uma furiosa mistura de Beatles, Beach Boys e disco sound, com o seu apogeu em temas como Last Train To London ou Shine A Little Love. Soft-rock certinho e certeiro, melodias de levar para casa,como uma doença, como as que actualmente praticam e copiam os The Feeling. E sobretudo - sobretudo, meus amigos - grandes slows, como se dizia à época. Canções downtempo, para dançar agarradinho e tentar a nossa sorte. Este Need Her Love é um exemplo. Aos 15 anos, fui lá muito feliz e infeliz e feliz outra vez, como devem ser as púberes paixões.
DID I GOOGLE MYSELF TO SLEEP? Alguém aqui chegou através de "frases de amor não correspondido".

domingo, janeiro 21, 2007


O Mestre no auge da sua forma, alegremente sabotado pelos amigalhaços:"Keep singin' 'till you get it right, baby!". A arte perdida de viver.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

NUNO MIGUEL GUEDES SOBRE NUNO MARIA GUEDES : «É um estóico. Entalado entre duas irmãs, uma mais velha e outra mais nova, resiste com firmeza às investidas das Barbies, Bratz e Polly Pockets, retaliando com a unidade de elite dos Power Rangers, secundados pelos temíveis Pokémon. Capaz de jogar em qualquer posição do campo, prefere sabiamente a solidão do guarda-redes. Revela uma preocupante inclinação para o Sporting Clube de Portugal, mas penso que se deve apenas ao grande felino que serve de emblema ao clube. Na mesma ordem de ideias, admira também o Marquês de Pombal.
- É então alguém que sinceramente admira ?
- Faz parte do trio maravilha a quem devo tudo o que irei ser de melhor e a compreensão do mau que fui antes de receber a bênção de os ter na minha vida. É meu filho, e faz sete anos amanhã.»

quinta-feira, janeiro 18, 2007

GOSTARIA APENAS DE LEMBRAR



ATLÂNTICO
Ano Novo, Atlântico Sempre

Sexta-feira, 26 de Janeiro
venha celebrar o Novo Ano com a revista Atlântico


Dijays: Eduardo Nogueira Pinto, Francisco Mendes da Silva, Nuno Costa Santos e Nuno Miguel Guedes (o gerente deste estabelecimento)

Uma festa tão chique, tão chique que até os DJays têm todos três nomes.

FRÁGIL - Rua da Atalaia, 126, Bairro Alto, Lisboa

quarta-feira, janeiro 17, 2007

«OPRESSED BY THE FIGURES OF BEAUTY», 2:MAUREEN O'HARA
The quiet man:o elogio do regresso

John Ford, no seu laconismo e falta de paciência, dizia de The quiet man que era apenas «a história de um homem que quer levar a mulher para a cama». Também, mas muito, muito mais: é a Irlanda, o passado que nos persegue, a irlandesa linda e de mau feitio, a pancadaria e a competição masculina, a amizade, o male-bonding, o confronto de tempo e cultura.E,sobretudo, é o elogio do regresso, das palavras e conceitos mais bonitos que se conhecem. Regressar a algo a que se pertence sem nunca o ter conhecido- o amor, uma terra, um país: eis a terna nostalgia de Ford a funcionar em pleno. Há também o amor como deveria ser, demonstrado aqui no mais belo beijo da história do cinema. É uma benção quando momentos destes se cruzam com a nossa vida, por fugazes que sejam.

terça-feira, janeiro 16, 2007



GOD SAVE THE QUEEN! Chegaram, viram e venceram: os cidadãos da Ilha deram mais uma alegria a quem os admira: Dame Helen Mirren (na foto), Jeremy Irons, o ex-remador por Cambridge Hugh Laurie, Emily Hunt, Bill Nighy e Sacha Baron Cohen (num discurso maravilhoso, feito com a própria voz, em que se nota um leve sotaque posh) arrasaram nos Globos de Ouro. É justo (mais pormenores e video aqui) e sobre a Inglaterra descanso, uma vez mais, o meu caso. Por outro lado, o prémio mais divertido foi para Clint Eastwood: Melhor Filme em língua estrangeira por Cartas de Iwo Jima, falado em japonês.