Blue Rondo A La Turk - Dave Brubeck Quartet (1959)
Um dos mais justamente celebrados e conhecidos temas de jazz. Incluído no álbum Time Out (onde também aparecia o extraordinário Take Five, do saxofonista Paul Desmond), Blue Rondo... surpreende pela utilização de tempos invulgares (a frase principal é feita a 9/8) misturados com a utilização do mais convencional quaternário (4/4).Com inspirações na música tradicional turca (e grega),o tema alterna com frases bluesy. Depois há a técnica perfeita de Brubeck, com as duas mãos em frases diferentes e simultâneas. A mão esquerda de Brubeck é genial, dando a sensação de existirem dois pianos. Uma excelente introdução ao mundo do jazz, sem imagens em movimento, para que se possa fruir da música sem distracções.
segunda-feira, janeiro 15, 2007
domingo, janeiro 14, 2007
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Um post a la maradona*
Enquanto por cá a malta vai descansando, o melhor futebol do mundo tem de continuar. E no passado dia 9, um regalo. Para quem joga dia sim dia não, este jogo entre o Liverpool e o Arsenal, para a Carling Cup, foi absolutamente fantastico. Resultado: 3-6, para o Arsenal. Por cá o que se viu nos notíciários foi o chato empate do Chelsea «de Mourinho». Valha-nos a Sport TV. Eu sou um gunner supporter, mas este golo de Gerrard - que está em enorme forma - merece hossanas repetidas. É o 2-5, e depois disto o jogo continuou como se estivesse zero a zero. Prémio especial para quem descubra a lingua em que está relatado.
*mas sem o minimo de graça
Enquanto por cá a malta vai descansando, o melhor futebol do mundo tem de continuar. E no passado dia 9, um regalo. Para quem joga dia sim dia não, este jogo entre o Liverpool e o Arsenal, para a Carling Cup, foi absolutamente fantastico. Resultado: 3-6, para o Arsenal. Por cá o que se viu nos notíciários foi o chato empate do Chelsea «de Mourinho». Valha-nos a Sport TV. Eu sou um gunner supporter, mas este golo de Gerrard - que está em enorme forma - merece hossanas repetidas. É o 2-5, e depois disto o jogo continuou como se estivesse zero a zero. Prémio especial para quem descubra a lingua em que está relatado.
*mas sem o minimo de graça
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Haircut 100 - Fantastic Day
Os Haircut 100 foram o lado pop-mais-que-perfeito da Postcard Records, a célebre editora escocesa independente que albergava no ínicio de 80 nomes como os Orange Juice, os Fire Engines, os Joseph K ou os Aztec Camera iniciais (basicamente Roddy Frame).Longe das gabardinas e angústias sortidas dos seus parceiros e editora, o grupo de Nick Heyward praticava a busca do refrão perfeito: Pelican West (1982) é um dos melhores «feel good records» da década, e onde estava este Fantastic Day, ao lado de Love Plus One ou Favorite Shirts (Boy Meets Girl). Com um visual clean cut e inglesissimo, os Haircut 100 eram o reverso da depressão industrial, um sonho filmado em estúdio, numa terra em que só havia finais felizes. Ideal para começar os dias.
Os Haircut 100 foram o lado pop-mais-que-perfeito da Postcard Records, a célebre editora escocesa independente que albergava no ínicio de 80 nomes como os Orange Juice, os Fire Engines, os Joseph K ou os Aztec Camera iniciais (basicamente Roddy Frame).Longe das gabardinas e angústias sortidas dos seus parceiros e editora, o grupo de Nick Heyward praticava a busca do refrão perfeito: Pelican West (1982) é um dos melhores «feel good records» da década, e onde estava este Fantastic Day, ao lado de Love Plus One ou Favorite Shirts (Boy Meets Girl). Com um visual clean cut e inglesissimo, os Haircut 100 eram o reverso da depressão industrial, um sonho filmado em estúdio, numa terra em que só havia finais felizes. Ideal para começar os dias.
segunda-feira, janeiro 08, 2007
SE ISTO NÃO É O AMOR ABSOLUTO, ROMÂNTICO, OCIDENTAL, INATINGÍVEL, IMORREDOURO, BELO; SE NÃO O É, NÃO SEI O QUE SEJA.
«so he shall never know how I love him: and that, not because he's handsome, Nelly, but because he's more myself than I am.»
«I cannot express it; but surely you and everybody have a notion that there is or should be an existence of yours beyond you. What were the use of my creation, if I were entirely contained here? My great miseries in this world have been Heathcliff's miseries, and I watched and felt each from the beginning: my great thought in living is himself. If all else perished, and he remained, I should still continue to be; and if all else remained, and he were annihilated, the universe would turn to a mighty stranger: I should not seem a part of it.»
Catherine, Wuthering Heights (Emily Brontë)
«so he shall never know how I love him: and that, not because he's handsome, Nelly, but because he's more myself than I am.»
«I cannot express it; but surely you and everybody have a notion that there is or should be an existence of yours beyond you. What were the use of my creation, if I were entirely contained here? My great miseries in this world have been Heathcliff's miseries, and I watched and felt each from the beginning: my great thought in living is himself. If all else perished, and he remained, I should still continue to be; and if all else remained, and he were annihilated, the universe would turn to a mighty stranger: I should not seem a part of it.»
Catherine, Wuthering Heights (Emily Brontë)
sexta-feira, janeiro 05, 2007
Kurt Elling In Paris
Kurt Elling é provavelmente o melhor cantor jazz da actualidade. Pelo menos é o meu favorito: um timbre versátil mas quente, uma técnica irrepreensível e um repertório maravilhoso. Esta fantástica versão de Nature Boy (com o seu scat no máximo) compensa o amadorismo do vídeo e o psicadelismo da ausência de som síncrono.
Kurt Elling é provavelmente o melhor cantor jazz da actualidade. Pelo menos é o meu favorito: um timbre versátil mas quente, uma técnica irrepreensível e um repertório maravilhoso. Esta fantástica versão de Nature Boy (com o seu scat no máximo) compensa o amadorismo do vídeo e o psicadelismo da ausência de som síncrono.
terça-feira, janeiro 02, 2007
A VERDADE SOBRE OS INTELECTUAIS Na casa onde passei o fim de ano, havia muitos livros trazidos pelos convidados de fim de semana. Assim de repente, e só para impressionar: Londres, de Virginia Woolf, a nova e soberba edição (Assírio&Alvim) de O Processo, de Franz Kafka, Wuthering Heights (em paperback anotado da Oxford Classics) e até, Deus meu, um exemplar de Huis-Clos, de Jean-Paul Sartre (coisas a que a vida académica obriga...). No entanto, na hora da verdade, o que a malta queria era jogar Party&Co.
quinta-feira, dezembro 28, 2006
quarta-feira, dezembro 27, 2006
sexta-feira, dezembro 22, 2006
SEASON'S GREETINGS Eu sei que nesta altura começa a haver uma espécie de top anual dos blogues e bloggers preferidos. Não farei o mesmo, por várias razões: por que os meus blogues favoritos são os suspeitos do costume; eles sabem quem são, a minha escolha não seria original e, sobretudo, nenhum necessita de um único encómio meu.
No entanto, outras coisas bizarras sucedem, a que não posso ficar indiferente: trata-se das pessoas que por excesso de generosidade ou equívoco mencionam este estabelecimento como um dos melhores. A essas eu agradeço, até por que são poucas e eu não gosto de fazer links: obrigado à Ana, que não deixa mal a sua família de excelentes bloggers; obrigado ao Luís Serpa, que mantém um blogue civilizado e culto graças à mão firme do seu skipper ( e me mata de inveja com as fotos das suas navegações); e obrigado à Carla, blogger in excelsis mas sobretudo alguém que pratica a amizade sábia e generosamente. Se de alguém me esqueci, aqui me penitencio.
Apenas irei referir um blogue neófito mas que de imediato me conquistou: o Pastoral Portuguesa, do Rogério Casanova, pela mistura maravilhosa de erudição, humor e estar-se nas tintas para o que acabei de escrever. E claro, um abraço special para os meus companheiros de trincheira, uma equipa de all-stars-but-one, o 31 da Armada. Posto isto, um Santo Natal para todos.
No entanto, outras coisas bizarras sucedem, a que não posso ficar indiferente: trata-se das pessoas que por excesso de generosidade ou equívoco mencionam este estabelecimento como um dos melhores. A essas eu agradeço, até por que são poucas e eu não gosto de fazer links: obrigado à Ana, que não deixa mal a sua família de excelentes bloggers; obrigado ao Luís Serpa, que mantém um blogue civilizado e culto graças à mão firme do seu skipper ( e me mata de inveja com as fotos das suas navegações); e obrigado à Carla, blogger in excelsis mas sobretudo alguém que pratica a amizade sábia e generosamente. Se de alguém me esqueci, aqui me penitencio.
Apenas irei referir um blogue neófito mas que de imediato me conquistou: o Pastoral Portuguesa, do Rogério Casanova, pela mistura maravilhosa de erudição, humor e estar-se nas tintas para o que acabei de escrever. E claro, um abraço special para os meus companheiros de trincheira, uma equipa de all-stars-but-one, o 31 da Armada. Posto isto, um Santo Natal para todos.
quarta-feira, dezembro 20, 2006

COISAS PARA DIZER A EVA GREEN
James Bond: Dry Martini.
Bartender: Oui, monsieur
James Bond: Wait... Three measures of Gordons; one of Vodka, half a measure of Kina Lillet. Shake it over ice, add a thin slice of lemon peel.
James Bond: I think I'll call it a Vesper.
Vesper Lynd: Why? Because it leaves a bitter aftertaste in your mouth?
James Bond: No, because once you've tasted it, you won't want anything else
terça-feira, dezembro 19, 2006
1001 UTILIZAÇÕES PARA A TLEBS (baseado numa história verdadeira) Numa conversa tardia e séria «sobre mulheres» um amigo cintila com uma citação (ou no mínimo paráfrase) de Camilo:«As reticências foram inventadas para as mulheres». Eu, pobre desculpa para Oscar Wilde de trazer por casa, só agora riposto em diferido:«E os pontos de interrogação, meu amigo ? E os de exclamação? E, oh espelho meu, os finais ?»
segunda-feira, dezembro 18, 2006
F**** CHRISTMAS, I'VE GOT THE BLUES, 2
Fine And Mellow
O ano é 1957. Billie Holiday está com a voz carregada de vida, de excesso de vida de que de resto iria morrer no ano seguinte. Por isso mesmo, este blues simples ganha uma força extraordinária, ainda por cima servido por várias gerações de astros do jazz: Ben Webster, Lester 'The Prez' Young, Coleman Hawkins ou Gerry 'Cool' Mulligan representam escolas e tempos diferentes de saxofonistas. Particularmente comovente é o olhar que Holiday faz aquando do solo do seu amigo [o segundo solista], ex-amante e cúmplice musical Lester Young. Um dos momentos mais bonitos na história da música popular.
*com um obrigado ao Gonçalo Rosas, pela ajuda a um ignorante informático.
Fine And Mellow
O ano é 1957. Billie Holiday está com a voz carregada de vida, de excesso de vida de que de resto iria morrer no ano seguinte. Por isso mesmo, este blues simples ganha uma força extraordinária, ainda por cima servido por várias gerações de astros do jazz: Ben Webster, Lester 'The Prez' Young, Coleman Hawkins ou Gerry 'Cool' Mulligan representam escolas e tempos diferentes de saxofonistas. Particularmente comovente é o olhar que Holiday faz aquando do solo do seu amigo [o segundo solista], ex-amante e cúmplice musical Lester Young. Um dos momentos mais bonitos na história da música popular.
*com um obrigado ao Gonçalo Rosas, pela ajuda a um ignorante informático.
DO BLOGGER ENQUANTO BÍGAMO Na minha outra casa, Francisco José Viegas e Pedro Mexia discutem a TLEBS. Um vídeo da 31tv.

NO PROMISES, DISSE ELA. E fez muito bem em dizê-lo. O disco é formalmente igual ao anterior, desta vez com a voz de Bruni a inquietar-nos em inglês. Mas o que canta a moça? Yeats, Auden, Emily Dickson, Christina Rossetti, Walter De La Mare e muito adequadamente, Dorothy Parker. Que se lixem as promessas: esta mulher merece-me uma estátua, um lugar vitalício nos meus sonhos. Até 15 de Janeiro, dia em que o disco será editado, fique-se com o video e alguns temas aqui.
quinta-feira, dezembro 14, 2006
THE GIST E LOVE AT FIRST SIGHT Em disposição particularmente nostálgica, acordei com a inofensiva obsessão de encontrar registo de uma das mais bonitas canções dos anos 80: chama-se Love At First Sight, e era cantada pelos The Gist, de Stuart e Philip Moxham, ideológos dos anteriores e excelsos Young Marble Giants. Estiveram por cá em 1982, em Vilar de Mouros, num concerto que tive o privilégio de ver. Foram maltratados por uns punks de provincia, sobretudo quando Stuart colocou no palco o seu gravador de fita, onde estavam gravadas as drum lines de cada canção. Na altura terá dito qualquer coisa como 'don't you know rock n' roll is dead?' e tinha toda a razão.
Love At First sight é o romantismo minimal, guitarrras sussurradas, onde tudo fica por dizer e nada fica para dizer. Brilhantíssimo. Neste processo, descobri um excelente blog:este, e o mp3 de Love At First Sight aqui mesmo.
Love At First sight é o romantismo minimal, guitarrras sussurradas, onde tudo fica por dizer e nada fica para dizer. Brilhantíssimo. Neste processo, descobri um excelente blog:este, e o mp3 de Love At First Sight aqui mesmo.
segunda-feira, dezembro 11, 2006
sexta-feira, dezembro 08, 2006
AUTOBIOGRAFIA, ESCRITA POR OUTRÉM
THE ONLY POEM
This is the only poem
I can read
I am the only one
can write it
I didn't kill myself
when things went wrong
I didn't turn
to drugs or teaching
I tried to sleep
but when I couldn't sleep
I learned to write
I learned to write
what might be read
on nights like this
by one like me
Leonard Cohen
THE ONLY POEM
This is the only poem
I can read
I am the only one
can write it
I didn't kill myself
when things went wrong
I didn't turn
to drugs or teaching
I tried to sleep
but when I couldn't sleep
I learned to write
I learned to write
what might be read
on nights like this
by one like me
Leonard Cohen
quarta-feira, dezembro 06, 2006
segunda-feira, dezembro 04, 2006
Tears, idle tears
Tears, idle tears, I know not what they mean,
Tears from the depth of some divine despair
Rise in the heart, and gather to the eyes,
In looking on the happy autumn-fields,
And thinking of the days that are no more.
Fresh as the first beam glittering on a sail,
That brings our friends up from the underworld,
Sad as the last which reddens over one
That sinks with all we love below the verge;
So sad, so fresh, the days that are no more.
Ah, sad and strange as in dark summer dawns
The earliest pipe of half-awakened birds
To dying ears, when unto dying eyes
The casement slowly grows a glimmering square;
So sad, so strange, the days that are no more.
Dear as remembered kisses after death,
And sweet as those by hopeless fancy feigned
On lips that are for others; deep as love,
Deep as first love, and wild with all regret;
O Death in Life, the days that are no more!
Alfred Lord Tennyson
Tears, idle tears, I know not what they mean,
Tears from the depth of some divine despair
Rise in the heart, and gather to the eyes,
In looking on the happy autumn-fields,
And thinking of the days that are no more.
Fresh as the first beam glittering on a sail,
That brings our friends up from the underworld,
Sad as the last which reddens over one
That sinks with all we love below the verge;
So sad, so fresh, the days that are no more.
Ah, sad and strange as in dark summer dawns
The earliest pipe of half-awakened birds
To dying ears, when unto dying eyes
The casement slowly grows a glimmering square;
So sad, so strange, the days that are no more.
Dear as remembered kisses after death,
And sweet as those by hopeless fancy feigned
On lips that are for others; deep as love,
Deep as first love, and wild with all regret;
O Death in Life, the days that are no more!
Alfred Lord Tennyson
O AUTOR DESTE BLOG, NUM RARÍSSIMO MOMENTO NARCÍSICO O excelente Luís Carmelo cometeu a imprudência de pedir a minha colaboração na sua extensíssima série de entrevistas, um clássico da blogosfera. Sem dispensar a visita ao Miniscente, aqui fica a transcrição:
O que é que lhe diz a palavra ?blogosfera??
Pedaços de idiossincracias, bitaites geniais, comentários sérios, deslumbres, ensaios, seduções, insultos, baixezas e vilanias, liberdade, paciência, irritações, amores e ódios. A vida sem ser a vida.
Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Apenas por blogues, nenhum, até por questões profissionais. Mas quer-me parecer que se isso acontecesse faria de mim um homem muito triste e solitário.
Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Desde logo, a redescoberta da paixão, que andava escondida nos media tradicionais. Paixão ideológica, amorosa, bibliófila, filosófica. Depois permitiu-me chegar a pessoas que seria difícil de conhecer de outra maneira; dessas fiquei amigo de algumas e correlegionário de outras. De um ponto de vista ainda mais pessoal, os blogues também tiveram o seu papel. Mas disso não falo.
Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
É pelo menos a mais livre, com tudo o que isso implica. Não há polícia nem porteiro nem consumo mínimo: tudo está dependente do bom-senso e da boa educação. E, milagrosamente, a coisa funciona.
O que é que lhe diz a palavra ?blogosfera??
Pedaços de idiossincracias, bitaites geniais, comentários sérios, deslumbres, ensaios, seduções, insultos, baixezas e vilanias, liberdade, paciência, irritações, amores e ódios. A vida sem ser a vida.
Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Apenas por blogues, nenhum, até por questões profissionais. Mas quer-me parecer que se isso acontecesse faria de mim um homem muito triste e solitário.
Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Desde logo, a redescoberta da paixão, que andava escondida nos media tradicionais. Paixão ideológica, amorosa, bibliófila, filosófica. Depois permitiu-me chegar a pessoas que seria difícil de conhecer de outra maneira; dessas fiquei amigo de algumas e correlegionário de outras. De um ponto de vista ainda mais pessoal, os blogues também tiveram o seu papel. Mas disso não falo.
Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
É pelo menos a mais livre, com tudo o que isso implica. Não há polícia nem porteiro nem consumo mínimo: tudo está dependente do bom-senso e da boa educação. E, milagrosamente, a coisa funciona.
segunda-feira, novembro 27, 2006
Ricky Gervais em Extras
Já não bastava o homem ser genial em The Office. Agora, em Extras - que a nossa excelsa televisão fez o favor de anunciar muito discretamente e acho muito bem - , Gervais continua a ser castigado. No episódio de domingo passado foi Ben Stiller. Aqui é Bowie que o humilha, num vintage Gervais confrangedor. Ver até ao fim.
Já não bastava o homem ser genial em The Office. Agora, em Extras - que a nossa excelsa televisão fez o favor de anunciar muito discretamente e acho muito bem - , Gervais continua a ser castigado. No episódio de domingo passado foi Ben Stiller. Aqui é Bowie que o humilha, num vintage Gervais confrangedor. Ver até ao fim.
domingo, novembro 26, 2006
MÁRIO CESARINY DE VASCONCELOS
PASTELARIA
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte
nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o
negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter
horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema
madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora ? ah, lá fora! ? rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra
Nobilíssima Visão (1945-1946), in burlescas, teóricas e sentimentais (1972)
PASTELARIA
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte
nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o
negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter
horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema
madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora ? ah, lá fora! ? rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra
Nobilíssima Visão (1945-1946), in burlescas, teóricas e sentimentais (1972)
A OUVIR, EM MODO REPEAT 1 - Smile! No One Cares How You Feel, de The Tragic Treasury: songs from A Series Of Unfortunate Events, dos The Gothic Archies.Contém este grande verso:«Always the best disguise/a license to defile/ everyone you despise will die, so smile».
Adenda essencial, retirada do site já citado: « What makes this band different from The Magnetic Fields is that any glimmer of hope is absolutely extinguished. »
Adenda essencial, retirada do site já citado: « What makes this band different from The Magnetic Fields is that any glimmer of hope is absolutely extinguished. »
terça-feira, novembro 21, 2006
DRESS REHEARSAL RAG: A RAIVA TRISTE Hoje de manhã liguei o rádio do carro, e como um soco ouvi Dress Rehearsal Rag, de Leonard Cohen. É das canções que mais gosto e mais evito, um poema/letra suicida que só se pode ouvir com muita felicidade ou na miséria total. Todo o estado intermédio pode causar lesões irreversíveis, ou uma dor aguda a entrar pela alma dentro. Foi o que me aconteceu, e o colocar aqui a letra na íntegra é disso prova. Dress Rehearsal Rag pertence a um dos melhores - o melhor? - disco de todos os tempos, onde a tristeza e a raiva se confundem, e só o passado oferece consolo para logo a seguir destruir o presente. Songs Of Love And Hate (1970)contém ainda Avalanche e Famous Blue Raincoat, por exemplo. É uma obra-prima do maior escritor de canções desde os meados do século XX. Ler com cuidado.
Four o'clock in the afternoon
and I didn't feel like very much.
I said to myself, "Where are you golden boy,
where is your famous golden touch?"
I thought you knew where
all of the elephants lie down,
I thought you were the crown prince
of all the wheels in Ivory Town.
Just take a look at your body now,
there's nothing much to save
and a bitter voice in the mirror cries,
"Hey, Prince, you need a shave."
Now if you can manage to get
your trembling fingers to behave,
why don't you try unwrapping
a stainless steel razor blade?
That's right, it's come to this,
yes it's come to this,
and wasn't it a long way down,
wasn't it a strange way down?
There's no hot water
and the cold is running thin.
Well, what do you expect from
the kind of places you've been living in?
Don't drink from that cup,
it's all caked and cracked along the rim.
That's not the electric light, my friend,
that is your vision growing dim.
Cover up your face with soap, there,
now you're Santa Claus.
And you've got a gift for anyone
who will give you his applause.
I thought you were a racing man,
ah, but you couldn't take the pace.
That's a funeral in the mirror
and it's stopping at your face.
That's right, it's come to this,
yes it's come to this,
and wasn't it a long way down,
ah wasn't it a strange way down?
Once there was a path
and a girl with chestnut hair,
and you passed the summers
picking all of the berries that grew there;
there were times she was a woman,
oh, there were times she was just a child,
and you held her in the shadows
where the raspberries grow wild.
And you climbed the twilight mountains
and you sang about the view,
and everywhere that you wandered
love seemed to go along with you.
That's a hard one to remember,
yes it makes you clench your fist.
And then the veins stand out like highways,
all along your wrist.
And yes it's come to this,
it's come to this,
and wasn't it a long way down,
wasn't it a strange way down?
You can still find a job,
go out and talk to a friend.
On the back of every magazine
there are those coupons you can send.
Why don't you join the Rosicrucians,
they can give you back your hope,
you can find your love with diagrams
on a plain brown envelope.
But you've used up all your coupons
except the one that seems
to be written on your wrist
along with several thousand dreams.
Now Santa Claus comes forward,
that's a razor in his mit;
and he puts on his dark glasses
and he shows you where to hit;
and then the cameras pan,
the stand in stunt man,
dress rehearsal rag,
it's just the dress rehearsal rag,
you know this dress rehearsal rag,
it's just a dress rehearsal rag.
Four o'clock in the afternoon
and I didn't feel like very much.
I said to myself, "Where are you golden boy,
where is your famous golden touch?"
I thought you knew where
all of the elephants lie down,
I thought you were the crown prince
of all the wheels in Ivory Town.
Just take a look at your body now,
there's nothing much to save
and a bitter voice in the mirror cries,
"Hey, Prince, you need a shave."
Now if you can manage to get
your trembling fingers to behave,
why don't you try unwrapping
a stainless steel razor blade?
That's right, it's come to this,
yes it's come to this,
and wasn't it a long way down,
wasn't it a strange way down?
There's no hot water
and the cold is running thin.
Well, what do you expect from
the kind of places you've been living in?
Don't drink from that cup,
it's all caked and cracked along the rim.
That's not the electric light, my friend,
that is your vision growing dim.
Cover up your face with soap, there,
now you're Santa Claus.
And you've got a gift for anyone
who will give you his applause.
I thought you were a racing man,
ah, but you couldn't take the pace.
That's a funeral in the mirror
and it's stopping at your face.
That's right, it's come to this,
yes it's come to this,
and wasn't it a long way down,
ah wasn't it a strange way down?
Once there was a path
and a girl with chestnut hair,
and you passed the summers
picking all of the berries that grew there;
there were times she was a woman,
oh, there were times she was just a child,
and you held her in the shadows
where the raspberries grow wild.
And you climbed the twilight mountains
and you sang about the view,
and everywhere that you wandered
love seemed to go along with you.
That's a hard one to remember,
yes it makes you clench your fist.
And then the veins stand out like highways,
all along your wrist.
And yes it's come to this,
it's come to this,
and wasn't it a long way down,
wasn't it a strange way down?
You can still find a job,
go out and talk to a friend.
On the back of every magazine
there are those coupons you can send.
Why don't you join the Rosicrucians,
they can give you back your hope,
you can find your love with diagrams
on a plain brown envelope.
But you've used up all your coupons
except the one that seems
to be written on your wrist
along with several thousand dreams.
Now Santa Claus comes forward,
that's a razor in his mit;
and he puts on his dark glasses
and he shows you where to hit;
and then the cameras pan,
the stand in stunt man,
dress rehearsal rag,
it's just the dress rehearsal rag,
you know this dress rehearsal rag,
it's just a dress rehearsal rag.
segunda-feira, novembro 20, 2006
ONDE É QUE ESTAVA NO 25 DE NOVEMBRO? Francamente não me lembro. Mas sei onde irei estar a partir deste 25: aqui mesmo. E já falta pouco.
sexta-feira, novembro 17, 2006
OK, DO YOU WANT SOMETHING SIMPLE ? Intimado pela Carla, e porque estas correntes blogosféricas me assustam mais do que as enviadas por e-mail, capitulo e falo de manias próprias. É território pantanoso, já que por vezes se podem confundir com traços de personalidade. Até por que assim de repente não me lembro de nenhum comportamento obsessivo ou psicopatológico (but then again, would I?).
Assim sendo , aqui fica o que consegui encontrar, sem ordem de irritação para terceiros ou importância:
1.É-me dificil completar mais de quatro frases sem lá meter uma expressão idiomática anglo-saxónica, ou uma mera palavrinha que seja. Como tenho amigos que fazem o mesmo, não dou por isso; os outros aguentam ou maçam-se.
2.Tenho a mania de que sei gramática e escrever. Mas passa sempre.
3.Tenho uma obsessão de classe média pelas boas maneiras. «Manners before morals» não é para mim um aforismo giro: é a Verdade.
4.Sou excessivamente educado com empregados de mesa em particular e funcionários públicos em geral.
5.Pior ainda, justifico literariamente a alínea anterior mal tenha oportunidade («Estás a ver o Anthony Beavis do Eyeless In Gaza, do Huxley ? Aquela parte em que ele é super-educado com uma florista porque assim se protege das« classes baixas»...). Deus me perdoe.
6.Aplico uma canção a qualquer episódio da minha vida, transformando-a assim num ciclópico musical.
7.Tenho a mania de que sou o português que mais sabe sobre Frank Sinatra e tudo à volta. E desculpem lá, provavelmente é verdade.
8.Quando vou conhecer alguém, gosto de ir carregado de preconceitos, para confirmar ou deslumbrar-me.
9.Fico contente por ficar triste (cá está: Glad To Be Unhappy, Richard Rodgers/Lorenz Hart)
10.Tenho a mania de me apaixonar.
Já chega. Agora é convosco, Margot, Tiago, Tiago e maradona. Se tiverem pachorra, claro.
Assim sendo , aqui fica o que consegui encontrar, sem ordem de irritação para terceiros ou importância:
1.É-me dificil completar mais de quatro frases sem lá meter uma expressão idiomática anglo-saxónica, ou uma mera palavrinha que seja. Como tenho amigos que fazem o mesmo, não dou por isso; os outros aguentam ou maçam-se.
2.Tenho a mania de que sei gramática e escrever. Mas passa sempre.
3.Tenho uma obsessão de classe média pelas boas maneiras. «Manners before morals» não é para mim um aforismo giro: é a Verdade.
4.Sou excessivamente educado com empregados de mesa em particular e funcionários públicos em geral.
5.Pior ainda, justifico literariamente a alínea anterior mal tenha oportunidade («Estás a ver o Anthony Beavis do Eyeless In Gaza, do Huxley ? Aquela parte em que ele é super-educado com uma florista porque assim se protege das« classes baixas»...). Deus me perdoe.
6.Aplico uma canção a qualquer episódio da minha vida, transformando-a assim num ciclópico musical.
7.Tenho a mania de que sou o português que mais sabe sobre Frank Sinatra e tudo à volta. E desculpem lá, provavelmente é verdade.
8.Quando vou conhecer alguém, gosto de ir carregado de preconceitos, para confirmar ou deslumbrar-me.
9.Fico contente por ficar triste (cá está: Glad To Be Unhappy, Richard Rodgers/Lorenz Hart)
10.Tenho a mania de me apaixonar.
Já chega. Agora é convosco, Margot, Tiago, Tiago e maradona. Se tiverem pachorra, claro.
domingo, novembro 12, 2006
NOTA NECESSÁRIA Fazendo o balanço (e o que eu gosto de «fazer balanços»!) dos últimos dez a quinze posts, verifico que os temas são predominantemente musicais. Ora isto pode dar a ideia errada ao leitor de que aqui escreve uma pessoa feliz, e nós não queremos isso. O pathos segue dentro de momentos.
terça-feira, novembro 07, 2006
Dandy Warhols - Not If You Were The Last Junkie On Earth
E depois de uns posts existenciais e semi-crípticos, um docinho. Os Dandy Warhols dificilmente entrarão para a história da música, mas ninguém os pode acusar de não fazerem belas canções de refrão certinho. Este Not if you were... tem toda a imagem de marca dos rapazes: tema simples e contagiante, com espaço para uma letra divertida e blasé (puro dandismo) que culmina no maravilhoso refrão "I never thought you'd be a junkie/'cause heroin is so passé"... O video é de David Lachapelle e a teclista é gira.
E depois de uns posts existenciais e semi-crípticos, um docinho. Os Dandy Warhols dificilmente entrarão para a história da música, mas ninguém os pode acusar de não fazerem belas canções de refrão certinho. Este Not if you were... tem toda a imagem de marca dos rapazes: tema simples e contagiante, com espaço para uma letra divertida e blasé (puro dandismo) que culmina no maravilhoso refrão "I never thought you'd be a junkie/'cause heroin is so passé"... O video é de David Lachapelle e a teclista é gira.
sábado, novembro 04, 2006
VÉNUS DIRÁ AGORA ALGUMAS PALAVRAS Devemos sempre desconfiar das canções. São meretrizes oportunistas, que esperam apenas uma fraquezazita para se insinuarem. E tanto faz que seja o Night and Day ou o Feelings: ambos têm o mesmo valor sentimental se disparados na altura certa. Por exemplo, agora estou a ouvir Glad To Be Unhappy,cantado por Sinatra no seu apogeu. Canção perfeita, hino pessoal, bóia desavergonhada a que me agarrei inúmeras vezes. Mas a minha verdade pessoal pede-me uma canção muito específica da Jovem Guarda, que o pudor e a minha integridade física me impedem de publicar. Valha-nos quem tenha escrito mais e melhor. Assobiemos para o ar e citemos:
One struggle more, and I am free
From pangs that rend my heart in twain;
One last long sigh to love and thee,
Then back to busy life again.
One struggle more and I am free, Lord Byron (excerto)
Quando chega, meus amigos, não há juizo nem idade que nos valha. Tentemos agora ficar por aqui. Mas nada de promessas: deveríamos já saber que quem promete, aposta.
One struggle more, and I am free
From pangs that rend my heart in twain;
One last long sigh to love and thee,
Then back to busy life again.
One struggle more and I am free, Lord Byron (excerto)
Quando chega, meus amigos, não há juizo nem idade que nos valha. Tentemos agora ficar por aqui. Mas nada de promessas: deveríamos já saber que quem promete, aposta.
sexta-feira, novembro 03, 2006
TODOS DIFERENTES, TODOS TAMBÉM Nem só de posts vive o homem (e a mulher). Sabendo disso muitíssimo bem, um grupo de pessoas talentosas que acumulam como característica serem Católicos ou Protestantes juntaram-se e fizeram o Trento Na Língua. Grande nome, grande blogue. Um ecumenismo que se espera não seja sempre pacífico.
quarta-feira, novembro 01, 2006
sexta-feira, outubro 27, 2006
Max Raabe - Schieß den Ball ins Tor
Então, Max Raabe. O homem que quer reviver as orquestras de Berlim nas décadas de 20 e 30 e francamente consegue-o. Especialista em versões alto-barítono de êxitos pop (como o magnífico Oops...I did it again, de Britney Spears, que a Carla ofereceu generosamente ao povo) Raabe é mais criativo e genial na ponta de uma unha do que os Nouvelle Vague todos juntos. Como exemplo, escute-se esta football song, que em português quer dizer mais ou menos «Chuta a bola para o golo». Dá vontade de invadir a Polónia, mas é muito boa.
Então, Max Raabe. O homem que quer reviver as orquestras de Berlim nas décadas de 20 e 30 e francamente consegue-o. Especialista em versões alto-barítono de êxitos pop (como o magnífico Oops...I did it again, de Britney Spears, que a Carla ofereceu generosamente ao povo) Raabe é mais criativo e genial na ponta de uma unha do que os Nouvelle Vague todos juntos. Como exemplo, escute-se esta football song, que em português quer dizer mais ou menos «Chuta a bola para o golo». Dá vontade de invadir a Polónia, mas é muito boa.
quinta-feira, outubro 26, 2006
Richard Cheese and Lounge Against the Machine
Richard Cheese, um homem que dedicou a sua vida a transformar êxitos rock e hip hop em brilhantes canções lounge. Neste vídeo, Cheese ataca Baby's Got Back, de Sir Mix-A-Lot, e o mais reconhecível Personal Jesus, dos Depeche Mode. Brilhante.Dedicado à Charlotte, agradecendo o Max Raabe, de que falarei mais tarde.
Richard Cheese, um homem que dedicou a sua vida a transformar êxitos rock e hip hop em brilhantes canções lounge. Neste vídeo, Cheese ataca Baby's Got Back, de Sir Mix-A-Lot, e o mais reconhecível Personal Jesus, dos Depeche Mode. Brilhante.Dedicado à Charlotte, agradecendo o Max Raabe, de que falarei mais tarde.
segunda-feira, outubro 23, 2006
ALL FALL DOWN* O Pedro Mexia tem vindo, numa série de posts, a recordar a obra de Adrian Borland, que considera um autor subestimado do indie rock dos anos 80. Tem razão: Borland teve o azar de crescer musicalmente com os The Sound, que praticavam o que abusivamente à época se chamava de «música urbano-depressiva», e que era regido pela sombra tutelar dos Joy Division e Echo&The Bunnymen. Na verdade, o que Borland cantava era a tristeza, a pura tristeza, um assunto muito delicado para ser tratado pela música popular e pelo rock em particular. Só alguns génios mais ou menos atormentados o conseguiram fazer de forma perene, caso de Leonard Cohen ou de Ian Curtis - este último contemporâneo do vocalista dos The Sound e com um destino trágico semelhante.Os The Sound, com o seu som épico, a abrir, gozaram de precária glória, devida sobretudo ao disco From the lions mouth - que lhes deu direito, aliás, a uma exclente passagem pelo Rock Rendez Vous, em 1981 ou 82, já não me lembro. Mas lembro-me de os ver - prerrogativa da idade - e da espantosa energia que contrastava com o que Adrian cantava. «What holds your hope together/make sure it's strong enough»: os primeiros versos de Winning, o tema que abria o disco. Depois deste pico de carreira, a obra de Borland continuou, errática mas com pérolas que merecem ser redescobertas. Ao mesmo tempo, a sua sanidade mental deteriorava-se de diaq para dia. Morreu em 1999,com 41 anos, na estação de Wimbledon, depois de se ter lançado para frente de um comboio. Numa altura em que os epígonos musicais da época são pouco mais do que pífios («vinte anos piores», diria um amigo meu), aconselho a busca do original.
*título de um disco dos The Sound
sábado, outubro 21, 2006
DA ILHA Terão passado assim tantos anos para que o meu entusiasmo me tenha iludido tanto ? Terás estado na mesma ilha do que eu, Inês ? Não há nada a perdoar; tenho pena, é tudo. But we'll always have Belfast.
sexta-feira, outubro 20, 2006
ADICIONAR AOS FAVORITOS Provavelmente um dos mais correctos e civilizados blogues escritos em português. Mas com a injusta vantagem de estar sediado na capital da civilização.Mesmo assim, o homem consegue ultrapassar este hiper-handicap com puro talento. Lêde, que sabeis como os meus encómios são parcos.
O VERDADEIRO 31 Nada como ser um gentleman farmer, com a vantagem de estar perto da cidade e não aturar os bichos. Depois, ou sobretudo, isto: conhecer cúmplices, conspirar sériamente, jantar informalmente, beber mais ou menos seja o que for, dizer mal do Diogo Infante e dos actores e dramaturgos nacionais a quem de direito e que se ri connosco, conspirar mais e voltar a casa para exigir a cabeça da ovelha que defecou em frente ao portão da garagem. Paradise Lost? 'tá bem, mas a gente entretém-se.
terça-feira, outubro 17, 2006
sexta-feira, outubro 13, 2006
PORQUE É QUE NÃO TEMOS APENAS UMA ORELHA NO MEIO DA CARA ? É cool ? A resposta adequada a estas e outras perguntas pode ser o seu passaporte para o lugar onde é feita a civilização. O melhor é ler aqui.
quarta-feira, outubro 11, 2006
sexta-feira, outubro 06, 2006
«FOR BLACK IS WHAT I FEEL IN THE INSIDE»
Mais um poema de Philip Larkin, triste como o dia, este meu dia.
Next, Please
Always too eager for the future,
Pick up bad habits of expectancy.
Something is always approaching, every day
Till then we say,
Watching from a bluff the tiny, clear,
Sparkling armada of promises draw near.
How slow they are!
And how much time they waste,
Refusing to make haste!
Yet still they leave us holding wretched stalks
Of disappointment, for, though nothing balks
Each big approach, leaning with brasswork prinked,
Each rope distinct,
Flagged, and the figurehead with golden tits
Arching our way, it never anchors; it's
No sooner present than it turns to past.
Right to the last
We think each one will heave to and unload
All good into our lives, all we are owed
For waiting so devoutly and so long.
But we are wrong:
Only one ship is seeking us, a black-
Sailed unfamiliar, towing at her back
A huge and birdless silence. In her wake
No waters breed or break.
Mais um poema de Philip Larkin, triste como o dia, este meu dia.
Next, Please
Always too eager for the future,
Pick up bad habits of expectancy.
Something is always approaching, every day
Till then we say,
Watching from a bluff the tiny, clear,
Sparkling armada of promises draw near.
How slow they are!
And how much time they waste,
Refusing to make haste!
Yet still they leave us holding wretched stalks
Of disappointment, for, though nothing balks
Each big approach, leaning with brasswork prinked,
Each rope distinct,
Flagged, and the figurehead with golden tits
Arching our way, it never anchors; it's
No sooner present than it turns to past.
Right to the last
We think each one will heave to and unload
All good into our lives, all we are owed
For waiting so devoutly and so long.
But we are wrong:
Only one ship is seeking us, a black-
Sailed unfamiliar, towing at her back
A huge and birdless silence. In her wake
No waters breed or break.
quinta-feira, outubro 05, 2006
Elogio de Sinatra, por Bono
O melhor texto sobre Frank Sinatra alguma vez feito em todo o universo. Lágrimas, risos, verdade - tudo em doses justas.Exemplos: «band man and loner, troubleshooter and troublemaker, the chairman who would rather show you his scars than his medals(...), the living proof God's a Catholic».
Lindo e definitivo, dito durante a entrega do Emmy de Carreira ao Mestre, em 1995.
O melhor texto sobre Frank Sinatra alguma vez feito em todo o universo. Lágrimas, risos, verdade - tudo em doses justas.Exemplos: «band man and loner, troubleshooter and troublemaker, the chairman who would rather show you his scars than his medals(...), the living proof God's a Catholic».
Lindo e definitivo, dito durante a entrega do Emmy de Carreira ao Mestre, em 1995.
Monty Python - French Sketch
Um sketch histórico, um verdadeiro deleite para quem combatre os bloody frogs desde pequeno. Trinta anos depois, ainda concordo com um amigo que afirma que «não é um sketch, é um documentário». Maravilhosos pormenores: «Mon collegue, le poof célebre», e «oú sont les bagages?».
Um sketch histórico, um verdadeiro deleite para quem combatre os bloody frogs desde pequeno. Trinta anos depois, ainda concordo com um amigo que afirma que «não é um sketch, é um documentário». Maravilhosos pormenores: «Mon collegue, le poof célebre», e «oú sont les bagages?».
quinta-feira, setembro 28, 2006
LAMENTO DO ADEPTO RESIGNADO Já o disse: o meu clube é a Académica de Coimbra, para o bem e para o mal. Mais nenhum. Sofro e amo com paixão. Nas raras vezes em que vou ao estádio, fico sem voz. Mas há limites: a Mancha Negra, claque exemplar e divertida da Briosa, criou um novo cântico, com a melodia do refrão de Pobres dos Ricos, da Floribella. Só podem estar a brincar. Com que cara é que eu irei estar entre eles, a cantar «sou da Briosa e canto canto sempre/Em todo o lado eu estou sempre presente/O preto e branco apoio eternamente/Tu não consegues sair da minha mente!!» ? Felizmente posso levar os meus filhos.
TOO MUCH TIME ON MY HANDS
| You Are a Mermaid |
![]() |
What Mythological Creature Are You?
quarta-feira, setembro 27, 2006
sexta-feira, setembro 22, 2006
PORQUE DETESTO MEDIUM Porque a base do plot line de cada episódio é a minha ideia de inferno: ser acordado a meio da noite por uma mulher que me quer contar os sonhos.
E AGORA, UMA PALAVRA DO MEU PATROCINADOR
Lembranças, que lembrais meu bem passado
Lembranças, que lembrais meu bem passado,
Pera que sinta mais o mal presente,
Deixai-me, se quereis, viver contente,
Não me deixeis morrer em tal estado.
Mas se também de tudo está ordenado
Viver, como se vê, tão descontente,
Venha, se vier, o bem por acidente,
E dê a morte fim a meu cuidado.
Que muito melhor é perder a vida,
Perdendo-se as lembranças da memória,
Pois fazem tanto dano ao pensamento.
Assim que nada perde quem perdida
A esperança traz de sua glória,
Se esta vida há-de ser sempre em tormento.
Luís Vaz de Camões
Lembranças, que lembrais meu bem passado
Lembranças, que lembrais meu bem passado,
Pera que sinta mais o mal presente,
Deixai-me, se quereis, viver contente,
Não me deixeis morrer em tal estado.
Mas se também de tudo está ordenado
Viver, como se vê, tão descontente,
Venha, se vier, o bem por acidente,
E dê a morte fim a meu cuidado.
Que muito melhor é perder a vida,
Perdendo-se as lembranças da memória,
Pois fazem tanto dano ao pensamento.
Assim que nada perde quem perdida
A esperança traz de sua glória,
Se esta vida há-de ser sempre em tormento.
Luís Vaz de Camões
quinta-feira, setembro 21, 2006
segunda-feira, setembro 18, 2006
MÁ FÉ Nem sei o que dizer sobre a indignação de alguns grupos islâmicos sobre o discurso do Papa Bento XVI. Apenas que significa má leitura, má fé (em todos os sentidos da expressão) ou ambas. Para um católico como eu , cuja Fé é feita de dúvidas constantes - como a de Job - , e em que o combate entre a Razão e o Mistério é uma angústia maior, o texto teológico e brilhante que foi lido em Regensburg foi um consolo e apaziguamento. Não há dúvida nenhuma. Basta ler o texcto na íntegra, aqui. Posso não concordar com muitas das actuações de Ratzinger enquanto cardeal - a beatificação de Escrivá é o exemplo mais escandaloso - , mas é impossível negar a sua segurança teológica, que curiosamente é das mais liberais. Leia-se a este respeito as palestras feitas em 1968 reunidas em Introdução Ao Cristianismo.
Vivemos tempos dificeis, mas cada vez mais a minha fé é a minha vida.
Vivemos tempos dificeis, mas cada vez mais a minha fé é a minha vida.
BRINCAR AOS CLÁSSICOS Fiquei entre o curioso e o aterrado, caro Ricardo, quando li o teu post. Dos Junior Boys, conheço o Last Exit - de que gostei moderadamente - e li já encómios dispersos a este This Is Goodbye. Mas confesso que sou muito pouco liberal em relação a canções que me dizem muito, caso de No One Cares. Escrito de propósito por Cahn/Van Heusen para dar o ambiente do álbum (como se a capa não fosse já auto-explicativa), No One Cares é canção e disco para colocar fora do alcance das crianças. Pelo meu lado já foi banda sonora de alguns desgostos amorosos e ainda é dos discos - ao lado de Songs Of Love And Hate, de Cohen - que ainda hoje não oiço levianamente. Segundo opus da colaboração Jenkins/Sinatra (o primeiro nestes moldes voz/cordas foi o supino Where Are You?), No One Cares (1959) encontra o Mestre em plena forma de voz e de vida. O tema título, com a voz de fumo sinatriana potenciada pelas cordas, é arrepiante. E ainda há o Can't Get Started, e o Why Try To Change Me Now e até o quase inconsequente A Cottage For Sale leva uma pirueta para se transformar numa bomba-relógio afectiva. Portanto, vou ouvir os rapazes, Ricardo - mas não sei se irei aguentar.
sexta-feira, setembro 15, 2006
RIGHT ON THE MONEY Leio no blogue do Nuno que o grande Stephin Merritt prepara-se para regressar com mais um desdobramento musical, os The Gothic Archies. O novo disco chama-se The Tragic Treasury: Songs From A Series Of Unfortunate Events e segundo Merritt, a diferença entre a sua restante obra é que em The Tragic..., «qualquer réstea de esperança é absolutamente extinta». O álbum é editado a 10 de Outubro, um dia a seguir ao meu aniversário. Não poderia vir mais a propósito.
quarta-feira, setembro 13, 2006
SOMOS O QUE LEMOS
«But the last, the worst failure (I buried my lips in the dark living hair of Justine), the failure with people: it had been brought about by a gradually increasing detachment of spirit, which, while it freed me to sympathyze, forbade me possession. I was gradually, inexplicably, becoming more and more deficient in love, yet better and better at self-giving - the best part of loving»
Justine, Lawrence Durrell
«But the last, the worst failure (I buried my lips in the dark living hair of Justine), the failure with people: it had been brought about by a gradually increasing detachment of spirit, which, while it freed me to sympathyze, forbade me possession. I was gradually, inexplicably, becoming more and more deficient in love, yet better and better at self-giving - the best part of loving»
Justine, Lawrence Durrell
ALL WRIGHT NOW! * Há dias atrás, espevitado pela resposta do maradona ao meu textículo sobre o Open dos USA, escrevi um post verdadeiramente antológico, com a imensa graça, erudição e bazófia que me caracterizam. Infelizmente, o próprio blogger foi abaixo, apercebendo-se alguém «lá deles» que eu merecia apenas compaixão. Fiquei amuado uma semana, primeiro por que não queria dar parte de fraco e estava divertido (também tenho muito tempo nas minhas mãos, mas enfim); depois, porque o meu subalimentado sitemeter, habituado a 60-70 visitas diárias (isto é um blogue de culto,ok?), lançou-se numa orgia anfetamínica de referrals de que já não pode prescindir.O maradona - que nutre o mais elegante e inteligente amor-ódio ao futebol inglês - deu-me a abébia de falar em Ian Wright. E como já levou na cabeça, evitou os comentários homoeróticos do «homenzarrão» e coisas assim. Fez bem. Descobriu uma entrevista no excelente Top Of The Gear e, justamente, caiu de admiração. Como infelizmente ele não frequenta boas companhias (leia-se maluquinhos pela bola da Ilha), a descoberta foi tardia. Mas estou aqui para ajudar, e aqui vai o coup-de-grâce: eu vi o Wright jogar ao vivo duas vezes, no extinto Highbury Park. Mai'nada. Por razões que nunca consegui deslindar, desde sempre tive um fascínio pelo Arsenal, coisa que o livro de Nick Hornby, Fever Pitch (a melhor declaração de amor a um clube e ao jogo que conheço) veio tornar doentio. Mal pude, fui a Londres para vê-los jogar. Estava-se em 1995, Wright era já uma estrela fantástica (a contratação mais cara dos gunners, por 2,5m £ em 1991) e tinha ajudado a ganhar a extinta Taça dos Vencedores das Taças de 1994 (embora não tenha jogado na final).
Wright diferia de outros armários voadores ingleses - como Darius Vassell - pela inteligência com que jogava na área e uma rapidez impensável.Curiosamente, ele que fez parceria com Linneker e Shearer nos Três Leões, nunca conseguiu um desempenho à altura na selecção (mas isso é o fado do costume).
Só em Outubro de 2005 o príncipe Thierry Henry conseguiu bater o recorde de golos de Wright pelo Arsenal. Ver jogar o homem aos 33 anos ao lado de um dos melhores jogadores do mundo - Dennis Bergkamp - era de chorar por mais. E quando o povo cantava o seu nome, era de kleenex para cima...
Wright é comentador permanente no Match Of The Day, um programa de televisão da BBC que já faz parte da cultura pop inglesa (a música do genérico toca em muitos estádios antes do jogo); com Gary Linneker e Alan Shearer fez o melhor trio de comentadores de sempre deste último campeonato do mundo (é vir ao pub onde vou ver a bola, amigo maradona). Wright é ainda Member Of the British Empire e (segundo um amigo ainda mais fanático do que eu) assumiu recentemente a paternidade do seu enteado, Shaun Wright-Philips, também ele jogador da bola.
Venham de lá esses referrals.
*post revisto e corrigido, que eu sou humano.
quinta-feira, setembro 07, 2006
ASSIM DE REPENTE NÃO VEJO OUTRO SENTIDO PARA A VIDA ...do que esperar pela noite para ver o jogo entre Federer e James Blake, nos quartos de final do US Open. A coisa tem duplo proveito: assiste-se, caso Blake se supere, a um jogo do catorze e, no dia seguinte, apanha-se com a análise do maradona, que mesmo em registo trólaró, como fez com a derrota de Nadal, vale muitíssimo a pena. Revi, a seu conselho, a esquerda de Gasquet, e tenho de dizer que o rapaz tem razão, embora não chegue às meias brancas de Sampras, em que a esquerda cruzada, em slice, em half-volley e na passada era o seu handicap - o que no caso daquele semi-deus quer dizer um «um bocadinho menos do que perfeito».
Por outro lado, ainda estou longe dos encómios que o rapaz dedica a Andy Murray, que apesar de alguma criatividade peca por falta de cabecinha. Falta-lhe crescer um bocadinho para poder ganhar respeito.
De resto, houve o «embate» entre Hewitt e Roddick, cuja única vantagem foi o de mandar um deles para casa (quem foi é irrelevante, ainda sobrou um) e a despedida de Davenport, cilindrada por uma super-heróica Henin-Hardenne. Para o chamado alívio cómico, atente-se aos comentários de um dos relatores de serviço, que são sempre hilariantes. Do género «a partida está praticamente ganha por Federer...ou se calhar não, nunca se sabe». É um bónus e ajuda a ficar acordado. Só para que saibam. Se estiver para aí virado, um destes dias conto o que fiz para ir ver a final de Roland Garros de 1984, entre o meu ídolo McEnroe e o Mr.Cool Ivan Lendl. Logo vejo.
Por outro lado, ainda estou longe dos encómios que o rapaz dedica a Andy Murray, que apesar de alguma criatividade peca por falta de cabecinha. Falta-lhe crescer um bocadinho para poder ganhar respeito.
De resto, houve o «embate» entre Hewitt e Roddick, cuja única vantagem foi o de mandar um deles para casa (quem foi é irrelevante, ainda sobrou um) e a despedida de Davenport, cilindrada por uma super-heróica Henin-Hardenne. Para o chamado alívio cómico, atente-se aos comentários de um dos relatores de serviço, que são sempre hilariantes. Do género «a partida está praticamente ganha por Federer...ou se calhar não, nunca se sabe». É um bónus e ajuda a ficar acordado. Só para que saibam. Se estiver para aí virado, um destes dias conto o que fiz para ir ver a final de Roland Garros de 1984, entre o meu ídolo McEnroe e o Mr.Cool Ivan Lendl. Logo vejo.
quarta-feira, setembro 06, 2006
É TÃO BOM TER QUEM NOS COMPREENDA...(de uma entrevista a Roger Scrutton)
You witnessed the 1968 Paris riots. How did they affect your thinking?
They turned me against the left. I thought: "Whatever these people are against, I am for," because of the total irresponsibility and that the only important thing was to be novel, outrageous and transgressive.
You witnessed the 1968 Paris riots. How did they affect your thinking?
They turned me against the left. I thought: "Whatever these people are against, I am for," because of the total irresponsibility and that the only important thing was to be novel, outrageous and transgressive.
A PROPÓSITO DO FIM D'O INDEPENDENTE Recebi um ou outro mail que me pedia para pronunciar sobre O Independente; li alguns (bons) textos em blogues sobre o assunto; pediram-me para prestar declarações para dois artigos.
Claro que fiquei triste, apesar daquele jornal não ser há muito tempo o que me fez acreditar em alguma coisa. Devo muito ao O Independente, desde 1988: escrita e pensamento mais escorreito, o prazer de trabalhar com o Miguel Esteves Cardoso, o prazer de trabalhar com amigos. Saí para criar a Kapa, mas mesmo assim voltei à alma mater sempre que precisaram de mim. Tenho saudades, no sentido em que a saudade é um filtro de perfeição para um objecto amado. Não tenho nostalgia.
E fico-me por aqui, até porque nestas alturas lembro-me sempre de uma frase de Nietzche, que aplico também à impossibilidade da linguagem, e que dizia (escrevo de cor) que tudo o que é dito já está morto algures no nosso coração.
Claro que fiquei triste, apesar daquele jornal não ser há muito tempo o que me fez acreditar em alguma coisa. Devo muito ao O Independente, desde 1988: escrita e pensamento mais escorreito, o prazer de trabalhar com o Miguel Esteves Cardoso, o prazer de trabalhar com amigos. Saí para criar a Kapa, mas mesmo assim voltei à alma mater sempre que precisaram de mim. Tenho saudades, no sentido em que a saudade é um filtro de perfeição para um objecto amado. Não tenho nostalgia.
E fico-me por aqui, até porque nestas alturas lembro-me sempre de uma frase de Nietzche, que aplico também à impossibilidade da linguagem, e que dizia (escrevo de cor) que tudo o que é dito já está morto algures no nosso coração.
segunda-feira, setembro 04, 2006

NOITES BRANCAS Não existe melhor pretexto para nos manter acordados (para além dos óbvios) do que assistir com firmeza às maratonas madrugadoras do Open dos USA. Ontem, um festim: a despedida emocionada de Agassi, o extraordinário jogo Moya-Blake, Federer a despachar com classe e algum desprezo Vincent Spadea (e mesmo assim a não fazer esquecer o melhor tenista que vi jogar na vida: Pete Sampras, cujo único defeito era ter a segunda melhor esquerda do circuito desde o neolítico); e nas senhoras, a linda Ana Ivanovic (vêde ao lado, I rest my case) a ser demolida pelo bulldozer paradoxalmente chamado Serena. Sharapova limpou a russa mais velha cujo nome se me escapa, só com o brilho da sua gola Audrey Hepburn. Hoje há mais.













