sexta-feira, janeiro 12, 2007

Um post a la maradona*


Enquanto por cá a malta vai descansando, o melhor futebol do mundo tem de continuar. E no passado dia 9, um regalo. Para quem joga dia sim dia não, este jogo entre o Liverpool e o Arsenal, para a Carling Cup, foi absolutamente fantastico. Resultado: 3-6, para o Arsenal. Por cá o que se viu nos notíciários foi o chato empate do Chelsea «de Mourinho». Valha-nos a Sport TV. Eu sou um gunner supporter, mas este golo de Gerrard - que está em enorme forma - merece hossanas repetidas. É o 2-5, e depois disto o jogo continuou como se estivesse zero a zero. Prémio especial para quem descubra a lingua em que está relatado.

*mas sem o minimo de graça

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Haircut 100 - Fantastic Day



Os Haircut 100 foram o lado pop-mais-que-perfeito da Postcard Records, a célebre editora escocesa independente que albergava no ínicio de 80 nomes como os Orange Juice, os Fire Engines, os Joseph K ou os Aztec Camera iniciais (basicamente Roddy Frame).Longe das gabardinas e angústias sortidas dos seus parceiros e editora, o grupo de Nick Heyward praticava a busca do refrão perfeito: Pelican West (1982) é um dos melhores «feel good records» da década, e onde estava este Fantastic Day, ao lado de Love Plus One ou Favorite Shirts (Boy Meets Girl). Com um visual clean cut e inglesissimo, os Haircut 100 eram o reverso da depressão industrial, um sonho filmado em estúdio, numa terra em que só havia finais felizes. Ideal para começar os dias.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

E JÁ AGORA

O famoso Wuthering Heights, que lançou a felina Kate Bush. O prazer é redobrado se se tiver lido o livro (a que um dia regressarei com mais tempo). Para já, fiquem-se com a versão pop de Catherine.

«Heathcliff, it's me, your Cathy, I've come home. I'm so cold,
let me in-a-your window»...
SE ISTO NÃO É O AMOR ABSOLUTO, ROMÂNTICO, OCIDENTAL, INATINGÍVEL, IMORREDOURO, BELO; SE NÃO O É, NÃO SEI O QUE SEJA.

«so he shall never know how I love him: and that, not because he's handsome, Nelly, but because he's more myself than I am.»

«I cannot express it; but surely you and everybody have a notion that there is or should be an existence of yours beyond you. What were the use of my creation, if I were entirely contained here? My great miseries in this world have been Heathcliff's miseries, and I watched and felt each from the beginning: my great thought in living is himself. If all else perished, and he remained, I should still continue to be; and if all else remained, and he were annihilated, the universe would turn to a mighty stranger: I should not seem a part of it.»


Catherine, Wuthering Heights (Emily Brontë)

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Kurt Elling In Paris



Kurt Elling é provavelmente o melhor cantor jazz da actualidade. Pelo menos é o meu favorito: um timbre versátil mas quente, uma técnica irrepreensível e um repertório maravilhoso. Esta fantástica versão de Nature Boy (com o seu scat no máximo) compensa o amadorismo do vídeo e o psicadelismo da ausência de som síncrono.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Madeleine Peyroux - I'm All Right


Um dos nomes que não citei na lista dos best of que não cheguei a fazer. Half A perfect World é um bom disco, e Peyroux uma boa cantora. Só não me macem é com as comparações com Billie Holiday.
PRIMEIRA PERGUNTA RETÓRICA DE 2007 É impressão minha ou os cães que estão à beira da estrada entre Aviz e Lisboa sofrem de um estranho death wish?
A VERDADE SOBRE OS INTELECTUAIS Na casa onde passei o fim de ano, havia muitos livros trazidos pelos convidados de fim de semana. Assim de repente, e só para impressionar: Londres, de Virginia Woolf, a nova e soberba edição (Assírio&Alvim) de O Processo, de Franz Kafka, Wuthering Heights (em paperback anotado da Oxford Classics) e até, Deus meu, um exemplar de Huis-Clos, de Jean-Paul Sartre (coisas a que a vida académica obriga...). No entanto, na hora da verdade, o que a malta queria era jogar Party&Co.

2007. REFRESH, RE-START.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

ESTÁ NAQUELA ALTURA DO ANO. FECHAMOS AGORA PARA BALANÇO E QUEDA CONSEQUENTE, PARA VOLTAR JÁ PARA A SEMANA. UM EXCELENTE 2007 PARA TODOS.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

DESEJOS PARA 2007 (PONTO ÚNICO)

Agora Senhor,
dá a teu servo
um coração
capaz dessa escuta.

Primeiro Livro dos Reis (tradução de José Tolentino Mendonça)

sexta-feira, dezembro 22, 2006



Nostalgia versão parisiense.Uma grande canção, um grande cantor que me acompanhou infância fora.
SEASON'S GREETINGS Eu sei que nesta altura começa a haver uma espécie de top anual dos blogues e bloggers preferidos. Não farei o mesmo, por várias razões: por que os meus blogues favoritos são os suspeitos do costume; eles sabem quem são, a minha escolha não seria original e, sobretudo, nenhum necessita de um único encómio meu.
No entanto, outras coisas bizarras sucedem, a que não posso ficar indiferente: trata-se das pessoas que por excesso de generosidade ou equívoco mencionam este estabelecimento como um dos melhores. A essas eu agradeço, até por que são poucas e eu não gosto de fazer links: obrigado à Ana, que não deixa mal a sua família de excelentes bloggers; obrigado ao Luís Serpa, que mantém um blogue civilizado e culto graças à mão firme do seu skipper ( e me mata de inveja com as fotos das suas navegações); e obrigado à Carla, blogger in excelsis mas sobretudo alguém que pratica a amizade sábia e generosamente. Se de alguém me esqueci, aqui me penitencio.
Apenas irei referir um blogue neófito mas que de imediato me conquistou: o Pastoral Portuguesa, do Rogério Casanova, pela mistura maravilhosa de erudição, humor e estar-se nas tintas para o que acabei de escrever. E claro, um abraço special para os meus companheiros de trincheira, uma equipa de all-stars-but-one, o 31 da Armada. Posto isto, um Santo Natal para todos.

quarta-feira, dezembro 20, 2006



COISAS PARA DIZER A EVA GREEN
James Bond: Dry Martini.
Bartender: Oui, monsieur
James Bond: Wait... Three measures of Gordons; one of Vodka, half a measure of Kina Lillet. Shake it over ice, add a thin slice of lemon peel.
James Bond: I think I'll call it a Vesper.
Vesper Lynd: Why? Because it leaves a bitter aftertaste in your mouth?
James Bond: No, because once you've tasted it, you won't want anything else

terça-feira, dezembro 19, 2006

1001 UTILIZAÇÕES PARA A TLEBS (baseado numa história verdadeira) Numa conversa tardia e séria «sobre mulheres» um amigo cintila com uma citação (ou no mínimo paráfrase) de Camilo:«As reticências foram inventadas para as mulheres». Eu, pobre desculpa para Oscar Wilde de trazer por casa, só agora riposto em diferido:«E os pontos de interrogação, meu amigo ? E os de exclamação? E, oh espelho meu, os finais ?»

segunda-feira, dezembro 18, 2006

F**** CHRISTMAS, I'VE GOT THE BLUES, 2

Fine And Mellow
O ano é 1957. Billie Holiday está com a voz carregada de vida, de excesso de vida de que de resto iria morrer no ano seguinte. Por isso mesmo, este blues simples ganha uma força extraordinária, ainda por cima servido por várias gerações de astros do jazz: Ben Webster, Lester 'The Prez' Young, Coleman Hawkins ou Gerry 'Cool' Mulligan representam escolas e tempos diferentes de saxofonistas. Particularmente comovente é o olhar que Holiday faz aquando do solo do seu amigo [o segundo solista], ex-amante e cúmplice musical Lester Young. Um dos momentos mais bonitos na história da música popular.



*com um obrigado ao Gonçalo Rosas, pela ajuda a um ignorante informático.
DO BLOGGER ENQUANTO BÍGAMO Na minha outra casa, Francisco José Viegas e Pedro Mexia discutem a TLEBS. Um vídeo da 31tv.


NO PROMISES, DISSE ELA. E fez muito bem em dizê-lo. O disco é formalmente igual ao anterior, desta vez com a voz de Bruni a inquietar-nos em inglês. Mas o que canta a moça? Yeats, Auden, Emily Dickson, Christina Rossetti, Walter De La Mare e muito adequadamente, Dorothy Parker. Que se lixem as promessas: esta mulher merece-me uma estátua, um lugar vitalício nos meus sonhos. Até 15 de Janeiro, dia em que o disco será editado, fique-se com o video e alguns temas aqui.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

THE GIST E LOVE AT FIRST SIGHT Em disposição particularmente nostálgica, acordei com a inofensiva obsessão de encontrar registo de uma das mais bonitas canções dos anos 80: chama-se Love At First Sight, e era cantada pelos The Gist, de Stuart e Philip Moxham, ideológos dos anteriores e excelsos Young Marble Giants. Estiveram por cá em 1982, em Vilar de Mouros, num concerto que tive o privilégio de ver. Foram maltratados por uns punks de provincia, sobretudo quando Stuart colocou no palco o seu gravador de fita, onde estavam gravadas as drum lines de cada canção. Na altura terá dito qualquer coisa como 'don't you know rock n' roll is dead?' e tinha toda a razão.
Love At First sight é o romantismo minimal, guitarrras sussurradas, onde tudo fica por dizer e nada fica para dizer. Brilhantíssimo. Neste processo, descobri um excelente blog:este, e o mp3 de Love At First Sight aqui mesmo.

LAMENTO DO BETA-BLOGGER Uma pessoa faz por evoluir, vai para versão beta e de repente os Youtubes deixam de aparecer. O que equivale a dizer que fico com uma confrangedora falta de assunto.