terça-feira, novembro 21, 2006

Falta pouco
DRESS REHEARSAL RAG: A RAIVA TRISTE Hoje de manhã liguei o rádio do carro, e como um soco ouvi Dress Rehearsal Rag, de Leonard Cohen. É das canções que mais gosto e mais evito, um poema/letra suicida que só se pode ouvir com muita felicidade ou na miséria total. Todo o estado intermédio pode causar lesões irreversíveis, ou uma dor aguda a entrar pela alma dentro. Foi o que me aconteceu, e o colocar aqui a letra na íntegra é disso prova. Dress Rehearsal Rag pertence a um dos melhores - o melhor? - disco de todos os tempos, onde a tristeza e a raiva se confundem, e só o passado oferece consolo para logo a seguir destruir o presente. Songs Of Love And Hate (1970)contém ainda Avalanche e Famous Blue Raincoat, por exemplo. É uma obra-prima do maior escritor de canções desde os meados do século XX. Ler com cuidado.

Four o'clock in the afternoon
and I didn't feel like very much.
I said to myself, "Where are you golden boy,
where is your famous golden touch?"
I thought you knew where
all of the elephants lie down,
I thought you were the crown prince
of all the wheels in Ivory Town.

Just take a look at your body now,
there's nothing much to save
and a bitter voice in the mirror cries,
"Hey, Prince, you need a shave."
Now if you can manage to get
your trembling fingers to behave,
why don't you try unwrapping
a stainless steel razor blade?
That's right, it's come to this,
yes it's come to this,
and wasn't it a long way down,
wasn't it a strange way down?

There's no hot water
and the cold is running thin.
Well, what do you expect from
the kind of places you've been living in?
Don't drink from that cup,
it's all caked and cracked along the rim.
That's not the electric light, my friend,
that is your vision growing dim.
Cover up your face with soap, there,
now you're Santa Claus.
And you've got a gift for anyone
who will give you his applause.
I thought you were a racing man,
ah, but you couldn't take the pace.
That's a funeral in the mirror
and it's stopping at your face.
That's right, it's come to this,
yes it's come to this,
and wasn't it a long way down,
ah wasn't it a strange way down?

Once there was a path
and a girl with chestnut hair,
and you passed the summers
picking all of the berries that grew there;
there were times she was a woman,
oh, there were times she was just a child,
and you held her in the shadows
where the raspberries grow wild.
And you climbed the twilight mountains
and you sang about the view,
and everywhere that you wandered
love seemed to go along with you.

That's a hard one to remember,
yes it makes you clench your fist.
And then the veins stand out like highways,
all along your wrist.
And yes it's come to this,
it's come to this,
and wasn't it a long way down,
wasn't it a strange way down?

You can still find a job,
go out and talk to a friend.
On the back of every magazine
there are those coupons you can send.
Why don't you join the Rosicrucians,
they can give you back your hope,
you can find your love with diagrams
on a plain brown envelope.
But you've used up all your coupons
except the one that seems
to be written on your wrist
along with several thousand dreams.
Now Santa Claus comes forward,
that's a razor in his mit;
and he puts on his dark glasses
and he shows you where to hit;
and then the cameras pan,
the stand in stunt man,
dress rehearsal rag,
it's just the dress rehearsal rag,
you know this dress rehearsal rag,
it's just a dress rehearsal rag.

segunda-feira, novembro 20, 2006

HÁ ALGUÉM ALGURES QUE GOSTA DE MIM Muito obrigado, Ana, pela atenção que óbviamente não mereço. «Melhor blog» ainda compreendia; «melhor blogger» é mais dificil.. Como já aqui disse, o meu blog é bastante melhor do que eu.
ONDE É QUE ESTAVA NO 25 DE NOVEMBRO? Francamente não me lembro. Mas sei onde irei estar a partir deste 25: aqui mesmo. E já falta pouco.


FRASES QUE NUNCA PENSEI DIZER A MIM PRÓPRIO : «Get a haircut and a job».

sexta-feira, novembro 17, 2006

FELIZMENTE EXISTEM NO MUNDO COISAS MUITO MAIS IMPORTANTES.
ADENDA AO POST ANTERIOR Ai eram só cinco ? Olha, que se lixe.
OK, DO YOU WANT SOMETHING SIMPLE ? Intimado pela Carla, e porque estas correntes blogosféricas me assustam mais do que as enviadas por e-mail, capitulo e falo de manias próprias. É território pantanoso, já que por vezes se podem confundir com traços de personalidade. Até por que assim de repente não me lembro de nenhum comportamento obsessivo ou psicopatológico (but then again, would I?).
Assim sendo , aqui fica o que consegui encontrar, sem ordem de irritação para terceiros ou importância:
1.É-me dificil completar mais de quatro frases sem lá meter uma expressão idiomática anglo-saxónica, ou uma mera palavrinha que seja. Como tenho amigos que fazem o mesmo, não dou por isso; os outros aguentam ou maçam-se.
2.Tenho a mania de que sei gramática e escrever. Mas passa sempre.
3.Tenho uma obsessão de classe média pelas boas maneiras. «Manners before morals» não é para mim um aforismo giro: é a Verdade.
4.Sou excessivamente educado com empregados de mesa em particular e funcionários públicos em geral.
5.Pior ainda, justifico literariamente a alínea anterior mal tenha oportunidade («Estás a ver o Anthony Beavis do Eyeless In Gaza, do Huxley ? Aquela parte em que ele é super-educado com uma florista porque assim se protege das« classes baixas»...). Deus me perdoe.
6.Aplico uma canção a qualquer episódio da minha vida, transformando-a assim num ciclópico musical.
7.Tenho a mania de que sou o português que mais sabe sobre Frank Sinatra e tudo à volta. E desculpem lá, provavelmente é verdade.
8.Quando vou conhecer alguém, gosto de ir carregado de preconceitos, para confirmar ou deslumbrar-me.
9.Fico contente por ficar triste (cá está: Glad To Be Unhappy, Richard Rodgers/Lorenz Hart)
10.Tenho a mania de me apaixonar.

Já chega. Agora é convosco, Margot, Tiago, Tiago e maradona. Se tiverem pachorra, claro.
31

Absolute countdown.
O PROGRESSO AO SERVIÇO DO CORAÇÃO Enviar um e-mail com um soneto de Camões; receber um e-mail com outro soneto de Camões. Sorrir. Restart, por favor.

segunda-feira, novembro 13, 2006

domingo, novembro 12, 2006

DESPEDIDA OFICIAL DA FASE ALFIE, COM UM ÚLTIMO LLOYD COLE

What about love?
I don't let that stuff in my house
this is the glamorous life there's no time for fooling around
Lord have mercy I know what I'm doing
I don't need an alibi I need a fire escape and an open window.
(Lloyd Cole, My bag)
NOTA NECESSÁRIA 2 Apenas queria salientar que este blog é, literalmente, de auto-ajuda. 'Auto', no mesmo sentido e consequência que em 'auto-golo'.
NOTA NECESSÁRIA Fazendo o balanço (e o que eu gosto de «fazer balanços»!) dos últimos dez a quinze posts, verifico que os temas são predominantemente musicais. Ora isto pode dar a ideia errada ao leitor de que aqui escreve uma pessoa feliz, e nós não queremos isso. O pathos segue dentro de momentos.

terça-feira, novembro 07, 2006

Dandy Warhols - Not If You Were The Last Junkie On Earth

E depois de uns posts existenciais e semi-crípticos, um docinho. Os Dandy Warhols dificilmente entrarão para a história da música, mas ninguém os pode acusar de não fazerem belas canções de refrão certinho. Este Not if you were... tem toda a imagem de marca dos rapazes: tema simples e contagiante, com espaço para uma letra divertida e blasé (puro dandismo) que culmina no maravilhoso refrão "I never thought you'd be a junkie/'cause heroin is so passé"... O video é de David Lachapelle e a teclista é gira.
AFTER SHOW BLUES «Sonhei que o fogo gelou/sonhei que a neve fervia/e por sonhar o impossível/sonhei que tu me querias» (Outros Sonhos): Chico Buarque é Grande e eu sou o Seu profeta.

sábado, novembro 04, 2006

VÉNUS DIRÁ AGORA ALGUMAS PALAVRAS Devemos sempre desconfiar das canções. São meretrizes oportunistas, que esperam apenas uma fraquezazita para se insinuarem. E tanto faz que seja o Night and Day ou o Feelings: ambos têm o mesmo valor sentimental se disparados na altura certa. Por exemplo, agora estou a ouvir Glad To Be Unhappy,cantado por Sinatra no seu apogeu. Canção perfeita, hino pessoal, bóia desavergonhada a que me agarrei inúmeras vezes. Mas a minha verdade pessoal pede-me uma canção muito específica da Jovem Guarda, que o pudor e a minha integridade física me impedem de publicar. Valha-nos quem tenha escrito mais e melhor. Assobiemos para o ar e citemos:

One struggle more, and I am free
From pangs that rend my heart in twain;
One last long sigh to love and thee,
Then back to busy life again.

One struggle more and I am free, Lord Byron (excerto)

Quando chega, meus amigos, não há juizo nem idade que nos valha. Tentemos agora ficar por aqui. Mas nada de promessas: deveríamos já saber que quem promete, aposta.
LATE BAR PHILOSOPHERS, CROMO Nº9: «Não é que me preocupe todos os dias com isso do aquecimento global. Mas digamos que nunca irei viver para a Holanda».

sexta-feira, novembro 03, 2006

TODOS DIFERENTES, TODOS TAMBÉM Nem só de posts vive o homem (e a mulher). Sabendo disso muitíssimo bem, um grupo de pessoas talentosas que acumulam como característica serem Católicos ou Protestantes juntaram-se e fizeram o Trento Na Língua. Grande nome, grande blogue. Um ecumenismo que se espera não seja sempre pacífico.