Não preciso de dizer mais nada.
sexta-feira, setembro 22, 2006
PORQUE DETESTO MEDIUM Porque a base do plot line de cada episódio é a minha ideia de inferno: ser acordado a meio da noite por uma mulher que me quer contar os sonhos.
E AGORA, UMA PALAVRA DO MEU PATROCINADOR
Lembranças, que lembrais meu bem passado
Lembranças, que lembrais meu bem passado,
Pera que sinta mais o mal presente,
Deixai-me, se quereis, viver contente,
Não me deixeis morrer em tal estado.
Mas se também de tudo está ordenado
Viver, como se vê, tão descontente,
Venha, se vier, o bem por acidente,
E dê a morte fim a meu cuidado.
Que muito melhor é perder a vida,
Perdendo-se as lembranças da memória,
Pois fazem tanto dano ao pensamento.
Assim que nada perde quem perdida
A esperança traz de sua glória,
Se esta vida há-de ser sempre em tormento.
Luís Vaz de Camões
Lembranças, que lembrais meu bem passado
Lembranças, que lembrais meu bem passado,
Pera que sinta mais o mal presente,
Deixai-me, se quereis, viver contente,
Não me deixeis morrer em tal estado.
Mas se também de tudo está ordenado
Viver, como se vê, tão descontente,
Venha, se vier, o bem por acidente,
E dê a morte fim a meu cuidado.
Que muito melhor é perder a vida,
Perdendo-se as lembranças da memória,
Pois fazem tanto dano ao pensamento.
Assim que nada perde quem perdida
A esperança traz de sua glória,
Se esta vida há-de ser sempre em tormento.
Luís Vaz de Camões
quinta-feira, setembro 21, 2006
segunda-feira, setembro 18, 2006
MÁ FÉ Nem sei o que dizer sobre a indignação de alguns grupos islâmicos sobre o discurso do Papa Bento XVI. Apenas que significa má leitura, má fé (em todos os sentidos da expressão) ou ambas. Para um católico como eu , cuja Fé é feita de dúvidas constantes - como a de Job - , e em que o combate entre a Razão e o Mistério é uma angústia maior, o texto teológico e brilhante que foi lido em Regensburg foi um consolo e apaziguamento. Não há dúvida nenhuma. Basta ler o texcto na íntegra, aqui. Posso não concordar com muitas das actuações de Ratzinger enquanto cardeal - a beatificação de Escrivá é o exemplo mais escandaloso - , mas é impossível negar a sua segurança teológica, que curiosamente é das mais liberais. Leia-se a este respeito as palestras feitas em 1968 reunidas em Introdução Ao Cristianismo.
Vivemos tempos dificeis, mas cada vez mais a minha fé é a minha vida.
Vivemos tempos dificeis, mas cada vez mais a minha fé é a minha vida.
BRINCAR AOS CLÁSSICOS Fiquei entre o curioso e o aterrado, caro Ricardo, quando li o teu post. Dos Junior Boys, conheço o Last Exit - de que gostei moderadamente - e li já encómios dispersos a este This Is Goodbye. Mas confesso que sou muito pouco liberal em relação a canções que me dizem muito, caso de No One Cares. Escrito de propósito por Cahn/Van Heusen para dar o ambiente do álbum (como se a capa não fosse já auto-explicativa), No One Cares é canção e disco para colocar fora do alcance das crianças. Pelo meu lado já foi banda sonora de alguns desgostos amorosos e ainda é dos discos - ao lado de Songs Of Love And Hate, de Cohen - que ainda hoje não oiço levianamente. Segundo opus da colaboração Jenkins/Sinatra (o primeiro nestes moldes voz/cordas foi o supino Where Are You?), No One Cares (1959) encontra o Mestre em plena forma de voz e de vida. O tema título, com a voz de fumo sinatriana potenciada pelas cordas, é arrepiante. E ainda há o Can't Get Started, e o Why Try To Change Me Now e até o quase inconsequente A Cottage For Sale leva uma pirueta para se transformar numa bomba-relógio afectiva. Portanto, vou ouvir os rapazes, Ricardo - mas não sei se irei aguentar.
sexta-feira, setembro 15, 2006
RIGHT ON THE MONEY Leio no blogue do Nuno que o grande Stephin Merritt prepara-se para regressar com mais um desdobramento musical, os The Gothic Archies. O novo disco chama-se The Tragic Treasury: Songs From A Series Of Unfortunate Events e segundo Merritt, a diferença entre a sua restante obra é que em The Tragic..., «qualquer réstea de esperança é absolutamente extinta». O álbum é editado a 10 de Outubro, um dia a seguir ao meu aniversário. Não poderia vir mais a propósito.
quarta-feira, setembro 13, 2006
SOMOS O QUE LEMOS
«But the last, the worst failure (I buried my lips in the dark living hair of Justine), the failure with people: it had been brought about by a gradually increasing detachment of spirit, which, while it freed me to sympathyze, forbade me possession. I was gradually, inexplicably, becoming more and more deficient in love, yet better and better at self-giving - the best part of loving»
Justine, Lawrence Durrell
«But the last, the worst failure (I buried my lips in the dark living hair of Justine), the failure with people: it had been brought about by a gradually increasing detachment of spirit, which, while it freed me to sympathyze, forbade me possession. I was gradually, inexplicably, becoming more and more deficient in love, yet better and better at self-giving - the best part of loving»
Justine, Lawrence Durrell
ALL WRIGHT NOW! * Há dias atrás, espevitado pela resposta do maradona ao meu textículo sobre o Open dos USA, escrevi um post verdadeiramente antológico, com a imensa graça, erudição e bazófia que me caracterizam. Infelizmente, o próprio blogger foi abaixo, apercebendo-se alguém «lá deles» que eu merecia apenas compaixão. Fiquei amuado uma semana, primeiro por que não queria dar parte de fraco e estava divertido (também tenho muito tempo nas minhas mãos, mas enfim); depois, porque o meu subalimentado sitemeter, habituado a 60-70 visitas diárias (isto é um blogue de culto,ok?), lançou-se numa orgia anfetamínica de referrals de que já não pode prescindir.O maradona - que nutre o mais elegante e inteligente amor-ódio ao futebol inglês - deu-me a abébia de falar em Ian Wright. E como já levou na cabeça, evitou os comentários homoeróticos do «homenzarrão» e coisas assim. Fez bem. Descobriu uma entrevista no excelente Top Of The Gear e, justamente, caiu de admiração. Como infelizmente ele não frequenta boas companhias (leia-se maluquinhos pela bola da Ilha), a descoberta foi tardia. Mas estou aqui para ajudar, e aqui vai o coup-de-grâce: eu vi o Wright jogar ao vivo duas vezes, no extinto Highbury Park. Mai'nada. Por razões que nunca consegui deslindar, desde sempre tive um fascínio pelo Arsenal, coisa que o livro de Nick Hornby, Fever Pitch (a melhor declaração de amor a um clube e ao jogo que conheço) veio tornar doentio. Mal pude, fui a Londres para vê-los jogar. Estava-se em 1995, Wright era já uma estrela fantástica (a contratação mais cara dos gunners, por 2,5m £ em 1991) e tinha ajudado a ganhar a extinta Taça dos Vencedores das Taças de 1994 (embora não tenha jogado na final).
Wright diferia de outros armários voadores ingleses - como Darius Vassell - pela inteligência com que jogava na área e uma rapidez impensável.Curiosamente, ele que fez parceria com Linneker e Shearer nos Três Leões, nunca conseguiu um desempenho à altura na selecção (mas isso é o fado do costume).
Só em Outubro de 2005 o príncipe Thierry Henry conseguiu bater o recorde de golos de Wright pelo Arsenal. Ver jogar o homem aos 33 anos ao lado de um dos melhores jogadores do mundo - Dennis Bergkamp - era de chorar por mais. E quando o povo cantava o seu nome, era de kleenex para cima...
Wright é comentador permanente no Match Of The Day, um programa de televisão da BBC que já faz parte da cultura pop inglesa (a música do genérico toca em muitos estádios antes do jogo); com Gary Linneker e Alan Shearer fez o melhor trio de comentadores de sempre deste último campeonato do mundo (é vir ao pub onde vou ver a bola, amigo maradona). Wright é ainda Member Of the British Empire e (segundo um amigo ainda mais fanático do que eu) assumiu recentemente a paternidade do seu enteado, Shaun Wright-Philips, também ele jogador da bola.
Venham de lá esses referrals.
*post revisto e corrigido, que eu sou humano.
quinta-feira, setembro 07, 2006
ASSIM DE REPENTE NÃO VEJO OUTRO SENTIDO PARA A VIDA ...do que esperar pela noite para ver o jogo entre Federer e James Blake, nos quartos de final do US Open. A coisa tem duplo proveito: assiste-se, caso Blake se supere, a um jogo do catorze e, no dia seguinte, apanha-se com a análise do maradona, que mesmo em registo trólaró, como fez com a derrota de Nadal, vale muitíssimo a pena. Revi, a seu conselho, a esquerda de Gasquet, e tenho de dizer que o rapaz tem razão, embora não chegue às meias brancas de Sampras, em que a esquerda cruzada, em slice, em half-volley e na passada era o seu handicap - o que no caso daquele semi-deus quer dizer um «um bocadinho menos do que perfeito».
Por outro lado, ainda estou longe dos encómios que o rapaz dedica a Andy Murray, que apesar de alguma criatividade peca por falta de cabecinha. Falta-lhe crescer um bocadinho para poder ganhar respeito.
De resto, houve o «embate» entre Hewitt e Roddick, cuja única vantagem foi o de mandar um deles para casa (quem foi é irrelevante, ainda sobrou um) e a despedida de Davenport, cilindrada por uma super-heróica Henin-Hardenne. Para o chamado alívio cómico, atente-se aos comentários de um dos relatores de serviço, que são sempre hilariantes. Do género «a partida está praticamente ganha por Federer...ou se calhar não, nunca se sabe». É um bónus e ajuda a ficar acordado. Só para que saibam. Se estiver para aí virado, um destes dias conto o que fiz para ir ver a final de Roland Garros de 1984, entre o meu ídolo McEnroe e o Mr.Cool Ivan Lendl. Logo vejo.
Por outro lado, ainda estou longe dos encómios que o rapaz dedica a Andy Murray, que apesar de alguma criatividade peca por falta de cabecinha. Falta-lhe crescer um bocadinho para poder ganhar respeito.
De resto, houve o «embate» entre Hewitt e Roddick, cuja única vantagem foi o de mandar um deles para casa (quem foi é irrelevante, ainda sobrou um) e a despedida de Davenport, cilindrada por uma super-heróica Henin-Hardenne. Para o chamado alívio cómico, atente-se aos comentários de um dos relatores de serviço, que são sempre hilariantes. Do género «a partida está praticamente ganha por Federer...ou se calhar não, nunca se sabe». É um bónus e ajuda a ficar acordado. Só para que saibam. Se estiver para aí virado, um destes dias conto o que fiz para ir ver a final de Roland Garros de 1984, entre o meu ídolo McEnroe e o Mr.Cool Ivan Lendl. Logo vejo.
quarta-feira, setembro 06, 2006
É TÃO BOM TER QUEM NOS COMPREENDA...(de uma entrevista a Roger Scrutton)
You witnessed the 1968 Paris riots. How did they affect your thinking?
They turned me against the left. I thought: "Whatever these people are against, I am for," because of the total irresponsibility and that the only important thing was to be novel, outrageous and transgressive.
You witnessed the 1968 Paris riots. How did they affect your thinking?
They turned me against the left. I thought: "Whatever these people are against, I am for," because of the total irresponsibility and that the only important thing was to be novel, outrageous and transgressive.
A PROPÓSITO DO FIM D'O INDEPENDENTE Recebi um ou outro mail que me pedia para pronunciar sobre O Independente; li alguns (bons) textos em blogues sobre o assunto; pediram-me para prestar declarações para dois artigos.
Claro que fiquei triste, apesar daquele jornal não ser há muito tempo o que me fez acreditar em alguma coisa. Devo muito ao O Independente, desde 1988: escrita e pensamento mais escorreito, o prazer de trabalhar com o Miguel Esteves Cardoso, o prazer de trabalhar com amigos. Saí para criar a Kapa, mas mesmo assim voltei à alma mater sempre que precisaram de mim. Tenho saudades, no sentido em que a saudade é um filtro de perfeição para um objecto amado. Não tenho nostalgia.
E fico-me por aqui, até porque nestas alturas lembro-me sempre de uma frase de Nietzche, que aplico também à impossibilidade da linguagem, e que dizia (escrevo de cor) que tudo o que é dito já está morto algures no nosso coração.
Claro que fiquei triste, apesar daquele jornal não ser há muito tempo o que me fez acreditar em alguma coisa. Devo muito ao O Independente, desde 1988: escrita e pensamento mais escorreito, o prazer de trabalhar com o Miguel Esteves Cardoso, o prazer de trabalhar com amigos. Saí para criar a Kapa, mas mesmo assim voltei à alma mater sempre que precisaram de mim. Tenho saudades, no sentido em que a saudade é um filtro de perfeição para um objecto amado. Não tenho nostalgia.
E fico-me por aqui, até porque nestas alturas lembro-me sempre de uma frase de Nietzche, que aplico também à impossibilidade da linguagem, e que dizia (escrevo de cor) que tudo o que é dito já está morto algures no nosso coração.
segunda-feira, setembro 04, 2006

NOITES BRANCAS Não existe melhor pretexto para nos manter acordados (para além dos óbvios) do que assistir com firmeza às maratonas madrugadoras do Open dos USA. Ontem, um festim: a despedida emocionada de Agassi, o extraordinário jogo Moya-Blake, Federer a despachar com classe e algum desprezo Vincent Spadea (e mesmo assim a não fazer esquecer o melhor tenista que vi jogar na vida: Pete Sampras, cujo único defeito era ter a segunda melhor esquerda do circuito desde o neolítico); e nas senhoras, a linda Ana Ivanovic (vêde ao lado, I rest my case) a ser demolida pelo bulldozer paradoxalmente chamado Serena. Sharapova limpou a russa mais velha cujo nome se me escapa, só com o brilho da sua gola Audrey Hepburn. Hoje há mais.
sábado, setembro 02, 2006
Back in business, para não variar. O estabelecimento está oficialmente reaberto, ainda que o proprietário ainda não esteja refeito de umas férias decentes, com momentos de sublime elevação, quase todos devidos a American V, de Johnny Cash. Mas disso falaremos mais tarde, que agora ainda não me apetece.
sexta-feira, agosto 25, 2006
sexta-feira, agosto 11, 2006
Acordar com o riso dos meus filhos, andar devagar, ler a maravilhosa edição do Wuthering Heights da Oxford Classics, entardecer com um gin tónico correcto e uma balada de Miles Davis,rumar aos bailaricos das festarolas locais, rir, ganhar prémios bizarros nas quermesses, a alegria dos amigos que vêm de visita, comer muito e bem, praia, silêncio, adormecer ao som distante de um sino da igreja da aldeia vizinha e saber que no dia seguinte vai ser igual.Não preciso de mais agora. Por isso, até já.


