quinta-feira, setembro 07, 2006
ASSIM DE REPENTE NÃO VEJO OUTRO SENTIDO PARA A VIDA ...do que esperar pela noite para ver o jogo entre Federer e James Blake, nos quartos de final do US Open. A coisa tem duplo proveito: assiste-se, caso Blake se supere, a um jogo do catorze e, no dia seguinte, apanha-se com a análise do maradona, que mesmo em registo trólaró, como fez com a derrota de Nadal, vale muitíssimo a pena. Revi, a seu conselho, a esquerda de Gasquet, e tenho de dizer que o rapaz tem razão, embora não chegue às meias brancas de Sampras, em que a esquerda cruzada, em slice, em half-volley e na passada era o seu handicap - o que no caso daquele semi-deus quer dizer um «um bocadinho menos do que perfeito».
Por outro lado, ainda estou longe dos encómios que o rapaz dedica a Andy Murray, que apesar de alguma criatividade peca por falta de cabecinha. Falta-lhe crescer um bocadinho para poder ganhar respeito.
De resto, houve o «embate» entre Hewitt e Roddick, cuja única vantagem foi o de mandar um deles para casa (quem foi é irrelevante, ainda sobrou um) e a despedida de Davenport, cilindrada por uma super-heróica Henin-Hardenne. Para o chamado alívio cómico, atente-se aos comentários de um dos relatores de serviço, que são sempre hilariantes. Do género «a partida está praticamente ganha por Federer...ou se calhar não, nunca se sabe». É um bónus e ajuda a ficar acordado. Só para que saibam. Se estiver para aí virado, um destes dias conto o que fiz para ir ver a final de Roland Garros de 1984, entre o meu ídolo McEnroe e o Mr.Cool Ivan Lendl. Logo vejo.
Por outro lado, ainda estou longe dos encómios que o rapaz dedica a Andy Murray, que apesar de alguma criatividade peca por falta de cabecinha. Falta-lhe crescer um bocadinho para poder ganhar respeito.
De resto, houve o «embate» entre Hewitt e Roddick, cuja única vantagem foi o de mandar um deles para casa (quem foi é irrelevante, ainda sobrou um) e a despedida de Davenport, cilindrada por uma super-heróica Henin-Hardenne. Para o chamado alívio cómico, atente-se aos comentários de um dos relatores de serviço, que são sempre hilariantes. Do género «a partida está praticamente ganha por Federer...ou se calhar não, nunca se sabe». É um bónus e ajuda a ficar acordado. Só para que saibam. Se estiver para aí virado, um destes dias conto o que fiz para ir ver a final de Roland Garros de 1984, entre o meu ídolo McEnroe e o Mr.Cool Ivan Lendl. Logo vejo.
quarta-feira, setembro 06, 2006
É TÃO BOM TER QUEM NOS COMPREENDA...(de uma entrevista a Roger Scrutton)
You witnessed the 1968 Paris riots. How did they affect your thinking?
They turned me against the left. I thought: "Whatever these people are against, I am for," because of the total irresponsibility and that the only important thing was to be novel, outrageous and transgressive.
You witnessed the 1968 Paris riots. How did they affect your thinking?
They turned me against the left. I thought: "Whatever these people are against, I am for," because of the total irresponsibility and that the only important thing was to be novel, outrageous and transgressive.
A PROPÓSITO DO FIM D'O INDEPENDENTE Recebi um ou outro mail que me pedia para pronunciar sobre O Independente; li alguns (bons) textos em blogues sobre o assunto; pediram-me para prestar declarações para dois artigos.
Claro que fiquei triste, apesar daquele jornal não ser há muito tempo o que me fez acreditar em alguma coisa. Devo muito ao O Independente, desde 1988: escrita e pensamento mais escorreito, o prazer de trabalhar com o Miguel Esteves Cardoso, o prazer de trabalhar com amigos. Saí para criar a Kapa, mas mesmo assim voltei à alma mater sempre que precisaram de mim. Tenho saudades, no sentido em que a saudade é um filtro de perfeição para um objecto amado. Não tenho nostalgia.
E fico-me por aqui, até porque nestas alturas lembro-me sempre de uma frase de Nietzche, que aplico também à impossibilidade da linguagem, e que dizia (escrevo de cor) que tudo o que é dito já está morto algures no nosso coração.
Claro que fiquei triste, apesar daquele jornal não ser há muito tempo o que me fez acreditar em alguma coisa. Devo muito ao O Independente, desde 1988: escrita e pensamento mais escorreito, o prazer de trabalhar com o Miguel Esteves Cardoso, o prazer de trabalhar com amigos. Saí para criar a Kapa, mas mesmo assim voltei à alma mater sempre que precisaram de mim. Tenho saudades, no sentido em que a saudade é um filtro de perfeição para um objecto amado. Não tenho nostalgia.
E fico-me por aqui, até porque nestas alturas lembro-me sempre de uma frase de Nietzche, que aplico também à impossibilidade da linguagem, e que dizia (escrevo de cor) que tudo o que é dito já está morto algures no nosso coração.
segunda-feira, setembro 04, 2006

NOITES BRANCAS Não existe melhor pretexto para nos manter acordados (para além dos óbvios) do que assistir com firmeza às maratonas madrugadoras do Open dos USA. Ontem, um festim: a despedida emocionada de Agassi, o extraordinário jogo Moya-Blake, Federer a despachar com classe e algum desprezo Vincent Spadea (e mesmo assim a não fazer esquecer o melhor tenista que vi jogar na vida: Pete Sampras, cujo único defeito era ter a segunda melhor esquerda do circuito desde o neolítico); e nas senhoras, a linda Ana Ivanovic (vêde ao lado, I rest my case) a ser demolida pelo bulldozer paradoxalmente chamado Serena. Sharapova limpou a russa mais velha cujo nome se me escapa, só com o brilho da sua gola Audrey Hepburn. Hoje há mais.
sábado, setembro 02, 2006
Back in business, para não variar. O estabelecimento está oficialmente reaberto, ainda que o proprietário ainda não esteja refeito de umas férias decentes, com momentos de sublime elevação, quase todos devidos a American V, de Johnny Cash. Mas disso falaremos mais tarde, que agora ainda não me apetece.
sexta-feira, agosto 25, 2006
sexta-feira, agosto 11, 2006
Acordar com o riso dos meus filhos, andar devagar, ler a maravilhosa edição do Wuthering Heights da Oxford Classics, entardecer com um gin tónico correcto e uma balada de Miles Davis,rumar aos bailaricos das festarolas locais, rir, ganhar prémios bizarros nas quermesses, a alegria dos amigos que vêm de visita, comer muito e bem, praia, silêncio, adormecer ao som distante de um sino da igreja da aldeia vizinha e saber que no dia seguinte vai ser igual.Não preciso de mais agora. Por isso, até já.
The Divine Comedy - Becoming More Like Alfie
PREVISÃO AFECTIVA PESSOAL PARA OS PRÓXIMOS MESES
Once there was a time
when a kind word would be enough
And once there was a time
I could blindfold myself with love
But not now - now I'm resigned
to the kind of life I had reserved
for other guys
less smart than I
Y'know, the kind who will always end up with
the girls
And besides
everybody knows that 'No' means 'Yes'
just like glasses come free on the N.H.S.
Bu the more I look through them the more I see
I'm becoming more like Alfie
PREVISÃO AFECTIVA PESSOAL PARA OS PRÓXIMOS MESES
Once there was a time
when a kind word would be enough
And once there was a time
I could blindfold myself with love
But not now - now I'm resigned
to the kind of life I had reserved
for other guys
less smart than I
Y'know, the kind who will always end up with
the girls
And besides
everybody knows that 'No' means 'Yes'
just like glasses come free on the N.H.S.
Bu the more I look through them the more I see
I'm becoming more like Alfie
segunda-feira, agosto 07, 2006
domingo, agosto 06, 2006
YOU GO TO MY HEAD E embora esteja um pouco maçado dos epifenómenos Zidane, não posso deixar passar ao lado esta canção, excelente para levar para o Algarve. Todos juntos, agora:«Zidane, il l'a frappé/Zidane il l'a frappé/ Coup de boule! Coup de boule!»...
Velvet Underground
Sunday Morning, a abertura de um dos discos mais revolucionários de sempre.Ah perversa inocência...O mundo tal como ele é, ao mesmo tempo que na costa ocidental se falava de paz e amor e se faziam filhos na lama. «watch out/ the world's behind you/there's always someone around you/ who will call/ It's nothing at all...». A seguir chegava Waiting for my man, Heroin, Venus In Furs, All tomorrow's parties.
Sunday Morning, a abertura de um dos discos mais revolucionários de sempre.Ah perversa inocência...O mundo tal como ele é, ao mesmo tempo que na costa ocidental se falava de paz e amor e se faziam filhos na lama. «watch out/ the world's behind you/there's always someone around you/ who will call/ It's nothing at all...». A seguir chegava Waiting for my man, Heroin, Venus In Furs, All tomorrow's parties.
sexta-feira, agosto 04, 2006
MELHOR PARÁFRASE MUSICAL DO ANO: «I bet you look good in a book store»*, da responsabilidade óbvia da sweet, sweet and sour I.
*d'aprés I bet you look good on the dancefloor, Artic Monkeys.Mas não era preciso eu escrever isto, pois não?
*d'aprés I bet you look good on the dancefloor, Artic Monkeys.Mas não era preciso eu escrever isto, pois não?
segunda-feira, julho 31, 2006
SÃO AS PRIORIDADES, ESTÚPIDO! Leio com agrado um excerto de uma carta que António Lobo Antunes escreveu ao advogado Miguel Veiga:«As três coisas mais importantes na vida são a amizade, as mulheres e os livros». Totalmente de acordo; mas a tragédia da minha vida é ainda não ter compreendido qual é a ordem correcta.

BANDA SONORA DE UM FIM DE SEMANA ALENTEJANO:«Eu passo a tarde na cantina/Vamos pr'á piscina, vamos pr'á piscina!», GNR, Dá Fundo,do álbum Psicopátria (1986)
terça-feira, julho 25, 2006
A SAÚDE ESTÁ PRIMEIRO, VÁ AO ROCK NO VIMEIRO Por opção, este estabelecimento não se inscreve no género «confessional». Nada contra, apenas feitio. Se não divulgo mais a minha vida «privada» é apenas porque ela é, na sua maioria, privada de interesse. Os gostos, os estados de espírito, alguns episódios são verdadeiros e coincidem mais ou menos comigo (geralmente são melhores). Mas evito o «ontem fui», «amanhã estarei», e «os meus amigos que...».
Este último assunto é-me particularmente sensível, já que prezo a amizade como estado superior de vida, uma espécie de amor livre do seu fascismo. Acontece que alguns amigos, por mérito próprio, destacam-se nas suas áreas profissionais e são conhecidos. Como tenho terror de name dropping, evito espalhar o orgulho que tenho deles aqui no blogue. Mas hoje não.
Toda esta conversa porque estive no Vimeiro com velhos amigos meus: os The Gift e os GNR, mais particularmente o Rui, companheiro de guerras e pazes antigas, e o único homem que eu invejo à face da Terra.
Os meus cúmplices de Alcobaça estão cada vez melhores, e atiram-se a cada concerto como se não houvesse amanhã. O arranjo de palco de Não É Fácil Entender, a hidden track de AM-FM, e a nova 645 mostraram bem do que o grupo é capaz; e então agora, que conta com um convidado de peso na bateria: nem menos do que o enorme Mário Barreiros, veterano destas andanças e um dos melhores produtores do burgo. Quanto à Sónia...bastava haver mais uma como ela no circo pop-rock e seríamos abençoados.
Enquanto os Strokes conquistavam Lisboa, eu vi um concerto que não via há quase dez anos: o dos GNR. E caso ainda haja dúvidas, aproveito para reiterar: RUI REININHO É O MELHOR FRONTMAN QUE ESTE DESGRAÇADO PAÍS TEM HÁ MAIS DE 20 ANOS. O homem está numa forma espantosa, com o wit ao máximo ( a forma como continua a refrasear as suas letras conforme o público que tem à frente é brilhante) e bem secundado pelos seus capangas (Jorge Romão parece sempre estar on seu primeiro concerto, Toli tem um visivel prazer em tocar à frente do palco). Mesmo a velocidade de cruzeiro - que o público era desgarrado e impróprio, entre convidados do concurso hípico e figuras da Quinta das Celebridades - os GNR continuam à frente. E com canções como Popless (especial para mim, que estive no making of...da letra) ou a velhinha Morte Ao Sol fazem mais pela música moderna do que a banda que naseu ontem. Quando o Rui deu por terminado o concerto, vestido com uma t-shirt que reproduzia a bandeira da Turquia (só quem não quis não percebeu o humor provocatório), corri para os camarins para dar os parabéns. E mostrar a vaidade da amizade.
Este último assunto é-me particularmente sensível, já que prezo a amizade como estado superior de vida, uma espécie de amor livre do seu fascismo. Acontece que alguns amigos, por mérito próprio, destacam-se nas suas áreas profissionais e são conhecidos. Como tenho terror de name dropping, evito espalhar o orgulho que tenho deles aqui no blogue. Mas hoje não.
Toda esta conversa porque estive no Vimeiro com velhos amigos meus: os The Gift e os GNR, mais particularmente o Rui, companheiro de guerras e pazes antigas, e o único homem que eu invejo à face da Terra.
Os meus cúmplices de Alcobaça estão cada vez melhores, e atiram-se a cada concerto como se não houvesse amanhã. O arranjo de palco de Não É Fácil Entender, a hidden track de AM-FM, e a nova 645 mostraram bem do que o grupo é capaz; e então agora, que conta com um convidado de peso na bateria: nem menos do que o enorme Mário Barreiros, veterano destas andanças e um dos melhores produtores do burgo. Quanto à Sónia...bastava haver mais uma como ela no circo pop-rock e seríamos abençoados.
Enquanto os Strokes conquistavam Lisboa, eu vi um concerto que não via há quase dez anos: o dos GNR. E caso ainda haja dúvidas, aproveito para reiterar: RUI REININHO É O MELHOR FRONTMAN QUE ESTE DESGRAÇADO PAÍS TEM HÁ MAIS DE 20 ANOS. O homem está numa forma espantosa, com o wit ao máximo ( a forma como continua a refrasear as suas letras conforme o público que tem à frente é brilhante) e bem secundado pelos seus capangas (Jorge Romão parece sempre estar on seu primeiro concerto, Toli tem um visivel prazer em tocar à frente do palco). Mesmo a velocidade de cruzeiro - que o público era desgarrado e impróprio, entre convidados do concurso hípico e figuras da Quinta das Celebridades - os GNR continuam à frente. E com canções como Popless (especial para mim, que estive no making of...da letra) ou a velhinha Morte Ao Sol fazem mais pela música moderna do que a banda que naseu ontem. Quando o Rui deu por terminado o concerto, vestido com uma t-shirt que reproduzia a bandeira da Turquia (só quem não quis não percebeu o humor provocatório), corri para os camarins para dar os parabéns. E mostrar a vaidade da amizade.
terça-feira, julho 18, 2006

MÚSICA DE SUPERMERCADO Se existe coisa em que acredito piamente são em estranhos serendipismos, que com uma frequência quase mal-sã me acontecem. Infelizmente não nos assuntos mais importantes da vida, mas não me posso queixar: Deus tinha de castigar a minha preguiça com qualquer coisinha.
But I digress: o objectivo deste post é só dizer o seguinte: gente civilizada que gostais de música civilizada - correi para os Carrefours da vossa área! Na zona junto às caixas registadoras (ou pensam que é tudo por acaso?) encontrareis baús abertos cheios de valiosíssimos tesouros ao preço risível de 5 e 7 euros. Ora, quando digo risível quero mesmo dizer «não merecemos tamanha dádiva». Quem como eu encontrou a discografia quase completa de John Coltrane sabe do que estou a falar: não há dinheiro que pague (mas não digam aos gerentes do supermercado, por favor). Do que ainda não tinha em CD, abarbatei de imediato um dos melhores discos de baladas feito entre aqui e Urano: o supiníssimo John Coltrane and Johnny Hartman. De Coltrane é mais fácil saber a história: saxofonista virtuoso, Blue Trane, hard-hard bop com ligações a África, blá blá blá. Mas um baladeiro de se lhe tirar o chapéu, como se prova neste disco de dois solistas. Coltrane sabe exactamente a dimensão das canções e faz ora solos brilhantes mas contidos ora obligatos que respondem e perguntam às frases de Hartman.
Hartman é talvez o cantor da era pós-bop mais subestimado. Ainda não encontrei em ninguém aquele timbre perfeito, quente nos graves mas capaz de um agudo a sério e um sentido de frase e paráfrase que só revejo em Sinatra. Ouvir My One And Only Love ou You Are Too Beautiful faz com que por uns breves momentos possamos acreditar na beleza inequívoca da natureza humana. E por 5 euros, repito. É muito.
Do raid ao supermercado trouxe mais. Cassandra Wilson Sings Standards, por exemplo, que contém uma versão de I'm Old Fashioned que devia ser dada nas escolas (e que se calhar é). Mas se mesmo assim voltasse para casa com esta pepita já era um homem feliz.


