domingo, agosto 06, 2006
Velvet Underground
Sunday Morning, a abertura de um dos discos mais revolucionários de sempre.Ah perversa inocência...O mundo tal como ele é, ao mesmo tempo que na costa ocidental se falava de paz e amor e se faziam filhos na lama. «watch out/ the world's behind you/there's always someone around you/ who will call/ It's nothing at all...». A seguir chegava Waiting for my man, Heroin, Venus In Furs, All tomorrow's parties.
Sunday Morning, a abertura de um dos discos mais revolucionários de sempre.Ah perversa inocência...O mundo tal como ele é, ao mesmo tempo que na costa ocidental se falava de paz e amor e se faziam filhos na lama. «watch out/ the world's behind you/there's always someone around you/ who will call/ It's nothing at all...». A seguir chegava Waiting for my man, Heroin, Venus In Furs, All tomorrow's parties.
sexta-feira, agosto 04, 2006
MELHOR PARÁFRASE MUSICAL DO ANO: «I bet you look good in a book store»*, da responsabilidade óbvia da sweet, sweet and sour I.
*d'aprés I bet you look good on the dancefloor, Artic Monkeys.Mas não era preciso eu escrever isto, pois não?
*d'aprés I bet you look good on the dancefloor, Artic Monkeys.Mas não era preciso eu escrever isto, pois não?
segunda-feira, julho 31, 2006
SÃO AS PRIORIDADES, ESTÚPIDO! Leio com agrado um excerto de uma carta que António Lobo Antunes escreveu ao advogado Miguel Veiga:«As três coisas mais importantes na vida são a amizade, as mulheres e os livros». Totalmente de acordo; mas a tragédia da minha vida é ainda não ter compreendido qual é a ordem correcta.

BANDA SONORA DE UM FIM DE SEMANA ALENTEJANO:«Eu passo a tarde na cantina/Vamos pr'á piscina, vamos pr'á piscina!», GNR, Dá Fundo,do álbum Psicopátria (1986)
terça-feira, julho 25, 2006
A SAÚDE ESTÁ PRIMEIRO, VÁ AO ROCK NO VIMEIRO Por opção, este estabelecimento não se inscreve no género «confessional». Nada contra, apenas feitio. Se não divulgo mais a minha vida «privada» é apenas porque ela é, na sua maioria, privada de interesse. Os gostos, os estados de espírito, alguns episódios são verdadeiros e coincidem mais ou menos comigo (geralmente são melhores). Mas evito o «ontem fui», «amanhã estarei», e «os meus amigos que...».
Este último assunto é-me particularmente sensível, já que prezo a amizade como estado superior de vida, uma espécie de amor livre do seu fascismo. Acontece que alguns amigos, por mérito próprio, destacam-se nas suas áreas profissionais e são conhecidos. Como tenho terror de name dropping, evito espalhar o orgulho que tenho deles aqui no blogue. Mas hoje não.
Toda esta conversa porque estive no Vimeiro com velhos amigos meus: os The Gift e os GNR, mais particularmente o Rui, companheiro de guerras e pazes antigas, e o único homem que eu invejo à face da Terra.
Os meus cúmplices de Alcobaça estão cada vez melhores, e atiram-se a cada concerto como se não houvesse amanhã. O arranjo de palco de Não É Fácil Entender, a hidden track de AM-FM, e a nova 645 mostraram bem do que o grupo é capaz; e então agora, que conta com um convidado de peso na bateria: nem menos do que o enorme Mário Barreiros, veterano destas andanças e um dos melhores produtores do burgo. Quanto à Sónia...bastava haver mais uma como ela no circo pop-rock e seríamos abençoados.
Enquanto os Strokes conquistavam Lisboa, eu vi um concerto que não via há quase dez anos: o dos GNR. E caso ainda haja dúvidas, aproveito para reiterar: RUI REININHO É O MELHOR FRONTMAN QUE ESTE DESGRAÇADO PAÍS TEM HÁ MAIS DE 20 ANOS. O homem está numa forma espantosa, com o wit ao máximo ( a forma como continua a refrasear as suas letras conforme o público que tem à frente é brilhante) e bem secundado pelos seus capangas (Jorge Romão parece sempre estar on seu primeiro concerto, Toli tem um visivel prazer em tocar à frente do palco). Mesmo a velocidade de cruzeiro - que o público era desgarrado e impróprio, entre convidados do concurso hípico e figuras da Quinta das Celebridades - os GNR continuam à frente. E com canções como Popless (especial para mim, que estive no making of...da letra) ou a velhinha Morte Ao Sol fazem mais pela música moderna do que a banda que naseu ontem. Quando o Rui deu por terminado o concerto, vestido com uma t-shirt que reproduzia a bandeira da Turquia (só quem não quis não percebeu o humor provocatório), corri para os camarins para dar os parabéns. E mostrar a vaidade da amizade.
Este último assunto é-me particularmente sensível, já que prezo a amizade como estado superior de vida, uma espécie de amor livre do seu fascismo. Acontece que alguns amigos, por mérito próprio, destacam-se nas suas áreas profissionais e são conhecidos. Como tenho terror de name dropping, evito espalhar o orgulho que tenho deles aqui no blogue. Mas hoje não.
Toda esta conversa porque estive no Vimeiro com velhos amigos meus: os The Gift e os GNR, mais particularmente o Rui, companheiro de guerras e pazes antigas, e o único homem que eu invejo à face da Terra.
Os meus cúmplices de Alcobaça estão cada vez melhores, e atiram-se a cada concerto como se não houvesse amanhã. O arranjo de palco de Não É Fácil Entender, a hidden track de AM-FM, e a nova 645 mostraram bem do que o grupo é capaz; e então agora, que conta com um convidado de peso na bateria: nem menos do que o enorme Mário Barreiros, veterano destas andanças e um dos melhores produtores do burgo. Quanto à Sónia...bastava haver mais uma como ela no circo pop-rock e seríamos abençoados.
Enquanto os Strokes conquistavam Lisboa, eu vi um concerto que não via há quase dez anos: o dos GNR. E caso ainda haja dúvidas, aproveito para reiterar: RUI REININHO É O MELHOR FRONTMAN QUE ESTE DESGRAÇADO PAÍS TEM HÁ MAIS DE 20 ANOS. O homem está numa forma espantosa, com o wit ao máximo ( a forma como continua a refrasear as suas letras conforme o público que tem à frente é brilhante) e bem secundado pelos seus capangas (Jorge Romão parece sempre estar on seu primeiro concerto, Toli tem um visivel prazer em tocar à frente do palco). Mesmo a velocidade de cruzeiro - que o público era desgarrado e impróprio, entre convidados do concurso hípico e figuras da Quinta das Celebridades - os GNR continuam à frente. E com canções como Popless (especial para mim, que estive no making of...da letra) ou a velhinha Morte Ao Sol fazem mais pela música moderna do que a banda que naseu ontem. Quando o Rui deu por terminado o concerto, vestido com uma t-shirt que reproduzia a bandeira da Turquia (só quem não quis não percebeu o humor provocatório), corri para os camarins para dar os parabéns. E mostrar a vaidade da amizade.
terça-feira, julho 18, 2006

MÚSICA DE SUPERMERCADO Se existe coisa em que acredito piamente são em estranhos serendipismos, que com uma frequência quase mal-sã me acontecem. Infelizmente não nos assuntos mais importantes da vida, mas não me posso queixar: Deus tinha de castigar a minha preguiça com qualquer coisinha.
But I digress: o objectivo deste post é só dizer o seguinte: gente civilizada que gostais de música civilizada - correi para os Carrefours da vossa área! Na zona junto às caixas registadoras (ou pensam que é tudo por acaso?) encontrareis baús abertos cheios de valiosíssimos tesouros ao preço risível de 5 e 7 euros. Ora, quando digo risível quero mesmo dizer «não merecemos tamanha dádiva». Quem como eu encontrou a discografia quase completa de John Coltrane sabe do que estou a falar: não há dinheiro que pague (mas não digam aos gerentes do supermercado, por favor). Do que ainda não tinha em CD, abarbatei de imediato um dos melhores discos de baladas feito entre aqui e Urano: o supiníssimo John Coltrane and Johnny Hartman. De Coltrane é mais fácil saber a história: saxofonista virtuoso, Blue Trane, hard-hard bop com ligações a África, blá blá blá. Mas um baladeiro de se lhe tirar o chapéu, como se prova neste disco de dois solistas. Coltrane sabe exactamente a dimensão das canções e faz ora solos brilhantes mas contidos ora obligatos que respondem e perguntam às frases de Hartman.
Hartman é talvez o cantor da era pós-bop mais subestimado. Ainda não encontrei em ninguém aquele timbre perfeito, quente nos graves mas capaz de um agudo a sério e um sentido de frase e paráfrase que só revejo em Sinatra. Ouvir My One And Only Love ou You Are Too Beautiful faz com que por uns breves momentos possamos acreditar na beleza inequívoca da natureza humana. E por 5 euros, repito. É muito.
Do raid ao supermercado trouxe mais. Cassandra Wilson Sings Standards, por exemplo, que contém uma versão de I'm Old Fashioned que devia ser dada nas escolas (e que se calhar é). Mas se mesmo assim voltasse para casa com esta pepita já era um homem feliz.
sexta-feira, julho 14, 2006
BIG AD. É por anúncios como este que eu de vez em quando tenho saudades do tempo em que era criativo numa agência. Leão de Ouro no Festival de Cannes. Enjoy, com o som bem alto.
segunda-feira, julho 10, 2006
quinta-feira, julho 06, 2006
LATE BAR PHILOSOPHERS, CROMO Nº6: Foi nessa altura que um inglês, chamado Durrell, interrompeu o que já se transformava em cacofonia filosófica e disse, fumando calmamente:« Loving is so much truer when sympathy and not desire makes the match; for it leaves no wounds». Mas toda a gente ficou com a sensação que havia mais para dizer.
segunda-feira, junho 26, 2006
WIMBLEDON! WIMBLEDON! E nestes dias de voragem televisiva, entre jogos de futebol e episódios do The L word (o que cria uma espécie de paraíso masculino heterossexual), convirá não esquecer que o torneio mais civilizado do mundo já começou. No departamento masculino, a técnica e a força perfeitas de Federer deverão dar-lhe a vitória - mais uma vontade insaciável de bater os recordes de Borg e Sampras. O meu coração gostaria, mesmo assim, que Tim Henman - o derradeiro dos tennis gentlemen - tivesse uma alegria este ano, retomando o caminho que Fred Perry abriu. Mas não me parece.Nas senhoras, a minha fidelidade à melhor tenista dos últimos 10 anos - Martina Hingis - irá impedir-me de torcer por mais alguém. Hingis regressou após 3 anos de ausência com o mesmo ténis predador, feito de sorrisos, amuos e uma implacável e inteligentíssima caça às fraquezas das adversárias. Mas não será ainda o ano da suíça.
Entretanto, hors tennis...eis que chega a primeira designer player (ao que isto chegou): é bonita, russa, loira, ganhadora e vestida dos pés à cabeça por Stella McCartney.Senhoras e senhores: Maria Kirilenko.
quinta-feira, junho 22, 2006

APENAS MAIS UMA PROVA DE COMO HAVER UMA FEDERAÇÃO INGLESA DE FUTEBOL SERIA TÃO REDUNDANTE COMO UMA ASSOCIAÇÃO DE FADO PORTUGUÊS: o minute-by-minute do Portugal-México visto pelo The Guardian (com a ilustração brilhante de «separados à nascença» Maniche- Lindsay Davenport) é dos textos mais hilariantes que tenho lido sobre um jogo e, ao mesmo tempo, consegue ser uma análise certeira.
Para aqueles que espumam já de raiva com o «lá-vem-este-com- a- mania-de-Inglaterra», aviso que o autor não é xenófobo e troça indistintamente do México, de Portugal, de Inglaterra e dele próprio. Memorável a descrição do falhanço do penalti mexicano: «But no worries:Bravo steps up and Beckhams it about 400 yards high and 20 yards right».
(com um agradecimento a este rapaz)
A OUVIR EM MODO REPEAT 1, NA GRAFONOLA CASEIRA: Dress up in you, de Belle And Sebastian. Convirá dizer que não sou nem nunca fui grande admirador do folk-pop introspectivo destes escoceses, com melodias etéreas e frases de trompete judiciosamente colocadas. No género, há mais e melhor, e sempre fiquei com a sensação que a música era, na sua simplicidade e beleza, bastante superior às letras - normalmente inconsequentes.O anterior Dear Catastrophe Waitress (2003) levou com a mão pesada de Trevor Horn, mas que pelo menos serviu para disciplinar os rapazes (e a moça).
Em The Life Pursuit a impressão final é a de mais do mesmo, embora com canções aceitáveis. Mas existe esta pérola, Dress up in you: uma suave canção de rejeição, uma dor de corno resignada e linda, em que apesar da fanfarronice do amante ignorado («they are hypocrites/so fuck them too») se pressente um amor triste que se esvai, uma esperança que se vê partir devagarinho depois de tantos planos feitos. Uma pequena delícia que dificilmente ficará para a história, mas que se irá derreter lentamente nos nossos corações, como convém a uma boa canção pop.
Dress Up In You
I?m the singer, I?m the singer in the band
You?re the loser, I won?t dismiss you out of hand
Cos you?ve got a beautiful face
It will take you places
You kept running
You?ve got money, you?ve got fame
Every morning I see your picture from the train
Now you?re an actress!
So says your résumé
You?re made of card
You couldn?t act your way out of a paper bag
You got lucky, you ain?t talking to me now
Little Miss Plucky
Pluck your eyebrows for the crowd
Get on the airplane
You give me stomach pain
I wish that you were here
We would have had a lot to talk about
We had a deal there
We nearly signed it with our blood?
An understandingI thought that you would keep your word
I?m disappointed
I?m aggravated
It?s a fault I have, I know
When things don?t go my way I have to
Blow up in the face of my rivals
I swear and I rant, I make quite an arrival
The men are surprised by the language
They act so discreet, they are hypocrites so fuck them too!
I always loved you
You always had a lot of styleI
?d hate to see you on the pile
Of ?nearly-made-it? s
You?ve got the essence, dear
If I could have a second skin
I?d probably dress up in you
You?re a star now,
I am fixing people?s nails
I?m knitting jumpers, I?m working after hours
I?ve got a boyfriend, I?ve got a feeling that he?s seeing someone else
He always had thing for you as well
Blow in the face of my rivals
I swear and I rant, I make quite an arrival
The men are surprised by the language
They act so discreet, they are hypocrites forget them
So fuck them too!




