terça-feira, julho 18, 2006


MÚSICA DE SUPERMERCADO Se existe coisa em que acredito piamente são em estranhos serendipismos, que com uma frequência quase mal-sã me acontecem. Infelizmente não nos assuntos mais importantes da vida, mas não me posso queixar: Deus tinha de castigar a minha preguiça com qualquer coisinha.
But I digress: o objectivo deste post é só dizer o seguinte: gente civilizada que gostais de música civilizada - correi para os Carrefours da vossa área! Na zona junto às caixas registadoras (ou pensam que é tudo por acaso?) encontrareis baús abertos cheios de valiosíssimos tesouros ao preço risível de 5 e 7 euros. Ora, quando digo risível quero mesmo dizer «não merecemos tamanha dádiva». Quem como eu encontrou a discografia quase completa de John Coltrane sabe do que estou a falar: não há dinheiro que pague (mas não digam aos gerentes do supermercado, por favor). Do que ainda não tinha em CD, abarbatei de imediato um dos melhores discos de baladas feito entre aqui e Urano: o supiníssimo John Coltrane and Johnny Hartman. De Coltrane é mais fácil saber a história: saxofonista virtuoso, Blue Trane, hard-hard bop com ligações a África, blá blá blá. Mas um baladeiro de se lhe tirar o chapéu, como se prova neste disco de dois solistas. Coltrane sabe exactamente a dimensão das canções e faz ora solos brilhantes mas contidos ora obligatos que respondem e perguntam às frases de Hartman.
Hartman é talvez o cantor da era pós-bop mais subestimado. Ainda não encontrei em ninguém aquele timbre perfeito, quente nos graves mas capaz de um agudo a sério e um sentido de frase e paráfrase que só revejo em Sinatra. Ouvir My One And Only Love ou You Are Too Beautiful faz com que por uns breves momentos possamos acreditar na beleza inequívoca da natureza humana. E por 5 euros, repito. É muito.
Do raid ao supermercado trouxe mais. Cassandra Wilson Sings Standards, por exemplo, que contém uma versão de I'm Old Fashioned que devia ser dada nas escolas (e que se calhar é). Mas se mesmo assim voltasse para casa com esta pepita já era um homem feliz.

sexta-feira, julho 14, 2006

SHORTCUT TO HAPPINESS (ou elogio do hipertexto): Da Charlotte fui parar aqui. Daí fui parar aqui. Agora, sou um homem muito mais feliz e divertido. Thanks, Lucy and Zoe!
BIG AD. É por anúncios como este que eu de vez em quando tenho saudades do tempo em que era criativo numa agência. Leão de Ouro no Festival de Cannes. Enjoy, com o som bem alto.




RAZÕES POR QUE NÃO SOU ATEU, Nº138: ISABELLE ADJANI

segunda-feira, julho 10, 2006

LATE BAR PHILOSOPHERS, VERSÃO PESSOAL: Entramos então oficialmente na fase do «falhar melhor», sempre na esperança de ser a última vez. E há uma estranha alegria nisso, há uma estranha alegria.

quinta-feira, julho 06, 2006

LATE BAR PHILOSOPHERS, CROMO Nº6: Foi nessa altura que um inglês, chamado Durrell, interrompeu o que já se transformava em cacofonia filosófica e disse, fumando calmamente:« Loving is so much truer when sympathy and not desire makes the match; for it leaves no wounds». Mas toda a gente ficou com a sensação que havia mais para dizer.

quarta-feira, julho 05, 2006

UMA PALAVRINHA DE QUEM SABE PARA O JOGO DESTA NOITE (E SEGUINTE, ESPEREMOS NÓS)

segunda-feira, junho 26, 2006

WIMBLEDON! WIMBLEDON! E nestes dias de voragem televisiva, entre jogos de futebol e episódios do The L word (o que cria uma espécie de paraíso masculino heterossexual), convirá não esquecer que o torneio mais civilizado do mundo já começou. No departamento masculino, a técnica e a força perfeitas de Federer deverão dar-lhe a vitória - mais uma vontade insaciável de bater os recordes de Borg e Sampras. O meu coração gostaria, mesmo assim, que Tim Henman - o derradeiro dos tennis gentlemen - tivesse uma alegria este ano, retomando o caminho que Fred Perry abriu. Mas não me parece.
Nas senhoras, a minha fidelidade à melhor tenista dos últimos 10 anos - Martina Hingis - irá impedir-me de torcer por mais alguém. Hingis regressou após 3 anos de ausência com o mesmo ténis predador, feito de sorrisos, amuos e uma implacável e inteligentíssima caça às fraquezas das adversárias. Mas não será ainda o ano da suíça.
Entretanto, hors tennis...eis que chega a primeira designer player (ao que isto chegou): é bonita, russa, loira, ganhadora e vestida dos pés à cabeça por Stella McCartney.Senhoras e senhores: Maria Kirilenko.
HERE WE GO AGAIN. E não há remédio que valha a esta esquizofrenia futebolística. Marco Paulo é o meu profeta.

quinta-feira, junho 22, 2006

MELHOR SMS RECEBIDO DURANTE O MUNDIAL: « Ikea ganda golo!», depois do golaço de Joe Cole no Inglaterra-Suécia.
ENTRETANTO, NOUTRO CAMPEONATO... Resultado ao intervalo: EXPECTATIVAS -O, REALIDADE - 1 (Guedes, 8', própria baliza)

APENAS MAIS UMA PROVA DE COMO HAVER UMA FEDERAÇÃO INGLESA DE FUTEBOL SERIA TÃO REDUNDANTE COMO UMA ASSOCIAÇÃO DE FADO PORTUGUÊS: o minute-by-minute do Portugal-México visto pelo The Guardian (com a ilustração brilhante de «separados à nascença» Maniche- Lindsay Davenport) é dos textos mais hilariantes que tenho lido sobre um jogo e, ao mesmo tempo, consegue ser uma análise certeira.
Para aqueles que espumam já de raiva com o «lá-vem-este-com- a- mania-de-Inglaterra», aviso que o autor não é xenófobo e troça indistintamente do México, de Portugal, de Inglaterra e dele próprio. Memorável a descrição do falhanço do penalti mexicano: «But no worries:Bravo steps up and Beckhams it about 400 yards high and 20 yards right».


(com um agradecimento a este rapaz)
A OUVIR EM MODO REPEAT 1, NA GRAFONOLA CASEIRA: Dress up in you, de Belle And Sebastian. Convirá dizer que não sou nem nunca fui grande admirador do folk-pop introspectivo destes escoceses, com melodias etéreas e frases de trompete judiciosamente colocadas. No género, há mais e melhor, e sempre fiquei com a sensação que a música era, na sua simplicidade e beleza, bastante superior às letras - normalmente inconsequentes.
O anterior Dear Catastrophe Waitress (2003) levou com a mão pesada de Trevor Horn, mas que pelo menos serviu para disciplinar os rapazes (e a moça).
Em The Life Pursuit a impressão final é a de mais do mesmo, embora com canções aceitáveis. Mas existe esta pérola, Dress up in you: uma suave canção de rejeição, uma dor de corno resignada e linda, em que apesar da fanfarronice do amante ignorado («they are hypocrites/so fuck them too») se pressente um amor triste que se esvai, uma esperança que se vê partir devagarinho depois de tantos planos feitos. Uma pequena delícia que dificilmente ficará para a história, mas que se irá derreter lentamente nos nossos corações, como convém a uma boa canção pop.

Dress Up In You

I?m the singer, I?m the singer in the band
You?re the loser, I won?t dismiss you out of hand
Cos you?ve got a beautiful face
It will take you places

You kept running
You?ve got money, you?ve got fame
Every morning I see your picture from the train
Now you?re an actress!
So says your résumé
You?re made of card
You couldn?t act your way out of a paper bag

You got lucky, you ain?t talking to me now
Little Miss Plucky
Pluck your eyebrows for the crowd
Get on the airplane
You give me stomach pain
I wish that you were here
We would have had a lot to talk about

We had a deal there
We nearly signed it with our blood?
An understandingI thought that you would keep your word
I?m disappointed
I?m aggravated
It?s a fault I have, I know
When things don?t go my way I have to

Blow up in the face of my rivals
I swear and I rant, I make quite an arrival
The men are surprised by the language
They act so discreet, they are hypocrites so fuck them too!

I always loved you
You always had a lot of styleI
?d hate to see you on the pile
Of ?nearly-made-it? s
You?ve got the essence, dear
If I could have a second skin
I?d probably dress up in you

You?re a star now,
I am fixing people?s nails
I?m knitting jumpers, I?m working after hours
I?ve got a boyfriend, I?ve got a feeling that he?s seeing someone else
He always had thing for you as well

Blow in the face of my rivals
I swear and I rant, I make quite an arrival
The men are surprised by the language
They act so discreet, they are hypocrites forget them

So fuck them too!

quarta-feira, junho 14, 2006

DIÁLOGOS DURANTE O MUNDIAL

-A Alemanha venceu a Polónia.
-Já os vi começarem por menos.

sexta-feira, junho 09, 2006

ASSIM DE REPENTE, NÃO ME LEMBRO DE MAIS NADA.

terça-feira, junho 06, 2006

ESTE VOSSO CRIADO: Orgulhosamente a fazer parte dos «0,01 por cento de intelectuais» que arrasam Scolari, desde 2002. *

*ao contrário de, por exemplo, um António Pedro Vasconcelos, cavaleiro andante do brasileiro mal Portugal começou a ganhar no Euro 2004

segunda-feira, junho 05, 2006

Cada vez mais verdadeiro, meus amigos, cada vez mais verdadeiro.
NOW I SAW THEIR FACES, NOW I'M A BELIEVER

na foto: Michael Owen e Peter Crouch celebram um dos golos frente à selecção da Jamaica (6-0)

terça-feira, maio 30, 2006

E O PRÉMIO «MELHOR FRASE DO FIM DE SEMANA» VAI PARA: « O Schumacher é o Carrilho da Fórmula 1», autor devidamente identificado.

segunda-feira, maio 29, 2006

GRATIDÃO Um calor colonial, uma varanda com mesa no centro da cidade, uma árvore em frente, um gin -tónico home made, um Sinatra que canta Nice n' Easy (despedida oficial da minha fase One For My Baby (And One More For The Road), a terceira leitura de O Poder E A Glória, uma compilação de ensaios sobre Greene editados por Harold Bloom: a vida eterna em que me esforço diariamente por acreditar tem de passar por aqui.