segunda-feira, janeiro 23, 2006

DEPOIS DAS ELEIÇÕES Uma coisa é ter razão em ser monárquico (coisa de que estou convencido); outra coisa é saber-me bem ser monárquico.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

OS PRÉ-RAFAELITAS Houve um tempo da minha vida - chamam-lhe adolescência - em que acreditava que Dante Gabriel Rossetti, John Ruskin et al eram alguns dos maiores génios que a Humanidade viu nascer, e a melhor justificação da Ars gratia Artis, em que ainda acredito um bocadinho. Isso já me passou, mas a paixão continua, agora reavivada pela excelente antologia de Pré-Rafaelitas editada pela Assírio&Alvim e por este esplêndido lugar.


segunda-feira, janeiro 16, 2006

REVENDO O MESTRE, JOÃO CÉSAR MONTEIRO

«É crente ?»

«Não é uma questão de crença.É uma questão de confiança.»
RECEITA IMPROVÁVEL PARA ALGUMA PAZ DE ESPÍRITO: uma lareira, moscatel de Alijó e um filme do Van Damme.

terça-feira, janeiro 10, 2006

ACHO QUE É UMA BOA NOTÍCIA Esquecei a crise e as presidenciais e preparai os smokings e os vestidos: a civilização regressou. Cocktails e grandes canções no Ritz, outra vez. Para começar, Never Gonna Dance, de Kern/Fields.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

UM POEMA PARA COMEÇAR O ANO DE 2006

IV - REVEILLE
Wake: the silver dusk returning
Up the beach of darkness brims,
And the ship of sunrise burning
Strands upon the eastern rims.

Wake: the vaulted shadow shatters,
Trampled to the floor it spanned,
And the tent of night in tatters
Straws the sky-pavilioned land.

Up, lad, up, 'tis late for lying:
Hear the drums of morning play;
Hark, the empty highways crying
`Who'll beyond the hills away?'

Towns and countries woo together,
Forelands beacon, belfries call;
Never lad that trod on leather
Lived to feast his heart with all.

Up, lad: thews that lie and cumber
Sunlit pallets never thrive;
Morns abed and daylight slumber
Were not meant for man alive.

Clay lies still, but blood's a rover;
Breath's a ware that will not keep.
Up, lad: when the journey's over
There'll be time enough to sleep.

AE Housman

quarta-feira, dezembro 28, 2005

A CAMINHO DE 2006!
BOM ANO PARA TODOS, E ATÉ JÁ.
24 HOUR PARTY PEOPLE Devido às intensidades festivas e as suas respectivas consequências, não tive oportunidade de agrader as notícias sobre o grande evento que foi a primeira aparição dos 2DJ's DO C******! (ZDQ e este vosso criado). Foi realmente um sucesso, como o provam as críticas que tomo a liberdade de citar:

«(...) a show within a show! 2DJ's DO C******! burnt down the house with their impetuous music and bold coreographies. Although you have to wonder when two grown men know all the WHAM! lyrics by heart.» - Daily Telegraph

«[they] make Ibiza nights look like Vatican mornings» - The Spectator

«Quem mais é capaz de por uma pequena multidão musicalmente esclarecida a cantar Marco Paulo a plenos pulmões ? Só 2DJ's DO C******!, graças a Deus.» - Expresso

«Não fui, mas ouvi dizer» - Gisele Bündchen

«Hã ?» - Kruder&Dorfmeister

A saga vai continuar em Janeiro, desta vez com divulgação atempada. E o nosso cachet subiu dramaticamente de duas para quatro cervejas.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

PRENDA DE NATAL ANTECIPADA, COM DEDICATÓRIA

para A.


He Wishes For The Cloths Of Heaven

Had I the heavens' embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.
W.B. Yeats

sexta-feira, dezembro 16, 2005

DA SÉRIE «GUILTY PLEASURES», nº43 : Dançar freneticamente ao som de 'Fame'.
I COULD HAVE DANCED ALL NIGHT Junto-me oficialmente aos encómios generalizados pela extraordinária festa destes senhores. Há muito tempo que não via o Frágil assim - e acreditem: muito tempo é mesmo isso -, com uma overdose de entusiasmo e amor ao próximo que ficou muito bem nesta quadra. Foi bom rever velhos e novos amigos, apreciar a excelente selecção musical - de um reaccionarismo esclarecido - e sobretudo voltar a dançar (mas só confirmo isto com intimação legal ou provas fotográficas). A coisa estava tão boa que quando infelizmente acabou tive de continuar a fazer figuras tristes noutro lugar. Venha a próxima.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

EXCERTO DE UM CADERNO ANTIGO Perdemos o que somos na fronteira da palavra. Existe a alma, existirá sempre a alma, mas qual de nós o pode dizer? (caderno Âmbar negro, 1987)


LAURA Ao contrário do que geralmente acontece na vida, em arte é bom regressarmos aos lugares onde fomos felizes: com a idade, e se o encanto é sincero, descobrimos sempre novos motivos para o deslumbre. Assim foi com Laura, filme pessoal de eleição, visto e revisto vezes sem conta mas a que voltei neste fim de semana com os mesmos olhos de espanto. É um filme formalmente quase perfeito, arquétipo do film noir mas com a actriz mais luminosa de todos os tempos - Gene Tierney. Preminger, o realizador, sabia-o.É por isso que o rosto de uma impossível beleza de Tierney é o contraste para as sombras que pairam no filme. Tudo para acentuar o terrível negrume subterrâneo que corre sob toda a história: Laura é, antes de tudo, a história de uma paixão necrófila. Mas é também, e isso não é menos importante, a história de um homem que se apaixona por vestígios, por ideias de um rosto, memórias que lhe são alheias - deixando impotentes todos os outros que a amaram e viveram essas memórias.

E depois há tudo o resto: a música fantasmagóricamente bela de David Raskin (oiça-se a versão com letra de Johnny Mercer cantada por Sinatra no superlativo Where Are You?); o casting perfeito; o ambiente alta burguesia corrupta vs polícia lumpen honesto; Gene Tierney; e sobretudo o personagem Waldo Lydecker, um dandy cínico e amoral, vagamente inspirado no crítico teatral Alexander Woolcott, amigo de Dorothy Parker e membro de pleno direito do famoso grupo da Algonquin Round Table. Lydecker tem as melhores deixas do filme e é supinamente interpretado por Clifton Webb, no papel da sua vida. Exemplos de frases Lydeckerianas:

(ao mostrar a casa luxuosa): It's lavish, but I call it home.

ou: I'm not kind. I'm vicious. That is my secret charm.

ou, quando lhe perguntam se ele nunca mostrou sentimentos por ninguém: Let's put it this way: I would be sincerely sorry to see my neighbours children devoured by wolves.

Laura, para sempre.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

NA SEGUNDA SEMANA DO ADVENTO DO ANO DE 2005

O Criador fala do Homem, segundo Charles Peguy:

«On peut lui demander beaucoup de coeur, beaucoup de charité,
beacoup de sacrifice.
Il a beaucoup de foi et beaucoup de charité.
Mais ce qu'on ne peut pas lui demander, sacredié, c'est un peu d'ésperance»

segunda-feira, dezembro 05, 2005

DETESTO SURPRESAS.Mesmo as excelentes, como este regresso. Mas não perdoo a inclusão da versão patética e pateta dos Nouvelle Vague, cantada por uma ninfeta que não faz ideia do que canta. Dito isto, welcome back.


quarta-feira, novembro 30, 2005

SIMPLY THE BEST
«Em 1969 deixei o álcool e as mulheres. Foram os piores vinte minutos da minha vida». George Best. Thank you, sir.
E EU NEM SEQUER GOSTO DO LIVRO...


pilot.
You are the pilot.


Saint Exupery's 'The Little Prince' Quiz.
brought to you by Quizilla

(via O Mundo da Lua)

terça-feira, novembro 22, 2005

A PROPÓSITO DA CADA VEZ MENOS DISPICIENDA QUESTÃO COLOCADA EM BAIXO...quero agradecer o teu conselho, Carla, que de resto coincide com o de um velho amigo meu, feliz proprietário de um animal igual, e que me conta por mail:

«Claro que um homem, a bem da sua dignidade, deve começar logo por esclarecer que o cão é da filha e deve evitar passeá-lo de dia, deixando essa incumbência à proprietária e respectiva mãe. Nos dias que correm, invocar a realeza britânica pode não ser muito vantajoso. Mas o velho Reagan tinha um, que diabo. E estou em crer que o Toy, o dos Sete, também era desses (o que não chega ao nível de um Cão Vagabundo, longe disso, mas suplanta tranquilamente o Pantufa da Anita). Na realidade trata-se de um cocker que ocupa um terço do espaço, come muito menos (não por vontade dele, que nesse aspecto é um verdadeiro hobbit, mas por limitações de espaço intraestomacal) e consequentemente produz cocós de reduzida dimensão, que se recolhem com grande facilidade e - lá está - dignidade.»

Pronto. Níveis de dignidade repostos. Vou então meditar com mais serenidade.

sexta-feira, novembro 18, 2005

QUESTÃO NÃO TÃO FÚTIL COMO PARECE


Cavalier King Charles Spaniel

Poderá um homem ter um cão destes e não perder a dignidade ?

segunda-feira, novembro 07, 2005

AUX ARMES, CITOYENS! Sobre a França e os seus problemas, um excelente texto, aqui.