BOM, ENTÃO SENDO ASSIM...vamos lá alimentar este «bicho» outra vez com mais inanidades sortidas e, com sorte, uma ou outra coisa que faça vagamente sentido. Uma extraordinária «preguiça transcendental» deitou-me abaixo nos primeiros dias de 2005.Não é defeito, iludo-me, é traço de personalidade.
terça-feira, janeiro 11, 2005
sexta-feira, dezembro 24, 2004
segunda-feira, dezembro 20, 2004
SHAKESPEARE, VERSÃO REALITY SHOW Última representação de uma peça a partir de textos de Shakespeare. No intervalo, este diálogo verídico:
- Olá. Há quanto tempo. Quem é que conheces para estar aqui ?
- Bom, a senhora Capuleto é minha namorada.E tu ?
- Sou amiga da Ofélia.
- Estás sózinha ?
- Não. Vim com o namorado do Rei Lear.
- Olá. Há quanto tempo. Quem é que conheces para estar aqui ?
- Bom, a senhora Capuleto é minha namorada.E tu ?
- Sou amiga da Ofélia.
- Estás sózinha ?
- Não. Vim com o namorado do Rei Lear.
AGORA, NO RITZ: A canção de Natal mais famosa do mundo será sobre o Natal ? Irving Berlin e White Christmas.
sexta-feira, dezembro 17, 2004
quarta-feira, dezembro 15, 2004
THE POLAR EXPRESS (post longo, fora d'horas, a despropósito mas, como dizer, sincero) Por mais que nos habituemos, por mais que sobrevivamos desta maneira, no nosso dia-a-dia, por mais que tentemos escapar, como eu: há uma altura, um segundo revelador em que somos confrontados com as palavras.
Por favor, isto, por uma vez, não é leviano. Nietzche dizia dos amigos antigos- de quem se perde contacto mas que permanecem com uma imagem de nós ? que nos perseguem como fantasmas. Fantasmas daquilo que fomos para eles, daquilo que os assombra e em que acreditam ? mesmo que não seja verdade.
O mesmo com as palavras.O que dizemos, o que escrevemos agarra-se a nós pela única e injusta razão de que não temos alternativa. Em certa medida (ia dizer em todas, mas não quero ofender ninguém) somos o que dizemos e escrevemos. Pouco mais nos é permitido. E é tão pouco, e é tão bom.
Confesso que vivo obcecado com esta limitação.A história de "uma imagem vale mil palavras" é para mim uma falácia, porque simplesmente para ser válida tem de pelo menos valer uma. De que me vale uma brilhante fotografia de Walker Evans ou um quadro de Vermeer se eu não consigo traduzir o que me fazem ? A bem dizer, e aqui entre nós: nada. O pior é o que se segue: conseguimos traduzir o que nos faz ? A resposta honesta e desassombrada é - não. O que temos à disposição é pouco e nunca chegará. A boa notícia é que o prazer estético ? literário, visual, quotidiano ? é um prazer inútil e solitário e não tem que ser partilhado. A partir do momento que o é, deixa de o ser; ou seja, nunca corresponde ao que foi sentido. A história de " o poeta é um fingidor" aplica-se a todas as artes, sem excepção.
Em termos de palavra ? que pessoalmente é o que me interessa ? esta fractura foi notada primeiro pelo movimento anti-romântico. Quando Pound se quer livrar do "emotional slithe" (o lixo emocional), pede uma distanciação total da farsa do poeta confundido com os seus sentimentos. A poesia cerebral de Eliot ?com o Wasteland não por acaso editado por Pound ? é o apogeu dessa maneira de pensar. As palavras estão no seu lugar: certas, musicais, distantes ? mas reveladoras de quem as escreveu.
2.Tristan Tzara, Hans Arper, Marcel Duchamp e outros comparsas perceberam isso. Dada, mais do que uma reacção anti-arte (e das poucas verdadeiras rupturas radicais no século XX) é um jogo com o valor do que dizemos. A poesia fonética ? em que a palavra é reduzida a um som sem outro valor do que esse ? é uma tentativa desesperada e de salão de arranjar uma maneira de dizer o que se sente. A aldrabice oportunista dos surrealistas ? que, a partir de André Breton, deram método e institucionazaram o que já existia sem dar crédito a ninguém ? é a mesma tentativa mas com fundamentos filosóficos e marketing que Dada não tinha nem queria ter. Os dogmas surrealistas mataram o diletantismo do Cabaret Voltaire. E com isso o movimento que não o era, mas que provavelmente esteve mais perto da verdadeira intenção do criador em relação ao que cdriava desde as grutas de Altamira.
3. De regresso ao que interessa. Não foi por acaso que Magritte pintou a mais maquiavélica das armadilhas ? o quadro a que se chama "Ceci n?est pas ume pipe". Apesar de vermos um cachimbo inequivocamente à nossa frente, é para as palavras que nos dirigimos. Pior: é nelas que confiamos e sem hesitar nos pomos ao lado delas. Sabemos que o que vemos é um cachimbo; mas se está escrito que não é?
É esta extraordinária limitação e possibilidade simultânea que me faz estar deste lado. Ou seja: respeito e preciso de todos os modos de expressão que me possam oferecer.Gosto de cinema, pintura, teatro, o que quiserem. Mas sei que, mais tarde ou mais cedo, tudo cairá neste sucedâneo da Torre de Babel. Seja a reacção a uma obra-prima ou apenas a triste possibilidade de se dizer "amo-te".
É por isso que gosto e admiro quem supere este duríssimo desafio: dizer ou escrever, com o que todos conhecem, de maneira diferente e convincente. As palavras são o único território em que tudo foi explorado. Não há ambições a nada de novo, a não ser rearranjar o que há muito foi feito de modo a parecer sempre novidade. E isso é possível, e isso é que é lindo.
Por favor, isto, por uma vez, não é leviano. Nietzche dizia dos amigos antigos- de quem se perde contacto mas que permanecem com uma imagem de nós ? que nos perseguem como fantasmas. Fantasmas daquilo que fomos para eles, daquilo que os assombra e em que acreditam ? mesmo que não seja verdade.
O mesmo com as palavras.O que dizemos, o que escrevemos agarra-se a nós pela única e injusta razão de que não temos alternativa. Em certa medida (ia dizer em todas, mas não quero ofender ninguém) somos o que dizemos e escrevemos. Pouco mais nos é permitido. E é tão pouco, e é tão bom.
Confesso que vivo obcecado com esta limitação.A história de "uma imagem vale mil palavras" é para mim uma falácia, porque simplesmente para ser válida tem de pelo menos valer uma. De que me vale uma brilhante fotografia de Walker Evans ou um quadro de Vermeer se eu não consigo traduzir o que me fazem ? A bem dizer, e aqui entre nós: nada. O pior é o que se segue: conseguimos traduzir o que nos faz ? A resposta honesta e desassombrada é - não. O que temos à disposição é pouco e nunca chegará. A boa notícia é que o prazer estético ? literário, visual, quotidiano ? é um prazer inútil e solitário e não tem que ser partilhado. A partir do momento que o é, deixa de o ser; ou seja, nunca corresponde ao que foi sentido. A história de " o poeta é um fingidor" aplica-se a todas as artes, sem excepção.
Em termos de palavra ? que pessoalmente é o que me interessa ? esta fractura foi notada primeiro pelo movimento anti-romântico. Quando Pound se quer livrar do "emotional slithe" (o lixo emocional), pede uma distanciação total da farsa do poeta confundido com os seus sentimentos. A poesia cerebral de Eliot ?com o Wasteland não por acaso editado por Pound ? é o apogeu dessa maneira de pensar. As palavras estão no seu lugar: certas, musicais, distantes ? mas reveladoras de quem as escreveu.
2.Tristan Tzara, Hans Arper, Marcel Duchamp e outros comparsas perceberam isso. Dada, mais do que uma reacção anti-arte (e das poucas verdadeiras rupturas radicais no século XX) é um jogo com o valor do que dizemos. A poesia fonética ? em que a palavra é reduzida a um som sem outro valor do que esse ? é uma tentativa desesperada e de salão de arranjar uma maneira de dizer o que se sente. A aldrabice oportunista dos surrealistas ? que, a partir de André Breton, deram método e institucionazaram o que já existia sem dar crédito a ninguém ? é a mesma tentativa mas com fundamentos filosóficos e marketing que Dada não tinha nem queria ter. Os dogmas surrealistas mataram o diletantismo do Cabaret Voltaire. E com isso o movimento que não o era, mas que provavelmente esteve mais perto da verdadeira intenção do criador em relação ao que cdriava desde as grutas de Altamira.
3. De regresso ao que interessa. Não foi por acaso que Magritte pintou a mais maquiavélica das armadilhas ? o quadro a que se chama "Ceci n?est pas ume pipe". Apesar de vermos um cachimbo inequivocamente à nossa frente, é para as palavras que nos dirigimos. Pior: é nelas que confiamos e sem hesitar nos pomos ao lado delas. Sabemos que o que vemos é um cachimbo; mas se está escrito que não é?
É esta extraordinária limitação e possibilidade simultânea que me faz estar deste lado. Ou seja: respeito e preciso de todos os modos de expressão que me possam oferecer.Gosto de cinema, pintura, teatro, o que quiserem. Mas sei que, mais tarde ou mais cedo, tudo cairá neste sucedâneo da Torre de Babel. Seja a reacção a uma obra-prima ou apenas a triste possibilidade de se dizer "amo-te".
É por isso que gosto e admiro quem supere este duríssimo desafio: dizer ou escrever, com o que todos conhecem, de maneira diferente e convincente. As palavras são o único território em que tudo foi explorado. Não há ambições a nada de novo, a não ser rearranjar o que há muito foi feito de modo a parecer sempre novidade. E isso é possível, e isso é que é lindo.
quarta-feira, dezembro 01, 2004
CHEGA A queda do governo de Santana, potenciada por um ministro amuado.Um país cuja alternativa de governo mais provável é liderada por José Sócrates. Uma Direita que, infelizmente, teima em ser autista, e dividida intelectualmente entre o novo-riquismo ideológico e o "toma-que-já-levaste" caceteiro.
Chega.
Hoje é 1 de Dezembro. Falemos de coisas sérias.
Chega.
Hoje é 1 de Dezembro. Falemos de coisas sérias.
terça-feira, novembro 30, 2004
AGORA, EM CASA O que fica das viagens? Normalmente o que não se pode dizer, o que não se pode traduzir. E quanto maior o prazer, mais cresce alegremente esse indizível, essas impressões egoístas que se fecham em nós para nunca mais de lá sairem, por impossibilidade e escolha. Depois de nove dias atravessando três diferentes fusos horários, muito é o que me fica. O que posso dizer, di-lo-ei no local apropriado, que é para isso que me pagam. Aqui, apenas postais rápidos, esquissos de uma jornada com amigos:a constatação em Londres que a generosidade sem juros existe, os espectáculos dos The Gift em que a Sónia se transformava e ficava maior do que a vida, independentemente do publico ou da sua ausencia, as saudades terríveis de tudo o que deixei do outro lado do mar, o partilhar o Dia de Acção de Graças numa casa luxuosa em Beverly Hills, das que só aparecem no cinema, o Miguel a cantar electroclash, a expressão operativa "cói-cói", um resto de pronúncia alcobacense que ainda me domina, a certeza de que Nova Iorque é uma cidade onde gostaria de passar um período da minha vida, as minhas quase-lágrimas cada vez que era tocada a canção An Answer, que dói de bonita, o circo maravilhoso de Hollywood, as personagens que conheci, os horários infra-humanos, a alegria cansada das madrugadas na carrinha, com tudo a rir sem ter dorimido, a expressão "espetacolher!!", a versão intransmissivel do Nuno para a música Ruínas, do Rodrigo, a vontade de repetir, o abraço do regresso.
quinta-feira, novembro 25, 2004
domingo, novembro 21, 2004
OH WHAT A BEAUTIFUL MORNING!... cantava o Howard Keel no Oklahoma!. E e isso que apetece cantar aqui na capital do mundo civilizado:Londres amanheceu fria, cinzento e chuvosa- ou seja, como deve ser e nao com esses arremedos tropicais que sao agora prodigos no Portugal de Inverno. Os The Gift teclam ao meu lado furiosamente, organizando a sua vidinha antes de irem tovar ao Cargo, por volta das 8. E eu estou feliz, no coracao de Finsbury Park, territorio dos gunners do Arsenal, meu clube ingles de eleicao.Ontem, no pub, estavam "tristes" pelo empate, e confundiam ja os portugueses com Mourinho. Mas a evocacao de uns chants antigos convenceram-nos que era amigo:"Overmars, Superstar/how many goals havbe you scored so far"...
sábado, novembro 20, 2004
INTERVALO PARA PUBLICIDADE Caros amigos, o vosso humilde tradutor encontra-se a partir de hoje em digressão pelo berço do mundo civilizado - Inglaterra - e os States. Na verdade, razões profissionais fazem-me acompanhar os The Gift como cronista oficial dos seus espectáculos no eixo Londres-Nova Iorque-Los Angeles. Quem é que precisa de ser correspondente da RTP em Madrid quando se tem um emprego como este ?
Sempre que possível, tentarei dar notícias (como se alguém se importasse...).O regresso fica marcado para o próximo dia 29, mas entretanto uma recomendação interesseira:
-vão ver o concerto de Rodrigo Leão em Lisboa ou no Porto;
-vão (mas vão mesmo) ver o concerto de solidariedade em que participam, entre outros, os Gaiteiros de Lisboa, Rodrigo Leão e um grupo de amigos a que chamam de Sétima Legião.No Fórum Lisboa, dia 26
O e-mail, entretanto, continua aberto.Too old for rock n' roll ? É o que veremos...
Sempre que possível, tentarei dar notícias (como se alguém se importasse...).O regresso fica marcado para o próximo dia 29, mas entretanto uma recomendação interesseira:
-vão ver o concerto de Rodrigo Leão em Lisboa ou no Porto;
-vão (mas vão mesmo) ver o concerto de solidariedade em que participam, entre outros, os Gaiteiros de Lisboa, Rodrigo Leão e um grupo de amigos a que chamam de Sétima Legião.No Fórum Lisboa, dia 26
O e-mail, entretanto, continua aberto.Too old for rock n' roll ? É o que veremos...
sexta-feira, novembro 19, 2004
sexta-feira, novembro 12, 2004
SOBRE ARAFAT,PREFIRO NADA Sobre Arafat, é melhor nada. Já não tenho forças para soltar os impropérios que me invadiram quando vi o coro elegíaco internacional, Santana e Sampaio incluídos. Já não tenho forças para falar do que é óbvio, dos duplos discursos do homem, um virado para a comunidade internacional, outro para os fanatismos internos e que obviamente se contradiziam.Já não tenho tempo de voltar a insultar a Academia Sueca, como o fiz aquando da atribuição do Nobel da Paz ao líder palestino.Já não tenho, não quero. O Francisco esreveu mais e melhor, numa lucidez assombrosa de que eu não seria capaz. O melhor que consigo fazer é repetir esta definição, dada por um dos seus apoiantes, e que é um brilhante eufemismo:era um homem «que nunca perdeu uma oportunidade de perder uma oportunidade».
terça-feira, novembro 09, 2004
segunda-feira, novembro 08, 2004
O GATO, DE FACTO Recém-chegado do último dos três dias de espectáculo dos Gatos no Tivoli.Enfim, não serei o repórter imparcial (tenho lá um grande amigo, posso dizer mal à-vontade). Mas a verdade é esta: público em delírio, com o texto mais bem sabido do que os próprios intervenientes. Culto absoluto. Confiem em mim: eu estive lá na estreia, no último dia e no Gambrinus (ops, já falei demais). Mas em verdade, em verdade vos digo: poucas coisas no mundo sabem tão bem como sentir um orgulho absurdo e justificado nos nossos amigos.
OBRIGADO. E de repente, atentai: "11.33"."Wake Up"."An answer". Três títulos mágicos que dão entrada num pouco do que vai ser um dos discos portugueses do ano, ouvido em deslumbre absoluto em concílio exigente.AM/FM, The Gift. Não digam que não avisei.
quarta-feira, novembro 03, 2004
VOX POPULI, VOX QUÊ ? Esta manhã, no Fórum TSF. Assunto: a (então) previsivel vitória de Bush nas eleições americanas.Depois de inúmeros testemunhos anti-George W., um "artista plástico" afirma, dedo espetado no ar:«É preciso que nós, europeus - toda a Europa! - se oponha aos americanos!»
É por causa de atoardas como esta, que pululam por aí nas cabeças mais improváveis que - eu, que me distancio dos neo-cons da Admnistração, que muita trapalhada fizeram - acho que o resultado de hoje tem uma leve aura de justiça poética.
É por causa de atoardas como esta, que pululam por aí nas cabeças mais improváveis que - eu, que me distancio dos neo-cons da Admnistração, que muita trapalhada fizeram - acho que o resultado de hoje tem uma leve aura de justiça poética.
terça-feira, outubro 26, 2004
O HOMEM QUE OUVIA A ESPERANÇA Ele estava no princípio de tudo. Era a ele que recorriam todos os que queriam mudar o mundo ou a alma através de canções.E a todos ele ouvia, a todos estava atento.Durante muito tempo, foi o mensageiro de pequenas e grandes revoluções. Ficam os discos com o seu nome, a preservar o legado e a dar o exemplo.Morreu John Peel.
segunda-feira, outubro 25, 2004
JÁ CÁ FALTAVA O POEMUCHO E de Paul Durcan, outra vez. Um belíssimo poema de amor, com a Irlanda ao fundo e por dentro.
NESSA
I met her on the first of August
In the Shangri-La Hotel,
She took me by the index finger
And dropped me in her well.
And that was a whirlpool,that was a whirlpool,
And I very nealy drowned.
Take off your pants, she said to me,
And I very nearly didn't;
Would you care to swim, she said to me,
And I hopped into the Irish sea.
And that was a whirlpool,that was a whirlpool,
And I very nealy drowned.
On the way back I fell in the field
And she fell down beside me.
I'd have lain in the grass with her all my life
With Nessa:
She was a whirlpool, she was a whirlpool,
And I very nearly drowned.
Oh Nessa my dear, Nessa my dear,
Will you stay with me on the rocks ?
Will you come for me into the Irish sea
And for me let your red hair down ?
And then we will ride into Dublin city
In a taxi-cab wrapped-up in dust.
Oh you are a whirlpool, you are a whirlpool,
And I am very nearly drowned.
NESSA
I met her on the first of August
In the Shangri-La Hotel,
She took me by the index finger
And dropped me in her well.
And that was a whirlpool,that was a whirlpool,
And I very nealy drowned.
Take off your pants, she said to me,
And I very nearly didn't;
Would you care to swim, she said to me,
And I hopped into the Irish sea.
And that was a whirlpool,that was a whirlpool,
And I very nealy drowned.
On the way back I fell in the field
And she fell down beside me.
I'd have lain in the grass with her all my life
With Nessa:
She was a whirlpool, she was a whirlpool,
And I very nearly drowned.
Oh Nessa my dear, Nessa my dear,
Will you stay with me on the rocks ?
Will you come for me into the Irish sea
And for me let your red hair down ?
And then we will ride into Dublin city
In a taxi-cab wrapped-up in dust.
Oh you are a whirlpool, you are a whirlpool,
And I am very nearly drowned.
RELENDO O QUARTETO DE ALEXANDRIA
«'There are only three things to be done with a woman',said Clea once.'You can love her,suffer for her, or turn her into literature'.I was experiencing a failure in all these domains of feeling» Justine, Lawrence Durrell.
Poder ler isto sem me rever nestes dias é uma bênção e um milagre que só tenho que agradecer a alguém.
«'There are only three things to be done with a woman',said Clea once.'You can love her,suffer for her, or turn her into literature'.I was experiencing a failure in all these domains of feeling» Justine, Lawrence Durrell.
Poder ler isto sem me rever nestes dias é uma bênção e um milagre que só tenho que agradecer a alguém.
segunda-feira, outubro 18, 2004
A MENINA É DE OURO! É oficial: o duplo disco estreia de Nellie McKay, Get Away From Me, é o melhor de 2004 e do primeiro trimestre de 2005.E mesmo que mude ideia até lá, não o irei dizer. Há muito tempo que não havia uma letrista tão brilhante na música popular. Como se diz na Zona J, check it out!
quarta-feira, outubro 13, 2004
O HOMEM HOJE ESTÁ IMPARÁVEL (E UM CHATO DO CAROÇO)No fundo o que todos desejamos é paz. Talvez seja verdade, a filosofia estóica e oriental que diz que a abolição de todos os desejos é o mais perto da perfeição. Talvez. Mas depois, para que vale a pena viver ? A inquietação, seja em que forma vier, é das poucas armas para combater a injustiça de morrer, acredite-se ou não numa vida depois da morte. Ninguém pode estar sossegado se vive, pela simples razão de que se o estiver, não vive. Vinicius dizia: ?O tempo de paz/não faz nem desfaz?. E isto é só uma verdade simples que atravessa toda a condição humana. Na verdade, a Humanidade é um tubarão, que se parar, morre.
"NÃO PRECISO DE MENOS QUE TODOS OS MEUS AMIGOS" E há alturas em que as palavras chegam, sem surpresas, sem avisos. Como se fossem velhos conhecidos que regressam de um país que não queremos saber mas que sempre conhecemos.Assim com os poemas de um grande amigo, da noite e do vento. Não tenho direito a não o partilhar:
Agora,
as arcas do tesouro estão vazias.
Vazia está a nossa vida.
O tempo é apenas isso:
grãos de ouro,
uma espécie de música que não perdura.
Agora,
as arcas do tesouro estão vazias.
Vazia está a nossa vida.
O tempo é apenas isso:
grãos de ouro,
uma espécie de música que não perdura.
in Esta Voz É Quase O Vento, José Agostinho Baptista
Zé,sempre conversaremos em directo do lugar nocturno da amizade.
STILL CRAZY AFTER ALL THESE YEARS Começo a perceber que é bom ser um velho guerreiro da "noite". O primeiro sinal compensatório é que já não compreendo as alegrias dos meus amigos mais novos. Exemplo: vêm-me dizer que há um novo bar em Lisboa, chamado Buda, onde é imprescíndivel estar e que "um gajo como tu ia gostar",etc...Pergunto porquê, e ninguém me sabe responder. Mas dizem-me que a famosa taróloga com nome de abelha é a relações públicas. Mais uma dúvida que não é do meu tempo:qual é o critério de escolha da senhora à porta ? " Olá, boa noite. O seu ascendente é...Capricórnio? Desculpe, mas estamos cheios.Boa noite. Ah, esta noite saiu-lhe a Papisa? Faça favor..." . O mundo ainda é um lugar cheio de mistérios.
segunda-feira, outubro 11, 2004
MAS A FESTA CONTINUA...e por isso mesmo, sugiro que os estimados leitores coloquem uma roupinha lavada e compareçam na inauguração do novo blogue com a mesma gerência: bem vindos ao Ritz.Os cocktails são por conta da casa.
sábado, outubro 09, 2004
domingo, outubro 03, 2004
sábado, outubro 02, 2004
sexta-feira, outubro 01, 2004
E AGORA, UMA PALAVRA DO NOSSO PATROCINADOR Amanhã, o santo padroeiro deste blogue - o Senhor Graham Greene - comemoraria cem anos de vida. Desde o princípio que não tive dúvidas em adoptar o nome de um dos seus personagens: o Major Scobie de O Nó do Problema. Daqui a mais cem anos, eu não estarei aqui para o celebrar, e às alegrias que ele me renova ao lê-lo. Mas outros o farão por mim. Thank you, Mr.Greene.
(post também dedicado à Isadora, que terminou agora de ler o The Heart Of The Matter)
(post também dedicado à Isadora, que terminou agora de ler o The Heart Of The Matter)
quarta-feira, setembro 29, 2004
IT'S TIME TO TELL THE TALE Senhoras das palavras, é o que elas são: ler por dentro este blogue e este (desculpa, Inês, mas tinha de ser).
PEQUENO POST FELIZ SOBRE FUTEBOL Boa colheita: o Real, a jogar com o desespero de galinhas tontas, virou um 0-2 para 4-2. Mas melhor do que isso só o 6 a 2 do Manchester ao Fenerbachse (alguém me explique o critério peregrino que leva a admitir em campeonatos europeus equipas turcas e israelitas). E o que augura um grande futuro para a selecção dos três leões: os três-golaços-três do menino Rooney. Ainda alguém tem dúvidas ?
terça-feira, setembro 28, 2004
AQUELAS BOTAS FORAM FEITAS PARA ANDAR ...e é o que fazem. Aproveitando a boleia de Tarantino, a linda Nancy "with the laughing face" fez um disco de duetos. A inépcia vocal é a mesma, mas as colaborações são de peso.E vale a pena ouvi-la cantar com Jon Spencer ou Morrissey, ou ser acompanhada pelo baterista dos Sonic Youth (I know what would Dad think about that guy!). Mas para mim, a pérola é a canção Two Shots Of Happy, escrita por Bono e The Edge para o Mestre Frank. Bono é provavelmente um dos maiores conhecedores e admiradores de Sinatra e da sua "arte perdida de viver" (como lhe chamou Bill Zehme). Nancy desperdiça alegremente a canção, mas a letra é um retrato tão fiel de Sinatra que dói. É uma elegia à derrota, às cicatrizes, ao underdog.É um monumento ao solitário que se disfarça entre a multidão, ao I did it my way mas por um preço muito alto. Sinatra sempre me lembrou os versos de Yeats:"Eu canto o que foi perdido e temo o que se ganhou". Bono transformou-o em canção.
segunda-feira, setembro 27, 2004
terça-feira, setembro 21, 2004
sexta-feira, setembro 17, 2004
NEW YORK; NEW YORK Dry Martinis. O Algonquin. Os Knicks. Jazz. Sinatra.Cole Porter.Rodgers&Hart.Woody Allen.O mundo todo numa cidade.
Excitado como uma criança provinciana, preparo-me para ir a New York pela primeira vez.Mas deve ser uma das cidades que melhor conheço...
E o maldito refrão dos Prefab Sprout que não me larga:
Hey Manhattan
here I am
Call me star-struck Uncle Sam.
Strolling Fifth Avenue
just to think Sinatra was here too...!
Talvez volte.
(ai volto volto, que tenho uma grande e linda razão para isso)
Excitado como uma criança provinciana, preparo-me para ir a New York pela primeira vez.Mas deve ser uma das cidades que melhor conheço...
E o maldito refrão dos Prefab Sprout que não me larga:
Hey Manhattan
here I am
Call me star-struck Uncle Sam.
Strolling Fifth Avenue
just to think Sinatra was here too...!
Talvez volte.
(ai volto volto, que tenho uma grande e linda razão para isso)
segunda-feira, setembro 13, 2004
SE O CAMUS SOUBESSE... O melhor texto sobre o regresso aos diazinhos é,de longe, este. Cada um tem o IP4 que merece, Alberto.Welcome back.
ARTE TOTAL A Maria tem um blogue onde sábiamente mistura psicologia, filosofia, psiquiatria, neurologia, apontamentos pessoais, literatura e receitas divinas (além de um imaculado gosto na escolha do template...) Ora os mais atentos repararão que há uma subtil relação de causa-efeito entre todos estes assuntos. Agora, a propósito de um jantar onde tive o privilégio de ser um dos comensais, a Maria (ou Helena) deixou estas receitas irlandesas - um país de que se falou apaixonadamente - e falar com paixão da Irlanda é para mim uma redundância.Vão, cozinhem e divulguem (e estou a falar contigo, João Pedro!)
(A propósito, Maria, conheces um extraordinário livro do David Lodge, Consciousness and the Novel ? Tem a ver com o fenómeno de "consciência" ou identidade individual do ser humano (ou a sua inexistência) e o seu papel na criação literária. Adorava saber a tua opinião.)
(A propósito, Maria, conheces um extraordinário livro do David Lodge, Consciousness and the Novel ? Tem a ver com o fenómeno de "consciência" ou identidade individual do ser humano (ou a sua inexistência) e o seu papel na criação literária. Adorava saber a tua opinião.)
ELA ESTÁ DE VOLTA, E COM MUITO PARA DIZER Vejo com alegria que a Inês regressou, e deslumbrada com duas grandes revelações: o doce limbo sensual de Havana e a melodia radiosa dos versos de Tolentino de Mendonça. Combinação só aparentemente improvável. (E os Baldios, Inês, leste os Baldios?)
quinta-feira, setembro 09, 2004
quarta-feira, setembro 08, 2004
segunda-feira, setembro 06, 2004
BANDA SONORA DE UM JANTAR NA ERICEIRA
Ce soir le vent qui frappe à ma porte
Me parle des amours mortes
Devant le feu qui s' éteint
Ce soir c'est une chanson d' automne
Dans la maison qui frissonne
Et je pense aux jours lointains
{Refrain:}
Que reste-t-il de nos amours
Que reste-t-il de ces beaux jours
Une photo, vieille photo
De ma jeunesse
Que reste-t-il des billets doux
Des mois d' avril, des rendez-vous
Un souvenir qui me poursuit
Sans cesse
Bonheur fané,
cheveux au vent
Baisers volés,
rêves mouvants
Que reste-t-il de tout cela
Dites-le-moi
Un petit village, un vieux clocher
Un paysage si bien caché
Et dans un nuage le cher visage
De mon passé
Les mots les mots tendres qu'on murmure
Les caresses les plus pures
Les serments au fond des bois
Les fleurs qu'on retrouve dans un livre
Dont le parfum vous enivre
Se sont envolés pourquoi?
Que reste-t-il de nos amours, Charles Trenet/Léo Chauliac
Ce soir le vent qui frappe à ma porte
Me parle des amours mortes
Devant le feu qui s' éteint
Ce soir c'est une chanson d' automne
Dans la maison qui frissonne
Et je pense aux jours lointains
{Refrain:}
Que reste-t-il de nos amours
Que reste-t-il de ces beaux jours
Une photo, vieille photo
De ma jeunesse
Que reste-t-il des billets doux
Des mois d' avril, des rendez-vous
Un souvenir qui me poursuit
Sans cesse
Bonheur fané,
cheveux au vent
Baisers volés,
rêves mouvants
Que reste-t-il de tout cela
Dites-le-moi
Un petit village, un vieux clocher
Un paysage si bien caché
Et dans un nuage le cher visage
De mon passé
Les mots les mots tendres qu'on murmure
Les caresses les plus pures
Les serments au fond des bois
Les fleurs qu'on retrouve dans un livre
Dont le parfum vous enivre
Se sont envolés pourquoi?
Que reste-t-il de nos amours, Charles Trenet/Léo Chauliac
quinta-feira, setembro 02, 2004
RAZÕES PORQUE NÃO SOU ATEU, Nº10 b (secção católica): O princípio de Sebastian
'I suppose they try and make you believe an awful lot of nonsense?'
'Is it nonsense? I wish it were. It sometimes sounds terribly sensible to me.'
'But my dear Sebastian, you can't seriously believe it all.'
'Can't I ?'
'I mean about Christmas and the star and the three kings and the ox and the ass.'
'Oh yes, I believe that.It's a lovely idea.'
'But you can't believe things because they're a lovely idea.'
'But I do. That's how I believe.'
Evelyn Waugh, Brideshead Revisited, pág.84, edição Penguin, 1986
'I suppose they try and make you believe an awful lot of nonsense?'
'Is it nonsense? I wish it were. It sometimes sounds terribly sensible to me.'
'But my dear Sebastian, you can't seriously believe it all.'
'Can't I ?'
'I mean about Christmas and the star and the three kings and the ox and the ass.'
'Oh yes, I believe that.It's a lovely idea.'
'But you can't believe things because they're a lovely idea.'
'But I do. That's how I believe.'
Evelyn Waugh, Brideshead Revisited, pág.84, edição Penguin, 1986
PARECE-ME BEM...

You're all about the music. Not too incredibly
mainstream, but not too incredibly underground.
It's awfully hard for anyone to oppose you,
seeing as how you rule.
What band from the 80s are you?
(via Bomba, que viu o Moody)

You're all about the music. Not too incredibly
mainstream, but not too incredibly underground.
It's awfully hard for anyone to oppose you,
seeing as how you rule.
What band from the 80s are you?
(via Bomba, que viu o Moody)
REGRESSO E agora, este lento torpor da realidade, que faz com que as palavras pesem e sejam dificeis de arrancar. O mundo que cada vez menos interessa, as pessoas que cada vez mais confirmam o pior.Depois, graças a Deus, volta a chuva, e com ela o retomar da ilusão essencial que amanhã há-de ser melhor.
terça-feira, agosto 31, 2004
sábado, agosto 14, 2004
quinta-feira, agosto 12, 2004
«STUN HIM,COMMANDER!» E esta alegria irreprimível que se liberta quando vejo cada episódio da recém-comprada primeira série em DVD do Espaço 1999 ? É algo que vem do fundo da minha infância, que me devolve os Legos a fingirem de lasers e intercomunicadores, os kits das Eagles que construí, a única colecção de cromos (e foram muitas, desde a lendária Mundial 1974 até Homens, Raças e Costumes) que consegui completar.E agora mesmo, depois de assistir a mais um episódio da base lunar Alfa, apetece-me correr para a papelaria para mais uma carteirinha de cromos. Culto é isto ? Digam-me que não estou sózinho. O mail está em cima, à esquerda. Obrigado.
quarta-feira, agosto 11, 2004
EQUAÇÃO SIMPLIFICADA A propósito deste post, uma pequena verdade para a Inês:
«Tudo desde sempre.Nunca outra coisa.Nunca ter tentado.Nunca ter falhado.Não importa.Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor.»
Pioravante Marche (Worstward Ho), Samuel Beckett, tradução de Miguel Esteves Cardoso.
Aplicar estas palavras às relações afectivas. À essência da vida humana.
«Tudo desde sempre.Nunca outra coisa.Nunca ter tentado.Nunca ter falhado.Não importa.Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor.»
Pioravante Marche (Worstward Ho), Samuel Beckett, tradução de Miguel Esteves Cardoso.
Aplicar estas palavras às relações afectivas. À essência da vida humana.
domingo, agosto 08, 2004
terça-feira, agosto 03, 2004
SUBITAMENTE, NO MINUTO PASSADO...Um homem vai, lampeiro e já babando-se de antecipação, preparar-se para escrever um post. Sobra-lhe raiva, razão e algum humor. Antes decide dar um passeio pela blogosfera, para abrir ainda mais o apetite. E regressa a casa sabendo que alguém já disse tudo e bem sobre o que ia a dizer. É só ler o post I Am A Rock. É bom sabermos que não estamos sózinhos.
segunda-feira, agosto 02, 2004
sábado, julho 31, 2004
sexta-feira, julho 30, 2004
quinta-feira, julho 29, 2004
terça-feira, julho 27, 2004
PAUL DURCAN É um dos poetas irlandeses contemporâneos que mais gosto (logo a seguir a Seamus Heaney). A sua poesia é feita de ternura e amargura, memórias e histórias cintilantes do quotidiano. Foi cantor rock. É um mestre, que já aqui esteve várias vezes na Tradução. E volta a estar, com este poema.
The Difficulty That Is Marriage
We disagree to disagree, we divide, we differ;
Yet each night, as I lie in bed beside you
And you are far away curled up in sleep
I array the moonlit ceiling with a mosaic of question-marks;
How was it I was so lucky to have ever met you ?
I am no brave pagan proud of my mortality,
Yet gladly on this changeling earth I should live for ever
If it were with you, my sleeping friend.
I have my troubles and I shall always have them
but I should rather live with you for ever
Than exchange my troubles for a changeless kingdom.
But I do not put you on a pedestal or throne;
You must have your faults, but I do not see them.
If it were with you, I shall live for ever.
(post escrito ao som de Detail For Paul, de Durrutti Column)
The Difficulty That Is Marriage
We disagree to disagree, we divide, we differ;
Yet each night, as I lie in bed beside you
And you are far away curled up in sleep
I array the moonlit ceiling with a mosaic of question-marks;
How was it I was so lucky to have ever met you ?
I am no brave pagan proud of my mortality,
Yet gladly on this changeling earth I should live for ever
If it were with you, my sleeping friend.
I have my troubles and I shall always have them
but I should rather live with you for ever
Than exchange my troubles for a changeless kingdom.
But I do not put you on a pedestal or throne;
You must have your faults, but I do not see them.
If it were with you, I shall live for ever.
(post escrito ao som de Detail For Paul, de Durrutti Column)
BRILHANTE IMPOSSIBILIDADE Não conseguir deixar de estar com uma lágrima ao canto do olho enquanto assisto pela televisão à Last Night Of The Proms e canto embargado o Jerusalem, de Hubert Parry sobre poema de William Blake. Abençoada Ilha.
quarta-feira, julho 21, 2004
segunda-feira, julho 19, 2004
sábado, julho 17, 2004
PARA MIM É MAIS DIÓGENES Não consigo evitar o sorriso sempre que leio a forma como a imprensa decidiu adjectivar os militantes que apoiam a candidatura do sr.José Sócrates a secretário-geral do PS. Numa ânsia descabelada para evitar a perífrase chamam-nos de "socráticos"; imediatamente vejo a sede do Largo do Rato transformada na "Escola de Atenas". Teria a sua graça, se não fosse tão triste.
AVISO (ALGO TARDIO) À NAVEGAÇÃO Esta noite é a última oportunidade para ver Marta Hugon cantar no Hot Clube. A Marta é minha amiga de há décadas, para evitar especulações: mas a amizade tem pouco a ver com o prazer que se tem a ouvi-la cantar dois sets de standards como já é raro haver no jazz contemporâneo E na sua voz o Too Close To Confort ganha todo o sentido. Com ela vão estar o Filipe Melo (p), o Bernardo Moreira (b), o Bruno Santos (g) e o André Sousa Machado (bat). É ir e confirmar, mas aviso que o primeiro set começa às 23 horas.
sexta-feira, julho 16, 2004
EFEMÉRIDE Ontem ainda pensei em escrever qualquer coisa sobre o Dia da Bastilha. Mas optei pelo silêncio, porque nada do que eu diga me irá livrar da fama e proveito de reaccionário (o que não é totalmente verdade, mas isso agora não interessa). De qualquer modo, não posso ignorar;por isso, aqui fica a minha citação preferida sobre a Revolução Francesa, numa tradução descontraída que espero que me perdoem.
«Lady Bracknell: (...) Crescer, ou ser criado, numa mala de viagem, com alças ou não, demonstra um desprezo pelas mais elementares decências da vida familiar que lembra os piores excessos da Revolução Francesa. E suponho que sabe aquilo a que esse infeliz movimento levou ? »
The Importance Of Being Ernest, Oscar Wilde
«Lady Bracknell: (...) Crescer, ou ser criado, numa mala de viagem, com alças ou não, demonstra um desprezo pelas mais elementares decências da vida familiar que lembra os piores excessos da Revolução Francesa. E suponho que sabe aquilo a que esse infeliz movimento levou ? »
The Importance Of Being Ernest, Oscar Wilde
terça-feira, julho 13, 2004
MY FEELINGS,EXACTLY «Há na vida acontecimentos, encontros, vislumbres que parecem pôr fim brutalmente a todo o passado. É uma impressão sonora, como o bater brutal duma porta nas nossas costas, lançada pela pérfida mão do destino. Procura outro paraíso - tu, idiota ou sábio!É um momento de terror mudo que nos obriga a voltar para a estrada; que nos obriga outra vez a explicar penosamente os factos, a correr febrilmente atrás das ilusões, a fazer uma nova colheita de mentiras com o suor do rosto, para suportar a vida, para a tornar bela, a fim de transmitir intacta à geração seguinte de viajantes cegos a lenda encantadora de um país perene, de uma terra prometida, onde só há flores e delícias...»
O regresso, Joseph Conrad
O regresso, Joseph Conrad
domingo, julho 11, 2004
AH!,ESCREVER ASSIM ESTAS VERDADES! «Não era muito que Tadeu de Albuquerque fosse enganado em coisas de amor e coração de mulher, cujas variantes são tantas e tão caprichosas que eu não sei se alguma máxima pode ser-nos guia a não ser esta: "Em cada mulher, quatro mulheres incompreensíveis, pensando alternadamente como se hão-de desmentir umas às outras". Isto é o mais seguro; mas não é infalível »
Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição
Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição
SAMPAIO DID DA RIGHT THING! 1.Sabia-se que fosse qual fosse a decisão o presidente, as divisões surgiriam. O que decidiu e os argumentos que apresentou - pela primeira vez nun discurso límpido e correcto, mesmo contando com a desesperada ameaça de "vigilância" para apaziguar a esquerda - foi o mais sensato. A questão da legitimidade deste governo não é para mim cavalo de batalha, ainda para mais quando há uma solução institucional consagrada na lei fundamental do país, que foi aprovada por representantes eleitos por voto secreto, directo e universal. E nem Santana Lopes se me afigura como ameaça terrível ao funcionamento da democracia. Pessoalmente, não o escolheria - não lhe conheço nenhuma ideia política, apenas decisões um pouco diletantes. Mas a alternativa era bastante pior, e não é pelo homem gostar de mulheres ou sair à noite que seremos pior governados. Gostaria sim, que a Direita tivesse uma alternativa mais credível. Não tem: e para um institucionalista como eu, a solução que se encontrou foi a melhor.
2. Triste é ver Ferro Rodrigues ou Helena Roseta espumarem de raiva e desconsolo, dizendo dislates como "estou arrependida de ter votado em Sampaio" e acusando-o de traição à familia socialista. Isto, mais do que revelar pobreza de espírito - o homem é chefe de estado - mostra os podres de um regime republicano, em que a mais alta figura da nação - supostamente o garante da independencia perante o poder executivo - terá sempre uma factura para pagar à sua base eleitoral. E assim tudo se torna mais dificil.
Quanto à aberração política que é Ana Gomes, por favor digam-lhe a que horas é o próximo avião para Bruxelas.
2. Triste é ver Ferro Rodrigues ou Helena Roseta espumarem de raiva e desconsolo, dizendo dislates como "estou arrependida de ter votado em Sampaio" e acusando-o de traição à familia socialista. Isto, mais do que revelar pobreza de espírito - o homem é chefe de estado - mostra os podres de um regime republicano, em que a mais alta figura da nação - supostamente o garante da independencia perante o poder executivo - terá sempre uma factura para pagar à sua base eleitoral. E assim tudo se torna mais dificil.
Quanto à aberração política que é Ana Gomes, por favor digam-lhe a que horas é o próximo avião para Bruxelas.
sexta-feira, julho 09, 2004
BREVÍSSIMO ELOGIO DAS PALAVRAS Toda a gente, em todo o mundo, está suspensa de uma palavra. Toda a vida, sempre. Uma palavra tira, acrescenta, ordena. Agora mesmo, enquanto estas são escritas, uma rapariga de Reikjavik espera por um "sim"; um rapaz, nos arredores de Yaoundé,depende de um "quero".
As piores palavras, as melhores:"quero", "sim", "não", "agora", "amo-te", "odeio-te", "adeus".
As piores palavras, as melhores:"quero", "sim", "não", "agora", "amo-te", "odeio-te", "adeus".
quinta-feira, julho 08, 2004
IT'S OVERNão vou cair na tentação de fazer a autópsia da final do Europeu (que perdemos de modo feio mas justo), embora dificilmente refreie o meu dedo indicador de balançar em frente a algumas caras para dizer o que digo há mais de oito meses e que é "Eu não disse que aquele Scolari...". Prefiro citar um amigo meu, que segundos após o final do jogo me liga, raivoso, e diz:"Já estou a imprimir as T-Shirts com a frase 'Obrigado, Felipão'".
sexta-feira, julho 02, 2004
quinta-feira, julho 01, 2004
E OUTRA FINAL QUE EU VOU VER - A DA MINHA MENINA... A sempre atenta Carla também já o notou: esta moça tem tudo - bom ténis, beleza e uma diferença fundamental da Kournikova: ganha. Na final de Wimbledon, já no sábado. Força Maria !

