terça-feira, janeiro 11, 2005

BOM, ENTÃO SENDO ASSIM...vamos lá alimentar este «bicho» outra vez com mais inanidades sortidas e, com sorte, uma ou outra coisa que faça vagamente sentido. Uma extraordinária «preguiça transcendental» deitou-me abaixo nos primeiros dias de 2005.Não é defeito, iludo-me, é traço de personalidade.

segunda-feira, janeiro 03, 2005

OLHA SÓ QUEM VOLTOU

Heeeeere's 2005!

sexta-feira, dezembro 24, 2004

(desculpem lá, mas soube agora das novas contratações do meu clube, a Académica de Coimbra. ANDRADE? KENEDY? MAS ESTÁ TUDO DOIDO?
Pronto.Estou mais calmo. E agora sim, até já)
POR AGORA, UM INTERVALO. AS PALAVRAS SÓ AQUI VOLTARÃO DEPOIS DE 2005 NASCER. A TODOS OS QUE POR AQUI PASSAM, UM FELIZ NATAL E UM ANO NOVO MELHOR QUE O ANTERIOR E PIOR DO QUE O PRÓXIMO. E MUITO OBRIGADO.

Nuno Miguel Guedes

segunda-feira, dezembro 20, 2004

SHAKESPEARE, VERSÃO REALITY SHOW Última representação de uma peça a partir de textos de Shakespeare. No intervalo, este diálogo verídico:

- Olá. Há quanto tempo. Quem é que conheces para estar aqui ?
- Bom, a senhora Capuleto é minha namorada.E tu ?
- Sou amiga da Ofélia.
- Estás sózinha ?
- Não. Vim com o namorado do Rei Lear.
AGORA, NO RITZ: A canção de Natal mais famosa do mundo será sobre o Natal ? Irving Berlin e White Christmas.

sexta-feira, dezembro 17, 2004

BEM, EU SEJA AMALDIÇOADO...Alguém acaba de chegar a este blogue à procura da "tradução de enojado". Se isto está assim tão mau sempre podiam dizer, caramba!
«FUCK CHRISTMAS, I GOT THE BLUES!» Em êxtase absoluto, ouvindo a versão de J.J.Johnson de It Could Happen To You. Sessão de 1953, com um óptimo combo: J.J.Johnson (tb), Clifford Brown (tp), Jimmy Heath (ts), John Lewis (p), Percy Heath (b) e Kenny Clarke (d).


quarta-feira, dezembro 15, 2004

HURRA! O homem voltou! Histórias, estórias e receitas de espantar. Menina e menino, façam o favor de trocar cromos com o rapaz, para felicidade de nós todos.
THE POLAR EXPRESS (post longo, fora d'horas, a despropósito mas, como dizer, sincero) Por mais que nos habituemos, por mais que sobrevivamos desta maneira, no nosso dia-a-dia, por mais que tentemos escapar, como eu: há uma altura, um segundo revelador em que somos confrontados com as palavras.
Por favor, isto, por uma vez, não é leviano. Nietzche dizia dos amigos antigos- de quem se perde contacto mas que permanecem com uma imagem de nós ? que nos perseguem como fantasmas. Fantasmas daquilo que fomos para eles, daquilo que os assombra e em que acreditam ? mesmo que não seja verdade.
O mesmo com as palavras.O que dizemos, o que escrevemos agarra-se a nós pela única e injusta razão de que não temos alternativa. Em certa medida (ia dizer em todas, mas não quero ofender ninguém) somos o que dizemos e escrevemos. Pouco mais nos é permitido. E é tão pouco, e é tão bom.
Confesso que vivo obcecado com esta limitação.A história de "uma imagem vale mil palavras" é para mim uma falácia, porque simplesmente para ser válida tem de pelo menos valer uma. De que me vale uma brilhante fotografia de Walker Evans ou um quadro de Vermeer se eu não consigo traduzir o que me fazem ? A bem dizer, e aqui entre nós: nada. O pior é o que se segue: conseguimos traduzir o que nos faz ? A resposta honesta e desassombrada é - não. O que temos à disposição é pouco e nunca chegará. A boa notícia é que o prazer estético ? literário, visual, quotidiano ? é um prazer inútil e solitário e não tem que ser partilhado. A partir do momento que o é, deixa de o ser; ou seja, nunca corresponde ao que foi sentido. A história de " o poeta é um fingidor" aplica-se a todas as artes, sem excepção.
Em termos de palavra ? que pessoalmente é o que me interessa ? esta fractura foi notada primeiro pelo movimento anti-romântico. Quando Pound se quer livrar do "emotional slithe" (o lixo emocional), pede uma distanciação total da farsa do poeta confundido com os seus sentimentos. A poesia cerebral de Eliot ?com o Wasteland não por acaso editado por Pound ? é o apogeu dessa maneira de pensar. As palavras estão no seu lugar: certas, musicais, distantes ? mas reveladoras de quem as escreveu.
2.Tristan Tzara, Hans Arper, Marcel Duchamp e outros comparsas perceberam isso. Dada, mais do que uma reacção anti-arte (e das poucas verdadeiras rupturas radicais no século XX) é um jogo com o valor do que dizemos. A poesia fonética ? em que a palavra é reduzida a um som sem outro valor do que esse ? é uma tentativa desesperada e de salão de arranjar uma maneira de dizer o que se sente. A aldrabice oportunista dos surrealistas ? que, a partir de André Breton, deram método e institucionazaram o que já existia sem dar crédito a ninguém ? é a mesma tentativa mas com fundamentos filosóficos e marketing que Dada não tinha nem queria ter. Os dogmas surrealistas mataram o diletantismo do Cabaret Voltaire. E com isso o movimento que não o era, mas que provavelmente esteve mais perto da verdadeira intenção do criador em relação ao que cdriava desde as grutas de Altamira.
3. De regresso ao que interessa. Não foi por acaso que Magritte pintou a mais maquiavélica das armadilhas ? o quadro a que se chama "Ceci n?est pas ume pipe". Apesar de vermos um cachimbo inequivocamente à nossa frente, é para as palavras que nos dirigimos. Pior: é nelas que confiamos e sem hesitar nos pomos ao lado delas. Sabemos que o que vemos é um cachimbo; mas se está escrito que não é?
É esta extraordinária limitação e possibilidade simultânea que me faz estar deste lado. Ou seja: respeito e preciso de todos os modos de expressão que me possam oferecer.Gosto de cinema, pintura, teatro, o que quiserem. Mas sei que, mais tarde ou mais cedo, tudo cairá neste sucedâneo da Torre de Babel. Seja a reacção a uma obra-prima ou apenas a triste possibilidade de se dizer "amo-te".
É por isso que gosto e admiro quem supere este duríssimo desafio: dizer ou escrever, com o que todos conhecem, de maneira diferente e convincente. As palavras são o único território em que tudo foi explorado. Não há ambições a nada de novo, a não ser rearranjar o que há muito foi feito de modo a parecer sempre novidade. E isso é possível, e isso é que é lindo.
PAPEL DE PAREDE Nancy Sinatra, em 1966, num especial de televisão com o pai. Mais Tarantino do que o próprio alguma vez será. E o Mestre, o velho Francis A., a desprezar com estilo e carinho tudo o que a filha canta...Beam me up, Scotty! Dá-me a idade que mereço.
HÁ DIAS ASSIM E há aquela altura em que uma data, uma hora, um gesto poderia significar toda uma vida. E então, por arrogância ou desafio Supremo, deitamos tudo fora.

quarta-feira, dezembro 01, 2004

CHEGA A queda do governo de Santana, potenciada por um ministro amuado.Um país cuja alternativa de governo mais provável é liderada por José Sócrates. Uma Direita que, infelizmente, teima em ser autista, e dividida intelectualmente entre o novo-riquismo ideológico e o "toma-que-já-levaste" caceteiro.
Chega.
Hoje é 1 de Dezembro. Falemos de coisas sérias.


terça-feira, novembro 30, 2004

AGORA, EM CASA O que fica das viagens? Normalmente o que não se pode dizer, o que não se pode traduzir. E quanto maior o prazer, mais cresce alegremente esse indizível, essas impressões egoístas que se fecham em nós para nunca mais de lá sairem, por impossibilidade e escolha. Depois de nove dias atravessando três diferentes fusos horários, muito é o que me fica. O que posso dizer, di-lo-ei no local apropriado, que é para isso que me pagam. Aqui, apenas postais rápidos, esquissos de uma jornada com amigos:a constatação em Londres que a generosidade sem juros existe, os espectáculos dos The Gift em que a Sónia se transformava e ficava maior do que a vida, independentemente do publico ou da sua ausencia, as saudades terríveis de tudo o que deixei do outro lado do mar, o partilhar o Dia de Acção de Graças numa casa luxuosa em Beverly Hills, das que só aparecem no cinema, o Miguel a cantar electroclash, a expressão operativa "cói-cói", um resto de pronúncia alcobacense que ainda me domina, a certeza de que Nova Iorque é uma cidade onde gostaria de passar um período da minha vida, as minhas quase-lágrimas cada vez que era tocada a canção An Answer, que dói de bonita, o circo maravilhoso de Hollywood, as personagens que conheci, os horários infra-humanos, a alegria cansada das madrugadas na carrinha, com tudo a rir sem ter dorimido, a expressão "espetacolher!!", a versão intransmissivel do Nuno para a música Ruínas, do Rodrigo, a vontade de repetir, o abraço do regresso.

quinta-feira, novembro 25, 2004

CHAMEM-ME PROVINCIANO...Mas, A excepcao da area circense de Hollywood, a cidade de Los Angeles nao passa de um Monte Gordo de luxo e sobrevalorizado.

domingo, novembro 21, 2004

OH WHAT A BEAUTIFUL MORNING!... cantava o Howard Keel no Oklahoma!. E e isso que apetece cantar aqui na capital do mundo civilizado:Londres amanheceu fria, cinzento e chuvosa- ou seja, como deve ser e nao com esses arremedos tropicais que sao agora prodigos no Portugal de Inverno. Os The Gift teclam ao meu lado furiosamente, organizando a sua vidinha antes de irem tovar ao Cargo, por volta das 8. E eu estou feliz, no coracao de Finsbury Park, territorio dos gunners do Arsenal, meu clube ingles de eleicao.Ontem, no pub, estavam "tristes" pelo empate, e confundiam ja os portugueses com Mourinho. Mas a evocacao de uns chants antigos convenceram-nos que era amigo:"Overmars, Superstar/how many goals havbe you scored so far"...

sábado, novembro 20, 2004

INTERVALO PARA PUBLICIDADE Caros amigos, o vosso humilde tradutor encontra-se a partir de hoje em digressão pelo berço do mundo civilizado - Inglaterra - e os States. Na verdade, razões profissionais fazem-me acompanhar os The Gift como cronista oficial dos seus espectáculos no eixo Londres-Nova Iorque-Los Angeles. Quem é que precisa de ser correspondente da RTP em Madrid quando se tem um emprego como este ?
Sempre que possível, tentarei dar notícias (como se alguém se importasse...).O regresso fica marcado para o próximo dia 29, mas entretanto uma recomendação interesseira:

-vão ver o concerto de Rodrigo Leão em Lisboa ou no Porto;

-vão (mas vão mesmo) ver o concerto de solidariedade em que participam, entre outros, os Gaiteiros de Lisboa, Rodrigo Leão e um grupo de amigos a que chamam de Sétima Legião.No Fórum Lisboa, dia 26

O e-mail, entretanto, continua aberto.Too old for rock n' roll ? É o que veremos...

sexta-feira, novembro 19, 2004

MAIS METABLOGUISMO Robert Mitchum canta no lounge do Ritz.

sexta-feira, novembro 12, 2004

SOBRE ARAFAT,PREFIRO NADA Sobre Arafat, é melhor nada. Já não tenho forças para soltar os impropérios que me invadiram quando vi o coro elegíaco internacional, Santana e Sampaio incluídos. Já não tenho forças para falar do que é óbvio, dos duplos discursos do homem, um virado para a comunidade internacional, outro para os fanatismos internos e que obviamente se contradiziam.Já não tenho tempo de voltar a insultar a Academia Sueca, como o fiz aquando da atribuição do Nobel da Paz ao líder palestino.Já não tenho, não quero. O Francisco esreveu mais e melhor, numa lucidez assombrosa de que eu não seria capaz. O melhor que consigo fazer é repetir esta definição, dada por um dos seus apoiantes, e que é um brilhante eufemismo:era um homem «que nunca perdeu uma oportunidade de perder uma oportunidade».

terça-feira, novembro 09, 2004

E VENHAM-ME AGORA FALAR DE METABLOGUISMO! Está aberta a "guerra" entre dois dos mais talentosos bloguistas nacionais: Dupont e Dupond.

segunda-feira, novembro 08, 2004

O GATO, DE FACTO Recém-chegado do último dos três dias de espectáculo dos Gatos no Tivoli.Enfim, não serei o repórter imparcial (tenho lá um grande amigo, posso dizer mal à-vontade). Mas a verdade é esta: público em delírio, com o texto mais bem sabido do que os próprios intervenientes. Culto absoluto. Confiem em mim: eu estive lá na estreia, no último dia e no Gambrinus (ops, já falei demais). Mas em verdade, em verdade vos digo: poucas coisas no mundo sabem tão bem como sentir um orgulho absurdo e justificado nos nossos amigos.
OBRIGADO. E de repente, atentai: "11.33"."Wake Up"."An answer". Três títulos mágicos que dão entrada num pouco do que vai ser um dos discos portugueses do ano, ouvido em deslumbre absoluto em concílio exigente.AM/FM, The Gift. Não digam que não avisei.

quarta-feira, novembro 03, 2004

VOX POPULI, VOX QUÊ ? Esta manhã, no Fórum TSF. Assunto: a (então) previsivel vitória de Bush nas eleições americanas.Depois de inúmeros testemunhos anti-George W., um "artista plástico" afirma, dedo espetado no ar:«É preciso que nós, europeus - toda a Europa! - se oponha aos americanos!»
É por causa de atoardas como esta, que pululam por aí nas cabeças mais improváveis que - eu, que me distancio dos neo-cons da Admnistração, que muita trapalhada fizeram - acho que o resultado de hoje tem uma leve aura de justiça poética.

terça-feira, outubro 26, 2004

O HOMEM QUE OUVIA A ESPERANÇA Ele estava no princípio de tudo. Era a ele que recorriam todos os que queriam mudar o mundo ou a alma através de canções.E a todos ele ouvia, a todos estava atento.Durante muito tempo, foi o mensageiro de pequenas e grandes revoluções. Ficam os discos com o seu nome, a preservar o legado e a dar o exemplo.Morreu John Peel.

segunda-feira, outubro 25, 2004

BRIOOOOOOSAAAAA!


Obrigado, João Moreno.
JÁ CÁ FALTAVA O POEMUCHO E de Paul Durcan, outra vez. Um belíssimo poema de amor, com a Irlanda ao fundo e por dentro.

NESSA
I met her on the first of August
In the Shangri-La Hotel,
She took me by the index finger
And dropped me in her well.
And that was a whirlpool,that was a whirlpool,
And I very nealy drowned.

Take off your pants, she said to me,
And I very nearly didn't;
Would you care to swim, she said to me,
And I hopped into the Irish sea.
And that was a whirlpool,that was a whirlpool,
And I very nealy drowned.

On the way back I fell in the field
And she fell down beside me.
I'd have lain in the grass with her all my life
With Nessa:
She was a whirlpool, she was a whirlpool,
And I very nearly drowned.

Oh Nessa my dear, Nessa my dear,
Will you stay with me on the rocks ?
Will you come for me into the Irish sea
And for me let your red hair down ?
And then we will ride into Dublin city
In a taxi-cab wrapped-up in dust.
Oh you are a whirlpool, you are a whirlpool,
And I am very nearly drowned.









RELENDO O QUARTETO DE ALEXANDRIA
«'There are only three things to be done with a woman',said Clea once.'You can love her,suffer for her, or turn her into literature'.I was experiencing a failure in all these domains of feeling» Justine, Lawrence Durrell.

Poder ler isto sem me rever nestes dias é uma bênção e um milagre que só tenho que agradecer a alguém.

segunda-feira, outubro 18, 2004

A MENINA É DE OURO! É oficial: o duplo disco estreia de Nellie McKay, Get Away From Me, é o melhor de 2004 e do primeiro trimestre de 2005.E mesmo que mude ideia até lá, não o irei dizer. Há muito tempo que não havia uma letrista tão brilhante na música popular. Como se diz na Zona J, check it out!

quarta-feira, outubro 13, 2004

O HOMEM HOJE ESTÁ IMPARÁVEL (E UM CHATO DO CAROÇO)No fundo o que todos desejamos é paz. Talvez seja verdade, a filosofia estóica e oriental que diz que a abolição de todos os desejos é o mais perto da perfeição. Talvez. Mas depois, para que vale a pena viver ? A inquietação, seja em que forma vier, é das poucas armas para combater a injustiça de morrer, acredite-se ou não numa vida depois da morte. Ninguém pode estar sossegado se vive, pela simples razão de que se o estiver, não vive. Vinicius dizia: ?O tempo de paz/não faz nem desfaz?. E isto é só uma verdade simples que atravessa toda a condição humana. Na verdade, a Humanidade é um tubarão, que se parar, morre.
"NÃO PRECISO DE MENOS QUE TODOS OS MEUS AMIGOS" E há alturas em que as palavras chegam, sem surpresas, sem avisos. Como se fossem velhos conhecidos que regressam de um país que não queremos saber mas que sempre conhecemos.Assim com os poemas de um grande amigo, da noite e do vento. Não tenho direito a não o partilhar:

Agora,
as arcas do tesouro estão vazias.
Vazia está a nossa vida.
O tempo é apenas isso:
grãos de ouro,
uma espécie de música que não perdura.


in Esta Voz É Quase O Vento, José Agostinho Baptista

Zé,sempre conversaremos em directo do lugar nocturno da amizade.

STILL CRAZY AFTER ALL THESE YEARS Começo a perceber que é bom ser um velho guerreiro da "noite". O primeiro sinal compensatório é que já não compreendo as alegrias dos meus amigos mais novos. Exemplo: vêm-me dizer que há um novo bar em Lisboa, chamado Buda, onde é imprescíndivel estar e que "um gajo como tu ia gostar",etc...Pergunto porquê, e ninguém me sabe responder. Mas dizem-me que a famosa taróloga com nome de abelha é a relações públicas. Mais uma dúvida que não é do meu tempo:qual é o critério de escolha da senhora à porta ? " Olá, boa noite. O seu ascendente é...Capricórnio? Desculpe, mas estamos cheios.Boa noite. Ah, esta noite saiu-lhe a Papisa? Faça favor..." . O mundo ainda é um lugar cheio de mistérios.

segunda-feira, outubro 11, 2004

MAS A FESTA CONTINUA...e por isso mesmo, sugiro que os estimados leitores coloquem uma roupinha lavada e compareçam na inauguração do novo blogue com a mesma gerência: bem vindos ao Ritz.Os cocktails são por conta da casa.
MUITO OBRIGADO Aos amigos da blogosfera que me enviaram os parabéns pelos 40. Eles sabem quem são, e eu também. Quanto a ter chegado a esta data, comprazo-me em pensar no simbolismo bíblico do número.Infelizmente para mim, Cristo resolveu o problema das tentações em apenas 40 dias.

sábado, outubro 09, 2004

EU HOJE ACORDEI ASSIM



Obrigado, Charlotte.
EFEMÉRIDES (ou "obrigadinho, ó Scolari!") Hoje faço 40 anos.Hoje, pela primeira vez, o Liechenstein empatou com a selecção portuguesa.

domingo, outubro 03, 2004

AVANÇANDO A PASSOS LARGOS PARA O 4-0 PARA A EQUIPA DA CASA O que é que uma pessoa bem formada e à beira de ter quarenta anos deve fazer para evitar crises de meia-idade ? Ouvir ininterruptamente o disco September Of My Years, de Frank Sinatra, que o Mestre gravou quando tinha 50 anos.

sábado, outubro 02, 2004

AVISO:RETIRAR SMOKINGS E VESTIDOS DA NAFTALINA

Now, if you're blue
And you don't know where to go to
Why don't you go where fashion sits
Puttin'on the Ritz...

Irving Berlin

O outro blogue do Tradução Simultânea está quase a estrear.

sexta-feira, outubro 01, 2004

E AGORA, UMA PALAVRA DO NOSSO PATROCINADOR Amanhã, o santo padroeiro deste blogue - o Senhor Graham Greene - comemoraria cem anos de vida. Desde o princípio que não tive dúvidas em adoptar o nome de um dos seus personagens: o Major Scobie de O Nó do Problema. Daqui a mais cem anos, eu não estarei aqui para o celebrar, e às alegrias que ele me renova ao lê-lo. Mas outros o farão por mim. Thank you, Mr.Greene.



(post também dedicado à Isadora, que terminou agora de ler o The Heart Of The Matter)

quarta-feira, setembro 29, 2004

BLAME IT ON THE MOONLIGHT (OU O FASCÍNIO DA FRANCHISE) Estou a pensar em abrir outro blogue.
IT'S TIME TO TELL THE TALE Senhoras das palavras, é o que elas são: ler por dentro este blogue e este (desculpa, Inês, mas tinha de ser).
PEQUENO POST SOBRE FUTEBOL (VERSÃO VOGUE) Se há coisa em que as equipas italianas sempre foram pioneiras é a maneira como se equipam.Até aqui eram fieis aos modelos irrepreensíveis dos anos 40 e 50. Hoje, tudo acabou: a equipa do Roma inaugurou o híbrido calção de futebol-camisola de ciclista.
PEQUENO POST FELIZ SOBRE FUTEBOL Boa colheita: o Real, a jogar com o desespero de galinhas tontas, virou um 0-2 para 4-2. Mas melhor do que isso só o 6 a 2 do Manchester ao Fenerbachse (alguém me explique o critério peregrino que leva a admitir em campeonatos europeus equipas turcas e israelitas). E o que augura um grande futuro para a selecção dos três leões: os três-golaços-três do menino Rooney. Ainda alguém tem dúvidas ?

terça-feira, setembro 28, 2004

AQUELAS BOTAS FORAM FEITAS PARA ANDAR ...e é o que fazem. Aproveitando a boleia de Tarantino, a linda Nancy "with the laughing face" fez um disco de duetos. A inépcia vocal é a mesma, mas as colaborações são de peso.E vale a pena ouvi-la cantar com Jon Spencer ou Morrissey, ou ser acompanhada pelo baterista dos Sonic Youth (I know what would Dad think about that guy!). Mas para mim, a pérola é a canção Two Shots Of Happy, escrita por Bono e The Edge para o Mestre Frank. Bono é provavelmente um dos maiores conhecedores e admiradores de Sinatra e da sua "arte perdida de viver" (como lhe chamou Bill Zehme). Nancy desperdiça alegremente a canção, mas a letra é um retrato tão fiel de Sinatra que dói. É uma elegia à derrota, às cicatrizes, ao underdog.É um monumento ao solitário que se disfarça entre a multidão, ao I did it my way mas por um preço muito alto. Sinatra sempre me lembrou os versos de Yeats:"Eu canto o que foi perdido e temo o que se ganhou". Bono transformou-o em canção.

segunda-feira, setembro 27, 2004

FRANCAMENTE, HOJE NÃO INTERESSA MAIS NADA Há precisamente sete anos, de uma maneira linda, inesperada, extraordinária e mágica nascia a minha filha mais velha. Foi a primeira vez que percebi que havia uma esperança de eu poder ser uma pessoa melhor.

terça-feira, setembro 21, 2004

ENTRETANTO



Parabéns pelo 70th, Mestre.E vem aí disco novo.
REGRESSEI De Nova Iorque.



Prometo escrever algumas impressões assim que conseguir fechar a boca.

sexta-feira, setembro 17, 2004

NEW YORK; NEW YORK Dry Martinis. O Algonquin. Os Knicks. Jazz. Sinatra.Cole Porter.Rodgers&Hart.Woody Allen.O mundo todo numa cidade.
Excitado como uma criança provinciana, preparo-me para ir a New York pela primeira vez.Mas deve ser uma das cidades que melhor conheço...
E o maldito refrão dos Prefab Sprout que não me larga:

Hey Manhattan
here I am
Call me star-struck Uncle Sam.
Strolling Fifth Avenue
just to think Sinatra was here too...!

Talvez volte.
(ai volto volto, que tenho uma grande e linda razão para isso)



segunda-feira, setembro 13, 2004

SE O CAMUS SOUBESSE... O melhor texto sobre o regresso aos diazinhos é,de longe, este. Cada um tem o IP4 que merece, Alberto.Welcome back.











ARTE TOTAL A Maria tem um blogue onde sábiamente mistura psicologia, filosofia, psiquiatria, neurologia, apontamentos pessoais, literatura e receitas divinas (além de um imaculado gosto na escolha do template...) Ora os mais atentos repararão que há uma subtil relação de causa-efeito entre todos estes assuntos. Agora, a propósito de um jantar onde tive o privilégio de ser um dos comensais, a Maria (ou Helena) deixou estas receitas irlandesas - um país de que se falou apaixonadamente - e falar com paixão da Irlanda é para mim uma redundância.Vão, cozinhem e divulguem (e estou a falar contigo, João Pedro!)

(A propósito, Maria, conheces um extraordinário livro do David Lodge, Consciousness and the Novel ? Tem a ver com o fenómeno de "consciência" ou identidade individual do ser humano (ou a sua inexistência) e o seu papel na criação literária. Adorava saber a tua opinião.)

ELA ESTÁ DE VOLTA, E COM MUITO PARA DIZER Vejo com alegria que a Inês regressou, e deslumbrada com duas grandes revelações: o doce limbo sensual de Havana e a melodia radiosa dos versos de Tolentino de Mendonça. Combinação só aparentemente improvável. (E os Baldios, Inês, leste os Baldios?)
MY PERSONAL NINE-ELEVEN Regressei este último fim de semana a um lugar onde por várias vezes fui feliz. É a minha triste maneira de me recompor dos atentados emocionais que perpetro a mim mesmo.

quinta-feira, setembro 09, 2004

«SUFFER LITTLE CHILDREN» Assisto, aterrado, a um depoimento de uma criança sobrevivente da selvajaria de Ossétia, acompanhada de imagens do interior do ginásio durante o sequestro. E é nestas alturas que fico muito mais próximo de Job do que de Deus.

quarta-feira, setembro 08, 2004

ADORO REGRESSOS E gosto muito de rever estas e estas palavras.
A MINHA VIDA, EM DIRECTO E os dias em que há alguém, aqueles dias em que se acredita, que se desafia improbabilidades, em que todo o cenário dos dias parece convidar a abandonarmo-nos, a dizer tudo o que ficou por dizer.?
E de repente, por mágoa ou desleixo, é tudo demasiado tarde.

segunda-feira, setembro 06, 2004

ENTRADA DIRECTA PARA O Nº1 DO TOP CÁ DE CASA High, dos Blue Nile. Não é o salvamento da música popular ou a canonização em CD que alguns apregoam.É só um disco muito bom.


ALGUNS VERSOS POR UMA RAZÃO

(para R.)

De facto
tens de construir da chuva e das pedras
até que colinas sejam
memória comum verão sobre o verão.

in Turvos Dizeres, João Miguel Fernandes Jorge, 1973
BANDA SONORA DE UM JANTAR NA ERICEIRA

Ce soir le vent qui frappe à ma porte
Me parle des amours mortes
Devant le feu qui s' éteint
Ce soir c'est une chanson d' automne
Dans la maison qui frissonne
Et je pense aux jours lointains

{Refrain:}
Que reste-t-il de nos amours
Que reste-t-il de ces beaux jours
Une photo, vieille photo
De ma jeunesse
Que reste-t-il des billets doux
Des mois d' avril, des rendez-vous
Un souvenir qui me poursuit
Sans cesse

Bonheur fané,
cheveux au vent
Baisers volés,
rêves mouvants
Que reste-t-il de tout cela
Dites-le-moi

Un petit village, un vieux clocher
Un paysage si bien caché
Et dans un nuage le cher visage
De mon passé

Les mots les mots tendres qu'on murmure
Les caresses les plus pures
Les serments au fond des bois
Les fleurs qu'on retrouve dans un livre
Dont le parfum vous enivre
Se sont envolés pourquoi?

Que reste-t-il de nos amours, Charles Trenet/Léo Chauliac

quinta-feira, setembro 02, 2004

RAZÕES PORQUE NÃO SOU ATEU, Nº10 b (secção católica): O princípio de Sebastian

'I suppose they try and make you believe an awful lot of nonsense?'
'Is it nonsense? I wish it were. It sometimes sounds terribly sensible to me.'
'But my dear Sebastian, you can't seriously believe it all.'
'Can't I ?'
'I mean about Christmas and the star and the three kings and the ox and the ass.'
'Oh yes, I believe that.It's a lovely idea.'
'But you can't believe things because they're a lovely idea.'
'But I do. That's how I believe.'

Evelyn Waugh, Brideshead Revisited, pág.84, edição Penguin, 1986



PARECE-ME BEM...

echoandthebunnymen.jpg
You're all about the music. Not too incredibly
mainstream, but not too incredibly underground.
It's awfully hard for anyone to oppose you,
seeing as how you rule.

What band from the 80s are you?



(via Bomba, que viu o Moody)
REGRESSO E agora, este lento torpor da realidade, que faz com que as palavras pesem e sejam dificeis de arrancar. O mundo que cada vez menos interessa, as pessoas que cada vez mais confirmam o pior.Depois, graças a Deus, volta a chuva, e com ela o retomar da ilusão essencial que amanhã há-de ser melhor.
FÉRIAS Um final de tarde quente. Uma brisa discreta. Uma bebida decente. O Sinatra a cantar I've got the world on a string. O chilrear dos meus filhos.

terça-feira, agosto 31, 2004

sábado, agosto 14, 2004

«I'LL BE BACK» Entre Jogos Olímpicos e cassetes roubadas, quer-me parecer que este é o timing perfeito para fechar a loja por uns tempos. Até já.


quinta-feira, agosto 12, 2004

AINDA DIZEM QUE NÓS ESTÁVAMOS ENGANADOS O Iraque acaba de marcar o segundo golo a Portugal. Estão descobertas as armas de destruição maciça.
«STUN HIM,COMMANDER!» E esta alegria irreprimível que se liberta quando vejo cada episódio da recém-comprada primeira série em DVD do Espaço 1999 ? É algo que vem do fundo da minha infância, que me devolve os Legos a fingirem de lasers e intercomunicadores, os kits das Eagles que construí, a única colecção de cromos (e foram muitas, desde a lendária Mundial 1974 até Homens, Raças e Costumes) que consegui completar.E agora mesmo, depois de assistir a mais um episódio da base lunar Alfa, apetece-me correr para a papelaria para mais uma carteirinha de cromos. Culto é isto ? Digam-me que não estou sózinho. O mail está em cima, à esquerda. Obrigado.


quarta-feira, agosto 11, 2004

EQUAÇÃO SIMPLIFICADA A propósito deste post, uma pequena verdade para a Inês:

«Tudo desde sempre.Nunca outra coisa.Nunca ter tentado.Nunca ter falhado.Não importa.Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor.»

Pioravante Marche (Worstward Ho), Samuel Beckett, tradução de Miguel Esteves Cardoso.

Aplicar estas palavras às relações afectivas. À essência da vida humana.


domingo, agosto 08, 2004

SUBSÍDIO (CITÁVEL) PARA COMPREENDER JOSÉ SÓCRATES "A maior parte das pessoas são outras pessoas, os seus pensamentos de outros, as suas vidas uma imitação, as suas paixões uma citação". Oscar Wilde
SÁBADO À NOITE EM LISBOA



Um bom livro, um Harvey Wallbanger correcto, o Cool Struttin' na vitrola: raros momentos em que a solidão faz sentido.

terça-feira, agosto 03, 2004

SUBITAMENTE, NO MINUTO PASSADO...Um homem vai, lampeiro e já babando-se de antecipação, preparar-se para escrever um post. Sobra-lhe raiva, razão e algum humor. Antes decide dar um passeio pela blogosfera, para abrir ainda mais o apetite. E regressa a casa sabendo que alguém já disse tudo e bem sobre o que ia a dizer. É só ler o post I Am A Rock. É bom sabermos que não estamos sózinhos.

segunda-feira, agosto 02, 2004

UM BREVE INTERVALO NA INDIGNAÇÃO GENERALIZADA Seis igrejas foram atacadas por bombistas suicidas no Iraque, durante as liturgias. Seis igrejas. Com homens, mulheres e crianças.
Obrigado.Darfur segue dentro de momentos.

sábado, julho 31, 2004

O ÚNICO MOMENTO DO ANO EM QUE OS SUPERTRAMP FAZEM SENTIDO

I'm a winner
I'm a sinner
Do you want my autograph ?

Enfâse no sinner.
AND ALL THAT JAZZ Ontem à noite, por acaso, vejo-me numa mesa com cinco bloggers.Nem todos se conheciam.As apresentações equivaleram uma primeira sessão nos Alcoólicos Anónimos:"Chamo-me......., tenho ...anos e o meu blogue é......". São estas coisas que me fazem pensar.

sexta-feira, julho 30, 2004

ATRAVÉS DO PAÍS PROFUNDO ...chegou esta deliciosa canção e videoclip.
À procura de Deus, encontro esta frase:«Aquele que ama aceita ser precedido».E é tão bonito, tão divinamente humano.

quinta-feira, julho 29, 2004

OBRIGADO ROUSSEAU ! O Nuno resolveu alertar para o que se passa no Sudão. Hoje lê-se no Público que houve pessoas queimadas vivas por outras pessoas. É isto a natureza humana no seu paroxismo. A misericórdia de Deus só pode ser infinita. Depois admirem-se do meu pessimismo antropológico.
I SHALL SAY THIS ONLY ONCE  Brad Mehldau.Amanhã.Em Lisboa. Jazz é a melhor música do mundo. Be there.


terça-feira, julho 27, 2004

PAUL DURCAN  É um dos poetas irlandeses contemporâneos que mais gosto (logo a seguir a Seamus Heaney). A sua poesia é feita de ternura e amargura, memórias e histórias cintilantes do quotidiano. Foi cantor rock. É um mestre, que já aqui esteve várias vezes na Tradução. E volta a estar, com este poema.

The Difficulty That Is Marriage

We disagree to disagree, we divide, we differ;
Yet each night, as I lie in bed beside you
And you are far away curled up in sleep
I array the moonlit ceiling with a mosaic of question-marks;
How was it I was so lucky to have ever met you ?
I am no brave pagan proud of my mortality,
Yet gladly on this changeling earth I should live for ever
If it were with you, my sleeping friend.
I have my troubles and I shall always have them
but I should rather live with you  for ever
Than exchange my troubles for a changeless kingdom.
But I do not put you on a pedestal or throne;
You must have your faults, but I do not see them.
If it were with you, I shall live for ever.



(post escrito ao som de Detail For Paul, de Durrutti Column)
BRILHANTE IMPOSSIBILIDADE  Não conseguir deixar de estar com uma lágrima ao canto do olho enquanto assisto pela televisão à Last Night Of The Proms e canto embargado o Jerusalem, de Hubert Parry sobre poema de William Blake. Abençoada Ilha.

quarta-feira, julho 21, 2004

 A IDADE NÃO PERDOA Descubro que conheço pessoal ou socialmente um número invulgar de governantes. Damn!
REENTRADA DIRECTA PARA O Nº1 AQUI DE CASA      



A voz de Clare Grogan a cantar "Maybe swim a mile down the Nile/I could be happy/I could be happy"... Foi o meu disco "melhor do mundo" (incluído no álbum Pinky Blue) há muito, muito tempo. E ainda faz sentido.

segunda-feira, julho 19, 2004

QUEM PRECISA DE BILLY CRISTAL ?  É absolutamente oficial (e digo-o com esforçada independência do poderoso lobby de críticos de cinema formado pelos meus filhos): Shrek 2 é a melhor comédia do último ano e meio.
 

 

sábado, julho 17, 2004

PARA MIM É MAIS DIÓGENES  Não consigo evitar o sorriso sempre que leio a forma como a imprensa decidiu adjectivar os militantes que apoiam a candidatura do sr.José Sócrates a secretário-geral do PS. Numa ânsia descabelada para evitar a perífrase chamam-nos de "socráticos"; imediatamente vejo a sede do Largo do Rato transformada na "Escola de Atenas". Teria a sua graça, se não fosse tão triste.
AVISO (ALGO TARDIO) À NAVEGAÇÃO   Esta noite é a última oportunidade para ver Marta Hugon cantar no Hot Clube. A Marta é minha amiga de há décadas, para evitar especulações: mas a amizade tem pouco a ver com o prazer que se tem a ouvi-la cantar dois sets de standards como já é raro haver no jazz contemporâneo E na sua voz o Too Close To Confort ganha todo o sentido. Com ela vão estar o Filipe Melo (p), o Bernardo Moreira (b), o Bruno Santos (g) e o André Sousa Machado (bat). É ir e confirmar, mas aviso que o primeiro set começa às 23 horas.

sexta-feira, julho 16, 2004

EFEMÉRIDE Ontem ainda pensei em escrever qualquer coisa sobre o Dia da Bastilha. Mas optei pelo silêncio, porque nada do que eu diga me irá livrar da fama e proveito de reaccionário (o que não é totalmente verdade, mas isso agora não interessa). De qualquer modo, não posso ignorar;por isso, aqui fica a minha citação preferida sobre a Revolução Francesa, numa tradução descontraída que espero que me perdoem.
 
«Lady Bracknell: (...) Crescer, ou ser criado, numa mala de viagem, com alças ou não, demonstra um desprezo pelas mais elementares decências da vida familiar que lembra os piores excessos da Revolução Francesa. E suponho que sabe aquilo a que esse infeliz movimento levou ? »
 
The Importance Of Being Ernest, Oscar Wilde

terça-feira, julho 13, 2004

MY FEELINGS,EXACTLY «Há na vida acontecimentos, encontros, vislumbres que parecem pôr fim brutalmente a todo o passado. É uma impressão sonora, como o bater brutal duma porta nas nossas costas, lançada pela pérfida mão do destino. Procura outro paraíso - tu, idiota ou sábio!É um momento de terror mudo que nos obriga a voltar para a estrada; que nos obriga outra vez a explicar penosamente os factos, a correr febrilmente atrás das ilusões, a fazer uma nova colheita de mentiras com o suor do rosto, para suportar a vida, para a tornar bela, a fim de transmitir intacta à geração seguinte de viajantes cegos a lenda encantadora de um país perene, de uma terra prometida, onde só há flores e delícias...»

O regresso, Joseph Conrad
DARIA TUDO PARA ESTAR AQUI NESTE PRECISO MOMENTO



De regresso a Sligo, lendo os primeiros versos de He Wishes For The Cloths Of Heaven, de WB Yeats.
AFORISMO RESIGNADO Ler Camilo e Padre António Vieira com regularidade é o cilício de quem acha que sabe escrever.
DISCURSO DE JOSÉ PESEIRO, ADAPTADO À REALIDADE POLÍTICA NACIONAL Santana Lopes prepara o governo com máxima discrição, porque sabe que se não o fizer, amanhã os ministros estarão no FC Porto.
ALL MOD CONS Cedi e decidi ter internet em casa. Estou tramado.Estais tramados.

domingo, julho 11, 2004

AH!,ESCREVER ASSIM ESTAS VERDADES! «Não era muito que Tadeu de Albuquerque fosse enganado em coisas de amor e coração de mulher, cujas variantes são tantas e tão caprichosas que eu não sei se alguma máxima pode ser-nos guia a não ser esta: "Em cada mulher, quatro mulheres incompreensíveis, pensando alternadamente como se hão-de desmentir umas às outras". Isto é o mais seguro; mas não é infalível »

Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição
SAMPAIO DID DA RIGHT THING! 1.Sabia-se que fosse qual fosse a decisão o presidente, as divisões surgiriam. O que decidiu e os argumentos que apresentou - pela primeira vez nun discurso límpido e correcto, mesmo contando com a desesperada ameaça de "vigilância" para apaziguar a esquerda - foi o mais sensato. A questão da legitimidade deste governo não é para mim cavalo de batalha, ainda para mais quando há uma solução institucional consagrada na lei fundamental do país, que foi aprovada por representantes eleitos por voto secreto, directo e universal. E nem Santana Lopes se me afigura como ameaça terrível ao funcionamento da democracia. Pessoalmente, não o escolheria - não lhe conheço nenhuma ideia política, apenas decisões um pouco diletantes. Mas a alternativa era bastante pior, e não é pelo homem gostar de mulheres ou sair à noite que seremos pior governados. Gostaria sim, que a Direita tivesse uma alternativa mais credível. Não tem: e para um institucionalista como eu, a solução que se encontrou foi a melhor.

2. Triste é ver Ferro Rodrigues ou Helena Roseta espumarem de raiva e desconsolo, dizendo dislates como "estou arrependida de ter votado em Sampaio" e acusando-o de traição à familia socialista. Isto, mais do que revelar pobreza de espírito - o homem é chefe de estado - mostra os podres de um regime republicano, em que a mais alta figura da nação - supostamente o garante da independencia perante o poder executivo - terá sempre uma factura para pagar à sua base eleitoral. E assim tudo se torna mais dificil.
Quanto à aberração política que é Ana Gomes, por favor digam-lhe a que horas é o próximo avião para Bruxelas.

sexta-feira, julho 09, 2004

BREVÍSSIMO ELOGIO DAS PALAVRAS Toda a gente, em todo o mundo, está suspensa de uma palavra. Toda a vida, sempre. Uma palavra tira, acrescenta, ordena. Agora mesmo, enquanto estas são escritas, uma rapariga de Reikjavik espera por um "sim"; um rapaz, nos arredores de Yaoundé,depende de um "quero".
As piores palavras, as melhores:"quero", "sim", "não", "agora", "amo-te", "odeio-te", "adeus".
ESTE PAÍS QUE EU AMO Atendo um telefonema de Londres:

-Mas você confirma o que me disseram ? Que estamos sem governo ?!
- Confirmo. Mas não se preocupe: o Europeu de Portugal foi considerado o melhor de sempre.

quinta-feira, julho 08, 2004

IT'S OVERNão vou cair na tentação de fazer a autópsia da final do Europeu (que perdemos de modo feio mas justo), embora dificilmente refreie o meu dedo indicador de balançar em frente a algumas caras para dizer o que digo há mais de oito meses e que é "Eu não disse que aquele Scolari...". Prefiro citar um amigo meu, que segundos após o final do jogo me liga, raivoso, e diz:"Já estou a imprimir as T-Shirts com a frase 'Obrigado, Felipão'".
PRONTO Este blog regressa hoje à normalidade possível, após os últimos tempos de euforia. E aproveita para dizer que não admite, sob qualquer argumento - sobretudo os que têm vindo a ser apresentados - a possibilidade de eleições antecipadas. Obrigado.

sexta-feira, julho 02, 2004

AUSÊNCIA

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen
ADEUS SOPHIA Às vezes trabalhar em redacções tem o seu quê de brutal: a notícia chegou-me aogra mesmo, sem floreados. Morreu Sophia de Mello Breyner Andresen. E se se pode perdoar o absurdo de comparar dores por mortes, esta é a que realmente me custa. Viva o legado.

quinta-feira, julho 01, 2004

E OUTRA FINAL QUE EU VOU VER - A DA MINHA MENINA... A sempre atenta Carla também já o notou: esta moça tem tudo - bom ténis, beleza e uma diferença fundamental da Kournikova: ganha. Na final de Wimbledon, já no sábado. Força Maria !



MANDAMENTO ESTÉTICO SAZONAL Nada - nenhum excesso climatérico, nenhuma ousadia da moda, nenhuma lei divina - justifica que se ande de chinelas de enfiar no dedo na cidade de Lisboa.
OS DEUSES DEVEM ESTAR LOUCOS Portugal-Grécia, na final ? A Europa deve tremer de antecipação perante este duelo de titãs. Mesmo assim, é uma oportunidade de ouro para sermos campeões. E disso gostaria eu muito.