sábado, julho 31, 2004

AND ALL THAT JAZZ Ontem à noite, por acaso, vejo-me numa mesa com cinco bloggers.Nem todos se conheciam.As apresentações equivaleram uma primeira sessão nos Alcoólicos Anónimos:"Chamo-me......., tenho ...anos e o meu blogue é......". São estas coisas que me fazem pensar.

sexta-feira, julho 30, 2004

ATRAVÉS DO PAÍS PROFUNDO ...chegou esta deliciosa canção e videoclip.
À procura de Deus, encontro esta frase:«Aquele que ama aceita ser precedido».E é tão bonito, tão divinamente humano.

quinta-feira, julho 29, 2004

OBRIGADO ROUSSEAU ! O Nuno resolveu alertar para o que se passa no Sudão. Hoje lê-se no Público que houve pessoas queimadas vivas por outras pessoas. É isto a natureza humana no seu paroxismo. A misericórdia de Deus só pode ser infinita. Depois admirem-se do meu pessimismo antropológico.
I SHALL SAY THIS ONLY ONCE  Brad Mehldau.Amanhã.Em Lisboa. Jazz é a melhor música do mundo. Be there.


terça-feira, julho 27, 2004

PAUL DURCAN  É um dos poetas irlandeses contemporâneos que mais gosto (logo a seguir a Seamus Heaney). A sua poesia é feita de ternura e amargura, memórias e histórias cintilantes do quotidiano. Foi cantor rock. É um mestre, que já aqui esteve várias vezes na Tradução. E volta a estar, com este poema.

The Difficulty That Is Marriage

We disagree to disagree, we divide, we differ;
Yet each night, as I lie in bed beside you
And you are far away curled up in sleep
I array the moonlit ceiling with a mosaic of question-marks;
How was it I was so lucky to have ever met you ?
I am no brave pagan proud of my mortality,
Yet gladly on this changeling earth I should live for ever
If it were with you, my sleeping friend.
I have my troubles and I shall always have them
but I should rather live with you  for ever
Than exchange my troubles for a changeless kingdom.
But I do not put you on a pedestal or throne;
You must have your faults, but I do not see them.
If it were with you, I shall live for ever.



(post escrito ao som de Detail For Paul, de Durrutti Column)
BRILHANTE IMPOSSIBILIDADE  Não conseguir deixar de estar com uma lágrima ao canto do olho enquanto assisto pela televisão à Last Night Of The Proms e canto embargado o Jerusalem, de Hubert Parry sobre poema de William Blake. Abençoada Ilha.

quarta-feira, julho 21, 2004

 A IDADE NÃO PERDOA Descubro que conheço pessoal ou socialmente um número invulgar de governantes. Damn!
REENTRADA DIRECTA PARA O Nº1 AQUI DE CASA      



A voz de Clare Grogan a cantar "Maybe swim a mile down the Nile/I could be happy/I could be happy"... Foi o meu disco "melhor do mundo" (incluído no álbum Pinky Blue) há muito, muito tempo. E ainda faz sentido.

segunda-feira, julho 19, 2004

QUEM PRECISA DE BILLY CRISTAL ?  É absolutamente oficial (e digo-o com esforçada independência do poderoso lobby de críticos de cinema formado pelos meus filhos): Shrek 2 é a melhor comédia do último ano e meio.
 

 

sábado, julho 17, 2004

PARA MIM É MAIS DIÓGENES  Não consigo evitar o sorriso sempre que leio a forma como a imprensa decidiu adjectivar os militantes que apoiam a candidatura do sr.José Sócrates a secretário-geral do PS. Numa ânsia descabelada para evitar a perífrase chamam-nos de "socráticos"; imediatamente vejo a sede do Largo do Rato transformada na "Escola de Atenas". Teria a sua graça, se não fosse tão triste.
AVISO (ALGO TARDIO) À NAVEGAÇÃO   Esta noite é a última oportunidade para ver Marta Hugon cantar no Hot Clube. A Marta é minha amiga de há décadas, para evitar especulações: mas a amizade tem pouco a ver com o prazer que se tem a ouvi-la cantar dois sets de standards como já é raro haver no jazz contemporâneo E na sua voz o Too Close To Confort ganha todo o sentido. Com ela vão estar o Filipe Melo (p), o Bernardo Moreira (b), o Bruno Santos (g) e o André Sousa Machado (bat). É ir e confirmar, mas aviso que o primeiro set começa às 23 horas.

sexta-feira, julho 16, 2004

EFEMÉRIDE Ontem ainda pensei em escrever qualquer coisa sobre o Dia da Bastilha. Mas optei pelo silêncio, porque nada do que eu diga me irá livrar da fama e proveito de reaccionário (o que não é totalmente verdade, mas isso agora não interessa). De qualquer modo, não posso ignorar;por isso, aqui fica a minha citação preferida sobre a Revolução Francesa, numa tradução descontraída que espero que me perdoem.
 
«Lady Bracknell: (...) Crescer, ou ser criado, numa mala de viagem, com alças ou não, demonstra um desprezo pelas mais elementares decências da vida familiar que lembra os piores excessos da Revolução Francesa. E suponho que sabe aquilo a que esse infeliz movimento levou ? »
 
The Importance Of Being Ernest, Oscar Wilde

terça-feira, julho 13, 2004

MY FEELINGS,EXACTLY «Há na vida acontecimentos, encontros, vislumbres que parecem pôr fim brutalmente a todo o passado. É uma impressão sonora, como o bater brutal duma porta nas nossas costas, lançada pela pérfida mão do destino. Procura outro paraíso - tu, idiota ou sábio!É um momento de terror mudo que nos obriga a voltar para a estrada; que nos obriga outra vez a explicar penosamente os factos, a correr febrilmente atrás das ilusões, a fazer uma nova colheita de mentiras com o suor do rosto, para suportar a vida, para a tornar bela, a fim de transmitir intacta à geração seguinte de viajantes cegos a lenda encantadora de um país perene, de uma terra prometida, onde só há flores e delícias...»

O regresso, Joseph Conrad
DARIA TUDO PARA ESTAR AQUI NESTE PRECISO MOMENTO



De regresso a Sligo, lendo os primeiros versos de He Wishes For The Cloths Of Heaven, de WB Yeats.
AFORISMO RESIGNADO Ler Camilo e Padre António Vieira com regularidade é o cilício de quem acha que sabe escrever.
DISCURSO DE JOSÉ PESEIRO, ADAPTADO À REALIDADE POLÍTICA NACIONAL Santana Lopes prepara o governo com máxima discrição, porque sabe que se não o fizer, amanhã os ministros estarão no FC Porto.
ALL MOD CONS Cedi e decidi ter internet em casa. Estou tramado.Estais tramados.

domingo, julho 11, 2004

AH!,ESCREVER ASSIM ESTAS VERDADES! «Não era muito que Tadeu de Albuquerque fosse enganado em coisas de amor e coração de mulher, cujas variantes são tantas e tão caprichosas que eu não sei se alguma máxima pode ser-nos guia a não ser esta: "Em cada mulher, quatro mulheres incompreensíveis, pensando alternadamente como se hão-de desmentir umas às outras". Isto é o mais seguro; mas não é infalível »

Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição
SAMPAIO DID DA RIGHT THING! 1.Sabia-se que fosse qual fosse a decisão o presidente, as divisões surgiriam. O que decidiu e os argumentos que apresentou - pela primeira vez nun discurso límpido e correcto, mesmo contando com a desesperada ameaça de "vigilância" para apaziguar a esquerda - foi o mais sensato. A questão da legitimidade deste governo não é para mim cavalo de batalha, ainda para mais quando há uma solução institucional consagrada na lei fundamental do país, que foi aprovada por representantes eleitos por voto secreto, directo e universal. E nem Santana Lopes se me afigura como ameaça terrível ao funcionamento da democracia. Pessoalmente, não o escolheria - não lhe conheço nenhuma ideia política, apenas decisões um pouco diletantes. Mas a alternativa era bastante pior, e não é pelo homem gostar de mulheres ou sair à noite que seremos pior governados. Gostaria sim, que a Direita tivesse uma alternativa mais credível. Não tem: e para um institucionalista como eu, a solução que se encontrou foi a melhor.

2. Triste é ver Ferro Rodrigues ou Helena Roseta espumarem de raiva e desconsolo, dizendo dislates como "estou arrependida de ter votado em Sampaio" e acusando-o de traição à familia socialista. Isto, mais do que revelar pobreza de espírito - o homem é chefe de estado - mostra os podres de um regime republicano, em que a mais alta figura da nação - supostamente o garante da independencia perante o poder executivo - terá sempre uma factura para pagar à sua base eleitoral. E assim tudo se torna mais dificil.
Quanto à aberração política que é Ana Gomes, por favor digam-lhe a que horas é o próximo avião para Bruxelas.