terça-feira, julho 27, 2004

BRILHANTE IMPOSSIBILIDADE  Não conseguir deixar de estar com uma lágrima ao canto do olho enquanto assisto pela televisão à Last Night Of The Proms e canto embargado o Jerusalem, de Hubert Parry sobre poema de William Blake. Abençoada Ilha.

quarta-feira, julho 21, 2004

 A IDADE NÃO PERDOA Descubro que conheço pessoal ou socialmente um número invulgar de governantes. Damn!
REENTRADA DIRECTA PARA O Nº1 AQUI DE CASA      



A voz de Clare Grogan a cantar "Maybe swim a mile down the Nile/I could be happy/I could be happy"... Foi o meu disco "melhor do mundo" (incluído no álbum Pinky Blue) há muito, muito tempo. E ainda faz sentido.

segunda-feira, julho 19, 2004

QUEM PRECISA DE BILLY CRISTAL ?  É absolutamente oficial (e digo-o com esforçada independência do poderoso lobby de críticos de cinema formado pelos meus filhos): Shrek 2 é a melhor comédia do último ano e meio.
 

 

sábado, julho 17, 2004

PARA MIM É MAIS DIÓGENES  Não consigo evitar o sorriso sempre que leio a forma como a imprensa decidiu adjectivar os militantes que apoiam a candidatura do sr.José Sócrates a secretário-geral do PS. Numa ânsia descabelada para evitar a perífrase chamam-nos de "socráticos"; imediatamente vejo a sede do Largo do Rato transformada na "Escola de Atenas". Teria a sua graça, se não fosse tão triste.
AVISO (ALGO TARDIO) À NAVEGAÇÃO   Esta noite é a última oportunidade para ver Marta Hugon cantar no Hot Clube. A Marta é minha amiga de há décadas, para evitar especulações: mas a amizade tem pouco a ver com o prazer que se tem a ouvi-la cantar dois sets de standards como já é raro haver no jazz contemporâneo E na sua voz o Too Close To Confort ganha todo o sentido. Com ela vão estar o Filipe Melo (p), o Bernardo Moreira (b), o Bruno Santos (g) e o André Sousa Machado (bat). É ir e confirmar, mas aviso que o primeiro set começa às 23 horas.

sexta-feira, julho 16, 2004

EFEMÉRIDE Ontem ainda pensei em escrever qualquer coisa sobre o Dia da Bastilha. Mas optei pelo silêncio, porque nada do que eu diga me irá livrar da fama e proveito de reaccionário (o que não é totalmente verdade, mas isso agora não interessa). De qualquer modo, não posso ignorar;por isso, aqui fica a minha citação preferida sobre a Revolução Francesa, numa tradução descontraída que espero que me perdoem.
 
«Lady Bracknell: (...) Crescer, ou ser criado, numa mala de viagem, com alças ou não, demonstra um desprezo pelas mais elementares decências da vida familiar que lembra os piores excessos da Revolução Francesa. E suponho que sabe aquilo a que esse infeliz movimento levou ? »
 
The Importance Of Being Ernest, Oscar Wilde

terça-feira, julho 13, 2004

MY FEELINGS,EXACTLY «Há na vida acontecimentos, encontros, vislumbres que parecem pôr fim brutalmente a todo o passado. É uma impressão sonora, como o bater brutal duma porta nas nossas costas, lançada pela pérfida mão do destino. Procura outro paraíso - tu, idiota ou sábio!É um momento de terror mudo que nos obriga a voltar para a estrada; que nos obriga outra vez a explicar penosamente os factos, a correr febrilmente atrás das ilusões, a fazer uma nova colheita de mentiras com o suor do rosto, para suportar a vida, para a tornar bela, a fim de transmitir intacta à geração seguinte de viajantes cegos a lenda encantadora de um país perene, de uma terra prometida, onde só há flores e delícias...»

O regresso, Joseph Conrad
DARIA TUDO PARA ESTAR AQUI NESTE PRECISO MOMENTO



De regresso a Sligo, lendo os primeiros versos de He Wishes For The Cloths Of Heaven, de WB Yeats.
AFORISMO RESIGNADO Ler Camilo e Padre António Vieira com regularidade é o cilício de quem acha que sabe escrever.
DISCURSO DE JOSÉ PESEIRO, ADAPTADO À REALIDADE POLÍTICA NACIONAL Santana Lopes prepara o governo com máxima discrição, porque sabe que se não o fizer, amanhã os ministros estarão no FC Porto.
ALL MOD CONS Cedi e decidi ter internet em casa. Estou tramado.Estais tramados.

domingo, julho 11, 2004

AH!,ESCREVER ASSIM ESTAS VERDADES! «Não era muito que Tadeu de Albuquerque fosse enganado em coisas de amor e coração de mulher, cujas variantes são tantas e tão caprichosas que eu não sei se alguma máxima pode ser-nos guia a não ser esta: "Em cada mulher, quatro mulheres incompreensíveis, pensando alternadamente como se hão-de desmentir umas às outras". Isto é o mais seguro; mas não é infalível »

Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição
SAMPAIO DID DA RIGHT THING! 1.Sabia-se que fosse qual fosse a decisão o presidente, as divisões surgiriam. O que decidiu e os argumentos que apresentou - pela primeira vez nun discurso límpido e correcto, mesmo contando com a desesperada ameaça de "vigilância" para apaziguar a esquerda - foi o mais sensato. A questão da legitimidade deste governo não é para mim cavalo de batalha, ainda para mais quando há uma solução institucional consagrada na lei fundamental do país, que foi aprovada por representantes eleitos por voto secreto, directo e universal. E nem Santana Lopes se me afigura como ameaça terrível ao funcionamento da democracia. Pessoalmente, não o escolheria - não lhe conheço nenhuma ideia política, apenas decisões um pouco diletantes. Mas a alternativa era bastante pior, e não é pelo homem gostar de mulheres ou sair à noite que seremos pior governados. Gostaria sim, que a Direita tivesse uma alternativa mais credível. Não tem: e para um institucionalista como eu, a solução que se encontrou foi a melhor.

2. Triste é ver Ferro Rodrigues ou Helena Roseta espumarem de raiva e desconsolo, dizendo dislates como "estou arrependida de ter votado em Sampaio" e acusando-o de traição à familia socialista. Isto, mais do que revelar pobreza de espírito - o homem é chefe de estado - mostra os podres de um regime republicano, em que a mais alta figura da nação - supostamente o garante da independencia perante o poder executivo - terá sempre uma factura para pagar à sua base eleitoral. E assim tudo se torna mais dificil.
Quanto à aberração política que é Ana Gomes, por favor digam-lhe a que horas é o próximo avião para Bruxelas.

sexta-feira, julho 09, 2004

BREVÍSSIMO ELOGIO DAS PALAVRAS Toda a gente, em todo o mundo, está suspensa de uma palavra. Toda a vida, sempre. Uma palavra tira, acrescenta, ordena. Agora mesmo, enquanto estas são escritas, uma rapariga de Reikjavik espera por um "sim"; um rapaz, nos arredores de Yaoundé,depende de um "quero".
As piores palavras, as melhores:"quero", "sim", "não", "agora", "amo-te", "odeio-te", "adeus".
ESTE PAÍS QUE EU AMO Atendo um telefonema de Londres:

-Mas você confirma o que me disseram ? Que estamos sem governo ?!
- Confirmo. Mas não se preocupe: o Europeu de Portugal foi considerado o melhor de sempre.

quinta-feira, julho 08, 2004

IT'S OVERNão vou cair na tentação de fazer a autópsia da final do Europeu (que perdemos de modo feio mas justo), embora dificilmente refreie o meu dedo indicador de balançar em frente a algumas caras para dizer o que digo há mais de oito meses e que é "Eu não disse que aquele Scolari...". Prefiro citar um amigo meu, que segundos após o final do jogo me liga, raivoso, e diz:"Já estou a imprimir as T-Shirts com a frase 'Obrigado, Felipão'".
PRONTO Este blog regressa hoje à normalidade possível, após os últimos tempos de euforia. E aproveita para dizer que não admite, sob qualquer argumento - sobretudo os que têm vindo a ser apresentados - a possibilidade de eleições antecipadas. Obrigado.

sexta-feira, julho 02, 2004

AUSÊNCIA

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen
ADEUS SOPHIA Às vezes trabalhar em redacções tem o seu quê de brutal: a notícia chegou-me aogra mesmo, sem floreados. Morreu Sophia de Mello Breyner Andresen. E se se pode perdoar o absurdo de comparar dores por mortes, esta é a que realmente me custa. Viva o legado.