quinta-feira, julho 01, 2004
sexta-feira, junho 25, 2004
SÓ MAIS UMA COISA Não gosto de Scolari. Não gosto da forma como (não) preparou a equipa, não gosto do seu discurso arrogante, não gosto dos pedidos que faz ("cinco mil carros a acompanharem-nos de Alcochete até ao estádio"). Mas a gota de água foi a bandeira brasileira com que atravessou o campo no final do jogo. Otto Rehagel iria buscar a bandeira alemã? Eriksson, a sueca ? Não pode ser.
Até à final do campeonato, não irei mais comentar futebol (a não ser para exprimir a minha alegria cada vez que a França sofre um golo, como acaba de acontecer com a Grécia). Até lá, as minhas atenções estão viradas para Wimbledon (o ténis é o segundo desporto que mais sigo), e sobretudo para esta menina: Maria Sharapova.
AGUENTA CORAÇÂO! E foi assim: o meu velho coração dividido esperava que Portugal ganhasse, mas depressa e sem deixar dúvidas.Não aconteceu: depois do excelente golo de Owen, veio a lesão do menino de ouro (Rooney).A equipa inglesa deprimiu-se e jogou sempre à defesa.Por outro lado, Portugal fazia pouco melhor: Ronaldo não passou uma única vez por Ashley Cole,Figo atrapalhava-se, Deco era um holograma e o jogo ganhou proporções de um épico Paços de Ferreira-Rio Ave. Valeu a emoção, o golo de Rui Costa,o extraordinário Ricardo Carvalho, a passagem de Portugal.
Mas para mim fica um travo amargo de ver, mais uma vez, os Três Leões perderem nos penalties, uma sombra negra que os persegue desde 1990 (e 92 e 96 e 98).
Seguiu-se a festa. com ingleses e portugueses, eu que estivera no Rossio depois da vitória frente à Croácia. E não me venham dizer que são todos hooligans e não sabem ver futebol. Até breve.There will always be an England.
Mas para mim fica um travo amargo de ver, mais uma vez, os Três Leões perderem nos penalties, uma sombra negra que os persegue desde 1990 (e 92 e 96 e 98).
Seguiu-se a festa. com ingleses e portugueses, eu que estivera no Rossio depois da vitória frente à Croácia. E não me venham dizer que são todos hooligans e não sabem ver futebol. Até breve.There will always be an England.
sexta-feira, junho 18, 2004
DIÁLOGO DE ANGLÓFILOS FANÁTICOS FRENTE AO TELEVISOR,COMENTANDO INGLATERRA
-Mas é que não estão a jogar nada.
-Estão a jogar golfe na Quinta do Lago.É uma vergonha.
- É o calor.Estão 30 graus.Os rapazes não estão habituados a jogar em países sem condições para a prática do futebol.
-E os suiços, não têm calor ?
-...
- Olha, vai vai vai...GOOOOOOLOOOO!
-Mas é que não estão a jogar nada.
-Estão a jogar golfe na Quinta do Lago.É uma vergonha.
- É o calor.Estão 30 graus.Os rapazes não estão habituados a jogar em países sem condições para a prática do futebol.
-E os suiços, não têm calor ?
-...
- Olha, vai vai vai...GOOOOOOLOOOO!
segunda-feira, junho 14, 2004
ENTÃO? NÃO SABEM O QUÊ? Mas quando é que será que este rapaz, tão brilhante noutras coisas, vê a Luz?
QUANTO A PORTUGAL... Bom, enough said. Também doeu, e muito. A melhor história sobre a reacção à derrota lusa foi-me contada ontem: pouco depois do jogo acabar, um septuagenário que tinha na sua janela um mastro improvisado com a nossa bandeira, fez o que lhe pareceu apropriado - colocou a bandeira a meia-haste! Esse homem é um génio.
C'MON ENGLAND! Não é segredo para ninguém o meu apoio dedicado à selecção inglesa. Ontem, com um grupo de amigos igualmente fanáticos, fui ver o jogo a um bar lisboeta.Todos equipados e educados. Os nativos não compreenderam, acharam que éramos trtaidores à nação e torceram ...pela França, esquecendo que há quatro anos atrás reservaram os melhores mimos aos gauleses.
O jogo foi o que se sabe: três minutos de pesadelo, um penalty falhado e uma amargura díficil de digerir. A Inglaterra não jogou mal, aguentou a pressão e foi ingénua.O mundo civilizado perdeu.Mas the lads in white ainda não estão acabados. Quinta-feira lá estaremos!
Eis um dos heróis do jogo, Paul Scholes.
segunda-feira, junho 07, 2004
QUANTAS VEZES ISTO TEM DE SER VERDADE? Para melhor efeito, recomenda-se a leitura muito tardia. Acessórios adequados:um whiskey, a madrugada a raiar, Billie Holliday a cantar Body And Soul na versão de 1957, com Ben Webster, uma vida parecida com a minha.
If hands could free you, heart
If hands could free you, heart,
Where would you fly?
Far, beyond every part
Of earth this running sky
Makes desolate? Would you cross
City and hill and sea,
If hands could set you free?
I would not lift the latch;
For I could run
Through fields, pit-valleys, catch
All beauty under the sun--
Still end in loss:
I should find no bent arm, no bed
To rest my head.
Philip Larkin
quarta-feira, junho 02, 2004
JANTAR ÀS DEZ No espaço de apenas algumas horas, discuti com carinho amizades e velhas cumplicidades, estive à beira das lágrimas (dizia-me um amigo:"já nos aturamos há mais de 22 anos, caraças"), entusiasmei-me com argumentos religiosos e metafísicos ditos com uma ébria convicção (ele era Unamuno, ele era Kierkegaard, ele era Graham Greene), embeveci-me a assistir a uma discussão pró e contra downloads e cópias piratas de discos, deliciei-me com o repasto preparado, emocionei-me com confissões amorosas, conheci uma rapariga que faz a inveja de meia blogosfera feminina (trabalhou com o Vincent Gallo...), voltei a afirmar preconceitos absolutos (como a superioridade inglesa em tudo excepto na questão irlandesa)...A amizade, com a sua demolidora liberdade, é o masis nobre e delicioso dos sentimentos.
No espaço de apenas algumas horas fui o homem mais feliz do mundo. Depois chegou a vida.
No espaço de apenas algumas horas fui o homem mais feliz do mundo. Depois chegou a vida.
sábado, maio 29, 2004
ADENDA A UMA CARTA ANTIGA Há algum tempo uma querida amiga lembrava-me umas palavras que lhe tinha escrito nos ardores da minha juventude. Perguntava eu "porque somos perseguidos pelo mal de amor". Querida Audrey: tal enunciado só se desculpa pela arrogância que se confunde com a estupidez de ser jovem. Porque agora eu sei da glória e da tragédia: não somos perseguidos, somos nós que o perseguimos.

