sexta-feira, junho 18, 2004
-Mas é que não estão a jogar nada.
-Estão a jogar golfe na Quinta do Lago.É uma vergonha.
- É o calor.Estão 30 graus.Os rapazes não estão habituados a jogar em países sem condições para a prática do futebol.
-E os suiços, não têm calor ?
-...
- Olha, vai vai vai...GOOOOOOLOOOO!
segunda-feira, junho 14, 2004
O jogo foi o que se sabe: três minutos de pesadelo, um penalty falhado e uma amargura díficil de digerir. A Inglaterra não jogou mal, aguentou a pressão e foi ingénua.O mundo civilizado perdeu.Mas the lads in white ainda não estão acabados. Quinta-feira lá estaremos!
Eis um dos heróis do jogo, Paul Scholes.
segunda-feira, junho 07, 2004
If hands could free you, heart
If hands could free you, heart,
Where would you fly?
Far, beyond every part
Of earth this running sky
Makes desolate? Would you cross
City and hill and sea,
If hands could set you free?
I would not lift the latch;
For I could run
Through fields, pit-valleys, catch
All beauty under the sun--
Still end in loss:
I should find no bent arm, no bed
To rest my head.
Philip Larkin
quarta-feira, junho 02, 2004
No espaço de apenas algumas horas fui o homem mais feliz do mundo. Depois chegou a vida.
sábado, maio 29, 2004
terça-feira, maio 25, 2004
"Oh simple thing, where have you gone ?
I'm getting old and I need something to rely on"
Keane, Somewhere only we know
domingo, maio 16, 2004
E o que me vem à cabeça,e ao coração, assim de repente:
Had I the heaven's embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.
William Butler Yeats
terça-feira, maio 11, 2004
EL DIA QUE ME QUIERAS (excerto)
Letra:Alfredo LePera
Música: Carlos Gardel
El día que me quieras
la rosa que engalana
se vestirá de fiesta
con su mejor color.
Y al viento las campanas
dirán que ya eres mía,
y locas las fontanas
se contarán su amor.
La noche que me quieras
desde el azul del cielo,
las estrellas celosas
nos mirarán pasar.
Y un rayo misterioso
hará nido en tu pelo,
luciérnaga curiosa que verás
que eres mi consuelo.
El día que me quieras
no habrá más que armonía.
Será clara la aurora
y alegre el manantial.
Traerá quieta la brisa
rumor de melodía.
Y nos darán las fuentes
su canto de cristal.
El día que me quieras
endulzarán sus cuerdas
el pájaro cantor.
Florecerá la vida,
no existirá el dolor.
La noche que me quieras
desde el azul del cielo,
las estrellas celosas
nos mirarán pasar.
Y un rayo misterioso
hará nido en tu pelo.
Luciérnaga curiosa que verás
que eres mi consuelo.
sexta-feira, maio 07, 2004
Come Back To Camden, do último disco de Stephen Patrick Morrisey, é vintage Morrissey. Ouvir em repeat mil vezes. Ou, enquanto o disco não chega, saboreá-la aqui.
Come Back To Camden
There is something I wanted to tell you,
It's so funny you'll kill yourself laughing
But then I, I look around,
And I remember that I am alone, alone. For evermore
The tile yard all along the railings,
Up a discoloured dark brown staircase
Here you'll find, despair and I,
Calling to you with what's left of my heart, my heart, For evermore
Drinking tea with the taste of the Thames,
Sullenly on a chair on the pavement
Here you'll find, my thoughts and I,
And here is the very last plea from my heart
My heart. For evermore,
Where taxi drivers never stop talking
Under slate grey Victorian sky,
Here you will find, despair and I
And here I am every last inch of me is yours, yours. For evermore
Your leg came to rest against mine,
Then you lounged with knees up and apart
And me and my heart, we knew, We just knew. For evermore
Where taxi drivers never stop talking,
Under slate grey Victorian sky
Here you'll find, my heart and I,
And still we say come back, come back to Camden
And I'll be good, I'll be good, I'll be good, I’ll be good
quarta-feira, maio 05, 2004
Gosto e preconizo.Assim, isolado como um aforismo, verdade absoluta e privada.
Programa do Festival de Lisboa para 18 de Julho
Deep Purple
Status Quo
Cheap Trick
Scorpions
Será 18 de Julho de 1982???
e pede-me ele um comentário a isto.Eu sei lá!! Depois dos Doors, agora com os MC5 (que têm o guitarrista e o vocalista mortos e os restantes membros da banda em sério risco), este belo país está cada vez com maior vocação para cemitério de elefantes.
terça-feira, maio 04, 2004
- Vocês já viram os golfinhos do Ganges ?
- Não há golfinhos no Ganges.
-Há sim senhora.Se há no Sado,porque é que não havia de haver no Ganges?
-E são um sub-género. Eu vi ontem num documentário.
- Sobre golfinhos do Ganges ?
-Sobre natureza. E comem membros humanos de cadáveres que apodrecem no rio.
-Que horror, que nojo!
-Também acho. Não sei como é que alguém se pode lavar naquele rio.
-Fiz a pesquisa na net e já vi os golfinhos. São giros.
-E vocês sabem qual é o maior acelerador da Natureza?
-Não. Quem, quem ?
-A pulga. Dá saltos desproporcionais para o seu tamanho. Só que é cega.
Às vezes adoro a minha profissão.
sexta-feira, abril 30, 2004
quarta-feira, abril 28, 2004
"I-I thought of that old joke, you know, this-this-this guy goes to a psychiatrist and
says, "Doc, uh, my brother's crazy. He thinks he's a chicken." And, uh, the doctor says, "Well, why don't you turn him in?" And the guy says, "I would, but I need the eggs." Well, I guess that's pretty much how how I feet about relationships. You know, they're totally irrational and crazy and absurd and ... but, uh, I guess we keep goin' through it because, uh, most of us need the eggs."
in Annie Hall (1977), escrito por Woody Allen e Marshall Brickman, realizado por Woody Allen
terça-feira, abril 27, 2004
Há guerra, orações, silêncio e quezília, festa e solidão.Há céu, mar, vazio, invasão insuportável, tudo sem justificação objectiva.Há antecipação.Há estes sintomas e mais outros, a que aspiramos mas que receamos.Que reconhecemos mas, se tudo correr bem, haveremos sempre de desconhecer.
segunda-feira, abril 26, 2004
The Dante's Inferno Test has banished you to the Second Level of Hell!
Here is how you matched up against all the levels:
| Level | Score |
|---|---|
| Purgatory (Repenting Believers) | Moderate |
| Level 1 - Limbo (Virtuous Non-Believers) | Very Low |
| Level 2 (Lustful) | Very High |
| Level 3 (Gluttonous) | High |
| Level 4 (Prodigal and Avaricious) | Moderate |
| Level 5 (Wrathful and Gloomy) | Low |
| Level 6 - The City of Dis (Heretics) | Very Low |
| Level 7 (Violent) | Moderate |
| Level 8- the Malebolge (Fraudulent, Malicious, Panderers) | High |
| Level 9 - Cocytus (Treacherous) | Low |
Take the Dante's Inferno Test
Falling And Laughing
You may think me very naive
Taken as true
I only see what I want to see
Avoid eye contact at all costs
What can I do
To see your fine teeth smiling at me
I'm not saying
That we should build a city of tears
All I'm saying
Is I'm alone and consequently
Only my dreams satisfy the real need of my heart
I resist
You say that there's a thousand like you
Maybe that's true
I fell for you and nobody else
So I'm standing here so lonely
What can I do
But learn to laugh at myself
I'm not saying
That we should build a city of tears
All I'm saying
Is I'm alone and consequently
Only my dreams satisfy the real need of my heart
I resist
Fall falling falling again
Cos I want to take the pleasure with the pain
Fall falling - falling again
Cos I want to take
The pleasure with the pain
Falling and laughing
Falling and laughing
Falling and laughing
Falling and laughing
Edwin Collins, 1981
NB:Corrigi a primeira versão da letra, que estava incorrecta.Obrigado ao Mário que me concedeu a letra como deve ser. De facto assim faz sentido.Eu sabia que aqui havia gato...
quinta-feira, abril 22, 2004
Home is so sad
Home is so sad. It stays as it was left,
Shaped in the comfort of the last to go
As if to win them back. Instead, bereft
Of anyone to please, it withers so,
Having no heart to put aside the theft.
And turn again to what it started as,
A joyous shot at how things ought to be,
Long fallen wide. You can see how it was:
Look at the pictures and the cutlery.
The music in the piano stool. That vase.
Philip Larkin
quarta-feira, abril 21, 2004
segunda-feira, abril 19, 2004
sexta-feira, abril 16, 2004
quinta-feira, abril 15, 2004
2. Olá, Paulo!
terça-feira, abril 13, 2004
segunda-feira, abril 12, 2004
quinta-feira, abril 01, 2004
segunda-feira, março 22, 2004
No mundo quis um tempo que se achasse
No mundo quis um tempo que se achasse
o bem que por acerto ou sorte vinha;
e, por experimentar que dita tinha,
quis que a Fortuna em mim se experimentasse.
Mas por que meu destino me mostrasse
que nem ter esperanças me convinha,
nunca nesta tão longa vida minha
cousa me deixou ver que desejasse.
Mudando andei costume, terra e estado,
por ver se se mudava a sorte dura;
a vida pus nas mãos de um leve lenho.
Mas (segundo o que o Céu me tem mostrado)
já sei que deste meu buscar ventura,
achado tenho já, que não a tenho.
sexta-feira, março 19, 2004
segunda-feira, março 15, 2004
sexta-feira, março 12, 2004
quinta-feira, março 11, 2004
sexta-feira, fevereiro 06, 2004
Love,we must part now:do not let it be
Calamitous and bitter.In the past
There has been too much moonlight and self-pity:
Let us have done with it:for now at last
Never has sun more boldly paced the sky,
Never were hearts more eager to be free,
To kick down worlds, lash forests;you and I
No longer hold them;we are husks, that see
The grain growing forward to a different use.
There is regret. Always, there is regret.
But it is better that our lives unloose,
As two tall ships, wind-mastered, wet with light,
Break from an estuary with their courses set,
And waving part, and waving drop from sight.
*citação de Jeff, um dos personagens da série Coupling
quarta-feira, fevereiro 04, 2004
Nem vou falar dos erros de marketing político óbvios que este extraordinário cartaz carrega - o maior dos quais é dar justamente notoriedade a Santana Lopes. E não falo porque há mais para dizer: para quem está constantemente a esticar o pescoço e atacar outros de demagógicos e populistas, este cartaz cai como ginjas. Uma criancinha a chorar pelos pais (e acreditem, eu tenho filhos e sei a angústia que é), atrasados por obra e graça do maléfico Santana - como todos sabemos o inventor dos engarrafamentos lisboetas. Se isto não é demagógico e populista, não sei o que será.
Não sou particular adepto dos ridiculos esforços publicitários do autarca. Aqueles "Já reparou ..." são para rir. Agora isto toca as raias do absurdo, para não dizer incompetente. Santana deve estar a esfregar as mãos de contente.
sexta-feira, janeiro 30, 2004
Tudo isto para dizer que graças à simpatia do Fernando Alvim, conheci mais um pequeno herói:Richard Cheese.É fancaria no seu melhor, Las Vegas levada ao paroxismo musical, dry martinis e smokings pela noite fora - e isso é muito bom. Com uma alegre crueldade, Cheese desmembra canções icónicas como Closer, dos Nine Inch Nails, ou, hum, Material Girl de Madonna, e transforma-as em néon e plástico , assim revelando a sua fragilidade. Muito bem ajudado pelo seu combo de eleição - os aptamente chamados Lounge Against The Machine - , Cheese monta um espectáculo feito de inteligência e humor. Os mais sortudos podem vê-lo hoje no Via Rápida, no Porto;os outros podem conhecê-lo aqui. Peguemos então nos shakers e, de copo na mão, lancemos o grito de guerra:LOUNGE AGAINST THE MACHINE!
quinta-feira, janeiro 29, 2004
segunda-feira, janeiro 26, 2004
sábado, janeiro 17, 2004
terça-feira, janeiro 13, 2004
A partir de certa altura – certa idade ? – suspiramos por uma ditadura, um regime autoritário que diga ao nosso coração:"é desta que vais gostar". E melhor ainda: "é essa que vai gostar de ti".
Admito até a hipótese do amor não correspondido: "Vais adorar essa mulher, mas ela não te vai ligar pêva. E tu, mesmo assim, vais insistir, mesmo sem esperança".
A sério.Era mais justo. No que respeita ao amor não correspondido, já passei por vários. Mas de facto, é uma dor privada e segura, como diz o Alain de Botton no Essays In Love, e mil vezes mais fácil do que o amor correspondido, que nos deixa atarantados. Além deste axioma, e nesta matéria, existe sempre a canção exemplar do Glad To Be Unhappy, com letra do maior génio das palavras em melodias, Lorenz Hart. Vêde o que ele diz:
Unrequited love’s a bore
And I’ve got it pretty bad.
But for someone you adore,
It’s a pleasure to be sad.
Aqui está: é uma dor intima, auto-gerida, mas que no fundo nos dá o prazer de saber que somos capazes de amar.
O pior vem quando inesperadamente elas dizem sim. "Sim"? Como, sim?", perguntamo-nos nós aterrorizados. Estava tudo muito bem quando ela era a nossa deusa – distante, omnipotente, perfeita, concebida para a adoração. Mas quando ela diz sim, desce ao nosso nível – ou nós temos de subir ao dela. E isso é estranhíssimo, e pode levar aos maiores equivocos.
É por isso que seria mais fácil se um metafísico ditador benigno – género Mussolini – se encarregasse de tudo, avisasse e não nos deixasse quaisquer opções. O mundo ficaria livre de crimes passionais e pouparia a muita gente tempo e angústias. Meu Deus, porque nos reservaste o livre-arbitrio para as piores ocasiões ?
escrito a 13 de Janeiro de 2004
Para o que não estávamos preparados foi para receber criaturas que julgávamos perdidas em 84.Mas estavam lá, com pouco mais de vinte anos, vestidas de negro e com uma pergunta recorrente e lapidar, depois de termos passado Joy Division:"Não há mais Joy for the boy?".
E se vos conto isto é porque ainda acordo a meio da noite.
segunda-feira, dezembro 29, 2003
sexta-feira, dezembro 05, 2003
A sério, a sério, deste gosto muitíssimo. É de Nuno Júdice, e chama-se Princípios.
Podíamos saber um pouco mais
da morte.Mas não seria isso que nos faria
ter vontade de morrer mais
depressa.
Podíamos saber um pouco mais
da vida.Talvez não precisássemos de viver
tanto, quando só o que é preciso é saber
que temos de viver.
Podíamos saber um pouco mais
do amor.Mas não seria isso que nos faria deixar
de amar ao saber exactamente o que é o amor,ou
amar mais ainda ao descobrir que, mesmo assim, nada
sabemos do amor.
quarta-feira, dezembro 03, 2003
segunda-feira, novembro 24, 2003
Poderia sempre postar poemas, ou citações díspares, mas isso é demasiado fácil e deve consumir-se com moderação. Também não me apetece manter um inventário de "Estados De Espírito Do Autor", primeiro porque isso não interessa a ninguém, depois porque isso só tem a ver comigo e depois porque nunca se escreve a verdadeira tristeza ou alegria. Só o estado intermédio.
Em resultado desta ausência não foi sem prazer que vi um decréscimo substancial nas visitas (os crentes não desarmam, fico lisongeado), com gente a vir ter a esta casa por uma improvável pesquisa googlesca sobre "mamas grandes" (isto é verdade). Quero garantir a todos, entretanto, que o meu Moleskine quotidiano pulula de boutades fabulosas, aforismos cintilantes, textos sem mácula, ideias relevantes e as restantes banalidades do costume. Assim que puder - e eu estimo que muito em breve - tudo voltará à relativa normalidade. Até já, portanto.
N.M.G.
quarta-feira, novembro 19, 2003
segunda-feira, novembro 17, 2003
VI
Kick up the fire, and let the flames break lose
To drive the shadows back;
Prolong the talk on this or that excuse,
'Till the night comes to rest
While some high bell is beating two o'clock.
Yet when the guest
Has stepped into the windy street and gone,
Who can confront
The instantaneous grief of being alone?
Or watch the sad increase
Across the mind of this prolific plant,
Dumb idleness ?
de North Ship, Philip Larkin
sexta-feira, novembro 14, 2003
segunda-feira, novembro 10, 2003
quarta-feira, novembro 05, 2003
sexta-feira, outubro 31, 2003
(...) as perdas não são, de facto curadas pelo tempo, mas são saradas! O tempo ajuda a retomarmos o caminho que achávamos perdido e neste processo, com sorte ou não, inclui-se o encontro com outra ou outras pessoas. A perda é sarada porque a dor da recordação não passará, muitas vezes, na sua totalidade, mas é possível fazer a passagem do nunca mais (que será possivelmente a expressão mais dolorosa da perda, do fim) para o que sempre foi: o eu vivi, ouvi, disse...as recordações que ainda que tragam saudades existem apenas no momento em que aconteceram, sem qualquer pretensão de se instalarem no que vivo, ouço, digo...
Consuelo

