segunda-feira, abril 26, 2004
ESTA SEMANA, EM AUDIÇÃO CONTÍNUA... Talvez seja uma reacção aos Franz Ferdinand.Mas suspeito que tem mais a ver com o sol e outras circunstâncias recentes. A verdade é que voltei ao disco estreia dos Orange Juice, You Can't Hide Your Love Forever, editado no longínquo ano de 1982 e que tanto contribuiu para a minha educação sentimental. Contém Falling And Laughing, uma das mais bonitas e espontâneas canções sobre dilemas de paixões adolescentes. O vozeirão desafinado de Edwin Collins, as guitarras à Byrds e Velvet Underground, a inocência que se perdeu....ou voltou.
Falling And Laughing
You may think me very naive
Taken as true
I only see what I want to see
Avoid eye contact at all costs
What can I do
To see your fine teeth smiling at me
I'm not saying
That we should build a city of tears
All I'm saying
Is I'm alone and consequently
Only my dreams satisfy the real need of my heart
I resist
You say that there's a thousand like you
Maybe that's true
I fell for you and nobody else
So I'm standing here so lonely
What can I do
But learn to laugh at myself
I'm not saying
That we should build a city of tears
All I'm saying
Is I'm alone and consequently
Only my dreams satisfy the real need of my heart
I resist
Fall falling falling again
Cos I want to take the pleasure with the pain
Fall falling - falling again
Cos I want to take
The pleasure with the pain
Falling and laughing
Falling and laughing
Falling and laughing
Falling and laughing
Edwin Collins, 1981
NB:Corrigi a primeira versão da letra, que estava incorrecta.Obrigado ao Mário que me concedeu a letra como deve ser. De facto assim faz sentido.Eu sabia que aqui havia gato...
Falling And Laughing
You may think me very naive
Taken as true
I only see what I want to see
Avoid eye contact at all costs
What can I do
To see your fine teeth smiling at me
I'm not saying
That we should build a city of tears
All I'm saying
Is I'm alone and consequently
Only my dreams satisfy the real need of my heart
I resist
You say that there's a thousand like you
Maybe that's true
I fell for you and nobody else
So I'm standing here so lonely
What can I do
But learn to laugh at myself
I'm not saying
That we should build a city of tears
All I'm saying
Is I'm alone and consequently
Only my dreams satisfy the real need of my heart
I resist
Fall falling falling again
Cos I want to take the pleasure with the pain
Fall falling - falling again
Cos I want to take
The pleasure with the pain
Falling and laughing
Falling and laughing
Falling and laughing
Falling and laughing
Edwin Collins, 1981
NB:Corrigi a primeira versão da letra, que estava incorrecta.Obrigado ao Mário que me concedeu a letra como deve ser. De facto assim faz sentido.Eu sabia que aqui havia gato...
UM POUCO DE BOLA É verdade que o Barcelona deu uma alegria (das poucas esta época) ao meu amigo Chalabi e para mim, mais uma resignação triste. Mas, por outro lado, a Briosa ganhou um jogo importante e, no berço do mundo civilizado, o Arsenal foi campeão.Two out of three ain't bad.
É TÃO BOM SER MONÁRQUICO Não percebo tanta gritaria:claro que a medalha oferecida à Dra.Isabel do Carmo pela República Portuguesa só tem a ver com o seu notável contributo na área da Endocrinologia, em que é especialista. Tudo o resto - a defesa e divulgação da luta armada, as suspeitas de participação e organização de actividades bombistas - pertencem à tal "convivência de sensibilidades" que o dr.Sampaio acha que simbolliza o 25 de Abril.Tanta convivência, tão pouco tempo...
quinta-feira, abril 22, 2004
E PARA HOJE TEMOS...
Home is so sad
Home is so sad. It stays as it was left,
Shaped in the comfort of the last to go
As if to win them back. Instead, bereft
Of anyone to please, it withers so,
Having no heart to put aside the theft.
And turn again to what it started as,
A joyous shot at how things ought to be,
Long fallen wide. You can see how it was:
Look at the pictures and the cutlery.
The music in the piano stool. That vase.
Philip Larkin
Home is so sad
Home is so sad. It stays as it was left,
Shaped in the comfort of the last to go
As if to win them back. Instead, bereft
Of anyone to please, it withers so,
Having no heart to put aside the theft.
And turn again to what it started as,
A joyous shot at how things ought to be,
Long fallen wide. You can see how it was:
Look at the pictures and the cutlery.
The music in the piano stool. That vase.
Philip Larkin
quarta-feira, abril 21, 2004
MY FEELINGS, EXACTLY «Dizem que Deus quando fecha uma porta abre uma janela:dizem, com um sorriso, que fica no nono piso.» A Flor da Vida, a Arte do Encontro, Etc Etc - Quinteto Tati
segunda-feira, abril 19, 2004
sexta-feira, abril 16, 2004
AH, SE EU PUDESSE... estar em casa a ouvir em modo repeat e de dry martini em riste, a versão de Nearness Of You deste senhor.
quinta-feira, abril 15, 2004
SAUDAÇÕES DESPORTIVAS 1.Inês, não há nada que agradecer. Quem faz, faz. Agora, mais uma citação a referências (vou-me fustigar 10 vezes por ter usado esta palavra, mas I'm so sick and tired...) que me são preciosas - como o Some Came Running, que contém os melhores desempenhos dos Mestres Sinatra e Martin e um dos melhores de Shirley MacLaine - , onde é que eu ia ? Ah sim: mais uma e tenho a certeza que me conhece desde pequeno.
2. Olá, Paulo!
2. Olá, Paulo!
terça-feira, abril 13, 2004
I'M A STRANGER HERE MYSELFCom a epígrafe mais aplicável aos bloggers que até agora vi- a famosa fala de Blanche DuBois no Um Eléctrico Chamado Desejo - acabou de abrir um blogue correctíssimo e com um nome que muitos de nós partilham. My Moleskine. Monty Python, Ruy Belo e Tenessee Williams nos primeiros dias só pode ser bom. Dá-lhe, Blanche. E o caminho é por aqui.
segunda-feira, abril 12, 2004
quinta-feira, abril 01, 2004
O MUNDO ESTÁ SALVO PORQUE AINDA HÁ BOAS LETRAS DE CANÇÕES Como por exemplo: "Aos vinte e três anos/já não faço planos/Para quê fazer?//Vivo da esperança da vaga mudança/que nunca irá acontecer"; ou "Ai, a graça do amor!/Já não vou trabalhar..."; ou "A vida é dificil./Sempre foi". Tudo isto está disponível no primeiro disco do Quinteto Tati, projecto de Sérgio Costa e JP (misteriosamente chamado de "gêpê") Simões, que chega lá para o fim do mês. Se não é um dos discos tugas do ano, não sei o que será.
segunda-feira, março 22, 2004
O QUE MORRISSEY NUNCA CONSEGUIRÁ ESCREVER (NEM NINGUÉM) Regresso ao que é certo e que nunca falha:Camões.
No mundo quis um tempo que se achasse
No mundo quis um tempo que se achasse
o bem que por acerto ou sorte vinha;
e, por experimentar que dita tinha,
quis que a Fortuna em mim se experimentasse.
Mas por que meu destino me mostrasse
que nem ter esperanças me convinha,
nunca nesta tão longa vida minha
cousa me deixou ver que desejasse.
Mudando andei costume, terra e estado,
por ver se se mudava a sorte dura;
a vida pus nas mãos de um leve lenho.
Mas (segundo o que o Céu me tem mostrado)
já sei que deste meu buscar ventura,
achado tenho já, que não a tenho.
No mundo quis um tempo que se achasse
No mundo quis um tempo que se achasse
o bem que por acerto ou sorte vinha;
e, por experimentar que dita tinha,
quis que a Fortuna em mim se experimentasse.
Mas por que meu destino me mostrasse
que nem ter esperanças me convinha,
nunca nesta tão longa vida minha
cousa me deixou ver que desejasse.
Mudando andei costume, terra e estado,
por ver se se mudava a sorte dura;
a vida pus nas mãos de um leve lenho.
Mas (segundo o que o Céu me tem mostrado)
já sei que deste meu buscar ventura,
achado tenho já, que não a tenho.
FOI TÃO BOM, NÃO É ? O single destes rapazes, com quem, confesso, tenho algumas cumplicidades, é o melhor tributo que se fez aos New Order (sem o baixo de Peter Hook e com uns loops de teclas a la Happy Mondays). E isso não é mau. Além disso, tem, para já, o melhor refrão do ano:"Pills, sex and a hardbeat/and it's back to discos, back to discos".
sexta-feira, março 19, 2004
segunda-feira, março 15, 2004
OH, THOSE FROGS Tenho para mim que um povo se define colectivamente por aquilo de que se ri. Ora isto é assustador quando vejo que foi lançada a filmografia integral de Louis de Funés, o paradigma dos cómicos para os gauleses. Relembro com horror títulos como "O gendarme em férias" ou o sempieterno "O gendarme em St.Tropez", essa Torre Eiffel do cabotinismo e da piada fácil. E regresso às minhas teorias de jovem universitário, quando com o meu grupo de anti-francófonos proclamávamos que Paris deveria ser a "nova Atlântida" ou que Allo, Allo era uma série de não-ficção. O paroxismo desta atitude chegou nas meias-finais do Europeu de futebol ,em que perdemos ingloriamente com a França por 2-1. Houve um amigo que ligou para a RTP, mal o jogo acabou, exigindo que "por respeito ao serviço público" fosse passado, de 15 em 15 minutos, imagens do exército alemão a desfilar sob o Arco do Triunfo, perante o desalento dos parisienses. Ah, giovanezza, giovanezza...
ELECCIONES As eleições espanholas foram as primeiras em que uma tragédia interferiu no bom senso, o coração acima da razão. O pedido desesperado de respostas, que ninguém poderia dar , por motivos óbvios, fez falar a dor primeiro. Daí que se castigue, circunstancialmente, quem está no poder. Por acaso, o PP. Aznar não poderia ter feito mais do que fez.E é evidente que o governo está a esconder alguma coisa, como qualquer governo faria em questões de segurança nacional. A vitória da esquerda é por isso triste, e o Bambi deverá viver com isso para o resto do mandato (se bem que a escolha do sucessor de Aznar tenha deixado muito a desejar). A cidadania falhou:ao contrário do que apregoam eufóricos os jornais de esquerda - que são quase todos - a maior manifestação de cidadania seria unir fileiras em torno do governo que estava em funções - fosse de esquerda ou direita - e não fazer uma inoportuna alternância. Mas vá lá explicar-se isso a quem sentiu de perto a mortandade
sexta-feira, março 12, 2004
quinta-feira, março 11, 2004
O REGRESSO DO FILHO DO TRADUÇÃO SIMULTÂNEA Em forma outra vez para escrever. Muitas coisas se passaram, umas boas e outras más, mas todas incompatíveis com a palavra. Há um pudor que tem de ser mantido, por motivos terapeuticos e de pura justiça. Agora, aí vamos nós outra vez.Para quem esteja interessado, favor enviar sugestões para a caixa de correio.
sexta-feira, fevereiro 06, 2004
LARKIN!
Love,we must part now:do not let it be
Calamitous and bitter.In the past
There has been too much moonlight and self-pity:
Let us have done with it:for now at last
Never has sun more boldly paced the sky,
Never were hearts more eager to be free,
To kick down worlds, lash forests;you and I
No longer hold them;we are husks, that see
The grain growing forward to a different use.
There is regret. Always, there is regret.
But it is better that our lives unloose,
As two tall ships, wind-mastered, wet with light,
Break from an estuary with their courses set,
And waving part, and waving drop from sight.
Love,we must part now:do not let it be
Calamitous and bitter.In the past
There has been too much moonlight and self-pity:
Let us have done with it:for now at last
Never has sun more boldly paced the sky,
Never were hearts more eager to be free,
To kick down worlds, lash forests;you and I
No longer hold them;we are husks, that see
The grain growing forward to a different use.
There is regret. Always, there is regret.
But it is better that our lives unloose,
As two tall ships, wind-mastered, wet with light,
Break from an estuary with their courses set,
And waving part, and waving drop from sight.
«I HAVE 8.000 WORDS FOR BREASTS. AND COUNTING»* A história da maminha à mostra de Janet Jackson é um acepipe para os cultores da teoria da conspiração. Segundo as últimas notícias, a canção que serviu de fundo ao «incidente» (e cujo o nome felizmente não me recordo) passou a ser a mais retirada da Internet. Por causa de uma maminha.É por estas e por outras que vejo o Fernando Rocha como um génio do marketing.
*citação de Jeff, um dos personagens da série Coupling
*citação de Jeff, um dos personagens da série Coupling
quarta-feira, fevereiro 04, 2004
COISAS PARA FAZER EM LISBOA DEPOIS DE MORTO 1:COMPREENDER OS OUTDOORS DO PARTIDO SOCIALISTA Todos os habitantes de Lisboa já depararam com eles: uma criança com ar choroso e ansioso pergunta, em balão de BD, "Pai, mãe, quando é que me vêm buscar?". Ao lado, uma foto de um inexpugnável engarrafamento sugere-nos a resposta:"Vai demorar, filhinha". Mas o apogeu é conseguido com o vocativo em interrogação, dedo espetado em riste:"Ouviu, dr. Santana Lopes?".
Nem vou falar dos erros de marketing político óbvios que este extraordinário cartaz carrega - o maior dos quais é dar justamente notoriedade a Santana Lopes. E não falo porque há mais para dizer: para quem está constantemente a esticar o pescoço e atacar outros de demagógicos e populistas, este cartaz cai como ginjas. Uma criancinha a chorar pelos pais (e acreditem, eu tenho filhos e sei a angústia que é), atrasados por obra e graça do maléfico Santana - como todos sabemos o inventor dos engarrafamentos lisboetas. Se isto não é demagógico e populista, não sei o que será.
Não sou particular adepto dos ridiculos esforços publicitários do autarca. Aqueles "Já reparou ..." são para rir. Agora isto toca as raias do absurdo, para não dizer incompetente. Santana deve estar a esfregar as mãos de contente.
Nem vou falar dos erros de marketing político óbvios que este extraordinário cartaz carrega - o maior dos quais é dar justamente notoriedade a Santana Lopes. E não falo porque há mais para dizer: para quem está constantemente a esticar o pescoço e atacar outros de demagógicos e populistas, este cartaz cai como ginjas. Uma criancinha a chorar pelos pais (e acreditem, eu tenho filhos e sei a angústia que é), atrasados por obra e graça do maléfico Santana - como todos sabemos o inventor dos engarrafamentos lisboetas. Se isto não é demagógico e populista, não sei o que será.
Não sou particular adepto dos ridiculos esforços publicitários do autarca. Aqueles "Já reparou ..." são para rir. Agora isto toca as raias do absurdo, para não dizer incompetente. Santana deve estar a esfregar as mãos de contente.
sexta-feira, janeiro 30, 2004
SAY CHEESE! De quando em vez saúdo com alegria o aparecimento de alguém que nos faz lembrar como tudo é frágil na música pop.Mesmo as melhores canções - as que julgamos fortalezas, sagradas - podem ser destruídas em questão de segundos. Às vezes dói - o que não faria eu se alguém me assassinasse o Dress Rehearsal Rag, do Leonard Cohen ? -, mas serve como exercício de auto-ironia e sobretudo, de humildade. Afinal, a história das canções - da evolução cultural ? - é feita sobre sucessivos parrícidios e consequentes ressurrreições.
Tudo isto para dizer que graças à simpatia do Fernando Alvim, conheci mais um pequeno herói:Richard Cheese.É fancaria no seu melhor, Las Vegas levada ao paroxismo musical, dry martinis e smokings pela noite fora - e isso é muito bom. Com uma alegre crueldade, Cheese desmembra canções icónicas como Closer, dos Nine Inch Nails, ou, hum, Material Girl de Madonna, e transforma-as em néon e plástico , assim revelando a sua fragilidade. Muito bem ajudado pelo seu combo de eleição - os aptamente chamados Lounge Against The Machine - , Cheese monta um espectáculo feito de inteligência e humor. Os mais sortudos podem vê-lo hoje no Via Rápida, no Porto;os outros podem conhecê-lo aqui. Peguemos então nos shakers e, de copo na mão, lancemos o grito de guerra:LOUNGE AGAINST THE MACHINE!
Tudo isto para dizer que graças à simpatia do Fernando Alvim, conheci mais um pequeno herói:Richard Cheese.É fancaria no seu melhor, Las Vegas levada ao paroxismo musical, dry martinis e smokings pela noite fora - e isso é muito bom. Com uma alegre crueldade, Cheese desmembra canções icónicas como Closer, dos Nine Inch Nails, ou, hum, Material Girl de Madonna, e transforma-as em néon e plástico , assim revelando a sua fragilidade. Muito bem ajudado pelo seu combo de eleição - os aptamente chamados Lounge Against The Machine - , Cheese monta um espectáculo feito de inteligência e humor. Os mais sortudos podem vê-lo hoje no Via Rápida, no Porto;os outros podem conhecê-lo aqui. Peguemos então nos shakers e, de copo na mão, lancemos o grito de guerra:LOUNGE AGAINST THE MACHINE!
quinta-feira, janeiro 29, 2004
segunda-feira, janeiro 26, 2004
sábado, janeiro 17, 2004
É UM PÁSSARO? É UM AVIÃO? NÃO, É O CARTEIRO! Compreendo perfeitamente os momentos de júbilo sentidos pelo meu querido amigo MacGuffin quando chega a encomendazinha da Ilha, com a marca da Amazon. O carteiro é o Pai Natal dos adultos esclarecidos. E se escrevo isto é porque ainda estou a tremer de felicidade pela última remessa de guloseimas que me chegou:os DVD's da terceira série de Coupling, da segunda de The Office (cada vez mais brilhante) e sobretudo um Best Of de One Foot in The Grave, que tem como personagem um dos meus heróis pessoais - o intratável Victor Meldrew. Imagine-se um Basil Fawlty reformado e eternamente contra mundum. O mundo, por outro lado, vinga-se nele, fazendo com que caiam candeeiros de rua na janela do seu quarto ou entreguem em sua casa por engano velhinhas em tratamento ambulatório. Comédia inglesa no seu melhor, com uma canção-tema de Eric Idle (Monty Python). Perfeito para conservadores e cépticos em geral; em Inglaterra, de resto, os jornais criaram um novo grupo sociológico:os Meldrews, pessoas que não aceitam o novo, resmungam constantemente e são no geral muito desagradáveis. Expressão chave:"I don't beliiiiiieeve it!"
terça-feira, janeiro 13, 2004
DOS ARQUIVOS DO TRADUÇÃO SIMULTÂNEA, 4:O meu caso com Mussolini Quem me conhece sabe que eu sou um pacato defensor do livre-arbítrio, essa pequena oportunidade que nos é dada generosamente para ajudar a este delicado equilibrio sobre o nada que se chama vida. Mas, amigos, no amor…No amor suspiro por um determinismo, que nos poupe a maçadas, que nos ofereça previsões e consolo, que nos roube ao toca-e-foge dos afectos. No amor, digo-o sem vergonha – sou fascista.
A partir de certa altura – certa idade ? – suspiramos por uma ditadura, um regime autoritário que diga ao nosso coração:"é desta que vais gostar". E melhor ainda: "é essa que vai gostar de ti".
Admito até a hipótese do amor não correspondido: "Vais adorar essa mulher, mas ela não te vai ligar pêva. E tu, mesmo assim, vais insistir, mesmo sem esperança".
A sério.Era mais justo. No que respeita ao amor não correspondido, já passei por vários. Mas de facto, é uma dor privada e segura, como diz o Alain de Botton no Essays In Love, e mil vezes mais fácil do que o amor correspondido, que nos deixa atarantados. Além deste axioma, e nesta matéria, existe sempre a canção exemplar do Glad To Be Unhappy, com letra do maior génio das palavras em melodias, Lorenz Hart. Vêde o que ele diz:
Unrequited love’s a bore
And I’ve got it pretty bad.
But for someone you adore,
It’s a pleasure to be sad.
Aqui está: é uma dor intima, auto-gerida, mas que no fundo nos dá o prazer de saber que somos capazes de amar.
O pior vem quando inesperadamente elas dizem sim. "Sim"? Como, sim?", perguntamo-nos nós aterrorizados. Estava tudo muito bem quando ela era a nossa deusa – distante, omnipotente, perfeita, concebida para a adoração. Mas quando ela diz sim, desce ao nosso nível – ou nós temos de subir ao dela. E isso é estranhíssimo, e pode levar aos maiores equivocos.
É por isso que seria mais fácil se um metafísico ditador benigno – género Mussolini – se encarregasse de tudo, avisasse e não nos deixasse quaisquer opções. O mundo ficaria livre de crimes passionais e pouparia a muita gente tempo e angústias. Meu Deus, porque nos reservaste o livre-arbitrio para as piores ocasiões ?
escrito a 13 de Janeiro de 2004
A partir de certa altura – certa idade ? – suspiramos por uma ditadura, um regime autoritário que diga ao nosso coração:"é desta que vais gostar". E melhor ainda: "é essa que vai gostar de ti".
Admito até a hipótese do amor não correspondido: "Vais adorar essa mulher, mas ela não te vai ligar pêva. E tu, mesmo assim, vais insistir, mesmo sem esperança".
A sério.Era mais justo. No que respeita ao amor não correspondido, já passei por vários. Mas de facto, é uma dor privada e segura, como diz o Alain de Botton no Essays In Love, e mil vezes mais fácil do que o amor correspondido, que nos deixa atarantados. Além deste axioma, e nesta matéria, existe sempre a canção exemplar do Glad To Be Unhappy, com letra do maior génio das palavras em melodias, Lorenz Hart. Vêde o que ele diz:
Unrequited love’s a bore
And I’ve got it pretty bad.
But for someone you adore,
It’s a pleasure to be sad.
Aqui está: é uma dor intima, auto-gerida, mas que no fundo nos dá o prazer de saber que somos capazes de amar.
O pior vem quando inesperadamente elas dizem sim. "Sim"? Como, sim?", perguntamo-nos nós aterrorizados. Estava tudo muito bem quando ela era a nossa deusa – distante, omnipotente, perfeita, concebida para a adoração. Mas quando ela diz sim, desce ao nosso nível – ou nós temos de subir ao dela. E isso é estranhíssimo, e pode levar aos maiores equivocos.
É por isso que seria mais fácil se um metafísico ditador benigno – género Mussolini – se encarregasse de tudo, avisasse e não nos deixasse quaisquer opções. O mundo ficaria livre de crimes passionais e pouparia a muita gente tempo e angústias. Meu Deus, porque nos reservaste o livre-arbitrio para as piores ocasiões ?
escrito a 13 de Janeiro de 2004
O TEMPO, ESSE GRANDE ESTUPOR Concordemos, por um minuto, que estamos no ano 2004. Dois mil e quatro, amigos. Por outro calendário que não o gregoriano estariamos mortos. Mas isso agora não interessa nada. A história que vos quero contar passou-se ainda no ano passado. Alguns amigos inconscientes acharam que os meus discos poderiam dar alegria aos clientes de um bar. E assim, eu e um amigo dirigimo-nos a Alcobaça, prontos a demonstrar o melhor que aprendemos da nossa vetusta idade.Leia-se: um set de revivalismo eighties esclarecido.
Para o que não estávamos preparados foi para receber criaturas que julgávamos perdidas em 84.Mas estavam lá, com pouco mais de vinte anos, vestidas de negro e com uma pergunta recorrente e lapidar, depois de termos passado Joy Division:"Não há mais Joy for the boy?".
E se vos conto isto é porque ainda acordo a meio da noite.
Para o que não estávamos preparados foi para receber criaturas que julgávamos perdidas em 84.Mas estavam lá, com pouco mais de vinte anos, vestidas de negro e com uma pergunta recorrente e lapidar, depois de termos passado Joy Division:"Não há mais Joy for the boy?".
E se vos conto isto é porque ainda acordo a meio da noite.
segunda-feira, dezembro 29, 2003
sexta-feira, dezembro 05, 2003
E SAI MAIS UM POEMA PARA O BLOG DO CANTO (OU O AUTOR EM CRISE DE INSPIRAÇÃO)
A sério, a sério, deste gosto muitíssimo. É de Nuno Júdice, e chama-se Princípios.
Podíamos saber um pouco mais
da morte.Mas não seria isso que nos faria
ter vontade de morrer mais
depressa.
Podíamos saber um pouco mais
da vida.Talvez não precisássemos de viver
tanto, quando só o que é preciso é saber
que temos de viver.
Podíamos saber um pouco mais
do amor.Mas não seria isso que nos faria deixar
de amar ao saber exactamente o que é o amor,ou
amar mais ainda ao descobrir que, mesmo assim, nada
sabemos do amor.
A sério, a sério, deste gosto muitíssimo. É de Nuno Júdice, e chama-se Princípios.
Podíamos saber um pouco mais
da morte.Mas não seria isso que nos faria
ter vontade de morrer mais
depressa.
Podíamos saber um pouco mais
da vida.Talvez não precisássemos de viver
tanto, quando só o que é preciso é saber
que temos de viver.
Podíamos saber um pouco mais
do amor.Mas não seria isso que nos faria deixar
de amar ao saber exactamente o que é o amor,ou
amar mais ainda ao descobrir que, mesmo assim, nada
sabemos do amor.
OBRIGADO Gosto de mimos, mesmo virtuais. Foi por isso que me liquefiz quando li as palavras da Filipa, preocupada com o meu silêncio e a minha "tristeza".Eu não a conheço, mas já é um princípio de uma bela amizade.
quarta-feira, dezembro 03, 2003
SETE Li com apreensão sobre o atentado que vitimou sete agentes secretos espanhóis no Iraque. Coisa terrível. Mas pensem comigo: se eram agentes secretos, porque é que andavam em grupos de sete ? Sete! Como os anões: "eu sou/eu sou/ agente secreto eu sou...". Pelo amor de Deus, não tornemos as coisas ainda mais fáceis.
PORTUGALZINHO Sala de espera das consultas do Hospital da CUF. Pela primeira vez na minha vida, oiço as pessoas serem chamadas pelos seus títulos académicos. Aparece uma funcionária e diz:"O senhor engenheiro fulano de tal, o arquitecto sicrano da silva". Há muito tempo que não fazia uma visita ao país do Alexandre O'Neill.
MAKIN' WHOPEE O mais bonito e extraordinário que acontece quando dois grandes amigos nossos se casam entre eles é podermos assistir, com uma radiante impotência, à continuação da nossa família. Parabéns e obrigado, C&C.
segunda-feira, novembro 24, 2003
AVISO À NAVEGAÇÃO Caros, caras: por excesso ou defeito de vida própria não tenho tido oportunidade de actualizar o Tradução. What else is new ?, perguntarão os mais perspicazes. Oh, go away, respondo eu. Adiante.
Poderia sempre postar poemas, ou citações díspares, mas isso é demasiado fácil e deve consumir-se com moderação. Também não me apetece manter um inventário de "Estados De Espírito Do Autor", primeiro porque isso não interessa a ninguém, depois porque isso só tem a ver comigo e depois porque nunca se escreve a verdadeira tristeza ou alegria. Só o estado intermédio.
Em resultado desta ausência não foi sem prazer que vi um decréscimo substancial nas visitas (os crentes não desarmam, fico lisongeado), com gente a vir ter a esta casa por uma improvável pesquisa googlesca sobre "mamas grandes" (isto é verdade). Quero garantir a todos, entretanto, que o meu Moleskine quotidiano pulula de boutades fabulosas, aforismos cintilantes, textos sem mácula, ideias relevantes e as restantes banalidades do costume. Assim que puder - e eu estimo que muito em breve - tudo voltará à relativa normalidade. Até já, portanto.
N.M.G.
Poderia sempre postar poemas, ou citações díspares, mas isso é demasiado fácil e deve consumir-se com moderação. Também não me apetece manter um inventário de "Estados De Espírito Do Autor", primeiro porque isso não interessa a ninguém, depois porque isso só tem a ver comigo e depois porque nunca se escreve a verdadeira tristeza ou alegria. Só o estado intermédio.
Em resultado desta ausência não foi sem prazer que vi um decréscimo substancial nas visitas (os crentes não desarmam, fico lisongeado), com gente a vir ter a esta casa por uma improvável pesquisa googlesca sobre "mamas grandes" (isto é verdade). Quero garantir a todos, entretanto, que o meu Moleskine quotidiano pulula de boutades fabulosas, aforismos cintilantes, textos sem mácula, ideias relevantes e as restantes banalidades do costume. Assim que puder - e eu estimo que muito em breve - tudo voltará à relativa normalidade. Até já, portanto.
N.M.G.
quarta-feira, novembro 19, 2003
EM AUDIÇÃO ININTERRUPTA NUM CD PERTO DE MIM Com a luz apagada, o Jameson com uma gota de água. Sinatra, sempre ele, de In the wee small hours of the morning, a saber da minha vida toda quanto canta uma das melhores canções de todos os tempos: Glad To Be Unhappy, de Lorenz Hart e Richard Rodgers. Afinal, há coisas sagradas.
A MELHOR COISA DESDE WATERLOO Eu considero-me um tipo civilizado. Abomino a violência,e acho que se deve evitá-la até ao limite. isso não quer dizer que a ignore, ou que não a compreenda. A propósito do balneário de Clermont-Ferrand, «destruído» pela selecção de sub-21, tenho que dizer que é «lamentável». Mas depois de todas as provocações dos franceses aqui e lá - antes, durante e depois do jogo, com o presidente da câmara local a exigir um controlo anti-doping! - não deve haver um português que não esteja secetamente contente. Corrijo - há um: o meu contentamento é público. Those bloody frogs had it coming, the bastards!
segunda-feira, novembro 17, 2003
MESTRE, FALA POR MIM !
VI
Kick up the fire, and let the flames break lose
To drive the shadows back;
Prolong the talk on this or that excuse,
'Till the night comes to rest
While some high bell is beating two o'clock.
Yet when the guest
Has stepped into the windy street and gone,
Who can confront
The instantaneous grief of being alone?
Or watch the sad increase
Across the mind of this prolific plant,
Dumb idleness ?
de North Ship, Philip Larkin
VI
Kick up the fire, and let the flames break lose
To drive the shadows back;
Prolong the talk on this or that excuse,
'Till the night comes to rest
While some high bell is beating two o'clock.
Yet when the guest
Has stepped into the windy street and gone,
Who can confront
The instantaneous grief of being alone?
Or watch the sad increase
Across the mind of this prolific plant,
Dumb idleness ?
de North Ship, Philip Larkin
sexta-feira, novembro 14, 2003
segunda-feira, novembro 10, 2003
THE WORST KEPT SECRET Ok, OK, eu confesso: traio-me todos os dias com outro blogue. É o ideal para quem gosta do género epistolar, porque se tratam de cartas entre um português que vive em Portugal (eu) e uma portuguesa que vive no Rio de Janeiro e adora (a minha amiga Mónica). A coisa só podia dar contrastes, dado a minha noção de vida ser bastante menos feérica do que a do outro lado do Atlântico. Para quem quiser espreitar (e acha que pode ter algum interesse, e comentar), basta seguir por aqui
quarta-feira, novembro 05, 2003
E AGORA, UM POUCO DE FRIVOLIDADE Numa outra vida fui copy publicitário. A especialização da minha licenciatura é em Marketing. A minha mãe foi directora criativa de várias grandes agências. Tudo razões que me tornam ainda mais doloroso não compreender a nova campanha de outdoors da Renova, onde para se vender papel higiénico se mostra um casal com a líbido óbviamente em alegre ascensão. Eu sei que o produto é ingrato, mas...alguém me dá a ver o briefing criativo, please ? "bom, precisamos baixar o target do papel higiénico, vamos colocar um casal jovem e saudável à beira dos preliminares e...bingo - a classe A-B entre os 18 e 35 anos passa a limpar o rabo ao nosso papel". E pior do que isso, só uma das definições do produto: papel "portátil".Não sei se estão a ver: papel higienico "portátil", as opposed to aquele que era fixo e não se podia levar para lado nenhum. Pensai nisto e dizei-me alguma coisa. Estou às escuras, aqui.
sexta-feira, outubro 31, 2003
NÃO HÁ QUE ENGANAR O meu querido amigo Tomás, psicólogo "quase psicanalista", segundo a sua hilariante descrição, é, como eu e por motivos vários, um amante da Ericeira. Enviou-me há pouco um mail onde diz que conta ir ver amanhã "as ondas de oito a nove metros, como anunciam no teletexto da RTP, página 576". Só para que não haja dúvidas.
AGARREM QUE É LADRÃO Às vezes, por preguiça ou desleixo, procuro noutros lados aquilo que gostaria de dizer, ou contradizer, ou apenas algo de que gosto. Roubei descaradamente este post às chicas do Pepe'R'Us. É um excerto, que é para irem ver o resto.
(...) as perdas não são, de facto curadas pelo tempo, mas são saradas! O tempo ajuda a retomarmos o caminho que achávamos perdido e neste processo, com sorte ou não, inclui-se o encontro com outra ou outras pessoas. A perda é sarada porque a dor da recordação não passará, muitas vezes, na sua totalidade, mas é possível fazer a passagem do nunca mais (que será possivelmente a expressão mais dolorosa da perda, do fim) para o que sempre foi: o eu vivi, ouvi, disse...as recordações que ainda que tragam saudades existem apenas no momento em que aconteceram, sem qualquer pretensão de se instalarem no que vivo, ouço, digo...
Consuelo
(...) as perdas não são, de facto curadas pelo tempo, mas são saradas! O tempo ajuda a retomarmos o caminho que achávamos perdido e neste processo, com sorte ou não, inclui-se o encontro com outra ou outras pessoas. A perda é sarada porque a dor da recordação não passará, muitas vezes, na sua totalidade, mas é possível fazer a passagem do nunca mais (que será possivelmente a expressão mais dolorosa da perda, do fim) para o que sempre foi: o eu vivi, ouvi, disse...as recordações que ainda que tragam saudades existem apenas no momento em que aconteceram, sem qualquer pretensão de se instalarem no que vivo, ouço, digo...
Consuelo
quinta-feira, outubro 30, 2003
O CRIME COMPENSA! Estas meninas já se redimiram. Conheci duas delas no último É cultura, estúpido!. Não lhes bastava escreverem com graça, livres e bem: ainda por cima são bonitas e simpáticas. E escusam de vir dizer que exagero. Eu é que agradeço.
quarta-feira, outubro 29, 2003
ORGULHO NO ESTÁDIO NOVO É hije que o velho Calhabé se transforma definitivamente no Estádio Cidade de Coimbra (um dispensável concerto dos Rolling Stones não é ocasião para ninguém se orgulhar). Hoje a Académica joga com o Benfica, e está prometida casa cheia. Seja qual fôr o resultado (e eu espero que seja vários a zero, a favor do meu clube, o das camisas negras), a partida já está ganha. E por isso, despudoradamente, aqui fica o meu grito da semana, apaixonado e renascido: BRIOOOOSA !
domingo, outubro 26, 2003
LUGARES ONDE Um intervalo na superfície dos dias. Ir revisitar lugares onde nunca se esteve mas que se reconhece, pelo olhar de alguém, pela ausência de alguém. Lugares de que sentimos saudades sem nunca lá termos estado, mas que não conseguem sair da nossa alma, não importa a força com que o tentemos. Lugares, palavras mágicas e tristes, que nos levam ao que queríamos conhecer e que por incúria ou incapacidade, perdemos. Lugares onde queremos um dia voltar, sem nunca de lá termos partido.
MACHICO
Nos altos cimos do aquário atlântico
os barcos acendeiam os outros barcos
deslumbram-se, à distância da vila
no ocre das suas lágrimas. Pelo fim
do mar de maio, quando o negro de uma
traineira
esfuma o incandescente azul.
Viu tudo o que tinha feito até então:
e era muito bom.A luz
dos caranguejos sobre as lapas.
E crescem os ramos cimeiros
e cantam para nós a ilusão que se
apoderados pequenos fortes.
As estreitas ruas da ribeira correm
de margem a margem guardam a indolência
no extremo do cais
a ave ergue o impensado vôo, pássaro
rumo à distante origem,
levanta, atrás de si, incontáveis gerações.
João Miguel Fernandes Jorge
MACHICO
Nos altos cimos do aquário atlântico
os barcos acendeiam os outros barcos
deslumbram-se, à distância da vila
no ocre das suas lágrimas. Pelo fim
do mar de maio, quando o negro de uma
traineira
esfuma o incandescente azul.
Viu tudo o que tinha feito até então:
e era muito bom.A luz
dos caranguejos sobre as lapas.
E crescem os ramos cimeiros
e cantam para nós a ilusão que se
apoderados pequenos fortes.
As estreitas ruas da ribeira correm
de margem a margem guardam a indolência
no extremo do cais
a ave ergue o impensado vôo, pássaro
rumo à distante origem,
levanta, atrás de si, incontáveis gerações.
João Miguel Fernandes Jorge
OBRIGADO Agora que regressei à normalidade, e recomposto dos exagerados encómios que por aí pululam sobre a minha apresentação do diário pipiano, apenas me resta agradecer sinceramente. E lamentar, outra vez, não ter conhecido pessoas que leio e admiro e que lá estiveram. Fui assim um desapontamento tão grande, ou mera timidez ? Também estou a falar convosco, meninas!
terça-feira, outubro 21, 2003
AMANHÃ É dia de O Meu Pipi. O lançamento é às nove horas, no Maxime de Lisboa (pr.da Alegria), e este vosso criado foi desafiado a apresentar o opúsculo, talvez a maior piada que o autor fez até hoje. Apareçam - embora tenha a certeza que meia blogosfera irá lá estar. Isso, para citar o autor de eleição do sector esclarecido destas vidas, é o «óbvio ululante».
ALGUMAS NOTAS DO BRASIL
* REALITY SHOW Estou na esplanada de um restaurante, em plena Avenida Atlântica, Copacabana. Desde que aqui estou já vi exibições de capoeira, vendedores de pareos com o desenho do «Calçadão» e um negro vestido com o equipamento da selecção braileira que faz habilidades com uma bola enquanto apita e canta. A sobrevivência, neste país, é mais uma forma de entretenimento.
*JÁ REPARARAM QUE ...No cruzamento da Joaquim Nabuco com a Vieira de Souto, encontro o sinal:«Atenção: alto índice de acidentes». O que se deve fazer perante isto? Agradecer por partilharem connosco a informação ? Atravessar a rua de costas e de olhos fechados nas outras zonas em que, supostamente, têm «baixo índice de acidentes»? Agora sei onde Santana Lopes foi buscar as suas ideias de outdoors.
*GAROTAS DE IPANEMA Almoço no Garota de Ipanema, antigo Veloso, onde Vinicius e António Carlos Jobim vislumbraram a moça da canção (na verdade lançavam-lhe piropos sentidos todos os dias). Da antiga atmosfera boémia, nada. De garotas, também não. Mas de repente entram quatro raparigas. Uma delas ostenta uma mini t-shirt com os dizeres Academia Sempre Em Forma Percebo. Tem esse direito.as amigas também. Aproveitando uma frase que vi numa sitcom, parecem quatro anjos que caíram do céu agarrados a um poste de metal.
*E ESTAVA BEM DISPOSTO,JURO Vejo passar, sob um calor imenso, um jovem de cabelos compridos, tronco nú, musculado. Emana um insustentável odor a saúde. E tem o corpo tatuado com frases profundas como "Rebel Yell" e animais simbólicos barrocos. Contrariando o céu que grita de azul, penso que este sujeito irá ser, um dia, a anedota da sala de autópsias.
* REALITY SHOW Estou na esplanada de um restaurante, em plena Avenida Atlântica, Copacabana. Desde que aqui estou já vi exibições de capoeira, vendedores de pareos com o desenho do «Calçadão» e um negro vestido com o equipamento da selecção braileira que faz habilidades com uma bola enquanto apita e canta. A sobrevivência, neste país, é mais uma forma de entretenimento.
*JÁ REPARARAM QUE ...No cruzamento da Joaquim Nabuco com a Vieira de Souto, encontro o sinal:«Atenção: alto índice de acidentes». O que se deve fazer perante isto? Agradecer por partilharem connosco a informação ? Atravessar a rua de costas e de olhos fechados nas outras zonas em que, supostamente, têm «baixo índice de acidentes»? Agora sei onde Santana Lopes foi buscar as suas ideias de outdoors.
*GAROTAS DE IPANEMA Almoço no Garota de Ipanema, antigo Veloso, onde Vinicius e António Carlos Jobim vislumbraram a moça da canção (na verdade lançavam-lhe piropos sentidos todos os dias). Da antiga atmosfera boémia, nada. De garotas, também não. Mas de repente entram quatro raparigas. Uma delas ostenta uma mini t-shirt com os dizeres Academia Sempre Em Forma Percebo. Tem esse direito.as amigas também. Aproveitando uma frase que vi numa sitcom, parecem quatro anjos que caíram do céu agarrados a um poste de metal.
*E ESTAVA BEM DISPOSTO,JURO Vejo passar, sob um calor imenso, um jovem de cabelos compridos, tronco nú, musculado. Emana um insustentável odor a saúde. E tem o corpo tatuado com frases profundas como "Rebel Yell" e animais simbólicos barrocos. Contrariando o céu que grita de azul, penso que este sujeito irá ser, um dia, a anedota da sala de autópsias.
quarta-feira, outubro 15, 2003
Amigos: o tradutor de serviço está de partida para o Rio de Janeiro, onde irá estar de, hum, serviço. Mas promete regressar, se conseguir dominar a atitude neo-colonial e não disser mal do Lula em público.
A sério. É um privilégio, e espero conviver com Fátima Felgueiras. E quando voltar vou direitinho para o Maxime em Lisboa, onde terei a honra de apresentar o opus primeiro d'O Meu Pipi, versão em papel. Mas nisso ainda falaremos mais tarde. Até já.
NMG
A sério. É um privilégio, e espero conviver com Fátima Felgueiras. E quando voltar vou direitinho para o Maxime em Lisboa, onde terei a honra de apresentar o opus primeiro d'O Meu Pipi, versão em papel. Mas nisso ainda falaremos mais tarde. Até já.
NMG
segunda-feira, outubro 13, 2003
ANIVERSÁRIO Há dias fiz 39 anos. Nada de dramático ou excitante, só mais um ano. E embora eu me sinta cada vez mais próximo do Prufrock ("I grow old...I shall wear the bottom of my trousers rolled"), vêm outros dias em que dou mais para o Maurice Chevalier no Gigi, cantarolando o I'm glad I'm not young anymore. Certezas, só uma: tenho 39 anos, mas não chega.
quarta-feira, outubro 08, 2003
MAS COMO DE COSTUME, É A POESIA QUE SALVA O DIA (cap.45) De um dos melhores poetas contemporâneos, José Tolentino Mendonça (podem encontrá-lo aqui.
Se me puderes ouvir
O poder ainda puro das tuas mãos
é mesmo agora o que mais me comove
descobrem devagar um destino que passa
e não passa por aqui
à mesa do café trocamos palavras
que trazem harmonias
tantas vezes negadas:
aquilo que nem ao vento sequer segredamos
mas hoje se me puderes ouvir
recomeça, medita numa viagem longa
ou num amor
talvez o mais belo
Se me puderes ouvir
O poder ainda puro das tuas mãos
é mesmo agora o que mais me comove
descobrem devagar um destino que passa
e não passa por aqui
à mesa do café trocamos palavras
que trazem harmonias
tantas vezes negadas:
aquilo que nem ao vento sequer segredamos
mas hoje se me puderes ouvir
recomeça, medita numa viagem longa
ou num amor
talvez o mais belo
segunda-feira, outubro 06, 2003
DISCOS DO ANO O sempre atento e felizmente comprometido espectador contesta ao de leve a minha escolha de Want One, de Rufus Wainwright, para disco do ano. Eu percebo: o ano ainda não acabou, e houve certamente mais discos. Mas estas coisas, na música pop, valem o que valem. Onde se lê:"o melhor disco do ano", deverá ler-se "o melhor disco do ano da semana". O tempo é que se encarrega do resto.
Agora, que o disco é bom, é. Não sei se é melhor do que Poses. Mas sei que a sua beleza vem por ser precisamente o pós-estado de graça. Depois de Poses (soberbo, lembre-se) , Wainwright ficou famoso e perdeu-se. Este espantoso renascimento - mesmo com camp à mistura, o que eu não concordo - é a prova de que ali há solidez. E, incrivelmente, a escrita do homem melhorou.
E já que estou a falar do excelente espectador, aconselho vivamente a leitura do seu post sobre o 5 de Outubro, a democracia e a sua chegada.
Agora, que o disco é bom, é. Não sei se é melhor do que Poses. Mas sei que a sua beleza vem por ser precisamente o pós-estado de graça. Depois de Poses (soberbo, lembre-se) , Wainwright ficou famoso e perdeu-se. Este espantoso renascimento - mesmo com camp à mistura, o que eu não concordo - é a prova de que ali há solidez. E, incrivelmente, a escrita do homem melhorou.
E já que estou a falar do excelente espectador, aconselho vivamente a leitura do seu post sobre o 5 de Outubro, a democracia e a sua chegada.
NADA COMO CAMÕES PARA ARREBITAR OS CORAÇÕES E muito pouco é tão bom.
Tanto de meu estado me acho incerto
Tanto de meu estado me acho incerto,
que em vivo ardor tremendo estou de frio;
sem causa, juntamente choro e rio,
o mundo todo abarco e nada aperto.
É tudo quanto sinto, um desconcerto;
da alma um fogo me sai, da vista um rio;
agora espero, agora desconfio,
agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao Céu voando,
numa hora acho mil anos, e é de jeito
que em mil anos não posso achar uma hora.
Se me pergunta alguém porque assi ando,
respondo que não sei; porém suspeito
que só porque vos vi, minha Senhora.
Tanto de meu estado me acho incerto
Tanto de meu estado me acho incerto,
que em vivo ardor tremendo estou de frio;
sem causa, juntamente choro e rio,
o mundo todo abarco e nada aperto.
É tudo quanto sinto, um desconcerto;
da alma um fogo me sai, da vista um rio;
agora espero, agora desconfio,
agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao Céu voando,
numa hora acho mil anos, e é de jeito
que em mil anos não posso achar uma hora.
Se me pergunta alguém porque assi ando,
respondo que não sei; porém suspeito
que só porque vos vi, minha Senhora.
sábado, outubro 04, 2003
quarta-feira, outubro 01, 2003
VERSOS Encontrei estes quatro lindissimos versos de Walter Savage Landor. Embora na sua essência, o poema tenha a ver com um amor - um desejo, também - que o poeta se esforça por matar e se resigna nessa impossibilidade, ele aplica-se também à vida, numa inesperada aproximação schopenhaueriana que muito me agrada.O poema é por mim dedicado a C.
My hopes retire; my wishes as before
Struggle to find their resting place in vain:
The ebbing sea thus beats against the shore;
The shore repels it; it returns again.
Walter Savage Landor
My hopes retire; my wishes as before
Struggle to find their resting place in vain:
The ebbing sea thus beats against the shore;
The shore repels it; it returns again.
Walter Savage Landor
CENAS DE UM CASAMENTO 3 O meu amigo Chalabi, de pé sobre o seu caixote de ameixas, corrige -e bem - a declaração do nosso marxista de estimação: de facto o que ele disse foi mesmo "Onde está a minha cascata de gambas?", o que por si só diz bastante sobre o futuro da luta de classes.
Quanto ao terceiro blogger presente (os outros dois éramos nós), tratava-se nem mais nem menos do que o estimado Manuel Falcão.
Quanto ao terceiro blogger presente (os outros dois éramos nós), tratava-se nem mais nem menos do que o estimado Manuel Falcão.
segunda-feira, setembro 29, 2003
CENAS DE UM CASAMENTO 2 Como é hábito nestes eventos, revêem-se velhas amizades que a vida foi mais ou menos separando. Nesta matéria, gostei muito de rever o último dos burgueses marxistas, nado e criado na Avenida de Roma e que persiste, apesar de todas as evidências, em acreditar num paraíso na Terra. Tudo isto seria maçador se o individuo em questão não tivesse muita graça. E foi vê-lo, durante o jantar, lançando diatribes contra "estas festas burguesas", e, ao ver o colunista Vasco Rato deixar a sala, lançar um grito de "O Rato é sempre o primeiro a abandonar o navio!".
No entanto, nada superou a sua imagem de opulência capitalista: "Esta festa é um insulto aos trabalhadores ! Champanhe, muita comida….Onde está a cascata de gambas ?"
No entanto, nada superou a sua imagem de opulência capitalista: "Esta festa é um insulto aos trabalhadores ! Champanhe, muita comida….Onde está a cascata de gambas ?"
CENAS DE UM CASAMENTO 1 Fui, no último sábado, a um jantar de casamento de um amigo. Como o noivo é diplomata, a sala estava repleta de "personalidades" políticas (a começar pelo Chefe de Estado), colunistas, jornalistas, músicos, embaixadores, administradores, presidentes da câmara e outros. Mas mais importante do que isso: naquela sala, e que eu reconhecesse, estavam três bloggers.
MANCHA BRANCA A Marcha Branca (que ficará para a história como a maior exportação belga para o nosso país) já exalava um inconfundível odor a demagogia desde o seu anúncio, independentemente da sinceridade de intenções dos seus participantes (é dificil não se ser "contra" a pedofilia). Mas digam-me, digam-me que é mentira que o povo gritou em uníssono "Rui Tei-xei-ra! Rui Tei-xei-ra!". Disto às milicias, é um passo de criança.
quarta-feira, setembro 24, 2003
A POESIA É QUE SALVA O DIA Já tinha saudades de colocar um poema aqui no Tradução. Foi de resto algo que deu um pouco de personalidade ao blogue, quando já há algum tempo, num acesso de extrema modéstia, achei que o universo estaria interessado nas minhas idiossincrassias. Este é um dos meus favoritos, de um poeta que muito admiro e que tive a sorte de ver e ouvir live in Dublin, em 1995. É a mais bonita justificação para o oficio de poeta que conheço.
PERSONAL HELICON, de Seamus Heaney
As a child, they could not keep me from wells
And old pumps with buckets and windlasses.
I loved the dark drop, the trapped sky, the smells
Of waterweed, fungus and dank moss.
One, in a brickyard, with a rotted board top.
I savoured the rich crash when a bucket
Plummeted down at the end of a rope.
So deep you saw no reflection in it.
A shallow one under a dry stone ditch
Fructified like any aquarium.
When you dragged out long roots from the soft mulch
A white face hovered over the bottom.
Others had echoes, gave back your own call
With a clean new music in it. And one
Was scaresome, for there, out of ferns and tall
Foxgloves, a rat slapped across my reflection.
Now, to pry into roots, to finger slime,
To stare, big-eyed Narcissus, into some spring
Is beneath all adult dignity. I rhyme
To see myself, to set the darkness echoing.
PERSONAL HELICON, de Seamus Heaney
As a child, they could not keep me from wells
And old pumps with buckets and windlasses.
I loved the dark drop, the trapped sky, the smells
Of waterweed, fungus and dank moss.
One, in a brickyard, with a rotted board top.
I savoured the rich crash when a bucket
Plummeted down at the end of a rope.
So deep you saw no reflection in it.
A shallow one under a dry stone ditch
Fructified like any aquarium.
When you dragged out long roots from the soft mulch
A white face hovered over the bottom.
Others had echoes, gave back your own call
With a clean new music in it. And one
Was scaresome, for there, out of ferns and tall
Foxgloves, a rat slapped across my reflection.
Now, to pry into roots, to finger slime,
To stare, big-eyed Narcissus, into some spring
Is beneath all adult dignity. I rhyme
To see myself, to set the darkness echoing.
CENAS DO MUNDO DA ALTA FINANÇA Eu e os meus sócios fomos ao banco (parece um título da série Anita:"Os sócios vão ao banco"). O sobreamável funcionário começa a explicar detalhadamente as vantagens de um espantoso programa informático de gestão.
O único de nós que conseguiu ficar acordado disse: "Eu não quero isso em minha casa!"
Temos mais hipóteses de ficar milionários jogando uma só vez no Totoloto.
O único de nós que conseguiu ficar acordado disse: "Eu não quero isso em minha casa!"
Temos mais hipóteses de ficar milionários jogando uma só vez no Totoloto.
segunda-feira, setembro 22, 2003
FIQUEI TÃO TRISTE...Como é que a Charlotte não gosta do sublime The Office ? Vá lá, give it another try...
DISCO DO ANO ? DISCO DO ANO! Já aqui tinha ameaçado, mas digo agora sem vergonha: Want One, de Rufus Wainwright, é o disco do ano. Para quem gosta de canções - melodias que embrulham palavras com principio meio e fim - este é o antídoto perfeito. Como é que se pode misturar Cole porter, Ravel, Schubert, rock, country e sobreviver para contar a história ? As letras são extraordinárias e Dinner At Eight ou Go Or Go Ahead os momentos mais emocionais a que fui sujeito nos últimos tempos. E há a ironia erudita de Wainwright, a todo o vapor:
My phone's on vibrate for you
Electroclash is karaoke too
I tried to dance Britney Spears
I guess I must be getting on my years
ou
Start giving me something
A love that lasts longer than a day
ou
Thank you for this bitter knowledge
Guardian angels who left me stranded
It was worth it, feeling abandoned
Makes one hardened but what has happened to love
ou...
My phone's on vibrate for you
Electroclash is karaoke too
I tried to dance Britney Spears
I guess I must be getting on my years
ou
Start giving me something
A love that lasts longer than a day
ou
Thank you for this bitter knowledge
Guardian angels who left me stranded
It was worth it, feeling abandoned
Makes one hardened but what has happened to love
ou...
quarta-feira, setembro 17, 2003
JORNAL DE NEGÓCIOS Ontem tornei-me oficialmente "sócio-gerente" de uma empresa, responsabilidade aterradora que partlho com dois amigos meus. Foi espantoso como a pachorrenta burocracia nacional dizimou qualquer esperança de alegria ou comemoração do acontecimento: um foi para casa ver o Porto-Partizan, o outro a um cocktail, e eu para casa dormir. Nunca seremos Belmiros ou Champalimauds.
A QUEM POSSA INTERESSAR Amanhã, por volta das 18.30, na FNAC-Chiado em Lisboa, Rodrigo Leão vai estar no café para comentar e antecipar o que será o encerramento da digressão Pasión. Vai também ser projectado um pequeno "documentário" sobre a digressão. A má notícia é que eu também irei lá estar, para ajudar à conversa e tecer inanes considerações. Se mesmo assim quiserem aparecer, fica o convite. Se a coisa correr mal, há sempre os livros e os discos.
Para quem quiser ir aos concertos, aviso que só há bilhetes para domingo, dia 21, data extra. Mas aconselho a porfiar, que vai valer a pena.
Para quem quiser ir aos concertos, aviso que só há bilhetes para domingo, dia 21, data extra. Mas aconselho a porfiar, que vai valer a pena.
segunda-feira, setembro 15, 2003
E NÃO SE PODE...Tomei agora conhecimento do mail odioso que o Pedro Mexia recebeu. Confesso que nestes momentos amaldiçoo a liberdade.

