segunda-feira, novembro 24, 2003

AVISO À NAVEGAÇÃO Caros, caras: por excesso ou defeito de vida própria não tenho tido oportunidade de actualizar o Tradução. What else is new ?, perguntarão os mais perspicazes. Oh, go away, respondo eu. Adiante.
Poderia sempre postar poemas, ou citações díspares, mas isso é demasiado fácil e deve consumir-se com moderação. Também não me apetece manter um inventário de "Estados De Espírito Do Autor", primeiro porque isso não interessa a ninguém, depois porque isso só tem a ver comigo e depois porque nunca se escreve a verdadeira tristeza ou alegria. Só o estado intermédio.
Em resultado desta ausência não foi sem prazer que vi um decréscimo substancial nas visitas (os crentes não desarmam, fico lisongeado), com gente a vir ter a esta casa por uma improvável pesquisa googlesca sobre "mamas grandes" (isto é verdade). Quero garantir a todos, entretanto, que o meu Moleskine quotidiano pulula de boutades fabulosas, aforismos cintilantes, textos sem mácula, ideias relevantes e as restantes banalidades do costume. Assim que puder - e eu estimo que muito em breve - tudo voltará à relativa normalidade. Até já, portanto.

N.M.G.

quarta-feira, novembro 19, 2003

EM AUDIÇÃO ININTERRUPTA NUM CD PERTO DE MIM Com a luz apagada, o Jameson com uma gota de água. Sinatra, sempre ele, de In the wee small hours of the morning, a saber da minha vida toda quanto canta uma das melhores canções de todos os tempos: Glad To Be Unhappy, de Lorenz Hart e Richard Rodgers. Afinal, há coisas sagradas.
MAIS UM QUE FOI ANDANDO PARA O GRANDE BAR DO CÉU Até já, Manel.
A MELHOR COISA DESDE WATERLOO Eu considero-me um tipo civilizado. Abomino a violência,e acho que se deve evitá-la até ao limite. isso não quer dizer que a ignore, ou que não a compreenda. A propósito do balneário de Clermont-Ferrand, «destruído» pela selecção de sub-21, tenho que dizer que é «lamentável». Mas depois de todas as provocações dos franceses aqui e lá - antes, durante e depois do jogo, com o presidente da câmara local a exigir um controlo anti-doping! - não deve haver um português que não esteja secetamente contente. Corrijo - há um: o meu contentamento é público. Those bloody frogs had it coming, the bastards!

segunda-feira, novembro 17, 2003

MESTRE, FALA POR MIM !

VI
Kick up the fire, and let the flames break lose
To drive the shadows back;
Prolong the talk on this or that excuse,
'Till the night comes to rest
While some high bell is beating two o'clock.
Yet when the guest
Has stepped into the windy street and gone,
Who can confront
The instantaneous grief of being alone?
Or watch the sad increase
Across the mind of this prolific plant,
Dumb idleness ?

de North Ship, Philip Larkin
PORTUGAL, MEU PAÍS MEU GERÚNDIO Um pequeno diálogo real, ouvido num supermercado:
-Sabes o PIN do teu telemóvel ?
-Vou sabendo.

sexta-feira, novembro 14, 2003

DIAS NO MEU DESERTO Ir para a frente.Avançar sem saber porquê, sem deixar o que ficou para trás.Progredir cego, unifacetado, irreversível.Convicto, como alguém que sabe o que quer, que sabe o que não quer. Não parar.Não olhar.Não lembrar.E para onde, sobretudo: não saber.
RIDING THROUGH THE NET Uma amiga que muito estimo apelida-me com o extraordinário nome de Robin dos Blogues. Não corresponde, mas é muito bom!

segunda-feira, novembro 10, 2003

MOTTO ROUBADO

Those who will not reason
Perish in the act;
Those who will not act
Perish for that reason.

W.H.Auden
GOSTO SEMPRE DE VOLTAR A ESTES DITOS «Há esta distinção entre o dito e o escrito: uma coisa vem por graça, e outra morre sem ela»
A arte da galantaria, D. Francisco de Portugal
THE WORST KEPT SECRET Ok, OK, eu confesso: traio-me todos os dias com outro blogue. É o ideal para quem gosta do género epistolar, porque se tratam de cartas entre um português que vive em Portugal (eu) e uma portuguesa que vive no Rio de Janeiro e adora (a minha amiga Mónica). A coisa só podia dar contrastes, dado a minha noção de vida ser bastante menos feérica do que a do outro lado do Atlântico. Para quem quiser espreitar (e acha que pode ter algum interesse, e comentar), basta seguir por aqui

quarta-feira, novembro 05, 2003

E AGORA, UM POUCO DE FRIVOLIDADE Numa outra vida fui copy publicitário. A especialização da minha licenciatura é em Marketing. A minha mãe foi directora criativa de várias grandes agências. Tudo razões que me tornam ainda mais doloroso não compreender a nova campanha de outdoors da Renova, onde para se vender papel higiénico se mostra um casal com a líbido óbviamente em alegre ascensão. Eu sei que o produto é ingrato, mas...alguém me dá a ver o briefing criativo, please ? "bom, precisamos baixar o target do papel higiénico, vamos colocar um casal jovem e saudável à beira dos preliminares e...bingo - a classe A-B entre os 18 e 35 anos passa a limpar o rabo ao nosso papel". E pior do que isso, só uma das definições do produto: papel "portátil".Não sei se estão a ver: papel higienico "portátil", as opposed to aquele que era fixo e não se podia levar para lado nenhum. Pensai nisto e dizei-me alguma coisa. Estou às escuras, aqui.
I'M BAAAAAACK...

sexta-feira, outubro 31, 2003

NÃO HÁ QUE ENGANAR O meu querido amigo Tomás, psicólogo "quase psicanalista", segundo a sua hilariante descrição, é, como eu e por motivos vários, um amante da Ericeira. Enviou-me há pouco um mail onde diz que conta ir ver amanhã "as ondas de oito a nove metros, como anunciam no teletexto da RTP, página 576". Só para que não haja dúvidas.
AGARREM QUE É LADRÃO Às vezes, por preguiça ou desleixo, procuro noutros lados aquilo que gostaria de dizer, ou contradizer, ou apenas algo de que gosto. Roubei descaradamente este post às chicas do Pepe'R'Us. É um excerto, que é para irem ver o resto.

(...) as perdas não são, de facto curadas pelo tempo, mas são saradas! O tempo ajuda a retomarmos o caminho que achávamos perdido e neste processo, com sorte ou não, inclui-se o encontro com outra ou outras pessoas. A perda é sarada porque a dor da recordação não passará, muitas vezes, na sua totalidade, mas é possível fazer a passagem do nunca mais (que será possivelmente a expressão mais dolorosa da perda, do fim) para o que sempre foi: o eu vivi, ouvi, disse...as recordações que ainda que tragam saudades existem apenas no momento em que aconteceram, sem qualquer pretensão de se instalarem no que vivo, ouço, digo...

Consuelo

quinta-feira, outubro 30, 2003

RECADO EM QUE ACREDITO

Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração
Esse não vai ter perdão

Como dizia o poeta, Vinicius de Moraes
O CRIME COMPENSA! Estas meninas já se redimiram. Conheci duas delas no último É cultura, estúpido!. Não lhes bastava escreverem com graça, livres e bem: ainda por cima são bonitas e simpáticas. E escusam de vir dizer que exagero. Eu é que agradeço.

quarta-feira, outubro 29, 2003

ORGULHO NO ESTÁDIO NOVO É hije que o velho Calhabé se transforma definitivamente no Estádio Cidade de Coimbra (um dispensável concerto dos Rolling Stones não é ocasião para ninguém se orgulhar). Hoje a Académica joga com o Benfica, e está prometida casa cheia. Seja qual fôr o resultado (e eu espero que seja vários a zero, a favor do meu clube, o das camisas negras), a partida já está ganha. E por isso, despudoradamente, aqui fica o meu grito da semana, apaixonado e renascido: BRIOOOOSA !

domingo, outubro 26, 2003

LUGARES ONDE Um intervalo na superfície dos dias. Ir revisitar lugares onde nunca se esteve mas que se reconhece, pelo olhar de alguém, pela ausência de alguém. Lugares de que sentimos saudades sem nunca lá termos estado, mas que não conseguem sair da nossa alma, não importa a força com que o tentemos. Lugares, palavras mágicas e tristes, que nos levam ao que queríamos conhecer e que por incúria ou incapacidade, perdemos. Lugares onde queremos um dia voltar, sem nunca de lá termos partido.

MACHICO

Nos altos cimos do aquário atlântico
os barcos acendeiam os outros barcos
deslumbram-se, à distância da vila
no ocre das suas lágrimas. Pelo fim
do mar de maio, quando o negro de uma
traineira
esfuma o incandescente azul.
Viu tudo o que tinha feito até então:
e era muito bom.A luz
dos caranguejos sobre as lapas.
E crescem os ramos cimeiros
e cantam para nós a ilusão que se
apoderados pequenos fortes.
As estreitas ruas da ribeira correm
de margem a margem guardam a indolência
no extremo do cais
a ave ergue o impensado vôo, pássaro
rumo à distante origem,
levanta, atrás de si, incontáveis gerações.

João Miguel Fernandes Jorge
OBRIGADO Agora que regressei à normalidade, e recomposto dos exagerados encómios que por aí pululam sobre a minha apresentação do diário pipiano, apenas me resta agradecer sinceramente. E lamentar, outra vez, não ter conhecido pessoas que leio e admiro e que lá estiveram. Fui assim um desapontamento tão grande, ou mera timidez ? Também estou a falar convosco, meninas!