VERSOS Encontrei estes quatro lindissimos versos de Walter Savage Landor. Embora na sua essência, o poema tenha a ver com um amor - um desejo, também - que o poeta se esforça por matar e se resigna nessa impossibilidade, ele aplica-se também à vida, numa inesperada aproximação schopenhaueriana que muito me agrada.O poema é por mim dedicado a C.
My hopes retire; my wishes as before
Struggle to find their resting place in vain:
The ebbing sea thus beats against the shore;
The shore repels it; it returns again.
Walter Savage Landor
quarta-feira, outubro 01, 2003
CENAS DE UM CASAMENTO 3 O meu amigo Chalabi, de pé sobre o seu caixote de ameixas, corrige -e bem - a declaração do nosso marxista de estimação: de facto o que ele disse foi mesmo "Onde está a minha cascata de gambas?", o que por si só diz bastante sobre o futuro da luta de classes.
Quanto ao terceiro blogger presente (os outros dois éramos nós), tratava-se nem mais nem menos do que o estimado Manuel Falcão.
Quanto ao terceiro blogger presente (os outros dois éramos nós), tratava-se nem mais nem menos do que o estimado Manuel Falcão.
segunda-feira, setembro 29, 2003
CENAS DE UM CASAMENTO 2 Como é hábito nestes eventos, revêem-se velhas amizades que a vida foi mais ou menos separando. Nesta matéria, gostei muito de rever o último dos burgueses marxistas, nado e criado na Avenida de Roma e que persiste, apesar de todas as evidências, em acreditar num paraíso na Terra. Tudo isto seria maçador se o individuo em questão não tivesse muita graça. E foi vê-lo, durante o jantar, lançando diatribes contra "estas festas burguesas", e, ao ver o colunista Vasco Rato deixar a sala, lançar um grito de "O Rato é sempre o primeiro a abandonar o navio!".
No entanto, nada superou a sua imagem de opulência capitalista: "Esta festa é um insulto aos trabalhadores ! Champanhe, muita comida….Onde está a cascata de gambas ?"
No entanto, nada superou a sua imagem de opulência capitalista: "Esta festa é um insulto aos trabalhadores ! Champanhe, muita comida….Onde está a cascata de gambas ?"
CENAS DE UM CASAMENTO 1 Fui, no último sábado, a um jantar de casamento de um amigo. Como o noivo é diplomata, a sala estava repleta de "personalidades" políticas (a começar pelo Chefe de Estado), colunistas, jornalistas, músicos, embaixadores, administradores, presidentes da câmara e outros. Mas mais importante do que isso: naquela sala, e que eu reconhecesse, estavam três bloggers.
MANCHA BRANCA A Marcha Branca (que ficará para a história como a maior exportação belga para o nosso país) já exalava um inconfundível odor a demagogia desde o seu anúncio, independentemente da sinceridade de intenções dos seus participantes (é dificil não se ser "contra" a pedofilia). Mas digam-me, digam-me que é mentira que o povo gritou em uníssono "Rui Tei-xei-ra! Rui Tei-xei-ra!". Disto às milicias, é um passo de criança.
quarta-feira, setembro 24, 2003
A POESIA É QUE SALVA O DIA Já tinha saudades de colocar um poema aqui no Tradução. Foi de resto algo que deu um pouco de personalidade ao blogue, quando já há algum tempo, num acesso de extrema modéstia, achei que o universo estaria interessado nas minhas idiossincrassias. Este é um dos meus favoritos, de um poeta que muito admiro e que tive a sorte de ver e ouvir live in Dublin, em 1995. É a mais bonita justificação para o oficio de poeta que conheço.
PERSONAL HELICON, de Seamus Heaney
As a child, they could not keep me from wells
And old pumps with buckets and windlasses.
I loved the dark drop, the trapped sky, the smells
Of waterweed, fungus and dank moss.
One, in a brickyard, with a rotted board top.
I savoured the rich crash when a bucket
Plummeted down at the end of a rope.
So deep you saw no reflection in it.
A shallow one under a dry stone ditch
Fructified like any aquarium.
When you dragged out long roots from the soft mulch
A white face hovered over the bottom.
Others had echoes, gave back your own call
With a clean new music in it. And one
Was scaresome, for there, out of ferns and tall
Foxgloves, a rat slapped across my reflection.
Now, to pry into roots, to finger slime,
To stare, big-eyed Narcissus, into some spring
Is beneath all adult dignity. I rhyme
To see myself, to set the darkness echoing.
PERSONAL HELICON, de Seamus Heaney
As a child, they could not keep me from wells
And old pumps with buckets and windlasses.
I loved the dark drop, the trapped sky, the smells
Of waterweed, fungus and dank moss.
One, in a brickyard, with a rotted board top.
I savoured the rich crash when a bucket
Plummeted down at the end of a rope.
So deep you saw no reflection in it.
A shallow one under a dry stone ditch
Fructified like any aquarium.
When you dragged out long roots from the soft mulch
A white face hovered over the bottom.
Others had echoes, gave back your own call
With a clean new music in it. And one
Was scaresome, for there, out of ferns and tall
Foxgloves, a rat slapped across my reflection.
Now, to pry into roots, to finger slime,
To stare, big-eyed Narcissus, into some spring
Is beneath all adult dignity. I rhyme
To see myself, to set the darkness echoing.
CENAS DO MUNDO DA ALTA FINANÇA Eu e os meus sócios fomos ao banco (parece um título da série Anita:"Os sócios vão ao banco"). O sobreamável funcionário começa a explicar detalhadamente as vantagens de um espantoso programa informático de gestão.
O único de nós que conseguiu ficar acordado disse: "Eu não quero isso em minha casa!"
Temos mais hipóteses de ficar milionários jogando uma só vez no Totoloto.
O único de nós que conseguiu ficar acordado disse: "Eu não quero isso em minha casa!"
Temos mais hipóteses de ficar milionários jogando uma só vez no Totoloto.
segunda-feira, setembro 22, 2003
FIQUEI TÃO TRISTE...Como é que a Charlotte não gosta do sublime The Office ? Vá lá, give it another try...
DISCO DO ANO ? DISCO DO ANO! Já aqui tinha ameaçado, mas digo agora sem vergonha: Want One, de Rufus Wainwright, é o disco do ano. Para quem gosta de canções - melodias que embrulham palavras com principio meio e fim - este é o antídoto perfeito. Como é que se pode misturar Cole porter, Ravel, Schubert, rock, country e sobreviver para contar a história ? As letras são extraordinárias e Dinner At Eight ou Go Or Go Ahead os momentos mais emocionais a que fui sujeito nos últimos tempos. E há a ironia erudita de Wainwright, a todo o vapor:
My phone's on vibrate for you
Electroclash is karaoke too
I tried to dance Britney Spears
I guess I must be getting on my years
ou
Start giving me something
A love that lasts longer than a day
ou
Thank you for this bitter knowledge
Guardian angels who left me stranded
It was worth it, feeling abandoned
Makes one hardened but what has happened to love
ou...
My phone's on vibrate for you
Electroclash is karaoke too
I tried to dance Britney Spears
I guess I must be getting on my years
ou
Start giving me something
A love that lasts longer than a day
ou
Thank you for this bitter knowledge
Guardian angels who left me stranded
It was worth it, feeling abandoned
Makes one hardened but what has happened to love
ou...
quarta-feira, setembro 17, 2003
JORNAL DE NEGÓCIOS Ontem tornei-me oficialmente "sócio-gerente" de uma empresa, responsabilidade aterradora que partlho com dois amigos meus. Foi espantoso como a pachorrenta burocracia nacional dizimou qualquer esperança de alegria ou comemoração do acontecimento: um foi para casa ver o Porto-Partizan, o outro a um cocktail, e eu para casa dormir. Nunca seremos Belmiros ou Champalimauds.
A QUEM POSSA INTERESSAR Amanhã, por volta das 18.30, na FNAC-Chiado em Lisboa, Rodrigo Leão vai estar no café para comentar e antecipar o que será o encerramento da digressão Pasión. Vai também ser projectado um pequeno "documentário" sobre a digressão. A má notícia é que eu também irei lá estar, para ajudar à conversa e tecer inanes considerações. Se mesmo assim quiserem aparecer, fica o convite. Se a coisa correr mal, há sempre os livros e os discos.
Para quem quiser ir aos concertos, aviso que só há bilhetes para domingo, dia 21, data extra. Mas aconselho a porfiar, que vai valer a pena.
Para quem quiser ir aos concertos, aviso que só há bilhetes para domingo, dia 21, data extra. Mas aconselho a porfiar, que vai valer a pena.
segunda-feira, setembro 15, 2003
E NÃO SE PODE...Tomei agora conhecimento do mail odioso que o Pedro Mexia recebeu. Confesso que nestes momentos amaldiçoo a liberdade.
TEMOS O FLASH, MAS ONDE ESTÁ A MOB ? Leio com indisfarçável agrado que a primeira flash-mob prevista para Lisboa ( esse happening de segunda, em que várias pessoas combinam encontrar-se num determinado local para acenarem para uma câmara), dizia, a primeira flash mob teve como participantes...3 infelizes que ninguém conseguiu avisar de modo a que não fizessem figura de ursos. Para além destes três estarolas, próximo da Assembleia da República (até o local é à portuguesa, "simbólico") só estavam uma vintena de polícias destacados para o efeito e claro, vários fotógrafos que provavelmente devem ter tirado retratos aos agentes. São fracassos como este que me fazem acreditar na sensatez do povo português (enfim, os nús de Santa Maria da Feira é outra história). Agora só falta abandonar o modismo hippie do bookcrossing.
REGRESSO ÀS AULAS Hoje fui levar dois dos meus filhos para um novo passo na vida deles: a mais velha, pela primeira vez na Primária. O do meio, na pré-primária, pela primeira vez na mesma escola da irmã. E quem me pode dizer o que era aquilo que senti, aquela indizivel mistura de orgulho, ternura e um irredutível desejo de me sentar numa carteira e começar tudo outra vez, ao lado deles?

