A POESIA É QUE SALVA O DIA Já tinha saudades de colocar um poema aqui no Tradução. Foi de resto algo que deu um pouco de personalidade ao blogue, quando já há algum tempo, num acesso de extrema modéstia, achei que o universo estaria interessado nas minhas idiossincrassias. Este é um dos meus favoritos, de um poeta que muito admiro e que tive a sorte de ver e ouvir live in Dublin, em 1995. É a mais bonita justificação para o oficio de poeta que conheço.
PERSONAL HELICON, de Seamus Heaney
As a child, they could not keep me from wells
And old pumps with buckets and windlasses.
I loved the dark drop, the trapped sky, the smells
Of waterweed, fungus and dank moss.
One, in a brickyard, with a rotted board top.
I savoured the rich crash when a bucket
Plummeted down at the end of a rope.
So deep you saw no reflection in it.
A shallow one under a dry stone ditch
Fructified like any aquarium.
When you dragged out long roots from the soft mulch
A white face hovered over the bottom.
Others had echoes, gave back your own call
With a clean new music in it. And one
Was scaresome, for there, out of ferns and tall
Foxgloves, a rat slapped across my reflection.
Now, to pry into roots, to finger slime,
To stare, big-eyed Narcissus, into some spring
Is beneath all adult dignity. I rhyme
To see myself, to set the darkness echoing.
quarta-feira, setembro 24, 2003
CENAS DO MUNDO DA ALTA FINANÇA Eu e os meus sócios fomos ao banco (parece um título da série Anita:"Os sócios vão ao banco"). O sobreamável funcionário começa a explicar detalhadamente as vantagens de um espantoso programa informático de gestão.
O único de nós que conseguiu ficar acordado disse: "Eu não quero isso em minha casa!"
Temos mais hipóteses de ficar milionários jogando uma só vez no Totoloto.
O único de nós que conseguiu ficar acordado disse: "Eu não quero isso em minha casa!"
Temos mais hipóteses de ficar milionários jogando uma só vez no Totoloto.
segunda-feira, setembro 22, 2003
FIQUEI TÃO TRISTE...Como é que a Charlotte não gosta do sublime The Office ? Vá lá, give it another try...
DISCO DO ANO ? DISCO DO ANO! Já aqui tinha ameaçado, mas digo agora sem vergonha: Want One, de Rufus Wainwright, é o disco do ano. Para quem gosta de canções - melodias que embrulham palavras com principio meio e fim - este é o antídoto perfeito. Como é que se pode misturar Cole porter, Ravel, Schubert, rock, country e sobreviver para contar a história ? As letras são extraordinárias e Dinner At Eight ou Go Or Go Ahead os momentos mais emocionais a que fui sujeito nos últimos tempos. E há a ironia erudita de Wainwright, a todo o vapor:
My phone's on vibrate for you
Electroclash is karaoke too
I tried to dance Britney Spears
I guess I must be getting on my years
ou
Start giving me something
A love that lasts longer than a day
ou
Thank you for this bitter knowledge
Guardian angels who left me stranded
It was worth it, feeling abandoned
Makes one hardened but what has happened to love
ou...
My phone's on vibrate for you
Electroclash is karaoke too
I tried to dance Britney Spears
I guess I must be getting on my years
ou
Start giving me something
A love that lasts longer than a day
ou
Thank you for this bitter knowledge
Guardian angels who left me stranded
It was worth it, feeling abandoned
Makes one hardened but what has happened to love
ou...
quarta-feira, setembro 17, 2003
JORNAL DE NEGÓCIOS Ontem tornei-me oficialmente "sócio-gerente" de uma empresa, responsabilidade aterradora que partlho com dois amigos meus. Foi espantoso como a pachorrenta burocracia nacional dizimou qualquer esperança de alegria ou comemoração do acontecimento: um foi para casa ver o Porto-Partizan, o outro a um cocktail, e eu para casa dormir. Nunca seremos Belmiros ou Champalimauds.
A QUEM POSSA INTERESSAR Amanhã, por volta das 18.30, na FNAC-Chiado em Lisboa, Rodrigo Leão vai estar no café para comentar e antecipar o que será o encerramento da digressão Pasión. Vai também ser projectado um pequeno "documentário" sobre a digressão. A má notícia é que eu também irei lá estar, para ajudar à conversa e tecer inanes considerações. Se mesmo assim quiserem aparecer, fica o convite. Se a coisa correr mal, há sempre os livros e os discos.
Para quem quiser ir aos concertos, aviso que só há bilhetes para domingo, dia 21, data extra. Mas aconselho a porfiar, que vai valer a pena.
Para quem quiser ir aos concertos, aviso que só há bilhetes para domingo, dia 21, data extra. Mas aconselho a porfiar, que vai valer a pena.
segunda-feira, setembro 15, 2003
E NÃO SE PODE...Tomei agora conhecimento do mail odioso que o Pedro Mexia recebeu. Confesso que nestes momentos amaldiçoo a liberdade.
TEMOS O FLASH, MAS ONDE ESTÁ A MOB ? Leio com indisfarçável agrado que a primeira flash-mob prevista para Lisboa ( esse happening de segunda, em que várias pessoas combinam encontrar-se num determinado local para acenarem para uma câmara), dizia, a primeira flash mob teve como participantes...3 infelizes que ninguém conseguiu avisar de modo a que não fizessem figura de ursos. Para além destes três estarolas, próximo da Assembleia da República (até o local é à portuguesa, "simbólico") só estavam uma vintena de polícias destacados para o efeito e claro, vários fotógrafos que provavelmente devem ter tirado retratos aos agentes. São fracassos como este que me fazem acreditar na sensatez do povo português (enfim, os nús de Santa Maria da Feira é outra história). Agora só falta abandonar o modismo hippie do bookcrossing.
REGRESSO ÀS AULAS Hoje fui levar dois dos meus filhos para um novo passo na vida deles: a mais velha, pela primeira vez na Primária. O do meio, na pré-primária, pela primeira vez na mesma escola da irmã. E quem me pode dizer o que era aquilo que senti, aquela indizivel mistura de orgulho, ternura e um irredutível desejo de me sentar numa carteira e começar tudo outra vez, ao lado deles?
domingo, setembro 14, 2003
EXULTAI TODOS,EXULTAI O estimado Ricardo Araújo Pereira regressou de férias com descendência. Quantos poderão dizer o mesmo e não cairem numa pieguice abissal ? Ninguém. Mas o Ricardo transforma um acontecimento decisivo da sua vida num texto auto-irónico e de uma ternura sem par. Sacana! Aposto que os moleskine que tinhas para me dar já estão com anotações das horas dos biberões.
Por isso, aqui vai o abraço compreensivo e encorajador de quem três pequenas e belíssimas razões para saber do que falas. E quando quiseres discutir os melhores conventos para colocar a Ritinha aos 16 anos, fala comigo. Eu tenho duas filhas, e saio à noite.
Por isso, aqui vai o abraço compreensivo e encorajador de quem três pequenas e belíssimas razões para saber do que falas. E quando quiseres discutir os melhores conventos para colocar a Ritinha aos 16 anos, fala comigo. Eu tenho duas filhas, e saio à noite.
sexta-feira, setembro 12, 2003
CONCURSO, 2 A julgar pelas respostas que já tive, toda a gente irá ser surpreendida (como eu o fui) quando revelar o autor do texto colocado um pouco lá em baixo. Para uma maior ajuda, fica aqui mais um excerto, desta vez mais próximo da faceta pública deste homem que, sim, é um político. Português e retirado. (não é o Soares, pelo amor de Deus)
«Procurar a graça de entender quais são os valores permanentes que é chamado a servir e que são o eixo, na família, na amizade, na profissão, na cidadania.Encontrar esse eixo e identificar-se com ele. Saber que este nascer quotidiano de novas eras verbais é como a paisagem variável que uma roda em movimento vai atravessando.É bom olhar com interesse para a paisagem.Mas fazendo como o eixo da roda, que acompanha a roda mas não anda»
«Procurar a graça de entender quais são os valores permanentes que é chamado a servir e que são o eixo, na família, na amizade, na profissão, na cidadania.Encontrar esse eixo e identificar-se com ele. Saber que este nascer quotidiano de novas eras verbais é como a paisagem variável que uma roda em movimento vai atravessando.É bom olhar com interesse para a paisagem.Mas fazendo como o eixo da roda, que acompanha a roda mas não anda»
quarta-feira, setembro 10, 2003
HÓSTIAS DO OFÍCIO Já ouvi o novo disco do excelso Rufus Wainwright. É excelente. E a canção Vibrate, uma pequena jóia.

