segunda-feira, setembro 15, 2003
domingo, setembro 14, 2003
EXULTAI TODOS,EXULTAI O estimado Ricardo Araújo Pereira regressou de férias com descendência. Quantos poderão dizer o mesmo e não cairem numa pieguice abissal ? Ninguém. Mas o Ricardo transforma um acontecimento decisivo da sua vida num texto auto-irónico e de uma ternura sem par. Sacana! Aposto que os moleskine que tinhas para me dar já estão com anotações das horas dos biberões.
Por isso, aqui vai o abraço compreensivo e encorajador de quem três pequenas e belíssimas razões para saber do que falas. E quando quiseres discutir os melhores conventos para colocar a Ritinha aos 16 anos, fala comigo. Eu tenho duas filhas, e saio à noite.
Por isso, aqui vai o abraço compreensivo e encorajador de quem três pequenas e belíssimas razões para saber do que falas. E quando quiseres discutir os melhores conventos para colocar a Ritinha aos 16 anos, fala comigo. Eu tenho duas filhas, e saio à noite.
sexta-feira, setembro 12, 2003
CONCURSO, 2 A julgar pelas respostas que já tive, toda a gente irá ser surpreendida (como eu o fui) quando revelar o autor do texto colocado um pouco lá em baixo. Para uma maior ajuda, fica aqui mais um excerto, desta vez mais próximo da faceta pública deste homem que, sim, é um político. Português e retirado. (não é o Soares, pelo amor de Deus)
«Procurar a graça de entender quais são os valores permanentes que é chamado a servir e que são o eixo, na família, na amizade, na profissão, na cidadania.Encontrar esse eixo e identificar-se com ele. Saber que este nascer quotidiano de novas eras verbais é como a paisagem variável que uma roda em movimento vai atravessando.É bom olhar com interesse para a paisagem.Mas fazendo como o eixo da roda, que acompanha a roda mas não anda»
«Procurar a graça de entender quais são os valores permanentes que é chamado a servir e que são o eixo, na família, na amizade, na profissão, na cidadania.Encontrar esse eixo e identificar-se com ele. Saber que este nascer quotidiano de novas eras verbais é como a paisagem variável que uma roda em movimento vai atravessando.É bom olhar com interesse para a paisagem.Mas fazendo como o eixo da roda, que acompanha a roda mas não anda»
quarta-feira, setembro 10, 2003
HÓSTIAS DO OFÍCIO Já ouvi o novo disco do excelso Rufus Wainwright. É excelente. E a canção Vibrate, uma pequena jóia.
AGRADECIMENTOS Pelas palavras desproporcionadas do excelente Alberto Gonçalves; pela designação de "já conceituado", em que o Nuno inclui o Tradução Simultânea. Aos dois, e levemente ruborizado, o meu obrigado sincero.
segunda-feira, setembro 08, 2003
CONCURSO Dou um doce a quem adivinhar o autor destas palavras (publicadas, se não estou em erro, no final da década de 60), que uma querida amiga me deu a conhecer em boa hora. Aceitam-se então as vossas respostas. O mail está ali ao lado, ao pé do Robert Frost.
«Quando a pretensão espera, o projecto dorme, o processo não anda, o trabalho não começa, a estrada pára, o decreto não sai, o crédito não vem, a promoção se adia, o concurso se interrompe, a resposta se ilude, a opção não é tomada - o preço de tudo isso chama-se vida"
«Quando a pretensão espera, o projecto dorme, o processo não anda, o trabalho não começa, a estrada pára, o decreto não sai, o crédito não vem, a promoção se adia, o concurso se interrompe, a resposta se ilude, a opção não é tomada - o preço de tudo isso chama-se vida"
sexta-feira, setembro 05, 2003
LEITURAS BLOGUEIRAS EM DIA , PARTE 1 Nestes últimos tempos, decidi-me finalmente a sair das minhas habituais visitas bloguísticas e confirmar os encómios que por aí vejo espalhados. Fiquei contente, porque posso confiar nos amigos: este homem é mesmo bom.
A FESTA DO AVANTE Começou mais uma pitoresca edição da Festa do Avante.Não me intrepretem mal: ainda acho que é um evento memorável e, dada a implacável marcha do tempo, cada vez mais heterogéneo.Tenho boas lembranças do acontecimento:um concerto extraordinário dos Dexy's Midnight Runners na fase aguerrida do Searching For The Young Soul Rebels.Pouco depois, Kevin Rowland descobria o nómada celta de jardineiras e a coisa ficou estragada.
Mas divago.
Foi a primeira reportagem a sério que fiz n'O Independente, e fui acompanhado por dois amigos marxistas da Avenida de Roma - já na altura, das poucas maneiras de se ser marxista. Vi a militância, o carisma, raparigas bonitas mal vestidas e muito pó. E as míticas bancas de Cuba, Angola, Bulgária (estava-se em 1988,crianças:havia muro) e outros países distantes. Fiquei fascinado com a força do discurso de encerramento de Álvaro Cunhal.
Hoje, oiço atrás de mim, numa televisão ligada, o triste discurso do dr.Carvalhas.E a coisa ficou mais patética quando o secretário-geral entra numa ladainha cantada:"Jota Cê Pê, juventude do pê cê, jota...". Mas depois compreendi: como diz o povo, cantar é rezar duas vezes.
Mas divago.
Foi a primeira reportagem a sério que fiz n'O Independente, e fui acompanhado por dois amigos marxistas da Avenida de Roma - já na altura, das poucas maneiras de se ser marxista. Vi a militância, o carisma, raparigas bonitas mal vestidas e muito pó. E as míticas bancas de Cuba, Angola, Bulgária (estava-se em 1988,crianças:havia muro) e outros países distantes. Fiquei fascinado com a força do discurso de encerramento de Álvaro Cunhal.
Hoje, oiço atrás de mim, numa televisão ligada, o triste discurso do dr.Carvalhas.E a coisa ficou mais patética quando o secretário-geral entra numa ladainha cantada:"Jota Cê Pê, juventude do pê cê, jota...". Mas depois compreendi: como diz o povo, cantar é rezar duas vezes.
quinta-feira, setembro 04, 2003
DEUS, Só POR UM BOCADINHO Estive no passado sábado em Alcobaça, cidade que estimo e onde tenho muitos e bons amigos. A dada altura, esmagado pelo excesso de generosidade com que sempre me brindam combinado com o horário tardio, decidi regressar antes que o não conseguisse fazer.
Poucas horas depois, caiu uma chuva torrencial sobre a cidade, que inundou toda a Baixa.
Quantos são os que podem dizer como eu: "Depois de mim, o dilúvio" ?
Poucas horas depois, caiu uma chuva torrencial sobre a cidade, que inundou toda a Baixa.
Quantos são os que podem dizer como eu: "Depois de mim, o dilúvio" ?
terça-feira, setembro 02, 2003
O REGRESSO 1. Gosto de regressar. As partidas pouco me dizem. Sim, há a curiosidade do que se irá encontrar, os tropeções do acaso dos afectos e dos lugares. Mas tudo se desvanece depressa, porque o instante mata o instante seguinte; a partir de certa altura, por perversão, atavismo nacional ou nostalgia literária, é o regresso que me apetece.
Agrada-me ser feito da memória que tenho, e é no regresso que ela cintila, porque assume a forma superior da saudade, perfeição absoluta limada das arestas efémeras dos dias. Voltar ao que conheço, ao que amo, é das experiências que mais acarinho na vida.
Não é por acaso que me emociono sempre que oiço estes versos do Volver, que nem por isso é o meu tango preferido:
Sentir... que es un soplo la vida,
que veinte años no es nada,
que febril la mirada, errante en las sombras,
te busca y te nombra.
É esta procura do que se ama, independente do que se viu, do que passámos ou mesmo por quem passámos que para mim dá mais sentido à vida. Outro exemplo artistico desta minha filiação é o filme O Homem Tranquilo, de John Ford, onde um homem traz o seu passado para um lugar que não conhece mas que sempre conheceu ? e lentamente se integra nesse que é o mais belo regresso filmado (para além de outras motivações, mas isso é outra história).
2. Assim na vida, assim nos amores, assim na amizade. Um amigo que regressa por improváveis circunstâncias aos nossos dias e nós aos dele ? como, por felicidade, me tem acontecido várias vezes ? não tem nada que se lhe compare. Talvez o estar apaixonado, dirão. Mas apaixonar-se é uma partida, não é um regresso. Quando se volta, já há pouco a perder e não é necessária a coragem que se tem de ter sempre quando se parte.
E depois há um mistério único, que confere a tudo a primeira vez: cada sorriso o primeiro, cada rua a primeira, cada palavra a primeira.
Até à próxima partida, até ao próximo regresso.
Agrada-me ser feito da memória que tenho, e é no regresso que ela cintila, porque assume a forma superior da saudade, perfeição absoluta limada das arestas efémeras dos dias. Voltar ao que conheço, ao que amo, é das experiências que mais acarinho na vida.
Não é por acaso que me emociono sempre que oiço estes versos do Volver, que nem por isso é o meu tango preferido:
Sentir... que es un soplo la vida,
que veinte años no es nada,
que febril la mirada, errante en las sombras,
te busca y te nombra.
É esta procura do que se ama, independente do que se viu, do que passámos ou mesmo por quem passámos que para mim dá mais sentido à vida. Outro exemplo artistico desta minha filiação é o filme O Homem Tranquilo, de John Ford, onde um homem traz o seu passado para um lugar que não conhece mas que sempre conheceu ? e lentamente se integra nesse que é o mais belo regresso filmado (para além de outras motivações, mas isso é outra história).
2. Assim na vida, assim nos amores, assim na amizade. Um amigo que regressa por improváveis circunstâncias aos nossos dias e nós aos dele ? como, por felicidade, me tem acontecido várias vezes ? não tem nada que se lhe compare. Talvez o estar apaixonado, dirão. Mas apaixonar-se é uma partida, não é um regresso. Quando se volta, já há pouco a perder e não é necessária a coragem que se tem de ter sempre quando se parte.
E depois há um mistério único, que confere a tudo a primeira vez: cada sorriso o primeiro, cada rua a primeira, cada palavra a primeira.
Até à próxima partida, até ao próximo regresso.
domingo, agosto 31, 2003
QUASE DE VOLTA mas só amanhã começa a diversão a sério. Hoje, só saudades confessas do teclado aliadas a uma "preguiça transcendental", como diria um amigo. Para já, tenho de me livrar desta música brilhante que me persegue. Revivalista, moi ? Não: é uma boa canção em qualquer ano. Até amanhã.
The Postal Service - Such Great Heights
I am thinking it's a sign
that the freckles in our eyes
are mirror images and when we kiss they are perfectly aligned
And I have to speculate
that God himself did make
us into corresponding shapes like pieces from the clay
And true, it may seem like a stretch,
but its thoughts like this that catch
my troubled head when you're away, when I'm missing you to death
When you are out there on the road
for several weeks of shows
and when you scan the radio, I hope this song will lead you home.
They will see us waving from such great heights,
"come down now", they'll say
but everything looks perfect from far away,
"come down now", but we'll stay...
I tried my best to leave
this all on your machine
but the persistent beat it sounded thin upon listening
And that frankly will not fly.
You will hear the shrillest highs
and lowest lows with the windows down when this is guiding you home.
The Postal Service - Such Great Heights
I am thinking it's a sign
that the freckles in our eyes
are mirror images and when we kiss they are perfectly aligned
And I have to speculate
that God himself did make
us into corresponding shapes like pieces from the clay
And true, it may seem like a stretch,
but its thoughts like this that catch
my troubled head when you're away, when I'm missing you to death
When you are out there on the road
for several weeks of shows
and when you scan the radio, I hope this song will lead you home.
They will see us waving from such great heights,
"come down now", they'll say
but everything looks perfect from far away,
"come down now", but we'll stay...
I tried my best to leave
this all on your machine
but the persistent beat it sounded thin upon listening
And that frankly will not fly.
You will hear the shrillest highs
and lowest lows with the windows down when this is guiding you home.
sexta-feira, agosto 15, 2003
segunda-feira, agosto 11, 2003
DE REPENTE, NO CALOR Juro que hoje não ia escrever nada. Talvez apenas uma breve descrição do enorme prazer que me deu ter conhecido o excelente MacGuffin, ainda por cima na sua cidade, a bela Évora. Correspondeu às expectativas e apenas pecou por ser breve, que a conversa prometia.
Juro que não ia escrever nada. Mas depois li o texto "A Derrota", do Alexandre Franco Sá, e de repente percebi que ainda se pode pensar e ser brilhante sob a canícula. É um post aparentemente sobre Ésquilo, mas é sobre a vida. Fez-me lembrar o verso de Yeats: "I sing what was lost, and dread what was won". Lêde, por favor.
Juro que não ia escrever nada. Mas depois li o texto "A Derrota", do Alexandre Franco Sá, e de repente percebi que ainda se pode pensar e ser brilhante sob a canícula. É um post aparentemente sobre Ésquilo, mas é sobre a vida. Fez-me lembrar o verso de Yeats: "I sing what was lost, and dread what was won". Lêde, por favor.

