sexta-feira, agosto 08, 2003

EPÍGRAFE PARA O GÉNERO HUMANO

É inútil dizer o que se pensa.
Se é frouxa a frase, é nada; e é vã se é intensa.
Cada um compreende só o que sente
E entre alma e alma a estupidez é imensa.

Fernando Pessoa

quinta-feira, agosto 07, 2003

BREVE AVISO NA PORTA A canícula absurda, que me faz ser solidário com Meursault, frita-me as ideias e a escrita. Por isso mesmo, as traduções simultâneas das realidades irão ser mais irregulares ainda até ao principio de Setembro - mês que normalmente é prenúncio de civilização. Não se abstenham por isso de dizer coisas, que o correio é sempre lido e respondido.
MAIS COUPLING (e sempre deliciado)

Jane: Então, o que é que acham do meu novo namorado ?

Steve: Jane, pelo amor de Deus, ele não é teu namorado. Ele é gay, e está farto de to dizer. Ele não se sente atraído por mulheres - sente-se atraído por homens.

Jane: Helllooooo...Sou bisexual!

segunda-feira, agosto 04, 2003

ESCAPULÁRIO DE PALAVRAS, PARA USO QUOTIDIANO

Vem, ó Graça, que desvelas os mistérios divinos
e resolves o enigma que propõem os sapientes
Vem, fala em mim, não sou capaz sozinho
de um discurso onde a verdade brilhe.

Tiago de Sarug (sec.VI), traduzido por José Tolentino de Mendonça
REVENDO A PRIMEIRA SÉRIE DE COUPLING, DELICIADO

Sally (durante um jantar) : I don't understand this thing men have with lesbianism. I mean, it's a whole area of sex where they don't have nothing to do. (pausa, embaraçada) I think I've answered my own question, haven't I ?

domingo, agosto 03, 2003

O EMBARAÇO DA ESCOLHA O problema com as encruzilhadas que a vida nos oferece - profissionais, sociais, passionais, banais - é que tem de haver sempre uma escolha.E depois de a fazermos, falhamos ou ganhamos, e seguimos em frente, para descobrir que não existe mais nada a não ser novas encruzilhadas. Assim, até ao fim.
RESPEITEM MEUS CABELOS,BRANCAS ! (com a devida vénia ao Chico César)
Diálogo entreouvido num café e protagonizado por duas mulheres entre os 30 e os 35 anos:

-Tu não conheces aquele homem ?
- Eu ? Qual ? Sim...acho que sim, conheço. Mas não é um homem, é um miúdo.

Falavam de mim.
BEM/MAL vs. CERTO/ERRADO Noutro registo, mas não menos relevante, o estimado Maradona deixou-me também a sua contribuição.

"Fazer o Certo é colocar a titular tanto o Toñito como o Hugo e, apesar disso, o Sporting ganhar. Fazer o Bem é ter a certeza da derrota em consequência da não inclusão dessa dupla-terrorífica na equipa - por eventual posse oracular de informação sobre esse milagre futuro - e, mesmo assim, expulsá-los para a equipa de futsal.

O Bem é, por conseguinte, infinitamente superior ao Certo."

BEM E O MAL/A TRAIÇÃO: MAIS SUBSÍDIOS O João Raposo tinha-me já escrito um longo e interessantíssimo texto sobre o desafio que há tempos aqui deixei. Agora, o João teve a amabilidade de voltar a escrever, desta vez suportado pelas perguntas feitas pela Sara. De salientar que o João Raposo prepara um trabalho académico sobre os conceitos do Bem e do Mal, o que torna a sua contribuição ainda mais preciosa. Leiam até ao fim, que não focam a perder:

"1) O traidor sente a culpa ?

Mas quem é que o traidor trai? O outro ou a si mesmo?
Trair, não implicará a consciência da traição? Se essa consciência não existir, haverá traição?
Vamos supor que existe consciência.
Se ajo em função dos meus princípios, posso falar de traição? Ou traição seria antes agir contra os meus princípios, traindo-me a mim mesmo?
Se os meus princípios me mandam agir da maneira "A" e não da "B" (que é aquela que todos os que me rodeiam esperam) estarei a trair os outros? Na perspectiva do respeito pelos meus princípios não, na perspectiva do(s) outro(s) sim. Então será que podemos falar de traição? Ou resolvemos a questão (fugindo dela) dizendo que é tudo relativo, que o relativismo destroi os valores, etc.
Voltando aos meus princípios. Será que, sendo eu uma pessoa de princípios, não está neles incluído o respeito pelo outro? E se está, como posso eu agir de acordo com um princípio e ao mesmo tempo violar outro? Esta questão remete-nos para uma hierarquia de valores (ou princípios), onde o mais elevado se sobrepõe ao mais baixo. Nos nossos actos quotidianos, concretos, esta hierarquia está sempre presente, ainda que não explícita. Se ajo da maneira "A" de acordo com o princípio mais elevado, não estou a trair... ainda que os outros se possam sentir traídos. Porquê, então a culpa? Porque o nosso horizonte de pré-compreensão (judaico-cristão), anterior à reflexão, nos diz que sim? Haverá uma "incompatibilidade" entre esse horizonte de pré-compreensão e o resultado do pensamento reflexivo? Será o peso da "tradição" assim tão "pesado" que se sobreponha a qualquer reflexão e nos transporte para uma culpa irremissível (porque também nunca poderemos aceitar o peso da traição a nós próprios)? Então, sim, verdadeiramente o Bem e o Mal existem (como algo com uma consistência própria). Ou talvez melhor: O Bem não existe, apenas o Mal... Porque, agindo da maneira "A" ou da "B", estaremos sempre a trair alguém... Porque o Mal é ser incapaz de seguir os resultados da própria reflexão que busca, sem cessar, sem limites, a sua fundamentação. Ainda há dias o "Animal" dizia uma frase muito usada: "sou ateu, graças a Deus".
Seremos ateus, mas incapazes de ultrapassar esse horizonte de pré-compreensão. E quando isso parece acontecer, deparamo-nos com a angústia de sermos os únicos responsáveis pelos nossos actos. Irremediavelmente "condenados à liberdade", que faremos com ela? Voltamos atrás, esquecêmo-la, ou assumimos a condição de ser humanos e aceitamos a dor (o mal?) de sermos os autores do nosso próprio sentido?
Voltando um pouco atrás, todo o conjunto de valores (ou princípios) possui uma hierarquia e tal não é problema. Problema seria não existir (o que é uma impossibilidade prática). Problema realmente grave, que conduz ao "mau nome" do relativismo, é alterar essa hierarquia de acordo com os interesses do momento, o que revela a solubilidade do carácter e nada tem a ver com o relativismo.


2) Devem alguns homens condenar um homem, ainda que o façam em nome do Bem e do Mal ?

Não direi que o devem condenar (e não tem nada a ver com o direito de condenar ou não os outros...) mas direi que o podem e devem julgar.
Existir, é estar aí para o outro. O outro é indispensável para que eu me reconheça, para a minha própria identidade, Há um laço impossível de ignorar, que me liga ao outro, e que possibilita que eu seja. Isto que dizer que eu não posso, nunca, ignorar o outro, porque aquilo que ele faz e é, afecta-me. Portanto, não só posso, como devo julgar (que não é condenar) o outro. Julgar é neste sentido avaliar, pesar, procurar a justa medida que guie a nossa conduta. Dizer que aquilo que ele faz é com ele, é uma perversão do respeito para com o outro e é aquilo que conduz à indiferença. Dizer que os costumes, os valores, do outro (Ex: Saddam, Fidel, Bush, etc) têm que ser compreendidos dentro dos seu próprio sistema de valores e que estes são relativos, é normalmente uma desculpa para nada fazer e transferir a culpa para o relativismo e isto é o Mal, o nosso Mal.
O mal dos outros, são os assassínios, as prisões, as torturas, as perseguições, ou mais silenciosa, mais fatal, a fome ou a doença. Veja-se África, qualquer (mas mesmo qualquer) país. Isto é o mal e o mal somos nós. Os que fazemos e os que calamos... Por isto temos, não em nome do Bem ou do Mal, mas simplesmente da HUMANIDADE, o direito de julgar, avaliar, pesar, procurar a justa medida que guie a nossa conduta. Julgar para agir...



3(escrevi eu)" Em princípio, ninguém teria o direito de julgar ninguém, pelo menos neste mundo. Mas em termos sociais, a não-condenação coincidiria com uma total ausência de valores, e portanto a anarquia. O problema é o do relativismo de valores: se eu faço o que reconheço ser o Bem noutro lugar que pratica um diferente sistema de valores (e que portanto para a mesma acção reconhece como o Mal), é justo que seja condenado ?"

É.
Será justo que condenemos uma mulher que, em África, com um caco de garrafa de vidro faz uma excisão do clítoris à própria filha ou a qualquer mulher? E se for em Portugal (recentemente vieram a público casos destes no nosso país)? A cultura e os valores pessoais são semelhantes. Poderemos nós que temos uma cultura diferente calar o que será uma injustiça e um atentado aos direitos humanos, ainda que os próprios envolvidos o aceitem?
Podemos.
O relativismo é acusado de todos os malefícios morais. Mas será ele uma causa ou uma consequência? Do relativismo se diz que conduz à ausência de valores. Mas não será antes ele que nos leva à percepção e à afirmação desses valores?
Dizer que não há valores, quer dizer, em rigor, que os valores dos outros não são os nossos... E esse é que é o nosso problema.
Seria muito simpático, muito cómodo, seriamos todos (mais?) felizes(?) se houvesse uma unidade de valores, se todos pudéssemos entender do que falamos, se o Mal e o Bem fossem claramente identificáveis. Até há não muitos anos (os nossos pais e avós são contemporâneos dessa época) a Igreja, a Escola, o Governo, os Pais, eram os guardiães da moral (e da fé) e tudo estava certo, porque todos sabiam qual era o seu lugar: os pais mandavam porque eram pais, os professores mandavam porque educavam, a Igreja era a referência dos bons costumes, o Governo governava. Tudo simples, tranquilo e ninguém, mas ninguém precisava de psicanálise.
Depois, tudo se complicou. Só um exemplo: As mulheres começaram a exigir direitos e, pior que isso, que tinham os mesmos direitos dos homens. Passaram a votar, fumar, a andar de calças, a ir aos cafés etc.
Tomando o exemplo do nosso país, há quanto tempo têm as mulheres direito ao voto? Há quanto tempo têm as mulheres os mesmos direitos (legais) que os homens? Ora quando mais de metade da população mundial começa no século XX a ter direito à igualdade, não é isto um enorme salto qualitativo no que respeita a valores? Ou será que quando a mulher não tinha alma (até 1821?), quando filhos, filhas, mulher podiam ser vendidos, quando ainda no século XX a escravatura era legal, os valores eram mais firmes? Só por desatenção se pode dizer que hoje não há valores. Nunca tantas pessoas afirmaram os direitos da humanidade em nome dessa mesma humanidade. Ainda que pequeno exemplo, o enorme movimento de solidariedade com as mulheres que iam ser lapidadas na Nigéria, salvou-as, ou pelo menos adiou algo e chamou a atenção de mais gente para o que se passa por esse mundo fora.
O relativismo é apenas a consequência de mais gente falar, reivindicar, exigir ter a sua própria voz. Esse é o único caminho para a humanidade. A seu tempo, tudo se ajustará, ainda que nós já cá não estejamos.
O relativismo, volto a dizê-lo, não é problema. Problema é a nossa vontade de desresponsabilização que o invoca para não agir.


quinta-feira, julho 31, 2003

UMA LEMBRANÇA, UM POEMA

QUE MAL PODEM AS PALAVRAS

Uma alegria profunda nos protege
quero dizer obscura, quero dizer
silenciosa.Sim, sabemos tantos modos
de imitar o fim da pouca vida
que sobra sempre a matéria dos desertos
para errar os amores novos.Que mal
podem as palavras saber de ti.

António Manuel Azevedo

quarta-feira, julho 30, 2003

SER CONSERVADOR: ESTÉTICA OU POLITICA Como disse em post anterior, um dos temas actualmente em voga na blogolândia é o conservadorismo e a sua essência. Para isso muito contribuiram os excelentes textos da Clara Macedo Cabral sobre o assunto e mais recentemente a aparição de mais um estimulante blogue: o Caminhos Errantes, da responsabilidade de Alexandre Franco Sá (que de resto descobri a conselho da própria Clara). Há ali muita matéria para pensar e, embora discordando da maior parte das suas afirmações (mais tarde tentarei ripostar), reconheço que tem os argumentos mais bem fundamentados que até agora por aqui apareceram. Assim sim.
ENTRETANTO É bom ver-te de volta, ò alma gémea !
É SÓ MAIS UM MINUTO Devido a uma agenda delirante, um calor colonial e outros humores adversos, não tenho conseguido colocar a escrita em dia. Mas prometo que em breve ? tipo amanhã ? a coisa melhora. Os temas previstos são os ideais para a época que atravessamos: o Bem e o Mal (há muita e boa correspondência que convém ser publicada) , o que é ser conservador e outras temáticas leves e estivais. O resto serão os habituais rasgões dos dias, a poesia possível.

segunda-feira, julho 28, 2003

INTERMEZZO DE VERÃO 2 Chamaria também a atenção dos meus amigos para outro blogue que me tem dado imenso prazer: o Tomara Que Caia. Humores e amores femininos à deriva e à solta. Brilhante, digo eu.
INTERMEZZO DE VERÃO Apenas para agradecer a menção do Alexandre Andrade, que me coloca no seu top ten de leitura, num honroso 8º lugar (logo atrás do humor negro e jacobino d' O Crime do Padre Amaro). O blog do Alexandre- umblogsobrekelist - é dos melhores da blogosfera. Agradeço, sinceramente.
A TRAIÇÃO ? AJUDAS AO DEBATE 1 A propósito da traição, e das questões que ficaram por discutir, a Sara, minha estimada colega, abre as hostilidades com o seguinte mail:

"Aqui seguem as minhas dúvidas, surgidas (a quente) da leitura do teu post sobre a traição:
1)O traidor sente a culpa (obsessiva, dirias tu)?
2)Devem alguns homens condenar um homem, ainda que o façam em nome do Bem e do Mal (valores que ao contrário do que advogava o outro, existem sim senhor -e ainda bem que sim)?
3)A Sarah foi justa (se houve justiça no seu acto) só porque cumpriu o contrato que tinha feito? De que lhe valeu a ela ter feito o que fez ? (já sei, vais dizer que foi sublime?)"

Bom, vou fazer o que posso. O Tiago já respondeu, em parte, a estas questões nos seus posts. Em principio, o traidor sentirá sempre culpa - atraiçoar é um abandono violento e amargurado de principios ou sentimentos que em determinada altura se acreditou. Em termos ocidentais (judaico-cristãos), a culpa é mesmo inevitável, e como bem diz o Tiago outra vez, o caminho para a Salvação. Se é obsessiva, suponho que isso dependa do traidor. Mas que pelo menos é inapagável, isso tenho a certeza. Outra perspectiva interessante será a do traído. Mas isso é outra história, que como sabemos, Sara, já foi filmada por Wong-Kar Wai .

2) Em principio, ninguém teria o direito de julgar ninguém, pelo menos neste mundo. Mas em termos sociais, a não-condenação coincidiria com uma total ausência de valores, e portanto a anarquia. O problema é o do relativismo de valores: se eu faço o que reconheço ser o Bem noutro lugar que pratica um diferente sistema de valores (e que portanto para a mesma acção reconhece como o Mal), é justo que seja condenado ?

3) A Sarah que a Sara se refere é a personagem feminina do The End Of The Affair, livro maior de Greene. Por amor, esta pecadora voluntária, - uma adúltera que se aproxima da santidade no universo greeniano - pede a Deus que devolva a vida ao seu amante; em troca, promete nunca mais o ver ? e assim renunciar ao seu amor terreno e, ao mesmo tempo, a um pecado. A partir daí, e perante a incompreensão do amante, que nunca soube desta promessa, Sarah tudo faz para tentar odiar o Deus a quem se entregou. Se lhe valeu alguma coisa? Não neste mundo. E sim, querida Sara, foi um gesto sublime.

sexta-feira, julho 25, 2003

AFORISMO MEDÍOCRE MAS SENTIDO DO DIA Nas ausências que se lamentam o tempo nada nos pode dar ou curar ; só quem faz falta.
O BEM,O MAL, A TRAIÇÃO Estou bastante satisfeito com as contribuições que leitores e amigos (ou ambos) tiveram a amabilidade de me enviar sobre o tema da traição (ver post abaixo). Estou a ler os mails atentamente, para poder responder ou simplesmente extrair os melhores pedaços e descaradamente colocá-los aqui.
Entretanto, houve uma pessoa a quem eu pedi especificamente opinião: o Tiago, da Voz do Deserto. A sua resposta veio na prosa balsâmica do costume, brilhante, certeira e com humor. Um acepipe:

«Reverente perante a tradução II
O homem é um ser-para-a-condenação desde o Génesis. Por isso a sua Salvação não fala do seu talento pessoal mas do escandaloso perdão de Deus. O livre-arbítrio parece-me um eufemismo, um natal é sempre que o homem quer, uma trôpega conveniência social. Judas fez o que tinha a fazer. O mestre até o apressou na tarefa.
Este tipo de coisas não nos estão reveladas. Falemos do último disco da Carla Bruni.»

E há mais, muito mais. Leiam, que faz bem.

quarta-feira, julho 23, 2003

A TRAIÇÃO Terminou ontem, discretamente, a série Cambridge Spies, que foi transmitida na RTP2. Contava a história dos quatro agentes duplos britânicos que serviram a União Soviética até à década de 50: Anthony Blunt, Donald Maclean, Guy Burgess e Kim Philby. Quase todos acabaram os seus dias na velha URSS, menos Blunt, membro da família real, que foi denunciado só nos anos 80 pelo governo de Thatcher. Morreu na vergonha, depois de ver ser retirado o seu Knighthood.
A série em si era linear, gráfica e estritamente narrativa, vivendo muito dos actores (impressionante ver Anthony Andrews, o Sebastian Flyte de Brideshead Revisited, em plena decadência física) ; para um anglófilo inveterado como eu, a coisa foi gratificante, porque me transportou a Cambridge dos anos 30, civilizadissima na sua decadência, politizada pela geração de marxistas aristocratas como Auden ou os quatro protagonistas. Mas o seu maior intertesse residiu para mim num tema que me é obsessivo (ou não fosse eu "apóstolo" de Graham Greene): a traição. Como se trai um amor, um país, um sexo, uma ideia, Deus ? Parece-me que esta condição – esta possibilidade – é o pilar de um pensamento neo-cristão que partilho, e que foi sobretudo propagandeado por Eliot (e Greene depois, numa luta contra a ortodoxia): a sublime capacidade do Homem para a Condenação (teológica, cristã), versus o índividuo condenado à Salvação. Fazer o Bem ou o Mal é diferente ou superior a fazer o Certo ou o Errado ? Gostava de trocar impressões sobre o assunto. Contribuições para major_scobie@hotmail.com
THE SADDAM FAMILY Two down, one to go.


PRAZERES SOLITÁRIOS Alguém me perguntou, há coisa de minutos, se eu tinha visto determinado "reclame" na televisão. Acresce que o inquiridor não tem ainda 50 anos, e utilizou o vocábulo sem ironia. Às vezes sinto-me tão sózinho na apreciação destas palavras perdidas, modos que se foram.

segunda-feira, julho 21, 2003

DO AMOR E DA AMIZADE; COMO UM LAMENTO "Digamos porque não se chama ao amor amizade. Entre as duas coisas há esta diferença: o amor é uma paixão que tem mais de desejo que de prazer; e a amizade é uma afeição reverente, ou um amor envergonhado, que tem mais de prazer que de desejo. O amigo pretende para o que sempre ama, e o amante para o que pode deixar de amar. Um cuida de si, outro descuida-se de si"

D.Francisco de Portugal, Arte da Galantaria (sec.XVII)
DEVE BLAIR DEMITIR-SE ? Simpatizo mais com Tories do que com o New Labour. Mas Blair já provou ser um estadista com dimensão, e à direita as alternativas são incipientes. Por isso, e apesar do embaraço, a resposta é "não". Uma opinião melhor e mais exaustiva do que esta pode ser lida com proveito aqui.
IMPRESSÕES DE VIGO Longa estrada. Os rostos cansados e maçados de todos os homens que acompanhavam mulheres e namoradas numa loja de lingerie feminina. A Estrella Galicia fresca, ao fim da tarde. O concerto do Rodrigo, composto. Os músicos em palco, felizes. A violinista Viviana Toupikova, que num impulso não resiste a levantar-se durante a versão vocal de Pasión. O Luís San Payo, que aproveita os seus dois tempos de pausa durante A Estrada para gritar o célebre "Nunca Mais!", frase de combate galega desde o Prestige. Não tinha avisado ninguém. Dois encores, a plateia de pé. O Rodrigo feliz, a encontrar-nos na assistência e a dizer-nos adeus, durante os agradecimentos. O Bar Chabola, tasca galega maravilhosa. O vinho nas malgas. A salada de polvo. A palavra de ordem da noite: Sokoino ("com calma", em russo), ensinada pela Viviana e com as naturais adaptações brejeiras. O San Payo a querer brindar de três em três minutos. A "Kournikova" a cantar o hino russo, já um pouco tocada. Os "orujos blancos", espécie de grappa potenciada ao nível do bagaço. Bebi três e fui feliz. O dono da Chabola, com quase 70 anos, a dizer que não devia haver fronteiras entre o Minho e a Galiza; a mostrar-me o retrato da familia real, assinado, e a confessar que "se não houvesse Rei, não havia Espanha". O bar La Iguana. Coisas que não posso contar. Estilhaços de amizade.

domingo, julho 20, 2003

BEM OBSERVADO Deixarei para amanhã algumas notas sobre Vigo. De repente, apenas me lembro de um diálogo que escutei, com dois amigos como protagonistas:
-Mas o que é que tu achas desta história da pedofilia ?
- Olha, para mim, venha o DIAP e escolha.

quinta-feira, julho 17, 2003

VOLTO JÁ Farei aqui um interregno. Vou ali a Vigo e já venho, para ver um concerto do Rodrigo Leão que, cumulativamente, assume a grande dificuldade de ser um dos meus melhores amigos. Domingo voltarei às lides, depois de um fim de tarde a perorar live na FNAC Cascais sobre...o Rodrigo Leão. (I'm a self-promoting bastard, aren't I ?)
HÁ PALAVRAS QUE NOS FALTAM E não beijam, como dizia O'Neill. Mas são melhores porque nos dizem o que não conseguimos escrever, só sentir. Estas são do Pedro, mas ao lê-las, são minhas também.

"LUGARES MARCADOS Devíamos mudar de nome e de nacionalidade quando os amores terminam. Os amores deixam pegadas nos sítios por onde passam; território proibido que não se apaga."
LISBOA, 00:45 AM Um bar, no Bairro Alto. Um casal de namorados, rondando os vinte anos. Conversam:
Ela (sorriso, tom maroto): Tu gostas de mamas grandes....
Ele: Não gosto delas pequenas. Isto responde à tua pergunta ?

Que venha o Armagedeão. Estou preparado.

quarta-feira, julho 16, 2003

RECADOS EM ATRASO E UMA SUGESTÃO Há coisas que uma pessoa tem como certas e que mais tarde se apercebe que ainda não as fez. foi o que me aconteceu ao não dar as boas vindas, a tempo e horas, ao Manuel Falcão, que costumo ler diariamente. Olá Manel ! Espero encontrar-te logo no São Luiz (às 22 horas) , onde irá cantar o único cantor de jazz nacional: o Kiko, que entretanto lançou um muito interessante primeiro disco: Raw. Vão ver, que não se arrependem.
HÁ ESPERANÇA ! Sei pela regressada Charlotte (pede ao teu marido que cante e dance o Make'em laugh, do Singin' in the rain: não há tristeza que resista) da existência de outro blogue de inspiração santoantonina: o Procuro Marido. É divertido, mas de facto perigoso: é que, querida Amélia, ao dizer que gosta do Júlio Isidro (e juntar uma foto do rapaz), está a dar esperança a milhões de homens, eu incluído.
KINDRED SOULS Fiquei especialmente satisfeito por ler que o Pedro Mexia não só nutre simpatias monárquicas (de que eu nunca suspeitaria ) como também partilha a minha desoladora visão da maioria dos folclóricos monárquicos portugueses. O Barrilaro dizia: "O que nos vale é que somos mais do que eles (republicanos convictos)", e essa verdade ainda se mantém. Agora, Pedro: vê lá se me linkas, homem, que até na tua crónica do jantar da UBL fui o único orfão de link! Eu quero ver este contador dar mais voltas do que uma slot machine de Las Vegas em noite de Frank Sinatra!

terça-feira, julho 15, 2003

HENRIQUE BARRILARO RUAS, IN MEMORIAM Fui hoje surpreendido com a notícia da morte do Professor Henrique Barrilaro Ruas. Ainda há pouco tempo eu rejubilava com os seus escritos, aqui na blogosfera. O Professor Barrilaro Ruas foi dos homens mais sábios, cultos, íntegros e Portugueses que tive o privilégio de conhecer e conviver. Com um imenso conhecimento de História, da Língua Portuguesa e da obra de Camões - é notável a edição anotada que fez aos Lusíadas -, o Professor Barrilaro Ruas era também um homem político que vivia um principio já anacrónico e reservado para os livros de cavalaria: a Honra.
Se hoje digo que sou monárquico, a ele muito o devo. Foi ele que me abriu os olhos para as vantagens do regime para Portugal e a falácia que era comparar a Monarquia com a ausência de Democracia (falácia, de resto, cultivada por todos os presidentes da República Portuguesa, com destaque para Mário Soares). Barrilaro Ruas foi um lutador, que ficou ao lado da oposição democrática ao regime de Salazar e Marcelo Caetano. Foi perseguido. Católico devoto, juntou a fé ao pensamento e à acção.
Quando fez parte do Directório do Partido Popular Monárquico (juntamente com Luís Coimbra e Gonçalo Ribeiro Telles) foi a única vez que terei sido tentado a filiar-me num partido político.
A sua acção politica e cívica nunca parou, quer em artigos (escrevia maravilhosamente - recordo um texto que lhe pedi sobre as tradições Santoantoninas lisboetas para a revista das Festas de Lisboa, que eu editava e era dirigida por Miguel Portas!), quer em associações como o Movimento Alfacinha. Lembro-me ainda da sua voz pontuada, de dicção límpida e quase teatral, que fascinava todos os que tiveram a sorte de o ter como docente. Não vou cair na frase fácil do "o país está mais pobre". Gostava que se lhe reconhecesse o mérito. Por mim, vou sentir a sua falta.

Nuno Miguel Guedes
A BOA ACÇÃO DO ANO Recebi um simpático mail d'O Cozinheiro, reconhecendo-me como padrinho involuntário do seu excelente blogue. Parece que tudo começou com uma conversa que tive com um amigo e colega de redacção, e onde ele me manifestou o desejo de iniciar um blogue gastronómico. Ora eu, que não sou insensível a esta matéria, adorei a ideia. O resultado lá está, mérito exclusivo do Francisco e da sua brilhante prosa e banda sonora culinária. Mas lá que estou um bocadinho orgulhoso, ai isso estou.

segunda-feira, julho 14, 2003

A PROPÓSITO DE CAMUS Não compreendo bem as leis que regem as «redescobertas» ou as «releituras» que subitamente atacam muita gente. Sei é que me submeto a elas, primeiro pensando ser original e depois descobrindo que meio mundo anda a fazer o mesmo. Foi o que aconteceu com Camus: acabei de reler O Homem Revoltado, voltei ao O Estrangeiro e reparo pela blogosfera que são vários os que discutem o mesmo. Até um cantor de jazz que entrevistei na passada semana me falava d'A Peste.
Bom: eu não sou suspeito de modismo . O Estrangeiro sempre foi um dos meus livros favoritos - embora tenha passado de um existencialismo do absurdo para uma perspectiva mais Greeneana das coisas -, e um paper que fiz no meu primeiro ano de faculdade, para a cadeira de Inglês (!) está em casa para o provar. O que me levou a procurar a banda sonora do tempo, onde claro, estão os The Cure, com Killing An Arab. O que não vem na letra é o sussurro de Robert Smith, quando diz "I'm Mersault". Nesses anos, todos o éramos.
PORQUE SERÁ ? Não sei porquê, mas todos os anos o 14 de Julho me provoca uma comichão estranha, um mal-à-l'aise, um je-ne-sais-quoi que me incomoda...
DIÁLOGO RECUPERADO DA SEMANA Do filme 'Bananas', de Woody Allen (1971)

Fielding/Allen: What do you mean I'm imature ? In what ways ?
Nancy/Louise Casser: Emotionally, sexually and intelectually.
Fieding/Allen: Yes, but in what other ways ?
SEGUNDO POEMA, PARA OUTRA DEDICATÓRIA DIFERENTE

DAWN
To wake, and hear a cock
Out of the distance, crying,
To pull the curtain back
And see the clouds flying -
How strange it is
For the heart to be loveless, and as cold as these.

Philip Larkin
PRIMEIRO POEMA, COM DEDICATÓRIA DEVIDAMENTE IDENTIFICADA

Voltas a mote seu

Enforquei a minha Esperança;
Mas Amor foi tão madraço,
Que lhe cortou o baraço.


Foi a Esperança julgada
Por sentença da Ventura
Que, pois me teve à pendura,
Que fosse dependurada.
Um Cupido coa espada,
Corta-lhe cerce o baraço.
Cupido, foste madraço.

Luís Vaz de Camões
A MINHA PÁTRIA É O QUE EU FALO Agora que regressei de terras algarvias - ainda sem a enchente que se espera a partir do dia 15 -, posso contribuir sem qualquer hesitação para a destruição de mais um preconceito: a de que o turista nacional tem de saber falar línguas estrangeiras para ser bem atendido pela restauração algarvia. Esses tempos acabaram. Podemos falar português sem medo - os empregados são todos brasileiros.

sábado, julho 12, 2003

ADMIRAVEL MUNDO NOVO Escrevo estas palavras numa dessas extraordinarias maquinetas ue garantem o acesso a internet (sem acentos) mediante colocacao (e sem cedilhas) periodica de moedas.Atras de mim estao duas criancas de 10 ou 11 anos, que esperam com impaciencia. Ja fui assim: ficava junto aos flippers perto do liceu, ä espera de ouvir um "game over" redentor. Os tempos mudam, e daqui nem consigo sequer tirar um bonus com "especial aceso".
ESTADIO DE VERAO Podiam formar-se varias equipas de futebol com as camisolas que os veraneantes envergam por estes lados.Ja vi equipamentos do Newcastle, Manchester City,Celtic, Liverpool e ate um pobre diabo com a camisola do Benfica. As seleccoes tambem estao bem representadas, com predominancia para os lindos tres leöes ingleses. Por isso e facil descortinar os craques da bola: säao os que usam t-shirts lisas.
E EM QUE OUTRA PARTE DO MUNDO ...? Cheguei ao Algarve hä menos de 24 horas e jä tenho os autografos do Figo e do Zidane.

quinta-feira, julho 10, 2003

ATÉ JÁ, AMIGOS Espero voltar com vida e com assunto para blogar das terras do Sul. Foi para isso que comprei três Moleskine Volant, ideais para as terras tropicais. Entretanto, queiram fazer o favor de encher a minha caixa de correio com sugestões de destinos de inferno, elogios, invectivas e cheques pré-datados. major_scobie@hotmail.com, se fizerem a fineza.
EU NÃO ERA FÃ DE DULCE PONTES Mas este sítio mudou toda a minha perspectiva.
STIFF UPPER LIP Claro que exagero. Eu posso não gostar muito do Algarve nesta época do ano (não me lembro qual é a outra quando gosto), podia até preferir ir para os lados de Tavira, onde ainda há civilização e não para Vilamoura, onde há o Paulo China. Podia lembrar-me que há bons restaurantes (e há), boas praias (deve haver). Mas não. Até domingo lá estarei, na missão mais perigosa da minha carreira jornalística. Mas há um consolo: Vilamoura e arredores, nesta altura do ano, não deve ter assim tanta gente como outros destinos. Por exemplo, Bombaim.
JUST DOING MY JOB Os meus colegas de redacção emudeceram. Alguns, veteranos correspondentes de guerra, tremeram. Uma repórter, que atravessou clandestinamente o Afeganistão sob uma burkha e sempre visada pelas armas talibãs, ganhou-me um novo respeito. A partir de hoje, ninguém fala do Hemingway, do Peter Arnett. A partir de hoje, fala-se do Guedes: o homem a quem a revista mandou para o Algarve, a meados de Julho.

quarta-feira, julho 09, 2003

APELO À UBL Rapaziada amiga, o estimável Abrupto tem toda a razão quando discorre sobre a carloscastrização do nosso jantar. Quem é que se esqueceu de o convidar ?
FORA DO ARMÁRIO ! O meu amigo Chalabi recebeu um mail assertivo sobre a sua sexualidade, onde o identificam claramente como sendo «lésbica». Eu confirmo sem problemas a sua orientação sexual, que sempre o guiou e em que sempre viveu confortável, não ligando a pormenores redundantes como o facto de ser um homem.

segunda-feira, julho 07, 2003

JANTAR UBL Sobre o já afamado jantar, muitos escreveram mais e melhor do que eu, que só agora chego à blogosfera. Só tenho a dizer que, apesar do tamanho da mesa que nos foi dada no Espaço Lisboa (cuja superficie do tampo poderia sustentar tranquilamente um número duplo do Holiday On Ice), a distância ficou muito mais curta. A Organização está mais forte, e honro-me em poder conviver com uma nova geração inteligente, culta, educada e, mais do que isso, com um óptimo sentido de humor. E estamos a crescer!
Quanto a ti, Pedro, e às tuas generosas palavras, resta-me apenas confirmar que avultado cheque já está no correio (há quem prefira malas, eu sei...).
Ó GLÓRIA ! Ó FAMA ! O magnífico Vate 69 revela nesta entrevista que, entre duas oferendas a Onan, passa sempre por esta modesta casa. É dos melhores elogios que me fizeram ultimamente.

sábado, julho 05, 2003

VERDADE DU JOUR, VERSÃO SPORTSWEAR Leio no Hipatia algo parecido a: "Abro o baú", encontro números da "defunta mas não esquecida revista Kapa", as "conversas de ir ao Bip"...Como antigo editor, membro fundador e afundador da dita revista, ainda me faz confusão que alguém vá ao "baú" buscá-la, nostalgicamente. Mas de repente, enquanto tomava o pequeno-almoço, um adolescente entra no café com uma T-Shirt que grita "The older I get the better I was". Não concordo, mas apeteceu-me executar o imberbe, sumariamente.

quinta-feira, julho 03, 2003

NIGHTHAWKS Esta recente revisitação da pintura de Hopper que chegou a vários blogues (o Critico e o Aviz) deu-me muito prazer. E voltei a redescobrir a poesia que , literalmente, me deu a conhecer Hopper. O livro chama-se «Uma Exposição», foi editado em 1980 e conta com poemas de João Miguel Fernandes Jorge (um dos meus poetas portugueses favoritos), Joaquim Manuel Magalhães e fotografias de Jorge Molder. O tema comum são as imagens de Hopper, e o que elas nos devolvem. Deixo aqui um dos poemas, de JMFJ. Leiam-no e, se quiserem, vejam.

Sentado à mesa do café
esmaga a casaca do limão
tribulação dos dedos
no frio outubro.

Que tempo mal prestado.

Ao lado,
bebem café com canela.
Perto,
viu a sua tristeza.

quarta-feira, julho 02, 2003

A CANTIGA É UMA ARMA O Ricardo Pinto, do Hipatia complementa gentilmente o meu post anterior sobre a "mini-revoloução" dos Good Charlotte com o "Common People", dos Pulp. Tem razão, mas na história da pop, os antepassados perdem-se no tempo. A pop e o rock são por definição músicas juvenis e portanto proto-revolucionárias. A sua beleza está na sua efemeridade e na variedade dessas revoluções - contra o sistema, como o punk; contra a alma , como os Joy Division;contra o próprio rock, como os The Fall; contra o feio, como os Durrutti Column; contra Thatcher, como o Ghost Town, dos Specials; contra a vulgaridade das letras, como os Smiths; contra...As canções são o instrumento mais eficaz para um golpe de Estado ou de teatro.
Aproveito também para convidar-vos a visitar o blog: bonito, literato e com um culto desmedido - e justíssimo - a um dos filmes mais bonitos dos últimos dez anos: "In The Mood For Love", de Wong-Kar Wai. E Ricardo, o Brideshead não é decadência bela - é o apogeu da civilização, tal como ela deveria ser para sempre. A partir daí, correu tudo mal. Mas eu sou um conservador e anglófilo, como a SBL te poderá esclarecer...
SER CONSERVADOR O Miguel fez outra vez o favor de explicar limpidamente o que muita gente me pergunta (e a outros, e a outros...): o que é isso de ser conservador. Sem entrar em remissões literárias, aconselho a quem esteja interessado nesta questão que leia o seu texto; verá que está muito preso à vida. É por estas e por outras que para mim não é insulto nenhum quando me chamam "acólito do MEC". I wish...

terça-feira, julho 01, 2003

E AGORA, UM BREVE INTERVALO Foda-se, que este gajo é bom!

segunda-feira, junho 30, 2003

REVOLUÇÃO ! De vez em quando aparecem estes pequenos revolucionários rock, que me encantam com a sua ingenuidade e sinceridade. Como os Good Charlotte, que, cada vez que os oiço, não consigo resistir a trautear com eles o refrão de Lifestyles of The Rich And Famous:

Lifestyles
of the rich and the famous
always complainin', always complainin'
If money is such a problem
Well they got mansions
Think we should rob'em

O tempo devolverá a verdade a esta revolução, efémera como um single. As únicas em que acredito, em que me comprazo, de que tenho saudades.
FALHAR Gostei muitíssimo do elogio ao fracasso que o Pedro Lomba escreveu no seu blogue. A vida é, por definição, um fracasso. É o "try again.Fail again.Fail better" do Beckett. Para alguns, como eu, há uma mínima esperança de Redenção maior, que não faço nada por merecer. Acredito que a mais sublime e verdadeira das capacidades humanas é a da sua Danação, mas luto contra isso. E apesar de cristão e mau Católico, gosto de lembrar a frase de Sénancour:«Se vimos do pó e para o pó vamos voltar, façamos entretanto que isso seja uma injustiça».
A SÉRIO ? Alguém aqui ao meu lado diz que não consegue dar a notícia de que Nelo Vingada vai para o Real Madrid, porque parece uma piada. E tem razão: «Carlos Queiroz e Nelo Vingada no Real Madrid »; «Manuel José e Professor Neca no Manchester United ». Há coisas que uma pessoa devia ser dispensado de fazer.
WHAT'S IN A NAME Como toda a gente, vi-me obrigado a comprar o Expresso para ler a entrevista de Paulo Querido ao excelente pipi. Claro que se queria mais, muito mais, mas o competente jornalista nada pôde fazer contra o desejo de anonimato do vate 69. Ainda bem.
O que me leva a outra questão (ou talvez não). O apelido do Paulo veio confirmar «na vida real» o que eu pensava que só acontecia nas séries de humor inglesas. Na quarta e última série de Blackadder, passada durante a I Guerra Mundial, havia um personagem que se chamava Capitão Darling. O efeito cómico era irresistivel: bastava Rowan Atkinson cumprimentá-lo com um "Hello, Darling" para a coisa funcionar. Imaginemos agora a redacção do Expresso: «Precisava de uma artigalhada sobre os blogues para amanhã, Querido". Ou o director: "Aqui o Querido ofereceu-se para fazer uma reportagem infiltrada no Hamas. Não foi, Querido ? Boa sorte, Querido!". Adoro quando a vida imita a arte.
SHE'S BAACK...É com muita alegria que voltei a ler aquela que é provavelmente a única lacaniana que admiro, respeito e invejo. Estou a falar da psicossomática Susana, que regressou a estas lides. Os dias já estão melhores. Qu'est-ce que la femme veut ? Elle veut ça.
ESTE PAÍS QUE EU AMO Lisboa. Gay Parade em marcha. Manifestantes:«No que toca aos genitais, somos ultra-liberais!». Taxista: «Vão trabalhar!».

domingo, junho 29, 2003

NÃO CONSIGO VIVER SEM ACENTOS: Olá, já cá está, conferência, transpôr

sexta-feira, junho 27, 2003

E LEMBREI-ME Caro Francisco, Larkin será uma das melhors bandas sonoras para Hopper.
O PROMETIDO ETC, ETC Tinha prometido um poema de Philip Larkin, outro dos meus heróis literários e de atitude. Mas depois vi o excelente texto do MacGuffin, a propósito do poeta, e acobardei-me. Leiam-no, que está lá tudo, in a nutshell. Entretanto, aqui fica um dos menos amargos textos de Larkin, mas nem por isso menos belo.

DAYS

What are days for ?
Days are where we live.
They come, they wake us
Time and time over.
They are to be happy in:
Where can we live but days ?

Ah, solving that question
Brings the priest and the doctor
In their long coats
Running over the fields.
QUEM PASSA POR ALCOBAÇA...arrisca-se a ver o espectáculo de stand up comedy dos notórios Ricardo Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela. É já amanhã, sábado 28, no bar Clinic, a partir das 23 horas. O bar é fácil de encontrar, mesmo no centro. Os simpáticos comediantes convidaram-me para fazer de Mestre de Cerimónias, e eu, vaidoso, aceitei. Só mais tarde percebi que se tratava de mais uma piada do seu fabuloso repertório. Os rapazes, muito bem educados, não tiveram coragem de retirar o convite. Todos a Alcobaça!
FRAGMENTOS DE UMA NOITE DE VERÃO Uma discreta presença no soundcheck dos The Gift. A garrida exposição da Hilda Portela. Um concerto mágico da Mafalda Arnauth, nas ruínas do convento do Carmo. O longo abraço que ela me deu depois do espectáculo. Conversas com Adriana Calcanhotto: a beleza de Mértola, o brilhantismo da Adília Lopes, que foi aos espectáculos mas não a quis conhecer. As minhas diatribes contra um nefasto cocktail de champagne e Pernod. Adriana a rir, feliz. Adriana no Lux, feliz. Eu também, e também. Há dias que me reconciliam com a humanidade. Mas depois passa.

quarta-feira, junho 25, 2003

ELES VIVEM ! É já amanhã que a VISÃO publica um artigo sobre os blogues e bloguistas nacionais. Pelo que me foi dado ver (isto é, tudo), podem contar com uma coisa bem feita, a la newsmagazine, e que até agora é a mais correcta descrição da blogosfera nacional. Depoimentos de alguns protagonistas ajudam a por a coisa em contexto. E mais: há fotos !

terça-feira, junho 24, 2003

PRONTO, SÓ MAIS ESTA ...mas com muita admiração à mistura: é que o sacana d' O Meu Pipi está cada vez melhor. E agora que lhe deu para a poesia, a coisa é brilhante. A partir de agora, chamar-te-ei de Vate 69!
RIR, RIR, RIR Isto hoje é só piadolas. Parece que estou a fazer concorrência aos meus amigos felinos, mas não. Amanhã levam com Philip Larkin que é para aprenderem.
MANOEL, O ENCENADOR Disseram-me agora que irá estrear uma peça encenada por Manoel de Oliveira, lá para Setembro. Está tudo muito excitado por ver como o homem faz teatro. Eu julgava que ele nunca tinha feito outra coisa.
MADRID ME MATA O Real Madrid, o meu clube espanhol preferido desde sempre (não me comove o sentimento "catalão" do Barcelona) ganhou o campeonato espanhol. Bravo! De passagem, contratou o Beckham: re-bravo! Espero agora tranquilamente a confirmação de Michael Schumacher para guiar o autocarro da equipa.
MELHOR NOME PARA UM BLOGUE DA SEMANA O Blogue de Ann Frank.
POSTUS INTERRUPTUS (com uma vénia à Charlotte) Um estranho bicharoco intrometeu-se no post anterior, cortando-o cerce e assim interrompendo as importantes revelações que me preparava para fazer (yeah, right). Assim, aqui vai de novo: A blogosfera agitou-se com o editorial do Pedro Rolo Duarte. Com razão: como tive já a oportunidade de dizer ao Pedro - que é meu amigo há anos -, ele falhou o essencial desta coisa - a liberdade - e colocou o seu ataque em linguagem quase corporativa. O mais engraçado é que isto foi dito numa festa onde pontificavam vários bloguistas (assim de repente: eu, o 7000 Nomes, a Charlotte e a Clara. Não se registaram incidentes, e mesmo o Mário Zambujal, numa atitude sem precedentes, sorriu. Para mais pormenores da ocasião, passem pela Bomba Inteligente.

segunda-feira, junho 23, 2003

O ATAQUE DO Dna A blogosfera agitou-se com o editorial do Pedro Rolo Duarte. Com razão: como tive já a oportunidade de dizer ao Pedro - que é meu amigo há anos -, ele falhou o essencial desta coisa - a liberdade - e colocou o seu ataque em linguagem quase corporativa. O mais engraçado é que isto foi dito numa festa onde pontificavam vários bloguistas (assim de repente: eu, o 7000 Nomes, a Charlotte e a Francisco José Viegas, do Pedro Mexia e do Pedro Lomba. Todos excelentes e sortidos, a fortalecer a boa escrita e boas ideias que florescem nestes lugares.
AI SE EU FOSSE RICO Compraria o DVD e o livro com os guiões da fabulosa série The Office. Não pôde ser. Como prémio de consolação, fiz-me fotografar em frente à casa onde viveram e ensaiaram os Monty Python, ali para os lados de Covent Garden. Oh well...
NÃO! AFINAL, A ILHA AINDA DOMINA Suspirei eu de alívio, após ver um brilhante documentário no Channel 4 sobre os 21 anos de HRH o príncipe William. Sério, com humor e respeitoso.
REGRESSO Cheguei sábado de Londres, cidade por mim considerada como o berço da civilização ocidental. Fui lá pelas razões do costume: um bom steak and kidney pie, lugares correctos, livrarias galore, clima civilizado (em contraste com a temperatura de Serra Leoa que por cá se tem feito sentir), entrevistar o Sting ,bons cocktails, e passear por Bloomsbury de manhã. Infelizmente, não correu tão bem como isso: estava um calor latino, entrevistei o Sting e esbarrei durante a noite com filas de maníacos do fucking Harry Potter. Será verdade o que dizia aquela pobre cançoneta dos Waterboys - «old England is dying» ?

quarta-feira, junho 18, 2003

AXIOMA FELIZ QUE ESTAVA ESQUECIDO DA SEMANA A vida não é só literatura.

segunda-feira, junho 16, 2003

E PARA ACABAR POR HOJE Mais dois pequenos poemas (parece que fiz alguns convertidos à nova poesia irlandesa). Este é de Rita Ann Higgins, e é uma espécie de contraponto aos que citei em posts anteriores


IT'S PLATONIC

Platonic my eye,

I yearn
for the fullness
of your tongue
making me
burst forth
pleasure after pleasure
after dark

soaking all my dreams


Este outro reencontrei-o na exemplar recista de poesia As Escadas Não Têm Degraus, que teve efémera existência e que tinha como coordenadores João Miguel Fernandes Jorge e António Feijó. Neste número, por exemplo, havia traduções de Yeats, Homero (por Maria Helena Rocha pereira), Beckett (por Miguel Esteves Cardoso) e muitos autores portugueses. Como António Manuel Pinto Cabral:

RECADO AOS CORVOS

Levai tudo:
o brilho fácil das pratas,
o acre toque das sedas.

Deixai só a incombustível
memória das labaredas.
E AGORA AS MÁS. MUITO MÁS. Foi com muita mágoa que li um mail da Susana, Diogo e Heitor - os três responsáveis d'A Psicossomática, de longe um dos mais cultos, inteligentes, divertidos, informados e livres blogs aqui do burgo. Acabou: o trio, ao identificar-se uma vez no seu blog, passou a sofrer pressões extraordinárias no hospital onde trabalham e preferiram desligar. Por motivos que já aqui escrevi, fizeram o que tinham que fazer, e ninguém tem nada com isso. O que mais me entristece nesta história (para além de ter perdido um ou vários motivos para sorrir e ginasticar os neurónios) é a pequenez que este acontecimento revela. Como acabei de escrever ao trio dinâmico : O'Neill ou nada - Portugal, às vezes, não é um país, é mesmo "um lugar mal frequentado". O endereço A Psicossomática ainda existe. Mas já não tem nada a ver com um dos meus blogues favoritos.
PRIMEIRO, AS BOAS NOTÍCIAS Nova vida, novos blogs. Recomendo pelo menos uma visita atenta ao Desejo Casar (gostei muito do "Post-Blitz"), outra ao epistolar e crítico Conta Corrente e também ao Lusitana Santa Liberdade, blog monárquico e português, onde pontifica o meu velho mestre Henrique Barrilaro Ruas, uma das mais sábias pessoas que tive o privilégio de conhecer. Isto está a animar.

quinta-feira, junho 12, 2003

SÓ A POESIA PODE SALVAR O DIA ! E para que não seja tudo desgraças, aqui vão dois poemas, simples, verdadeiros e divertidos, sobre as relações homem/mulher. O primeiro é da autoria de Paul Durcan, um poeta irlandês contemporâneo. Para quem conhece e ama aquele povo como é o meu caso não será dificil detectar a mistura de finissimo humor com uma sensibilidade certeira.

FELICITY IN TURIN

We met in the Valentino, in Turin
And travelled down through Italy by train,
Sleeping together.
I do not mean having sex.
I mean sleeping together.
Of which sexuality is,
And is not, a part.
It is this sleeping together
That is sacred to me.
This yawning together.
You can have sex with anyone
But with whom can you sleep ?

I hate you
Because having slept with me
You left me.



Esta outra pérola mostra algo que toda a gente sentiu um dia, de uma maneira terna e inexplicavelmente simples. Tem semelhanças com o Calle principe, 25, do Tolentino Mendonça. De outro poeta irlandês, Richard Murphy


DOUBLE NEGATIVE

You were standing on the quay
Wondering who was the stranger on the mailboat
While I was on the mailboat
Wondering who was the stranger on the quay.

APELO Pela primeira vez em mais de dois anos, terminou dramaticamente a minha provisão de pocket Moleskine. Ainda tenho um large, de folhas lisas, mas não é a mesma coisa. A única loja que os vendia em Lisboa, no Centro Castil, deixou de os ter. E como cada um tem o seu fétiche, eu sinto-me orfão. Aceito doações ou informações sobre onde encontrar os caderninhos no território continental. Por favor.
MASSACRE DE SANTO ANTÓNIO Turbas ébrias e ululantes. Bairros inteiros invadidos por bárbaros. Sardinhas ao preço de um T1. O body count no dia seguinte. The horror...The horror...

segunda-feira, junho 09, 2003

ENTRADAS POR SAÍDAS E só para reforçar o post anterior, falemos das anunciadas saídas de bloguistas eméritos. Ora bem: eu lamento a futura ausência do João Pereira Coutinho, excelente e culto colunista com o qual até me identifico politicamente. Lamento ainda mais a forma como saiu, e como fica em exclusivo a ser o único motivo de interesse do bisonho semanário em que escreve. O que eu não percebo é o drama. As linhas que por aí aparecem na blogosfera são pensadas e escritas por pessoas; e as pessoas - os amigos, os amantes, os conjuges - zangam-se e por vezes batem a porta. Um blog, nesse sentido, atinge o seu nível mais próximo da vida "real", onde há traições, insultos, paixões, amuos, pensamentos. Com uma diferença, fundamental: a liberdade de o fazer é absoluta, e que, em última análise, pode até não se compadecer com justificações. O JPC - e outros que decidam desligar - não perdem um milimetro do seu caracter e da sua especificidade. Não têm que se justificar perante uma comunidade virtual, se quiserem. Fá-lo-ão com quem bem entenderem, e como bem entenderem. É a boa notícia para quem bloga: isto não é a vida, mas é a vida.
A QUANTIDADE IMPORTA O referencial Blogs em Pt contabiliza 611 lusoblogues. Mas a julgar pela tempestade monotemática de posts que por aí anda (e em que me incluo), parecemos só meia dúzia. Isto reflecte assim tanto a nossa dimensão ?
HÁ ESPERANÇA ! No meio da minha azáfama habitual das segundas-feiras (sim, estou a trabalhar) consigo alguns minutos para ligar a uma amiga. Pergunto-lhe se a incomodo: «Não, nada. Estou em casa, e estava só ali ao piano a tocar a "Sonata ao luar" de Beethoven». É por respostas destas que eu acho que a vida vale a pena.
A CIMEIRA QUE ABALOU O MUNDO Já foi muito comentada por essa enorme blogosfera a cimeira de paz realizada ontem, em directo, por Herman e Teresa. Desavindos há anos, eis que se reencontram. Uma criatura mais malévola que comigo convive deu uma explicação: «É natural que duas pessoas com gostos em comum façam as pazes». Registo.
A NOVA BÍBLIA Alertado pelo Gato, lá fui espreitar o novel blogue Caderneta da Bola. E é tudo o que disseram: futebol com gosto pela anedota, cromos perdidos, humor e visão distanciada, paixão pelo jogo...Perfeito para quem gosta do jogo e de tudo à volta, e a mais saudável alternativa à Tristíssima Trindade dos diários «desportivos» nacionais. Parabéns !

sexta-feira, junho 06, 2003

MAIS UM SUBSÍDIO PARA EXPLICAR A FALTA DE BRILHO DO ENCONTRO DO S.LUIZ O gin tónico que eu bebi durante o debate era o pior da blogosfera.

quinta-feira, junho 05, 2003

E ASSIM ACONTECEU Estive ontem em mais um encontro do "É a cultura, estúpido", cujo tema principal era os blogs e bloggers lusos. A coisa não correu mal de todo, visto a esta distância e tendo em conta que eu era um dos oradores. A sala do S.Luiz estava cheia - de curiosos, bloggers silenciosos e a Graça Lobo. As opiniões do Pedro Mexia e do Zé Mário Silva sobre os livros que andam e não andam a ler foram curtas, divertidas e inteligentes. A stand up comedy do Ricardo foi, como de costume, genial. Muito bom o momento em que leu uma crónica da incontornável Camila Coelho. Quanto ao debate em si, pareceu-me ali uma certa falta de preparação da Anabela Mota Ribeiro, obcecada que estava em saber se os blogs eram de "esquerda" ou "direita" e se nós tínhamos vida própria. Haveria muito mais a dizer - a questão deste meio ser de liberdade absoluta - e provavelmente o único, nesta altura - de ser um depositário das idissincrassias das pessoas - logo, tornando um objecto virtual demasiadamente humano - e até dos poucos lugares onde há paixão inteligente. E isto só para citar algumas vantagens. Infelizmente, AMR não esteve para isso. Mas o que é certo é que quando a plateia foi instada a pronunciar-se ninguém falou. E eles estavam lá!
Gostei muito de conhecer o Tiago e a veemência inteligente da Mariana, que, como se não bastasse, é bonita (por favor, isto NÃO é um comentário sexista, é uma nota de reportagem).
NÃO gostei de NÃO ter conhecido o Maradona e o MacGuffin, que estiveram lá e não se apresentaram. Cobardes! Nem levam links para aprenderem. Mas, all in all, um bom fim de tarde (e de noite, diria eu. Mas isso não conto.)

terça-feira, junho 03, 2003

LÁ ESTAREI Amanhã, 18.30, no São Luiz, para o encontro "É a cultura, estúpido!". Desde já peço desculpa pela desilusão que irei causar.
O HOMEM SABIA Esgravatando com renovado prazer os shorter poems do senhor Auden, descobri este pequeno comentário, que bem podia servir de aviso a estes dias que atravessamos:

Private faces in public places
Are wiser and nicer
Than public faces in private places

domingo, junho 01, 2003

SÓ UM POUCO DE VAIDADE Eu não sou um rapaz vaidoso, e muito menos um Oscar Wilde (em matéria de luminosidade de conversação, talento e tudo o resto...). Mas confesso que fiquei orgulhoso da minha réplica a um amigo meu, esquerdista anti-guerra convicto e responsável pela mais importante editora discográfica a funcionar em Portugal. Dizia-me ele, em pleno Coliseu, no intervalo dos Globos de Ouro:

-Então, onde é que estão as armas de destruição maciça ? Não encontraram nem uma.

-Pois não, estou devastado . Só encontrámos valas comuns.
OH HAPPY DAY ! O clube do meu coração e cabeça , a Académica de Coimbra, fiel à sua estética hitchcockiana, assegurou a manutenção na "Super"Liga no último jogo do campeonato. Agora só resta abandonarem a condição de casa de repouso de prestígio e correrem com o senhores Artur Jorge e Raul Águas. É que há coisas que não se aguentam nem de borla.

sexta-feira, maio 30, 2003

DAMN! Fui ao Frágil ouvir os Rádio Macau. E, bolas - gostei muito ! É como dizia o Mestre: "I grow old...I shall wear the bottom of my trousers rolled".
BREVE ESCLARECIMENTO O autor deste modesto lugar esclarece a todos os que questionaram a sua ausência que NÃO FOI NOTIFICADO PARA NADA nem se encontra a prestar declarações seja onde fôr. Todos os meus vícios são públicos, senão não tinham graça nenhuma.

segunda-feira, maio 26, 2003

ANTECIPANDO OS INSULTOS Eu até gosto do desbragamento libertário d' O Meu Pipi, que utiliza os palavrões como eles devem ser utilizados - e não em contextos literais de significação (Deus, soltou-se o Prado Coelho que há em mim!). Mas achava muito mais graça se o autor dos posts fosse uma mulher.
PALAVRAS PARA QUÊ ? Para todos aqueles que como eu prestam uma obsessiva atenção às letras das canções, este é o lugar a visitar. A colecção de letras mal ouvidas é deliciosa e toca a todos: por exemplo, "eight days a week, I love you" (dos Beatles) passa a "eight days Louise, I love you"; ou o já clássico "There's a bathroom on the right", para "there's a bad moon on the rise". Brilhante.