segunda-feira, julho 14, 2003

PRIMEIRO POEMA, COM DEDICATÓRIA DEVIDAMENTE IDENTIFICADA

Voltas a mote seu

Enforquei a minha Esperança;
Mas Amor foi tão madraço,
Que lhe cortou o baraço.


Foi a Esperança julgada
Por sentença da Ventura
Que, pois me teve à pendura,
Que fosse dependurada.
Um Cupido coa espada,
Corta-lhe cerce o baraço.
Cupido, foste madraço.

Luís Vaz de Camões
A MINHA PÁTRIA É O QUE EU FALO Agora que regressei de terras algarvias - ainda sem a enchente que se espera a partir do dia 15 -, posso contribuir sem qualquer hesitação para a destruição de mais um preconceito: a de que o turista nacional tem de saber falar línguas estrangeiras para ser bem atendido pela restauração algarvia. Esses tempos acabaram. Podemos falar português sem medo - os empregados são todos brasileiros.

sábado, julho 12, 2003

ADMIRAVEL MUNDO NOVO Escrevo estas palavras numa dessas extraordinarias maquinetas ue garantem o acesso a internet (sem acentos) mediante colocacao (e sem cedilhas) periodica de moedas.Atras de mim estao duas criancas de 10 ou 11 anos, que esperam com impaciencia. Ja fui assim: ficava junto aos flippers perto do liceu, ä espera de ouvir um "game over" redentor. Os tempos mudam, e daqui nem consigo sequer tirar um bonus com "especial aceso".
ESTADIO DE VERAO Podiam formar-se varias equipas de futebol com as camisolas que os veraneantes envergam por estes lados.Ja vi equipamentos do Newcastle, Manchester City,Celtic, Liverpool e ate um pobre diabo com a camisola do Benfica. As seleccoes tambem estao bem representadas, com predominancia para os lindos tres leöes ingleses. Por isso e facil descortinar os craques da bola: säao os que usam t-shirts lisas.
E EM QUE OUTRA PARTE DO MUNDO ...? Cheguei ao Algarve hä menos de 24 horas e jä tenho os autografos do Figo e do Zidane.

quinta-feira, julho 10, 2003

ATÉ JÁ, AMIGOS Espero voltar com vida e com assunto para blogar das terras do Sul. Foi para isso que comprei três Moleskine Volant, ideais para as terras tropicais. Entretanto, queiram fazer o favor de encher a minha caixa de correio com sugestões de destinos de inferno, elogios, invectivas e cheques pré-datados. major_scobie@hotmail.com, se fizerem a fineza.
EU NÃO ERA FÃ DE DULCE PONTES Mas este sítio mudou toda a minha perspectiva.
STIFF UPPER LIP Claro que exagero. Eu posso não gostar muito do Algarve nesta época do ano (não me lembro qual é a outra quando gosto), podia até preferir ir para os lados de Tavira, onde ainda há civilização e não para Vilamoura, onde há o Paulo China. Podia lembrar-me que há bons restaurantes (e há), boas praias (deve haver). Mas não. Até domingo lá estarei, na missão mais perigosa da minha carreira jornalística. Mas há um consolo: Vilamoura e arredores, nesta altura do ano, não deve ter assim tanta gente como outros destinos. Por exemplo, Bombaim.
JUST DOING MY JOB Os meus colegas de redacção emudeceram. Alguns, veteranos correspondentes de guerra, tremeram. Uma repórter, que atravessou clandestinamente o Afeganistão sob uma burkha e sempre visada pelas armas talibãs, ganhou-me um novo respeito. A partir de hoje, ninguém fala do Hemingway, do Peter Arnett. A partir de hoje, fala-se do Guedes: o homem a quem a revista mandou para o Algarve, a meados de Julho.

quarta-feira, julho 09, 2003

APELO À UBL Rapaziada amiga, o estimável Abrupto tem toda a razão quando discorre sobre a carloscastrização do nosso jantar. Quem é que se esqueceu de o convidar ?
FORA DO ARMÁRIO ! O meu amigo Chalabi recebeu um mail assertivo sobre a sua sexualidade, onde o identificam claramente como sendo «lésbica». Eu confirmo sem problemas a sua orientação sexual, que sempre o guiou e em que sempre viveu confortável, não ligando a pormenores redundantes como o facto de ser um homem.

segunda-feira, julho 07, 2003

JANTAR UBL Sobre o já afamado jantar, muitos escreveram mais e melhor do que eu, que só agora chego à blogosfera. Só tenho a dizer que, apesar do tamanho da mesa que nos foi dada no Espaço Lisboa (cuja superficie do tampo poderia sustentar tranquilamente um número duplo do Holiday On Ice), a distância ficou muito mais curta. A Organização está mais forte, e honro-me em poder conviver com uma nova geração inteligente, culta, educada e, mais do que isso, com um óptimo sentido de humor. E estamos a crescer!
Quanto a ti, Pedro, e às tuas generosas palavras, resta-me apenas confirmar que avultado cheque já está no correio (há quem prefira malas, eu sei...).
Ó GLÓRIA ! Ó FAMA ! O magnífico Vate 69 revela nesta entrevista que, entre duas oferendas a Onan, passa sempre por esta modesta casa. É dos melhores elogios que me fizeram ultimamente.

sábado, julho 05, 2003

VERDADE DU JOUR, VERSÃO SPORTSWEAR Leio no Hipatia algo parecido a: "Abro o baú", encontro números da "defunta mas não esquecida revista Kapa", as "conversas de ir ao Bip"...Como antigo editor, membro fundador e afundador da dita revista, ainda me faz confusão que alguém vá ao "baú" buscá-la, nostalgicamente. Mas de repente, enquanto tomava o pequeno-almoço, um adolescente entra no café com uma T-Shirt que grita "The older I get the better I was". Não concordo, mas apeteceu-me executar o imberbe, sumariamente.

quinta-feira, julho 03, 2003

NIGHTHAWKS Esta recente revisitação da pintura de Hopper que chegou a vários blogues (o Critico e o Aviz) deu-me muito prazer. E voltei a redescobrir a poesia que , literalmente, me deu a conhecer Hopper. O livro chama-se «Uma Exposição», foi editado em 1980 e conta com poemas de João Miguel Fernandes Jorge (um dos meus poetas portugueses favoritos), Joaquim Manuel Magalhães e fotografias de Jorge Molder. O tema comum são as imagens de Hopper, e o que elas nos devolvem. Deixo aqui um dos poemas, de JMFJ. Leiam-no e, se quiserem, vejam.

Sentado à mesa do café
esmaga a casaca do limão
tribulação dos dedos
no frio outubro.

Que tempo mal prestado.

Ao lado,
bebem café com canela.
Perto,
viu a sua tristeza.

quarta-feira, julho 02, 2003

A CANTIGA É UMA ARMA O Ricardo Pinto, do Hipatia complementa gentilmente o meu post anterior sobre a "mini-revoloução" dos Good Charlotte com o "Common People", dos Pulp. Tem razão, mas na história da pop, os antepassados perdem-se no tempo. A pop e o rock são por definição músicas juvenis e portanto proto-revolucionárias. A sua beleza está na sua efemeridade e na variedade dessas revoluções - contra o sistema, como o punk; contra a alma , como os Joy Division;contra o próprio rock, como os The Fall; contra o feio, como os Durrutti Column; contra Thatcher, como o Ghost Town, dos Specials; contra a vulgaridade das letras, como os Smiths; contra...As canções são o instrumento mais eficaz para um golpe de Estado ou de teatro.
Aproveito também para convidar-vos a visitar o blog: bonito, literato e com um culto desmedido - e justíssimo - a um dos filmes mais bonitos dos últimos dez anos: "In The Mood For Love", de Wong-Kar Wai. E Ricardo, o Brideshead não é decadência bela - é o apogeu da civilização, tal como ela deveria ser para sempre. A partir daí, correu tudo mal. Mas eu sou um conservador e anglófilo, como a SBL te poderá esclarecer...
SER CONSERVADOR O Miguel fez outra vez o favor de explicar limpidamente o que muita gente me pergunta (e a outros, e a outros...): o que é isso de ser conservador. Sem entrar em remissões literárias, aconselho a quem esteja interessado nesta questão que leia o seu texto; verá que está muito preso à vida. É por estas e por outras que para mim não é insulto nenhum quando me chamam "acólito do MEC". I wish...

terça-feira, julho 01, 2003

E AGORA, UM BREVE INTERVALO Foda-se, que este gajo é bom!

segunda-feira, junho 30, 2003

REVOLUÇÃO ! De vez em quando aparecem estes pequenos revolucionários rock, que me encantam com a sua ingenuidade e sinceridade. Como os Good Charlotte, que, cada vez que os oiço, não consigo resistir a trautear com eles o refrão de Lifestyles of The Rich And Famous:

Lifestyles
of the rich and the famous
always complainin', always complainin'
If money is such a problem
Well they got mansions
Think we should rob'em

O tempo devolverá a verdade a esta revolução, efémera como um single. As únicas em que acredito, em que me comprazo, de que tenho saudades.
FALHAR Gostei muitíssimo do elogio ao fracasso que o Pedro Lomba escreveu no seu blogue. A vida é, por definição, um fracasso. É o "try again.Fail again.Fail better" do Beckett. Para alguns, como eu, há uma mínima esperança de Redenção maior, que não faço nada por merecer. Acredito que a mais sublime e verdadeira das capacidades humanas é a da sua Danação, mas luto contra isso. E apesar de cristão e mau Católico, gosto de lembrar a frase de Sénancour:«Se vimos do pó e para o pó vamos voltar, façamos entretanto que isso seja uma injustiça».