O PROMETIDO ETC, ETC Tinha prometido um poema de Philip Larkin, outro dos meus heróis literários e de atitude. Mas depois vi o excelente texto do MacGuffin, a propósito do poeta, e acobardei-me. Leiam-no, que está lá tudo, in a nutshell. Entretanto, aqui fica um dos menos amargos textos de Larkin, mas nem por isso menos belo.
DAYS
What are days for ?
Days are where we live.
They come, they wake us
Time and time over.
They are to be happy in:
Where can we live but days ?
Ah, solving that question
Brings the priest and the doctor
In their long coats
Running over the fields.
sexta-feira, junho 27, 2003
QUEM PASSA POR ALCOBAÇA...arrisca-se a ver o espectáculo de stand up comedy dos notórios Ricardo Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela. É já amanhã, sábado 28, no bar Clinic, a partir das 23 horas. O bar é fácil de encontrar, mesmo no centro. Os simpáticos comediantes convidaram-me para fazer de Mestre de Cerimónias, e eu, vaidoso, aceitei. Só mais tarde percebi que se tratava de mais uma piada do seu fabuloso repertório. Os rapazes, muito bem educados, não tiveram coragem de retirar o convite. Todos a Alcobaça!
FRAGMENTOS DE UMA NOITE DE VERÃO Uma discreta presença no soundcheck dos The Gift. A garrida exposição da Hilda Portela. Um concerto mágico da Mafalda Arnauth, nas ruínas do convento do Carmo. O longo abraço que ela me deu depois do espectáculo. Conversas com Adriana Calcanhotto: a beleza de Mértola, o brilhantismo da Adília Lopes, que foi aos espectáculos mas não a quis conhecer. As minhas diatribes contra um nefasto cocktail de champagne e Pernod. Adriana a rir, feliz. Adriana no Lux, feliz. Eu também, e também. Há dias que me reconciliam com a humanidade. Mas depois passa.
quarta-feira, junho 25, 2003
ELES VIVEM ! É já amanhã que a VISÃO publica um artigo sobre os blogues e bloguistas nacionais. Pelo que me foi dado ver (isto é, tudo), podem contar com uma coisa bem feita, a la newsmagazine, e que até agora é a mais correcta descrição da blogosfera nacional. Depoimentos de alguns protagonistas ajudam a por a coisa em contexto. E mais: há fotos !
terça-feira, junho 24, 2003
PRONTO, SÓ MAIS ESTA ...mas com muita admiração à mistura: é que o sacana d' O Meu Pipi está cada vez melhor. E agora que lhe deu para a poesia, a coisa é brilhante. A partir de agora, chamar-te-ei de Vate 69!
RIR, RIR, RIR Isto hoje é só piadolas. Parece que estou a fazer concorrência aos meus amigos felinos, mas não. Amanhã levam com Philip Larkin que é para aprenderem.
MADRID ME MATA O Real Madrid, o meu clube espanhol preferido desde sempre (não me comove o sentimento "catalão" do Barcelona) ganhou o campeonato espanhol. Bravo! De passagem, contratou o Beckham: re-bravo! Espero agora tranquilamente a confirmação de Michael Schumacher para guiar o autocarro da equipa.
POSTUS INTERRUPTUS (com uma vénia à Charlotte) Um estranho bicharoco intrometeu-se no post anterior, cortando-o cerce e assim interrompendo as importantes revelações que me preparava para fazer (yeah, right). Assim, aqui vai de novo: A blogosfera agitou-se com o editorial do Pedro Rolo Duarte. Com razão: como tive já a oportunidade de dizer ao Pedro - que é meu amigo há anos -, ele falhou o essencial desta coisa - a liberdade - e colocou o seu ataque em linguagem quase corporativa. O mais engraçado é que isto foi dito numa festa onde pontificavam vários bloguistas (assim de repente: eu, o 7000 Nomes, a Charlotte e a Clara. Não se registaram incidentes, e mesmo o Mário Zambujal, numa atitude sem precedentes, sorriu. Para mais pormenores da ocasião, passem pela Bomba Inteligente.
segunda-feira, junho 23, 2003
O ATAQUE DO Dna A blogosfera agitou-se com o editorial do Pedro Rolo Duarte. Com razão: como tive já a oportunidade de dizer ao Pedro - que é meu amigo há anos -, ele falhou o essencial desta coisa - a liberdade - e colocou o seu ataque em linguagem quase corporativa. O mais engraçado é que isto foi dito numa festa onde pontificavam vários bloguistas (assim de repente: eu, o 7000 Nomes, a Charlotte e a Francisco José Viegas, do Pedro Mexia e do Pedro Lomba. Todos excelentes e sortidos, a fortalecer a boa escrita e boas ideias que florescem nestes lugares.
REGRESSO Cheguei sábado de Londres, cidade por mim considerada como o berço da civilização ocidental. Fui lá pelas razões do costume: um bom steak and kidney pie, lugares correctos, livrarias galore, clima civilizado (em contraste com a temperatura de Serra Leoa que por cá se tem feito sentir), entrevistar o Sting ,bons cocktails, e passear por Bloomsbury de manhã. Infelizmente, não correu tão bem como isso: estava um calor latino, entrevistei o Sting e esbarrei durante a noite com filas de maníacos do fucking Harry Potter. Será verdade o que dizia aquela pobre cançoneta dos Waterboys - «old England is dying» ?
quarta-feira, junho 18, 2003
segunda-feira, junho 16, 2003
E PARA ACABAR POR HOJE Mais dois pequenos poemas (parece que fiz alguns convertidos à nova poesia irlandesa). Este é de Rita Ann Higgins, e é uma espécie de contraponto aos que citei em posts anteriores
IT'S PLATONIC
Platonic my eye,
I yearn
for the fullness
of your tongue
making me
burst forth
pleasure after pleasure
after dark
soaking all my dreams
Este outro reencontrei-o na exemplar recista de poesia As Escadas Não Têm Degraus, que teve efémera existência e que tinha como coordenadores João Miguel Fernandes Jorge e António Feijó. Neste número, por exemplo, havia traduções de Yeats, Homero (por Maria Helena Rocha pereira), Beckett (por Miguel Esteves Cardoso) e muitos autores portugueses. Como António Manuel Pinto Cabral:
RECADO AOS CORVOS
Levai tudo:
o brilho fácil das pratas,
o acre toque das sedas.
Deixai só a incombustível
memória das labaredas.
IT'S PLATONIC
Platonic my eye,
I yearn
for the fullness
of your tongue
making me
burst forth
pleasure after pleasure
after dark
soaking all my dreams
Este outro reencontrei-o na exemplar recista de poesia As Escadas Não Têm Degraus, que teve efémera existência e que tinha como coordenadores João Miguel Fernandes Jorge e António Feijó. Neste número, por exemplo, havia traduções de Yeats, Homero (por Maria Helena Rocha pereira), Beckett (por Miguel Esteves Cardoso) e muitos autores portugueses. Como António Manuel Pinto Cabral:
RECADO AOS CORVOS
Levai tudo:
o brilho fácil das pratas,
o acre toque das sedas.
Deixai só a incombustível
memória das labaredas.
E AGORA AS MÁS. MUITO MÁS. Foi com muita mágoa que li um mail da Susana, Diogo e Heitor - os três responsáveis d'A Psicossomática, de longe um dos mais cultos, inteligentes, divertidos, informados e livres blogs aqui do burgo. Acabou: o trio, ao identificar-se uma vez no seu blog, passou a sofrer pressões extraordinárias no hospital onde trabalham e preferiram desligar. Por motivos que já aqui escrevi, fizeram o que tinham que fazer, e ninguém tem nada com isso. O que mais me entristece nesta história (para além de ter perdido um ou vários motivos para sorrir e ginasticar os neurónios) é a pequenez que este acontecimento revela. Como acabei de escrever ao trio dinâmico : O'Neill ou nada - Portugal, às vezes, não é um país, é mesmo "um lugar mal frequentado". O endereço A Psicossomática ainda existe. Mas já não tem nada a ver com um dos meus blogues favoritos.
PRIMEIRO, AS BOAS NOTÍCIAS Nova vida, novos blogs. Recomendo pelo menos uma visita atenta ao Desejo Casar (gostei muito do "Post-Blitz"), outra ao epistolar e crítico Conta Corrente e também ao Lusitana Santa Liberdade, blog monárquico e português, onde pontifica o meu velho mestre Henrique Barrilaro Ruas, uma das mais sábias pessoas que tive o privilégio de conhecer. Isto está a animar.

