quarta-feira, junho 18, 2003
segunda-feira, junho 16, 2003
E PARA ACABAR POR HOJE Mais dois pequenos poemas (parece que fiz alguns convertidos à nova poesia irlandesa). Este é de Rita Ann Higgins, e é uma espécie de contraponto aos que citei em posts anteriores
IT'S PLATONIC
Platonic my eye,
I yearn
for the fullness
of your tongue
making me
burst forth
pleasure after pleasure
after dark
soaking all my dreams
Este outro reencontrei-o na exemplar recista de poesia As Escadas Não Têm Degraus, que teve efémera existência e que tinha como coordenadores João Miguel Fernandes Jorge e António Feijó. Neste número, por exemplo, havia traduções de Yeats, Homero (por Maria Helena Rocha pereira), Beckett (por Miguel Esteves Cardoso) e muitos autores portugueses. Como António Manuel Pinto Cabral:
RECADO AOS CORVOS
Levai tudo:
o brilho fácil das pratas,
o acre toque das sedas.
Deixai só a incombustível
memória das labaredas.
IT'S PLATONIC
Platonic my eye,
I yearn
for the fullness
of your tongue
making me
burst forth
pleasure after pleasure
after dark
soaking all my dreams
Este outro reencontrei-o na exemplar recista de poesia As Escadas Não Têm Degraus, que teve efémera existência e que tinha como coordenadores João Miguel Fernandes Jorge e António Feijó. Neste número, por exemplo, havia traduções de Yeats, Homero (por Maria Helena Rocha pereira), Beckett (por Miguel Esteves Cardoso) e muitos autores portugueses. Como António Manuel Pinto Cabral:
RECADO AOS CORVOS
Levai tudo:
o brilho fácil das pratas,
o acre toque das sedas.
Deixai só a incombustível
memória das labaredas.
E AGORA AS MÁS. MUITO MÁS. Foi com muita mágoa que li um mail da Susana, Diogo e Heitor - os três responsáveis d'A Psicossomática, de longe um dos mais cultos, inteligentes, divertidos, informados e livres blogs aqui do burgo. Acabou: o trio, ao identificar-se uma vez no seu blog, passou a sofrer pressões extraordinárias no hospital onde trabalham e preferiram desligar. Por motivos que já aqui escrevi, fizeram o que tinham que fazer, e ninguém tem nada com isso. O que mais me entristece nesta história (para além de ter perdido um ou vários motivos para sorrir e ginasticar os neurónios) é a pequenez que este acontecimento revela. Como acabei de escrever ao trio dinâmico : O'Neill ou nada - Portugal, às vezes, não é um país, é mesmo "um lugar mal frequentado". O endereço A Psicossomática ainda existe. Mas já não tem nada a ver com um dos meus blogues favoritos.
PRIMEIRO, AS BOAS NOTÍCIAS Nova vida, novos blogs. Recomendo pelo menos uma visita atenta ao Desejo Casar (gostei muito do "Post-Blitz"), outra ao epistolar e crítico Conta Corrente e também ao Lusitana Santa Liberdade, blog monárquico e português, onde pontifica o meu velho mestre Henrique Barrilaro Ruas, uma das mais sábias pessoas que tive o privilégio de conhecer. Isto está a animar.
quinta-feira, junho 12, 2003
SÓ A POESIA PODE SALVAR O DIA ! E para que não seja tudo desgraças, aqui vão dois poemas, simples, verdadeiros e divertidos, sobre as relações homem/mulher. O primeiro é da autoria de Paul Durcan, um poeta irlandês contemporâneo. Para quem conhece e ama aquele povo como é o meu caso não será dificil detectar a mistura de finissimo humor com uma sensibilidade certeira.
FELICITY IN TURIN
We met in the Valentino, in Turin
And travelled down through Italy by train,
Sleeping together.
I do not mean having sex.
I mean sleeping together.
Of which sexuality is,
And is not, a part.
It is this sleeping together
That is sacred to me.
This yawning together.
You can have sex with anyone
But with whom can you sleep ?
I hate you
Because having slept with me
You left me.
Esta outra pérola mostra algo que toda a gente sentiu um dia, de uma maneira terna e inexplicavelmente simples. Tem semelhanças com o Calle principe, 25, do Tolentino Mendonça. De outro poeta irlandês, Richard Murphy
DOUBLE NEGATIVE
You were standing on the quay
Wondering who was the stranger on the mailboat
While I was on the mailboat
Wondering who was the stranger on the quay.
FELICITY IN TURIN
We met in the Valentino, in Turin
And travelled down through Italy by train,
Sleeping together.
I do not mean having sex.
I mean sleeping together.
Of which sexuality is,
And is not, a part.
It is this sleeping together
That is sacred to me.
This yawning together.
You can have sex with anyone
But with whom can you sleep ?
I hate you
Because having slept with me
You left me.
Esta outra pérola mostra algo que toda a gente sentiu um dia, de uma maneira terna e inexplicavelmente simples. Tem semelhanças com o Calle principe, 25, do Tolentino Mendonça. De outro poeta irlandês, Richard Murphy
DOUBLE NEGATIVE
You were standing on the quay
Wondering who was the stranger on the mailboat
While I was on the mailboat
Wondering who was the stranger on the quay.
APELO Pela primeira vez em mais de dois anos, terminou dramaticamente a minha provisão de pocket Moleskine. Ainda tenho um large, de folhas lisas, mas não é a mesma coisa. A única loja que os vendia em Lisboa, no Centro Castil, deixou de os ter. E como cada um tem o seu fétiche, eu sinto-me orfão. Aceito doações ou informações sobre onde encontrar os caderninhos no território continental. Por favor.
segunda-feira, junho 09, 2003
ENTRADAS POR SAÍDAS E só para reforçar o post anterior, falemos das anunciadas saídas de bloguistas eméritos. Ora bem: eu lamento a futura ausência do João Pereira Coutinho, excelente e culto colunista com o qual até me identifico politicamente. Lamento ainda mais a forma como saiu, e como fica em exclusivo a ser o único motivo de interesse do bisonho semanário em que escreve. O que eu não percebo é o drama. As linhas que por aí aparecem na blogosfera são pensadas e escritas por pessoas; e as pessoas - os amigos, os amantes, os conjuges - zangam-se e por vezes batem a porta. Um blog, nesse sentido, atinge o seu nível mais próximo da vida "real", onde há traições, insultos, paixões, amuos, pensamentos. Com uma diferença, fundamental: a liberdade de o fazer é absoluta, e que, em última análise, pode até não se compadecer com justificações. O JPC - e outros que decidam desligar - não perdem um milimetro do seu caracter e da sua especificidade. Não têm que se justificar perante uma comunidade virtual, se quiserem. Fá-lo-ão com quem bem entenderem, e como bem entenderem. É a boa notícia para quem bloga: isto não é a vida, mas é a vida.
A QUANTIDADE IMPORTA O referencial Blogs em Pt contabiliza 611 lusoblogues. Mas a julgar pela tempestade monotemática de posts que por aí anda (e em que me incluo), parecemos só meia dúzia. Isto reflecte assim tanto a nossa dimensão ?
HÁ ESPERANÇA ! No meio da minha azáfama habitual das segundas-feiras (sim, estou a trabalhar) consigo alguns minutos para ligar a uma amiga. Pergunto-lhe se a incomodo: «Não, nada. Estou em casa, e estava só ali ao piano a tocar a "Sonata ao luar" de Beethoven». É por respostas destas que eu acho que a vida vale a pena.
A CIMEIRA QUE ABALOU O MUNDO Já foi muito comentada por essa enorme blogosfera a cimeira de paz realizada ontem, em directo, por Herman e Teresa. Desavindos há anos, eis que se reencontram. Uma criatura mais malévola que comigo convive deu uma explicação: «É natural que duas pessoas com gostos em comum façam as pazes». Registo.
A NOVA BÍBLIA Alertado pelo Gato, lá fui espreitar o novel blogue Caderneta da Bola. E é tudo o que disseram: futebol com gosto pela anedota, cromos perdidos, humor e visão distanciada, paixão pelo jogo...Perfeito para quem gosta do jogo e de tudo à volta, e a mais saudável alternativa à Tristíssima Trindade dos diários «desportivos» nacionais. Parabéns !
sexta-feira, junho 06, 2003
quinta-feira, junho 05, 2003
E ASSIM ACONTECEU Estive ontem em mais um encontro do "É a cultura, estúpido", cujo tema principal era os blogs e bloggers lusos. A coisa não correu mal de todo, visto a esta distância e tendo em conta que eu era um dos oradores. A sala do S.Luiz estava cheia - de curiosos, bloggers silenciosos e a Graça Lobo. As opiniões do Pedro Mexia e do Zé Mário Silva sobre os livros que andam e não andam a ler foram curtas, divertidas e inteligentes. A stand up comedy do Ricardo foi, como de costume, genial. Muito bom o momento em que leu uma crónica da incontornável Camila Coelho. Quanto ao debate em si, pareceu-me ali uma certa falta de preparação da Anabela Mota Ribeiro, obcecada que estava em saber se os blogs eram de "esquerda" ou "direita" e se nós tínhamos vida própria. Haveria muito mais a dizer - a questão deste meio ser de liberdade absoluta - e provavelmente o único, nesta altura - de ser um depositário das idissincrassias das pessoas - logo, tornando um objecto virtual demasiadamente humano - e até dos poucos lugares onde há paixão inteligente. E isto só para citar algumas vantagens. Infelizmente, AMR não esteve para isso. Mas o que é certo é que quando a plateia foi instada a pronunciar-se ninguém falou. E eles estavam lá!
Gostei muito de conhecer o Tiago e a veemência inteligente da Mariana, que, como se não bastasse, é bonita (por favor, isto NÃO é um comentário sexista, é uma nota de reportagem).
NÃO gostei de NÃO ter conhecido o Maradona e o MacGuffin, que estiveram lá e não se apresentaram. Cobardes! Nem levam links para aprenderem. Mas, all in all, um bom fim de tarde (e de noite, diria eu. Mas isso não conto.)
Gostei muito de conhecer o Tiago e a veemência inteligente da Mariana, que, como se não bastasse, é bonita (por favor, isto NÃO é um comentário sexista, é uma nota de reportagem).
NÃO gostei de NÃO ter conhecido o Maradona e o MacGuffin, que estiveram lá e não se apresentaram. Cobardes! Nem levam links para aprenderem. Mas, all in all, um bom fim de tarde (e de noite, diria eu. Mas isso não conto.)
terça-feira, junho 03, 2003
O HOMEM SABIA Esgravatando com renovado prazer os shorter poems do senhor Auden, descobri este pequeno comentário, que bem podia servir de aviso a estes dias que atravessamos:
Private faces in public places
Are wiser and nicer
Than public faces in private places
Private faces in public places
Are wiser and nicer
Than public faces in private places
domingo, junho 01, 2003
SÓ UM POUCO DE VAIDADE Eu não sou um rapaz vaidoso, e muito menos um Oscar Wilde (em matéria de luminosidade de conversação, talento e tudo o resto...). Mas confesso que fiquei orgulhoso da minha réplica a um amigo meu, esquerdista anti-guerra convicto e responsável pela mais importante editora discográfica a funcionar em Portugal. Dizia-me ele, em pleno Coliseu, no intervalo dos Globos de Ouro:
-Então, onde é que estão as armas de destruição maciça ? Não encontraram nem uma.
-Pois não, estou devastado . Só encontrámos valas comuns.
-Então, onde é que estão as armas de destruição maciça ? Não encontraram nem uma.
-Pois não, estou devastado . Só encontrámos valas comuns.
OH HAPPY DAY ! O clube do meu coração e cabeça , a Académica de Coimbra, fiel à sua estética hitchcockiana, assegurou a manutenção na "Super"Liga no último jogo do campeonato. Agora só resta abandonarem a condição de casa de repouso de prestígio e correrem com o senhores Artur Jorge e Raul Águas. É que há coisas que não se aguentam nem de borla.
sexta-feira, maio 30, 2003
DAMN! Fui ao Frágil ouvir os Rádio Macau. E, bolas - gostei muito ! É como dizia o Mestre: "I grow old...I shall wear the bottom of my trousers rolled".
segunda-feira, maio 26, 2003
ANTECIPANDO OS INSULTOS Eu até gosto do desbragamento libertário d' O Meu Pipi, que utiliza os palavrões como eles devem ser utilizados - e não em contextos literais de significação (Deus, soltou-se o Prado Coelho que há em mim!). Mas achava muito mais graça se o autor dos posts fosse uma mulher.
PALAVRAS PARA QUÊ ? Para todos aqueles que como eu prestam uma obsessiva atenção às letras das canções, este é o lugar a visitar. A colecção de letras mal ouvidas é deliciosa e toca a todos: por exemplo, "eight days a week, I love you" (dos Beatles) passa a "eight days Louise, I love you"; ou o já clássico "There's a bathroom on the right", para "there's a bad moon on the rise". Brilhante.
MAIS UM ! O Tradução orgulha-se de saudar o novel 7000 Nomes e desejar-lhe felicidades na blogoesfera. O 7000 é um blog que me é, hum, familiar e vale a pena a visita: a religião mistura-se com listas de nomes para cães que por sua vez se conjugam com links de palavras cruzadas. Um blog à deriva, sem rumo certo mas que sabe muito bem para onde vai. O motto bem podia ser aquele verso de uma canção do Peter Murphy: "Look for what seems out of place". Um abraço!
domingo, maio 25, 2003
COISAS TÃO FELIZES
Entre amigo e amigo
jamais se afastam
coisas tão felizes
os instantâneos silêncios de certas formas
os protestos inocentes à nossa passagem
a natureza fortuita, dizia eu
imortal, dizias tu
do vento ?
José Tolentino Mendonça
Ontem conheci a Ana do Modus Vivendi, e o mistério das palavras, por uma vez, confirmou-se: a Ana é tudo o que escreve, com a vantagem de ouvi-la e vê-la ser infinitamente melhor. Este poema é para ela. E proponho a geminação dos nossos blogues!
Entre amigo e amigo
jamais se afastam
coisas tão felizes
os instantâneos silêncios de certas formas
os protestos inocentes à nossa passagem
a natureza fortuita, dizia eu
imortal, dizias tu
do vento ?
José Tolentino Mendonça
Ontem conheci a Ana do Modus Vivendi, e o mistério das palavras, por uma vez, confirmou-se: a Ana é tudo o que escreve, com a vantagem de ouvi-la e vê-la ser infinitamente melhor. Este poema é para ela. E proponho a geminação dos nossos blogues!
sexta-feira, maio 23, 2003
ÉTICA REPUBLICANA Não vale a pena: mais cedo ou mais tarde teria de falar das recentes prisões relacionadas com o processo de pedofilia. E não sei do que me sinta mais enojado: se da posição corporativa do Partido Socialista (com um ex-ministro da Justiça a invectivar o que sempre defendeu), se com as afirmações irresponsáveis de Jorge Sampaio, ao dizer que não abandona um amigo (Paulo Pedroso). Se o senhor não fosse Chefe de Estado, até passava. Mas é, e os Chefes de Estado não têm amigos, pelo menos publicamente e muito mais se estão sob suspeita (o que dirá o presidente se Pedroso for provado como culpado?). Cada vez estou mais contente de ser monárquico (mas não Maurassiano, poupem-me às visões feudalistas da coisa).
NÃO ENGANA NINGUÉM Hoje ao almoço, num self-service, quem me antecedia na fila era o director do Expresso e editorialista extraordinaire José António Saraiva. E não é que o homem fala como escreve? Assim: «Queria um bitoque.
Ou talvez não. Também gosto de peixe.
Só que o bitoque tem bom aspecto.
Para não falar na massa gratinada.
Quero um bocadinho de tudo.
Por causa das coisas.»
A coerência é muito bonita.
Ou talvez não. Também gosto de peixe.
Só que o bitoque tem bom aspecto.
Para não falar na massa gratinada.
Quero um bocadinho de tudo.
Por causa das coisas.»
A coerência é muito bonita.
terça-feira, maio 20, 2003
SOCORRO ! O Tradução engordou (deve é estar inchado de tantos elogios imerecidos) e eu não gosto disto. Quero o meu velho template back! O que é que eu faço ? Alguém me pode ajudar ? Anyone ? Por favor, uma alma caridosa que explique o que eu posso fazer como se explicasse a uma criança...O mail é major_scobie@hotmail.com
segunda-feira, maio 19, 2003
BE STILL, MY FOOLISH HEART ! O que eu daria para estar agora ao balcão do bar do Ritz, com o excelente Paulo Costa a confeccionar-me um destes meninos...
UM ABRAÇO Eu sei que as relações entre bloguistas são mesmo endogâmicas, mas isso não é mau em si. De que maneira poderia saudar um dos meus blogues de referência, o do MacGuffin ? O homem vive em Évora, cita Isaiah Berlin, gosta de Smiths e escreve sempre de um modo estimulante. Felizmente que se aproxima o dia em que almas gémeas como estas se irão todas conhecer.
FELGUEIRAS REVISITED Quem me conhece sabe que não sou (muito) assim. Mas ao rever as imagens do "povo" de Felgueiras a espumar de raiva e em fato de treino, não pude deixar de lembrar com simpatia o Futurista Belga de "Brideshead Revisited", Jean Brissac de La Motte, "(who) claimed the right to bear arms in any battle anywhere against the lower classes".
SINCERO AGRADECIMENTO À Ana, que teve a amabilidade de corresponder à mútua admiração que o Tradução tem por ela e por aquilo que escreve. E até colocou o meu soneto de Shakespeare favorito...*momento de voz embargada enquanto limpa uma lágrima* . Como dizia o outro, este é o princípio de uma bela amizade.
sexta-feira, maio 16, 2003
VAMOS LÁ FALAR A SÉRIO Continua a discussão sobre a superioridade ou não do futebol inglês e a sua relação com o rugby (tese do Maradona). Por mim, esta discussão prolongar-se-á não aqui, mas em qualquer lado que ofereça uma cervejinha e ambiente condigno. Se houver mais interessados, façam o favor de me escrever.
GUARDA CHE LUNA Os leitores mais atentos já terão reparado que temos nova tradutora: a Luna, que iniciou a sua colaboração com o post anterior. Não é o meu alter ego feminino - nunca iniciaria um blog com um poema em francês, por mais admiração que tenha por alguns poetas da Frogolândia. Mas é outra voz e outra tradução simultânea da realidade. Não subscreverei tudi o que ela escrever, e o inverso também é verdadeiro. Mas nesta casa há regras, e por isso vamos todos dar-nos muito bem. O e-mail é o mesmo: major_scobie@hotmail.com.
( 4:05 AM )
" IVRESSE DE LUNE
Le vin que l'on boit par les yeux
A flots verts de la Lune coule,
Et submerge comme une houle
Les horizons silencieux.
De doux conseils pernicieux
Dans le philtre negent en foule,
Le vin que l'on boit par les yeux
A flots verts de la Lune coule.
Le Poète religieux
De l'étrange absinthe se soûle
Aspirant, jusqu'à ce qu'il roule
Le geste fou, la tête aux cieux,
Le vin que l'on boit par les yeux! "
Albert Giraud
" IVRESSE DE LUNE
Le vin que l'on boit par les yeux
A flots verts de la Lune coule,
Et submerge comme une houle
Les horizons silencieux.
De doux conseils pernicieux
Dans le philtre negent en foule,
Le vin que l'on boit par les yeux
A flots verts de la Lune coule.
Le Poète religieux
De l'étrange absinthe se soûle
Aspirant, jusqu'à ce qu'il roule
Le geste fou, la tête aux cieux,
Le vin que l'on boit par les yeux! "
Albert Giraud
quinta-feira, maio 15, 2003
SINATRA Queria escrever-vos sobre Sinatra, agora que passaram cinco anos sobre o desaparecimento do Mestre. Que eu tenha reparado, na blogoesfera só as Crónicas Matinais da cada vez mais excelente Ana Albergaria fizeram menção ao facto. Mas Sinatra confunde-se tanto com a minha vida que prefiro deixar para amanhã. Por agora, regresso à vidinha com o Frank a cantar "In the wee small hours of the morning - that's the time you miss her most of all".
20 ANOS
"And if a double-decker bus
crashes into us
to die by your side
oh the pleasure, the privilege is mine"
"And when you say it's gonna happen now
well, what exactly do you mean ?
See, I've already waited too long
And all my hope is gone"
"I was happy in a haze of a drunken hour
and Heaven knows I'm miserable now"
"Haven't had a dream in a long time
see the luck I've had - could turn a good man
bad
So for once in my life
Let me get what I want
God knows it will be the first time"
A 13 de Maio de 1983 surgiam os The Smiths. Nada foi o mesmo no mundo maravilhoso da música pop.
"And if a double-decker bus
crashes into us
to die by your side
oh the pleasure, the privilege is mine"
"And when you say it's gonna happen now
well, what exactly do you mean ?
See, I've already waited too long
And all my hope is gone"
"I was happy in a haze of a drunken hour
and Heaven knows I'm miserable now"
"Haven't had a dream in a long time
see the luck I've had - could turn a good man
bad
So for once in my life
Let me get what I want
God knows it will be the first time"
A 13 de Maio de 1983 surgiam os The Smiths. Nada foi o mesmo no mundo maravilhoso da música pop.
quarta-feira, maio 14, 2003
RUGBY E FUTEBOL INGLÊS Fico contente por haver tantas opiniões em relação ao futebol inglês. Desta vez, o Zé Diogo Quintela pediu-me que publicasse o seguinte mail, numa espécie de acrescento ao mail do Maradona:
"O Maradona, quando compara o futebol inglês ao rugby, não anda longe da verdade, mas só no sentido em que, tal como os jogadores de rugby, os futebolistas ingleses só ficam no chão quando estão mesmo lesionados. Isso do rugby ser violento é um mito urbano. O rugby é mas é durinho.
Além disso, é técnica e tacticamente mais evoluido do que o futebol - explicando: os jogadores precisam de ter maiores aptidões físicas e um maior conhecimento do jogo para o jogar bem -, é mais "de equipa" do que o futebol e... de momento não me ocorrem assim muito mais coisas, mas estas duas sei eu que são. Desculpem o arrevezado do mail, mas estou a correr ao mesmo tempo que o escrevo e impunha-se este esclarecimento. Abraço. ZDQ"
Acresce dizer que o Zé Diogo foi um aceitável jogador de rugby até que um lamentável acidente o deixou com uma barriguinha bastante desenvolvida. Pronto, e venham mais opiniões!
"O Maradona, quando compara o futebol inglês ao rugby, não anda longe da verdade, mas só no sentido em que, tal como os jogadores de rugby, os futebolistas ingleses só ficam no chão quando estão mesmo lesionados. Isso do rugby ser violento é um mito urbano. O rugby é mas é durinho.
Além disso, é técnica e tacticamente mais evoluido do que o futebol - explicando: os jogadores precisam de ter maiores aptidões físicas e um maior conhecimento do jogo para o jogar bem -, é mais "de equipa" do que o futebol e... de momento não me ocorrem assim muito mais coisas, mas estas duas sei eu que são. Desculpem o arrevezado do mail, mas estou a correr ao mesmo tempo que o escrevo e impunha-se este esclarecimento. Abraço. ZDQ"
Acresce dizer que o Zé Diogo foi um aceitável jogador de rugby até que um lamentável acidente o deixou com uma barriguinha bastante desenvolvida. Pronto, e venham mais opiniões!
terça-feira, maio 13, 2003
É O ROSAS, SENHORES Segundo nos conta o excelente Intermitente, a III Convenção do Bloco de Esquerda foi animada pelo slogan "O povo está em luta contra o cherne e a chaputa ! ". Eu repito: o povo está em luta contra o cherne e a chaputa. Rapazes do Gato Fedorento: párem de dar ideias ao Bloco de Esquerda, se fazem favor.
A BLOG IS BORN Uma saudação especial para o aparecimento do Modus Vivendi. Logo nos primeiros posts, a Ana convoca um exército de peso: Wittgenstein, Ovídio, TS Eliot...e um soneto de Shakespeare felizmente sem ser na tradução de Graça Moura. Ana, dois favores: um dia lembra-te de colocar o LXXI - é um dos meus favoritos - e deixa um endereço electrónico para que te possa felicitar «pessoalmente». Viva o Vivendi!
segunda-feira, maio 12, 2003
POST SÓ PARA QUEM GOSTA DE BOLA A propósito de um post (UM POUCO DE BOLA) em que insinuava aos gritos a supremacia do futebol inglês, o excelente Maradona honrou-me com o seguinte mail:
"Não podia discordar mais. O futebol inglês, apesar de mais emotivo que o italiano, sofre de uma irredutivel falta de qualidade técnica, aquilo que importa, no fundo, no fundo. À excepção do Manchester, do Arsenal e de uns pretos das ex-colonias espalhados pelo Liverpool ou pelo Leeds, tudo o resto resume-se a carrinhos, centros para a área e ressaltos no meio campo.
Os ingleses, bem vistas as coisas, nunca cortaram o cordão umbilical entre o rugbi e o futebol. Valorizam a entrega, o trabalho, a simplicidade "de processos".
O futebol do Real Madrid, indiscutivelmente a unica coisa que interessa neste momento, à parte o Henry e as tabelinhas do Bergkamp (o segundo jogador mais inteligente do mundo), é complexo, intrincado, e, mais importante que marcar golo ou ganhar a partida, o que lhes interessa é mesmo manter a bola dentro de campo.
Não sei como justificar o Manchester sem ser com a excepção à regra, mas, de tudo o que de bom veio da Grã Bretanha em matéria de futebol, nenhuma tem a ver com caracteristicas que o Boavista tambem não valorize. O resto, como o Arsenal, é importado!
Quanto ao mais, concordo plenamente: as actuais equipas italianas, caceteiros juventinos á cabeça (o jogo em Barcelona foi um escandalo), deveriam ser martirizadas, a bem do futebol! "
Bom, vamos lá ver: o futebol "britânico" não é coisa bonita - ninguém morre de amores em ver um jogo do campeonato galês ou escocês, onde predomina a estética "aí-vai-disto". Vale pelo entusiasmo e pelo respeito do público ao jogo (sim, haverá sempre hooligans, mas esses até os tem o Real Madrid). O futebol inglês, pelo seu lado, já não é assim. Aprenderam. Têm dinheiro (alguns). Têm educação. Têm tradição. Querem ganhar. Basta pensar no que sofreram as Taças Europeias com o afastamento das equipas inglesas (que eram então bastante menos europeizadas). E quando voltaram , foi o que se viu - há sempre uma até aos quartos-de-final, pelo menos.
O futebol inglês mudou, não só pela importação (só Deus sabe o que me custa ver o Arsenal na mão dos franceses) mas pela compreensão. Têm o melhor dos dois mundos - entusiasmo e, sim, técnica. Claro que há jogos mauzinhos, mas troco qualquer um desses por um jogo com o Boavista. Mas o melhor será mesmo ver a final da FA Cup, já no dia 14 (se não me engano), entre o Arsenal e o Southampton, que a semana passada perdeu 1-6...com o Arsenal. Veja-se a atitude das equipas...e depois falamos.
Quanto ao resto, de acordo. Mas o Bergkamp é ainda o mais inteligente jogador do mundo (e com melhor aspecto). E obrigado, Maradona!
"Não podia discordar mais. O futebol inglês, apesar de mais emotivo que o italiano, sofre de uma irredutivel falta de qualidade técnica, aquilo que importa, no fundo, no fundo. À excepção do Manchester, do Arsenal e de uns pretos das ex-colonias espalhados pelo Liverpool ou pelo Leeds, tudo o resto resume-se a carrinhos, centros para a área e ressaltos no meio campo.
Os ingleses, bem vistas as coisas, nunca cortaram o cordão umbilical entre o rugbi e o futebol. Valorizam a entrega, o trabalho, a simplicidade "de processos".
O futebol do Real Madrid, indiscutivelmente a unica coisa que interessa neste momento, à parte o Henry e as tabelinhas do Bergkamp (o segundo jogador mais inteligente do mundo), é complexo, intrincado, e, mais importante que marcar golo ou ganhar a partida, o que lhes interessa é mesmo manter a bola dentro de campo.
Não sei como justificar o Manchester sem ser com a excepção à regra, mas, de tudo o que de bom veio da Grã Bretanha em matéria de futebol, nenhuma tem a ver com caracteristicas que o Boavista tambem não valorize. O resto, como o Arsenal, é importado!
Quanto ao mais, concordo plenamente: as actuais equipas italianas, caceteiros juventinos á cabeça (o jogo em Barcelona foi um escandalo), deveriam ser martirizadas, a bem do futebol! "
Bom, vamos lá ver: o futebol "britânico" não é coisa bonita - ninguém morre de amores em ver um jogo do campeonato galês ou escocês, onde predomina a estética "aí-vai-disto". Vale pelo entusiasmo e pelo respeito do público ao jogo (sim, haverá sempre hooligans, mas esses até os tem o Real Madrid). O futebol inglês, pelo seu lado, já não é assim. Aprenderam. Têm dinheiro (alguns). Têm educação. Têm tradição. Querem ganhar. Basta pensar no que sofreram as Taças Europeias com o afastamento das equipas inglesas (que eram então bastante menos europeizadas). E quando voltaram , foi o que se viu - há sempre uma até aos quartos-de-final, pelo menos.
O futebol inglês mudou, não só pela importação (só Deus sabe o que me custa ver o Arsenal na mão dos franceses) mas pela compreensão. Têm o melhor dos dois mundos - entusiasmo e, sim, técnica. Claro que há jogos mauzinhos, mas troco qualquer um desses por um jogo com o Boavista. Mas o melhor será mesmo ver a final da FA Cup, já no dia 14 (se não me engano), entre o Arsenal e o Southampton, que a semana passada perdeu 1-6...com o Arsenal. Veja-se a atitude das equipas...e depois falamos.
Quanto ao resto, de acordo. Mas o Bergkamp é ainda o mais inteligente jogador do mundo (e com melhor aspecto). E obrigado, Maradona!
SADDAM, BY NIGHT Quem leu ontem na revista Pública o excelente artigo de Paulo Moura, onde recolhe um depoimento de um iraquiano que esteve nas prisões de Saddam, terá ficado com uma pequena luz sobre as trevas do regime de Hussein. Prisões aleatórias, execuções sumárias por se contarem anedotas, tortura para quem roubou aspirinas... Para não falar dos atletas internacionais iraquianos que tinham como opções ganhar ou ser espancados... É o género de coisas que dá bom nome às Cruzadas.
sexta-feira, maio 09, 2003
UM POUCO DE BOLA Defendo com todas as minhas forças que as equipas italianas só deviam ser permitidas até aos quartos de final da Liga dos Campeões. A maçada daquele futebol, cheio de jogadores brilhantes, é extraordinária, como se pôde comprovar no recente AC Milan-Inter de Milão. Entretanto, no berço da civilização, jogavam em Highbury Park o Arsenal (que perdeu o título há uma semana) e Southampton. O resultado foi 6-1, e nem um minuto de repouso de parte a parte. Depois dizem que sou anglófilo por acaso.
UM HOMEM NÃO É DE FERRO Acabo de receber o convite para o lançamento do novo opúsculo de Rita Ferro, o já célebre "És Meu !". A obra será apresentada pelo presidente da Câmara de Lisboa (em que qualidade, ninguém sabe). A boa noticia é que tudo irá acontecer no Navio-Escola Sagres, pelo que existem possibilidades que seja um lançamento do livro ao mar.
A MELHOR CANÇÃO DE TODOS OS TEMPOS DESTA SEMANA Chama-se "Do It With Madonna" e pertence aos australianos Androids. É um pop hardcore, speedado e de refrão contagioso. A letra disseca todas as rainhas da pop do momento (Pink, Christina Aguilera, Britney, Kylie) só para concluir que elas são umas meninas ao pé da Ciccone. "I wanna do it with Madonna, she's all a woman's supposed to be", gritam no refrão. OK, não é Cole Porter, mas vai muito bem com este clima.
ADORO ! Não há dia que passe que não dê uma espreitadela à supina A psicossomática, um dos mais divertidos blogues do burgo. Humor desvairado e atento, Dada e Dodot, um blogue à clé com muitos ódios e amores de estimação que aqui a Tradução partilha. E nota-se que A psicossomática sabe do que fala quando conta as aventuras de Inês e Jorge...Será que já nos conhecemos ? Só para ela, mais uma fatia de Pascoaes: "O homem não suporta sempre a mesma esposa nem o mesmo Deus. É um nómada de origem. Parado, degenera em bicho doméstico ou reumático - aborrecido. Destila negro".
Psicossomática, não morras nunca!
Psicossomática, não morras nunca!
quinta-feira, maio 08, 2003
ASSIM, ABRUPTO Perante alguma polémica sobre a autenticidade do seu autor, estreou-se há pouco na blogoesfera o Abrupto, blogue mantido por José Pacheco Pereira. É um sítio onde a língua e as ideias são bem tratadas e que revelam as paixões literárias do autor (ao que parece um sá-de-mirantino, ou petrarquista militante), que é também um reconhecido bibiliófilo com notável biblioteca. A blogoesfera está cada dia mais interessante. Só espero que o José Magalhães não esteja já com ideias... Linkai-vos ao Abrupto!
segunda-feira, maio 05, 2003
OBRIGADO OUTRA VEZ, CRUZES O Cruzes Canhoto continua a dedicar alguma atenção a este modesto lugar, o que sinceramente agradeço (haja alguém, caramba!). Desta vez, para além de me apodarem de "facho simpático" (isto não devia ser paradoxal para vocês?) , revelam curiosidade em relação ao nome deste blog e classificam-me outra vez como nostálgico do passado. quanto ao nome, hei-de esclarecer. Quanto ao resto, entendamo-nos: eu, se é que sou alguma coisa, é Conservador. Gosto sobretudo do que há HOJE, e desconfio do que pode haver amanhã. Daí a resistência à mudança. O "ontem" serve como lição ou história ou sentido - mas não é para ser vivido. E já agora, parabéns pelo blogue, que tem humor e paixão na dose certa. E não, não vou dizer que são "comunas atenciosos". Abraços.
PÁREM AS MÁQUINAS Isto de trabalhar em redacções tem de vez em quando alguma piada. Por exemplo, a comoção que se viveu hoje quando começou a circular a notícia da prisão preventiva de Fátima Felgueiras. Que a senhora não é flor que se cheire, já há muito que se sabia. A demora é que espanta - pelo amor de Deus, uma mulher que tem o mesmo apelido da terra em que é eleita presidente da Câmara ? Se isto não levanta suspeitas, então o que é que levanta ?
sexta-feira, maio 02, 2003
ATENÇÃO AOS PRÓXIMOS EPISÓDIOS O Tradução terá em tempos muito próximos uma outra voz que não a minha. Ajuda à regularidade e sobretudo diversifica as traduções da realidade que por aqui se fazem. Quem é ? Mais tarde, talvez. Mas vão gostar, tenho a certeza. Ou não. multipliquem-se os encómios e as invectivas para major_scobie@hotmail.com. E prometo tornar o blog tecnologicamente mais atrarente.
DE VOLTA Por razões várias (normalmente designadas por "vida própria") estive ausente destas andanças, que continuo a gostar. Mas há coisas que não se substituem, como por exemplo uma expedição punitiva ao Porto. Sou lisboeta e amo a minha cidade com paixão - mas não consigo fugir dos one night stands com a Invicta e os seus habitantes.
segunda-feira, abril 28, 2003
BANDA SONORA PARA UMA NEURA É mesmo o regresso aos heróis da minha adolescência. Desde manhã que o que oiço é Joy Division: "This is the crisis I knew had to come, destroying the balance I kept/ Doubting and turning and settling around, wondering what will come next"...Ah le donne...Melhores dias virão.
ISTO É UM MUNDO Para aqueles que pensam que os blogs são só feitos de discussões ideológicas apaixonadas ou reflexões pessoais irrelevantes, fiquem a saber que recebi no meu mail - para além das várias mensagens sobre se o Gato Fedorento deve ou não entrar na União dos Blogues livres - uma simpática missiva de uma moça que se assina Nikita e que diz que adora mostrar-se nua para homens e mulheres. Tem fotos, web cam, e um endereço que parece ser romeno...Como se diz na Zona J, I will go and check it out!
BACK TO LIFE, BACK TO REALITY Depois de uma breve ausência , volto às traduções. Apesar de estar a gostar de ter um blog, não faz mal nenhum ter um bocadinho de vida própria de vez em quando. E para os mais maldosos, que me acusaram de ter ficado deprimido pelos festejos de Abril, desminto peremptóriamente. Só posso estar grato ao 25 de Abril, como qualquer português sensato. Gostava é que tivesse existido de outra maneira, sem a necessidade de golpes ou "revoluções - evitava-se os extremismos patetas e sobretudo, a "descolonização exemplar". Mas isso sou eu a falar...
Quanto às minhas memórias do 25 de Abril de 1974, elas são nítidas - tinha dez anos, estava furioso por não poder ir à escola no dia em que voltava de viagem a minha "namorada" e fui para a rua com os meus pais, boquiaberto por ver homens de barba rija com flores na boca.
Quanto às minhas memórias do 25 de Abril de 1974, elas são nítidas - tinha dez anos, estava furioso por não poder ir à escola no dia em que voltava de viagem a minha "namorada" e fui para a rua com os meus pais, boquiaberto por ver homens de barba rija com flores na boca.
quarta-feira, abril 23, 2003
PRONTO, SÓ HOJE Não dou um caruncho pelos "dias mundiais" de seja o que fôr. Mas como tenho especial apreço pelos livros, aqui fica um poema do Beckett, escrito originalmente em francês (ninguém é perfeito). É muito bonito e francamente, condiz com o meu estado de espírito hoje.
elles viennent // autres et pareilles//avec chacune c'est autre et c'est pareil//avec chacune l'absence d'amour est autre// avec chacune l'absence d'amour est pareille
elles viennent // autres et pareilles//avec chacune c'est autre et c'est pareil//avec chacune l'absence d'amour est autre// avec chacune l'absence d'amour est pareille
E POR FALAR EM CRUZES CANHOTO... Agradeço com sinceridade a menção que fazem do meu blogue, e mesmo a alegoria cavernícola do link (Numa Caverna Próxima De Si). Suponho que os rapazes me vejam aparentados com o Nuno da Câmara Pereira, a dizer dislates marialvas com longas patilhas enquanto canto um fado antes de ir às touradas...
Tudo por causa da frase do Robert Musil que citei no primeiro post - O progresso é uma coisa muito bonita- se ao menos alguém o pudesse parar. Parece-me que houve aí estreiteza de leitura, rapazes, ou então fui eu que não me expliquei bem. O que está em causa não é a invenção da roda ou a "descoberta" da electricidade; é mais algum pessimismo em relação à natureza humana, que partilho com o Robert Musil e outros. Sendo de esquerda, é natural que Cruzes Canhoto discorde desse optimismo e se vire para os "amanhãs que cantam" ou coisa que o valha. Quem quer mudar tem, por definição, de ser optimista. Não tenho nada contra e até acho bonito. Só acho que não têm razão. Um grande abraço para os Cruzes, aqui de Foz Côa.
Tudo por causa da frase do Robert Musil que citei no primeiro post - O progresso é uma coisa muito bonita- se ao menos alguém o pudesse parar. Parece-me que houve aí estreiteza de leitura, rapazes, ou então fui eu que não me expliquei bem. O que está em causa não é a invenção da roda ou a "descoberta" da electricidade; é mais algum pessimismo em relação à natureza humana, que partilho com o Robert Musil e outros. Sendo de esquerda, é natural que Cruzes Canhoto discorde desse optimismo e se vire para os "amanhãs que cantam" ou coisa que o valha. Quem quer mudar tem, por definição, de ser optimista. Não tenho nada contra e até acho bonito. Só acho que não têm razão. Um grande abraço para os Cruzes, aqui de Foz Côa.
SO MANY MAILS, SO LITTLE TIME Isto é realmente um mundo maravilhoso. O melhor de pertencer à blogoesfera é a liberdade que está por trás das paixões e opiniões. E nessa matéria, quero agradecer desde já ao Maradona (desculpem, a porcaria do criador de hyperlinks não está a funcionar), que questionou condignamente o post anterior, dizendo que "um homem que é homem não coça as virilhas, coça os tomates". Whatever. Para evitar confusões, eu não estou para aqui a fazer exibições grunhas de heterosexualidade nem sou o que se chama um "homem de barba rija" (nesse capítulo, a minha pilosidade é um compromisso singelo entre a puberdade e a idade adulta). O que me maça é mesmo a prerrogativa implicita que é "se és bem educado, és gay; se cospes para o chão, és hetero". Agora que o Maradona tem razão na história das virilhas, lá isso...
segunda-feira, abril 21, 2003
SINAIS DOS TEMPOS Há algumas semanas, eu e dois amigos e sócios demos uma entrevista a uma publicação muito conhecida (não, não vou dizer qual é). Dias depois, encontro casualmente o director da mesma publicação e pergunto-lhe o que tinha achado da entrevista.
-Está boa - respondeu - Agora o jornalista achou que tu eras gay.
-Gay, eu? Porquê, o que é que eu disse, o que é que fiz ?
-Ele disse que eras muito bem educado.
Não quero viver num mundo em que a sexualidade e as boas maneiras se confundem.Para a próxima, peço licença enquanto coço as virilhas.
-Está boa - respondeu - Agora o jornalista achou que tu eras gay.
-Gay, eu? Porquê, o que é que eu disse, o que é que fiz ?
-Ele disse que eras muito bem educado.
Não quero viver num mundo em que a sexualidade e as boas maneiras se confundem.Para a próxima, peço licença enquanto coço as virilhas.
Trabalhar numa revista próspera, eficiente e de centro-esquerda politicamente correcta tem algumas desvantagens. Ao almoço, partilhei com alguns colegas, a propósito do Iraque, a convicção - muito bem defendida pelo Vasco Pulido Valente - de que a democracia é um produto estritamente ocidental e não pode ser exportável. O modo como me olharam fez-me lembrar o primeiro êxito dos Radiohead:"'Cause I'm a freak, I'm a weirdo...What the hell am I doing here..."
Mas o que está feito está feito. E estas andanças já me proporcionaram refúgio literário e ideológico n'A Coluna Infame, onde pontificam o Pedro Mexia - que considero, sem problemas, o único crítico literário em quem se pode confiar (se é que se pode confiar em algum) - e o João Pereira Coutinho. Só não concordo com a veneração que dedicam ao Independente. Eu, que estive no Independente desde o principio e só saí para fazer a revista Kapa, fico triste ao ler tão émeritas personagens defenderem um jornal que estrebucha por vezes de vazio (àparte as sábias colunas dos supra-mencionados). É ainda mais triste que seja o único jornal de Direita, embora distante de ser Conservador, infelizmente. Acredito ainda que há espaço para uma publicação a la Spectator em Portugal. E agora é a altura certa.
Neófito nestas andanças da blogoesfera, confesso-me como o outro do anúncio: estou maravilhado, e por acréscimo, aterrorizado. Como escrevia a uma amiga que me pediu o endereço do Tradução, há por aí coisas tão boas e tão bem escritas que por vezes me sinto a escrever de um cabeleireiro, tal a futilidade que perpassa. Algo em mim me impede de dizer os livros que leio, ou a música que gosto, ou os amores que tenho por incontornável receio de alguém, algures, me acusar de ser name dropper. Talvez, como a Ava Gardner, no fundo eu seja um superficial...
quinta-feira, abril 17, 2003
O meu querido amigo Zé Diogo Quintela pergunta-me, com alguma pertinência, se o rumor que corre sobre a ida de Boloni para o Paris Saint-Germain não reflecte essa caracteristica histórica tão francesa da rendição. Eu acho que sim , com uma agravante: sabendo que o Lazlo é romeno, e sabendo nós de que lado esteve a Roménia na II Guerra Mundial (com os alemães, para os mais distraídos), isto cheira mas é a governo de Vichy all over again.
quarta-feira, abril 16, 2003
Várias pessoas perguntaram-me - okay, uma; pronto, ninguém - o porquê do nick "major". Não tem nada a ver com o exército, nem mesmo com John Major, o político mais humilhado e desprezado do século XX (quem é que conhece uma tira de BD que se publicou em Inglaterra chamada "1000 Uses For A John Major", e que incluía, entre outras utilizações, a de um sinalizador de marcha-atrás?).
Mas divago.
O nome vem de Major Scobie, a personagem principal de um romance de Graham Greene que muito prezo e que se chama The Heart Of The Matter (tradução tola local - O Nó do Problema). Scobie é um comissário da polícia de meia-idade, desterrado numa colónia britânica em África (Sierra Leoa), durante a II Guerra Mundial.É um homem que já desistiu da vida: todos lhe passam à frente nas promoções, não suporta a sua mulher de pretensões literárias que quer sair dali desesperadamente. É um tipo honesto no meio da corrupção generalizada, cuja última ambição é que o deixem em paz. O problema é que confunde piedade com amor, responsabilidade e culpa. Acresce a isto que é católico (céptico é certo), o que lhe vai trazer sérios problemas morais durante o romance. O mais engraçado de tudo, é que no final, quando Scobie se confronta com o seu Deus, a sua piedade e a maneira que encontra de resolver os seus dilemas revelam uma enorme vaidade...Gosto do livro porque é muito mais complicado do que aparenta, como as pessoas. E está muito bem escrito: Greene é um mestre do understatement e faz pensar em três linhas o que um autor francês escreveria em três volumes. Leiam lá o livrinho, que não faz mal. E já podem dizer coisas para major_scobie@hotmail.com, sobre este ou outros assuntos.
Mas divago.
O nome vem de Major Scobie, a personagem principal de um romance de Graham Greene que muito prezo e que se chama The Heart Of The Matter (tradução tola local - O Nó do Problema). Scobie é um comissário da polícia de meia-idade, desterrado numa colónia britânica em África (Sierra Leoa), durante a II Guerra Mundial.É um homem que já desistiu da vida: todos lhe passam à frente nas promoções, não suporta a sua mulher de pretensões literárias que quer sair dali desesperadamente. É um tipo honesto no meio da corrupção generalizada, cuja última ambição é que o deixem em paz. O problema é que confunde piedade com amor, responsabilidade e culpa. Acresce a isto que é católico (céptico é certo), o que lhe vai trazer sérios problemas morais durante o romance. O mais engraçado de tudo, é que no final, quando Scobie se confronta com o seu Deus, a sua piedade e a maneira que encontra de resolver os seus dilemas revelam uma enorme vaidade...Gosto do livro porque é muito mais complicado do que aparenta, como as pessoas. E está muito bem escrito: Greene é um mestre do understatement e faz pensar em três linhas o que um autor francês escreveria em três volumes. Leiam lá o livrinho, que não faz mal. E já podem dizer coisas para major_scobie@hotmail.com, sobre este ou outros assuntos.
Tenho de agradecer encarecidamente à excelsa Charlotte, que recomendou no seu blog aptamente chamado bomba inteligente a leitura destes disparates. O dela é melhor do que o meu, e moralmente superior, acho eu. De qualquer maneira, é generoso, com sentido de humor, cultíssimo(nunca discutam com uma mulher que sabe línguas mortas) e - coisa impensável neste meio de comunicação - sexy. O que é que estão aqui a fazer ?
segunda-feira, abril 14, 2003
Confesso que me irrita a democratização da opinião, de que os blogs fazem parte. Falo contra mim, claro, que tenho pouco para dizer e aqui estou. Gostava do tempo em que cada um falava do que sabia, longe destes períodos em que até os oficiais do exército são distribuidos pelo Estado para irem às televisões. Mas será que ninguém estudou Pareto na universidade ?
Quanto a progresso, sou céptico, a não ser os que dizem respeito à saúde. Aquela frase do Musil: "O progresso é uma coisa tão bonita - se ao menos alguém o pudesse parar" é o meu fato de domingo.
Nota-se muito que sou conservador ? You ain't seen nothing yet, baby...
Quanto a progresso, sou céptico, a não ser os que dizem respeito à saúde. Aquela frase do Musil: "O progresso é uma coisa tão bonita - se ao menos alguém o pudesse parar" é o meu fato de domingo.
Nota-se muito que sou conservador ? You ain't seen nothing yet, baby...

