sexta-feira, maio 09, 2003
UM POUCO DE BOLA Defendo com todas as minhas forças que as equipas italianas só deviam ser permitidas até aos quartos de final da Liga dos Campeões. A maçada daquele futebol, cheio de jogadores brilhantes, é extraordinária, como se pôde comprovar no recente AC Milan-Inter de Milão. Entretanto, no berço da civilização, jogavam em Highbury Park o Arsenal (que perdeu o título há uma semana) e Southampton. O resultado foi 6-1, e nem um minuto de repouso de parte a parte. Depois dizem que sou anglófilo por acaso.
UM HOMEM NÃO É DE FERRO Acabo de receber o convite para o lançamento do novo opúsculo de Rita Ferro, o já célebre "És Meu !". A obra será apresentada pelo presidente da Câmara de Lisboa (em que qualidade, ninguém sabe). A boa noticia é que tudo irá acontecer no Navio-Escola Sagres, pelo que existem possibilidades que seja um lançamento do livro ao mar.
A MELHOR CANÇÃO DE TODOS OS TEMPOS DESTA SEMANA Chama-se "Do It With Madonna" e pertence aos australianos Androids. É um pop hardcore, speedado e de refrão contagioso. A letra disseca todas as rainhas da pop do momento (Pink, Christina Aguilera, Britney, Kylie) só para concluir que elas são umas meninas ao pé da Ciccone. "I wanna do it with Madonna, she's all a woman's supposed to be", gritam no refrão. OK, não é Cole Porter, mas vai muito bem com este clima.
ADORO ! Não há dia que passe que não dê uma espreitadela à supina A psicossomática, um dos mais divertidos blogues do burgo. Humor desvairado e atento, Dada e Dodot, um blogue à clé com muitos ódios e amores de estimação que aqui a Tradução partilha. E nota-se que A psicossomática sabe do que fala quando conta as aventuras de Inês e Jorge...Será que já nos conhecemos ? Só para ela, mais uma fatia de Pascoaes: "O homem não suporta sempre a mesma esposa nem o mesmo Deus. É um nómada de origem. Parado, degenera em bicho doméstico ou reumático - aborrecido. Destila negro".
Psicossomática, não morras nunca!
Psicossomática, não morras nunca!
quinta-feira, maio 08, 2003
ASSIM, ABRUPTO Perante alguma polémica sobre a autenticidade do seu autor, estreou-se há pouco na blogoesfera o Abrupto, blogue mantido por José Pacheco Pereira. É um sítio onde a língua e as ideias são bem tratadas e que revelam as paixões literárias do autor (ao que parece um sá-de-mirantino, ou petrarquista militante), que é também um reconhecido bibiliófilo com notável biblioteca. A blogoesfera está cada dia mais interessante. Só espero que o José Magalhães não esteja já com ideias... Linkai-vos ao Abrupto!
segunda-feira, maio 05, 2003
OBRIGADO OUTRA VEZ, CRUZES O Cruzes Canhoto continua a dedicar alguma atenção a este modesto lugar, o que sinceramente agradeço (haja alguém, caramba!). Desta vez, para além de me apodarem de "facho simpático" (isto não devia ser paradoxal para vocês?) , revelam curiosidade em relação ao nome deste blog e classificam-me outra vez como nostálgico do passado. quanto ao nome, hei-de esclarecer. Quanto ao resto, entendamo-nos: eu, se é que sou alguma coisa, é Conservador. Gosto sobretudo do que há HOJE, e desconfio do que pode haver amanhã. Daí a resistência à mudança. O "ontem" serve como lição ou história ou sentido - mas não é para ser vivido. E já agora, parabéns pelo blogue, que tem humor e paixão na dose certa. E não, não vou dizer que são "comunas atenciosos". Abraços.
PÁREM AS MÁQUINAS Isto de trabalhar em redacções tem de vez em quando alguma piada. Por exemplo, a comoção que se viveu hoje quando começou a circular a notícia da prisão preventiva de Fátima Felgueiras. Que a senhora não é flor que se cheire, já há muito que se sabia. A demora é que espanta - pelo amor de Deus, uma mulher que tem o mesmo apelido da terra em que é eleita presidente da Câmara ? Se isto não levanta suspeitas, então o que é que levanta ?
sexta-feira, maio 02, 2003
ATENÇÃO AOS PRÓXIMOS EPISÓDIOS O Tradução terá em tempos muito próximos uma outra voz que não a minha. Ajuda à regularidade e sobretudo diversifica as traduções da realidade que por aqui se fazem. Quem é ? Mais tarde, talvez. Mas vão gostar, tenho a certeza. Ou não. multipliquem-se os encómios e as invectivas para major_scobie@hotmail.com. E prometo tornar o blog tecnologicamente mais atrarente.
DE VOLTA Por razões várias (normalmente designadas por "vida própria") estive ausente destas andanças, que continuo a gostar. Mas há coisas que não se substituem, como por exemplo uma expedição punitiva ao Porto. Sou lisboeta e amo a minha cidade com paixão - mas não consigo fugir dos one night stands com a Invicta e os seus habitantes.
segunda-feira, abril 28, 2003
BANDA SONORA PARA UMA NEURA É mesmo o regresso aos heróis da minha adolescência. Desde manhã que o que oiço é Joy Division: "This is the crisis I knew had to come, destroying the balance I kept/ Doubting and turning and settling around, wondering what will come next"...Ah le donne...Melhores dias virão.
ISTO É UM MUNDO Para aqueles que pensam que os blogs são só feitos de discussões ideológicas apaixonadas ou reflexões pessoais irrelevantes, fiquem a saber que recebi no meu mail - para além das várias mensagens sobre se o Gato Fedorento deve ou não entrar na União dos Blogues livres - uma simpática missiva de uma moça que se assina Nikita e que diz que adora mostrar-se nua para homens e mulheres. Tem fotos, web cam, e um endereço que parece ser romeno...Como se diz na Zona J, I will go and check it out!
BACK TO LIFE, BACK TO REALITY Depois de uma breve ausência , volto às traduções. Apesar de estar a gostar de ter um blog, não faz mal nenhum ter um bocadinho de vida própria de vez em quando. E para os mais maldosos, que me acusaram de ter ficado deprimido pelos festejos de Abril, desminto peremptóriamente. Só posso estar grato ao 25 de Abril, como qualquer português sensato. Gostava é que tivesse existido de outra maneira, sem a necessidade de golpes ou "revoluções - evitava-se os extremismos patetas e sobretudo, a "descolonização exemplar". Mas isso sou eu a falar...
Quanto às minhas memórias do 25 de Abril de 1974, elas são nítidas - tinha dez anos, estava furioso por não poder ir à escola no dia em que voltava de viagem a minha "namorada" e fui para a rua com os meus pais, boquiaberto por ver homens de barba rija com flores na boca.
Quanto às minhas memórias do 25 de Abril de 1974, elas são nítidas - tinha dez anos, estava furioso por não poder ir à escola no dia em que voltava de viagem a minha "namorada" e fui para a rua com os meus pais, boquiaberto por ver homens de barba rija com flores na boca.
quarta-feira, abril 23, 2003
PRONTO, SÓ HOJE Não dou um caruncho pelos "dias mundiais" de seja o que fôr. Mas como tenho especial apreço pelos livros, aqui fica um poema do Beckett, escrito originalmente em francês (ninguém é perfeito). É muito bonito e francamente, condiz com o meu estado de espírito hoje.
elles viennent // autres et pareilles//avec chacune c'est autre et c'est pareil//avec chacune l'absence d'amour est autre// avec chacune l'absence d'amour est pareille
elles viennent // autres et pareilles//avec chacune c'est autre et c'est pareil//avec chacune l'absence d'amour est autre// avec chacune l'absence d'amour est pareille
E POR FALAR EM CRUZES CANHOTO... Agradeço com sinceridade a menção que fazem do meu blogue, e mesmo a alegoria cavernícola do link (Numa Caverna Próxima De Si). Suponho que os rapazes me vejam aparentados com o Nuno da Câmara Pereira, a dizer dislates marialvas com longas patilhas enquanto canto um fado antes de ir às touradas...
Tudo por causa da frase do Robert Musil que citei no primeiro post - O progresso é uma coisa muito bonita- se ao menos alguém o pudesse parar. Parece-me que houve aí estreiteza de leitura, rapazes, ou então fui eu que não me expliquei bem. O que está em causa não é a invenção da roda ou a "descoberta" da electricidade; é mais algum pessimismo em relação à natureza humana, que partilho com o Robert Musil e outros. Sendo de esquerda, é natural que Cruzes Canhoto discorde desse optimismo e se vire para os "amanhãs que cantam" ou coisa que o valha. Quem quer mudar tem, por definição, de ser optimista. Não tenho nada contra e até acho bonito. Só acho que não têm razão. Um grande abraço para os Cruzes, aqui de Foz Côa.
Tudo por causa da frase do Robert Musil que citei no primeiro post - O progresso é uma coisa muito bonita- se ao menos alguém o pudesse parar. Parece-me que houve aí estreiteza de leitura, rapazes, ou então fui eu que não me expliquei bem. O que está em causa não é a invenção da roda ou a "descoberta" da electricidade; é mais algum pessimismo em relação à natureza humana, que partilho com o Robert Musil e outros. Sendo de esquerda, é natural que Cruzes Canhoto discorde desse optimismo e se vire para os "amanhãs que cantam" ou coisa que o valha. Quem quer mudar tem, por definição, de ser optimista. Não tenho nada contra e até acho bonito. Só acho que não têm razão. Um grande abraço para os Cruzes, aqui de Foz Côa.
SO MANY MAILS, SO LITTLE TIME Isto é realmente um mundo maravilhoso. O melhor de pertencer à blogoesfera é a liberdade que está por trás das paixões e opiniões. E nessa matéria, quero agradecer desde já ao Maradona (desculpem, a porcaria do criador de hyperlinks não está a funcionar), que questionou condignamente o post anterior, dizendo que "um homem que é homem não coça as virilhas, coça os tomates". Whatever. Para evitar confusões, eu não estou para aqui a fazer exibições grunhas de heterosexualidade nem sou o que se chama um "homem de barba rija" (nesse capítulo, a minha pilosidade é um compromisso singelo entre a puberdade e a idade adulta). O que me maça é mesmo a prerrogativa implicita que é "se és bem educado, és gay; se cospes para o chão, és hetero". Agora que o Maradona tem razão na história das virilhas, lá isso...
segunda-feira, abril 21, 2003
SINAIS DOS TEMPOS Há algumas semanas, eu e dois amigos e sócios demos uma entrevista a uma publicação muito conhecida (não, não vou dizer qual é). Dias depois, encontro casualmente o director da mesma publicação e pergunto-lhe o que tinha achado da entrevista.
-Está boa - respondeu - Agora o jornalista achou que tu eras gay.
-Gay, eu? Porquê, o que é que eu disse, o que é que fiz ?
-Ele disse que eras muito bem educado.
Não quero viver num mundo em que a sexualidade e as boas maneiras se confundem.Para a próxima, peço licença enquanto coço as virilhas.
-Está boa - respondeu - Agora o jornalista achou que tu eras gay.
-Gay, eu? Porquê, o que é que eu disse, o que é que fiz ?
-Ele disse que eras muito bem educado.
Não quero viver num mundo em que a sexualidade e as boas maneiras se confundem.Para a próxima, peço licença enquanto coço as virilhas.
Trabalhar numa revista próspera, eficiente e de centro-esquerda politicamente correcta tem algumas desvantagens. Ao almoço, partilhei com alguns colegas, a propósito do Iraque, a convicção - muito bem defendida pelo Vasco Pulido Valente - de que a democracia é um produto estritamente ocidental e não pode ser exportável. O modo como me olharam fez-me lembrar o primeiro êxito dos Radiohead:"'Cause I'm a freak, I'm a weirdo...What the hell am I doing here..."
Mas o que está feito está feito. E estas andanças já me proporcionaram refúgio literário e ideológico n'A Coluna Infame, onde pontificam o Pedro Mexia - que considero, sem problemas, o único crítico literário em quem se pode confiar (se é que se pode confiar em algum) - e o João Pereira Coutinho. Só não concordo com a veneração que dedicam ao Independente. Eu, que estive no Independente desde o principio e só saí para fazer a revista Kapa, fico triste ao ler tão émeritas personagens defenderem um jornal que estrebucha por vezes de vazio (àparte as sábias colunas dos supra-mencionados). É ainda mais triste que seja o único jornal de Direita, embora distante de ser Conservador, infelizmente. Acredito ainda que há espaço para uma publicação a la Spectator em Portugal. E agora é a altura certa.
Neófito nestas andanças da blogoesfera, confesso-me como o outro do anúncio: estou maravilhado, e por acréscimo, aterrorizado. Como escrevia a uma amiga que me pediu o endereço do Tradução, há por aí coisas tão boas e tão bem escritas que por vezes me sinto a escrever de um cabeleireiro, tal a futilidade que perpassa. Algo em mim me impede de dizer os livros que leio, ou a música que gosto, ou os amores que tenho por incontornável receio de alguém, algures, me acusar de ser name dropper. Talvez, como a Ava Gardner, no fundo eu seja um superficial...
quinta-feira, abril 17, 2003
O meu querido amigo Zé Diogo Quintela pergunta-me, com alguma pertinência, se o rumor que corre sobre a ida de Boloni para o Paris Saint-Germain não reflecte essa caracteristica histórica tão francesa da rendição. Eu acho que sim , com uma agravante: sabendo que o Lazlo é romeno, e sabendo nós de que lado esteve a Roménia na II Guerra Mundial (com os alemães, para os mais distraídos), isto cheira mas é a governo de Vichy all over again.
quarta-feira, abril 16, 2003
Várias pessoas perguntaram-me - okay, uma; pronto, ninguém - o porquê do nick "major". Não tem nada a ver com o exército, nem mesmo com John Major, o político mais humilhado e desprezado do século XX (quem é que conhece uma tira de BD que se publicou em Inglaterra chamada "1000 Uses For A John Major", e que incluía, entre outras utilizações, a de um sinalizador de marcha-atrás?).
Mas divago.
O nome vem de Major Scobie, a personagem principal de um romance de Graham Greene que muito prezo e que se chama The Heart Of The Matter (tradução tola local - O Nó do Problema). Scobie é um comissário da polícia de meia-idade, desterrado numa colónia britânica em África (Sierra Leoa), durante a II Guerra Mundial.É um homem que já desistiu da vida: todos lhe passam à frente nas promoções, não suporta a sua mulher de pretensões literárias que quer sair dali desesperadamente. É um tipo honesto no meio da corrupção generalizada, cuja última ambição é que o deixem em paz. O problema é que confunde piedade com amor, responsabilidade e culpa. Acresce a isto que é católico (céptico é certo), o que lhe vai trazer sérios problemas morais durante o romance. O mais engraçado de tudo, é que no final, quando Scobie se confronta com o seu Deus, a sua piedade e a maneira que encontra de resolver os seus dilemas revelam uma enorme vaidade...Gosto do livro porque é muito mais complicado do que aparenta, como as pessoas. E está muito bem escrito: Greene é um mestre do understatement e faz pensar em três linhas o que um autor francês escreveria em três volumes. Leiam lá o livrinho, que não faz mal. E já podem dizer coisas para major_scobie@hotmail.com, sobre este ou outros assuntos.
Mas divago.
O nome vem de Major Scobie, a personagem principal de um romance de Graham Greene que muito prezo e que se chama The Heart Of The Matter (tradução tola local - O Nó do Problema). Scobie é um comissário da polícia de meia-idade, desterrado numa colónia britânica em África (Sierra Leoa), durante a II Guerra Mundial.É um homem que já desistiu da vida: todos lhe passam à frente nas promoções, não suporta a sua mulher de pretensões literárias que quer sair dali desesperadamente. É um tipo honesto no meio da corrupção generalizada, cuja última ambição é que o deixem em paz. O problema é que confunde piedade com amor, responsabilidade e culpa. Acresce a isto que é católico (céptico é certo), o que lhe vai trazer sérios problemas morais durante o romance. O mais engraçado de tudo, é que no final, quando Scobie se confronta com o seu Deus, a sua piedade e a maneira que encontra de resolver os seus dilemas revelam uma enorme vaidade...Gosto do livro porque é muito mais complicado do que aparenta, como as pessoas. E está muito bem escrito: Greene é um mestre do understatement e faz pensar em três linhas o que um autor francês escreveria em três volumes. Leiam lá o livrinho, que não faz mal. E já podem dizer coisas para major_scobie@hotmail.com, sobre este ou outros assuntos.
Tenho de agradecer encarecidamente à excelsa Charlotte, que recomendou no seu blog aptamente chamado bomba inteligente a leitura destes disparates. O dela é melhor do que o meu, e moralmente superior, acho eu. De qualquer maneira, é generoso, com sentido de humor, cultíssimo(nunca discutam com uma mulher que sabe línguas mortas) e - coisa impensável neste meio de comunicação - sexy. O que é que estão aqui a fazer ?
segunda-feira, abril 14, 2003
Confesso que me irrita a democratização da opinião, de que os blogs fazem parte. Falo contra mim, claro, que tenho pouco para dizer e aqui estou. Gostava do tempo em que cada um falava do que sabia, longe destes períodos em que até os oficiais do exército são distribuidos pelo Estado para irem às televisões. Mas será que ninguém estudou Pareto na universidade ?
Quanto a progresso, sou céptico, a não ser os que dizem respeito à saúde. Aquela frase do Musil: "O progresso é uma coisa tão bonita - se ao menos alguém o pudesse parar" é o meu fato de domingo.
Nota-se muito que sou conservador ? You ain't seen nothing yet, baby...
Quanto a progresso, sou céptico, a não ser os que dizem respeito à saúde. Aquela frase do Musil: "O progresso é uma coisa tão bonita - se ao menos alguém o pudesse parar" é o meu fato de domingo.
Nota-se muito que sou conservador ? You ain't seen nothing yet, baby...

